sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Nicholai Roerich, Agni Vidya. 1ª p. Tradução comentada por Pedro Teixeira. Gravação em vídeo.

Oiçamos um pensamento do ensinamento do Agni Yoga, dado pelo casal russo Nicholai e Helena Roerich, extraído do livro Infinito I, pensamento 169 : «Como é que o conceito de paz é apreendido na consciência humana? As fundações são falsas e são manifestadas como a afirmação de uma direcção cheia de vontade. Quando o Senhor disse que trazia à Terra não a paz mas a espada, ninguém compreendeu esta grande verdade. A purificação do espírito pelo fogo é a espada».

Oiçamos a pequena gravação (e que continuarei) do texto de Nicholai Roerich intitulado Conhecimento do Fogo, Agni Vidya, e tentemos e consigamos viver o dia a dia cada vez mais invocando Agni, o fogo psíquico cósmico purificador.        Aum Agni Aum!

              

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

A Geórgia escapará aos planos destrutivos dos USA, Fórum Económico Mundial, Soros e da sinistra Victoria Nulland?

Monumento à amizade do povo e história da Geórgia com a Rússia, nas montanhas da Geórgia.

                                          
Extraído da /TASS/, canal russo ainda visível na internet ocidental (o que já não se passa com a RT, e outros), do dia 8 de Janeiro.
«Tbilissi conseguiu evitar o cen
ário ucraniano, mas a luta para manter a paz no país continua, afirmou o conselho político do partido Sonho Georgiano - Geórgia Democrática, actualmente no poder [e após tentativas desesperadas da União Europeia,  de Soros e Schwab e dos partidos europeus submetidos a estes, tal a A.D., I.L., Livre e PAN,   numa declaração:
“Com grandes esforços e através de uma luta intransigente, a Geórgia conseguiu evitar o cenário ucraniano. No entanto, a luta pela paz continua e esta batalha tem de chegar ao fim”, afirma o comunicado.
O partido recordou que, enquanto persistirem os combates na Ucrânia, haverá sempre esforços para estabelecer uma “segunda frente” na Geórgia. A este respeito, o conselho político do partido sublinhou que o povo da Geórgia deve lutar até ao fim para garantir a sua sobrevivência.
A declaração também faz referência às tentativas do chamado Estado Profundo de controlar Washington e a sua política externa. As autoridades georgianas acreditam que as actuais crises mundiais, incluindo a situação na Ucrânia, são o resultado de acções do Estado Profundo (Deep State, dos USA).

Vitória Nuland, dos principais responsáveis, com Biden, Ursula, Stoltenberg, Zelensky e Boris Johnson (que impediu o acordo de Ankara), pela morte de mais de um milhão de ucranianos, e cerca de 200.000 russos.

                                                    

“O Estado Profundo encenou as chamas da guerra em vários países do mundo. O efeito mais devastador das munições de guerra do Estado Profundo foi infligido ao nosso país amigo, a Ucrânia. Kiev tinha soberania, integridade territorial, paz e uma economia de quase 200 mil milhões de dólares antes de 2014, mas hoje está quase destruída, enquanto os conspiradores de Maidan (Nuland e &) não assumem qualquer responsabilidade por isso”, observou o Sonho Georgiano.

Uma fotografia que diz muito: Com o embaixador norte-americano na Ucrânia, Vitoria Nuland, a responsável da política norte-americana para Leste, em 22014, na praça Maidan distribui, provavelmente do MacDonalds, aos que participavam no golpe que iria desencadear a queda do governo eleito democraticamente e a chegada ao poder dos extremistas, que não descansarão da opressão dos russos ucranianos, até em Fevereiro de 2022 o Kremlin decidir que chegava... Ela hoje: 

 


Irakli Garibashvili, um fiel do Amor, bem resistente

Em 25 de fevereiro de 2022, o então Primeiro-Ministro da Geórgia, Irakli Garibashvili, anunciou que não tinha planos para impor sanções à Rússia, invocando como motivo os interesses nacionais. No início de março do mesmo ano, Vladimir Zelensky chamou o embaixador ucraniano de Tbilissi em resposta à posição do Governo georgiano sobre as sanções. A decisão do Governo foi igualmente criticada pela oposição, que acusou as autoridades de colaborarem com a Rússia. Além disso, os líderes do partido no poder acusaram frequentemente as autoridades ucranianas e alguns políticos europeus de tentarem abrir uma segunda frente na Geórgia. Acreditam que certas forças estão a tentar provocar a Rússia para que esta lance operações militares paralelas no país.»

