sábado, 3 de janeiro de 2026

Alexandre Dugin: "O Fim do Direito Internacional e o retorno do mundo da guerra". A crise internacional, as direcções possíveis. Convite a participarmos numa ordem mundial equitativa de civilizações em multipolaridade. Text bilingual.

Hoje, 3/1/26, em que com o ataque à Venezuela, mais uma vez o imperialismo norte-americano tirou a sua máscara educada, civilizada, e liderada por Donal Trump, um presidente megalómano e inculto e em fuga para a frente pelo caso Epstein em que está envolvido criminalmente, resolveu mostrar que quem manda no mundo é ele, contra todo o Direito Internacional, ainda por palavras e aparências evocado por alguns, só nos resta esperar que os países não alinhados com o diabolismo opressivo norte-americano se consigam unir e resistir a estas investidas violentas do imperialismo norte-americano, que no caso nem precisa da NATO ou da sua vassala União Europeia para invadir, matar e raptar sem base legal nem justiça natural ou internacional. mas apenas movida pela sua hubris, arrogância e ambição desmedida.
                                        
Nestes momentos de
 indignação, de interrogação, de crise do Direito Internacional e dos Direitos Humanos, que atravessamos cada vez mais intensamente, ninguém melhor que Alexandre Dugin, pai de Daria Dugina, - mártir da liberdade de pensamento e de expressão-, considerado por muitos um dos melhores filósofos e geo-estrategas mundiais, para nos elucidar sobre o momento actual e os trabalhos para as gerações novas que não se querem deixar vender, avençar, alienar, amilhazar, escravizar. Tempos de luta pela multipolaridade. Avancemos por ela em Portugal, mesmo que não tenhamos políticos à altura, mas meros vermes rastejantes do capitalismo europeu, americano ou globalista, dos quais um será o péssimo futuro presidente da República, que não de Portugal e da sua grande Alma, há muito subterrânea como bem intuiu Fernando Pessoa...

 3/1/2026. O Fim do Direito internacional e o retorno do mundo da guerra... Alexander Dugin:

