9-IX. O P. António Monserrate, o destemido participante nas discussões das várias religiões na Casa da Adoração (Ibadat Khana), na cidade imperial Fatehpur Sikri, sob a égide do ecuménico («cada pessoa pode adorar a Deus à sua maneira») e genial imperador mogol Akbar, escreve neste dia em 1580 a propósito desses pioneiros encontros inter-religiosos: «Fiquei descontente de empeçarem na verdade das Escrituras, que é o limiar da porta nesta matéria, porque como os dogmas da nossa fé se fundam no que Deus tem revelado nas sagradas Escrituras, a razão humana as não alcança, se a esta se não dá inteiro crédito; por demais é porfiar (como dizem), se os Deus por outra via não alumiar». O problema da fé cega nas Escrituras vinha assim ao de cima, pois querendo que os outros aceitassem tudo delas, punha as dos outros em causa, chegando até a afirmar, para grande irritação dos teólogos islâmicos (muttafiqan), que «não tinham sido os cristãos que corromperam as escrituras mas Maomé, e que o Corão estava cheio de erros».
10-IX. O notável humanista, cientista, militar e estratega D. João de Castro (1500-1548) chega a Goa neste dia, em 1545, com uma armada de seis naus e é recebido efusivamente pelo seu antecessor na governação de Goa, Martim Afonso de Sousa, um notável militar e governador, natural de Vila Viçosa. Como nos relata o seu biógrafo Jacinto Freire de Andrade, houve «naquela noite bailes e folias; festins que a singeleza de Portugal antigo levou ao Oriente». O encontro amistoso entre duas cortes de vice-reis notáveis, não sendo frequente, pode ter produzido boas transmissões de conhecimentos e forças. A situação mais difícil que teve de resolver e vencer foi o cerco da fortaleza Diu, e foi ocasião de desenhar o roteiro da viagem de Goa a Diu, uma valiosa obra científica e de viagens.
D. João III escreve neste dia em 1555 para Coimbra, para o notável humanista Diogo de Teive, já a ser perseguido pela paranóica Inquisição: «Dr. Diogo de Teive: Eu el-Rei vos envio muito saudar; mando-vos que entregueis esse Colégio das Artes, e governo dele, mui inteiramente, ao P. Diogo Mirão, Provincial da Companhia de Jesus». No Colégio das Artes, fundado em 1547 e dirigido pelo antigo reitor de colégios universitários em França André de Gouveia, detectaram-se três professores suspeitos de protestantismo (Diogo de Teive, João da Costa e Jorge Buchanam), logo expulsos e detidos nas celas inquisitoriais. O controle da formação pré-universitária era assim entregue a mentes mais fiéis, ortodoxas e escolásticas. Diogo de Teive, como bom pedagogo, foi ainda autor de Sentenças muito doutas, e dumas Regras para a Educação de El-Rei D. Sebastião, onde aconselha: «O principal cuidado do bom Mestre há-de ser procurar que a pouca idade não venha a atemorizar-se com o trabalho, nem a contrair ódio às letras, mas elas particularmente, sem as quais haver vida é impossível, ame e tenha como indigno da luz vital quem for desprovido das letras».
