sábado, 30 de maio de 2026

120º aniversário de Bruno Gröning, um instrutor e curador das pessoas pela fé e a corrente Divina. 30/5/1906-2026.

Bruno Gröning, um mestre da cura pela abertura à corrente curativa divina (heilstrom), faz  hoje 30 de Maio de 2026 120 anos que nasceu em Gdansk, Polónia-Alemanha, o quarto filho de sete [o terceiro da esquerda] de uma família católica,  desde novo dotado de  forte comunhão com a natureza, sentindo nela a presença divina, e com capacidade calmantes ou curativas com pessoas e animais. Segundo o seu pai, era muito intuitivo, fazia previsões, que se confirmaram, tais como as datas das duas guerras mundiais e o que sucederia, a morte de certas pessoas de família, mas o que sobrelevava a sua capacidade de fazer bem ou curar quem sofria. Certamente, direi eu, tinha já revelações de clarividência, seja do invisível, seja do futuro, algo que virá a manifestar frequentemente mais tarde.

Embora tivesse feito os estudos elementares e começado o curso comercial teve de deixá-lo e aprender carpintaria como o seu pai queria e chegou a abrir uma oficina que funcionou durante dois anos, mas a época era má e houve que fechá-la e procurar outros trabalhos. Em 1943 teve de entrar no exército alemão, e tendo até antes leves problemas por ter dito que podia ser enviado para a frente da batalha ou não, mas que nunca iria disparar para matar. Acabou por ser preso pelas tropas soviéticas, saindo só ao fim de sete meses de prisão em Novembro de 1945, tendo ajudado nesse período pessoas em crise e alguns militares russos reconhecendo o seu valor. 

 É a partir de 1949 e da cura de uma criança com uma paralisia muscular tornada pública pelos pais e noticiada pelos jornais que foi projectado para o grande público, pelo que começaram a chegar aos milhares ao local onde ele se encontrava para o ouvirem e verem, na cidade de Hertford, na Vestefália. Revelou-se então capaz de curar muitas pessoas que tinham fé em Deus e nas suas capacidades de curar e que, ao ouvirem ou ao verem-no, melhoravam ou curavam-se, seja porque recebiam correntes de energia curativa, seja porque tinham forte confiança nele ou fé em Deus (como ele explicava e pedia), e desencadeavam as suas próprias forças orgânicas ou psico-espirituais harmonizadoras.

Estes tipos de cura por energias subtis, que a ciência objectiva tem de admitir por vezes pelos sucessos inexplicáveis (sobretudo quando todos os recursos da medicina oficial foram tentados), sempre houve ao longo dos séculos (e mesmo em Portugal, o Padre Jorge Miguel nos anos 80, como Cunha Simões documentou). e têm sido chamados de cura pela fé, pelo magnetismo, pela auto-sugestão, pela corrente colectiva ou egrégora e por milagre, sobrenatural ou divino, mas dada a sua subtileza não são facilmente compreendidos nas suas causas. No seu caso, Bruno Grüning recomendava as pessoas descontraírem-se e acalmarem-se, esquecerem a doença ("deixar de estar sentado em cima dela" ou a matutar nela), bem como os incómodos e dores corporais ou psíquicas, e abrirem-se com fé a Deus, e assim receberem energias e deixarem fluir a corrente curativa através do corpo, tentando sentir interiormente até o processo... Num dos vídeos que partilho podemos ouvi-lo a explicar como se alinharem com as energias subtis curativas... 

O que sabemos de mais objectivo é que quando Bruno Gröning  do alto da varanda e diante das milhares de almas em sofrimento, aspiração e fé, depois de muita espera e de silêncio,  falava para se abrirem a Deus e às energias curativas e dizia por fim: - "Levantem-se, vocês podem andar ou curar-se", muitas pessoas conseguiam levantar-se, ou desapareciam nelas outras dores ou paralisias, algumas sentindo uma descida de energia pela cabeça, calor e   certo formigueiro no corpo e que os fazia erguerem-se e abandonarem as limitações e petrificações, e sentirem-se muito bem, e logo darem graças, por vezes exuberantemente. 
Bruno Gröning dizia que era preciso uma reeducação interior e que em geral ele antes de tentar despertar a cura das pessoas dizia algo acerca da paz, a fé e o amor que deviam existir no coração, e sobre as forças cósmicas e divinas, dando exemplos de casos, para as preparar mas por vezes, mesmo sem nenhuma preparação, a cura acontecia. Considerando-se um instrumento de Deus, dizia que as pessoas também o poderiam ser, se acreditassem mais nelas e em Deus e se abrissem a Ele. E neste sentido poderemos lembrar-nos das palavras de Jesus, curai os enfermos... 

Alguns médicos e as autoridades da cidade não gostavam contudo, acusavam-no de exercer a actividade médica sem formação ou mesmo de ser  charlatão e em duas sucessivas ordens Bruno foi proibido de exercer a sua missão curativa.

Foi então que Bruno Gröning aceitou submeter-se na clínica da Universidade de Heidelberg a uma investigação das suas curas milagrosas, para também  poder ser dado um veredicto cientifico sobre a sua actividade. Organizaram-se sessões com poucas pessoas, escolhidas a partir dos pedidos enviados para Universidade, e que se sentavam diante dele. Tudo era gravado e houve alguns casos extraordinários de curas, o que levou alguns  cientistas a terem de admitir que algo de extraordinário se passava. O Prof. Fisher, que dirigia o programa e era também psicólogo e psicoterapeuta, afirmou no fim da investigação que Bruno tinha um poder natural de cura. Não era um charlatão  ou hipnotizador, ou um doutor miraculoso, mas alguém agraciado com um dom e espontâneo ou não treinado  de psicoterapeuta, que animado por grande compaixão com os que sofrem trata-os, sem se julgar um profeta ou um messias, mas com sentido forte da sua missão.

Propôs então o prof. Fisher que Bruno trabalhasse para uma clínica com médicos e que as curas seriam apresentadas como resultados da psicoterapia de todos. O pior de tudo é que exigiu bastante dinheiro de Bruno Gröning, direi como se este fosse uma galinha de ovos de ouro, e ele naturalmente recusou, afirmando que no dia em que começasse a fazer negócio da cura, tal dom divino ser-lhe-ia retirado. Terminou aqui a associação com a classe científica e médica e o prof. Fisher traiu algum despeito ou inveja ao não assinar qualquer declaração que permitisse Bruno Grüning retomar a sua missão publicamente.

Depois de algum tempo recolhido,  na Baviera, em Traberhof, Munique, sabendo-se onde ele estava, pelos jornais, começou a atrair muita gente e teve de entrar em acção face às milhares de pessoas, cerca de 30.000, que acorrem ou estão presentes diariamente, havendo bastante curas, de tal modo de que alguém que o acompanhou dizia que parecia que quantas mais pessoas, mais curas. Como o governador da Baviera Hans Ehard reconheceu ele ser um pessoa extraordinária e determinou que não se devia proibir um acto de amor, houve muita gente a ser curada, e ficaram muitos testemunhos registados, com os momentos de Bruno Gröning no cimo da varanda falando às pessoas e tentando transmitir-lhe as forças da cura, que ficaram para sempre na alma delas  e até nos registos cinematográficos e radiofónicos, como se pode ver hoje na Internet (onde devemos referir contudo menosprezo por parte da super manipuladora wikipedia, hoje superada pela IA) e da qual partilho do Youtube dois vídeos nesta homenagem oe aniversariante e sugiro os filmes da sua biografia também disponíveis em rede, tal: https://www.youtube.com/watch?v=ZNlXuclHhVc

Na classe médica houve muitos que reconheceram os dons ou graças que Bruno Gröning  podia exercer e são muitas as cartas pedindo que ele visite as suas clínicas, doentes ou familiares, ou que receba os seus doentes. Por exemplo, o dr. Zetti, então presidente da Sociedade Naturopática, cumprimenta-o, visita-o, admira-o e apoia-o. E escreve um artigo dizendo como esteve umas semanas a viver junto a ele e comprovou a sua tremenda dedicação e capacidade de cura. 

