sábado, 10 de outubro de 2026

Breves meditações (4ª) ou ensaios sobre a Sabedoria.

A Sabedoria é uma das faces ou princípios pluridimensionais divina mais manifestada pelo ser humano.
Ela permeia tudo o que acontece, e une os mundos e os seres em múltiplos níveis, desde os mais práticos e visíveis até aos mais subtis e elevados ou mais profundos mas poucos são os que demandam e atingem os seus píncaros ou profundidades e compreendem bem os seus símbolos e sinais e os vivem e unificam em si próprios.
É no peito de cada ser humano que o culto da Sabedoria deve ser trabalhado perseverantemente, pois a Sabedoria está sempre rodeada, ou envolta ou submersa por muitos véus de aparências enganosas, de instintos possessivos, de ignorância descuidadas. Por isso ao longo dos séculos  erguerem-se grupos fraternidades, escolas de sabedoria, tais as de Pitágoras, as das confrarias dos Mistérios, as sodalidades ocidentais, as fraternidades esotéricas islâmicas, hindus, taoístas ou as ordenes religiosas cristãs, todas elas ajudando a purificação e instrução e aperfeiçoamento dos seres na realização espiritual e unidade do ser, do universo, da Identidade Suprema.

Gnothi seauton, "Conhece-te a ti próprio", é uma das máximas fundacionais da sabedoria grega, proveniente da Tradição, nomeadamente popular, e formulada ou atribuída a Tales de Mileto, um dos Sete Sábios da Grécia, dos séc. VII e VI,  canonizados como tais, sendo a cada um deles, Tales, Sólon, Bias, Quílon, Periandro, Pitaco, Cleóbulo, atribuída uma máxima ou símbolo de sabedoria moral, a maioria delas no sentido da prudência.

Como seta afirmante da da necessidade da auto-gnose e para se entrar na esfera do mais sagrado, ela estava inscrita  em Delfos numa das colunas do pronau ou entrada do templo de Apolo, o deus do Sol, mas onde ainda pontificava, vinda da matriz da Grande Deusa, uma pitonisa ou sibila inspirando as almas no Caminho. 

Relembra-nos  tal lema, intenção e bussola, que devemos ser perseverantes no árduo caminho do conhecimento e da perfeição, quais eixos ou colunas na Sabedoria perene que une os mundos, os seres e a Divindade.

Nos nossos dias, de ruínas mas ainda de fogo (Atar, Agni, Ignis) da Sabedoria e Amor
.

 


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Breves meditações (3ª) ou ensaios sobre a Sabedoria.

           
A Sabedoria nos humanos nasce tanto do estudo, meditação e contemplação como das vivências e encontros com os seres e polaridades, e amadurece e apura-se na compreensão lúcida que assimilamos, frutificando no bem fazer, na beleza, justiça, paz e ser.
A Sabedoria é um princípio ou atributo divino, uma ideia primordial, um eidos, um super-conceito, que inclui ou apela a diversas qualidades para se manifestar humanamente, e deixar de ser apenas divina, transcendental, ideia pura, virtual, encarnando graças às virtudes ou qualidades, tais como a atenção, o discernimento, o estudo, a paciência, a prudência, a comensurabilidade, o estoicismo, o desprendimento, a abnegação, a serenidade, o amor, que vamos desenvolvendo no Caminho. 

No exame ao fim do dia que os Pitagóricos realizavam na sua fraternidade e tradição o discípulo interrogava-se e discernia onde errara mais, arrependendo-se e corrigindo-se, e onde fora mais sábio,  justo, luminoso, ligando melhor a alma e o espírito, o bem nosso e o bem dos outros, o céu e a terra na cruz universal, aprofundando a pureza e transparência de consciência, do coração e do seu veículo etérico, ochema.

Ao longo dos séculos seres e grupos perseveraram mais na Sabedoria do pensar, contemplar e agir bem, e encontramos belas florações na sabedoria popular, nas profissões e artes, nas ordens religiosas, e sobretudo nos pensadores e filósofos, já que estes eram teoricamente  os amigos da Sabedoria, Sophia, e desde Pitágoras que no Ocidente se distinguiu a Phronesis, o bem fazer, a sabedoria prática,  e a Sophia, sapiência contemplativa, aprofundada com Sócrates, Platão, Aristóteles e os seus continuadores, tais Plotino, Porfirio, Plutarco, Apuleio, ou mesmo na idade Média com diversas escolas, tal a de Chartres. 

