quinta-feira, 19 de março de 2026

Rumi, mestre do Irão e do coração: O Amor é um oceano infinito que chama por ti...

                                                  

 O Coração, na sua subtileza e riqueza infinita, tem sido muito sondado, meditado e trabalhado pelos seres no caminho espiritual e na demanda divina, e em todas as Tradições fílósofos, místicos e poetas, amantes e artistas transmitiram as suas realizações ígneas ora a discípulos e seres amados ora por escritos, pelo que podemos dizer que todos os povos têm os seus Livros sagrados, certamente uns mais outros menos elevados e puros.

Uma das tradições mais ricas e valiosas, com centenas de grandes místicos, gnósticos, filósofos e poetas é o Irão e vamos hoje partilhar algumas das suas realizações preservadas em livros, nomeadamente de Mevlana Rumi.

                                    

Talvez se deva avisar que o coração não significa o coração físico, mas o coração subtil e espiritual, que é tanto um centro no corpo subtil e espiritual do homem, como a interioridade central da receptividade ao mundo espiritual e seus seres, ao fogo cósmico, ao Amor e a Deus.

Místicos de todas as tradições viram e sentiram esse coração vivo e o Amor beatífico neles ou nos seus mestres, e o sagrado coração de Jesus é um bom exemplo na tradição cristã, embora também houvesse quem visse os corações flamejantes das sorores ou monjas mais ardentes na sua aspiração amorosa ao mestre ou a Deus

Alguns mestres e tradições místicas, nomeadamente a persa e a escola de Nadjim Kobra (do qual encontra um artigo neste blogue) desenvolveram até tipificações das modificações das formas e cores do coração subtil, conforme as características pessoais e os estados ou estações de pureza, amor e sabedoria no caminho de religação a Deus.

Assim, conforme essas caraterísticas, o coração abre-se ou desvenda-se no olho espiritual como mar ou oceano, como fogo,  como vasto espaço ou céu estrelado infinito,  como jóias e filigranas,  como taça ou graal, como fonte do Amor. Mas não é fácil alcançarem-se tais percepções, chegar-se a tais estações, sobretudo nos dias de hoje quando meditar-se várias horas seguidas e em ambientes bastante recolhidos. como soía acontecer então, é verdadeiramente raro, dada a rede digital de socialização e a grande abertura ao mundo, tantas vezes em conflitos e injustiças  que reclamam a nossa intervenção. Pratiquemos e oremos então, com persistência e nos limites de tempo e profundidades nocturnas que conseguirmos... 

Um dos seres que desenvolveu bastante a consciência do coração foi o famoso místico e poeta iraniano Mevlana Rumi, do séc.XII, e vamos então partilhar dois excertos de poemas dos seus livros,  tanto para nos inspirarem como para  nos ligarem com a grande alma Iraniana, neste momento numa batalha decisiva da sua existência, face ao traiçoeiro e diabólico ataque do sionismo israelo-americano.

 Para despertarmos ou desenvolvermos mais o coração como órgão de percepção e taça de receptividade e irradiação do Amor divino infinito, tão realizado por Rumi e em parte graças ao seu mestre Shams, este poema (Mathnavi, CV, 3483), serve bem:

«O Amor é um oceano infinito cujos céus não são mais que um floco de espuma.
Sabe que são as ondas vibratórias do Amor que fazem rodar o círculo dos céus: sem Amor, o mundo seria inanimado.
Como é que algo inorgânico se transformaria numa planta?
Como é que os seres vegetais se sacrificariam para se tornarem dotados de espírito?
Como é que o espírito se sacrificaria para esse Sopro de que se diz que um eflúvio engravidou Maria?
Cada átomo está desejoso de tal Perfeição e apressa-se para ela.
A sua pressa diz intimamente, Glória a Deus»
 Eis apenas um dos ensinamentos, mas simples, prático e bom, que  destilarei alquimicamente do poema: - Sintoniza com o oceano do amor infinito de Deus, com as suas ondas e partículas, e sente-as na natureza e em ti, clamando ou dando graças, e tu com elas e nelas,  à Luz de Glória (farrah, na tradição persa) Divina, que em ti quer esplender e irradiar mais.

  O outro ensinamento valioso de se meditar é este: 

«O coração não é senão o Mar da Luz, ... o lugar da visão de Deus (Mathnavi III, 2269) 

Tenta expandir a consciência do teu coração para o oceano de Luz e de Amor em que a Divindade se manifesta, para que tal possa chegar à visão subtil, ao coração, purificando-te, incendiando-te e transformando-te. 



quarta-feira, 18 de março de 2026

A UE ao lado dos USA e Israel na agressão ao Irão e mortandade de crianças e pessoas?

    A abnegada grande alma Rússia comenta as declarações de uma das mais patéticas figuras de Bruxelas, Kaja Kallas, e de outros políticos europeus,  em relação às posições neutras, ou pelo contrário hipocritamente disfarçadas, quanto  à agressão ilegal e traiçoeira (já que em plena fase de negociações) de Israel e dos Estados Unidos, à civilização milenária e riquíssima do Irão, os primeiros no seu ódio sionista visceral, os segundos na ganância do recursos, como já afirmaram mais de uma vez dois dos seus mais diabólicos, Donald Trump e  Lindsey Graham. 

Maria Zakharova, a sábia porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, declarou: "Nos últimos dias, a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, e certos líderes de estados da Europa Ocidental, têm se esforçado no espaço público para apresentar a situação como se eles não tivessem relação com o que está a acontecer no Oriente Médio." Supostamente, dizem que "não é a guerra deles".
Discordamos categoricamente com tal enquadramento da questão. Esta é mais uma grosseira distorção dos factos e uma tentativa de se isentarem da responsabilidade pela escalada na região. É bem sabido que as autoridades dos países da Europa Ocidental, durante décadas, perseguiram uma política colonial na região, escondendo-se atrás de demagogia e mentiras descaradas.
No período que precedeu a agressão dos EUA e de Israel contra a República Islâmica do Irão, foram especificamente os governos europeus que dificultaram a demande de soluções diplomáticas, "acenderam o fogo" e manipularam aspectos legais com o propósito de supostamente acionar o mecanismo de "snapback" [voltar atrás], e escalaram as tensões. Agora, no entanto, fingem que estão "à margem", mas tal [desculpa] não vai funcionar.
Vamos fornecer exemplos muito reveladores das ações e declarações mencionadas.
Em 28 de agosto de 2025, os ministros dos Negócios Estrangeiros da Grã-Bretanha, Alemanha e França dirigiram-se ao Secretário-Geral da ONU e ao Presidente do Conselho de Segurança da ONU sobre o suposto não cumprimento significativo pelo Irão de suas obrigações sob o JCPOA ( Joint Comprehensive Plan of Action). Este apelo foi apresentado por eles como uma notificação no sentido do parágrafo 11 da Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, desencadeando uma nova cadeia de acções para restaurar as sanções da ONU anteriormente canceladas contra o Irã (o chamado snapback). Ao mesmo tempo, não havia fundamentos legais e processuais para os europeus lançarem o "snapback", tendo em conta das violações sistemáticas do JCPOA por parte deles mesmos.
A Grã-Bretanha, a Alemanha e a França introduziram regularmente projetos de resoluções anti-iranianas no Conselho de Governadores da  International Atomic Energy Agency (AIEA), (em particular, em junho de 2020, junho de 2022, novembro de 2022, junho de 2024, novembro de 2024, junho de 2025 e novembro de 2025). A resolução adotada em junho de 2025 tornou-se a cobertura política para a primeira agressão americana-israelense contra o Irão, e a resolução de novembro de 2025 anulou os acordos do Cairo, segundo os quais as salvaguardas da AIEA estavam sendo implementadas no Irão após os ataques dos EUA e de Israel em junho de 2025.