«Estou certo de que agora — ao testemunharem o que está a  desenrolar-se  na política global — todos finalmente compreenderão que o Direito internacional já não existe. Não existe mais.
O Direito internacional é um tratado entre grandes potências capazes de defender a sua soberania na prática. São elas que determinam as regras para si mesmos e para todos os outros: o que é permitido e o que é proibido. E elas as seguem. Tal lei opera em fases (batidas) —desde que o equilíbrio entre as grandes potências seja mantido.
O sistema de Vestfália, que reconhece a soberania dos Estados-nação, tomou forma devido a um impasse no equilíbrio de poder entre católicos e protestantes (juntamente com a França anti-imperial). Se os católicos tivessem vencido, a Santa Sé e o Império Austríaco teriam estabelecido uma arquitetura europeia completamente diferente. Mais precisamente, eles teriam preservado a anterior, medieval.
Em certo sentido, foram os protestantes do Norte da Europa que beneficiaram da Paz de Vestfália em 1648, pois inicialmente haviam dirigido os seus esforços para monarquias nacionais contra o Papa e o Imperador. Sem alcançar uma vitória total, eles ainda assim garantiram seu objetivo.
Formalmente, o sistema de Vestfália sobreviveu até hoje, pois construímos o direito internacional sobre o princípio dos Estados-nação — exatamente aquilo que os protestantes insistiram na Guerra dos Trinta Anos. Mas, em essência, no século XVII, isso dizia respeito apenas aos estados da Europa e suas colónias, e mais tarde, nem todo estado-nação possuía verdadeira soberania. Todas as nações são iguais, mas as nações europeias (as Grandes Potências) são "mais iguais" que as outras.
Havia um certo elemento de hipocrisia em reconhecer a soberania nacional para países fracos, mas isso foi totalmente compensado pela teoria do Realismo. Ela só se cristalizou completamente no século XX, mas reflectia uma imagem das relações internacionais que já havia se formado há muito tempo. Aqui, a desigualdade entre os países é equilibrada pela possibilidade de criar coligações e pela ordem "xadrez" das alianças — estados fracos concluem acordos com os mais fortes para resistir à possível agressão de outras potências fortes. Foi isso que ocorreu, e continua a ocorrer, na prática.
A Liga das Nações tentou dar ao direito internacional baseado no sistema westfaliano um caráter mais firme, buscando limitar parcialmente a soberania e estabelecer princípios universais—baseados no liberalismo ocidental, pacifismo e na primeira versão do globalismo—que todos os países, grandes e pequenos, deveriam seguir. Em essência, a Liga das Nações foi concebida como uma primeira aproximação de um Governo Mundial. Foi então que a escola do Liberalismo nas Relações Internacionais finalmente tomou forma, iniciando sua longa disputa com os Realistas. Os liberais acreditavam que o direito internacional, mais cedo ou mais tarde, deslocaria o princípio da soberania plena dos Estados-nação e levaria à criação de um único sistema internacional. Os realistas em Relações Internacionais continuaram a insistir na sua posição, defendendo o princípio da soberania absoluta —  o legado directo da Paz de Vestfália.
No entanto, na década de 1930, ficou claro que nem o liberalismo da Liga das Nações nem mesmo o próprio sistema westfaliano correspondiam ao equilíbrio de poder na Europa e no mundo. A ascensão dos nazis ao poder na Alemanha em 1933, a invasão da Etiópia pela Itália fascista em 1937 e a guerra da URSS com a Finlândia em 1939 destruíram-no efectivamente, mesmo formalmente. Embora tenha sido oficialmente dissolvida apenas em 1946, a primeira tentativa de estabelecer o Direito Internacional como um sistema abrangente e obrigatório já havia fracassado na década de 1930.
Em essência, a década de 1930 viu o surgimento de três polos de soberania — desta vez com base puramente ideológica. Agora, o que importava não era a soberania formal, mas o potencial real de cada bloco ideológico. A Segunda Guerra Mundial foi precisamente um teste da viabilidade de todos os três campos.
Um campo uniu os países burgueses-capitalistas—principalmente a Inglaterra, a França e os EUA. Este era o campo liberal, que, no entanto, foi involuntariamente privado de sua dimensão internacionalista. Os liberais foram forçados a defender sua ideologia diante de dois poderosos oponentes: o fascismo e o comunismo. Mas, em geral — se excluirmos o "elo fraco", a França, que capitulou rapidamente após o início da Segunda Guerra Mundial — o bloco burguês-capitalista demonstrou um nível suficiente de soberania: a Inglaterra não caiu sob os ataques da Alemanha nazista, e os EUA lutaram (relativamente) de forma eficaz contra o Japão no Pacífico.
O segundo campo foi o fascismo europeu, que cresceu especialmente forte durante a conquista da Europa Ocidental por Hitler. Quase todos os países europeus se uniram sob a bandeira do Nacional-Socialismo. Numa situação assim, não se podia falar em soberania—mesmo no caso de regimes amigos de Hitler (como a Itália fascista ou a Espanha de Franco). Na melhor das hipóteses, alguns países (Portugal de Salazar, Suíça, etc.) conseguiram garantir uma neutralidade condicional. Somente a Alemanha era soberana—ou mais precisamente, o hitlerismo como ideologia.
O terceiro campo foi representado pela URSS, e embora fosse apenas um estado, era baseado especificamente em uma ideologia: o Marxismo-Leninismo. Novamente, não se tratava tanto de uma nação, mas de uma entidade ideológica.
Na década de 1930, o direito internacional—cuja última versão foram os acordos de Versalhes e as normas da Liga das Nações—desmoronou. A partir de então, a ideologia e a força decidiram tudo. Além disso, cada uma das ideologias tinha sua própria visão da futura ordem mundial, o que significava que operavam com as  suas próprias versões do direito internacional.
A URSS acreditava na Revolução Mundial e na abolição dos estados (como um fenómeno burguês), o que representava uma versão marxista da globalização e do internacionalismo proletário. Hitler proclamou um "Reich de Mil Anos" com a dominação planetária da própria Alemanha e da "raça ariana." Nenhuma soberania era prevista para ninguém, exceto o Nacional Socialismo mundial. E apenas o Ocidente burguês-capitalista —  essencialmente puramente anglo-saxão — manteve a continuidade com o sistema de Vestfália, calculando uma futura transição para o internacionalismo liberal e, novamente, para um Governo Mundial. Na verdade, a Liga das Nações, que formalmente persistiu embora fosse não funcional, era naquela época um vestígio do antigo globalismo e um protótipo para o futuro.
Em qualquer caso, o Direito internacional foi "suspenso"—essencialmente abolido. Uma era de transição começou, onde tudo era decidido unicamente pelo nexo entre ideologia e força, que ainda precisava ser provado no campo de batalha. Assim, nos aproximamos da Segunda Guerra Mundial como o culminar dessa confrontação de ideologias de força. O direito internacional não existia mais.
O resultado concreto do confronto ideológico de poder entre liberalismo, fascismo e comunismo levou à abolição de um dos polos—o Nacional-Socialismo Europeu. O Ocidente burguês e o Oriente socialista anti-burguês criaram a coligação anti-Hitler e, juntos (com a maior parte pertencendo à URSS), destruíram o fascismo na Europa.
Em 1945, as Nações Unidas foram criadas como a base de um novo sistema de direito internacional. Em certa medida, isso foi um renascimento da Liga das Nações, mas a ascensão acentuada da influência da URSS, que estabeleceu um controle ideológico e político total sobre a Europa Oriental (e a Prússia Ocidental—República Democrática Alemã), introduziu um traço ideológico pronunciado no sistema de soberanias nacionais. O verdadeiro portador da soberania era o campo socialista, cujos estados estavam unidos pelo Pacto de Varsóvia e, economicamente, pelo COMECON [Conselho para Assistência Económica Mútua]. Ninguém neste campo era soberano, excepto Moscovo e, consequentemente, o PCUS [Partido Comunista da União Soviética].
No polo burguês-capitalista, ocorreram processos essencialmente simétricos. Os EUA tornaram-se o núcleo do Ocidente liberal soberano. No mundo anglo-saxão, o centro e a periferia trocaram de lugar — a liderança passou da Grã-Bretanha para Washington. Os países da Europa Ocidental e, mais amplamente, o campo capitalista, encontraram-se na posição de vassalos da América. Isso foi solidificado pela criação da OTAN e pela transformação do dólar na moeda de reserva mundial.
Assim, a ONU também ancorou um sistema de direito internacional— formalmente baseado no reconhecimento da soberania, mas na verdade no equilíbrio de poder entre os vencedores da Segunda Guerra Mundial. Apenas Washington e Moscovo eram verdadeiramente soberanos. Consequentemente, o modelo pós-guerra manteve uma conexão com a ideologia, tendo abolido o Nacional-Socialismo, mas fortalecido significativamente o campo socialista.
Este é o mundo bipolar, que projetou a  sua influência em todas as outras regiões do planeta. Qualquer estado—incluindo as colónias recém-liberadas do Sul Global—enfrentava uma escolha: qual (dos dois!) modelos ideológicos adoptar. Se escolhessem o capitalismo, transferiam a soberania para Washington e a OTAN. Se socialismo, então para Moscovo. O Movimento dos Não-Alinhados tentou estabelecer um terceiro polo, mas faltaram-lhe tanto os recursos ideológicos quanto os de poder para fazê-lo.
A era pós-guerra estabeleceu um sistema de Direito internacional baseado na correlação real de forças entre dois campos ideológicos. Formalmente, a soberania nacional foi reconhecida; na prática, não foi. O princípio de Westfália foi mantido nominalmente. Na realidade, tudo era decidido através do equilíbrio de poder entre a URSS e os EUA e seus satélites.
Em 1989, durante o colapso da URSS—provocado pelas reformas destrutivas de Gorbachev—o bloco oriental começou a desmoronar, e em 1991, a URSS desintegrou-se. Os antigos países socialistas adoptaram a ideologia de seu adversário da Guerra Fria. O mundo unipolar começou.
Isso significava que o direito internacional mudou qualitativamente. Somente uma autoridade soberana permaneceu, que se tornou global—os EUA ou o Ocidente coletivo. Uma ideologia, uma força. Capitalismo, liberalismo, OTAN. O princípio da soberania do Estado-nação e a própria ONU tornaram-se uma relíquia do passado, assim como a Liga das Nações um dia fora.
O Direito internacional passou a ser estabelecido a partir de um único polo — os vencedores da Guerra Fria. Os derrotados (o antigo campo socialista e, principalmente, a URSS) aceitaram a ideologia dos vencedores, reconhecendo essencialmente uma dependência vassala do Ocidente coletivo.
Nessa situação, o Ocidente liberal viu uma oportunidade histórica de fundir a ordem liberal internacional com o princípio da hegemonia do poder. Isso exigiu ajustar o Direito internacional à realidade dos fatos. Assim, a partir da década de 1990, uma nova onda de globalização começou. Isso significava a subordinação direta dos Estados-nação a um corpo supranacional (novamente, um Governo Mundial) e o estabelecimento de controle direto sobre eles por Washington, que se  havia  tornado a capital do mundo. A União Europeia foi criada nesse sentido como um modelo de tal sistema supranacional para toda a humanidade. Os migrantes começaram a ser trazidos em massa precisamente para esse propósito—para mostrar como deve ser a humanidade internacional universal do futuro.
Numa situação assim, a ONU perdeu seu significado:
Primeiramente, foi construída com base no princípio da soberania nacional (que já não correspondia a nada).
Em segundo lugar, as posições especiais da URSS e da China e seu lugar no Conselho de Segurança da ONU representavam uma relíquia da era bipolar.
Portanto, começou a falar-se em Washington sobre a criação de um novo sistema de relações internacionais—abertamente unipolar. Chamava-se a "Liga das Democracias" ou o "Fórum da Democracia."
Ao mesmo tempo, dentro dos próprios EUA, o globalismo dividiu-se em duas correntes:
Liberalismo ideológico, internacionalismo puro (Soros com sua Open Society,  ou “Sociedade aberta,” USAID, wokeismo, etc.);
Hegemonia americana direta apoiada na OTAN, defendida pelos Neocons.
Essencialmente, eles convergiram, mas os primeiros insistiam que a principal prioridade era a globalização e o aprofundamento da democracia liberal em todos os países do planeta, enquanto os últimos insistiam que os EUA deveriam controlar diretamente todo o território da Terra ao nível militar-político e económico.
No entanto, a transição de um modelo bipolar de direito internacional para um unipolar nunca ocorreu completamente, mesmo apesar do desaparecimento de um dos polos ideológico-poderosos. Isso foi impedido pela ascensão sincrónica da China e da Rússia sob Vladimir Putin, quando os contornos de uma arquitectura mundial completamente diferente — a multipolaridade —começaram a manifestar-se claramente. No lado oposto dos globalistas (tanto os internacionalistas liberais de esquerda quanto os neoconservadores de direita), surgiu uma nova força. Embora ainda não esteja claramente definida ideologicamente, ela rejeita o padrão ideológico do Ocidente liberal-globalista. Essa força inicialmente vaga começou a defender a ONU e a combater a formalização final da unipolaridade—ou seja, a conversão do status quo de poder e ideológico (a real dominação do Ocidente coletivo) em um sistema jurídico correspondente.
Assim, encontramos-nos numa situação que se assemelha ao caos. Acontece que cinco sistemas operacionais de relações internacionais estão atualmente funcionando no mundo simultaneamente, tão incompatíveis quanto fossem softwares de diferentes fabricantes:
Por inércia, a ONU e as normas do Direito internacional reconhecem a soberania dos Estados-nação, o que na realidade perdeu a sua força há quase cem anos e existe como uma "dor fantasma." No entanto, a soberania ainda é reconhecida e às vezes torna-se um argumento na política internacional.
Também por inércia, algumas instituições retêm vestígios do mundo bipolar há muito concluído. Isso não corresponde a nada, mas faz-se sentir de vez em quando—por exemplo, na questão da paridade nuclear entre a Rússia e os EUA.
O Ocidente coletivo continua a insistir na globalização e no movimento em direção a um Governo Mundial. Isso significa que todos os Estados-nação são convidados a ceder a sua soberania em favor de instâncias supranacionais — tal como o Tribunal Internacional de Direitos Humanos ou o Tribunal de Haia. A UE insiste em ser um modelo para o mundo inteiro em termos de apagar todas as identidades coletivas e dizer adeus à soberania nacional.
Os EUA — especialmente sob Trump — sob a influência dos Neocons, comportam-se como o único poder hegemónico, considerando "lei" qualquer coisa que esteja nos interesses da América. Essa abordagem messiânica opõe-se parcialmente ao globalismo, desconsidera a Europa e o internacionalismo, mas insiste com a mesma intensidade na des-soberania de todos os estados—pelo direito da força.
E, finalmente, os contornos de um mundo multipolar estão a surgir cada vez mais claramente, naqual o portador da soberania é o estado-civilização — como a China moderna, a Rússia ou a Índia. Isso requer mais um sistema de direito internacional. O protótipo para tal modelo poderia ser os BRICS ou outras plataformas de integração regional —  sem a participação do Ocidente (já que o Ocidente traz consigo os seus próprios modelos, mais articulados e rígidos).
Todos os cinco sistemas operam simultaneamente e, naturalmente, eles interferem entre si, produzindo falhas contínuas, conflitos e contradições. Ocorre um curto-circuito lógico da rede, criando a impressão de caos ou simplesmente a ausência de qualquer direito internacional. Se houver cinco leis internacionais simultâneas que se excluem mutuamente, então, em essência, não há nenhuma.
A conclusão de tal análise é bastante alarmante. Tais contradições ao nível global, tal conflito profundo de interpretações, quase nunca na história (honestamente, nunca) foi resolvido pacificamente. Aqueles que se recusam a lutar pela sua ordem mundial se encontram-se imediatamente derrotados. E eles terão que lutar pela ordem mundial de outra pessoa, já no status de vassalos.
Consequentemente, uma Terceira Guerra Mundial é mais do que provável. E em 2026, é mais provável do que em 2025 ou antes. Isso não significa que estamos condenados a isso; apenas significa que estamos numa situação muito difícil. Por definição, uma guerra mundial envolve todos ou quase todos. É por isso que é chamada de guerra mundial. Mas ainda assim, em toda guerra mundial, há sujeitos principais. Hoje, eles são:
O Ocidente colectivo em suas duas encarnações (liberal-globalista e hegemónica);
Os polos emergentes do mundo multipolar (Rússia, China, Índia).
Todos os outros são, por enquanto, meramente um instrumento.
Ao mesmo tempo, o Ocidente tem uma ideologia, enquanto o mundo multipolar não tem. A multipolaridade em si já se manifestou de forma geral, mas ideologicamente ainda não está formalizada. Quase nada.
Se o direito internacional não existe, e é impossível por definição defender o mundo de Yalta, a antiga ONU e a inércia da bipolaridade, então devemos apresentar o nosso próprio novo sistema de direito internacional. A China está fazendo certas tentativas nessa direção (”Comunidade de Destino Comum”), nós em menor grau (as excepções sendo a Teoria do Mundo Multipolar e a Quarta Teoria Política [Desenvolvidas bastante por Dugin]). Mas isso claramente não é suficiente. Talvez este ano tenhamos que participar de uma "luta de todos contra todos" planetária, durante a qual o futuro, a ordem mundial correspondente e o sistema de direito internacional serão determinados. Neste momento, não há. Mas deve haver uma lei internacional que nos permita ser o que devemos ser — um Estado-Civilização, um Mundo Russo. É isso que deve ser conceptualizado o mais rápido possível.»
Tradução do inglês corrigida por mim. 
                                    