A partir do Renascimento, a grande floração humanista de sapiência vinda já de Dante e Petrarca, brilha em Marsilio Ficino (o tradutor e comentador de Platão, Plotino e do Corpus Hermeticus, desde 1484), Pico della Mirandola, Erasmo, Eugubinus Steucos, Lefévre d'Étaples, Paracelso, Charles de Bouvelles, Giordano Bruno, ou mesmo nos nossos André de Resende, João de Barros, Damião de Goes, Luís de Camões, Jorge Ferreira de Vasconcelos,  Rafael Bluteau, etc.

No Cristianismo, se alguns dos primeiros padres da Igreja uniram bem a sabedoria pagã e a cristã e se tornaram célebres. tais Orígenes e Clemente de Alexandria, muitos outros se destacaram no culto da Sabedoria e entre os portugueses destacaram-se nos franciscanos, na esteira de S. António,  nos Agostinhos, nos Jesuítas missionários e em especial, enquanto sucessores dos Templários na Ordem de Cristo, bem actuante no tempo dos Descobrimentos (com a de Aviz e de Santiago),  na qual o lema do seu administrador e governador (durante 40 anos) Infante D. Henrique,  Talent de bien faire, a invocava, inspirando frades contemplativos e cultores como Gregório Taveira, Isidoro Barreira, Aleixo de S. António, Lourenço Garro, Paulo de Vasconcelos e outros. 

Certamente que deveremos referir a existência de várias monjas ou sorores que desenvolveram em Portugal a Santa Sophia, nas suas vidas (por vezes tão ásperas ou abnegadas), nas suas realizações íntimas e escritos, numa rectaguarda da Igreja militante mas nem por isso menos importante na funcionalidade de irradiação luminosa  religante da Humanidade ao Bem e à Divindade, a partir dos seus centros e claustros, corações e orações.

Com uma riqueza tão grande de Tradição perene e portuguesa ao nosso alcance, que tem tido valiosos representantes até aos nossos dias, - e mencionaremos apenas as demandas de Antero de Quental e Jaime de Magalhães Lima, de Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa, de Leonardo Coimbra e Sant'Anna Dionísio, de Agostinho da Silva e Dalila Pereira da Costa, de Afonso Botelho, Pina Martins e Jorge Preto -, cada um de nós deve cultivar,  meditar, aprofundar e actualizar alguns destes elos mais ou menos axiais, para a nossa alma sobreviver melhor a tanta  artificialidade e tecnologia, agitação e violência, ignorância e manipulação. Cultivar a sabedoria no discernimento, assimilação e acção, e aprofundá-la na meditação e contemplação, é cada vez mais necessário se queremos realizar-nos espiritualmente, se aspiramos a uma Humanidade mais desperta, sábia e unida harmoniosamente...

A humanidade, os espíritos celestiais e a Divindade unidos em elevação e adoração, por Domingos António de Sequeira. Museu de Arte Antiga.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Breves meditações (2ª) ou ensaios sobre a Sabedoria.

      A Sabedoria, humana, é sentir, pensar, falar, agir e meditar em verdade e bem,   e harmonizar e religar os seres mundos  visíveis e invisíveis, nomeadamente a terra e o céu, os vivos, mortos e antepassados, dissipando a ignorância, atravessando os embates e as oposições, constantemente morrendo e renascendo, rumo à luz, à verdade, ao Bem, à Divindade.

A Sabedoria é o aprofundamento do que se faz, sente e pensa de modo a que se realizem transformações, transmutações e transmissões  que nos abram mais - a nós e aos outros  - à verdade, à justiça, à harmonia, à Unidade.

A Sabedoria enquanto prática mais interna e iniciática, tanto observa o mundo interior, tenta gerar e adentrar-se no silêncio, tenta entrar no coração e desvendar aspectos e mistérios, como segue a respiração e pronuncia os mantras ou palavras de poder sacro e invocatório dos seres espirituais e dos estados conscienciais e de ser que nos religam ao espírito, à Luz, à Paz, à Divindade.

