quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Convite para a Finissage da Exposição "Gestos Liturgia Sacralidade" no Museu do Vinho de Alcobaça, 20 de Set. 2026.



Após a visita última à exposição, a Maria Fátima Silva, o Jorge Prata e eu falaremos sobre a temática exposta. Transcrevo o texto que enviei:

Da gestualidade sagrada e ecuménica de Fátima no Museu do Vinho em Alcobaça

A exposição Gestos-Liturgia-Sacralidade, de Maria de Fátima Silva e Jorge Pratas, nas obras e processos partilhados, tende à magia da elevação da visão do mundo material ao espiritual, com o corpo e a gestualidade ritual invocando e evocando a consciência das influências ou presença espiritual e divina, sacralizadora de quem a realiza ou de quem a reactualiza agora ao contemplar operativamente o que é já símbolo da intuição e vivência, reconstituição fotográfica ou pictográfica icónica.
Maria de Fátima Silva apresenta uma instalação de pinturas e uma mesa altar dedicadas a Nossa Senhora de Fátima, aparecida em terra de etimologia islâmica, pois na sua antiguidade foi com tal nome consagrada a Fátima, afilha do profeta Maomé, e mulher de quem deveria ter sido o sucessor como líder do Islão, Ali, mas que se tornou apenas o I dos XII imams Shiias do povo iraniano, tão admirado nos nossos dias por defender cavaleirescamente a sua civilização teocrática da opressão gananciosa do Ocidente profano. 
A obra da Fátima é triplamente sacralizante: por si, pela localidade e sua hierohistória e por N. Senhora de Fátima, manifestação da Deusa, do sagrado Feminino, de Maria, de Fatimah, com o amor, misericórdia e ecumenicidade tão necessários nestes tempos já de III grande Guerra, mas que desejamos e oramos para que os dirigentes norte-americanos e europeus oligarquizados não a escalem mais.
                                             
Ao apresentar a sua mensagem em portas, nexos de inter-espacialidade, a Fátima apela à sacralização do quotidiano, a uma fatimização e angelização do nosso horizonte anímico, recorrendo à simbologia evocatória da Senhora de Fátima e dos Anjos e Arcanjo de Portugal, para que as suas bênçãos, escorrendo das mãos trabalhadoras e cuidadoras, dos pés sofridos e das asas renovadoras, nos purifiquem e inspirem na ligação do mundo corporal e do transcendental, e nos reintegrem mais na consciência sacra e unitiva.
A magia operativa das liturgias do santuário de Fátima, tão poderosa nas grandes peregrinações e litanias, e no silêncio dos vastos terrenos do santuário puro e vazio, com suas capelinhas, altares, estátuas, árvores, penedos e flores, foi bem acolhida enquanto macrocosmos uterino da instalação pictográfica e de gabinete etnográfico-religioso oferecido pela Maria Fátima Silva com toda a beleza, cor, ritmo, intensidade e sentimentos gerados durante o processo alquímico, interno e externo, agora desvelado nesta condensação bem original e performativa até no convite aos gestos de abençoarmos com a água purificadora e de nos fortificarmos com a energia firme dos cristais do Gerês e fósseis da Ericeira.
O lugar ideal da Exposição seria talvez uma sacristia, antecâmara introdutória da missa, oferecendo as fotografias e pinturas como rememorações destiladas na devoção e aspiração, mas também fica bem no Museu do Vinho em Alcobaça, das terras de Fátima vizinho, pois, instalado na antiga adega, preserva todo o pathos do ciclo vinícola, sagrado desde os mistérios da Grécia ou, mesmo antes, da Pérsia, pois ao rei Jamshid, detentor do Graal primordial, e sua princesa, como relata Firdouzi na imortal epopeia Shahnameh, se atribui a descoberta do vinho, o qual, cultuado como gerado da luz solar e divina propiciadora de Farrah (a Luz da Glória e da Verdade tão vivida e partilhada pelos espirituais iranianos), até nós chega resplandecendo com glória na liturgia eucarística e nectarizando-se no dito afiançado pelos nossos antepassados (que estejam na Luz) In Vino Veritas

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