sexta-feira, 22 de junho de 2018

Dalila Pereira da Costa, "Entre o Desengano e a Esperança". I parte.



Na véspera da participação na urbe portuense, no palacete dos Viscondes de Balsemão, 23-VI-2018, a partir das 14:30, numa das Tertúlias de Cultura Portuguesa dedicada ao centenário do nascimento da Dalila Pereira da Costa

eis um contributo para quem não pode assistir: uma apresentação resumida da Corografia Sagrada, 1993, e um comentário aos dois capítulos iniciais do livro Entre o Desengano e a Esperança, 1996, com direcionamento aos misteriosos Anjos e Arcanjos.
Ambas as obras podem ainda ser adquiridas na Lello Editores, a sua editora...
No fim ainda um link para uma segunda parte deste comentário e alguns pensamentos dela...
                           

                                                    https://youtu.be/U2MRc6KZMOA
 
«Dentro do nosso corpo material ... existe um corpo espiritual que se ergue e conhece dentro de nós, quando sonhamos ou quando, na vigília, atingimos um momento de suprema contemplação ou iluminação...
«Será neste futuro alargamento de nosso mundo conhecido e vivido, que devemos depositar toda a esperança para uma vera sabedoria e liberdade...
«E digamos ainda, que a filosofia se abrirá também a essas esferas múltiplas do Ser, para além do mental até ao supramental, igualmente alargando seu território de conhecimento e acção.» (Portugal Renascido. p 152.)


quinta-feira, 14 de junho de 2018

Euronews brainwashing. E belas nuvens e nossas Tágides

 Há dez anos que dei a televisão (acto abnegado que recomendo a quem quer evoluir espiritualmente e não ser manipulado e massificado horizontalmente) e não capto mais suas frequências e ondas... 
Hoje, conversando com um casal amigo, que me convidara para almoçarmos com o Miguel, um  amigo comum,  falaram-me da Euronews como um canal de informação equilibrado, e que se podia ver pelo computador. Conversa animada sobre o mundialismo opressivo ou sobre a filosofia perene, as religiões e a nova religião do Espírito e do Amor, com bizarras nuvens a poente, e uma biblioteca histórica e espiritual muito completa e profunda e, por fim, regresso de comboio, de novo em animada conversa sobre os esoteristas portugueses e as suas mistificações ou realizações, o sono lúcido, etc., e caminhar para casa pela borda das Tágides nossas, tão cantadas por Luís de Camões e Bocage, estados de consciência expandidos e gratos...
E eis-me a a procurar no computador o  Euronews e apanhar o noticiário das 20:30... E chegou. Nunca mais. De um primarismo anti-russo excessivo. Com duas deputadas inqualificáveis: uma dos Verdes (provavelmente de bolor) alemães, e uma polaca, do centro-direita, ambas a vomitarem o seu ódio e facciosismo. 
Como era o dia do começo da bola na Rússia, percebe-se a inveja, o despeito. Mas porquê a Euronews fazer a reportagem e tentar intensificar (ou talvez já apenas manter o papão) o bullying da Rússia? E calcule-se, entre outras razões, tais como a recuperação democrática da sua histórica Crimeia, a do seu comportamento na Síria...
Com franqueza. Somos tolos? Não foi a Rússia que impediu o caos total na Síria e a derrota de muito do terrorismo? 
Para mim, Euronews brainwashing nunca mais...
Para desanuviar das más ondas do Parlamento Europeu (e da famigerada Euronews), responsável até em parte pela crise do Médio Oriente e os dramas da emigração, com a sua péssima política em relação ao Médio Oriente e a África, num acéfalo seguidismo norte-americano, e sem visão nenhuma de como ajudar o desenvolvimento dessas zonas e povos, eis algumas imagens tiradas na casa dos amigos a um gato atento às belas e estranhas nuvens formadas dos rastos de aviões, a uma pintura arcangélica sul-americana e no regresso, já junto ao Tejo, às águas purificadoras, auríferas, outrora habitadas por golfinhos e Tágides musas...
 

