terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Do Diário de Tomar, de 1990: meditações e visões da Cruz e dos seus signíficados nas almas místicas.

Do diário de Outubro 1990.
Quarta-feira de manhã. Acordar às sete horas como de costume. E 
meditar.

Surge a imagem que está por detrás do porta-paz que comprei há dois dias em Lisboa: vísivelmente está pintada a Cruz. Invisivelmente estava Jesus vestido de túnica vermelha, comprida, calmo, simples e na mão direita com a palma.
Será a con
traparte que eu intuí dos planos superiores, ou a que eu projectei. Ou será a do artista [que a deixou plasmada no plano psíquico subtil da peça em madeira com a cruz pintada?]

                                                                         
Meditações que me levaram a sentir Jesus apenas como um ser humano que atinge uma forte ligação com o Pai, com a Divindade.  Assim [temos] um só ser, Jesus o Cristo, o purificado [o ungido]. Desafio maior a nós: sem incarnação divina especial, ou filiação único divina, um ser manifesta profundamente a Divindade imanente.
Agora:
a cruz templária, ou de outras ordens sem Jesus representado, é como sinal de: "Se tornares-te, se atingires a Cruz, tornas-te um Cristo, [um ungido]". Talvez não tão perfeito como Jesus, mas houve muitos santos e mestres, [sorores e místicas que conseguiram assumir a sua cruz e serem ungidas pelo espírito, e logo ico-simbolicamente empunharam a palma do martírio, tal como vi hoje com o olho espiritual, com certa originalidade significativa em relação a Jesus.]

Que os objectos, em especial sagrados e já com alguma antiguidade podem estar carregados de emanações não há dúvidas e daí a sua tão apreciada circulação, e com as relíquias e amuletos atingindo o seu expoente máximo protector ou inspirador. Mas também pode ter sido apenas a forma geométrica, e o que está representado ou pintado que despoleta na nossa meditação ou contemplação o acesso (denominado anagógico) aos planos subtis, arquétipos ou espirituais ligados a ele, e que se podem mesmo consubstanciar com hierofanias, sagradas, ou teofanias, divinas, como tantas místicas e místicos conseguiram.

Consigamos merecer a contemplação que a oração e a meditação perseveradas e aprofundadas podem propiciar...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Tomar: no cineteatro o "Não ou a vã gloria de Mandar" de Manuel de Oliveira e depois no castelo Templário e iniciático. Do diário de 1990, com leves acrescentos.

   «Vai haver cinema à noite e iremos ver, Manuel de Oliveira, " Non ou a vã glória de mandar" sobre a história de Portugal, a ambição e imperialismo. O que irá acontecer: sair a meio do filme? Fazer uma crítica no jornal de Tomar? Trabalhar invocações e linhas de forças antigas?
    O filme é razoável. Recupera a história de Portugal no seu cerne, os descobrimentos como enriquecimento cultural da Humanidade. Mas compara apenas as pesquisas cosmonauticas e as do progresso técnico e científico. Não consegue ir às descobertas espirituais.
Do cine-teatro saímos para o Castelo. Subimos o muro numa zona em que é possível, saltamos para dentro e meditámos junto à Charola. Sempre um sítio ígneo. No quarto da meditação no Vale da Figueira devo pôr algumas pedras de lá e outros ícones e começar a trabalhar mais com o Agni Yoga, o Yoga do Fogo, nomeadamente aprofundando os ensinamentos dos seus quatorze livros dados por Helena Roerich.
A cruz templária arredondada expansiva recolheu-se na de Cristo em quadrado e interiorizante. Hoje a cruz, que liga o alto e o baixo, será espirálica, ligando o interior e o exterior revelando os defeitos e manifestando as qualidades pelo Espírito da Verdade: exemplificado no ser humano por Jesus, o Cristo, vivido na harmonia com a Natureza inspirado pelo Espírito santo, e graças ao Poder Divino, universal, o Pai.
Manuel de Oliveira é algo agnóstico, pois vê ainda apenas o enigma da vida e do ser [embora anos mais tarde conversando umas duas horas com ele tenha apreciado a sua forte aspiração à experiência e certeza espiritual, que ainda não possuía), mas tem uma excelente visão estética e algumas cenas são muito bem conseguidas, e devo referir nelas o meu amigo Diogo Dória, notável actor. Mas quanto à sua argumentação ou argumento, o non deixara de o ser em Portugal e passar a não, já não capicua mas atravessado, pegado, empunhado. Non, não, negação, a serpente, força atractiva, palavra, olhar, desejo... Quando conseguiremos controlar e unificar todos estes níveis, por vezes contraditórios, e sermos verdadeiros discípulos-mestres em comunhão com o coração e o mundo espiritual?
Há-de chegar a altura. Pacientemente, não deixarei que a esperança seja vã ou inerte mas trabalharei para que ela frutifique e se exercite no dia a dia.
A Missão de Portugal. A dádiva de se ter uma língua suave e bela de cultura, em grande parte vinda do latim e do galaico-português, pela qual muito se escreveu, poetizou, dialogou, conversou ou convergiu luminosamente, mas o seu sentido maior é a de poder permitir a auto-consciência espiritual e ligação com a hierarquia dos guias, santos, mestres, anjos e Arcanjo de Portugal e finalmente Deus. O Logos, inteligência, ou Sermo, palavra, sacralizante, órfica, mágica, em acção sábia e libertadora, em oração, litanias, mantras, com seus efeitos harmonizadores, invocadores, desvendadores.
Seres mais clarividentes, eis agora e sempre a questão e tarefa. O que implica uma maior sublimação e concentração das energias e capacidades de que normalmente dispomos. As obrigações familiares e profissionais [e agora as redes sociais] são o maior obstáculo a uma intensificação mais forte do trabalho vertical, ainda que as possamos realizar com bastante amor e consciência espiritual. Devemos pois controlá-las, cerceá-las das suas tendências absorventes e sabermos elevar-nos mais vezes ou com mais intensidade à nossa consciência espiritual, ou seja, irmos erguendo a serpente e o graal,o que se faz em geral pelo esforço, a oração, a meditação.
Seja pois a nossa demanda irradiar como o sol radioso, sem nos deixar ensombrar pelas nuvens temporárias, obstáculos, doenças, desilusões, alienações.
Brilhe a estrela do espírito em nós.