Rússia libertando as províncias do Leste da Ucrânia, com muita morte e destruição infelizmente e desnecessária. Demos graças a Deus que o Deep State falhou na BelaRússia e agora na Geórgia, que soube votar pela sua independência em relação à agenda da elite oligárquica ocidental...

 O Presidente Lukashenko  ao ser reeleito, em 26-1-25 para o seu terceiro mandato, com 86% dos votos da população da BieloRussia, foi naturalmente mais uma pedra nos sapatos delicadinhos de Bruxelas, enfurecendo os políticos invejosos que dirigem a União Europeia, tal a r da Kallas, o par de António Kosta, como damas de honor de Ursula, e que veio protestar e rosnar pois  dizem-se interessados em abocanhar a Bielorrússia. Mas pior ainda deve ter sido o apoio dado a Geórgia pelo Presidente Viktor Orban da Hungria, que reiterou o seu apoio ao recém eleito Kavelashvili e à Geórgia livre da corrupção, arrogância, mesquinhez e russofobia, típicas dos políticos dirigentes da União Europeia e do oligarca George Soros, que subsidia grupos e partidos com aparência de alternativos...
                                                  

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Reis Magos: do seu culto, e hermenêutica espiritual duma gravura portuguesa do séc. XVIII. Um contributo no entardecer do dia dos Magos reis de 2025. Com um vídeo.

 A legenda dos  Reis Magos, ou  Magos reais, ou grandes seres que teriam vindo do Oriente, com várias peripécias, presentear e adorar (ou talvez melhor, abençoar, iniciar...)  Jesus, originada no Evangelho de S. Mateus, II, 2-12, recebeu no Cristianismo uma frutificação tão grande que permitiu  fixarem-se em três a partir dos três presentes, saberem-se os seus nomes, considerarem-se os seus corpos e túmulos como depositados na catedral de Colónia, estabelecerem-se as suas armas heráldicas, as suas roupas, as mitras frígias ou as coroas, cultuando-se assim a sua memoria por uma variedade de imagens, festividades e orações, e imaginando-se muito simbolismo no pouco que se escrevera no Evangelho e no que depois se foi acrescentando em comentários hermetizantes ou mesmo alquímicos. Oiçamo-lo:  «Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém. 2: “Perguntaram eles: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.. 3A essa notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele., 4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.. 5 Disseram-lhe: “Em Belém, na Judeia, porque assim foi escrito pelo profeta: 6‘E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo”.7 (...) 9Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou. 10 A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria. 11Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.»

Nesta descrição destaque-se o virem do Oriente, o serem magos, ou seja sacerdotes ou iniciados da tradição persa, seguirem uma estrela que se movia sobre eles, que desaparece, reaparece e estaca (causando grande alegria tal fixação...),  e oferecerem os seus presentes, oiro, incenso e mirra, que tinham certos significados, que poderemos resumir como a riqueza e poder, a devoção e sabedoria, e a resiliência à dor  e imortalidade.

Com tempo, os Magos (magi, plural) tornaram-se os três reis, do Oriente, que podia ir da Síria, ao Irão e à Índia, e chegou-se a atribuir-lhes  nacionalidades e os nomes, tal os de Baltasar, Gaspar e Melchior, não sendo porém fácil imaginar-se a devoção com que tais nomes chegaram a ser pronunciados ou invocados, nem os resultados inspiradores recebidos.

Foi então na arte que eles mais se desenvolveram historicamente,  desde o tempo da catacumbas, com as representações mais antigas do séc. II,  atingindo o seu ponto mais alto esteticamente no Renascimento, embora na Idade Média, época onde se fixaram os principais traços característicos também houvesse bastante devoção a eles, nomeadamente na literatura popular, nos autos e em festas populares...