                             

Estes anos de 1949-1950 foram talvez os mais áureos da sua vida, pois novas perseguições, processos, proibições, acusações, traições vão lhe dificultar a vida e enfraquecê-lo. Face às proibições cria a Associação dos Amigos Gröning, com círculos em várias partes da Alemanha (tanto mais que conseguia fomentar à distância), onde pode ao menos reunir-se e interagir com as pessoas (algo que ainda hoje está bastante activa), e curar mais discretamente.

Casa-se em Maio de 1955 pela 2ª vez, já que se divorciara por incompatibilidades, quando viera da II Grande guerra, agora com a tão luminosa Josette Montesinos, que oa acompanhará nos últimos anos Mas em Outubro,  o Procurador Público de Munique lança a acusação grave de continuar a exercer a cura e de ter causado uma morte por negligência e Gröning tem de escolher um bom advogado o Dr. Schwander, para o defender. E para ser julgado tem de submeter-se a exames e testes psíquicos e os resultados mostram que é um pessoa concentrada e que a sua inteligência é cima do normal (QI 107). 

Será um processo complexo, com a 1ª sessão em 1957, mas Bruno, simples e calmo vai respondendo com sabedoria às perguntas, embora a vontade negativa do Procurador Público e dos que estavam por detrás dele renove as acusações, nomeadamente de ele dizer aos doentes para não irem aos médicos e pede uma pena de prisão de um ano. Alguns dos doentes que o procuraram usam as mesmas palavras com que era acusado: "Ele curou-me", e a acusação de ter exercido a cura precede, embora o da morte da jovem por negligência sua  seja retirada, ficando apenas com uma pena pecuniária, o que contudo, face às despesas do processo, se tornou muito elevada para ele.  

Em 1957, um médico mais investigativo e consciencioso, o dr. Horts Man, publica um extenso artigo bem documentado sobre o valor de Bruno Gröning, e este acaba por escrever a agradecer ao editor, confessando ser o primeiro investigador a  escrever num jornal compreendendo plenamente a sua obra, e reafirmando que apesar de tudo ele continuará a ajudar os que sofrem, como os registos de testemunhos conservados  demonstram.  

O ano de 1958 começa mal ou árduo, pois o Ministério Publico recorre da última decisão de tribunal e quer de novo que ele seja preso e não possa de modo algum curar. As sessões  entre 14 e 16 de Janeiro maldosamente  declaram-no culpado da morte por negligência da tal jovem de 1950, condenam-no a oito meses de prisão, com pena suspensa, e completamente interdito de curar. O seu desgosto e indignação é grande  e, demasiado desiludido, intensifica-se o seu sofrimento interior e doença, dizendo que se não poder curar, arderá ou será destruido interiormente. O procurador público continua "fanaticamente" a pedir a prisão de Bruno Grüning e os jornais sensacionalmente noticiam, sem que venham defesas fortes, nem mesmo da Associação que fundara. Confessa então a um amigo o efeito psicosomático desse opressivo bullying do Ministério da Justiça alemão e de certos médicos: - "Estão a estrangular-me" 

Dado o seu emagrecimento e enfraquecimento vai a Paris, onde dois médicos, Dr. Bellanger e Dr. Grobon, seus amigos, diagnosticam um câncer no estomago. Quando é operado, apercebem-se de como o seu corpo está queimado por dentro. Em 22 de Janeiro, o tribunal superior de Munique reúne-se de novo, à hora exacta em que Bruno Grüning está de novo a ser aberto e operado. Tal como ele já anunciara a algumas pessoas, de que não passaria de 1959, a 26 de Janeiro, na cidade da Luz, Paris, parte para o Pai, tendo reafirmado que era apenas um instrumento e servidor de Deus e que continuaria a curar dos planos espirituais as pessoas que amassem a Vida e em quem houvesse a fé forte em Deus,  que é acima de tudo Amor. 

Bruno Gröning  foi certamente um discípulo de Jesus Cristo no exercício do dom da cura compassiva e gratuita, e tal reconheceu um padre franciscano de Assisi, e que, face à oposição de vários médicos (ou hoje da algo infrahumanizada Wikipedia) testemunhou o seu valor relembrando que pelos frutos bons se conhecem os seres da luz, e pedindo à despedida do encontro com Bruno Grüning que este o abençoasse. No mesmo sentido se pronunciaram os dois médicos Grobon e Bellanger, tal como ainda um espiritualista, que previu que no futuro muitos tentariam melhor compreender e realizar os seus ensinamentos e curas, embora alguns aspectos continuem misteriosos, tais como a relação entre ele absorver doenças ou energias negativas das pessoas que sofriam e os problemas da tiroide e do estômago que sofreu.

Saudemos Bruno Gröning e que ele possa continuar a despertar, curar, inspirar, plenificar e religar as pessoas a Deus e às Suas forças luminosas curativas e de Amor!...

            




               

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Mahdieh Esfandiari, an Iranian woman and media activist, speaks against France after illegal detention. May 2026. From Presstv.ir

 ‘Political hostage-taking’: Iranian woman vows legal battle against France after illegal detention"

Although almost not spoken in Portugal, in France it has mobilized many discussions about the state of freedom of expression and information in European Union, as Mahdieh Esfandiari was held almost one year jailled just for posting in social media true events happening in the Middle East, in fact not so much favorable for the genocidal actors and partners. But should Europe live under a dictatorship in favour of some country who is not even european and assumes an absolut disregrad for human rights? Let us listen what the very valuable site, Presstv.ir, has published some days ago:

Mahdieh Esfandiari, an Iranian woman who was illegally detained by the French government for 237 days, has announced legal action against Paris over its “political hostage-taking.”
Speaking after her return to Iran, Esfandyari told reporters in Kermanshah province that she spent 235 of those days in solitary confinement, where she endured intense pressure over her commitment to the Islamic dress code and her refusal to abandon her principles.
“We are in the process of filing an official complaint against the French government to prove this political hostage-taking, and to proclaim the righteousness of the Axis of Resistance and the victimhood of the children of Islamic Iran in international forums,” Esfandyari said.
‘Revealing the truth was my crime’
Esfandyari, a media activist who ran a news channel dedicated to covering the Axis of Resistance, including Iran, Lebanon, Palestine, Syria, Iraq and Yemen, said her only crime was telling the truth.
“Western media present news in a highly biased and distorted manner. After the October 7 operation, they framed the story as if it started that day, while the roots go back decades of Zionist occupation,” she said.
She explained that her channel translated and published firsthand news from the resistance front to challenge false Western narratives.
“But this very act of truth-telling displeased the claimants of freedom,” she said, and described the harsh conditions of her detention.
“I was held captive for 237 days, 235 of which were in solitary confinement. Throughout this period, one of my main challenges was maintaining my hijab,” she said.

“For us, hijab is not just a religious duty; it is a political symbol of the revolutionary Muslim woman. I was severely harassed over this. After much effort and consultations with lawyers, I was only allowed, to a very limited extent, to wear a headscarf during court appearances or meetings with the ambassador.”
She noted that even French Muslim citizens in prison dare not demand this basic right.
Double standards
Esfandyari sharply criticized the French judiciary for its political bias.
“It is utterly absurd that, according to the initial ruling, my name was to be placed on Europe’s terrorist list, yet a criminal like Netanyahu, who has an international arrest warrant, freely uses French airspace without being arrested,” she said.
“Today, from the West’s perspective, Iran’s IRGC is considered ‘terrorist,’ but the criminal Zionist army, stained with the blood of thousands of children, is not labeled as terrorist.”
‘I was a political hostage’
She revealed that France kept her under house arrest on the pretext of “threats to French security,” despite its own laws requiring her release pending appeal.
“The truth was exposed when my release coincided with the release of two French spies. This shows that I was effectively a hostage, not a defendant,” she said.
Her complaint against the French government seeks to expose what she calls systematic political hostage-taking by Western states.
Esfandyari’s detention and the subsequent swap are part of a broader pattern of French and European hostility toward Iran and the resistance axis.
France has consistently supported Israeli policies, provided political cover for US-Israeli aggression, and labeled Iran’s IRGC a “terrorist organization” while ignoring Israeli war crimes.
European nations, including France, have imposed sanctions on Iran while maintaining close ties with Israel.
Iranian officials have repeatedly condemned European “double standards” for ignoring Israeli atrocities in Gaza and Lebanon while targeting Iranian media figures and institutions.» 
From Presstv.ir
The perennial iranian soul!