Alexander Dugin explains how international law has collapsed and why the struggle between unipolar domination and a multipolar world order is already moving towards a Third World War.: 

«I am certain that now—witnessing what is unfolding in global politics—everyone has finally understood that international law no longer exists. It is no more.

International law is a treaty between major powers capable of defending their sovereignty in practice. It is they who determine the rules for themselves and for everyone else: what is permitted and what is forbidden. And they follow them. Such law operates in phases (beats)—as long as the balance between the major powers is maintained.

The Westphalian system, which recognizes the sovereignty of nation-states, took shape due to a stalemate in the balance of power between Catholics and Protestants (joined by anti-imperial France). Had the Catholics won, the Roman See and the Austrian Empire would have established a completely different European architecture. More precisely, they would have preserved the previous, medieval one.

In a sense, it was the Protestants of the European North who benefited from the Peace of Westphalia in 1648, as they had originally steered towards national monarchies against the Pope and the Emperor. Without achieving a total victory, they nonetheless secured their goal.

Formally, the Westphalian system has survived to this day, as we construct international law on the principle of nation-states—the very thing the Protestants insisted upon in the Thirty Years’ War. But in essence, in the 17th century, this concerned only the states of Europe and their colonies, and later, not every nation-state possessed true sovereignty. All nations are equal, but the European nations (the Great Powers) are “more equal” than others.

There was a certain element of hypocrisy in recognizing national sovereignty for weak countries, but it was fully compensated for by the theory of Realism. It only fully crystallized in the 20th century, yet it reflected a picture of international relations that had formed long ago. Here, the inequality of countries is balanced by the possibility of creating coalitions and the “chess-like” order of alliances—weak states conclude agreements with stronger ones to resist the possible aggression of other strong powers. This is what occurred, and continues to occur, in practice.

The League of Nations attempted to give international law based on the Westphalian system a firmer character, seeking to partially limit sovereignty and establish universal principles—based on Western liberalism, pacifism, and the first version of globalism—which all countries, large and small, were supposed to follow. In essence, the League of Nations was conceived as a first approximation of a World Government. It was then that the school of Liberalism in International Relations finally took shape, beginning its long dispute with the Realists. Liberals believed that international law would sooner or later displace the principle of full sovereignty of nation-states and lead to the creation of a single international system. Realists in International Relations continued to insist on their position, defending the principle of absolute sovereignty—the direct legacy of the Peace of Westphalia.

However, by the 1930s, it became clear that neither the liberalism of the League of Nations nor even the Westphalian system itself corresponded to the balance of power in Europe and the world. The Nazi rise to power in Germany in 1933, fascist Italy’s invasion of Ethiopia in 1937, and the USSR’s war with Finland in 1939 effectively destroyed it, even formally. Although it was officially dissolved only in 1946, the first attempt to establish international law as an overarching, mandatory system had already foundered in the 1930s.

In essence, the 1930s saw the emergence of three poles of sovereignty—this time on purely ideological grounds. Now, what mattered was not formal sovereignty, but the real potential of each ideological bloc. World War II was precisely a test of the viability of all three camps.

  • One camp united the bourgeois-capitalist countries—primarily England, France, and the USA. This was the liberal camp, which was, however, involuntarily stripped of its internationalist dimension. The liberals were forced to defend their ideology in the face of two powerful opponents: fascism and communism. But on the whole—if one excludes the “weak link,” France, which capitulated quickly after the start of WWII—the bourgeois-capitalist bloc demonstrated a sufficient level of sovereignty: England did not fall under the attacks of Hitler’s Germany, and the USA fought (relatively) effectively against Japan in the Pacific.