                               

Os registos ou gravuras dos magos tornados reis santos, prosseguiu pelos séculos XVII e XVIII e assim encontramos belas estampas que eram vendidas nas feiras, festas, lojas e vendedores ambulante, por vezes baseadas numa imagem pintada que se venerava em alguma igreja, o que não é o caso da imagem que apresentamos, que tendo a sua sede de vendas na R. Nova do Almada, 45, Lisboa, era bastante misericordiosa para quem recitasse mesmo que apenas um só Pai Nosso e Avé Maria: 100 dias de indulgências dados pelo Cardeal Patriarca. Teria o Patriarcado direito a algumas estampazinhas, ou apenas procurava estimular a devoção a tais personagens menos cultuada nas devoções de fé curadora, em geral mais viradas ou dirigidas para Jesus e Maria e certos santos e santas, tal S. Rita de Cássia, advogada dos casos impossíveis e com culto ainda forte, por exemplo, na zona de Abrantes?

A gravura, que segundo o inventário de Ernesto Soares é de origem veneziana,  é singular na simbologia escolhida pois os magos reais, designados por "Os Santos Reis", oferecem os seus presentes ao Menino que se encontra no interior da estrela no alto do céus dentro de um estrela de pontas e no meio da nuvens, e que com a mão direita já abençoa quem o venerar por tal estampa, talvez incorporando alguma imagética e fé do culto do Menino imperador do Mundo, das festas do Espírito.  Com que sentimentos e colorações as pessoas conseguiam contemplar tal imagem durante o tempos das suas orações, e intensificarem as suas forças e esperanças, só podemos conjecturar...

Provavelmente o mais original e valioso é representar-se a criança dentro da estrela e com isso sugerir-se que Jesus, o Mestre, o Deus incarnado humanamente para o Ocidente, guia e inspira quem o demanda, mesmo que esteja fora do redil da Igreja e venha do Oriente por sua própria sabedoria, computagem astronómica ou mais veridicamente pela sua abertura e visão do olho espiritual, e que consiga portanto contemplar interiormente a sua luz, estrela e imagem.
A estampa
é realmente bem valiosa de ensinamento espiritual para quem a sabe sentir e contemplar com a alma em aspiração de vida à Divindade, pois os magos santos reis, ricos dos seus poderes e presentes, não estão ao mesmo nível que o Menino terrestre nem se prosternam por terra e o adoram, como comummente se desenham belamente, mas antes de joelhos e de pé se assumem como sacerdotes reais do corpo místico da humanidade, oferecendo as suas orações e energias para os mundos celestiais, onde no meio da estrela ou Sol se encontra visível, sob a forma do Menino divino, o Logos Solar, o Sermo, Palavra ou Verbo  referido ou enaltecido pelos discípulos, ou segundo S. João,  no prólogo do seu Evangelho, escrito em grego, ν ἀρχῇ ἦν ὁ Λόγος, En Arke en ho Logos. Ao Princípio era a Palavra.", e que irá encarnar em Jesus...
Anote-se que o discípulo S. João nada
tem a ver com o Apocalipse e que este não foi escrito por ele, ainda que seja num grego sofrível,  pois espelha praticamente só o Antigo Testamento, escrita na esperança do retorno do Messias, numa forma visionária profética e de escatologia arrepiante.
Os Santos Re
is, e já estava esquecida a original fonte dos Magi ou  sacerdotes-astrólogos-sábios da Pérsia (e investigar tal origem implicaria outro artigo), surgem então como uma imagem de concórdia entre o Oriente e o Ocidente, na esperança duma época de fraterna multipolaridade que se esperava com a vinda dum Salvador tanto na religião dos magos da Pérsia, o Saoshyant,  como no Judaísmo com o Messiah, que significa ungido, e que se traduz em grego por Christos, e que os dirigentes de Israel e o seu povo repudiaram, ficando por conta dos cristãos essa aceitação do enviado divino  e a divulgação da nova mensagem ou Evangelho que deveria ser de amor e sabedoria, mas que sabemos como por diversas circunstâncias chegou aos impasses e contradições actuais.