Um gato terno, contemplativo, atento às nuvens e outras vibrações subtis...
 
 
 
 O gato atento, e nuvens bem estranhas...

Que o fogo do Amor e da Vontade Divina do Bem nos proteja e guie...
May the fire of Love and of the Divine Will of Goodness and Truth inspire us, guide us...

 Ouvir o Tejo bater aos nossos pés e respirar um pouco a sua maresia, ligando ao Divino, com um corrimão centenário ao nosso lado e o Sol todo flamejante diante de nós... 
 
  
Vá lá que não vão furar o rio Tejo, para subirem o preço da gasolina e afastarem golfinhos e Tágides... Respiremos então o espaço azul e a subtil maresia e sejamos...

domingo, 3 de junho de 2018

Feira do Livro de 2108. Imagens de uma ida visitante e palestrante.


Visitar a Feira do Livro quando éramos crianças ou adolescentes era um sonho tornado realidade: poder ver tantos livros e trazer alguns poucos bem acolhidos nas mãos e no coração e que iriam depois alimentar noites e sonhos, aprendizagens e valores.
Com o tempo, e com tanto livro já lido e bibliotecado, somos bem mais parcimoniosos seja na apreciação seja na aquisição, ainda que o discernimento tenha-se apurado e rapidamente o olhar foca-se no livro bom ou que vale a pena folhear...
Para quem vive no meio de livros, a feira até mais do que as obras e compras é muito a descoberta, o prazer, o encanto de ver pessoas que gostam de livros, encontrar centenas de pessoas unidas pelo amor dos livros e não pela bola, o partido, a comezaima e só isso já é purificante, gratificante, solidarizante na aspiração a mais cultura que ainda move tanta gente e que o Sistema dominante oprime e diminui pelas suas intenções massificantes e alienantes. Visitar assim uma feira do livro é um hino de esperança numa Humanidade melhor e com mais possibilidades de cultura e auto-conhecimento harmonizador e libertador.
Também é bom descobrirmos faces especiais, que nos remetem para almas semi-visíveis, ou que nos estimulam a tentar intuir que tipo de leituras fizeram mais, ou que interesses demandam nas bancas e de que níveis brotam delas. 
Por vezes sentimos sabedorias realizadas, maduras, especialistas até neste ou naquele sector da vida, quem sabe se bem nutrido por leituras. Nas almas  jovens vemos mais a beleza em aspiração, e nas crianças o deslumbramento da curiosidade pelo livro ou pelas formas e cores do balão grátis, e até observamos os cães felizes por andarem num ajuntamento ou aura popular culta que eles só muito intuitivamente captam mas que os olhos e as caudas sinalizam.
E como encontramos uma amiga, a Filipa van Uden, aí fomos com ela conversando, convergindo e tirando algumas fotografias. Por fim esperavam-me várias pessoas amigas que vinham para assistir a palestra de apresentação dos livros de meu irmão João, A Espada, e o meu Da Alma ao Espírito, das Publicações Maitreya, o que se cumpriu, com cerca de 40 pessoas na hora de de pico, e para agrado geral, seguindo-se um diálogo de perguntas respostas animado pela artista Filipa Silveira e o curador de Arte, Mário Caeiro, o dinamizador do Projecto Vicente.
Ficam algumas imagens da passagem pelos corredores e stands, com poucos e breves comentários, embora gravações tenham sido feitas e possam vir a ser partilhadas...



                    

A Esquerda e a Direita ideológicas de mãos dadas só na feira: os livros da editorial comunista Avante e os da Loja da Bíblia, numa aliança evangélica... Evangelho que significa Boa nova, anúncio, sempre necessário: a de que deve haver mais justiça e igualdade, mais estudo e amor...