Titus Burckhardt, sobre as Miniaturas Persas: As paisagens simbólicas manifestam a visão do cosmos subtil iraniano, e são a base da unidade da sua nação e estado religioso ou teocrático.

                              
Titus Burckhardt (1908-1984) foi um artista suíço, historiador de arte,  atraído e convertido cedo ao Islão, que procurou a iniciação em Fez e conseguindo-a na ordem sufi sunita Darqawiya, tendo vivido com dificuldades em vários trabalhos até poder em 1936, em Basileia,  estabilizar e estudar mais o árabe e a história da arte e começar  em 1937 a colaborar com artigos de simbolismo e traduções de filósofos espirituais árabes na revista de esoterismo Études Traditionneles, com René Guénon, então mestre do seu amigo de infância Frijtof Schuon, com quem também colaborava e o apoiou. Em 1939 casou-se, e tornou-se o director artístico da editora Urs Graf, em Basileia, especializada em reprodução de manuscritos antigos iluminados, onde trabalhou até se reformar em 1968. Os livros que escreveu de história de arte islâmica e sagrada com grande qualidade tiveram  sucesso e foi considerado o melhor conhecedor ocidental da arte islâmica. Os livros sobre o sufismo bem como o seu posicionamento metafísico e a sua relação muito próxima ou coincidente com Frithjof Schuon e  René Guènon, tornaram-no um dos principais representantes da escola tradicionalista, ou perenialista, teorizada principalmente por eles, além de Ananda Coomaraswamy e Seyyed Hossein Nasr. 

Titus Burckhardt e Frithjof Schuon perenizados numa varanda.

Entre 1972 e 1976 esteve em Fez a dirigir a restauração da cidade velha e da Medina, pela UNESCO e o Governo de Marrocos, e nesse ano último publicou uma valiosa obra Art of Islam. Language and Meaning, num in-fólio de XVI-204  páginas, muito bem ilustrada com fotografias de Roland Michaud, onde traça uma boa síntese em oito capítulos da evolução artística e principais épocas, estilos, características e questões, e de cujo capítulo III A Questão das Imagens, selecionamos dois extratos do segundo sub capítulo A Miniatura Persa,

Se o 1º extracto, mais especificamente sobre a miniatura Persa, revela uma boa captação da essência dela, já o 2º, sobre o Shi'ismo, manifesta um pouco mais ser  um sunita e não shi'ia, e não ter alcançado, aceitado ou valorizado plenamente a metafisica e o "espírito" shi'ia, sobretudo se o comparamos com Henry Corbin, que apesar de ser um cristão protestante, pelo seu grande amor ao Shi'ismo e ao Irão, atingiu uma grande penetração intuitiva, sensível e imaginal no mundo subtil e espiritual e na tradição dos XII Imams e dos místicos shi'ias. O livro contém como bibliografia apenas uma lista de quatro livros seus e onze não seus, sobre arte e arquitectura, sendo dois de cultura islâmica em geral. 

                                                            

Sobre as miniaturas persas: «(... O que dá à miniatura o seu quase único tipo de beleza não são tanto as cenas que retratam mas a nobilidade e simplicidade da atmosfera poética que as penetra.

Esta atmosfera, ou este modo - para usar um termo que carrega um significado preciso na música - confere ocasionalmente [ou melhor frequentemente] na miniatura Persa uma espécie de reverberação Edénica, e isto é profundamente significante, pois um dos seus temas básicos, com raízes iranianas distantes [alude veladamente ao que Henry Corbin desenvolveu profundamente, a partir dos textos avésticos, madzeístas e de Sohrawardi], é o da paisagem transfigurada, simbolizando ambos o paraíso terrestre e a "terra celestial"  [conforme a obra editada em 1960 de Henry. Corbin, Terre Céleste et Corps de résurrection, de l'Iran Madzéen à l'Iran Shi'ite, revista e modificada em 1978, como Corps espiritual et Terre céleste, de l'Iran Madzéen à l'Iran Shi'ite], os quais, enquanto se encontram  escondidos dos olhos da humanidade caída [tal das pessoas semicegas pelo mau jornalismo televisivo], permanecem existentes no mundo da luz espiritual que está manifesto aos santos de Deus [ou às pessoas com pureza, sensibilidade, aspiração, devoção, abertura.] 

É uma paisagem sem sombras, na qual cada objecto é feito de uma substância preciosa de inexcedível perfeição e onde cada árvore e flor é única no seu género [algo que devíamos ver mais mesmo neste mundo físico e desse modo nos elevarmos ou nos ligarmos aos outros mais subtis e perfeitos], tal como as plantas que Dante situa no Paraíso terrestre, na montanha do Purgatório, e cuja sementes nascem do vento perpétuo que sopra  no topo da montanha a fim de produzir todo o tipo de vegetação sobre a terra. (...)

Esta paisagem simbólica é essencialmente distinta da sugerida pela pintura chinesa. Diferentemente desta, não é definida; não parece estar a emergir dum vazio, a origem indiferenciada de todas as coisas; é como um cosmos bem ordenado, ocasionalmente contido numa arquitectura cristalina que o encerra como numa incantação mágica e prepara as cenas sem as fazer muito materiais.

Em termos gerais, a miniatura Persa - e estamos a considerá-la nas suas melhores fases - não procura retratatr o mundo exterior como ele se apresenta a si mesmo aos sentidos, com todas  as suas desarmonias e acidentalidades; o que está indirectamente a descrever é a imutável essência das coisas (al-a' yan ath-thabitah), pela qual um cavalo não é um simplesmente um membro particular da sua espécie mas o cavalo par excelence; é a qualidade genérica que a arte da miniatura procura captar. Se a imutáveis essências das coisas , os seus arquétipos, não podem ser apreendidos porque estão para lá da forma [discutível, pois têm é formas mais subtis e em movimento] elas ainda assim reflectem-se na contemplação imaginativa [ou imaginal, como diria H. Corbin]; daí a qualidade de sonho - não o de uma preguiçosa divagação - que pertence às mais belas miniaturas; é um sonho claro e translucente como se iluminado de dentro. (...)

Por causa do seu carácter normativo, a miniatura Persa pode servir para exprimir uma visão contemplativa; esta qualidade particular deve-se em parte ao meio ambiente (milieu) Shi'ita no qual a fronteira entre a lei religiosa e a livre inspiração é muito menos talhante que no Sunita. Estamos a pensar em certas miniaturas  de tema religioso tais as que, apesar de toda a regra tradicional, retratam a ascensão  (mi'raj) do Profeta através dos céus.

                                                                                      De longe a mais bela, e a mais espiritual, miniatura neste tema é a que forma parte do manuscrito Khamsah de Nizami, datado de 1529-1543, no período Safavida. Com as suas nuvens em convoluções no estilo Mongol e os seus anjos portadores de incenso reminiscentes das apsaras [indianas], esta miniatura exibe um ponto surpreendente de contacto entre o Budismo e o Islão [ou manifesta ainda a grande ligação com os anjos da antiga Pérsia, pioneira mundial nessa capacidade de visão com os Ameshaspenta e as fravartis de Zoroastro e depois continuada com Sohravardi, os seus condiscípulos da Luz oriental ou Ishraqiyyun, e vários místicos do Islão, seja sufis ou não pertencentes às tariqas ou confrarias.]