11-IX. Muitos dos grandes seres vivem e morrem a sós. Santo Antero, como foi chamado por muitos, foi um deles, e atravessou a vida com a ardência e a sinceridade dum idealista do amor, da justiça, da verdade e da universalidade, o que lhe custou isolamentos e, mesmo após a sua morte auto-realizada, comemorada hoje 11 de Setembro, receber ainda incompreensões e manipulações. Nascera em 18 de Abril de 1842, em S. Miguel, Açores, de família com tradições religiosas e poéticas marcadas, matriculando-se na Universidade de Direito de Coimbra em 1858, onde cedo o seu génio convivial, poético, filosófico e contestatário brilha: é preso por oito dias (cumpridos em duas vezes) em 1859, em 1861 funda uma associação secreta, a Sociedade do Raio, em 1862 lidera a pateada ao reitor Basílio Alberto de Sousa Pinto e redige o manifesto dos Estudantes da Universidade de Coimbra à Opinião Ilustrada do País, subscrito por 314 estudantes; em Abril de 1864 lidera a revolta e a saída dos estudantes (a Rolinada) até ao Porto em protesto contra o presidente do Governo, o duque de Loulé, Rolim de Moura, é um dos grandes poetas nocturnos da boémia coimbrã e interessa-se pelas literaturas e religiões orientais, em especial persas e indianas. Os seus primeiros versos são românticos, religiosos e filosóficos, editados em pequenos opúsculo mas é em 1865, com as Odes Modernas, que transmite ou manifesta publicamente com mais impacto os seus ideais de justiça, socialismo, revolução e liberdade. Trava nesse ano a polémica do Bom-Senso e Bom-Gosto com António Castilho, o principal mestre literário de então, na qual participam vários escritores, e vence até num duelo Ramalho Ortigão, que se erguera em defesa do patriarca Castilho, em Fevereiro de 1866. Formara-se em Leis em 1865 mas, decido a entrar na realidade social, é aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional de Lisboa, e parte para Paris a fim de viver a vida dum operário socialista, que contudo não aguenta muito tempo (dois meses e pouco), pelo que regressa, iniciando depois de uma recuperação campestre na quinta dos seus condiscípulos Sampaios, em Guimarães.
Antero de Quental foi um dos raros pensadores que se aproximou lúcido frequentemente da experiência da morte e das elevadas regiões do Não-Ser, investigando nesta linha negativa o dito grego "Morrer é ser iniciado". Pouco antes de morrer, desejara ou sonhara fundar uma ordem de contemplativos, a Ordem dos Mateiros e Fidelino de Figueiredo realçou esse testamento anímico de alguém que «teria sido um S. Bento de Portugal, restaurador da disciplina das almas, iniciador da sua reconstrução pelo recolhimento meditativo». «Três coisas devemos pedir ao recolhimento monástico ou à sua irradiação: firmeza, paciência e esquecimento. Só para as propagar e difundir valeria a pena fundar a velha ordem dos Mateiros, de Antero de Quental — velha, sem nunca ter existido».

10.000 pessoas ouvem impressionadas, neste dia em 1893, a mensagem breve, forte e anti-opressiva do discípulo de Ramakrishna, Swami Vivekananda, no I Parlamento Mundial das Religiões, em Chicago (o qual se repetirá em 1993): «Oh! filhos da imortalidade, Oh! divindades na terra, erguei-vos. Oh! leões, libertem-se da ilusão que sois carneiros. Vós sois almas, espíritos imortais, livres, abençoados eternos. Esta é a mensagem da Índia. Possa eu nascer e nascer de novo e sofrer milhares de misérias de modo a que possa adorar o único Deus que eu acredito na soma total de todas as almas e acima de tudo, meu Deus o fraco, meu Deus o miserável, meu Deus o pobre de todas as raças de todas as espécies». Menos místico que o seu mestre Ramakrishna, mas mais intelectual e dinâmico, um entusiasta orador, gerará muitas obras e imprimirá à ordem de monges praticamente por ele fundada, além da divulgação da espiritualidade indiana na linha Yoga Vedanta e Bhakti, um carácter de serviço organizado, notável na educação e assistência espiritual e hospitalar e em casos de calamidade pública. Talvez se tenha iludido com a importância da Índia espiritual no mundo, como discursara então: «Uma vez mais o mundo deve ser conquistado pela Índia. Este é o grande ideal que temos diante de nós... Arriba Índia! e conquista o mundo com a tua espiritualidade. A espiritualidade tem de conquistar o mundo». O que sentiria ele com a sarabanda actual de pseudo-yogas e espiritualidades, pseudo-mestres e realizados, da Índia e das pseudo-Índias....