O ser que cultiva, cultua ou ama a Sabedoria ou a Sapiência é por ela apoiado e transformado e consegue estar ou caminhar mais  axializado entre a Terra e o Céu, tornando-se um centro invocador, receptor e irradiador das força da verdade, da paz,  da Unidade que ele intui, sente, toca, respira, ama ou contempla.

A Sabedoria cósmica manifesta-se nas proporções, geometria, ritmos, tais os da respiração, das batidas do coração, das horas do dia, do bio-ritmo mensal, das estações do ano,  equinócios e solstícios, o ciclo lunar, da espiral biográfica da vida. E pelas leis das correspondências tudo pode ser vivenciado pluridimensionalmente, alargando ou expandindo a consciência e o ser, permitindo-nos sentir, receber, contemplar, entrar nos domínios ou níveis da essencialidade e sacralidade dos seres e viver de modos mais profunda, harmoniosos, conscientes da trindade amalgamada de corpo, alma e espírito, das dualidades complementares, dos princípios perenes e atributos divinos no aqui e agora. 

A Sabedoria é discernir os ritmos e ondas psico-somáticas, os limites, os tempos de mudança, a absorção e a irradiação, o que devemos evitar e o que devemos apoiar, tal como já dizia Epitecto, sustine et abstine, o que é justo ou injusto, o bem e o mal, e avançar e convergir ascensionalmente, axialmente.

Sabedoria é estar consciente de si e dos outros, e como devemos fluir nas relações espontaneamente a partir do coração e da espírito e sabendo ultrapassar tantos as atrações e dispersões das aparências agradáveis ou sedutoras, como vencer ou superar as ameaças e medos desintegradores.

O verbo ou sermo da Sabedora e do sábio é ser, sê-lo. Ou tornar-se, assumir, incorporar, respirar, viver, a santa Sophia, a sabedoria que é divina e que harmoniza e nos eleva à sua Luz ou glória, qualquer que seja a medida e a cor que nos caiba mais .

Na religião mais antiga dos Persas, o seu  profeta fílósofo e reformador Zoroastro, compreendeu bem a Divindade (e bispo e historiador Eusébio da Cesareia, do séc. IV, na sua Preparação Evangélica, reconheceu: "A mais bela definição da Divindade que se encontra entre os antigos é a de Zoroastro") denominou  Deus ou a fonte suprema, o grande ser ou senhor Sabedoria, Ahur Mazda, e intuiu nele seis grandes entidades  celestiais,  os Amesha spenta, os Santos Imortais, que representam atributos, arquétipos e modelos vivos com diferentes funções na harmonia do Cosmos e da Terra (estando na génese dos Arcanjos do Cristianismo),  os seus nomes, masculinos e femininos, e funções  sendo Asha Vahishta, a Verdade ou Ordem Cósmica (a que se opõe Druj, a mentira), Spenta Armaiti, a da devoção, adoração,  Sabedoria, Vohu Mana, a boa mente, com os pensamentos justos, Khshatra, Reino de Deus e soberania (correspondente ao Kshatriya, guerreiro, indiano), Haurvatat, a saúde, integridade, salvação, Ameretat, imortalidade, deixando-nos assim uma valiosa tradição dos espíritos celestiais (e os  hinos a eles, ou gathas, são de grande devoção e beleza) e dos atributos divinos importantes de serem trabalhados,

Saibamos pela vida de aspiração, labor e amor à Sabedoria e Verdade  pelos pensamentos e sentimentos,  orações e ritos, meditações e contemplações elevar-nos mais consciencialmente e transformar-nos pelos símbolos ou seres sagrados contemplados, sob o influxo da luz da glória, khvarenah ou farrah, na tradição avéstica  iraniana e na sufi, luz de amor, inteligência e justiça, que nos revela a taça do centro do coração, na idade Média erguido como santo Graal, e na Pérsia dos poetas espirituais Jam-e Jam,   que acolhe e emana os influxos celestiais e do Espirito Divino, e nos harmoniza e unifica íntima e universalmente.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Breves meditações (1ª) ou ensaios sobre a Sabedoria.