 «É bem apropriado, neste momento, dedicarmos algumas palavras a  clarificar a especial natureza do Shi'ismo. O que o distingue particularmente do Islão Sunita é a teoria do Califato, de acordo com o qual a autoridade spiritual conferida pelo Profeta sobre Ali, seu sobrinho e genro, está perpetuada  nos santos Imams (modelos ou guias) da sua família. O último dos Imams conhecido para a história - o décimo segundo de acordo com o Shi'ismo oficial [o Madhi]  - não está morto, mas está escondido dos olhos do mundo enquanto permanece em comunhão espiritual com os fiéis. 
Esta teoria é uma formulação [ou realização] devocional de uma verdade esotérica: a cada momento da sua história, cada mundo tradicional é regido por um polo (qutb) o qual é como o coração [ou eixo ou polo], um local onde a influência dos céus derrama-se para o plano terrestre; este "polo" é acima de tudo uma realidade cósmica e espiritual; coincide com a Presença Divina no centro do mundo - ou o centro dum certo mundo ou, de novo, de cada alma, de acordo com vários níveis - mas é normalmente representado pelo santo, ou santos, [ou pelos imams, ou os mestres, santos e profetas que estão ligados como eles] cuja estação ou estado espiritual corresponde a tal "localidade" cósmica e divina. Ficará claro a partir destas poucas observações que o Shi'ismo envolve uma verdade muito subtil, cuja formulação em termos que sejam comumente aceitáveis levam inevitavelmente a uma certa mitologização, e isto é o que caracteriza principalmente [chiefly] a imamologia do Shi'ismo [algo redutor reduzir assim a imamologia, tão bem aprofundada e valorizada por Henry Corbin, considerá-la sobretudo mitologização.] 

A memória do tempo em que os Imams estavam ainda presentes visivelmente, o fim trágico de alguns [ou de todos] deles, a ocultação do último deles, e o desejo de se atingir a misteriosa região onde ele reside ainda confere à piedade devocional [ou à aspiração mística e amorosa]  Shi'ita o seu tom característico, que pode ser descrito como uma nostalgia pungente pelo paraíso, o estado de inocência e plenitude que se encontra igualmente no começo e fim do tempo [ou à aspiração mística e amorosa à ligação ou união com os Imams, os Profetas e mesmo Deus, na sua imanência].

O Paraíso é um tempo primaveril eterno, uma jardim perpetuamente em floração, refrescado por águas vivas; é também um estado final e incorruptível como o de minerais preciosos, cristais, ouro. A arte Persa, e em particular a ornamentação das mesquitas Safávidas [séc. XVI e XVII], tem como programa combinar estas duas qualidades: o estado cristalino é exprimido na pureza das linhas arquitectónicas, a geometria perfeita das superfícies arqueadas e a decoração em formas rectilíneas; quando ao tempo primaveril celestial, ele desabrocha nas flores estilizadas e nos azulejos de cerâmica de cores frescas, ricas, moderadas.»

                                           

Já com as duas partes transcritas, investigando as relações entre Titus Burckhardt e Henry Corbin, confirmei que houve discordâncias  entre os dois, pois  Corbin seria considerado pouco ortodoxo no perenialismo de Guénon, Schuon, Burckwardt e Nasr, e demasiado valorizador da individualidade, do génio, da ligação pessoal íntima. No livro de S. H. Nasr e Ramin Jahanbegloo, intitulado In Search of the Sacred: A Conversation with Seyyed Hossein Nasr on His Life and Thought, de 2010,  e legível no Internet Archive, na p. 92 e ss., S. Hossein Nasr confessa que Henry Corbin não influenciou o seu pensamento metafísico, e dele apenas aproveitou   das suas obras eruditas, elogiando sobretudo os livros sobre Avicena e Ibn Arabi, e conta um choque forte acontecido em 1958, no Instituto Francês de Estudos Iranianos em Teerão, entre ele e Corbin, pouco depois de se terem conhecido, por este ter criticado fortemente Titus Burckardt, que era muito amigo de Nasr e se ofendeu com isso. A partir daí nunca mais tocou nesses aspectos para respeitar as idiossincrasias próprias de Corbin.
Henry  Corbin valorizou bastante mais realização interior própria de cada ser único com o seu espírito, ou mestre, ou anjo,  e com o imam e o Arcanjo Gabriel, do que a adesão ao ritualismo exterior ou à autoridade de um sheik ou mestre exterior. Também na abordagem  ao Alcorão ele era sobretudo um hermeneuta, um exegeta dos vários níveis de cada sura, para que eles reconduzissem a pessoa à realidade espiritual e divina. Assim a interpretação literal do Alcorão não era o mais importante, e importava mais a presença fenomenológica do que se acreditava, meditava e via, por um trabalho filosófico e místico ou espiritual em simultâneo.
É possível que por Henry Corbin não se ter convertido ao Islão e considerar-se um cristão, heterodoxo, tanto protestante como cavaleiro espiritual, conhecendo e dominando simultaneamente tão bem a filosofia e mística do Irão, e do sufismo shiia e sunita, provocasse alguma frição ou mesmo repulsão dos islâmicos ou ocidentais mais observadores da sharia, das observações legais ou exteriores do Islão. 
Não nos é dito claramente na entrevista quais foram as divergência com Titus Burckhardt, mas de qualquer modo o sunita, e metafisico perenialista ortodoxo e guenoniano, Burckhardt reconhece a especificidade forte da alma e ambiente subtil shi'ismo, onde certamente se fundamenta ou enraíza hoje a luta corajosa pela independeência soberana da República Islâmica do Irão contra o Ocidente opressivo degenerado, liderado pelos USA e Israel. 
Esta grande alma iraniana está bem presente nas miniaturas persas: uma nostalgia ou aspiração ao estado de plenitude, de verdade, de inocência,  de primordialidade, de ligação ao mundo imaginal e espiritual (Malakut, Hurqalya), e à Divindade,  mais sentida nas almas mais luminosas, translúcidas, dotadas de farrah, xvarnath, ou seja, a luz da Glória, já discernida por Zoroastro.
                                   
Almas que se conhecem e adoram a Deus e que assim medeiam entre a Divindade e a Humanidade e Natureza, sendo qutbs, polos ou eixos, ou, na forma em que Titus Burckhardt transmite, corações, e no fundo Graais, propiciando o derramamento  da luz abençoadora (barak) do Alto, ou mesmo Imams, os guias, realizações estas que os iranianos tanto viveram ao longo dos séculos seja com os profetas, filósofos, poetas, místicos, orafas (gnósticos ou teósofos) e sufis, e que na tradição e culto dos XII Imams do Shi'ismo continuam tão vivas e inspiradoras nestes tempos de grande luta e de tantos shahid, mártires, ou testemunhos vivos no auto-conhecimento espiritual, corajoso e imortal... 
Que as paisagens ou ambientes  interiores espirituais do grande amor e Luz da Glória da tradição e civilização persa sobrevivam ou resistam no povo iraniano e vençam as forças ahrimanicas neste confronto tão decisivo...

terça-feira, 26 de maio de 2026

Alguns livros (19) de Henry Corbin, brevemente apresentados. Obra em progressão..