Se alguém escavar ainda um pouco mais fundo, descobrirá que a formação deliberada de uma "imagem de inimigo" [ou demonização primária e manipuladora da opinião pública) do Irão foi a espinha dorsal da política dos líderes europeus.
7 de dezembro de 2016, a Primeira-Ministra britânica Theresa May: “O Irão representa uma ameaça para os países do Golfo Pérsico e para o Oriente Médio como um todo.”
10 de janeiro de 2020, o Ministro das Relações Exteriores da França Jean-Yves Le Drian: “Dentro de um período relativamente curto, em um ou dois anos,” o Irão poderá ter acesso a armas nucleares.
21 de janeiro de 2022, a então Ministra das Relações Exteriores da Alemanha [a fanática e sinistra] Annalena Baerbock: “O Irão está a construir uma espiral de escalada nuclear.”
28 de fevereiro de 2023, [a mesma tresloucada, anti-russa e sionizada Annalena Baerbock]: "O regime iraniano não é mais um problema regional.  É um problema para a Europa e para o mundo inteiro.”
15 de abril de 2024, Primeiro-Ministro britânico Rishi Sunak: “O programa nuclear iraniano ... ameaça a paz e a segurança no planeta.”
2 de outubro de 2024, Chanceler da Alemanha, [conhecido como o manga de alpaca],  Olaf Scholz: “O Irão corre o risco de incendiar todo o Oriente Médio – isso deve ser evitado a todo custo.” Parece que já estava a adivinhar o que Israel e os USA iriam fazer uns meses depois, como estamos a assistir, e com uma gravidade que pouca gente realiza, pois para além da destruição ecológica da zona em curso, a ameaça nuclear é muito provável dado o alto grau de criminalidade diabólica dos governantes israelitas e norte-americanos]
6 de janeiro de 2025, Presidente da França Emmanuel Macron, [outro assalariado chefe dos Rothschild] classificou o Irão como o  “principal desafio à estabilidade e segurança” para a Europa no Oriente Médio. Segundo ele, “a aceleração do programa nuclear está a aproximar-nos de um ponto sem retorno”, [repetindo assim a cartilha que o seu chefe e criminoso-mór Benjamim Netanyayu repete ameaçadoramente há décadas. E que certamente não fará mais, se não no inferno astral onde já está desde há dias, pesem os vários vídeos e fotografias falsíssimos que os responsáveis israelitas têm espalhado pelos meios de comunicação para orgulhosamente não darem parte de fraco e antes se arrogarem de invencibilidade e de só eles conseguirem eliminar ou assassinar quem não gostam]
Tudo isso é contrário aos factos e desafiador do bom senso. Assim, a elite governante europeia está no mesmo barco que os agressores," conclui a notável, e incomparável no horizonte europeu, Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa.
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Já no dia 19/3, o excelente ministro dos Negócios Estrangeiros Araghchi  levantou a voz contra o traiçoeiro ou hipócrita Emmanuel Macron, conforme noticia a valiosa presstv.ir:  « O Ministro das Relações Exteriores do Irão, Abbas Araghchi, criticou o Presidente francês Emmanuel Macron por não ter pronunciado sequer "uma palavra de condenação" da agressão militar dos Estados Unidos e do regime israelita ao Irão.
Numa mensagem na sua conta no X na quinta-feira, 19,  Araghchi disse que o presidente francês “não condenou Israel quando este fez explodir depósitos de combustível dentro de Teerão, expondo milhões de pessoas a toxinas,” referindo-se aos ataques com mísseis dos EUA-Israel a instalações de armazenamento de combustível nas províncias de Teerã e Alborz no início deste mês, acrescentando ainda quanto aos ataques aos locais de produção de gás natural do Irão, que a "actual 'preocupação' de Macron,  não acompanhou o ataque de Israel às nossas instalações de gás e apenas  segue ou critica a nossa retaliação. Triste!»
Se já a desgraçada da Ursula afirmara a propósito das 160 crianças assassinadas na escola de Minabi com duas bombas, separadas por 40 minutos (o que prova a sua intenção de seguirem as ordens de Trump, de Pete Hegseth e outros zios e pseudo-evangélicos de criarem o Armageddon, a luta final - que tem de ser impiedosa e sem obedecer a qualquer lei ou moral - antes do regresso do Messias sionista), que o Irão não merecia qualquer lágrima, revelando a sua hubris de ser ditadora na esfera íntima e afectiva das pessoas sujeitas à sua péssima e opressiva desgovernação da antiga Europa livre, também agora era de esperar de um antigo empregado de investimentos dos Rothschild e que fez fortuna e ascensão política graças a essa submissão, e que está portanto contra o Irão livre ou o BRICS da multipolaridade, e que vai debitando, para a opinião pública francesa e europeia maioritariamente oposta à agressão israelo-americana, umas declarações fingidas de não se querer envolver, o que significa  estar sobretudo a pedir aos iranianos para não bombardearem as suas bases e navios na região. 
Anotemos que após o ataque de traiçoeiro e assassino do supremo líder religioso do Irão e da sua família e de altas chefias, e a consequente resposta do Irão as Nações Unidas reuniram-se sob as ordens de USA e Israel para condenarem, não a agressão norte americana mas a resposta justa e de auto-defesa iraniana. Pois na votação, e na qual só votaram contra Rússia, China e Somália, os embaixadores de vários países europeus ergueram-se dos seus assentos hipócrita e criminosamente para condenarem "o ataque não provocado" do Irão às bases norte-americanas dos países vizinhos, e assim votaram e pronunciaram-se contra o Irão, os embaixadores do Bahraim, e da França,  Dinamarca,  Reino Unido e  Grécia. Mas nem uma palavra sequer de lamentação do assassínio deliberado, seguindo as "ordens de guerra sem regras e sem piedade" do secretário de Guerra Pete Hegseth, das 160 crianças da escola de Minabi...
Vejamos onde vai parar, ou por onde se vai desmascarar, a neutralidade europeia.

terça-feira, 17 de março de 2026

Quatro Rubaiyats de Omar Khayyam, oferecidos a Ali Larijani, mártir do Irão e da Humanidade livre

Muita luz e amor divinos na alma do filósofo Ali Larijani e na dos seus familiares, amigos e admiradores.

 Quatro Rubayats de Omar Khayyam, para o filósofo iraniano, especialista em Kant, e ideólogo político, oficialmente  chefe do Conselho Nacional de Segurança, Ali Larijani, assassinado há poucas horas pelos sionistas israelitas, com o apoio dos fanáticos norte-americanos. A vontade de guerra total, e possível uso de armamento nuclear da parte dos diabólicos dirigentes israelitas é cada vez mais perceptível. Mesmo assim oremos pela paz e a justiça.

Tradução minha a partir de versão francesa do astrónomo e espiritualista Pierre Salet, na sua valiosa obra Omar Khayyam, savant et philosophe, Paris, Maisonneuve, 1927. 

«Se O procuras, abandona a tua mulher e filhos,
Separa-te corajosamente dos teus amigos.
São obstáculos no caminho que leva até Ele.
Como viajar apesar destes obstáculos? - Afastando-os.»
 
Comentário. Na oração afasta tudo o que surgir entre ti e o pensamento e sentimento de Deus. E no dia a dia relembra-te e liga-te mais à Divindade e sua sabedoria, amor e luz.
 
«Se me prestares atenção, dar-te-ei este conselho:
Por Deus, não te cubras com o manto da hipocrisia.
O mundo futuro, é a eternidade; este mundo é só um instante.
Não vendas o reino da eternidade por um instante.» 
 
                    Comentário: Cobre-te na oração e meditação da humilde devoção e aspiração, e eleva-te do múltiplo ao Um, unifica-te.
 
«Como doutrina, se és sábio, escolhe o não-conhecimento
e bebe o vinho derramado pelos que bebem da Eternidade. 
Mas vejo que és ignorante e  não alcanças a inconsciência.
Não é dado a qualquer ignorante beber desta não consciência.»
 
              Comentário: Reconhece as tuas limitações, liberta-te das dúvidas ou do ego, e recebe as infusões de amor e luz de Deus, e dos seus amigos, mestres e anjos. 
 
«Tanto escondes a Tua Face a todos os seres,
tanto te desvendas na Tua criação.
É para ti mesmo que Te revelas assim.
Tu és a essência dela e és quem a contempla.»
 
Comentário: Possamos merecer contemplar a face divina, não nos iludirmos demasiado com a manifestação física e sermos a contemplação superior divina. 
 
Possa Ali Larijani (3/6/1958 a 17/3/2026), estar já desperto no além e ajudar a luta pela libertação da Humanidade das garras do sionismo, da oligarquia infrahumanista, do imperialismo norte-americano. Lux! Pax, Amor
 

domingo, 15 de março de 2026

"Hoje Irão, amanhã Rússia", por Alexandre Dugin. O Irão é o escudo do Katechon.Terminemos com a civilização de Baal. Tradução brevemente comentada.

                                  

Compartilhamos reflexões importantes de Alexander Dugin, o valioso filósofo e geoestratega - pai da filósofa mártir Daria Dugina -, sob o título Hoje Irão, Amanhã Rússia, na qual ele aborda o Irão, denominando-o o escudo do Katechon [o ser ou princípio organizador, controlador, catequizador], ao estar a aguentar  golpe traiçoeiro contra a multipolaridadee, e considerando esta guerra, quase do bem e do mal, como capaz  transformar, destruir ou remodelar o mundo, pelo que apela à unidade e a acções decisivas da Rússia, do Irão e da China contra o imperialismo e o sionismo opressivos e criminosos de guerra. 
Conversa com Alexander Dugin no programa Escalation da Sputnik TV. [sublinhei as ideias mais importantes e adicionei  comentários breves entre [...], e as imagens].
«Anfitrião: Queridos amigos, hoje estamos a abordar um tema grande e sério. Todos estão a falar sobre isso agora, e com razão, porque  está a desenrolar-se um acontecimento histórico. Permitam-me lembrar aos nossos ouvintes: em 28 de fevereiro de 2026, uma operação conjunta foi lançada pelas forças armadas dos Estados Unidos da América e de Israel.  Realizaram-se ataques contra o Irão, do que resultou a morte do Líder Supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei. Além disso, muitas outras figuras de alto nível foram eliminadas no ataque. O Irão começou a responder com ataques tanto contra Israel como contra bases americanas e, enquanto falamos, estão a ocorrer confrontos militares. Há muitas perguntas sobre as consequências, quem sofrerá mais com tais desenvolvimentos e se o Irão conseguirá suportar a pressão. Mas a primeira questão que queremos compreender é: para onde está tudo isto a levar?
Alexandre Dugin: Este é, de facto, um acontecimento extremamente importante. É inteiramente possível que isto se possa  tornar o início da Terceira Guerra Mundial, porque forças de enorme dimensão estão agora envolvidas. As acções dos americanos—Trump junto a Netanyahu—dirigidas contra a liderança política do Irão foram extraordinariamente abruptas.
Este é já o segundo caso desse tipo. Primeiro, os Estados Unidos sequestraram Maduro, estabelecendo controle directo sobre a Venezuela e ocupando efectivamente esse país. Agora, eles destruíram toda [ou uma pequena parte] a liderança militar-política e religiosa do Irão. Em importância, isto é comparável à destruição do Papa ou de um Patriarca Ortodoxo, porque o líder espiritual dos xiitas—o Rahbar, Ayatollah Khamenei—era reverenciado não só no Irão. Ele era efectivamente o chefe [com o ayatollah Sistani, do Iraque) de todo o mundo xiita, que inclui centenas de milhões de pessoas em todo o globo. Antes disso, Israel eliminara a liderança do Hamas—um caso mais limitado—e depois a liderança do Hezbollah, o que já era mais sério.
Agora a liderança do Irão foi destruída de forma direta e aberta. Isto significa que não há mais normas internacionais, não há regras, e as Nações Unidas efectivamente não existem mais. Essa organização agora pertence ao passado, como um membro fantasma de um mundo desaparecido. Trump em si mesmo disse essencialmente isso: não há lei internacional; tudo o que ele faz é moral. Isto muda tudo. A ordem mundial anterior entrou em colapso. Estávamos gradualmente a mover-nos nessa direção, mas agora o ponto de não retorno foi cruzado. Se um país pode destruir a liderança militar-política e religiosa de um estado soberano sem qualquer justificação [ainda que tenham inventado algumas, falsas, para os Milhazes e Correios da Manhã propagandearem], então estamos a viver num mundo completamente diferente—um mundo onde tudo é permitido, onde a lei está substituída pela força, onde o princípio que vigora é: "Se eu posso fazer, eu farei."
O comportamento de Trump é particularmente impressionante. Tudo isto aconteceu durante as negociações envolvendo Kushner e Witkoff [dois género de diplomatas fora do quadro e hipócritas sionistas, de aparências sérias], e de acordo com as informações disponíveis, o Irão havia concordado com quase todas as exigências americanas—literalmente com quase tudo. Apesar disso, tal ataque foi dirigido diretamente contra a liderança do país. Em primeiro lugar, devemos entender que nesta situação somos os próximos. Venezuela, Irão, e antes disso Síria e Hezbollah—todos esses são regimes ou sistemas políticos actualmente alvos dos Estados Unidos, e eles são nossos aliados.
De facto, se tais ações podem ser tomadas contra os nossos aliados, se tudo isso ficar impune, se Trump tiver sucesso em tudo o que tenta, então na próxima etapa—talvez até durante as negociações [que têm ocorrido frequentemente, inclusive em Moscovo] entre [o representante russo] Kirill Dmitriev e [os norte-americanos] Kushner e Witkoff—uma operação semelhante visando a mudança de regime no nosso país poderia acontecer.
E o que nos protege de tal cenário? Armas nucleares? Mesmo nisso, permanece a questão  se realmente as usaríamos. Numa situação extrema, o Ocidente tem sérias dúvidas de que estaríamos preparados para dar esse passo—emitimos ameaças com muita frequência e não as cumprimos. Ao mesmo tempo,  estão em andamento tentativas para cercar e isolar o nosso presidente [Vladimir Putin]. O nosso presidente, sem dúvida alguma, é a figura sobre a qual tudo assenta. No nosso país, e talvez até no mundo, tudo depende dele. Ele é aquele que restringe—o Katechon [a entidade ou força restritiva ou ordenadora, de acordo com 2 Tessalonicenses 2:6-7, e as teorias de Karl Schmidt, ou ainda o Catequizador], tal como a nossa tradição cristã ortodoxa o descreve. 
Hoje isto é simplesmente um facto de geopolítica, um facto da ordem global.
Mas se os americanos— o próprio Trump—se convencerem de que outros líderes russos que pudessem, Deus nos livre, substituir o nosso presidente seriam mais submissos em relação ao Ocidente—e  fora esse precisamente o cálculo no Irão, quando os líderes soberanos daquele país foram fisicamente eliminados porque seguiam políticas que não estavam alinhadas com os interesses americanos—então o que os impedirá de tentar implementar o mesmo cenário aqui [na Rússia]?
Trump está a conduzir uma estratégia geopolítica neo-conservadora de ataque completamente consistente. Os estados que foram alvo dos globalistas sob Biden, sob Obama e sob Clinton são exatamente os mesmos estados que estão a ser alvos agora. Nada de fundamentalmente novo apareceu. Apesar dos escândalos e discussões com os aliados europeus da OTAN, no final esses aliados  alinham-se com os Estados Unidos e adoptam a mesma posição. Para nós, portanto, isto é extremamente sério. É o aviso final.
Anfitrião: Deixe-me voltar à questão da Terceira Guerra Mundial. Lembro-me de que no ano passado discutimos a situação à volta do Irão—houve a chamada "guerra de doze dias"—e naquela época também dissemos que isso poderia levar a uma crise global. Mas tal não aconteceu. Poderia ser que desta vez também tudo durasse talvez doze ou treze dias e depois chegasse ao fim? Ou estamos agora a lidar  com uma escala completamente diferente de acontecimentos?
 
