Uma das tradições mais ricas e valiosas, com centenas de grandes místicos, gnósticos, filósofos e poetas é o Irão e vamos hoje partilhar algumas das suas realizações preservadas em livros, nomeadamente de Mevlana Rumi.
Talvez se deva avisar que o coração não significa o coração físico, mas o coração subtil e espiritual, que é tanto um centro no corpo subtil e espiritual do homem, como a interioridade central da receptividade ao mundo espiritual e seus seres, ao fogo cósmico, ao Amor e a Deus.
Místicos de todas as tradições viram e sentiram esse coração vivo e o Amor beatífico neles ou nos seus mestres, e o sagrado coração de Jesus é um bom exemplo na tradição cristã, embora também houvesse quem visse os corações flamejantes das sorores ou monjas mais ardentes na sua aspiração amorosa ao mestre ou a Deus
Alguns mestres e tradições místicas, nomeadamente a persa e a escola de Nadjim Kobra (do qual encontra um artigo neste blogue) desenvolveram até tipificações das modificações das formas e cores do coração subtil, conforme as características pessoais e os estados ou estações de pureza, amor e sabedoria no caminho de religação a Deus.
Assim, conforme essas caraterísticas, o coração abre-se ou desvenda-se no olho espiritual como mar ou oceano, como fogo, como vasto espaço ou céu estrelado infinito, como jóias e filigranas, como taça ou graal, como fonte do Amor. Mas não é fácil alcançarem-se tais percepções, chegar-se a tais estações, sobretudo nos dias de hoje quando meditar-se várias horas seguidas e em ambientes bastante recolhidos. como soía acontecer então, é verdadeiramente raro, dada a rede digital de socialização e a grande abertura ao mundo, tantas vezes em conflitos e injustiças que reclamam a nossa intervenção. Pratiquemos e oremos então, com persistência e nos limites de tempo e profundidades nocturnas que conseguirmos...
Um dos seres que desenvolveu bastante a consciência do coração foi o famoso místico e poeta iraniano Mevlana Rumi, do séc.XII, e vamos então partilhar dois excertos de poemas dos seus livros, tanto para nos inspirarem como para nos ligarem com a grande alma Iraniana, neste momento numa batalha decisiva da sua existência, face ao traiçoeiro e diabólico ataque do sionismo israelo-americano.
Para despertarmos ou desenvolvermos mais o coração como órgão de percepção e taça de receptividade e irradiação do Amor divino infinito, tão realizado por Rumi e em parte graças ao seu mestre Shams, este poema (Mathnavi, CV, 3483), serve bem:
«O Amor é um oceano infinito cujos céus não são mais que um floco de espuma.Sabe que são as ondas vibratórias do Amor que fazem rodar o círculo dos céus: sem Amor, o mundo seria inanimado.
Como é que algo inorgânico se transformaria numa planta?
Como é que os seres vegetais se sacrificariam para se tornarem dotados de espírito?
Como é que o espírito se sacrificaria para esse Sopro de que se diz que um eflúvio engravidou Maria?
Cada átomo está desejoso de tal Perfeição e apressa-se para ela.
A sua pressa diz intimamente, Glória a Deus»
«O coração não é senão o Mar da Luz, ... o lugar da visão de Deus (Mathnavi III, 2269)
Tenta expandir a consciência do teu coração para o oceano de Luz e de Amor em que a Divindade se manifesta, para que tal possa chegar à visão subtil, ao coração, purificando-te, incendiando-te e transformando-te.

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