                                                                     

Como Henry Corbin (Paris, 14/4/1903 a Paris, 7/10/1978), formado em filosofia, e por mestres como Etienne Gilson, Louis Massignon e Martin Heidegger, foi e é certamente o melhor estudioso (ou um dos melhores), tradutor e expositor da sabedoria e angeologia iraniana, dos seus filósofos e místicos, pré-islâmicos e islâmicos, compete-nos a nós, nesta hora trágica do bullying norte-americano e israelita a tão valiosa e luminosa civilização, aprendermos algo dos ensinamentos que tão grandes filósofos e teólogos, poetas e místicos nos deixaram e que Henry Corbin, com grande engenho e sabedoria, perseverantemente durante mais de quarenta anos, estudou, traduziu, discutiu, comentou, editou e ensinou, seja na Sorbonne parisiense, seja em Istambul (1940 a 1945, como investigador), e sobretudo  na Universidade Imperial de Teerão (de 1945 a 1977), e no Centre Iranien pour l’étude des civilisations, dirigido por seu discípulo e quase sucessor Daryush Shayegan (com quem eu dialoguei bem, registando um pouco em vídeo, hoje no Youtube), e em pequenos círculos de amigos, nomeadamente nos encontros de Eranos, em Ascona na Suíça, desde 1949, de que nos ficaram as suas comunicações. Mas para sabermos algo desses diálogos fabulosos no círculo de Eranos com Carl Gustav Jung, Evan-Wentz, Emil Cioran, Mircea Eliade, Gilles-Quispel, Gerschom Scholem, Gilbert Durand (com quem ainda dialoguei em Tomar e Guimarães) e outros teríamos de pesquisar em memórias biográficas, embora algumas já estejam hoje editadas.

Esta lista, para já muito breve, irá sendo desenvolvida nos comentários a cada um dos livros descritos, e fazia parte da lista inclusa em https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/02/bons-livros-10-sobre-o-irao-e-sua.html

Boas inspirações. Paz, Justiça e Luz no golfo Pérsico, e independência soberana, "imamática" e magistral do Irão.

1- CORBIN, Henry. Avicenna and the visionary recital. Dallas, Spring, 1980. In-4º VIII-420 pág. B. Excelente estudo sobre as visões e doutrinas de Avicena, e ainda sobre os subtis e maravilhosos anjos e arcanjos tão vistos e estudados na tradição espiritual iraniana.

 2 - CORBIN, Henry. Le paradoxe du monotheísme. Paris, Heren, 1981. In-4º gº 257 p. B. Anotado. Abordando a questão da transcendência e unicidade de Deus, no monoteísmo islâmico    mostra os tipos de mediação existentes, sobretudo desenvolvidos no shiismo. Inclui ainda a Necessidade da Angeologia, e Da Teologia Apofática como antídoto do Niilismo.

3 - CORBIN, ABECASSIS, DAVY, GORCEIX. L'Ange et l'Homme. Cahiers de l'Hermetisme. Paris, Albin Michel, 1978. In-4º 238 p. B. Notável e complexo artigo de sessenta páginas, La Necessité de l'Angéologie, no qual, baseando-se em textos judaicos e cristãos, desenvolve teses bastante originais, tais como a identificação de Cristo a Mikael, e do Espírito Santo a Gabriel. Os contributos de outros autores são sobre os Anjos em Israel, no Ocidente Medieval, em Jacob Böehme, Johannes Scheffler, Swedenborg, Jean Paul e L. C. Saint-Martin.

4 - CORBIN, Henry. Temps cyclique et gnose ismaélienne. Paris, Berg, 1982. In-4º 208 p. B. Com dois capítulos Le Temps cyclique dans le Madzeisme et dans l'Ismaelisme, com várias ligações aos Anjos, e  Epiphanie Divine et naissance spirituelle dans la gnose ismaélienne.  

 5 - CORBIN, Henry. Face de Dieu, Face de l'Homme. Hermeneutique et Soufisme. Paris, Flammarion, 1983. Br. In-4º 379 p. B. Anotado. Valiosos ensaios sobre mundo imaginal ou 8º clima; Swedenborg, Gnose ismaelita; da epopeia heroica à epopeia mística, a narrativa do Graal em Sohravardi; o Imam como face de Deus e do Homem, e polo (qutb) da alma; a ideia do Paracleto na filosofia iraniana: os traditicionistas shiitas, Sohravardi (m. 1191) e os Ishraquiyun, Haydar Amoli (m.1385), Ibn Abi Jomhur Ahsa'i (1495), Qotbodin Ashkevari (m.1665) e Jafar Kashfi (m.1851).

6 - CORBIN, Henry. Temple and Contemplation. London, RPI. 1986. In-4º 413 p. B. Anotado. Cinco artigos, de 1952, o mais correcto e valioso talvez seja o que estuda o simbolismo das cores na cosmologia Shiita, ja que alguns dos mestres iranianos deram boas descrições e explicações das luzes e cores vistas nas suas meditações e visões.  

7 - CORBIN, Henry. L' Iran et la Philosophie. Paris, Fayard, 1990. In-4º 268 p. B. Anotado. Estudos valiosos sobre História das religiões (Iranologia e ciência das religiões, onde cronologicamente caracteriza  os cultores, ou instituições, pioneiros. Iranologia e filosofia), e  Filosofia e  Mística: Teoria do conhecimento visionário. O motivo da viagem e do mensageiro, com realce para Avicena, Attar, Sohrawardi e Moola Shadra. Uma liturgia shiita do Graal (O ritual do cálice, a pessoa de Abul-Khattab. Doutrinas. "O vinho de Malakut"). Filosofia profética e metafísica do ser. Sufismo e Sofiologia. Sentido musical da mística persa. São conferências e textos publicados em revistas ou  inéditos. Na teoria do conhecimento visionário, publicada em 1977, num colóquio religioso, transmite alguns dos leif-motivs dos filósofos místicos iranianos e da sua interpretação: «uma filosofia que não desemboca numa realização espiritual pessoal (ta'alloh) é uma perda vã de tempo», e há uma gnoseologia visionária a desenvolver-se quanto ao órgão subtil e quanto ao local ou espaço dimensional, seja o elevado Jabarut, o mundo das inteligência puras querubínicas, ou os Anjos intelectuais da tradição aviceniana latina,  seja o Malakut, intermediário, também denominado alam al-mithal, da alma, do imaginal, dos Anjos ou almas celestes, o mais acessível à visão no olho espiritual.  

                                             
8 - CORBIN, He
nry. Histoire de la Philosophie Islamique. Paris, Galimard, 1986. 3ª ed. In-8º 546 p. B. Anotado. Excelente. Destaque para os capítulos sobre Sohravardi e a Filosofia da Luz, a Metafísica do sufismo, e o pensamento shiita. 

9 -  CORBIN, Henry. Terre Celeste et Corps ressurréction. De l'Iran Mazdéen à l'Iran Shi'ite. Paris, Buchet-Chastel, 1960. In-4º de 419 p. B. Com ded. Anotado. Obra de referência quanto à continuidade da Persia pré-islamica na islâmica, sobretudo através de Sohravardi e os seus continuadores, os Ishraqiyin,  com uma boa antologia de extractos muito valiosos de vários mestres iranianos sobre os corpos e os mundos subtis e espirituais, por Corbin traduzidos por mundo Imaginal (alam mithali, ou Malakut), e que intermediariza o mundo sensível-material  (alam hissi), e o mundo inteligível  ou das puras inteligências querubinicas, Jabarut. Corbin falha talvez um pouco ao acentuar a imaginação activa  como o órgão de percepção em Malakut sem destacar tanto a visão pelo olho-subtil espiritual, que não é produto da imaginação, mas maturação e graça no corpo subtil-espiritual, e na awliya ou corpo místico dos Amigos de Deus

10 - CORBIN, Henry. L'homme de Lumière dans le Soufisme Iranien. Paris, Presence, 1971. In-4º g. 231 p. B. Anotado. Excelente aproximação à orientação espiritual e iluminação, sobretudo em Sohravardi, Kobra, Nasjomddin, Ruzbehan, Najm Razi, Semnani. 

11 - CORBIN, Henri, Anthologie des Philosophes Iraniens. Depuis le XVII siècle jusqu'a a nos jours. Tome I et II. Teheran, 1972 e 1975. In-4º gr. 215 e 166 p. Br.  Introdução analítica, bem desenvolvida, aos filósofos Mir Damad, Mir Fendereski, Molla Sadra Shirazi, Rajba Ali Tabrizi...