 
A Dalila Pereira da Costa, de quem fui muito amigo, é ainda na livraria portunese Lello um filão sempre a atrair novos leitores. De lá trouxe a Corografia Sagrada,  ainda nunca lido, e a Os Mundos contíguos, muito bom, lido e emprestado-dado, e assim recuperado. Só comprei mais um livro, noutro stand, da Maria Gabriela Llansol. Alimentar a minha anima, ao comprar obras só de mulheres...
Personalidades valiosas: Luís Sepulveda


Personalidades valiosas: Vasco Lourenço.


Livros fofos, almas macias, ductéis, receptivas...

 
Consulta de um livro de uma amiga há muito não vista, Helena Carvalhão Buescu, pois falava de Antero de Quental...

Barretes, que nem como novidades deveriam ser vendidos, invocando o nome de Deus em falso..



Activismo pela Língua Portuguesa verdadeira ainda apareceu nas ruas da amargura pois entre os stands já muitos se deixaram levar na enxurrada do Acordo Desortográfico, e tanto a Filipa como eu assinámos.


Personalidades valiosas: João Amaral..

Bom design e bom carregamento, ou o coração ainda é o mais importante: AMOR. Entre os seres e com os livros abertos, inspirando...
Um livrinho anteriano, vindo dos Açores: alguns poemas e imagens...

A valiosa editora Livros de Bordo, bem dedicada ao Oriente, com o tradutor Rui Zink e uma jovem macaísta também nessa linha, tão importante para uma globalização cultural fraterna...
A Pérsia eterna, o Irão corajoso e indomável, grande lutador pela justiça no mundo, bem representado por um livro sobre a mágica cidade de Isfahan, na editora Argumentum, especializada em arquitectura, desde os tempos megalíticos...
A livraria  da simpática amiga "Ana Cruz alfarrabista", junto à Santiago, do Comandante Palma e à Histórica Ultramarina, destacou-se pela sua oferta multifacetada e a preços acessíveis...

Parte da assistência inicial. Pelo meio da sessão compôs-se bastante, com pessoas atraídas talvez por um não sei porquê, subtil, órfico, espiritual, provavelmente...

Paula Alcarpe, Carlota Mantero, Nadia Badgioli, José Sousa Machado e Pedro Veiguinha. 2ª fila, a Filipa Silveira, notável pintora e escultora. Mais atrás a Filipa e a Helena Galis, com a  Filipa van Uden e a Sara Aguiar da Silva. Mais atrás ainda o Tiago Mendes...
O Nuno e a Maria de Fátima Silva, a notável pintora do Amor de Inês e de Pedro, exposição a inaugurar em Alcobaça em 7 de Julho, e o Duarte Braga, da Literatura e da Índia poética goesa e indo-portuguesa.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Das Buch vom Jenseits, o Livro do Além, de Bô Yin Râ, versões comparadas.

Tendo acabado de gravar e passar para o Youtube a tradução do Livro do Além de Bô Yin Râ, basicamente a partir da tradução francesa realizada por Robert Winspeare, cotejando contudo algumas partes com a edição original alemã e as versões inglesas, resolvi seleccionar uns poucos dos ensinamentos mais valiosos do livro e transcrevê-los nas diferentes traduções para que se possam aprofundar os melhores sentidos.
We have taken some paragraphs or teachings of Bô Yin Râ from Das Buch vom Jenseit, from the original version in german, and from the english versions, The Book on Life Beyond, (translation of B. A. Reichenbach, 1976) and the french translation, from Robert Winspeare, circa 1950, Le Livre de L' Au-Dela.
I hope the comparison of so many versions will help the friends of Bô Yin Râ's teachings enter in a better understanding and realization of them. And I would love some feedbacks...
The last translations in english are made by a group from Netherlands, Arkanun, who is aware of the conflit arising from the two different translations and who say that people can even think that they are two different books...
I don't go so far, but indeed, as we can see, the italian proverb traduttore traditore, is truth but so many differences or discrepancies can be also a source, a challenge, for discovering the best translation and meanings, and so become a source of self inquiry about the true in us and in the teachings.
Let us enter into eight paragraphs of them, and I shall transcribe first the original in german, from the second edition of 1929, as the first edition from 1920 was changed and superseded, then the version made by Arkanun, then the one from Reichebbach, Kober Press, 1978, then the french from R. Winspeare, then my one in portuguese.
The eight paragraphs are from the last chapter Was ist zu Tum, or What should one do, O que há a fazer-se, in a sequence begining (in Arkanum, Pdf, in german, 877 page, and in french edition, page 171): 
 