  • The second camp was European fascism, which grew especially strong during Hitler’s conquest of Western Europe. Almost all European countries united under the banner of National Socialism. In such a situation, there could be no talk of sovereignty—even in the case of regimes friendly to Hitler (such as fascist Italy or Franco’s Spain). At most, some countries (Salazar’s Portugal, Switzerland, etc.) were able to secure a conditional neutrality. Only Germany was sovereign—or more precisely, Hitlerism as an ideology.

  • The third camp was represented by the USSR, and although it was only one state, it was based specifically on an ideology: Marxism-Leninism. Again, it was not so much about a nation as it was about an ideological entity.

In the 1930s, international law—the last version of which was the Versailles agreements and the norms of the League of Nations—collapsed. From then on, ideology and force decided everything. Furthermore, each of the ideologies had its own view of the future world order, which meant they operated with their own versions of international law.

The USSR believed in the World Revolution and the abolition of states (as a bourgeois phenomenon), which represented a Marxist version of globalization and proletarian internationalism. Hitler proclaimed a “Thousand-Year Reich” with the planetary dominance of Germany itself and the “Aryan race.” No sovereignty was envisioned for anyone except world National Socialism. And only the bourgeois-capitalist West—essentially purely Anglo-Saxon—maintained continuity with the Westphalian system, calculating a future transition to liberal internationalism and, again, to a World Government. In fact, the League of Nations, which formally persisted though it was non-functional, was at that time a vestige of the old globalism and a prototype for the future one.

In any case, international law was “suspended”—essentially abolished. A transitional era began where everything was decided solely by the nexus of ideology and force, which remained to be proven on the battlefield. Thus we approached World War II as the culmination of this confrontation of force-ideologies. International law was no more.

The concrete result of the power-ideological confrontation between liberalism, fascism, and communism led to the abolition of one of the poles—European National Socialism. The bourgeois West and the anti-bourgeois socialist East created the anti-Hitler coalition and jointly (with the greater share belonging to the USSR) destroyed fascism in Europe.

In 1945, the United Nations was created as the foundation of a new system of international law. To some extent, this was a revival of the League of Nations, but the sharp rise in the influence of the USSR, which established total ideological and political control over Eastern Europe (and Western Prussia—the German Democratic Republic), introduced a pronounced ideological trait into the system of national sovereignties. The true bearer of sovereignty was the socialist camp, whose states were united by the Warsaw Pact and, economically, by COMECON [Council for Mutual Economic Assistance]. No one in this camp was sovereign except Moscow and, accordingly, the CPSU [Communist Party of the Soviet Union].

On the bourgeois-capitalist pole, essentially symmetric processes occurred. The USA became the core of the sovereign liberal West. In the Anglo-Saxon world, the center and periphery swapped places—leadership passed from Great Britain to Washington. The countries of Western Europe and, more broadly, the capitalist camp, found themselves in the position of vassals to America. This was solidified by the creation of NATO and the transformation of the dollar into the world’s reserve currency.

Thus, the UN also anchored a system of international law—formally based on the recognition of sovereignty, but in fact on the balance of power between the victors of World War II. Only Washington and Moscow were truly sovereign. Consequently, the post-war model maintained a connection to ideology, having abolished National Socialism but significantly strengthened the socialist camp.

This is the bipolar world, which projected its influence onto all other regions of the planet. Any state—including the newly liberated colonies of the Global South—faced a choice: which (of the two!) ideological models to adopt. If they chose capitalism, they transferred sovereignty to Washington and NATO. If socialism, then to Moscow. The Non-Aligned Movement attempted to establish a third pole, but it lacked both the ideological and the power resources to do so.

The post-war era established a system of international law based on the real correlation of forces between two ideological camps. Formally, national sovereignty was recognized; in practice, it was not. The Westphalian principle was maintained nominally. In reality, everything was decided through the balance of power between the USSR and the USA and their satellites.

In 1989, during the collapse of the USSR—brought about by Gorbachev’s destructive reforms—the Eastern bloc began to crumble, and in 1991, the USSR disintegrated. The former socialist countries adopted the ideology of their Cold War adversary. The unipolar world began.

This meant that international law changed qualitatively. Only one sovereign authority remained, which became global—the USA or the collective West. One ideology, one force. Capitalism, liberalism, NATO. The principle of nation-state sovereignty and the UN itself became a relic of the past, just as the League of Nations once had.

International law was henceforth established by only one pole—the victors of the Cold War. The defeated (the former socialist camp and, primarily, the USSR) accepted the ideology of the victors, essentially acknowledging a vassal dependence on the collective West.

In this situation, the liberal West saw a historical opportunity to merge the international liberal order with the principle of power hegemony. This required adjusting international law to the real state of affairs. Thus, from the 1990s, a new wave of globalization began. It meant the direct subordination of nation-states to a supranational body (again, a World Government) and the establishment of direct control over them by Washington, which had become the capital of the world. The European Union was created in this vein as a model of such a supranational system for all of humanity. Migrants began to be brought in en masse precisely for this purpose—to show what the universal international humanity of the future should look like.

In such a situation, the UN lost its meaning:

  1. Firstly, it was built on the principle of national sovereignty (which no longer corresponded to anything at all).

  2. Secondly, the special positions of the USSR and China and their place in the UN Security Council represented a relic of the bipolar era.

Therefore, talk began in Washington about creating a new—openly unipolar—system of international relations. It was called the “League of Democracies” or the “Democracy Forum.”

At the same time, within the US itself, globalism split into two currents:

  • Ideological liberalism, pure internationalism (Soros with his “open society,” USAID, wokeism, etc.);

  • Direct American hegemony relying on NATO, which was defended by the Neocons.

Essentially they converged, but the former insisted that the main priority was globalization and the deepening of liberal democracy in every country on the planet, while the latter insisted that the USA directly control the entire territory of the earth on a military-political and economic level.

However, the transition from a bipolar model of international law to a unipolar one never fully occurred, even despite the disappearance of one of the ideological-power poles. This was prevented by the synchronous rise of China and Russia under Putin, when the contours of a completely different world architecture—multipolarity—first began to manifest clearly. On the opposite side of the globalists (both the left-wing, pure liberal-internationalists, and the right-wing neocons), a new force appeared. While not yet clearly defined ideologically, it nonetheless rejects the ideological pattern of the liberal-globalist West. This initially vague force began to defend the UN and counteract the final formalization of unipolarity—that is, the conversion of the power and ideological status quo (the real dominance of the collective West) into a corresponding legal system.

Thus, we find ourselves in a situation resembling chaos. It turns out that five operating systems of international relations are currently functioning in the world simultaneously, as incompatible as software from different manufacturers:

  1. By inertia, the UN and the norms of international law recognize the sovereignty of nation-states, which in reality lost its force nearly a hundred years ago and exists as a “phantom pain.” Nevertheless, sovereignty is still recognized and sometimes becomes an argument in international politics.

  2. Also by inertia, some institutions retain traces of the long-concluded bipolar world. This corresponds to nothing at all, yet it makes itself felt from time to time—for example, in the question of nuclear parity between Russia and the USA.

  3. The collective West continues to insist on globalization and the movement towards a World Government. This means that all nation-states are invited to cede their sovereignty in favor of supranational instances—such as the International Court of Human Rights or the Hague Tribunal. The EU insists on being a model for the entire world in terms of erasing all collective identities and bidding farewell to national statehood.

  4. The USA—especially under Trump—under the influence of the Neocons, behaves as the sole hegemon, considering “law” to be anything that is in the interests of America. This messianic approach partially opposes globalism, disregards Europe and internationalism, but insists just as sharply on the de-sovereignization of all states—by right of force.

  5. And finally, the contours of a multipolar world are emerging ever more clearly, where the bearer of sovereignty is the state-civilization—such as modern China, Russia, or India. This requires yet another system of international law. The prototype for such a model could be BRICS or other regional integration platforms—without the participation of the West (since the West brings its own, more articulated and rigid models with it).