Após um Natal inexistente humanamente pelo genocídio em curso na antiga Terra Santa, ao menos que saibamos perseverar no culto das qualidades crísticas, ou dos Mestres e Magos, e que podem pelo menos aperfeiçoar-nos e salvar-nos  do Mal, que é tanto a crueldade e o assassinato tão vulgarizados por alguns regimes, como a aceitação passiva e amilhazada deles, como a nova Ordem Mundial infra-humanista do Fórum Económico Mundial procura impor na humanidade, através dos políticos, gestores e jornalistas a ela vendidos.
Esfo
rcemo-nos por preservar na invocação da Divindade e dos mestres, santas (e várias das nossas sorores tenho apresentado no blogue) e santos, e mormente Jesus, Maria e o Espírito Santo e, comungando nas nossas orações e meditações com eles, sermos o fogo do Amor e a Luz da Sabedoria Divina em acção, quais radiantes estrelas  no caminho da Verdade, mesmo que ad astra per aspera, ou no "optimismo escatológico" como vivia e deixou em testamento espiritual a mártir Daria Dugina Platonova.

 Daria Dugina, uma estudiosa da Filosofia Perene, da elevada Tradição espiritual desde a Antiguidade (nomeadamente de Platão, Plotino, Proclus, Juliano, do neoplatonismo), da qual o veio ou corrente dos Mestres ou Magos Reais que vieram abençoar e provavelmente instruir Jesus (como defendeu Bô Yin Râ), é uma manifestação que só por uma hermenêutica profunda e meditativa desvenda alguma Luz da Glória, essa que os cavaleiros Templários, que muito co-cultuaram  os santos Magos da Arte Real, cantavam no seu Non Nobis, Domine, non Nobis, sed Nomini tuo da Gloriam. E que eu entoei (com as minhas limitações) na madrugada de  6 de janeiro de 2025, entre outras orações, como pode ouvir. Anote-se um outro artigo  sobre os Magos santos: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2016/01/dia-dos-reis-magos-ou-mestres-do.html

                       

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

O coração espiritual nos seres, nos novos dias e anos.

O coração, órgão físico e subtil, é um centro muito importante na vida de cada um de nós, e sabermos senti-lo quanto ao que ele sente, como está ou mesmo vê, é uma tarefa valiosa de se trabalhar numa direção ou intencionalidade de auto-conhecimento, aperfeiçoamento,  discernimento ambiental e religação espiritual.

Um ensinamento da demanda é o coração ser como um espelho e nele se poderem reflectir e reagir não só as impressões quotidianas como o que mais desejamos e amamos, ou mesmo aspectos dos mundos espirituais e dos atributos da Divindade.
                                          

Pode-se vê-lo como uma porta ou janela no peito, por ela se obtendo acesso aos mundos subtis e espirituais e aos seus seres, ao mesmo tempo que de tais planos  nos penetram energias e seres nos alcançam, embora em geral de modos subtis, fugazes, longínquos.  
A existência do coração espiritual, em certos casos com uma configuração belíssima de raios, fios e circuitos de energias, ondas e partículas, é de se lembrar pois volta e meia tal visão beatifica as meditações, orações e comunhões dos seres que não se deixam alienar, amilhazar e infrahumanizar pela comunicação social avençada às forças anti-amor, anti-verdade, anti-multipolaridade.
Os seres na demanda dizem que o 3º olho da visão espiritual está muito ligado ao coração e que se não vemos espiritualmente é porque o coração subtil dos nossos desejos e amores, ou aspirações e ideais, não está  bem limpo, purificado, alinhado e como muita poeira, distração, alienação se levanta dos ações e comunicações do dia a dia, a nossa vista fica toldada, o coração semi-cerrado, tal o sol tapado por sucessivas nuvens.
  É pela vida activa e relacional atenta, compassiva, criativa, abnegada, repudiando o mal e  harmonizando-se com a natureza e a verdade, e pelo conhecimento interior, silêncio, devoção e  adoração que vamos melhorando e intensificando o estado, estações e capacidades do coração espiritual.
Há assim tanto pessoas como práticas como paisagens, livros, pinturas e músicas que desanuviam o coração, ou intensificam as suas irradiações luminosas, que no fundo nos alinham e religam mais com ele, e que portanto nos fazem estar mais em fluidez natural na vibração do amor ou unitiva, permitindo que  a nossa consciência receba do universal Campo unificado de energia consciência as informação que lhe são necessárias ou úteis à sua inserção e participação, por vezes em insuspeitadas sincronias, com o desenrolar do plano evolutivo da Humanidade, e com o swadharma, o nosso dever, no meio da Ordem Cósmica e Divina..
De um modo mais simples e imediato, estarmos mais no coração significa sentirmos o coração espiritual no centro do peito irradiante como um sol, ou com a centelha do espírito,  e vermos e sentirmos mais e melhor o que estamos a fazer e como estamos no dia a dia, irradiando o calor do amor e a luz do Logos. E tal pode ser relembrado e actualizado ao juntarmos   mantras ou jaculatórias,  gestos e  exercícios,  desde o despertar e  criativamente ao longo do dia dedilhados. Os sons da guitarra ou harpa do coração podem ser tão subtis quão divinos, ora instrumentais ora vocálicos, e a música exterior que oiçamos deve remeter-nos nas meditações para a audição e a pronúncia com o  coração das sonoridades mantricas harmonizadoras e iluminadoras.
Saibamos viver com optimismo escatológico, como recomendava Daria Duguina, os sucessivos novos dias, estações, anos, com o fogo do amor e da inteligência divina irradiando harmoniosa e corajosamente do nosso coração...