1 - Zur Erlangung der geistigen Vereinigung mit dem Urlicht, – zum Erwachen der geistigen Natur des Menschen aus ihrem Schlafe, – zu dem, was erhabene Erkenntnis die „ Wiedergeburt“ nannte, – sind die hier gemeinten Kenntnisse weder nötig noch nützlich.

The knowledge referred to here is neither necessary nor useful in order to attain spiritual union with the First Light, – to awaken the spiritual nature of man from his sleep – to that which sublime knowledge has called ‘rebirth’.

In order to attain the spiritual union with Eternal Light – to raise man's timeless nature from its earthly sleep – for that event which light-inspired knowledge means by man's rebirth all such things are neither needed nor of the slighest use.

Pour parvenir à l'union spirituelle avec la Lumiére Originale, - pour éveiller de son sommeil la nature spirituelle de l'homme - pour atteindre à ce que une haute sagesse a nommé la "nouvelle naisance", - les connaisances dont il s'agit ne sont ni nécessaires ni utiles.

Para conseguirmos a união espiritual com a Luz Primordial - para despertamos a natureza espiritual do ser humano do seu sono - para tal, a que o conhecimento sublime chama o "nascer de novo", todas essas coisas [referidas anteriormente, tais como são ensinadas pela teosofia e o ocultismo] não são necessárias nem minimamente úteis.
*******
2 - Wie alle Künste, die auf einer Möglichkeit der Anwendung hochgespannt er, gemeinhin unbekannter psycho-physischer Kräfte beruhen, haben auch die, von denen hier gesprochen wird, nicht das mindeste zu tun mit der Erweckung und Entfaltung des ewigen Geistmenschen .

Like all arts based on the possible use of generally unknown, high-tension psycho-physical forces, those of which I speak here have not the slightest to do with the awakening and development of eternal spiritual man.

Like all the other skils that rest upon the aplication of a certain, ordinarly unknown, psycho-physical potential of energies kept in a state of heightened tension, those pratices of which I speak have likewise nothing whatsoever to do with the awakening of what is man's eternal self.

Comme tous les artifices basés sur la mise en jeu possible de forces psycho-physiques à haute tension dont on ignore généralement l'existence, ceux dont je parle ici n'ont aucun rapport avec l'éveil et le dévelopement de l'homme spirituel éternel.

Como todas as artes que se baseiam em algum tipo de uso de forças psico-físicas que não são ainda conhecidas, aquelas de que eu falei não têm a ver com o despertar e o desabrochar do ser humano espiritual e eterno.
*****
3 -Was zu dieser Erweckung und Entfaltung gefordert wird, ist in erster Linie eine kontinuierlich beibehaltene Einstellung des ganzen Denkens, Fühlens und irdischen Wollens auf das zu erstrebende Ziel.

What is primarily needed for this awakening and development is a continuously maintained focussing of all thought, feeling and earthly will on the coveted goal.

What is required for the sake of this awakening is, first and foremost, the attainment of a constant orientation of all one's thinking, one's emotions, and one's temporal desires, all of which must be directed towards the mentioned goalx.

Ce qu'exigent cet éveil et ce dévelopment, c'est au premier chef, une attitude intérieure, constamment soutenue, de fixation de la pensée, des sentiments et du vouloir terrestre sur le bout à poursuivre.