All five systems operate simultaneously, and naturally, they interfere with one another, producing continuous failures, conflicts, and contradictions. A logical short-circuiting of the network occurs, creating the impression of chaos or simply the absence of any international law whatsoever. If there are five simultaneous international laws that exclude one another, then, in essence, there is none.

The conclusion from such an analysis is quite alarming. Such contradictions on a global level, such a deep conflict of interpretations, has almost never in history (honestly, never at all) been resolved peacefully. Those who refuse to fight for their world order find themselves immediately defeated. And they will have to fight for someone else’s world order, already in the status of vassals.

Consequently, a Third World War is more than likely. And in 2026, it is more likely than in 2025 or earlier. This does not mean we are doomed to it; it only means that we are in a very difficult situation. By definition, a world war involves everyone or nearly everyone. That is why it is called a world war. But still, in every world war, there are primary subjects. Today, they are:

  • The collective West in both its incarnations (liberal-globalist and hegemonist);

  • The rising poles of the multipolar world (Russia, China, India).

Everyone else is, for now, merely an instrument.

At the same time, the West has an ideology, while the multipolar world does not. Multipolarity itself has already generally manifested, but ideologically it is not yet formalized. Almost not at all.

If international law does not exist, and it is impossible by definition to defend the Yalta world, the old UN, and the inertia of bipolarity, then we must put forward our own new system of international law. China is making certain attempts in this direction (”Community of Common Destiny”), we to a lesser extent (the exceptions being the Theory of the Multipolar World and the Fourth Political Theory). But this is clearly not enough. Perhaps this year we will have to participate in a planetary “struggle of all against all,” during which the future, the corresponding world order, and the system of international law will be determined. Right now, there is none. But there must be an international law that allows us to be what we must be—a State-Civilization, a Russian World. This is what must be conceptualized as quickly as possible.

(Translated from the Russian)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Nahjul-Balagha, o Pico da Eloquência, pelo 1º Imam Shia, Ali ibn Abu Talib. Extractos sobre Deus, os Anjos, os profetas ou mestres, a peregrinação, o desenvolvimento da ideia de Deus. Text bilingual.

       Sendo hoje o dia de aniversário Ali Ibn Abi Talib, nascido   no dia 13  do mês de Rajab, no calendário lunar, de 607, casado com Fátima ou Zahra, a filha do profeta Maomé, e que abriu o sulco da linhagem religiosa dos 12 Imans com que se configurou a religião Shia, que tem no Irão a sua nação, e a quem já consagramos alguns textos, resolvemos hoje   partilhar ensinamentos extraídos do Pico da Eloquência, Nahjul-Balagha, os quais, ainda que com as limitações do  tempo, transmitem ainda muito da Sabedoria ou Filosofia Perene, certamente  se os soubermos meditar, interpretar, praticar... Creio não serem necessárias interpretações, e se algumas   indicações sobre  os anjos serão pueris tomadas à letra outras são  bem   compreensíveis e valiosas, tal o é dito sobre a  formação da ideia de Deus em nós. Sublinhei as frases mais importantes, e se houver perguntas, poderei responder e acrescentar... O  texto, longo  está online, em https://www.duas.org/pdfs/Nahjul-Balagha.pdf

                                         Criação dos Anjos
«Então Ele criou as aberturas entre os altos céus e as preencheu-as com todas as classes dos Seus anjos. Alguns deles estão em prostração e não se levantam. Outros estão em posições de joelhos e não se levantam. Alguns deles estão em fila e não abandonam sua posição. Outros estão exaltando Allah e não se cansam. O sono dos olhos ou a falha de sagacidade ou o cansaço do corpo ou o efeito do esquecimento não os afeta.
Entre eles estão os que trabalham como portadores confiáveis da Sua mensagem, aqueles que servem, falando em línguas para os Seus profetas e os que levam as Suas ordens e injunções. Entre eles estão os custódios de Suas criaturas e os guardiões das portas dos jardins do Paraíso. Entre eles estão aqueles cujos passos estão firmes na Terra, mas cujos pescoços se projetam para os céus. Os seus membros estão estendidos por todos os lados, os seus ombros estão em harmonia com as colunas do Trono Divino, os  seus olhos estão voltados para baixo diante dele, abriram as suas asas para baixo sob o trono e colocaram entre ele e tudo o mais cortinados de honra e telas de poder.
Eles não pensam no seu Criador através de imagens, não lhe atribuem atributos criados, não O confinam dentro  de abóbadas e não  apontam para Ele  através de imagens.»

                      Deus Escolhe os Seus Profetas 
«Da descendência de Adão, Allah escolheu profetas e recebeu o  compromisso deles para a Sua revelação e para levarem a Sua mensagem como um encargo  confiado.
Ao longo do tempo, muitas pessoas perverteram o  depósito 
de Allah confiado  a elas, ignoraram o Seu estatuto e tomaram [outros] associados ao mesmo tempo que Ele. Satanás afastou-os do conhecimento de Deus e manteve-os distantes de Sua adoração. Então Allah enviou os Seus Mensageiros e séries de  profetas Seus ao povo para  cumprirem os compromissos de Sua criação, para recordar-lhes as Suas bênçãos, para exortá-los pela pregação, para revelar-lhes as virtudes ocultas da sabedoria e para mostrar-lhes os sinais de Sua Omnipotência. Desses sinais, Ele mostrou o céu que está elevado sobre eles, a terra que está sob eles,  meios de vida para se manterem, a morte que os faz morrer, doenças que os envelhecem e incidentes que sucessivamente os afligem.
Allah nunca permitiu que a Sua criação permanecesse sem um Profeta (h) designado por Ele, ou um livro enviado por Ele, ou um argumento vinculativo, ou uma súplica permanente. Esses Mensageiros eram tais que não se sentiam pequenos devido à escassez de seu número ou à grandeza do número de seus falsificadores. Entre eles havia ou um predecessor que nomearia o que o seguiria ou o seguidor que havia sido apresentado pelo predecessor.»
     Neste Mesmo Sermão, Ele falou assim sobre o Hajj:
«Allah tornou obrigatória para vocês a peregrinação (hajj) à Sua Casa sagrada, que é o momento de transformação para as pessoas que vão até ela, tal como os animais ou os pombos vão em direção à água da fonte. Allah, o mais Glorificado, fez dela um sinal da súplica deles diante de Sua Grandeza e do reconhecimento da Sua Dignidade. Ele escolheu de entre a Sua criação aqueles que, ao ouvirem o Seu chamamento, responderam a ele e deram testemunho da Sua palavra. Eles ficaram no nível  [ou estatuto] dos Seus Profetas e assemelhavam-se aos Seus anjos que rodeiam o Trono Divino, assegurando todos os benefícios de realizarem a Sua adoração e apressando-se em direção ao Seu prometido perdão  [ou  reintegração]. Deus, o Mais Glorificado, fez dela (Sua Casa Sagrada) um emblema para o Islão e um objeto de respeito para aqueles que a ele se voltam. Ele tornou obrigatória a sua peregrinação e estabeleceu sua reivindicação pela qual Ele se responsabilizou a cumprir. Assim, Allah, o mais Glorificado, disse:
“Allah (puramente) para Allah, é incumbente para a humanidade, a peregrinação à Casa, para aqueles que podem permitir-se a viagem até lá.” E quem negar, então, verdadeiramente Allah é auto- suficientemente independente dos Mundos” (Alcorão, 3: 96).
O mais importante na religião (din) é o  conhecimento de  Deus. O significado literal de din é obediência e o seu sentido popular é um código [de princípios e leis]. Seja qual for o sentido literal ou o popular, em qualquer caso, se a mente estiver desprovida de qualquer concepção de Divindade, não haveria questão de obediência, nem de seguir qualquer código, porque quando não há objetivo, não há sentido em avançar em direção a ele. Quando não há nenhum objetivo em vista, não faz sentido fazer esforços para alcançá-lo. No entanto, quando a natureza e a faculdade orientadora do ser humano o colocam em contacto com uma Autoridade superior e o seu gosto pela obediência e o impulso de submissão o subjugam diante de uma Divindade, ele se vê-se a si próprio limitado por certas restrições em vez da liberdade abjecta de actividade. Essas mesmas limitações são din (religião) cujo ponto de partida é o conhecimento de Allah e o reconhecimento de Seu Ser.»

