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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Compreender os Sonhos. (1º). Do Diário de 2019.

  No mundo tão infinitamente rico quão subtil e fugidio dos sonhos há muitas possibilidades de os entendermos, caracterizarmos e catalogarmos, tal como, por exemplo, discernindo os que são mais reactivos, assimilativos, purificadores ou de catarse, vívidos, conflituosos, conviviais, peregrinos, pedagógicos, amorosos, advertentes, futurantes, proféticos e iluminativos...
Os elementos (terra, água-mar, fogo e ar), os locais, os meios de transporte,  o conteúdo e a intensidade das cenas ou diálogos são também  aspectos importantes, e alguns bem recorrentes, para não falarmos ainda das emoções e acções, bem como dos objectos e animais, que em geral são tipificados e explicados em dicionários de sonhos sempre algo artificiais e gerais, pesem os cerca de dois mil anos da existência deles...
 Quanto a níveis, mais do que os dos clássicos três mundos: físico, astral e mental, realçarei outros três: um 1º, o geral ou total onde se navega ou decorre a acção, e que tanto pode ser no cosmos, como na terra,  frequentemente  no estrangeiro ou em terras diferentes, com os elementos, pessoas, natureza, animais, em movimentos, metamorfoses e ensinamentos subtis.
Um 2º tipo ou nível onírico será caracterizado pela vívida interacção com pessoas reais, ora desconhecidas e estrangeiras, ora conhecidas e amigas (acontecendo mais com estas), vivas ou que já morreram, tudo comunicando com naturalidade, como que num presente suave supra temporal e em constantes metamorfoses inteligentes, com sentido, embora por vezes também em controles, lutas e perseguições, que tanto são resultado de seres e forças da ordem pública como sobretudo opostas a nós, mas também provindo apenas de medos e preocupações. Sabe-se contudo muito pouco destas lutas nos mundos invisíveis e vivenciadas em sonhos.
 Há um 3º  nível ou plano, quase igual ao  nosso conhecido físico material, e no qual tanto utilizamos ou nos reapropriamos de casas onde já estivemos como nos encontramos em casas, cidades, caminhos, praias, montanhas muito reais e logo utilizando  carros e outros meios de transportes, passando por veredas, estradas, ruas e praças, como nas nossas terras e cidades físicas, mas algo com mais natureza viva, beleza, admiração... 
 Nestes níveis temos tanto vivências e de tal modo vivas que indiciam termos estado em corpo psico-espiritual interactivo, como também outras que podem ser mais resultado de movimentos emotivos e afectivos, despoletados por diversas causas, nas imagens e memórias que conservamos.
Ao acordar, sentimos por vezes ora que vimos de um plano mais baixo, ou interno, um degrau abaixo da consciência da vigília, como se estivéssemos estado num semi-inconsciente, ora de cima (donde os sonhos em que acordamos quando temos diante de nós uma descida a pique ou abrupta), de um nível elevado planetário. 
Por vezes tal foi vivido ou sentido como um oceano panpsíquico (donde tantos sonhos com mar e ondas) onde seres, palavras, emoções e pensamentos se comunicam sem tantas limitações como na vida de vigília. E tudo isto se  passará  ora na realidade subtil deste mundo multidimensional, ora apenas em pensamentos e imagens que  estão na memória, ou que quanto muito por energias que tocam a alma e a fazem sonhar com tal.
Quando acordamos sonhando ou interagindo com uma pessoa viva nossa amiga, ou que então gosta de nós, talvez seja ela que nos traz ou estimula para o concluir do processo do sonho, para o fim da caminhada até à nossa cidade e casa, no fundo para despertarmos com boas vibrações para a entrada num novo dia activo e luminoso...
 Cada noite é um mistério, Morfeu, o deus do sono e dos sonhos, espera-nos, mas não sabemos de antemão se os espíritos celestiais nos abençoarão e curarão (como Esculápio nas incubatios de Epidauro), que sonhos incubaremos (pesem as tentativas de os propiciarmos ou lucidificarmos), nem como será a sua sucessão cíclica ao longo das horas e em que acordamos com eles (os tais momentos REM,  de "rápidos movimentos dos olhos", embora na minha experiência tal aconteça não apenas de 2 em 2 horas), ou como será o funcionamento mais ou menos consciente-lúcido neles, ou ainda em que níveis mais políticos, religiosos, simbólicos, sociais e afectivos interagiremos...
Cada noite é como se fosse uma viagem de carro ou de barco no desconhecido e da qual só temos a certeza que chegaremos ou desembarcaremos através duma sempre imprevisível, desafiante ou misteriosa sucessão de pensamentos e desejos, imagens e vivências...
É como se fosse um filme, com um realizador de imensa inteligência, sensibilidade e inventividade e que nos obriga a sermos isso se queremos atravessar as dificuldades, compreender os enigmas ou acompanhar bem o sonho na sua sucessão de cenas, actos, provas, ensinamentos, contactos...
Penso que um dos desafios aos amantes da compreensão dos  sonhos é irmos conseguindo discernir melhor os sonhos que são verdadeiramente interacções reais, em corpo subtil daqueles que são apenas mentalmente à distância com outros espíritos, e ainda daqueles que são apenas harmonizações da psique e dos seus conteúdos de memórias e emoções, desejos e receios...
Se conseguiremos um dia obter uma teoria mais perfeita deles, se conseguiremos sonhar melhor ou se antes deveremos contentar-nos apenas com a noite a noite e seus sonhos, ora difíceis ora harmonizadores e instrutivos, não tenho tantas certezas mas penso que sim, pois há milhares de investigadores científicos, poéticos, espirituais e comerciais dos sonhos a gerarem hipóteses de trabalho e livros, embora nem se saiba bem ainda quem é o realizador do cinema e a sua tenção de bem fazer: o cérebro, a memória, o ego, o eu, o espírito, o Cosmos em nós?
Este caminho planetário de experiência, estudo, diálogo, visível em tantas formas valiosas de conhecimento, deveria levar os poderes políticos a não  gastarem tanto dinheiro a oprimir e a matar seres e povos, mas sim a fomentarem o aprender a conhecer-se e a harmonizar-se melhor, preservando-se a Natureza e iluminando-se  a Humanidade.