12 - CORBIN, Henry. Philosophie Iranienne et Philosophie Comparée. Téhéran, 1977. In-4º g. 154 p. Tela com sobrecapas. Conferências excelentes sobre: Os desafios do comparativismo, tais o sair do historicismo e aprofundar a fenomenologia, como metodologia de abertura ao mundo imaginal, e acesso à hiero-história.  Temas comparativos; as ideias platónicas. A doutrina das intensificações do ser.  A periodização da historia sagrada, em 12.000 anos (criação, mistura e separação). As linhagens de mestres iranianos como Mir Damad, Mulla Sadra Shirazi, Rajab Ali Tabrizi; Três filósofos do Azerbeijão iraniano: Sohravardi, Vadud Tabrizi e Rajab Ali Tabrizi; A tradição avicenista iraniana, espiritual, comparada à do averroísmo, escolástica e sem ligação ao mundo intermediário da imaginação activa e dos Anjos e Arcanjos, o que Sohrawardi, os ishraqiyun e o Mulla Sadra tanto aprofundaram.

13 - CORBIN, Henry. Corps spirituel et Terre Celeste. De l'Iran Mazdéen à l'Iran Shi'ite. 2ª ed. Paris, Buchet-Chastel, 1979. In-4º gr 303 p. B. O corpo espiritual na tradição mazdeísta, e na shiita. E cento e cinquenta páginas antológicas de onze místicos. Livro de referência. Interessaria conferir as modificações da 1ª para a 2ª edição, inteiramente revista, de algum modo explicadas nas doze páginas do prelúdio à 2ª ed.

14 - CORBIN, Henry. L'Imâm caché. Paris, L'Herne, 2003. In-4º 301 p. B. Anotado. Ditos, tradições e crenças acerca do misteriosamente oculto XII Imam, o Madhi, que muitos creem voltar um dia à manifestação terrena para iniciar uma época luminosa da Humanidade, mas que é desde sempre o Imam interior, em unidade com os outros onze, dos que aspiram a ele, dos shi'ias que se tornam mais gnósticos ou místicos e são templos de Deus.

15- BORSI, Rajab, Les Orients des Lumières. Traduit de l'arabe par Henry Corbin. Édition établie et introduite par Pierre Lory, Institut Français de Recherche en Iran, Ed. Verdier, 1995. In-4º 120 p. B. Com vinte e duas páginas de introdução contextualizante, de um letrado shiia iraquiano que morreu no Irão, com notas de Henry Corbin e de Pierre Lory, a parte inicial dum escrito místico, baseado nas correspondências de letras, números, formas, sons, e o Alcorão e os ditos dos Imams. No prólogo Borsi lamenta a inveja e a oposição que recebeu de alguns: «Eu não cometi qualquer falta senão de ter partilhado a quinta-essência das Tradições imâmicas (os akhbar) e ter feito jorrar  a centelha da elite espiritual cujo incenso se espalha, traçando o seu caminho, difundindo a sua fragrância, tornando-se uma unção aromática útil ao doente, refrescando o sedento.» Um capitulo dedicado ao nome de Allah, outra aos sete atributos: o Vivo (Hayy), o que sabe  ('Alim), o que quer (Murid), o que pode (qâdir), o que fala (Mutakallim), o generoso (Jawad), o Justo (muqsit).

CORBIN, Henry. 16 a 19 - En Islam iranien. Aspects spirituels et philosophiques. I Le shi'isme duodécimain. II Sohravardi et les Platoniciens de Perse. III  Les Fidèles d' amour. Shi'ism et soufisme.   L'École d'Ispahan, l'École de Shaykhie, Le Douzième Imâm. Paris, Gallimard, 1971, 1972. Br. In-4º XXIX-332, 384, 355 e 567 p. B. Anotados. Quatro excelentes livros sobre: I - a origem e hierohistória do Shiismo e dos XII Imam. II - Sohravardi, e a Teosofia Oriental; a Luz da Glória madzeísta (Xvarnah) e a Angeologia; a Luz da Glória e o Santo Graal; os contos da gesta mística e da gesta gnóstica. III - Os místicos dos séc. XIV e XV  : Ruzbehan Baqli e o sufismo dos Fiéis do Amor. Sufismo e shiismo: Haydar Amôli, teólogo shiita do sufismo. E ensinamentos de Ali Torkeh Ispahâni, sobre os sentidos espirituais, e os de Alâoddawleh Semnâni, sobre os sete órgãos subtis do ser humano.  E IV - As escolas mais modernas, de Isfahan (Moola Sadra, Qazi Sa'id Qommi) e a Shaykhie ( Ahmad Ahsa'i). E o 12º Imâm.  Henry Corbin e Louis Massignon foram dos melhores conhecedores ocidentais da filosofia e espiritualidade islâmica, iraniana e shiia, esta sendo talvez a obra chave de Henry Corbin.

domingo, 24 de maio de 2026

Ninguém minimamente inteligente pode negar que USA, Israel, UE, NATO e a oligarquia globalista constituem o eixo do Mal na Terra.

Que USA, Israel, NATO (com Vitoria Nulland e Boris Johnson, os principais causadores da tragédia ucraniana), a oligarquia globalista  e UE constituem o eixo do mal está cada vez evidente para quem ainda pensa e não repete as mesmas ideias mentirosas e limitadas que os meios de comunicação lhe impingiram.
Com efeito, nos últimos meses os acontecimentos brutais e traiçoeiros perpetrados pelos israelo-americanos foram tão violentos e assassinos que o silêncio da UE, ou então as hipócritas declarações pela sua direcção proferidas, erguem-na a um nível tão criminoso como os dois impérios do mal. Mas tal não nos deve espantar, pois fazem parte da mesma elite epsteiniana e sionista que tenta controlar plenamente a população mundial com o dinheiro infinito que têm, e é natural pois o seu Deus é Mamom, desde os tempos míticos da Bíblia, o demónio ou diabo das riquezas. E não é por acaso que quem se encontra hoje no poder em muitos destes governos são  milionários, seres que só se interessam por fazer dinheiro, tal como Trump e os seus mais próximos - em especial Jared Kushner, um escroque mesmo para os estados árabes do Golfo Pérsico - têm aproveitado, na bolsa das energias petrolíferas, através das constantes mentiras de negociações e acordos com o Irão.
 
O que os USA fizeram e ainda continuam a fazer de opressão violenta e injusta, na Venezuela  e sobretudo no Irão, é de se bradar aos céus, já que no ataques traiçoeiros à Pérsia sagrada morreram cerca de 3.000 a maioria civis inocentes, entre os quais na hora inicial 161 crianças da escola de Minab, com Trump ainda hoje  continuando a dizer que não sabe  quem terá lançado os dois mísseis Patriots,  separados no seu impacto por uns minutos para matarem mais pessoas.
                                           