Comentário de Martyr Ayatollah Murtada Mutahhari: «Depois de apontar os elementos essenciais do conhecimento divino, Amir al-Mu’minin, isto é, Ali,  o "Comandante dos Fiéis" ou o "Líder dos Crentes",   descreveu os seus elementos constitutivos e as condições importantes. Ele considera 
como insuficientes tais etapas do conhecimento que as pessoas tomam como o ponto máximo de aproximação [a Deus]. Ele diz que a primeira etapa é aquela em que, com o sentido natural de busca pelo desconhecido e a orientação da consciência ou ao ouvir os seguidores das religiões, uma imagem do Ser Invisível conhecido como Deus forma-se na mente. Esta imagem, na verdade, é  precursora da obrigação de pensar e refletir e de buscar o Seu conhecimento. Mas os que amam a ociosidade, ou estão sob a pressão do ambiente, não empreendem essa busca apesar da criação de tal imagem e a imagem não consegue ser testemunhada. Neste caso, eles permanecem privados do conhecimento divino. Como o acesso ao estágio de testemunhar após a formação da imagem é pelo [uso] vontade, eles merecem ser questionados sobre isso. Mas quem for movido pelo poder desta imagem vai além e considera o pensamento e a reflexão necessários. Dessa forma, alcança-se o próximo estágio na obtenção do conhecimento Divino, ou seja, busca-se o Criador através da diversificação da criação e das espécies de criaturas. Isso é assim porque cada quadro é um sólido e inflexível guia para a existência de seu pintor e cada efeito para a acção de sua causa. Quando ele lança o olhar ao seu redor, não encontra uma única coisa que possa ter surgido sem o acto de um criador, tanto que não encontra o sinal de uma pegada sem um caminhante nem uma construção sem um construtor.
Como poderia ele compreender que este céu azul 
na sua expansão com o sol e a lua,  e a Terra com a exuberância de sua relva e flores poderiam ter surgido sem a acção de um Criador? Assim, após observar tudo o que existe no mundo e o sistema regulado de toda a criação, ninguém pode deixar de concluir que há um Criador para este mundo de diversidades, porque a existência não pode surgir do não-existir, nem a existência pode brotar do nada
                                         
                                            Creation of the Angels
Then He created the openings between the high skies and filled them with all classes of His angels. Some of them are in prostration and do not rise. others are in kneeling positions and do not stand up Some of them are in array and do not leave their status. others are extolling Allah and do not get tired. The sleep of the eye or the slip of wit or languor of the body or effect of forgetfulness does not effect them. Among them are those who work as trusted bearers of His message, those who serve, speaking tongues for His prophets and those who carry His orders and injunctions. Among them are the protectors of His creatures and guards of the doors of the gardens of Paradise. Among them are those whose steps are fixed on earth but their necks protrude into the skies. Their limbs are out on all sides, their shoulders are in accord with the columns of the Divine Throne, their eyes are cast down before it,
they have spread their wings down under it and they have rendered between themselves and all else curtains of honor and screens of power.  They do not think of their Creator through image, do not impute created attributes to Him, do not confine Him within abodes and do not point at Him through illustrations.»
 
Courtesy of Amir Fayes

                                      Allah Chooses His Prophets (x)
From Adam’s progeny, Allah chose prophets and took their  pledge for His revelation and for carrying His message as their trust.
Throughout the course of time many people perverted Allah’s trust with them and ignored His status and took associates along with Him. Satan turned them away from knowing Allah and kept them aloof from His worship. Then Allah sent His Messengers and a series of His prophets toward people to get them to fulfil the pledges of His creation, to recall His bounties to them, to exhort them by preaching, to unveil before them the hidden virtues of wisdom and to show them the signs of His
Omnipotence. Of these signs He showed the sky which is raised over them, the earth that is placed beneath them, a means of livelihood to sustain, death that makes them die, ailments that turn them old and incidents that successively betake them.
Allah never allowed His creation to remain without a Prophet  (h) deputed by Him, or a book sent down from Him or a binding  argument or a standing plea. These Messengers were such that they did
not feel little because of smallness of their number or the largeness of the number of their falsifiers. Among them was either a predecessor who would name the one to follow or the follower who had been introduced by the predecessor.

In this Same Sermon, He Spoke thus about the Hajj:
Allah has made obligatory upon you the pilgrimage (hajj) to His sacred House which is the turning point for the people who go to it as beasts or pigeons go towards spring water. Allah, the most Glorified One, made it a sign of their supplication before His Greatness and their acknowledgment of His Dignity. He selected from among His creation those, who on listening to His call, responded to it and testified to His word. They stood in the status of His Prophets and resembled His angels who surround the Divine Throne securing all the benefits of performing His worship and hastening towards His promised forgiveness. Allah, the most Glorified One, made it (His sacred House) an emblem for Islam and an object of respect for those who turn to it. He made obligatory its pilgrimage and laid down its claim for which He held you responsible to discharge it. Thus, Allah, the most Glorified One, said:
“Allah (purely) for Allah, is incumbent upon mankind, the pilgrimage to the House, for those who can afford to journey thither. And whoever denies, then verily Allah is Self-sufficiently independent of the
Worlds” (Holy Quran, 3: 96). The foremost in religion (din) is His knowledge. The literal
meaning of din is obedience and its popular sense is a code. whether the literal sense is taken or the popular one, in either case, if the mind is devoid of any conception of Divinity, there would be no question of obedience, nor of following any code because when there is no aim there is no point in advancing towards it. Where there is no object in view there is no sense in making efforts to achieve it. Nevertheless, when the nature and guiding faculty of man bring him in contact with a superior Authority and his taste for obedience and impulse of submission subjugates him before a Deity, he finds himself bound by certain limitations as against abject freedom of activity. These very limitations are din (religion) whose point of commencement is knowledge of Allah and acknowledgment of
His Being.
After pointing out the essentials of the Divine knowledge Amir, al-Mu’minin has described its important constituents and conditions. He holds those stages of such knowledge which people generally regard as the point of highest approach to be insufficient. He says that its first stage is that with the natural sense of search for the unknown and the guidance of conscience or on hearing from the followers of religions an image of the Unseen Being known as Allah is formed in the mind. This image, in fact, is the forerunner of the obligation to thinking and reflection and to seeking His knowledge. But those who love idleness, or are under pressure of environment, do not undertake this search despite the creation of such an image and the image fails to get testified. In this case they remain deprived of the Divine knowledge. Since access to the stage of testifying after the formation of image is by volition, they deserve to be questioned about it. But one who is moved by the power of this image
goes further and considers thinking and reflection necessary. In this way  one reaches the next stage in the attainment of the Divine knowledge, namely to search for the Creator through diversification of the creation and species of creatures. This is so because every picture is a solid and inflexible guide to the existence of its painter and every effect to the action of its cause. When he casts his glance around himself he does not find a single thing which might have come into existence without the act
of a maker so much so that he does not find the sign of a footstep without a walker nor a construction without a builder. How can he comprehend that this blue sky with the sun and the moon in its expanse and the earth with the exuberance of its grass and flowers could have come into existence without the action of a Creator? therefore, after observing all that exists in the world and the regulated system of the entire creation no one can help but conclude that there is a Creator for this world of diversities because existence cannot come out of non-existence, nor can existence sprout forth from nothingness.»

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O discurso de Vladimir Putin de boas vindas a 2026, sábio e luminoso. Venha a paz o mais brevemente possível.