Alexander Dugin: Teoricamente, ninguém sabe se isto se tornará a Terceira Guerra Mundial ou não. O problema é que quando dizemos com muita frequência—e eu experimentei isso pessoalmente—“esta é a Terceira Guerra Mundial,” ou “aquela é a Terceira Guerra Mundial,” e depois não se revela ser o caso, e mais tarde dizemos novamente, “agora a Terceira Guerra Mundial começou,” uma sensação oposta eventualmente surge: a impressão de que uma Terceira Guerra Mundial simplesmente não pode de modo algum começar, que ela nunca começará, que tudo está sob controle. E é exatamente aqui que reside o perigo. Quando você diz isso muito cedo uma vez, torna a dizer muito cedo segunda vez, então, quando ela realmente começar, você pode até ter medo de dizer abertamente o que está a desenrolar-se diante de seus próprios olhos.
Portanto, devemos ser cautelosos ao avaliar o que está a acontecer. O que estamos a ver  assemelha-se ao início da Terceira Guerra Mundial, mas pode não se concretizar; talvez esta crise passe. Você formulou a pergunta correctamente. Neste momento, quase tudo depende—e, de facto, até mesmo o nosso próprio destino, se preferir—de quanto tempo o Irão poderá resistir. Porque  a coligação americana-israelita pode conseguir suprimir a resistência iraniana rapidamente durante a operação que os americanos chamam de "Fúria Épica"... embora muitas pessoas agora adicionem a frase "Fúria Épica de Epstein." Na verdade, é bastante óbvio que Trump lançou esta operação em parte para desviar a atenção dos ficheiros de Epstein, onde ele indubitavelmente aparece de uma forma extremamente comprometedora. Muitos observadores acreditam que a pressão e a chantagem israelita também desempenham um papel importante nesta situação.
Os próprios israelitas  estão a agir dentro de uma linha ideológica completamente diferente. Com eles  estamos a lidar com um projecto escatológico: a construção de um “Grande Israel,” a expectativa dos últimos dias e a vinda do Messias. Esta é uma motivação muito séria dentro da guerra que Israel chama de "O Escudo de Judá." E os iranianos—os iranianos agora entraram no que eles veem como a batalha final. Já estava claro durante a fase anterior, durante a guerra de doze dias, que não era uma guerra plenamente desenvolvida; parecia mais uma preparação. O Irão não se envolveu totalmente naquela época. Talvez mesmo agora o Irão não tivesse entrado totalmente no conflito se os próprios americanos não tivessem tomado medidas tão radicais. Agora o Irão não tem outra escolha senão lutar até o fim: atacar todos os alvos possíveis, fechar o Estreito de Ormuz aos navios americanos ou ocidentais e aos navios de países que agiram contra ele, atacar bases militares e quaisquer outros alvos que puder alcançar, incitar levantamentos xiitas em todo o Oriente Médio e até onde mais a sua influência puder chegar, e travar essa luta— a batalha final— até ao fim. 
Os doze Imãs da tradição xiita, começando com Ali, casado com Fátima.
O Irão, antes, estava disposto a evitar tal confronto, mas tal possibilidade foi agora retirada. Os iranianos nomearam a sua operação— e isto é importante de se notar— "O Fim do Dilúvio." Lembre-se de que a operação do Hamas a partir da qual tudo começou— os acontecimentos em Gaza, o genocídio em Gaza, e antes disso o ataque do Hamas a Israel—foi chamada de “A Inundação,” ou “Inundação de Al-Aqsa.” Al-Aqsa é o segundo local mais sagrado no mundo muçulmano. É a mesquita localizada em Jerusalém no Monte do Templo. Os palestinianos lançaram a sua revolta para defender este local sagrado. Porque é que eles acreditavam que precisava ser defendido? Porque Netanyahu e os seus  associados mais próximos—Ben-Gvir e Smotrich— discutiram abertamente planos para demolirem a Mesquita de Al-Aqsa a fim de se libertar espaço para a construção do Terceiro Templo, um acontecimento que marcaria o início da era messiânica. Na verdade, todos os preparativos para o projecto de "Grande Israel" apontam, em última análise, para esse objetivo. O movimento palestiniano Hamas, portanto, procurou defender a Mesquita de Al-Aqsa, que Ben-Gvir prometera pessoalmente e repetidamente explodir e nivelar ao chão. O que se seguiu, em vez disso, foi a devastação e destruição de Gaza. [Uma explicação que pouca gente ouve, e provavelmente bem certeira.]
Agora, a operação iraniana chamada "O Fim da Inundação" [ou Dilúvio] representa o que eles veem como a batalha final. Na filosofia xiita iraniana—e na escatologia islâmica de forma mais ampla—o fim dos tempos trará um confronto final entre as forças do Islão, lideradas pelo Mahdi (o Imam Oculto que os xiitas acreditam que retornará), e o Dajjal [o ungido mentiroso, mencionado nos hadits ou ditos do profeta Muhammad, já cerca de 150 anos depois, e por influências zoroástricas e cristãs] a figura frequentemente descrita como o Anticristo islâmico. A batalha entre o Mahdi e o Dajjal é entendida como o drama central do fim dos tempos. De acordo com essas tradições, ela ocorrerá na Síria e na Terra Santa. Nas interpretações teológicas islâmicas, tanto estudiosos xiitas quanto sunitas comummente identificam as forças associadas ao Dajjal com os Estados Unidos—visto como o “Grande Satã”— e Israel. Por esta razão, as valorizações ou apostas são vistas ou tidas como absolutas.
No entanto, falando em termos mais estratégicos e analíticos, a questão central permanece: por quanto tempo o Irão será capaz de resistir. Por cada dia que o Irão continue a resistir e a defender a sua soberania, a situação estratégica pode começar a mudar. Trump claramente esperava uma guerra muito curta. Ele assumiu que, após a destruição da liderança militar-religiosa e militar-política do Irão, a situação dentro do Irão colapsaria rapidamente. Em outras palavras, ele contava com uma "quinta coluna." [Nem creio que fossem tão estúpidos, ele e os conselheiros, mas é possível, como Trump é um ignorante, que os mais extremistas e sionistas lhe metessem essa carapuça na cabeça]
Anfitrião: Vamos passar à questão da possibilidade de manter a estabilidade no Irão. Após acontecimentos como estes— a destruição do líder supremo e de uma parte significativa da elite— foi possível restaurar rapidamente a hierarquia e nomear novos líderes, ou há o risco de que o sistema possa "quebrar", que em algum momento possa haver uma inversão brusca, por exemplo, se mísseis de repente forem direcionados a Teerão?[O que tem sucedido constantemente, sem que o povo deixe de estar completamente unido à volta do regime, o mesmo não se passando nos agressores.] 
Alexander Dugin: Como sabe, a história é aberta. Não sabemos completamente o que está a acontecer agora no Irão: a internet foi completamente [apenas temporalmente] desligada lá. Segundo as minhas fontes, neste momento não há protestos contra o regime. Até mesmo naqueles [pouquíssimos] que anteriormente se opunham ao regime de Velayat-e Faqih—após o brutal assassinato de cerca de duzentas meninas inocentes por um míssil israelita [norte-americano, dois tomahawk, no intervalo de 40 minutos, para matar mais gente e na linha apocalíptica e "sem misericórdia" pedida por Peter Hegseth, o secretário de Estado da Guerra]—, e a opinião da oposição iraniana, tornou-se radicalmente contra os Estados Unidos e contra Israel. Portanto, não há absolutamente nenhuma base, na minha opinião, para se esperar que o poder seja simplesmente entregue a Trump.
Milhões reuniram-se em Teerão já no dia 13 de Março, sob a explosão próxima de bombas, imperturbáveis, decididos a vencer, com os mártires que tiver de ser, unidos. A presstv noticiou:https://www.presstv.ir/Detail/2026/03/13/765322/Millions-of-Iranians-rally-on-International-Quds-Day-amid-US-Israeli-strikes
Por outras palavras, o Irão provavelmente está mais unido agora do que em qualquer momento, após a morte de toda [de parte] a sua liderança e após este ataque brutal à escola. Isso mudou a consciência de muitas pessoas. O povo iraniano tem muito orgulho [no seu país] e é muito forte, e talvez algumas pessoas não gostassem do regime de Velayat-e Faqih [governo pelos juristas religiosos]—embora isso também tenha sido exagerado no Ocidente pelos serviços israelitas—mas, no entanto, agora todos unir-se-ão em torno do Irão sob a ideia nacional. Além disso, acho que os actuais líderes entenderão a necessidade de se mover um pouco em direção aos círculos seculares da sociedade iraniana, entre os quais praticamente não há liberais. Há nacionalistas iranianos que não são tão estritamente religiosos quanto o regime político, mas ainda assim são nacionalistas, são patriotas do Irão. Se a sua energia e a sua vontade forem [sem qualquer dúvida] direcionadas para resistir à agressão sionista-americana, então a resistência pode durar bastante tempo, porque até Gaza resistiu por muito tempo, e o Irão não é Gaza—é um país enorme. 
Os xiitas constituem uma parte significativa da população do Oriente Médio. As elites desses regimes pró-americanos e pró-árabes são completamente corruptas; é simplesmente uma extensão da "Ilha de Epstein": todos esses Qatar, Dubais e Bahrein. No Bahrein, por exemplo, a população é em grande parte xiita. Acho que levantamentos e revoluções xiitas podem agora eclodir em todo o lado [algo difícil pela repressão fortíssima que exercem]. Em princípio, se o Irão resistir, é impossível saber quem sairá vitorioso nesta guerra. Em especial porque vemos que o conflito afegão-paquistanês está a intensificar-se. E ainda não está claro quem—Paquistão ou Afeganistão—pode apoiar Teerão. Aliás, Israel não gosta de nenhum deles, nem dos paquistaneses nem dos afegãos. Como resultado, tudo isso poderá [e vai] acabar em catástrofe para Trump, para os Estados Unidos e para Israel. O vasto mundo muçulmano poderia simplesmente apagá-lo da face da terra. A "Cúpula de Ferro" já foi penetrada, Tel Aviv está em chamas, e algumas das imagens já se assemelham a Gaza. As pessoas estão a fugir de lá, e muitos estão a dizer que é assim que vai acabar: o Irão certamente vencerá.
Por enquanto, ainda está incerto. Mas o Irão não se rendeu no primeiro dia; não se rendeu após esse ataque terrível—exactamente o que Trump esperava. Agora Trump está a falar de durar várias semanas, talvez um mês. Legalmente falando, ele tem a possibilidade de conduzir uma guerra  aproximadamente por três meses sem a aprovação do Congresso, e o Congresso também pode apoiá-lo. Mas se esta guerra se prolongar, se o Irão resistir desesperadamente [ou melhor, com lucidez, equilíbrio e poder] e tiver força suficiente, energia interna, potencial e poder, então o resultado desta batalha está longe de estar predeterminado. Em especial porque, se  olhar de perto, a aposta na operação "Escudo de Judá" pode ser o ponto mais fraco e vulnerável para a coligação americano-israelita. Que tipo de escudo é esse, quando atacaram e mataram a liderança de um país que, na verdade, nem estava em guerra com eles? Este é um ataque—é o ataque de Judas, um ataque traiçoeiro realizado durante as negociações. Há muito Judas aqui, mas muito pouco escudo. Se de certa forma os acontecimentos continuarem, as mudanças no mundo poderão de facto ser extremamente radicais.
Portanto, a questão agora talvez não seja tanto quem vai vencer. Os primeiros dias foram suportados, sobreviveu-se ao primeiro golpe  —pelo menos pelos iranianos. A sua liderança política, que agora se apresentou para substituir Rahbar Ali Khamenei e a sua família—que também foram mortos, por sinal… Uma coisa monstruosa: uma neta, uma garotinha, de quatorze meses—apenas um ano e dois meses. Crianças, netos… todos.
Como de costume, vimos isso em Gaza: a crueldade da agressão e hegemonia americana-israelita é tão monstruosa, as suas mentiras e traições tão imensas, que a humanidade deveria, de fato, ter recuado horrorizada com o que estamos enfrentando. Mas não recuou, porque em vez disso as pessoas ouvirão outras histórias; dirão que o Irão é o culpado, que as matou. Quanto às mentiras vindas do regime americano, do Ocidente em geral, dos sionistas—já estamos acostumados com isso; já ouvimos tudo isso antes. Portanto, o Irão não pode contar com a indignação da opinião pública mundial [Ursula von der Leyen, a ditadora da União Europeia, veio avisar que a Europa não deve derramar uma lágrima pelo Irão]. O Irão só pode contar consigo mesmo e com aquelas forças que possam apoiá-lo.
Se o Irão  se reorganizar agora e conseguir orientar esta guerra por um tempo suficientemente demorado, a qualquer custo, então, é claro, Israel tentará transformar o Irão em Gaza. Na verdade, já começou a fazê-lo. Mas o Irão ainda é um país muito grande. Além disso, os mísseis iranianos estão a alcançar o território israelita e a atingir alvos estratégicos importantes. Depois de algum tempo desse tipo de bombardeio e troca de mísseis, acho que Israel começará  sentir-se um tanto desconfortável.[Ou a haver mesmo levantamentos da população de Telavive,  a mais castigada nos bombardeamentos.]
E, consequentemente, os americanos sentirão isso, e os europeus também sentirão. Afundar agora esses navios de guerra —sabemos disso, porque sofremos pesadas perdas no Mar Negro durante a guerra com o regime nazista de Kiev -  é hoje incrivelmente fácil.   Com drones modernos—subaquáticos e de superfície—é uma tarefa tecnológica muito simples enviar essa frota tão elogiada para o fundo do mar. Já estamos a viver numa era tecnológica de guerra completamente diferente. Todo aquele poder dos porta-aviões é, na realidade, algo inflacionado; são apenas imagens bonitas.
Helicópteros—dada a velocidade com que voaram para a Venezuela—poderiam sobreviver talvez trinta segundos se enfrentassem pessoas normais com metralhadoras, ou drones adequados, ou os tipos de armas que as nossas tropas normais têm ao longo da linha de frente na Ucrânia. Sob tais condições, um helicóptero não duraria muito—trinta segundos. Na realidade, eles ainda não sabem o que é a guerra. Nem os americanos nem os israelitas sabem. Agora eles vão descobrir. [Sobretudo se Trump e Hegseth conseguirem contar com chefias militares, que obedeçam à elite epsteiniana, e  enviem tropas invasoras para dentro da terra sagrada do Irão]