A mesma estratégia de matar civis e de tentar fazer o maior número de vítimas, disparando pouco depois da primeira bomba, uma segunda ou terceira, para apanhar os bombeiros, os enfermeiros, as pessoas que acorrem aos locais atingidos, sucedeu há dois dias, a 22 em Lugansky na Rússia quando a escola e  dormitório de adolescentes Starobelsk college foi atingida por  drones ucranianos de madrugada, por três vezes sucessivas, matando vinte e uma jovens e ficando várias outras em estado crítico.
Um acto brutal e no fundo intimatório e aterrorizador, que replica o que os israelitas e norte-americanos fizeram na escola de Minab, em que muito provavelmente os responsáveis pelos dois disparos seguiram as instruções do secretário de Defesa norte-americano Pete Hegseth: "uma guerra impiedosa e sem regras",  então excitadíssimo e convencidíssimo que desse modo iriam apressar o Armagedon, a guerra dos tempos finais, para que o Messias possa voltar e reconstruir-se o templo em Jerusalém, crenças dos zelotas ultra-sionistas e evangelistas em que Pete Hegsetg se inclui.
Pois se na altura, horas depois de se saber Trump e Hegseth se atreveram a responder dentro dum avião aos jornalistas que deveriam ter sido os iranianos a dispararem contra eles próprios, pois não sabiam usar as armas, ou ainda que os Patriots hoje andam em todas as mãos, mentiras de quem foi apanhado em flagrante delito e algo compreensíveis, já passados já uns meses, continuarem a dizer que não sabem o que se passou provando o grau de diabolismo mentiroso e criminoso que de facto Trump e Hegseth, tal como Zelensky e Netanyahu, pois a mentira é de facto, além da violência cruel, uma das formas piores ou mais intrínsecas do mal.
Já nos tempos mais antigos da história iraniana nos textos de Zoroastro o mal é definido como a mentira, Ahriman é o espírito da mentira, algo que os judeus receberam tornando-se  Satan hebraico-cristão o adversário de Deus, ou da sua verdade, justiça e amor. E se tal fora proclamado na  religião zoroástrica e madzeísta, os filósofos, poetas, políticos e heróis iranianos assumiram tais ensinamentos éticos e nobres verdades e deixaram grandes testemunhos nas suas obras e vidas, os quais estão vivos numa população cada vez mais culta e desenvolvida, e grata pelas raízes éticas e heroicas que herdaram e que nas guerras contra o Shah, contra o Iraque e contra Israel e os USA se tem acrisolado...
Não admira pois que os Iranianos estejam muito unidos na sua verdade, justiça e independência e desconfiados e indignados com os mentirosos e traiçoeiros, que matam durante as negociações seja o General Soleimani, seja o líder Ali Khamenei e a sua família, seja inda depois um mestre filosófico como Ali Larijani, com quem Alexandre Dugin dialogou horas sobre a filosofia perene do Irão, o irfan, os anjos ou fravartis...
Não admira que os iranianos não sejam derrotados, nem enganados, embora possam de novo ser atacados traiçoeiramente por Israel e USA, podendo estes de novo assassinar, ou como gostam de dizer, eliminar ou decapitar mais uma série de líderes. Mas surgirão sempre novos, e a grande alma iraniana está viva nas suas tradições e no cultos dos seus mártires, como a religião islâmica shiita tanto valoriza, cultua e vive.
Quanto às péssimas pessoas que dirigem a União Europeia, se não se envolveram directamente contra o Irão como o megalómano e compulsivo mentiroso e em fuga do tribunal Donald Trump queria, e se os ingleses e os franceses, os mais imperialistas belicistas, recuaram perante os desejos iniciais e as promessas de enviarem navios militares para libertarem o controle iraniano do estreito Ormuz, já as condenações pelos contra-ataques dos iranianos sobre as bases militares norte-americanas que os tinham atacado,  em territórios de Estados árabes do Golfo, se fizeram ouvir hipocritamente das cabecinhas oligarquizadas, sionizadas ou anti-russas e anti-iranianas que tomaram conta da União Europeia e desgraçam a milenária Europa, hoje sobre um ditadura opressiva de Ursula von der Leyden e os seus, entre os quais se incluem portugueses de partidos diferentes mas unidos na obediência a ela e à oligarquia financeira que a rege, os patéticos Costa, Rangel e &... 
Mais evidenciando ainda esta cegueira da União Europeia no seu ódio à Rússia, para o qual estão dispostos a sacrificar não só o dinheiro dos seus contribuintes, ou o nível da saúde e vida dos europeus, foi a recente reacção da direção da União Europeia ao crime ucraniano do assassinato de mais de vinte jovens adolescentes, não  lamentando sequer mas antes condenando a resposta russa no ataque retaliatório entre 23 e 24, contra objectivos militares. 
Que hipocrisia europeia, quase ao nível da condenação do ataque iraniano em auto-defesa contra as bases norte-americanas no estados árabes do Golfo.
Acrescento que a 25 de Maio já se sabe que os alvos do ataque retaliatório russo através do famoso míssil Oreshnik desta vez foram mais importantes: parte do ministério da Defesa Ucraniana que coordenava os ataques, e provavelmente este que matou as 21 jovens russas, com isso ultrapassando as linhas vermelhas da paciência da governação russa. E muitas mais pensariam poder assassinar, pois 85 dormiam no Colégio Profissional de Starobelsk atingido pelo ataque em três vagas sucessivas de mais de uma dezena de drones, fornecidos pela União Europeia e em especial França, Inglaterra e Alemanha. 
Não é pois de espantar que um dos mais altos CEOS da oligarquia e dos Rothschild, Emanuel Macron, tenha condenado a resposta russa, bem como a fanática anti-russa descendente de nazis Kaja Kallas, que considerou o ataque como "uma táctica de assustar politicamente", prometendo continuar na ofensiva para tentar esfrangalhar a Rússia, grande e rica demais a seu ver. Quanto à mais que hipócrita e traiçoeira Ursula von Orgenesis, lançou mais uma mentira para o ar: fora «uma falta de respeito para com as negociações», algo que os europeus recusaram sempre pensando que poderiam destruir ou vencer a Rússia, mas que agora já começam a ver como inevitável. 
Entretanto já se sabe, através dum coordenador russo Sergei Lebedev,  que o alvo atingido foi um bunker onde estavam comandos da NATO, e certamente franceses, e que finalmente a Rússia está a começar a assumir o conflito com uma guerra, e em parte com a NATO e a União Europeia, o que esta há muito desejava, sobretudo nos seus elementos mais anti-russos. 
A Rússia, através do seu Ministro de Defesa, declarou oficialmente que este ataque assassino ultrapassou a linha vermelha e que a resposta vai ser dura, ultimando as pessoas afastar-se de locais militares, do governo ou de infra-estruturas energéticas. O neo-nazismo ucraniano e europeu foi testando impunemente os limites postos pelos russos nos modos de ataque, mas este foi a gota de sangue que rebentou a barragem. O próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, e o seu ministro sábio Sergey Lavrov, advertiram os embaixadores dos países estrangeiros que se encontram em Kiev que é conveniente abandonarem a capital e que a população deve evitar os edifícios da administração pública e militar
Judge Napolitano no seu valioso e quase non-stop programa, do dia 28,  interroga um dos melhores e mais corajosos comentadores, Scott Ritter sobre o que se passou e este explica como a Rússia advertiu é o único país que cumpre as obrigações da lei internacional e do 1º protocolo adicional da Convenção Genebra de avisarem se atacarem e poderem atingir civis: 
 https://www.youtube.com/shorts/4np1242l_6s
Eis-nos com vários sinais graves que nos são dados para interpretarmos, discernirmos melhor o que se passa no mundo e onde está o bem ou o mal, em vez de nos estupidificarmos no nevoeiro da lavagem ao cérebro que os medíocres políticos europeus e da NATO, ao serviço apenas de elite oligárquica, sionista ou mesmo epsteiniana, ou então de ideologias infrahumanistas, cada vez mais derrotados, transmitem e impõem graças aos tarefeiros dos jornais e os comentadores televisivos bastante corrompidos e estupidificantes que são os Milhazes e Rogeiros, Soleres, Irineus e &, e que se calam perante estes crimes de guerra e inventam outros..
Nestes tempos de decadência do Ocidente, nós os ocidentais com raízes culturais, tradicionais, nacionais e com ligações espirituais, celestiais e divinas, devemos lutar para alertar e reagir a fim de não sermos todos nulificados por tão perigosos dirigentes já semi-insensibilizados, petrificados, infra-humanizados. E apoiarmos a luta da Rússia, do Irão, da China e dos países do BRICS contra a hubris invejosa e opressiva de hegemonia "ocidental"...

sábado, 23 de maio de 2026

Alexander Dugin:a saída de Tulsi Gabbard marca o fim do projeto original MAGA, pois o USA caiu nas mãos da elite epsteiniana. Text also in English.