O que é necessário para este despertar e desenvolver, é em primeira linha uma contínua orientação mantida de todos os pensamentos, sentimentos e vontades terrenas para o objectivo a que se aspira.
********
4 - Der ganze irdische Mensch muss sich aus eigener Kraft erst selbst allmählich umgestalten, bevor ihm geistige Hilfe zuteil werden kann.

The whole earthly man must gradually reshape himself with his own powers before he can receive spiritual help.

The human being as a whole must firts have gradually transformed itself, and through its proper energies.

L'homme terrestre tout entier doit d'abord se métamorphoser peu à peu lui-même de par ses propres forces, avant qu'une aide spirituelle puisse lui être prodiguée.

O ser humano terrestre na sua totalidade tem que primeiro se remodelar gradualmente a partir das suas forças, antes que lhe caiba a sorte da ajuda espiritual.
******
5 - (Not so important, so only one translation) - Es nutzt wenig oder nichts , diese Eins tellung n ur hin und wieder vorzunehmen, so wie der Fromme einer Gemeinde alle sieben Tage einen Tag gewohnheitsmäßig seinem Gotte weiht ...

There is little or no use in merely focussing every so often, in the way pious members of a congregation do every seven days when they dedicate a day to their God out of habit…
******
6 - Jede Minute des weiteren Lebens, jede alltägliche Handlung, jeder auftauchende Gedanke, jeder Wunsch und jeder Impuls des irdischen, gehirnbedingten Willens muss hinfort unter dem formenden Einfluss der geforderten Einstellung stehen, wenn der Mensch, der diesen Weg einmal betreten hat, zu wirklichen und nicht nur eingebil deten Erfolgen kommen soll.

Every minute of the rest of one’s life, every day–to–day activity, every emerging thought, every wish and every impulse proceeding from will, conditioned by the human brain, must henceforth be under the fashioning influence of the required focussing, if the person who has started on this path is to attain real rather than imaginary results.

Every minute of one’s further life, every single action done throughout the day, every thought that comes to mind, and every wish and impulse of one's mortal –mentaly determined – will must henceforth be subordinate to the guiding influence of the demanded orientation; if one who means to take this way to experience real progress, not merely dreams of his imagination.

Il faut que chaque minute de la vie, tout comportement journalier, chaque pensée naissante, toute désir et toute élan de la volonté cérebrale terrestre soient desormais soumis à l'influence formatrice de l'attitude réquise, pour que l'homme, une fois engagé dans cette voie, atteigne des résultats réels et non pas seulement imaginaires.

Cada minuto do resto da vida, cada acto do quotidiano, cada pensamento que nasce, cada desejo e cada impulso da vontade terrestre e condicionada cerebralmente, deve doravante estar sobre o influxo formativo da sintonização necessário, quando a pessoa, que este caminho começou a trilhar, quer chegar a realizações reais e não só imaginárias...
*****
7 - Periodisch auszuführende „Übungen“ könnten im besten Falle nur in einem wiederholten Aufraffen zu vertiefter Empfindung solcher Einstellung bestehen.

‘Exercises’ carried out periodically could at best lead by its repeated exertion to a deeper feeling for this focussing.

Periodic exercises can at best renew one's concentration on that goal and thereby strenghten the resolve to seek the needed orientation.
 
Des "exercices" à pratiquer périodiquement pourraient tout au plus consister en un effort répété de concentration, en vue de ressentir plus profondément une telle atitude.

"Exercícios" realizados periodicamente podem no melhor caso consistir apenas numa repetida ressonância da sensação da tal necessária sintonização.
******
8 - Alles, was in dieser Hinsicht empfohlen werden mag, hat nur den einen Zweck, die neue Einstellung allen Sinnens und Trachtens im Bewusstsein wach zu erhalten, so dass sie keinen Moment mehrvergessen werden kann.

Everything which may be recommended in this respect has just the one purpose, namely to keep awake within consciousness the new focussing of all thinking and doing, so that it can not be forgotten any more at any moment.