domingo, 29 de dezembro de 2024

Dos livros, marginália e capas belas, e o que podem transmitir, perenemente: Francisco Alves, Alfredo Ansúr e Manuel d'Arriaga.

                                Livros, Capas e Marginália.

Por entre a desilusão grande que sentimos perante os políticos e os meios de informação ocidentais avençados, lobotizados e russofobizados,  os livros, e as suas capas, são um meio de viagem e diálogo para além da mediocridade de tanta instituição, informação e publicação.

As capas do livros, realizadas com tanto engenho e amor, e as antigas com certas limitações, por artistas conhecidos ou desconhecidos, dizem-nos: - Não somos só para ser lidos e relidos, mas também para sermos contemplados. E frequentemente bem investigados, pois preciosidades podemos conter, tais como anotações posteriores à impressão e as dedicatórias, bóias de amor-sabedoria lançadas  para o destinatário e dono do livro, ou para o futuro da Humanidade. Contemplemos e oiçamos:

Deste livro, na 1ª folha branca vai a dedicatória de Francisco Alves, nascido em Proença-Nova, um vibrante pioneiro do são e cristão espiritismo entre nós,  à Câmara Municipal de Braga. É de 1918, mas tão actual face ao genocídio do povo da Palestina: "O Ouvi é uma revolução d'alma, é um acordar das consciências, perante a hecatombe que assola o mundo"..... O mal, o egoísmo, a ignomínia vêm de tudo o "que não é inspirado na obra da Igualdade, Humildade, Caridade, Verdade". Movido pela compaixão e o seu conhecimento psico-espiritual, por vezes ingénuo, Francisco Alves transmite uma mensagem humanitária, doutrinária e despertante. As capas das suas obras foram dadas à luz da olisiponense Imprensa de Manuel Lucas Torres, à rua do Diário de Notícias, 59 a 61.