  A Sabedoria, Sophia, em grego, é tanto o conhecimento verdadeiro dos seres e das coisas, como um aspecto, atributo ou face da concepção que podemos obter racional, intelectual ou visionariamente da Divindade ou Ser Primordial,  fonte da harmonia universal, podendo ser vista como a substância divina animadora tanto de Si mesma como do Cosmos e seres. 

A Divindade, sendo Omnisciência e Omnisapiência, é Sabedoria, Conhecimento verdadeiro ou Gnose, mas também Amor  e outros atributos ou qualidades que conseguimos discernir no seu esplendor transcendente e na sua manifestação na ordenação bela dos seres e universos.

Ascendentemente, partindo da Humanidade, a mais elevada sabedoria, ou mais elevado conhecimento que podemos  realizar é o  do Espírito divino, dos mundos espirituais e de  Deus ou Fonte Suprema, donde poder chamar-se Teosofia, a Sofia ou Sabedoria divina, a tal conhecimento, que exige sempre a graça ou benção divina para a obtermos, e implica um caminho de merecimento, aperfeiçoamento, purificação, iniciação e iluminação, no qual se vai captando ou discernindo mais o Divino no Universo, em si, nos outros. Donde  brota o vivermos mais harmoniosamente na Unidade divina, em prudência, temperança, comensurabilidade, fraternidade, ética, veracidade, amor, serenidade.

Viver bem a Sabedoria divina que se vai compreendendo implica uma constante superação dos aspectos e comportamentos egoístas e superficiais e a adopção dum modo de vida dotado de práticas purificadoras e unificadoras, tais as da alimentação, respiração, concentração e meditação, para assim nos harmonizar, purificar e convergir e reunificar aos níveis do Espírito e do Divino. 

Estas práticas sábias e que espelham a aspiração ou amor à Sabedoria Divina são múltiplas, encontram-se em todos os povos e tradições, e ligam-nos às energias cósmicas, à respiração, à voz, som e palavra, aos ritmos e ciclos e no fundo apuram a consciencialização da alma e do espírito, dos corpos, cérebro e centros de forças  subtis, e suas circulações e abrem-nos aos princípios e leis cósmicas, aos grandes seres e níveis da Divindade e ao Todo ambiental pluridimensional.

A Divindade é para o ser humano um mistério que o ultrapassa sempre, pois ela é Infinita  e ele não o é, apesar de ser uma centelha divina nos corpos visíveis e invisíveis, e assim é bastante limitadamente que o ser humano obtém compreensões, percepções, sensações, fés, intuições, visões da ordem do Universo e da Divindade. Contudo grandes religiões, teologias, realizações, ensinamentos e discursos incidiram sobre Deus e os deuses com mais ou menos sabedoria, mais ou menos conhecimento certo, pelo que devemos discernir e revisitar o que de melhor, mais verdadeiro e mais sábio tais religiões e mestres alcançaram e nos chega como Tradição viva.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Frei Isidoro Barreira, da Ordem de Cristo. Da Sabedoria, simbolizada pela flor Jacinto. "Tratado das significações das plantas, flores e frutos que se referem na Sagrada Escritura."

   Frei Isidoro Barreira foi um dos religiosos da Ordem de Cristo que tendo professado no convento de Tomar em 1606 (crendo-se que terá deixado a Terra em 1634) se dedicou perseverantemente à investigação histórico-hagiográfica e ao culto da Sabedoria moral, religiosa e espiritual, dando à luz em 1618 uma Historia da vida e martírio da gloriosa Virgem Santa Iria e, aproveitando a boa biblioteca que tinha ao seu dispor, compilando muitíssimas citações de autores greco-romanos e cristãos, bem como da Bíblia, publicou em 1622 uma espécie de erudito dicionário da simbologia medicinal, moral e espiritual, no qual para cada planta, flor ou árvores apresenta os significados atribuídos desde a antiguidade, juntando considerações suas muito valiosas, das quais destacamos as da Oração, Contemplação, Amor, etc.
Exemplar com nota de posse da Livraria do convento de N. Senhora da Conceição em Matozinhos, ao tempo da Ordem de S. Francisco.