Se o Irão resistir, tudo é possível. Não estou a dizer que eles estão destinados a vencer. Não estou a dizer que a vitória é garantida para ninguém.  Mas se a vitória não é garantida, e se não é rápida no caso de Trump e Israel, isso por si só já representa uma vitória colossal para todos os apoiantes de um mundo multipolar. 
Na verdade, esta guerra também é dirigida contra nós. Devemos entender que somos nós os próximos. O Irão agora o que é? Um escudo. O escudo do Katechon. É isso que o Irão é. De certa forma, eles assumiram um golpe que, no fundo, era destinado a todos nós. Se eles aguentarem, será um enorme sucesso, inclusive para nós.
Anfitrião: Vamos falar sobre cooperação—particularmente do lado russo. Moscovo está a emitir declarações neste momento: Dmitry Peskov [porta-voz do Kremlin] diz que Moscovo está em contacto constante com a liderança do Irão. A Rússia continua comprometida com uma solução política e diplomática, mesmo após o ataque dos EUA ao Irão. Hoje, Vladimir Putin manteve conversas telefónicas internacionais relacionadas com a situação no Irão. Hoje o presidente  reunir-se-á com o governador da região do Amur, mas isso é outra questão. O que você acha: que acções devemos tomar agora—devemos adotar medidas mais rigorosas, ou devemos adoptar uma posição de esperar para ver? Mas, francamente, não está claro exatamente pelo que estaríamos esperando.
Alexander Dugin: Se simplesmente adoptarmos uma posição de esperar para ver, isso significa esperar o colapso do Irão —e então os próximos ataques serão direcionados contra a nossa própria liderança militar e política. [Dugin, sempre fortemente um Kshatryia, ou guerreiro, na denominação védica e indo-europeia]
Apresentador: De que maneira?
Alexander Dugin: Uma guerra está a ser travada contra nós na Ucrânia, e é bastante intensa. Mas, depois que Trump chegou ao poder—com o que inicialmente parecia ser uma estratégia e política bastante racional—surgiu em nosso país, dentro de nossa liderança, a impressão de que Trump poderia  retirar-se dessa confrontação e que, portanto, era necessário negociar com ele através de figuras como Witkoff e Kushner, ou outros, para reduzir a escalada, pelo menos com a América. O pensamento era que estávamos a lutar contra a Ucrânia, confrontando a União Europeia, mas Trump poderia afastar-se disso porque ele tem uma posição diferente. De fato, ele tinha uma posição diferente até certo ponto. No entanto, após apenas alguns meses na Casa Branca como presidente,  de repente mudou de rumo [pressionado pelos sionistas ou pelo deep state plutocrata e dos armamentos] e tornou-se um neoconservador ainda mais radical, perseguindo as mesmas políticas globalistas e hegemónicas, mas agora de forma mais aberta, mais brutal e mais direta.
Este momento da transformação de Trump—da posição MAGA [movimentação nacionalista Make American great again], que de facto tornara possível a reunião de Anchorage [entre russos e americanos na Gronelândia], para um ditado hegemónico radical, especialmente quando parece estar produzindo resultados bastante rapidamente em outras operações—é talvez algo que não registáramos plenamente a tempo. [Mea culpa, de Dugin, pois ele foi iludido pelas promessas e basófias de] Trump mudou. Ele acabou revelando-se um canal para uma vontade que não é a dele. Ele abandonou completamente o seu eleitorado principal. Tornou-se efectivamente um refém das mesmas forças que lançaram a guerra contra nós na Ucrânia.
Nesta situação, na minha opinião, o ataque ao Irão põe um fim definitivo à ideia de que Trump ainda poderia ser visto como um portador da ideologia MAGA [Make America Great Again]— a ideia de que os Estados Unidos se concentrariam nos seus próprios problemas internos, parariam de interferir nos assuntos internacionais e lidariam com seus próprios enormes fracassos na política, na economia e na cultura, o que na verdade era o programa original de Trump. Nada disso vai acontecer. Trump continuará a seguir as políticas dos neoconservadores. Para nós, este é um momento extremamente importante.
Ele está a atacar os nossos aliados. Na verdade, se o Irão cair—ou melhor, se o Irão cair e quando o Irão cair—encontrar-nos-emos enfrentando forças muito mais fortes do que aquelas que já confrontamos hoje. Trump, como um touro carregando em direção ao seu alvo, intoxicado pelo sangue e convencido de que tudo está a funcionar a seu favor e que tudo vem facilmente, pode interpretar nossa racionalidade e contenção,  nossa consistência e a nossa adesão aos princípios simplesmente como fraqueza. E então ele não terá outros termos ou conceitos com os quais interpretar nossa política.
Anfitrião: Como devemos agir agora?
Alexander Dugin: Acho que devemos agir de forma muito decisiva—mas essa decisão pertence ao presidente. Você sabe, há muitos conselheiros agora, e todos nós [ou, talvez muitos pois ainda há muitos cautelosos] —de motoristas de táxi a especialistas, tanto militares como civis—estamos a dizer a ele a uma só voz que é necessário um ataque. Em primeiro lugar, está claro que o direito internacional não existe mais; podemos fazer o que quisermos, porque a vitória justificará tudo. Sem dúvida, a liderança militar-política da Ucrânia deve ser eliminada. Isso é absolutamente certo. Eles fizeram isso com nosso aliado, e pelas regras do grande jogo somos simplesmente obrigados a fazer o mesmo com o proxy [ou instrumento] deles, com aquelas estruturas que estão a travar a guerra contra nós.
Acredito que é extremamente importante usar tipos de armas muito sérias—armas tão poderosas que não podem ser ignoradas ou negligenciadas. Também não excluo que possa ser necessário colocar certos países na linha—países que estão a apoiar a guerra na Ucrânia enquanto se sentem completamente imunes às consequências e interpretam a nossa polidez e consistência como fraqueza. A Rússia não pode mais  dar-se ao luxo de parecer fraca. Não somos fracos, mas é assim que parecemos. Eles  veem-nos como fracos, indecisos, hesitantes, inseguros de nós mesmos, sem potência suficiente. A agressão de qualquer poder hegemónico pode ser resistida se houver vontade e força—e uma potência nuclear certamente é capaz disso. A Grande Rússia é capaz disso. Mas eles acreditam que nos falta vontade.
Isso, eu acho, é um erro: nós temos a vontade; simplesmente temos escondido cuidadosamente, embalando-a de forma organizada dentro do processo de negociação. Agora essa abordagem está a começar a trabalhar estritamente contra nós, e muito rapidamente. Mas todos estão a aconselhar o presidente nessa direção—essa é a minha impressão, embora talvez alguns pensem de forma diferente. [Putin e as mentes mais elevadas do Kremlin certamente agirão da melhor maneira para o máximo de pessoas, da Rússia e da Humanidade. Paciência, recomenda-se...]
Um consenso agora formou-se de que a Rússia deve reconsiderar fundamentalmente a sua estratégia para conduzir a guerra contra a Ucrânia. Precisamos tomar ações decisivas e incondicionais que não possam ser interpretadas de outra forma. Em outras palavras—um ataque, e a rua Bankova [em Kiev] desaparece, a liderança desaparece, Zelensky desaparece, ninguém sobra, e fica incerto com quem as negociações devem continuar. Podemos então propor que eles mesmos nomeiem pessoas com quem estaríamos preparados para dialogar. Isso simplesmente se sugere. [Um pouco forçado...]
Apresentador: Alexander Gelyevich [Dugin], por outro lado, pode acontecer que, após a eliminação de sua liderança, eles escolham novos líderes, talvez até mais radicais—como essencialmente aconteceu no Irão, onde a liderança foi substituída quase instantaneamente [mas não por radicais, mas por sábios corajosos e resistentes].
E aqui a sua visão do cenário iraniano é interessante: e se tomarmos medidas severas em seu apoio? Suponha que a Rússia, juntamente com a China, envia  sua frota para o Golfo Pérsico. O que acha que aconteceria?
Alexandre Dugin: Seríamos respeitados. E seríamos temidos. Isso é o que aconteceria, se falássemos honestamente. É só isso. [Quem sabe o que aconteceria?]
Anfitrião: Isso não levaria a um confronto direto?
Alexandre Dugin: A confrontação direta já está em andamento. Eles simplesmente acreditam que nos controlam e dirigem, enquanto nós ainda pensamos que estamos conduzindo negociações em parceria [com eles]. Há uma divergência fundamental de perspectivas—uma diferença na forma como lemos o próprio tecido do que está acontecendo. No entanto, não aconselho o nosso presidente a fazer nada; ele entende tudo perfeitamente bem.
Quanto à preocupação de que a eliminação da liderança em Kiev traria forças ainda mais radicais ao poder: já não há mais radicais lá. Podem trazer figuras semelhantes. Mas se eles também não nos servirem, devemos fazer o mesmo com eles, e com os próximos, e com os próximos—removendo-os camada por camada. Especialmente porque a Ucrânia não é o Irão. Se realmente entrarmos nesta confrontação agora, não só teremos uma possibilidade de vitória, mas também a oportunidade de travar a escalada e prevenir a Terceira Guerra Mundial. Trump está a demonstrar que a política da força começou, e a força não reconhece palavras. Só se detém quando encontra um poder que se contrapõem. Esse poder deve ser demonstrado. Nós falamos constantemente sobre o nosso potencial nuclear e sobre o [super-míssil] "Oreshnik", mas chegou a hora de não apenas falar, mas mostrar essa força. É isso que se espera de nós. Só então Trump entenderá que os russos estão realmente furiosos e que ele foi longe demais.
O que é necessário agora é um ataque maciço que não possa ser ignorado ou descartado como fanfarronice ou como ataques a alvos secundários. Onde e como isso ocorrerá não nos cabe decidir, mas o curso da história e o ânimo de nossos soldados na linha de frente—que têm sido algo desmoralizados com as negociações de paz—reclamam capacidade de decisão. Quando todos os dias  é transmitida a mensagem de que "tudo vai acabar em breve", isso  torna psicologicamente  impossível a luta; surge uma falsa sensação de que basta esperar um pouco mais. Devemos reconhecer honestamente que a guerra não terminará até que alcancemos todos os objetivos da operação militar especial. Devemos fortalecer a nossa vontade e fazer o que há muito tempo é necessário. Antes era possível adiá-lo, mas agora já não há mais como esperar.
É importante entender que as palavras têm um significado enorme. Olhe para o nome da operação "Fúria Épica"—até mesmo os americanos que se opuseram ao ataque ao Irão se sentem inspirados por esse slogan. "Meu país está furioso, e eu vou defendê-lo"—isso funciona. Enquanto isso, temos o termo burocrático "SMO" [Operação Militar Especial], que não pode inspirar ninguém; não carrega nenhum significado mais profundo. "Fúria Épica," "Escudo de Judá" para os israelitas, "Fim do Dilúvio" para o mundo xiita—esses são poderosos códigos de significado. Acredito que devemos renomear a operação militar especial como "A Espada do Katechon": somos os restrigindores [ordenadores, controladores, catequizadores]; esta é a nossa missão, o nosso papel russo, a nossa identidade ortodoxa. Os muçulmanos também nos apoiarão nisso, porque entendem perfeitamente a unidade da luta. Devemos mobilizar a sociedade, dar um novo impulso à guerra, renomeá-la. No início, havia os símbolos "Z", "V", "O"—isso era uma abordagem de relações públicas sem profundidade. Agora devemos enfatizar pelo que estamos a lutar, sem ocultar a magnitude da vitória. Devemos ser honestos com aqueles que dão as suas vidas pela Pátria, pelo estado, pela autoridade e pelo povo. Estamos a lutar por algo compartilhado, e as pessoas devem sentir esse significado.
Hoje, forças  enormes estão em movimento—militares, políticas, religiosas. Não somos observadores ou árbitros aqui; somos participantes de uma Grande Guerra. Talvez a última. Não há necessidade de apressar-nos a especular acerca da vinda do fim—os cristãos ortodoxos sabem que ninguém sabe; até Cristo disse que só o Pai sabe. Mas sabemos que haverá um fim, porque Deus criou este mundo e Deus o julgará. [Grandes questões: criou, fundou, originou, emanou e numa pluridimensionalidade de planos e entidades?] Isso faz parte da nossa fé e das nossas tradições—uma parte essencial. Portanto, não há razão para pânico.
Vivemos nos últimos tempos—olhe para o Ocidente, a lista de Epstein. Que detalhes estamos a aprender sobre as elites que governam o Ocidente: esta é verdadeiramente uma civilização de Baal. É um culto a Satanás—um culto. O que as elites fazem? Eles corrompem menores, comem pessoas, caçam afro-americanos. Os arquivos de Epstein contêm indicações diretas: eles estupram crianças, organizam orgias. E isso está do outro lado. Essa é a civilização contra a qual estamos lutando. Não é coincidência que no Irão uma estátua de Baal foi queimada na véspera dessa invasão, e em resposta mísseis começaram a voar. Na consciência do mundo islâmico, essas coisas estão interligadas: a lista de Epstein, Baal—e os que queimam os seus ídolos. A guerra está a adquirir um profundo carácter religioso. Os dispensacionistas americanos, interpretando a Bíblia de Scofield [versão protestante impressa em 1909], estão convencidos de que, no momento do confronto entre o Irão e Israel, a Rússia inevitavelmente entrará na guerra ao lado do Irão. Para eles, "hoje o Irão, amanhã a Rússia" já é um facto consumado. Em suas mentes, já estamos lá.
É importante entender a psicologia do inimigo: ela não coincide com os factos ou com as nossas percepções racionais. Combinada com a energia furiosa de Trump e a exaltação escatológica da liderança israelita—que acredita que é agora ou nunca, que o Messias deve vir agora e que o "Grande Israel" deve ser criado agora—essa realidade não nos deixa a possibilidade de nos preocuparmos com assuntos ordinários. A história, a geografia, a religião e a política nos privam-nos da possibilidade de sermos observadores externos. Estamos bem no centro dos acontecimentos, e temos o nosso próprio papel.