Vinoba (Vinayak Bhave) nasce neste dia em 1895, perto de Bombaim. Dotado para as línguas (falava doze) e as matemáticas, abandonou um futuro promissor para se entregar às causas ou lutas activistas de Gandhi. No seu ashram (comunidade) executa todas as funções com tal perfeição que Gandhi confessa ao pastor inglês Andrews que lhe perguntava quem era ele: «É uma das pérolas raras do ashram, um daqueles que vieram não para ser benzidos, mas para abençoar, não para receber, mas para dar». Mestre de Gandhi no sânscrito e na interpretação e recitação dos textos sagrados, pois nascera brâmane, discípulo profundo nos votos e técnicas da não-violência, quando Gandhi morreu, tomou o seu lugar. Como disse o famoso cantor Toukdoji: «O Pai partiu, o Filho carregou o fardo sobre o seu ombro. Vinoba é agora para nós o que Bapou (Pai) era para nós. Gandhiji morto, eis agora o advento do herdeiro do seu imenso amor». Vinoba inicia então o Bhodan, o dom gratuito ou caridoso da terra, e recebe milhões de hectares para os mais desfavorecidos durante as grandes peregrinações a pé por toda a Índia, justificando-se: «Não basta espalhar ideias e não convém impô-las, e é preciso ainda que venham ter connosco e que adiram às propostas. Se as pessoas aderirem às propostas, elas impõem-se e espalham-se. Se tivesse atravessado as aldeias a rolar sobre nuvens de poeira, as minhas ideias não teriam raízes». No seu ashram em Wardha ou noutros locais itinerantes, homens de Estado e peregrinos, entre os quais se destacaram o místico Jacques de Marquette e o siciliano francês Lanza del Vasto, encontraram sempre um caloroso e sábio acolhimento, como eu próprio o experimentei sendo por ele recebido de braços abertos e dialogando sobre a não-violência.
12-IX. Vinoba, o companheiro de Gandhi e seu sucessor na liderança da linha da não-violência, fala-nos assim num discurso neste dia em 1957, em Yelwal, Mysore: «É minha fé fundamental que há um espírito divino no coração do ser humano. Superficialmente pode haver faltas, mas não são da essência interna. Precisamos então de descobrir um caminho que entre no mais íntimo do coração para que toda a bondade seja revelada. E esse caminho pode ser encontrado; descobri-o em Telengana. Eu pedi terra, e um homem avançou e deu-me terras. Para mim este minúsculo incidente foi um sinal de Deus; confirmou a minha fé em Deus. É contra o dharma (ordem cósmica) e a razão pensar que a terra pode ser propriedade individual. E quando eu comecei a pedir terra num espírito de amor, as pessoas começaram a responder. Foi como se um vento fresco começasse a soprar, e as pessoas vieram, vindas de longe ou de perto, juntar-se à nossa peregrinação». Assim se referia Vinoba às jornadas a pé (bhodan) que atravessaram a Índia a pedir e a receber terras para os mais destituídos (grandam). Isto na sua plenitude significa «que tudo o que se possui deve ser posto à disposição da comunidade como um todo». Assim se realizou uma reforma agrária, não-violenta e eficaz, de milhões de hectares. Quanto ao espírito no coração, Vinoba viu-o aqui como uma comunicação, um sopro de fraternidade vencendo egoísmos e posses e sem dúvida tal é um dos aspectos, a acção abnegada no mundo.
Aporta em Goa em 13-IX-1556 uma armada de quatro naus trazendo consigo uma carga muito preciosa: desde o patriarca da Etiópia D. João Nunes Barreto ao impressor Juan de Bustamante, passando dentro em pouco a haver em Goa quatro impressores da Palavra ou Verbo com o nome de João: João de Éndem, João Quinquénio, João Blávio e João de Bustamante, de cujos prelos sairão algumas obras valiosas e hoje raríssimas, tais as Conclusiones Philosophicas, ainda em 1556 e a Doutrina Christã em 1561, impressas pelo castelhano Juan de Bustamante.
Desembarcam neste dia em Goa em 1578, os missionários Duarte de Sande, evangelizador no Japão, e Miguel Ruggieri e Mateus Ricci, que depois de três anos na Índia, virão a ter grande acção na China, ao seguirem uma adaptação do cristianismo com o que estudaram e se podia reconhecer da sabedoria antiga da China, debaixo da ameaça das reservas da mentalidade limitada de outros padres, ou das rivalidades com franciscanos e dominicanos, desejosos de missionarem nessa imensa e oblíqua seara entregue aos jesuítas.