Intitulado  Tratado das significações das plantas, flores e frutos que se referem na Sagrada Escritura. Tiradas das Divinas e Humanas letras, com suas breves considerações, foi dado à luz em Lisboa, por Paulo Craesbeeck, em 1622. Teve algum sucesso, tanto mais que serviria para os religiosos pregarem melhor e os pintores saberem  desenhar melhor o reino vegetal segundo a simbologia tradicional, saindo assim uma 2ª edição na Oficina de Manuel Lopes Ferreira em 1698, num in-4º de (6)-517 páginas.

 Na obra, antes das licenças e da Tabuada das Plantas, Fores e Frutos, (...) com seus próprios significados e considerações, Frei Isidoro Barreira escreve um breve prólogo, no início demonstrando no início a sua inserção numa das ideias-força dos Descobrimentos e do Renascimento: «A experiência das coisas foi a que descobriu a natureza delas, e dos efeitos que viu, apropriou a muitas os significados que tem.» Mas, logo em seguida, como espiritual que era ressalva ou acrescenta a intuição, a revelação, a inspiração do Alto: «Os [significados] das plantas daqui tiveram sua origem, ainda que os mais [a maioria] deles não foram tão descobertos por indústria humana, como [por] sabedoria divina.»

Neste blogue já consagramos quatro textos a um dos frades sábios da Ordem de Cisto, o lamacense Frei Mestre Paulo de Vasconcelos:  https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/01/mestres-espirituais-da-ordem-de-cristo.html, https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/01/um-capitulo-valioso-onde-desenvolvera.html https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/01/sobre-imutabilidade-divina-por-frei.html
https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/02/consideracao-dos-anjos-pelo-dom-prior.html,    e agora vamos apenas transcrever  dois extractos das considerações acerca do  Jacinto e da Sabedoria, já que nos transmitem valiosas compreensões, e porque no dia 10 farei uma palestra sobre a Sabedoria na Biblioteca da Câmara Municipal de Cascais, no ciclo Encontros de Sabedoria. Oiçamo-lo:

   «O Jacinto é uma flor e espécie de Lírio, que os Poetas fingiram que fora algum tempo um formoso menino, que Apolo convertera nesta flor, que ficou retendo o mesmo nome de Jacinto que dantes tinha. E por esta flor diz o mesmo Celio Augusto (conforme o tinha descoberto em Autores antigos) que se entende a Sabedoria, porque como Apolo fosse tido por Deus das Musas, e do engenho, veio-se a dizer, que o sentido natural em quanto não se corrompe com alguma malícia, é como um menino inocente, que carece de aviso, e discrição; mas que então é esse sentido belo e formoso, quando se levanta à contemplação de coisas altas; donde se segue, que levantado sobre si e alumiado com a razão, ponha de parte o fervor juvenil, e se converta e transforme em flor de sabedoria, juízo e descrição, lançando de si suavíssimo cheiro de virtudes. Isto é que os Filósofos antigos doutamente consideravam, quando a esta flor atribuíram a significação de sabedoria (...)
Séneca filósofo, com ser Gentio, chegou a descobrir grandes efeitos da Sabedoria, e os bens que nela se continham, dizendo, que é a sabedoria um dom, que nesta vida nos leva ao estado de bem-aventurança, para ela nos guia e vai mostrando o caminho, dirigindo-nos a tudo o que é bem e desviando-nos de tudo o que é maligno; livra o entendimento de vaidades e ensina que só aquele é felicíssimo, quem não tem necessidade de felicidade alguma, e que só aquele é poderoso, que a si mesmo tem em poder, e só aquele é sábio, que tem louvável composição dos efeitos da alma, procedendo sempre com justiça e verdade, não se levantando em coisas prósperas, nem abatendo com as adversas, nem estimando as coisas conforme a opinião, mas negando a natureza delas, mostrando-se superior a todos os acontecimentos, em tudo formoso, em tudo formoso, em tudo bem assombrado, sem temer e perturbação alguma, prevendo o que há-de fazer, e o que não há-de fazer, e o que não há de fazer e em tudo o mais governando a vida e acções em boa conformidade...»
Outra obra fruto da lavra anímica de Frei Isidoro Barreira, é a tradução, do latim, da regra do patriarca S. Bento, sob a qual se regia a Ordem de Cristo. Contém uma dedicatória ao Mestre Frei André Pacheco, Dom Prior do Convento de Tomar, & Geral da Ordem de Cristo, e uma exortação A toda Sagrada Religião, & Freires da Ordem de Cristo, explicando que adicionara um catálogo dos varões ilustres que seguiram a regra e que "na observância dos seus preceitos chegaram à vida eterna", e porque «bom conselho é ajudar  a que não se percam aomemoriais de santidade e virtude dos justos e das proezas que fizeram...».
Saibamos sintonizar e continuar conforme o nosso logos a Tradição espiritual portuguesa e universal da Sabedoria, Sapiência, Sophia, assinalada até na tenção do governador e administrador (de 1420 a 1460) da Ordem de Cristo, infante D. Henrique, Talent de Bien Faire...