Whatever may be recommended to this end is only for one purpose to help maintain, within the center of one's consciousness, the state of of inner orientation of all thoughts and feelings, so that it will be not forgotten for one moment.

Tout ce qui peut être à cette égard recommandé a pour seul but de maintenir consciemment en éveil cette nouvelle atitude, en sorte qu'elle ne puisse plus être à aucun moment relachée.

Tudo o que a respeito disto pode ser recomendado, tem só um objectivo, manter a nova focalização [sintonização, orientação] de todos os pensamentos e interesses [aspirações] desperta na consciência, de tal modo que ela não possa mais em qualquer momento ser esquecida.

domingo, 27 de maio de 2018

Bouchra Ouizguen. Corbeaux. Corvos (2ª p.) Sufi. Festival Alkantara. Castelo de...


A performance Corvos, Corbeaux, realizada na programação do valioso festival Alkantara por um grupo de mulheres marroquinas, francesas e portuguesas no castelo de S. Jorge (também ligado tradicionalmente aos corvos, mensageiros da luz), a 25 de Maio de 2018, sob a direcção da realizadora e coreógrafa Bouchra Ouizguen, tem a sua origem de certo modo a partir da mundivivência ou tradição marroquina e,  mais especificamente, de Marrakesh e da vontade de Bouchra Ouizguem de sair dos teatros e dos espaço fechados e participar da interacção com os ambientes e as pessoas.
A 1ª mulher, qual mestra, a criar o começo do círculo ou hadra mágico ou iniciático
Assistimos a duas práticas ou performances, a primeira muito ligada ao Sufismo, à tradição espiritual do Islão, pois consistiu na repetição de um dhikr, de uma fórmula vocal sagrada que em geral se transmite nas confrarias sufis e que ajuda os praticantes a abstraírem-se de pensamentos que não sejam os associados a essa frase e som e a entrar em estados modificados ou expandidos de consciência, também denominados estados espirituais superiores, hal.
Se o dihkr mais famoso é o la ilaha ila Allah, não há outro deus senão Deus, há muitos outros bastante mais sintéticos e facilmente acopláveis aos sons de uma respiração curta e rápida, que se realizam em simultâneo com algum tipo de movimento do corpo, do torso ou da cabeça, expirando na inclinação para a frente e inspirando quando se sobe no caso dos Corvos...
O som que ouvimos, num ouvido basicamente português, foi Ai Ei, e que podem estar ligados com o Ah Ah, de Allah, e o Hu Hu, de Ele, Deus, e que se pronuncia He He. Mas só cada uma delas entrevistada é que poderá confirmar, tanto mais que observamos variantes claras entre elas...
Este tipo de práticas, que em geral são assumidas dentro de confrarias ou tariqas, em que praticamente a maior parte dos muçulmanos do norte de África se encontram ligados ou afiliados, tendo recebido frequentemente mais de uma baraka ou bênção de um mestre, pir ou sheik, realiza-se frequentemente no fim de uma sessão com discursos e comentários do mestre e diálogos e é o ponto alto de uma tentativa de se criar uma intensificação vibratória psico-somática que expulse a dispersão psíquica e instale uma abertura às energias que ligam a terra e o céu, as profundezas do inconsciente e a luminosidade do supra-consciente, tanto interiores e pessoais, como às provenientes do lugar e dos planos psico-espirituais ou divinos. 
Estes certamente dependentes de se alcançar o seu acesso pela presença de haver ou um sheik já bem evoluído ou realizado ou então haver alguma entrega de aspiração de um salik ou murib, peregrino ou discípulo, ou seja, no caso  uma praticante suficiente intensa ou luminosa para conseguir um certo despertar e receber algum tipo de graça ou experiência espiritual, em termos sufis como hal, um estado espiritual superior.
No caso deste grupo penso que não obedecem a uma necessária filiação numa tarika mas haverá certamente algumas das mulheres participantes com essa ligação, ou esse conhecimento, ou então com uma força maior que poderíamos equacionar com a Kundalini ou com a mumuksha ou a bhava prema da Yoga, ou mesmo o eros shamânico e urânico dos gregos.