  Alexander Dugin, que depositara muitas esperanças na possibilidade de uma amizade entre a Rússia e os USA, que Trump lançara ou tweetara repetida ou freneticamente, bem como nas suas promessas de limpar o pântano do Deep State, sustentado pelo partido dos democratas, afirmando querer terminar com o apoio à guerra na Europa do Leste,  defende que a saída ou demissão da valiosa Tulsi Gabbard do seu cargo importante assinala o fim do projeto original MAGA [Make American Great Again]  bem como das esperanças de de uma política norte-americano amistosa com a Rússia e que aceitaria a multipolaridade.
O pai da martirizada esperança filosófica Dara Dugina prevê novos conflitos agressivos com o Irão e Cuba, lançados pelo tresloucado megalómano Donald Trump. E acentua ainda que a guerra do Ocidente contra a Rússia vai continuar a acelerar [tal como alguns dos ataques no território russo  a escolas e centros comerciais dos últimos dias confirmam], pelo que reafirma a necessidade imperiosa de se unir patrioticamente a sociedade russa e mobilizarem-se plenamente para se abater a hidra satânica ocidental imperialista, liberal,  epsteiniana, banderita e oligárquica anti-russa.

Alexander Dugin
23 de maio
«Tulsi Gabbard, a Diretora de Inteligência Nacional dos EUA, deixou o seu cargo. Era a última pessoa na equipe de Trump que ainda permanecia fiel aos ideais e princípios com os quais o segundo mandato presidencial de Trump começara. Opusera-se  à guerra na Ucrânia e também se opôs à guerra com o Irão.
Esta saída já se previa há muito. Agora  aconteceu. Após a derrota de Thomas Massie nas primárias de Kentucky [face a um candidato sem qualquer valor e que se recusou a participar em debates, mas que era o candidato do grupo de pressão sionista AIPAC e que corrompeu com milhões de dólares, como Tucker Carlson noticiou] efectivamente não há mais ninguém no Partido Republicano da equipa original do MAGA.
O triunfo do Estado Profundo [Deep State] e da rede [criminosa] Epstein sobre a política americana tornou-se total. A renúncia de Tulsi Gabbard é a gota d'água. Toda a esperança que havia sido depositada em Trump  evaporou-se agora completamente.
 Parece que Trump está a preparar-se para uma nova rodada de escalada no Oriente Médio e para um ataque ao Irão[onde serão certamente, e graças à Providência Divina e à grande alma resistente e sábia iraniana.]
Os Republicanos vão garantidamente perder as eleições de meio de mandato presidencial, no entanto, os Democratas representam exatamente o mesmo Estado Profundo e a mesma classe Epstein. Além disso, os Democratas odeiam a Rússia e o mundo multipolar ainda mais. Isto marca o fim inglório da tentativa do povo americano de expulsar a elite satânica.
Antes das eleições de meio de mandato, Trump provavelmente tentará [de novo] algo em grande escala e de forma agressiva—ataques contra o Irão, uma invasão de Cuba, talvez algo completamente diferente. Depois disso, começará a fazer as malas e a negociar com os democratas para que nem ele nem sua família acabem atrás das grades. Nos próximos seis meses, no entanto, ainda se podem esperar mais explosões de violência e uma intensificação da escalada.
Posso ver uma insatisfação silenciosa, mas crescente, espalhando-se discretamente pela nossa sociedade russa. É óbvio que todos querem mudança. Desta vez, no entanto, os que querem mudanças liberais [ocidentalizadas] constituem uma minoria absoluta. Querem que essas mudanças venham de fora, e isso não conta.
A esmagadora maioria quer uma mudança patriótica e um grau substancialmente maior de justiça. A questão não é tanto a direção em si, mas a velocidade e a substância do processo. A direção em direção a um estado civilizacional é inteiramente correta. No entanto, também inclui uma sociedade baseada na solidariedade e na justiça social, na fidelidade aos valores tradicionais e na educação histórica genuína. 
Tudo isso já foi declarado. O que resta é colocar em prática. E aqui a questão é a velocidade. Precisamos começar a implementar tudo isso agora, e com urgência. Simplesmente não há mais tempo para hesitação. Nenhum mesmo.
Um cenário de inércia está a tornar-se mais perigoso a cada dia que passa. Simplesmente está deixando de funcionar e está mudando em uma direção cada vez mais negativa. Diferentes velocidades, diferentes métodos, diferentes escalas e diferentes estruturas são necessários.
Em várias áreas, os problemas tornaram-se especialmente agudos: tecnologia, corrupção e cultura. Como não se vê nem de longe um alívio ou uma desescalada no conflito com o Ocidente, a única opção que resta é colocar a sociedade em pé de mobilização. Tudo isso deveria ter sido feito há muito tempo; parte disso já foi feito e está sendo feito, mas apenas a um ritmo alarmantemente lento.
A Rússia deve ser purificada do liberalismo, completamente e com mão firme. É uma mentalidade colonial imposta a nós pelo Ocidente em seus próprios interesses e com o propósito de destruir nossa identidade.
As pessoas querem ordem e justiça. Eles não os querem simplesmente mas eles desejam-nos ardentemente. Os compromissos deixaram de funcionar. Agora as coisas devem ser feitas de verdade. O limite para  simulacros está esgotado.» Traduzido do Substack, de Alexander Dugin.

                     Tulsi Gabbard and the End of MAGA
Alexander Dugin argues that Tulsi Gabbard’s departure marks the end of the original MAGA project and the collapse of hopes for a new American course towards Russia and multipolarity.
May 23
«Tulsi Gabbard, the Director of U.S. National Intelligence, has left her position. She was the last person on Trump’s team who still remained faithful to the ideals and principles upon which Trump’s second presidential term had begun. She opposed the war in Ukraine and also opposed war with Iran.
This had been predicted for a long time. Now it has happened. After Thomas Massie’s defeat in the Kentucky primaries, there is effectively nobody left in the Republican Party from the original MAGA team.
The triumph of the Deep State and the Epstein network over American politics has become total. Tulsi Gabbard’s resignation is the final straw. Every hope that had been attached to Trump has now completely evaporated.
It appears that Trump is preparing for a new round of escalation in the Middle East and for an attack on Iran.
The Republicans are guaranteed to lose the midterm elections, yet the Democrats represent exactly the same Deep State and the same Epstein class. Moreover, the Democrats hate Russia and the multipolar world even more. This marks the inglorious end of the American people’s attempt to cast out the Satanic elite.
Before the midterm elections, Trump will likely attempt something else on a large and aggressive scale—strikes against Iran, an invasion of Cuba, perhaps something else entirely. After that, he will begin packing his bags and negotiating with the Democrats so that neither he nor his family end up behind bars. For the next six months, however, one can still expect further violent outbursts and an intensification of escalation.
I can see a muted but growing dissatisfaction quietly spreading through our society. It is obvious that everyone wants change. This time, however, those who want liberal changes constitute an absolute minority. They want such changes to come from abroad, and that does not count.
The overwhelming majority wants patriotic change and a substantially greater degree of justice. The issue is not even so much the direction itself as the speed and substance of the process. The direction towards a civilizational-sate is entirely correct. Yet it also includes a society based on solidarity and social justice, fidelity to traditional values, and genuine historical education. All of this has already been declared. What remains is to put it into practice. And here the issue is speed. We need to begin implementing all of this now, and with urgency. There is simply no more time left for hesitation. None at all.
An inertial scenario is becoming more dangerous with each passing day. It is simply ceasing to function and is shifting in an increasingly negative direction. Different speeds, different methods, different scales, and different structures are required.
In several areas the problems have become especially acute: technology, corruption, and culture. Given that no easing or de-escalation in the conflict with the West is visible even remotely, the only option left is to place society onto a mobilization footing. All of this should have been done long ago; some of it has been done and is being done, yet only at an alarmingly slow pace.
Russia must be cleansed of liberalism, completely and with a firm hand. It is a colonial mindset imposed upon us by the West in its own interests and for the purpose of destroying our identity.
People want order and justice. They do not simply want them; they crave them. Compromises have ceased to work. Now things must be done for real. The limit for simulacra has been exhausted.»