sábado, 3 de outubro de 2026

Estatuas chinesas budistas no Museu do Oriente. Религиозные китайские иконы в Музее Востока. Chinese budhist living statues

 Ícones religiosos chineses, no Museu do Oriente.Fundação Oriente, Lisboa. Visita e gravação das peças talvez mais fortes psico-espiritualmente do Museu, pelo menos das visíveis. Dia 3 Outubro de 2026. Pronunciei alguns mantras em especial da tradição budista, tibetana e indiana. Boas inspirações e harmonizações.

Религиозные китайские иконы в Музее Востока. Китайские буддийские статуи. Фундасао Ориенте, Лиссабон. Посещение и запись, возможно, самых сильных психо-духовных экспонатов музея, по крайней мере, из видимых. 3 октября 2026 года. Произнес несколько мантр, особенно из буддийской, тибетской и индийской традиций. Хороших вдохновений и гармонизаций.

Chinese religious icons, at the Museum of the Orient. Orient Foundation, Lisbon. Visit and recording of perhaps the most psychospiritually powerful pieces in the Museum, at least the visible ones. October 3, 2026. I recited some mantras, especially from the Buddhist, Tibetan, and Indian traditions. Good inspirations and harmonisations.


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Message of Imam Ayatollah Mojtaba Khamenei. Mensagem sobre a oração no auspicioso 1º dia de Outubro. Bilingual.

                                          

     O Líder da Revolução Islâmica Mojtaba Khamenei deu no 1º dia de Outubro de 2026 uma importante mensagem espiritual por escrito -  já que desde o assassinato de quase toda a sua família pelos diabólicos norte-americanos e israelitas se encontra em ocultação - acerca da oração apontando-a como uma fonte  de força perene no confronto com os "demônios mundiais", destacando a sua crescente função de fortalecer a sociedade e de apoiar as pessoas em tempos de luta.

Foi para a 33ª Conferência anual sobre a Oração, e nela Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei realçou a importância de se estabelecer ou fortalecer a oração e realizar-se a conferência anual, lembrando que tal prática da oração (nas suas múltiplas formas ora mais longas ora nos condensados zikr) é uma da responsabilidades essenciais de uma sociedade religiosa ou islâmica.
“A oração é uma das mais elevadas e belas bênçãos do Deus Todo-Poderoso, a mais alta instituição, símbolo e pilar da religião, e o fio condutor [ou axial] através do qual cada um de nós estabelece uma relação próxima e direta com a fonte divina infinita e eterna,” disse ele.
O Líder considerou a oração como uma fonte constante de harmonia, tal uma bebida ou elixir de imortalidade, e como uma coluna que nos liga superiormente de modo a se ter uma vida saudável e justa.
“Este elixir de prosperidade e salvação, e pilar de uma vida saudável, é tanto um apoio firme e contínuo quanto uma reserva inesgotável para os seres humanos na sua luta contra o eu carnal e os demônios do mundo,” disse ele.
Realçou ainda ser a oração  uma fonte da melhores virtudes e qualidades, que fluem e espelham os atributos divinos:
“A oração é  uma fonte sempre fluindo de amor, esperança, bondade e paz,” disse o Aiatolá Khamenei, acrescentando que as bênçãos divinas e a abundância de sustento são alcançadas e aumentadas através do estabelecimento da oração e da busca de perdão.
Realçou que a oração não deve ser vista apenas como uma obrigação individual. Citando os ensinamentos do Alcorão, afirmou que estabelecer a oração  era também uma característica definidora de um governo justo.
O sábio Líder vinculou o ensinamento transmitido à luta enfrentada pelo Irão hoje, dizendo que a colocação do versículo no Alcorão, depois da promessa  de apoio divino aos seguidores de Deus e nas suas lutas, demonstra o papel da oração para se conseguir a perseverança e a vitória.
“O estabelecimento da oração como um bastião da lembrança de Deus, e da esperança e confiança Nele, tem um papel especial na jihad [guerra santa, interior e exterior], na vitória e triunfo nos campos de luta, e em especial no campo de luta que a nação iraniana enfrenta hoje,” disse.
O Aiatolá Khamenei afirmou ainda que o povo iraniano estava agora a ser chamado  mais do que nunca pelo repetido comando divino de estabelecer ou fundar ou desenvolver a oração.
Apelou também  às famílias, educadores, instituições religiosas, universidades, organizações culturais e figuras públicas que assumam maior responsabilidade na promoção da oração, particularmente entre os jovens.
O Líder disse que tornar a oração mais ampla e institucionalizada, acompanhada de um esforço coletivo para realizá-la corretamente, era fulcral para o avanço duma sociedade islâmica.
Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei  apontou igualmente  a importância das mesquitas e das orações em grupo ou congregação, dizendo que são meios ou passos necessários para se aumentar a participação e melhorar a qualidade do culto comunitário.»