Esta  obra foi assim dedicada: «Curvando-me perante o supremo altar da sublime Verdade, ofereço à Pátria, à República  e à Humanidade, culto de amor e de trabalho». No interior, uma dedicatória manuscrita valiosa: "Princípio do reinado do Espírito sobre a Matéria. Para o bem humano pede-se leia de vagar e com atenção. Offerece o Autor, 8-5-1921" 
Pela capa, o tão popular romancista Blasco-Ibáñez dir-nos-á do além: - Não te deixes inclinar demasiado, não percas a consciência da tua verticalidade. Alinha-te, recupera a auto-consciência frequentemente, e abre-te ao alto, ao Divino, à sua co-presença. Sê uma torre, uma Casa de Deus justa, sábia.
A mais que popular Guimarães & Cª,Editores, que tanto animou a capital e o meio literário português, parece afirmar: - Sonhar na ventura amorosa a todos cabe na Fortuna da Vida, mas o acordo perfeito é bem difícil e raro. Todavia, poemas e cartas de Amor são imortais, tal como o Amor em si, ou mesmo a amizade divina que reina entre todos os espíritos de bem....
Hino à luz, ao conhecimento, à ciência, e à juventude, para que aspire sempre à luz do conhecimento infinito, e frutifique em amor, justiça, fraternidade e multipolaridade. Em 1912, por Alfredo Ansúr (1849-1927), um genial jurista e escritor,  aberto à espiritualidade universal, nomeadamente oriental que conhecia bem, tendo escrito mesmo um livrinho sobre Confúcio nas edições A. M. Teixeira, dirigida pelo advogado e ocultista João Antunes, onde Fernando Pessoa também colaborou com traduções de Teosofismo. O livrinho, um in-8º de 64 páginas, dado à luz em 1912, no Centro Typ. Colonial (1.200 exemplares, com oito tipo de colorações nas capas, conforme os liceus e universidades a que se destinavam),  contém sobretudo poemas astronómicos e  três longos budistas (e um recorte de uma crítica de um jornal da época), é precedido duma carta de convivialidade e urbanidade de outro pensador e escritor apaixonado pela sabedoria e a justiça, e que foi amigo de Antero de Quental, Manuel d'Arriaga, um espiritualista e utopista que chegou a presidente da República Portuguesa. Bons tempos de qualidade política, face à decadência actual. Não esmoreçamos, não desistamos, porém, pois há uma tradição espiritual portuguesa, há uma philosophia perenis, um corpo místico da Humanidade, que conta connosco...
Extracto do longo e genial poema dedicado ao presidente da República  Manuel d'Arriaga, seu companheiro em Coimbra, e a sua mulher Lucrécia:
«Estrela dupla sois- a Sírio em candidesa.-
(Há lucernas assim no azul da imensidade)
Deslumbram a retina em sua esplendidesa,
Constituem faróis da culta humanidade.»

sábado, 28 de dezembro de 2024

Cinco aforismos no caminho psico-espiritual e divino por entre o labirinto da vida.

Daria Dugina Platonova, mártir da sabedoria perene, livre e da multipolaridade

No labirinto da vida não deixes de acreditar nas ideias e ideais,  de admitir a proximidade espiritual e divina, e de procurá-la, mesmo que te sintas desiludido, cansado, preocupado, disperso e envolto por múltiplas intencionalidades divergentes ou mesmo conflituosas. Ergue-te acima delas, deixa-as por momentos fora do santuário da  alma, e permite às tuas asas respirarem fundo com as correntes luminosas do Universo e da Beleza para assim voares, tocares, avançares na criatividade, na coragem, no amor, eros e ágape, imortal.

Dá com regularidade graças à Divindade, recupera esta capacidade de sintonia interna sempre que for necessária, a partir o fogo do amor do teu coração, e sente gratidão pelas conversas, fortunas, inspirações, sincronias, secretas afinidades e ligações de alma que encontras ou realizas no dia a dia. Harmoniza-te inalando e assimilando o prana energético, psíquico e cósmico, fortifica-te e pede ou envia energias para os (seres e causas) que mais precisam ou merecem.

Invoca, sente, comunga, irradia o Espírito divino. Eis a essência simples do caminho espiritual, que não se encontra em cursos, horóscopos, regressões, rituais e pseudo-iniciações...

Acredita e participa na comunicação invisível das energias e das almas, nas intervenções dos mundos espirituais, dos espíritos santos e dos anjos, que por vezes, despercebidamente, nos ajudam ou agraciam, fazendo aparecer o que nos falta, ou o que deveríamos pensar, ter, fazer, dizer, concluir..

De tempo a tempo cerra os olhos e clama o "Meu Deus, meu Deus", ou como exclamava a nossa mística Soror Violante de Jesus, "Meu Senhor e Meu Deus", ou ainda, "Ó Divindade, vem nascer mais em nós," e concentra-te no teu coração, tenta descer e entrar na sua interioridade, torna as tuas mãos em oração uma taça, um graal de aspiração ao Bem, ao Amor, à Divindade e invoca a Sua bênção ou mesmo a Sua presença, e irradia-a, frutifica-a.