Rebenta a Revolta dos soldados maratas contra terem de irem em comissão para Moçambique (cemitério de recentes expedições da Índia) sem condições justas, aos quais se juntam os ranes e aldeões de Satari, neste dia em 1895. O Senado de Goa deputou o conde de Mahem e o visconde de Bardez uma vez, e depois o conde de Mahem e dois oficiais, para tentarem convencer os revoltosos a renderem-se e que seriam perdoados, porém os ranes opuseram-se mas, ao aumentarem as violências, perderam a simpatia compreensiva de certa parte da população de Goa. Gomes da Costa (1863-1927) tenta com a sua proverbial coragem e força controlar a situação, mas será a expedição enviada de Lisboa e comandada pelo Príncipe D. Afonso a repor a ordem em Dezembro e a reorganizar o Exército. Muitas publicações se geraram na época sobre o caso.
15-IX. Zarpam de Lisboa neste dia em 1554 os primeiros missionários jesuítas para o reino do Prestes João, complementando a obra dos cento e tal companheiros de D. Cristóvão da Gama que por lá ainda se encontravam como colonos e guerreiros. Mas a resistência dos antigos costumes e ritos, tal a circuncisão, o baptismo anual, a guarda do Sábado santo, o casamento dos padres, manter-se-á sempre e será muito difícil convencerem-nos que as doutrinas e ritos de Roma é que eram os certos. Grande debates teológicos acontecerão. Em 1622 o P. Pêro Pais consegue que o imperador Susénios fique só com uma mulher, a primeira, e se converta. Em 1626 o patriarca Afonso Mendes obtém do imperador a submissão a Roma, mas criando tais lutas que os missionários serão expulsos em 1634, terminando assim a demanda que de tantos fumos se revestira e que de concreto realizará o apoio cultural e guerreiro ao imperador, e a heroicidade e abnegação dalguns dos intervenientes, tal Cristóvão da Gama, não havendo já dúvidas de que o mítico Rei do Mundo não podia ser daquela terra e deste mundo, ainda que no séc. XX alguns reputados escritores esotéricos e tradicionais se deixaram de novo iludir, tal como o insuspeitado e tão racional René Guénon, seguindo uma linha mistificadora de St. Yves de Alveydre, a que se seguiram vários outros grupos.
16-IX. Em carta datada desde dia, de 1693, o vice-rei, conde de Vila Verde, Pedro de Meneses Noronha de Albuquerque, enaltece, por causa duma invasão a Baçaim dum general mogol, os serviços prestados pelo parsi Rustum Manoke, representante dos interesses portugueses na corte do nababo de Surate, com o cargo de «corretor dos portugueses». Em 1695, Rustum Manoke recebe alguns privilégios, tal poder andar de andor nas praças do Norte. A comunidade parsi, ainda hoje existente, remonta a Zoroastro, talvez o mais antigo profeta conhecido, do Irão, e que deu origem ao Zoroastrismo, uma religião em que o culto das forças na natureza foi transcendido por um forte monoteísmo de cariz ético e espiritual e com uma conceção de Deus de Sabedoria (ainda que com o tempo em derivações tenha sido algo dualizado na manifestação), e com elevados códigos de labor e de pureza, mantendo o culto do fogo exterior e interior.