Os dispensacionistas, ou pseudo-evangélicos sionizados, energizando o Presidente já em ampla decomposição. Em vermelho, a frenética Paula White, a conselheira em assuntos religiosos de Trump. Pode vê-la em  performance de magia política religiosa no Youtube.
Apresentador: Como mudaria o alinhamento geopolítico se a Europa realmente decidisse participar directamente nos bombardeamentos? Por exemplo, relatórios de uma estação de rádio israelita indicam que a Alemanha está a discutir com os Estados Unidos a possibilidade de sua participação directa na operação. Em outras palavras, eles podem começar a realizar os seus próprios ataques em vez de se limitarem a fornecer armas. Como a situação mudaria nesse caso?
Alexander Dugin: É exatamente para lá que as coisas se encaminham. Os problemas entre Trump e a União Europeia agora foram ou resolvidos ou deixados de lado, porque, em essência, Trump mudou para uma política totalmente alinhada com os interesses dos globalistas e neoconservadores. Anteriormente, o conflito de Trump com a Europa era impulsionado pelo movimento MAGA, por sua rejeição ao globalismo e ao "estado profundo". Mas se Trump está agora a aproximar-se dessas estruturas, e então os desentendimentos com a Europa naturalmente ficam em segundo plano. O Ocidente deve ser visto como um todo único—o Ocidente colectivo. Na prática, voltamos à situação que existia antes de Trump. Esse momento histórico em que outras ideias e outros planos para os Estados Unidos foram proclamados, infelizmente, passou. Agora lidamos menos com o próprio Trump e mais com o mesmo "deep state" [estado profundo e oculto que controla a política]" que estava por trás de Nuland, Blinken ou Kamala Harris—essencialmente as mesmas forças.
Assim, todas [ou algumas] contradições entre os Estados Unidos e a União Europeia foram niveladas diante do confronto radical com forças que são opositoras ideológicas e geopolíticas do Ocidente colectivo—acima de tudo, os apoiantes de um mundo multipolar, entre os quais estamos nós mesmos e a China.
Quanto à sua pergunta sobre nossa participação dirceta: deixe o presidente decidir. Pessoalmente, acredito que a participação é necessária. Quanto mais ativamente, audaciosamente e decisivamente nos comportarmos em todos os aspectos, melhor. Caso contrário, qualquer outra ação será interpretada por eles como fraqueza, e fraqueza é uma provocação direta—um convite para fazer connosco o que fizeram com a liderança iraniana. Afinal, o nosso presidente encontrou-se com Rahbar [o guia] Khamenei, e antes disso com o presidente Raisi e outros líderes políticos, assim como se encontrou com Maduro.
 Anfitrião: Desenvolvendo mais este tema: devemos agir sozinhos, ou dentro de uma coligação com a China? Qual deve ser a nossa estratégia?
Alexander Dugin: Claro que seria melhor agir em coligação com a China. Mas a China vai esperar. Veja: se, Deus me livre, o Irão cair, um confronto direto connosco inevitavelmente se seguirá, e depois disso—com a China, porque esse é o alvo final deles. Quem pensa que pode esperar ao lado até isso passar—seja nós, a China ou o próprio Irão, que não entrou na guerra após a operação terrestre das IDF [as forças armadas israelitas] contra Gaza começar (Hezbollah ficou esperando e esperando até serem todos destruídos)—está a cometer um erro. Quanto mais esperarmos, mais tarde entraremos numa confrontação total com o Ocidente coletivo, maior será a hipótese de sermos derrotados um por um. 
Fomos enganados novamente—Lavrov falou sobre isso: Israel passou a informação de que pretendia atacar o Irão. Mais uma vez eles levaram-nos pelo nariz [como bovídeos]: "Fiquem de fora por ora, não entrem no conflito sob qualquer circunstância" e no fim não haverá ninguém que nos possa apoiar. Portanto, estou convencido de que devemos responder da forma mais dura possível, em todos os frentes. Não é necessário entrar imediatamente neste conflito específico, mas devemos lidar com nossos inimigos diretos—o regime nazista em Kiev—com a máxima decisão. Não há dúvidas sobre tal. E devemos fazer isto de tal maneira que ninguém tenha ilusões: se os russos quiserem—eles podem. E se não conseguirmos, então estaremos em uma situação muito má.
A nossa resposta deve ser simétrica e o mais dura possível. Idealmente numa coligação. Mas se não for em coligação, então sozinhos. Se agirmos agora, não estaremos sozinhos. Se aguardarmos, permaneceremos sozinhos. Ou a China,  se aguardar, ficará sozinha. Devemos parar o mal, parar a civilização de Baal. Essa é a nossa missão sagrada.»