Mesmo que estejas no meio da desinformação, violência, opressão, crueldade ou mal, alienação e russofobia, mantém-te calmo, confiante, firme, observando e fluindo nas ondas, correntes e qualidades benignas ou destrutiva, com discernimento, sabedoria e princípios éticos, pois assim estarás sob a Luz, na comunhão do corpo Místico da Humanidade, na luta pelo Bem, a Verdade, a Justiça, a Multipolaridade, o Amor,  e vencerás...

"E abrir-se-ão as portas [e olhos] aos corações que avançam"....

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Mestre Eckhart interpreta os símbolos de Maria e Marta. Leitura da 1ª parte do sermão, levemente comentada.

Mestre Eckhart (1260-1328) foi um religioso dominicano famoso, que chegou a professor da Sorbonne, de Paris, por duas vezes, e que foi pároco e vigário em conventos da Alemanha,  com forte capacidade de elevação metafísica e mística e que pregou muitas vezes, transmitindo as suas experiências e compreensões do espírito e de Deus, e do caminho espiritual, sempre  a partir de comentários dos Evangelhos. Mesmo assim foi denunciado pelo invejoso arcebispo de Colónia,  quando tinha já grande fama e mais de 60 anos, obrigando-o a defender-se junto ao Papa, então em Avignon. Mas foi considerado herético em algumas das  proposições mais ousadas, ao procurar atingir a unidade divina, o Absoluto, a não Dualidade, o Pai, e não valorizando tanto a mediação de Jesus, ou dos sacerdotes, ou sequer os conceitos de bem e de mal...

Foi já a  27 de março de 1329 que o Papa João XXII, após consultas demoradas, e as respostas defensivas  de Eckhart, que entretanto já morrera, que foram consideradas como heréticas dezassete proposições retiradas das obras de Mestre Eckhart e repudiadas onze outras como “completamente ressoando mal, muito temerárias e suspeitas de heresia”.

Como praticante de longas e profundas meditações Eckhart conseguiu ter boas intuições dos níveis mais elevados do ser e de Deus, do fundo divino que está no fundo da alma humana; e como mestre de teologia e metafisica especulou com coragem e originalidade,  realçando a necessidade de nos despreendermos do criado, e abandonarmos o ego, para podermos ser abençoados pela graça divina. A sua linha de força era a Deificação do homem mas apresentou-a de um modo demasiado forte, tal como  uma das proposições condenadas mostra: «O que quer que seja que a Sagrada Escritura diga de Cristo, tudo isso é também verdade para todo o homem bom e divino.» 

Como Eckhart pregava não só para religiosos e religiosas dos conventos, como também para os grupos do movimento do Livre Espírito, então florescente, tais as beguinas, e ainda os paroquianos comuns, sabia dar conselhos práticos no caminho espiritual, ou seja avisos e percepções dos modos de estarmos mais próximos ou abertos à graça da Divindade

É caso do sermão sobre o passo evangélico da visita de Jesus a Maria e Marta, geralmente consideradas símbolos da vida activa e da contemplativa, e interpretado com originalidade  por mestre Eckhart, considerando que Maria era a mais nova e inexperiente e por isso estava tão ansiosa de sentir a bem-aventurança, o gozo espiritual de estar com o mestre, ou próximo de alguém unido a Deus, não querendo envolver-se em actos exteriores, enquanto Marta era mais velha e sabia agir mantendo a ligação com a Divindade.

Este sermão, Jesus intravit in quoddam castellum et mulier quaedam, Martha nomine, excepit illum in domum suam, comentando o passo do evangelho de S. Lucas X, 38, foi traduzido por Maurice Gandilac e publicado na excelente revista Commerce, no caderno 3, do 1º semestre de 1964, em Paris. No dia de 25 Dezembro, de manhã cedo, resolvemos com um cartão forte abrir as folhas, e ler pela 1ª vez o sermão,  e gravar a tradução em simultâneo. Eis a 1ª parte, com alguns breves comentários. Contamos apresentar a 2ª parte brevemente e é natural que acrescente noutro artigo mais ensinamentos valioso de Eckhart .... Lux Dei!