17-IX. Natural de Odemira, o P. Francisco Rodrigues, depois de se ter formado em Salamanca e ser mestre de Matemática e de Teologia Moral no Colégio lisboeta de S. Antão, desejava ir para a messe ultramarina mas como não lho permitissem, pelos seus pés defeituosos, escreveu ao patriarca S. Inácio que não só lhe deu autorização, como o nomeou reitor do Colégio de S. Paulo em Goa, dizendo que os «reitores não governavam com os pés, senão com a cabeça». Partiu na nau Garça em 30-III-1556 e chegou a 4-IX. Distinguiu-se nos debates com religiosos indianos e mandou traduzir o valioso "evangelho" indiano Bhagavad Gita para melhor se compreenderem e terá convertido um sanyasin brâmane famoso de Angediva. Participou no I Concílio Provincial de Goa de 1567. E foi nomeado Provincial da Índia em 1572. Já o zelo de calcar e destruir os templos hindus (quem sabe se por isso e de acordo com as ideias indianas do karma já nascera com os pés assim) é que foi deveras lamentável. Morre neste dia 17-IX de 1573, com sessenta e oito anos e vinte e seis de padre jesuíta. No elogios finais destacaram a sua prudência, ciência e capacidade de pregar e convencer. Vários casos de fiscalidade e ética, comentados por Francisco Rodrigues, e que se encontram na Torre do Tombo no manuscrito nº 805, colectivo (pois há também do P. Antonio Quadros e do P. Gomes Vaz), foram recentemente estudados por Manuel Lobato e Jorge dos Santos Alves e encontram-se em rede.
O rei D. Filipe II, de Espanha e Portugal, morre no Escorial em 1598. Filho de D. Isabel de Portugal, neto do rei D. Manuel, ambicioso, casado 4 vezes, teve a sorte de, na roda dos casamentos e desventuras dos dois reinos hispânicos, ficar na mó de cima. Aclamado em Tomar, acalmando com benesses muitos nobres, lendo os autores portugueses, prometeu e respeitou uma certa autonomia lusitana. Pediu para ser enterrado num caixão feito da madeira da nau mais veterana da Carreira da Índia, a Chagas, no mosteiro de S. Lourenço do Escorial, construído pelos sábios João de Batista de Toledo e João de Herrera, este como D. Filipe II, um estudioso da obra do fecundo e criativo franciscano Raimundo Lulo.

É eleito para o grão-mestrado da Ordem de Malta o octogenário Luís Mendes de Vasconcelos, neste dia em 1622, vivendo só mais cinco meses. Quatro mestres portugueses teve esta Ordem, fundada no tempo das cruzadas e dos templários, e então com o nome de S. João ou do Hospital. Expulsa depois para Rodes e Chipre, estabilizou em Malta desde 1530, graças ao imperador Carlos V, donde foi tentando travar a expansão turca no Mediterrâneo com feitos valorosos, especialmente até ao século XVII.
Nasce Cândido Figueiredo, em Lobão da Beira, freguesia de Tondela, em 19 de Setembro de 1846. Lexicólogo e escritor, chegou a ser membro da Sociedade Asiática de Paris pois foi autor de pequenos estudos sobre a literatura e a cultura indiana. Com Luciano Cordeiro foi um dos fundadores da Sociedade de Geografia de Lisboa, e presidiu também à Academia das Ciências por mais de uma vez, duas das instituições com maior obra na história da cultura em Portugal. Traduziu um episódio do Ramayana, a Morte de Yaginadatta, a partir das versões de Gorresio e Fauche, impresso em Coimbra, na Imprensa da Universidade, em 1873: «Quando um homem, dama ilustre, faz uma acção, ou boa ou má, não pode evitar no porvir os frutos dela. Qualquer que em suas coisas não distingue o bem e o mal, e às cegas vai obrando, os sábios apelidam-no criança». O Prof. Guilherme de Vasconcellos Abreu, que sabia bem mais o sânscrito, teceu algumas críticas à sua tradução, embora esta estivesse assim dedicada e como que apadrinhada: "Ao profundo orientalista, ao eruditíssimo filólogo, ao aplaudido professor da Universidade de Oxford Max Muller, consagra este mesquinho testemunho de reverência, simpatia e gratidão C. de. F.". Em 1881 publicou Homens e Letras. Galeria de Poetas Contemporâneos, onde os esboça e dá a bio-bibliografia, alguns dos quais estando mais ligados ao Oriente, tal Antero de Quental e Tomás Ribeiro, e sobretudo Fernando Leal e Cristóvão Aires, naturais da Índia.









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