                             

O tradicional discurso do novo ano pronunciado por Vladimir Putin para 2026, na Praça Vermelha ou Refulgente, com brevidade, três minutos apenas,  contém todavia ensinamentos importantes, dignos de se meditarem, e que perante a desinformação anti-Rússia reinante no Ocidente resolvemos traduzir e partilhar pelo amor à verdade e à justiça.
Destacaremos no início a mensagem de que o Futuro depende ou é feito por cada um de nós. Que cada um deve extrair de dentro de si as forças que lhe permitirão alcançar os seus objectivos, e saber que está em ligação com os seres que lhe são mais queridos, confiando neste corpo místico ou subtil que nos interliga e que é alimentado pelos nossos pensamentos e sentimentos de cuidado e apoio recíproco, tal como a família representa tão bem: um por todos, todos por um.
Esta solidariedade e unidade num nível maior manifesta-se na realação com a Pátria e Mátria, pois o bem que realizamos para nós e os outros reflecte-se no bem da nação, na sua história e reforça a unidade que liga todos cidadãos bem como a segurança para um melhor futuro.
Vladimir Putin exprimirá mesmo algumas qualidades ou virtudes (de vir, força) que devemos trabalhar, meditar, vivenciar no dia a dia ao longo do ano, perseverantemente: o amor, a amizade, a compaixão, a simpatia e a generosidade.
Quanto ao que se passa na luta ou guerra com a Ucrânia e Ocidente, será muito breve: elogiará os soldados e comandantes pelo sacrifício que assumiram e garante-lhe que milhões e milhões de Russos estão com eles no corpo místico da Mátria-Pátria, unidos em espírito por subtis e bemfazejas vibrações que superam todas as distâncias e planos de
vida.
                                    
             
Muita luz e amor na alma de Daria Dugina, uma alma mártir da santa Rússia!

Discurso do Presidente da Rússia Vladimir Putin:
«Cidadãos da Rússia, amigos,
Neste momento,
 enquanto estamos à beira do Ano Novo, todos sentimos a passagem do tempo. Diante de nós está o futuro, e o que ele nos reserva depende em grande parte de nós.
Extraímos força de dentro de nós mesmos e daqueles que estão ao nosso lado – aqueles que são queridos e próximos dos nossos corações – e estamos sempre prontos para oferecer o nosso ombro em troca. Este apoio mútuo dá-nos confiança de que todas as nossas aspirações, esperanças e planos serão definitivamente realizados.
Naturalmente, cada um de nós tem sonhos pessoais, únicos, muito especiais à sua maneira. No entanto, eles são inseparáveis do destino da nossa Pátria e do sincero desejo de servi-la.
Pois estamos unidos – o povo da Rússia. O trabalho, as conquistas e os sucessos de cada um de nós acrescentam novos capítulos à sua história milenar, enquanto a força da nossa unidade determina a soberania e a segurança da nossa Pátria, o seu desenvolvimento e o seu futuro.
O Ano Novo é, acima de tudo, um momento em que esperamos o melhor, a bondade e a boa sorte. É um feriado especial e mágico, quando abrimos nossos corações para o amor, a amizade e a compaixão, para a simpatia e a generosidade.
Esforçamo-nos para trazer alegria e calor através do nosso cuidado com aqueles que precisam de apoio e, claro, estando ao lado dos nossos heróis – os participantes na operação militar especial – tanto em palavras quanto em ações.
Vocês tomaram sobre vós próprios o dever de lutar pela nossa terra natal, pela verdade e pela justiça. Nesta véspera de Ano Novo, milhões de pessoas em toda a Rússia, asseguro-vos, estão com vocês: pensam em vós, compartilham os seus sentimentos e põem as suas esperanças em vós. Estamos unidos por um amor sincero, abnegado e devotado à Rússia.
Desejo a todos os nossos soldados e comandantes um Feliz Ano Novo! Nós acreditamos em vós e na nossa vitória.
Amigos,
Dentro de alguns momentos, ouviremos os sinos do relógio do Kremlin, e o Ano Novo começará. Damos as boas-vindas juntos aos mais próximos e queridos: os nossos filhos, pais, amigos e companheiros de armas. Mesmo os que estão longe – vós estais ainda connosco em espírito.
Desejo-vos a todos boa saúde e felicidade, compreensão e prosperidade. E, acima de tudo, amor que nos inspire. Possam as nossas tradições, fé e memória ligar em unidade todas as gerações,  apoiando-nos sempre e em tudo.
Somos um – uma forte, grande  e unida família, e é por isso que continuaremos a trabalhar e a criar, para alcançar os nossos objetivos, avançando apenas para o benefício de nossos filhos e netos, para o benefício da nossa grande Rússia.
Feliz Ano Novo, amigos!
Feliz 2026!

                                                    
Discourse from the President of Russia Vladimir Putin: Citizens of Russia, friends,
At this moment, as we stand on the threshold of the New Year, we all feel the passage of time. Before us lies the future, and what it holds largely depends on us.
We draw strength from within ourselves and from those who stand beside us – those who are dear and close to our hearts – and we are always ready to lend our shoulder in return. This mutual support gives us confidence that all our aspirations, hopes, and plans will definitely be realised.
Naturally, each of us has personal, unique dreams, very special in their own way. Yet they are inseparable from the destiny of our Motherland and from the sincere desire to be of service to it.
For we are united – the people of Russia. The labour, achievements, and successes of each of us add new chapters to its thousand-year history, while the strength of our unity determines the sovereignty and security of our Fatherland, its development, and its future.
The New Year is, above all, a time when we hope for the best, for goodness and good luck. It is a special and magical holiday, when we open our hearts to love, friendship, and compassion, to sympathy and generosity.
We strive to bring joy and warmth through our care for those in need of support and, of course, to stand by our heroes – the participants in the special military operation – in both word and deed.
You have taken upon yourselves the duty of fighting for our native land, for truth and for justice. On this New Year’s Eve, millions of people across Russia, I assure you, are with you: they think of you, share your feelings, and place their hopes in you. We are united by a sincere, selfless, and devoted love for Russia.
I wish all our soldiers and commanders a happy New Year! We believe in you and in our victory.
Friends,
In just a few moments, we will hear the chimes of the Kremlin clock, and the New Year will begin. We welcome it together with the nearest and dearest: our children, parents, friends, and comrades-in-arms. Even those who are far away – you are still with us in spirit.
I wish you all good health and happiness, understanding and prosperity. And, above all, love which inspires us. May our traditions, faith, and memory bind all generations together, supporting us always and in everything.
We are one – a great, strong, and united family, and that is why we will continue to work and to create, to achieve our goals, moving only forward for the benefit of our children and grandchildren, for the benefit of our great Russia.
Happy New Year, friends!
Happy 2026!
                                               

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

"E Antero disse..." Poema inspirado e algo profético do P. Moreira das Neves, escrito do alto do Cristo Rei


 Corria o ano de 1959 e o mês quente florido de Maio, quando o Padre Moreira das Neves (18/11/1902 a 31/3/92), desde 1934  chefe de redacção do jornal da Igreja Católica «Novidades», escritor, conferencista e poeta, entusiasmado e inspirado com a construção e a inauguração do monumento nacional a Cristo Rei, escreveu o seu décimo quarto livro intitulado Cristo sobre o Tejo, com 31 poemas, quatro deles dedicados a seres,  Antero de Quental, Rainha Santa Isabel, Princesa Santa Joana e Jesus, e os outros a Lisboa, ao rio Tejo, à história e alma portuguesa, todos eles repassados de religiosidade, ora sofredora ora esperançosa e alegre. A obra leva como dedicatória inicial: «A todos aqueles que na suplica e na esperança amorosamente o ajudaram a construir.»