https://www.presstv.co.uk/Detail/2026/10/01/777364/Leader-prayer-support-confrontation-worldly-devils. Traduzido da versão original em inglês, presente na ligação da Presstv.co, disponível no meu computador desde ontem, após alguns meses de bloqueio. 
 Fiz algumas modificações ou explicações na minha tradução, mas no final do artigo pode ler a versão original do canal (explicativa) e do Ayatollah Khamenei (as suas palavras. E uma delas seria interessante saber-se qual foi a usada para o que traduzimos, seguindo a tradução inglesa, por "estabelecer a oração")  Ameen...

Original version in english, present in Presstv. co, since yesterday available in my computer after some months of being blocked:

    «The Leader of the Islamic Revolution has described prayer as a lasting source of strength in confronting “the worldly devils,” stressing its wider role in strengthening society and supporting people in times of struggle.
In a Thursday message to a local conference focusing on Islamic prayer, Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei wrote on the importance of establishing prayer and holding the annual conference, noting that the practice was among the essential responsibilities of an Islamic society.
“Prayer is one of the most beautiful great blessings of Almighty God, the highest institution, symbol and pillar of religion, and the connecting thread through which each of us establishes a close and direct relationship with the infinite and everlasting divine source,” he said.
The Leader described prayer as an “elixir of prosperity and salvation” and a pillar of a wholesome life.
“This elixir of prosperity and salvation and pillar of a wholesome life is both a firm, continuous support and an inexhaustible reserve for human beings in the struggle against the carnal self and worldly devils,” he said.
He added that prayer also provides a source of hope and tranquility.
“It is also a flowing spring of love, hope, kindness and peace,” Ayatollah Khamenei said, adding that divine blessings and abundance in sustenance are attained and increased through establishing prayer and seeking forgiveness.
He stressed that prayer should not be viewed merely as an individual obligation. Citing the Qur’anic teachings, he said establishing prayer was also a defining feature of righteous governance.
He linked the teaching to the struggle faced by Iran today, saying the placement of the verse after the Quranic promise of divine support for God’s followers and their struggle demonstrated the role of prayer in perseverance and victory.
“The establishment of prayer, as a stronghold of the remembrance of God, hope and trust in Him, has a special role in jihad, victory and triumph in the fields of struggle, particularly the field of struggle that the Iranian nation faces today,” he said.
Ayatollah Khamenei said the Iranian people were now more than ever addressed by the repeated divine command to “establish prayer.”
He also called on families, educators, religious institutions, universities, cultural organizations and public figures to assume greater responsibility for promoting prayer, particularly among young people.
The Leader said making prayer widespread and institutionalized, followed by a collective effort to perform it properly, were key to advancing an Islamic society.
He also pointed to the importance of mosques and congregational prayers, saying these were necessary steps toward increasing participation and improving the quality of communal worship.»