sexta-feira, 13 de março de 2026

Alexander Dugin, "Today Iran, Tomorrow Russia". Stop the civilization of Baal. In Geopolitika.ru

                                                        
We share an  important reflexion of Alexander Dugin, the valuable philosopher and geo-estrategist - father of the martyr Daria Dugina -, under the title of  Today Iran, Tomorrow Russia, in which he speaks on Iran, the Katechon, and the war that could transform, destroy or reshape the world. 
Conversation with Alexander Dugin on the Sputnik TV program Escalation. [I add the photos, less the first one, underlined the most important ideas, and add some little comentaries within [...]. Good lectures, and fruits].
«Host: Dear friends, today we are addressing a large and serious topic. Everyone is talking about it right now, and understandably so, because a historic event is unfolding. Let me remind our listeners: on February 28, 2026, a joint operation was launched by the armed forces of the United States of America and Israel. Strikes were carried out against Iran, as a result of which Iran’s Supreme Leader, Ayatollah Ali Khamenei, was killed. In addition, many other high-ranking figures were eliminated in the attack. Iran has begun responding with strikes against both Israel and American bases, and as we speak, military clashes are taking place. There are many questions about what the consequences will be, who will suffer most from these developments, and whether Iran will be able to withstand the pressure. But the first thing one wants to understand is: where is all of this leading?
Alexander Dugin: This is indeed an extremely important event. It is entirely possible that it could become the beginning of the Third World War, because forces of enormous scale are now involved. The actions of the Americans—Trump together with Netanyahu—directed against the political leadership of Iran were extraordinarily abrupt.
This is already the second such case. First, the United States abducted Maduro, establishing direct control over Venezuela and effectively occupying that country. Now they have destroyed the entire military-political and religious leadership of Iran. In significance, this is comparable to destroying the Pope or an Orthodox Patriarch, because the spiritual leader of the Shiites—the Rahbar, Ayatollah Khamenei—was revered not only in Iran. He was effectively the head of the entire Shiite world, which includes hundreds of millions of people across the globe. Before this, Israel eliminated the leadership of Hamas—a more limited case—and then the leadership of Hezbollah, which was already more serious.
Now the leadership of Iran has been directly and openly destroyed. This means that there are no longer any international norms, no rules, and the United Nations effectively no longer exists. That organization now belongs to the past, like a phantom limb from a vanished world. Trump himself essentially said as much: there is no international law; whatever he does is moral. This changes everything. The previous world order has collapsed. We had been gradually moving in this direction, but now the point of no return has been crossed. If a country can destroy the military-political and religious leadership of a sovereign state without any grounds whatsoever, then we are living in a completely different world—a world where everything is permitted, where law is replaced by force, where the principle operates: “If I can do it, I will.”
Trump’s behavior is particularly striking. All of this happened during negotiations involving Kushner and Witkoff, and according to available information Iran had agreed to almost all American demands—literally to almost everything. Despite this, such a strike followed directly against the leadership of the country. First of all, we must understand that in this situation we are next. Venezuela, Iran, and before that Syria and Hezbollah—these are all regimes or political systems currently targeted by the United States, and they are our allies.
In effect, if such actions can be taken against our allies, if all of this goes unpunished, if Trump succeeds in everything he attempts, then at the next stage—perhaps even during negotiations between Kirill Dmitriev and Kushner and Witkoff—a similar operation aimed at regime change in our country could occur.
And what protects us from such a scenario? Nuclear weapons? Even here the question remains whether we would actually use them. In an extreme situation, the West has serious doubts that we would be prepared to take that step—we issue threats too often and fail to follow through. At the same time, efforts are underway to surround and isolate our president. Our president, beyond any doubt, is the figure upon whom everything rests. In our country, and perhaps even in the world, everything depends on him. He is the one who restrains—the Katechon [the entity or force restritive or ordering, according to 2 Thessalonians 2:6-7, and Karl Schmidt theories] as our Orthodox tradition describes it. Today this is simply a fact of geopolitics, a fact of the global order.
But if the Americans—Trump himself—become convinced that other Russian leaders who might, God forbid, replace our president would be more accommodating towards the West—and this was precisely the calculation in Iran, when the sovereign leaders of that country were physically eliminated because they pursued policies that did not align with American interests—then what would prevent them from attempting to implement the same scenario here?
Trump is conducting a completely consistent neoconservative geopolitical strategy of attack. The states that were targeted by globalists under Biden, under Obama, and under Clinton are exactly the same states being targeted now. Nothing fundamentally new has appeared. Despite the scandals and disputes with European NATO allies, in the end those allies align themselves behind the United States and adopt the same position. For us, therefore, this is extremely serious. It is the final warning.
Host: Let me return to the question of the Third World War. I remember that last year we discussed the situation around Iran—there was the so-called “twelve-day war”—and at that time we also said it might lead to a global crisis. Yet that did not happen. Could it be that this time as well everything will last perhaps twelve or thirteen days and then come to an end? Or are we now dealing with a completely different scale of events?
Alexander Dugin: Theoretically, no one knows whether this will become the Third World War or not. The problem is that when we say too often—and I have experienced this personally—“this is the Third World War,” or “that is the Third World War,” and then it turns out not to be the case, and later again we say, “now the Third World War has begun,” an opposite feeling eventually arises: the impression that a Third World War simply cannot begin at all, that it will never begin, that everything is under control. And this is precisely where the danger lies. When you say it too early once, say it too early twice, then when it actually begins you may even become afraid to say openly what is unfolding before your own eyes.
Therefore we must be cautious in assessing what is happening. What we are seeing resembles the beginning of the Third World War, but it may not turn out to be one; perhaps this crisis will pass. You formulated the question correctly. At this moment almost everything depends—and indeed even our own fate, if you like—on how long Iran can resist. Because if the American-Israeli coalition manages to suppress Iranian resistance quickly during the operation the Americans call “Epic Fury”… although many people now add the phrase “Epstein’s Epic Fury.” In fact, it is quite obvious that Trump launched this operation partly to divert attention from the Epstein files, where he undoubtedly appears in an extremely compromising light. Many observers believe Israeli pressure and blackmail also play a role in this situation.
The Israelis themselves are operating along an entirely different ideological line. Here we are dealing with an eschatological project: the construction of a “Greater Israel,” the expectation of the last days, and the coming of the Messiah. This is a very serious motivation within the war that Israel calls “The Shield of Judah.” And the Iranians—the Iranians have now entered what they see as the final battle. It was already clear during the previous stage, during the twelve-day war, that it was not a fully developed war; it resembled preparation. Iran did not fully engage at that time. Perhaps even now Iran would not have fully entered the conflict if the Americans themselves had not taken such radical steps. Now Iran has no choice but to fight to the very end: to attack every possible target, to close the Strait of Hormuz to American or Western vessels and to ships belonging to countries that have acted against it, to strike military bases and any other targets it can reach, to ignite Shiite uprisings across the Middle East and wherever else influence can reach, and to wage this struggle—the final battle—all the way to the end. 
The twelve Imam of Shia tradition, beginning with Ali, married with Fatimah.
Iran had previously been willing to avoid such a confrontation, but that possibility has now been taken away. The Iranians have named their operation—and this is important to note—they have named it “The End of the Flood.” Recall that the Hamas operation from which everything began—the events in Gaza, the genocide in Gaza, and before that the Hamas attack on Israel—was called “The Flood,” or “Al-Aqsa Flood.” Al-Aqsa is the second most sacred site in the Muslim world. It is the mosque located in Jerusalem on the Temple Mount. The Palestinians launched their uprising in order to defend this sacred site. Why did they believe it needed defending? Because Netanyahu and his closest associates—Ben-Gvir and Smotrich—have openly discussed plans to demolish the Al-Aqsa Mosque in order to clear space for the construction of the Third Temple, an event that would mark the beginning of the messianic era. In fact, all preparations for the project of “Greater Israel” ultimately point towards this goal. The Palestinian movement Hamas therefore sought to defend the Al-Aqsa Mosque, which Ben-Gvir has personally and repeatedly promised to blow up and level to the ground. What followed instead was the devastation and destruction of Gaza.
Now the Iranian operation called “The End of the Flood” represents what they see as the final battle. In Iranian Shiite philosophy—and in Islamic eschatology more broadly—the end of times will bring a final confrontation between the forces of Islam, led by the Mahdi (the Hidden Imam whom Shiites believe will return), and the Dajjal, the figure often described as the Islamic Antichrist. The battle between the Mahdi and the Dajjal is understood as the central drama of the end times. According to these traditions, it will take place in Syria and the Holy Land. In Islamic theological interpretations, both Shiite and Sunni scholars commonly identify the forces associated with the Dajjal with the United States—seen as the “Great Satan”—and Israel. For that reason the stakes are perceived as absolute.
However, speaking in more strategic and analytical terms, the central question remains how long Iran will be able to resist. With every day that Iran continues to resist and defend its sovereignty, the strategic situation may begin to change. Trump clearly expected a very short war. He assumed that after the destruction of Iran’s military-religious and military-political leadership, the situation inside Iran would collapse quickly. In other words, he was counting on a “fifth column.”
                                                 