Vamos partilhar o poema de Antero de Quental, pois o P. Moreira das Neves era um bom apreciador e conhecedor da Literatura Portuguesa e nomeadamente da geração de João de Deus, Antero, Eça, Junqueiro, Ramalho Ortigão e Oliveira Martins, sendo o seu livro O Grupo dos Cinco. Dramas Espirituais, bem valioso, com bastantes páginas dedicadas a Antero, derivando o seu drama de não se ter conseguido conhecer, sofrendo duma luta entre o coração e a cabeça. sem humildade para aceitar os ensinamentos da Igreja, pelo tivera um "curto-circuito espiritual" ao suicidar-se, ressalvando que Deus ainda assim no seu íntimo o poderia ter salvo.  Este seu poema dedicado a Antero, ou invocando-o, foi inspirado das alturas do monumento do Cristo Rei, após  árdua subida de 500 degraus em andaimes, num dos fins de tarde em que o Sol poente derrama sobre Lisboa e o Tejo os seus raios, gerandos miríficas refrações coloridas.

A fala imaginada de Antero, depois de ter invocado outros dois grandes poetas da solidão e do amor, e da serra da Arrábida, Frei Agostinho da Cruz e Sebastião da Gama,  é um discurso póstumo que poderemos até aceitar como possível, como não destoando do que Antero Quental lhe poderia murmurar se eles estivessem clarividentemente em diálogo. E quem saberá o que se passou na inspiração do poema na alma do P. Moreira das Neves?

E ANTERO DISSE:

«São quinhentos os degraus.
A um por um os subi.
Subi-os, o peito arfando,
Arrastado no desejo
De conquistar as alturas
Do pedestal hirto e enorme

E por escadas de andaimes
Subi ao cimo da estátua
Do Cristo de sobre o Tejo.

Em baixo, o rio corria,
Dizendo adeus à cidade
E já sentindo nas ondas
O sal das ondas do mar.
Ao longe o mar era espuma,
Espuma e distância azul.
Ao longe a terra era verde,
Toda de verde vestida

E sobre o Tejo correndo
E sobre a terra sonhando,
Um céu de poema heróico
cheio de sol e nuvens.

Ardia a tarde nos vidros
Das janelas de Lisboa.
Sobre o zimbório da Estrela
sangravam jóias acesas.

Uma bandeira flutuava
Sobre a torre de Castelo
De altas ameias morenas.
Ao Sol, de burel, a Arrábida
Clamava nomes de poetas:
Frei Agostinho da Cruz.
O da divina saudade,
E tu, Sebastião da Gama,
Arauto da Serra-Mãe.

Subi ao cimo da estátua
E entrei no braço direito
Do Senhor das Amplidões.
Lembrei os versos de Antero,
Coração crucificado
Na angústia do pensamento
Ansioso de repousar
Na mão direita de Deus.

E Antero me disse, triste
Com a túnica de bruma
Da ilha de S. Miguel:

-- A imagem vale uma sombra.
Para além da sombra, olha
O Corpo das Cinco Chagas
jorrando como, em verdade,
Cinco fontes infinitas
E, para além do corpo, alma,
Princípio e glória de tudo.
A alma que me falou,
E que eu não soube escutar
(Por não ouvir essa voz
Na hora do desencanto,
É que eu cedi, lábios mudos,
À tentação dos abismos).
Mas Cristo é Deus. Deus é Pai.
Grita-o sempre, sem descanso.
O mundo deseja a paz.
A paz não vem de outra origem.
O mundo deseja o amor.
O amor não vem senão dEle.
Sem Ele, os anjos não lutam
Pela salvação da Esperança.
E então os homens, transidos,
Possessos de ódio e loucura,
Nunca mais farão poemas
Nem catedrais. Nunca mais!

E cairão sobre o gume
Das suas próprias espadas.» 

O que encontramos de profético no poema é o estado da humanidade sem amor, infrahumanizada ou transhumanizada, oprimida pela oligarquia globalista liberal. sem referência a Deus, a Cristo, à alma, à voz da consciência, ao Anjo, à Tradição, à família.

Antero sempre desejou e recomendou tentarmos ouvir a voz interior da consciência, e segui-la, e lamenta-se de não a ter escutado quando se suicidou e se precipitou num vácuo, abismo, inconsciência, ou nada, Temporário estado, claro, embora não saibamos bem por quanto tempos, e o que o terá ajudado a elevar-se para planos de luz e de auto-consciência, e de abertura ao Anjo, ao Cristo, à Divindade. 

São valiosas a sugestão de oração pela Paz e Amor: a fonte é Cristo, ou o Logos Solar, o Amor-Inteligência Divina. E a de que é nesta ligação que os Anjos trabalham pela esperança dos seres humanos., ou que neste estado consciencial e anímico que temos acesso a eles.

Saibamos pois abrir-nos mais a estas vibrações e dimensões divinas, para que os Arcanjos e Anjos da Guarda possam fortificar-nos na luta contra as forças do ódio, da mentira, da manipulação, da opressão, da corrupção, que no presente tanto regem o Ocidente e a tão desgraçada, anti-democrática e anti-russa direcção da União Europeia.. 

Que Frei Agostinho da Cruz, Antero de Quental, Sebastião da Gama, o P. Moreira das Neves, e outras grandes almas,  nos inspirem a abrir-nos mais ao Amor-Sabedoria Divina, a sê-lo (esto) e a partilhá-lo no mundo, e entre os poucos mais afins, os dois ou três unidos no nome, palavra ou Logos!

domingo, 28 de dezembro de 2025

Poem to the spirit, and of the flight to the Divinity, two in the One.

 To the Spirit, in me, in you, in all.

Invocation of the Spirit:
Let us investigate, that is, enter,
deepen, let oneself sink,
research, humbly wanting to walk
and progress in fields not well understood,
or belittled but nevertheless important,
valuable, transformative, essential.

Investigate knowledge
of the human Spirit,
and of his capabilities for the future,
to strengthen ourselves,
and 
to improve the soul of Mankind .

Investigate deep w
ithin
through practices
psycho-spiritual,
and abroad by the testimonies,
highlighting those who best knew
saw, experienced, desc
ribed,
and share
 spiritual knowledge,
the Spirit throughout the centuries,
in Portugal but not only,
the main connoisseurs,
mystics, masters, and writers.

Perhaps the best seekers and knowers
were mystics and religious figures
like Francisco Sousa Tavares, Friar Hilary,
Gregório Taveira, and later poets scholars
of esotericism and occult sciences,
such as Leonardo Coimbra and Fernando Pessoa,
without forgetting Antero, Bocage, Agostinho, Dalila.

You and I investigating the spiritual Light,
opening our eyes and hearts wide,
for the Spirit manifests itself to us,
consciousnesses in human bodies and brains,
by the inner Light that we see,
forms and beings revealing themselves to the eye,
for the happiness and gratitude that we feel.

-"I open myself more to the light," this is our prayer,
Deepening the visions of light and even of souls.
- "Spiritual eye," we want to open you up more.

Of the methods for this, contemplation stands out.
of images, paintings, mandalas, vesica pisces, and spirals,
crystals and flowers, trees, rivers, and mountains,
as well the intensification of love for the Divinity.

Here I am,
I, my spirit,
and the spirits of the universe
and to whoever may read me:
you, so far away in time and space
from this here and now: - Open yourself to God..

Invoking the spirit more frequently and strongly
springs from prayer and meditation
or, grace of graces,
with a kindred soul, twin or elevated,
with which duality becomes unity,
and is communion of constant love in aspiration.

But so difficult it is to have similar wings
and have the same flight in the spiritual world,
that poetry and song began to pray
and the chests and hearts opened to bleed.

I gave you my hand, you gave me your hand,
after the eyes have extended inward
aiming to the luminous ocean of the Divinity,
and the hearts becoming an intense flame,
search the Divinity to worship and love,
in the mystery of the Being that we are, you are..
Aum I am... Aum we are... Aum is...