Podemos observar e sentir neste sentido algumas das praticantes mais despertas ou mais permeáveis a uma espontaneidade energética e sonora mais psicomórfica ou seja que pode ter mais efeitos de ressonância energético-espirituais. Essa especificidade da diferente constituição anímica de cada uma das praticantes desta sessão colectiva de dhikr acaba por se tornar mais manifestado em alguns sons particulares, proferidos ou emanados apenas de uma ou outra delas. 
 Desde o princípio destacaram-se algumas, entre as quais a primeira a sair da matriz original grupal e que parecia a mestra e a jovem que lhe ficou em frente, claramente uma das mais shaktis, ou com mais energia psico-somática kundalinica e extática que acabou por ser a última a entrar em silêncio, depois de um solo muito inspirado e poderoso que poderemos apreciar no registo do vídeo.
A primeira, mais sábia liderante e a última mais jovem, resistente e galvanizante...
Seria bom ter-se ficado um pouco mais em silêncio, no fim, pois  talvez até elas próprias pudessem ter assimilado um pouco mais demoradamente os efeitos da prática realizada e do estado espiritual superior, hal, atingido,  antes de o partilharem na alegria e como que na transmissão de baraka, dessa energia abençoante pela dança que executaram em seguida, e que eu dividi ainda por um outro vídeo pensando que demorasse mais tempo...
Cremos ter havido nesta opção de Bouchra Ouizguen (com quem gostaríamos de ter dialogado, e da qual poderá encontrar contudo algumas entrevistas e excelentes vídeos, tais como o https://www.bouchraouizguen.com/corbeaux), uma visão modernista e libertadora da excessiva separação do sagrado e do profano, ou de uma submissão excessiva ao ascetismo sufi que por vezes reprova a dança e a música, mas que por exemplo mestres tão importantes como os persas Rumi, Shamz de Tabris e Ruzbehan tanto usaram e valorizaram, acentuando a liberdade que no séc. XXI deve ser assumida por mulheres e homens responsavelmente, amorosamente, harmoniosamente.
Foi então uma boa performance ou se quisermos mesmo ritual de partilha psico-somática sagrada realizada num dos centros energético-espirituais de Lisboa, uma das suas sete colinas, que poderá até inspirar algumas almas ou grupos portugueses a praticarem mais este tipo de hadra, introduzindo-o até em alguns dos múltiplos festivais do Verão, e que tem no sama dos dervisches, a dança ritual circular, uma das mais famosas performances deste tipo de performance de movimento, dança e canto sagrado. 
A sessão ficou gravada em três vídeos, apenas com a omissão de um minuto entre o segundo e o terceiro. No fim das fotografias, que estão pela ordem cronológica, encontrará o vídeo 2º, o mais longo, 18:00, estando o 1º e de abertura, de sete minutos no Youtube:  https://www.youtube.com/watch?v=yAJ9M9XYgTo , que se tiver tempo recomendo de ver e ouvir, tanto mais que algumas aves vieram cantar por momentos nesta comunhão sagrada da Religião Universal do Espírito e do Amor que subjaz e coroa as diferentes tradições e religiões, povos e locais...





A que ficou ao meu lado e bastante poderosa e galvanizante...
 

Os lenços brancos que foram caindo, tanto metáfora da união interior e que já dispensa o manto ou cobertura exterior, e que é símbolo até da investidura iniciática por um mestre, hirqa, e que aponta também para a futura libertação da mulher de alguns excessos de decoro exteriores, sem exageros certamente...
 



Um triângulo shaktico ou energético, ou de Noor, forte...
 

 

 


Começo da segunda performance, de dança espontânea, livre, irradiativa, de amor humano e não só ao Divino, gravada mais completamente (três minutos) na 3ª parte, disponível no Youtube..   https://www.youtube.com/watch?v=7Df3Unkfe0E