Host: Let us turn to the question of the possibility of maintaining stability in Iran. After events like these—the destruction of the supreme leader and a significant part of the elite—has it been possible to quickly restore the hierarchy and appoint new leaders, or is there a risk that the system could “break,” that at some point there could be a sharp reversal, for example if missiles suddenly end up aimed at Tehran
Alexander Dugin: You know, history is open-ended. We do not fully know what is happening in Iran right now: the internet has been completely shut down there. According to my sources, there are currently no protests whatsoever against the regime. Even those who were previously opposed to the regime of Velayat-e Faqih—after the brutal killing of about two hundred innocent schoolgirls by an Israeli missile—the opinion of the Iranian opposition has become radically directed against the United States and against Israel. Accordingly, there are absolutely no grounds, in my view, to expect that power will simply be handed to Trump.
In other words, Iran is probably more united now than at any time after the death of its entire leadership and after this brutal strike on the school. This has changed the consciousness of many people. The Iranian people are very proud and very strong, and perhaps some people did not like the regime of Velayat-e Faqih—although this too was exaggerated in the West by Israeli services—but nevertheless now everyone will rally around Iran under the national idea. Moreover, I think the current leaders will understand the need to move somewhat towards the secular circles of Iranian society, among whom there are practically no liberals. There are Iranian nationalists there who are not quite as strictly religious as the political regime, but they are still nationalists, they are patriots of Iran. If their energy and their will are directed towards resisting Zionist-American aggression, then resistance may last quite a long time, because even Gaza resisted for a long time, and Iran is not Gaza—it is an enormous country. [The resistance will be for ever, we should say...]
Shiites constitute a significant part of the population of the Middle East. The elites of these pro-American, pro-Arab regimes are thoroughly corrupt; it is simply an extension of “Epstein Island”: all these Qatars, Dubais, and Bahrains. In Bahrain, for example, the population itself is largely Shiite. I think that Shiite uprisings and revolutions could now erupt everywhere. In principle, if Iran holds out, it is completely unknown who will emerge victorious in this war. Especially since we see that the Afghan–Pakistani conflict is escalating. And it is still unclear who—Pakistan or Afghanistan—might come out in support of Tehran. Israel, by the way, does not like either of them, neither Pakistanis nor Afghans. As a result, all of this could ultimately end in catastrophe for Trump, for the United States, and for Israel. The vast Muslim world could simply wipe it from the face of the earth. The “Iron Dome” has already been penetrated, Tel Aviv is in flames, and some of the images already resemble Gaza. People are fleeing from there, and many are saying that this is how it will end: Iran will certainly win.
For now it is still unclear. But Iran did not surrender on the first day; it did not surrender after this most terrible strike—precisely what Trump had been counting on. Now Trump is speaking about several weeks, perhaps a month. Legally speaking, he has the possibility to conduct a war for roughly three months without congressional approval, and Congress might also support him. But if this war becomes prolonged, if Iran resists desperately [no, with lucidity, equipoise and power] and has sufficient strength, internal energy, potential, and power, then the outcome of this battle is far from predetermined. Especially because, if you look closely, the wager on the operation “Shield of Judah” may be the weakest and most vulnerable point for the American–Israeli coalition. What kind of shield is this, when they attacked and killed the leadership of a country that, in fact, was not even at war with them? This is an attack—it is the attack of Judas, a treacherous attack carried out during negotiations. There is a great deal of Judas here, but very little shield. If events continue in a certain way, the changes in the world could in fact be extremely radical.
Therefore the question now is perhaps not so much who will win. The first days have been endured, the first blow has been survived—at least by the Iranians. Their political leadership, which has now stepped forward to replace Rahbar Khamenei and his family—who were also killed, incidentally… A monstrous thing: a granddaughter, a little girl, fourteen months old—just one year and two months. Children, grandchildren… everyone.
As usual, we saw this in Gaza: the cruelty of American–Israeli aggression and hegemony is so monstrous, their lies and treachery so immense, that humanity should in fact have recoiled in horror at what we are dealing with. But it did not recoil, because instead people will be told other stories; they will say that Iran itself is to blame, that it killed itself. As for lies coming from the American regime, from the West in general, from the Zionists—we are already accustomed to that; we have heard it all before. Therefore Iran cannot count on the indignation of world public opinion. Iran can rely only on itself and on those forces that might support it.
If Iran now regroups and manages to conduct this war for a sufficiently long time, at any cost, then of course Israel will attempt to turn Iran into Gaza. In fact, it has already begun doing so. But Iran is still a very large country. Moreover, Iranian missiles are reaching Israeli territory and striking important strategic targets. After some time of this kind of bombardment and missile exchange, I think Israel will begin to feel somewhat uncomfortable.
And accordingly the Americans will feel it, and the Europeans will feel it as well. To sink those battleships now—we know this ourselves, because we suffered heavy losses in the Black Sea during the war with the Kiev Nazi regime: sinking a warship today is incredibly easy. With modern drones—underwater and surface—it is a very simple technological task to send this much-praised fleet to the bottom. We are already living in a completely different technological age of warfare. All that carrier power is, in reality, something inflated; it is simply pretty pictures.
Helicopters—given the speed at which they flew into Venezuela—could survive perhaps thirty seconds if they faced normal people with rifles, or proper drones, or the kinds of weapons our ordinary units have along the front line in Ukraine. Under such conditions a helicopter would not last long—thirty seconds. In reality they still do not know what war is. Neither the Americans nor the Israelis know. Now they will find out.
If Iran holds out, anything is possible. I am not saying they are destined to win. I am not saying that victory is guaranteed for anyone. But if victory is not guaranteed, and if it is not quick in the case of Trump and Israel, that alone would already represent a colossal victory for all supporters of a multipolar world. In fact, this war is directed against us as well. We must understand that we are next. Iran right now is what? A shield. The shield of the Katechon. That is what Iran is. In a sense, they have taken upon themselves a blow that was ultimately intended for all of us. If they hold out, it will be an enormous success, including for us.
 Host: Let us talk about cooperation—particularly from the Russian side. Moscow is issuing statements right now: Dmitry Peskov says that Moscow is in constant contact with the leadership of Iran. Russia remains committed to a political and diplomatic settlement even after the U.S. attack on Iran. Vladimir Putin today held international telephone conversations connected with the situation around Iran. The president will also meet today with the governor of the Amur region, although that is another matter. What do you think: what actions should we take now—should we move towards harsher measures, or should we take a wait-and-see position? But frankly, it is unclear what exactly we would be waiting for.
Alexander Dugin: If we simply adopt a wait-and-see position, that means waiting for Iran to collapse—and then the next strikes will be directed against our own military and political leadership. [Dugin, always strongly a Kshatryia]
Host: In what way?
Alexander Dugin: A war is being waged against us in Ukraine, and it is quite intense. But after Trump came to power—with what initially seemed to be a fairly rational strategy and policy—an impression arose in our country, within our leadership, that Trump might withdraw from this confrontation and that it was therefore necessary to negotiate with him through figures like Witkoff and Kushner, or others, in order to reduce the escalation, at least with America. The thinking was that we are fighting Ukraine, we are confronting the European Union, but Trump might step away from this because he holds a different position. Indeed, he did have a different position up to a certain point. Yet after only a couple of months in the White House as president, he suddenly changed course and became an even more radical neoconservative, pursuing the same globalist and hegemonic policies but now more openly, more brutally, and more bluntly.
This moment of Trump’s transformation—from the MAGA position, which in fact made the Anchorage meeting possible, to a radical hegemonic dictate, especially when it appears to be producing results quite quickly in other operations—is perhaps something we did not fully register in time. [Mea culpa, of Dugin as he was deluded by Trump promises and bluffs] Trump changed. He turned out to be a conduit for a will that is not his own. He has completely abandoned his core electorate. He has effectively become a hostage of the very same forces that launched the war against us in Ukraine.
In this situation, in my view, the attack on Iran puts a final end to the idea that Trump could still be seen as a bearer of the MAGA ideology—the idea that the United States would focus on its own domestic problems, stop interfering in international affairs, and deal with its own enormous failures in politics, the economy, and culture, which was in fact Trump’s original program. None of that will happen. Trump will continue to pursue the policies of the neoconservatives. For us this is an extremely important moment.
He is attacking our allies. In fact, if Iran falls—or rather, if Iran does fall and when Iran falls—we will find ourselves facing forces far stronger than those we already confront today. Trump, like a bull charging towards its target, intoxicated by blood and convinced that everything is working for him and that everything comes easily, may interpret our rationality and restraint, our consistency and our adherence to principles simply as weakness. And then he will have no other terms or concepts with which to interpret our policy. 
 Host: How, then, should we act right now?
Alexander Dugin: I think we must act very decisively—but that decision belongs to the president. You know, there are many advisers now, and all of us [or, may be, many are still cautious] —from taxi drivers to experts, both military and civilian—are telling him with one voice that a strike is necessary. First of all, it is clear that international law no longer exists; we can do whatever we want, because victory will justify it all. Undoubtedly, the military-political leadership of Ukraine must be eliminated. That is absolutely certain. They did this to our ally, and by the rules of the great game we are simply obliged to do the same to their proxy, to those structures that are waging war against us.
I believe it is extremely important to use very serious types of weapons—ones so powerful that they cannot be ignored or overlooked. I also do not rule out that it may be necessary to bring certain countries into line—countries that are supporting the war in Ukraine while feeling completely immune from consequences and interpreting our politeness and consistency as weakness. Russia can no longer afford to appear weak. We are not weak, but that is how we appear. They see us as weak, indecisive, hesitant, uncertain of ourselves, lacking sufficient potential. The aggression of any hegemon can be resisted if there is will and strength—and a nuclear power is certainly capable of that. Great Russia is capable of it. But they believe we lack the will.
That, I think, is a mistake: we do have the will; we have simply been carefully concealing it, packaging it neatly within the negotiation process. Now that approach is beginning to work strictly against us, and very quickly. But everyone is advising the president in this direction—that is my impression, although perhaps some think differently. [Putin and the Kremlin higher minds will surely act on the best ways for the maximum people, of Russia and Mankind. Patience]
A consensus has now formed that Russia must fundamentally reconsider its strategy for conducting the war against Ukraine. We need to take decisive and unconditional actions that cannot be interpreted in any other way. In other words—a strike, and Bankova Street is gone, the leadership is gone, Zelensky is gone, no one is left, and it becomes unclear with whom negotiations should continue. We can then propose that they themselves appoint people with whom we would be prepared to conduct dialogue. This simply suggests itself. [A bit forced...]
Host: Alexander Gelyevich, on the other hand, it could happen that after their leadership is eliminated they will choose new leaders, perhaps even more radical ones—as essentially happened in Iran, where the leadership was replaced almost instantly.
And here your view of the Iranian scenario is interesting: what if we take harsh measures in its support? Suppose Russia, together with China, sends its fleet to the Persian Gulf. What do you think that would lead to?
Alexander Dugin: We would be respected. And we would be feared. That is what would happen, if we speak honestly. That is all. [ Who knows what would happen?]
Host: Would that not lead to direct confrontation?
Alexander Dugin: Direct confrontation is already underway. They simply believe that they control and direct us, while we still think we are conducting partner negotiations. There is a fundamental divergence in perspectives—a difference in how we read the very fabric of what is happening. However, I do not advise our president to do anything; he understands everything perfectly well himself.
As for the concern that eliminating the leadership in Kiev would bring even more radical forces to power: there are no more radical ones left there. They may bring in similar figures. But if they also do not suit us, we must do the same to them, and to the next ones, and the next ones—removing them layer by layer. Especially since Ukraine is not Iran. If we truly enter this confrontation now, we will gain not only a chance for victory but also the opportunity to stop escalation and prevent the Third World War. Trump is demonstrating that the politics of force has begun, and force does not recognize words. It stops only where it encounters countervailing power. That power must be demonstrated. We constantly speak about our nuclear potential and about the “Oreshnik,” but the time has come not merely to speak but to show this strength. This is what is expected from us. Only then will Trump understand that the Russians are truly angry and that he has gone too far.
What is needed now is a massive strike that cannot be ignored or dismissed as boasting or as attacks on secondary targets. Where and how this will occur is not for us to decide, but the course of history and the mood of our soldiers at the front—who have been somewhat demoralized by peace negotiations—demand decisiveness. When every day the message is broadcast that “everything will end soon,” it becomes psychologically impossible to fight; a false feeling arises that it is enough simply to wait a little longer. We must honestly acknowledge that the war will not end until we achieve all the goals of the special military operation. We must steel our will and do what has long been necessary. Earlier it was possible to postpone it, but now there is nowhere left to wait.
It is important to understand that words carry enormous significance. Look at the name of the operation “Epic Fury”—even Americans who opposed the attack on Iran are inspired by that slogan. “My country is furious, and I will stand for it”—that works. Meanwhile we have the bureaucratic term “SMO,” which cannot inspire anyone; it carries no deeper meaning. “Epic Fury,” “Shield of Judah” for the Israelis, “End of the Flood” for the Shiite world—these are powerful codes of meaning. I believe we must rename the special military operation “The Sword of the Katechon”: we are the restrainers; this is our mission, our Russian role, our Orthodox identity. Muslims will support us in this as well, because they understand the unity of the struggle perfectly well. We must mobilize society, give the war renewed momentum, rename it. At the beginning there were the symbols “Z,” “V,” “O”—that was a public-relations approach without depth. Now we must emphasize what we are fighting for, without concealing the scale of the victory. We must be honest with those who give their lives for the Fatherland, for the state, for authority, and for the people. We are fighting for something shared, and people must feel that meaning.
Today enormous forces are in motion—military, political, religious. We are not observers or arbiters here; we are participants in a Great War. Perhaps the last one. There is no need to rush ahead speculating about when the end will come—Orthodox Christians know that no one knows it; even Christ said that only the Father knows. But we know that there will be an end, because God created this world and God will judge it. This is part of our faith and our traditions—an essential part. Therefore there is no reason for panic.
We live in the last times—look at the West, at the Epstein list. What details we are learning about the elites that govern the West: this is truly a civilization of Baal. It is a cult of Satan—a cult. What do the elites do? They corrupt minors, eat people, hunt African Americans. The Epstein files contain direct indications: they rape children, they organize orgies. And that is on the other side. That is the civilization we are fighting. It is no coincidence that in Iran a statue of Baal was burned on the eve of this invasion, and in response missiles began to fly. In the consciousness of the Islamic world these things are connected: the Epstein list, Baal—and those who burn his idols. The war is acquiring a profound religious character. American dispensationalists, interpreting the Scofield Bible, are convinced that at the moment of the clash between Iran and Israel Russia will inevitably enter the war on Iran’s side. For them, “today Iran, tomorrow Russia” is already a settled fact. In their minds we are already there.
It is important to understand the psychology of the enemy: it does not coincide with facts or with our rational perceptions. Combined with Trump’s furious energy and the eschatological exaltation of the Israeli leadership—which believes that it is now or never, that the Messiah must come now and that “Greater Israel” must be created now—this reality leaves us no chance to concern ourselves with ordinary affairs. History, geography, religion, and politics deprive us of the possibility of being outside observers. We stand at the very center of events, and we have our own role.
The dispensationalists, or pseudo-evangelicals zionized, energising the President already in widespread decomposition. In red, the frantic Paula White, the advisor on religious affairs.You can see her in her performance of political religious magic, on Youtube
Host: How would the geopolitical alignment change if Europe truly decided to participate directly in the bombings? For example, reports have come from an Israeli radio station that Germany is discussing with the United States the possibility of its direct participation in the operation. In other words, they may begin carrying out their own attacks rather than limiting themselves to supplying weapons. How would the situation change in that case?
Alexander Dugin: That is exactly where things are heading. The problems between Trump and the European Union have now either been resolved or pushed aside, because in essence Trump has shifted to a policy fully aligned with the interests of the globalists and neoconservatives. Earlier Trump’s conflict with Europe was driven by the MAGA movement, by his rejection of globalism and of the “deep state.” But if Trump is now drawing closer to these structures, then disagreements with Europe naturally move into the background. The West should be viewed as a single whole—the collective West. In effect we have returned to the situation that existed before Trump. That historical moment when other ideas and other plans for the United States were proclaimed has unfortunately passed. Now we are dealing less with Trump himself and more with the same “deep state” that stood behind Nuland, Blinken, or Kamala Harris—essentially the same forces.
Accordingly, all [or some] contradictions between the United States and the European Union have been leveled in the face of radical confrontation with forces that are ideological and geopolitical opponents of the collective West—above all the supporters of a multipolar world, among whom are ourselves and China.
As for your question about our direct participation: let the president decide. Personally, I believe participation is necessary. The more actively, boldly, and decisively we behave in every respect, the better. Otherwise any other action will be interpreted by them as weakness, and weakness is a direct provocation—a call to do to us what they did to the Iranian leadership. After all, our president met with Rahbar [the guide] Khamenei, and before that with President Raisi and other political leaders, just as he met with Maduro.
Host: Developing this theme further: should we act alone, or within a coalition with China? What should our strategy be?
Alexander Dugin: Of course it would be better to act in a coalition with China. But China will wait. Look: if, God forbid, Iran falls, direct confrontation with us will inevitably follow, and after that—China, because that is their ultimate target. Anyone who thinks they can sit this out—whether us, China, or Iran itself, which did not enter the war after the IDF’s ground operation against Gaza began (Hezbollah kept waiting and waiting until they were all destroyed)—is making a mistake. The longer we wait, the later we enter a full confrontation with the collective West, the greater the chance that it will defeat us one by one. [The great question of the preparations...]
We have been deceived again—Lavrov spoke about this: Israel passed along information that it intended to attack Iran. Once again they lead us by the nose: “You stay aside for now, do not enter the conflict under any circumstances,” and in the end there will be no one left who could support us. Therefore I am convinced that we must respond as harshly as possible, on all fronts. It is not necessary to enter this specific conflict immediately, but we must deal with our direct enemies—the Nazi regime in Kiev—with the utmost decisiveness. There is no doubt about that. And we must do it in such a way that no one will have any illusions left: if the Russians want to—they can. And if we cannot, then we will be in a very bad situation.
Our response must be symmetrical and maximally harsh. Ideally in a coalition. But if not in a coalition, then alone. If we act now, we will not be alone. If we wait, we will remain alone. Or China will wait and remain alone. We must stop evil, stop the civilization of Baal. That is our sacred mission.»