Sábado de manhã.
Acordar cedo. E fazê-lo com uma visão no olho espiritual alargada ----~~~~~ de chamas.... Penso que a falha entre os planos espirituais e materiais é menor aqui no campo. A terra e o céu estão mais unidos nas aldeias do que nas cidades. Como se a transição entre o plano subtil e o físico fosse mais harmoniosa e suave e pudéssemos conservar a consciência da descida dos planos espirituais para o físico.
Mas a visão do fogo ao acordar pode ter sido por ter estado de noite dentro do recinto amuralhado da cerca do castelo de Tomar, um local cheio de fogo sagrado invisível, que se manifestou ainda no meu olho espiritual de manhã. O convento e castelo de Tomar é um local de fogo e de iniciação...

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Diário dum retorno ao campo, em Vale da Figueira, Tomar. Páginas de Outubro de 1990.

 Nascer do Sol rosa vermelho. Mas se ontem as nuvens que chegaram do Norte e do Leste prenunciavam degradação do bom tempo, hoje o céu limpo mostra como é difícil prognosticar. Mas, claro, o tipo de nuvem ainda não foi observado com mais atenção e aprofundado e comparado suficientemente.

Meditação a receber algumas forças do Sol. E tentar compreender  diferença entre desejo e amor. O amor é uma casa de dois andares, em que o 1º é o desejo ensual e o 2º a dádiva pessoal. Ou pode ser de três ou sete andares, se formos subindo pelas dimensões subtis do ser humano.

A neblina vinda do rio e dos vales baixos subiu e o céu está enevoado agora.

Meditação boa, até atingir a consciência de que sou o Espírito, sem medo de nada. [Uma boa realização, que nos cumpre actualizar, sentir mesmo].
A tarefa meditativa é realizar, manifestar o que já compreendemos ou sabemos. E aprofundar rumo ao que não sabemos nem compreendemos.

Noite: Foi um dia activo. Arranjos da casa. Ida ao empreiteiro e a Tomar. Na Feira comprar couves diversas para plantar: bróculos, flôr, lombarda, boi. E sementes. E fruta e rosas.
Tarde: plantar, limpar, pôr betume nas janelas, tirar as tábuas velhas da coelheira (que dá um estrume bom) para fora. Surgirá um dia uma divisão, mas não sei ainda para quê
Veio chuva. As nuvens indicavam-no. E choveu, como era natural, primeiro nos vales. Para vermos cá de cima (nesta casa num encosta). Foi só às 19:00 quando meditávamos que ela caiu aqui, mas não muita.

Os dedos estão com as pontas secas, mas o pior podia ter sido aquando da destruição da coelheira. Uma tábua caiu-me na testa, mesmo me baixo da cicatriz  por pouco que o galo não era sangue. Pensei mais tarde  que devia ter cuidado com as entidades que podiam estar ligadas aquele edificiozinho. Na dimensão astral quem habitava nele?Será que há seres que prendem os bichinhos do outro lado? Até onde vai a imaginação dos seres desencarnados?
Curiosamente na feira quando comprava as três rosas por 60$00e os marmelos a 60$00 o kilo, fiz um afago a um coelhito no canto duma caixa  o dono disse-me, "já está vendido". Respondi-lhe, parece bem comportado. Mas o que descobri nos olhos do coelho era afinal medo. Suspeitaria de que estava a ser exposto para ser comido? E a cara avermelhada do camponês-coelheiro era do vinho, do rio ou dos animais mortos?
Cada ser numa feira é um mundo. Desde a beleza, à força, aos anões, às velhinhas, há de tudo.

Um poema de alma, algures no tempo e na perenidade...

Um poema escrito algures no tempo...

Geme a Alma,

Aspira à sobreposição dos dois no Um original.

Cada aurora estilhaça a obscuridade passada

e torna mais eminente a visão do Espírito.

Cada meditação oração ou contemplação

é um acto de intensificação verticalizante

no qual o nosso amor deixa de depender dos outros

e se anima com as asas e a sensibilidade do coração

e escrevemos ou oramos então com sangue.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

O Amor e a União. Escrito no processo meditativo e inspirativo para um casamento que se iria realizar, em 2015 e em que falei, claro, bem diferente do que esboçara

 Abrindo os documentos-registo dos diários escritos no computador em 2015, eis um texto que surgiu com algum valor: 

O Amor é a base, fonte ou origem do Cosmos e dos seres humanos. O Absoluto imanifestado, ou a Divindade, no começo da manifestação, inicia o processo emanativo no qual brotamos e estamos por Amor, por desejo da Divindade de compartilhar a felicidade, a beatitude, as qualidades divinas que nós só podemos intuir e vivenciar parcelarmente enquanto centelhas emanadas deste Fogo Primordial.

Por isso, na Terra, quando duas centelhas ou dois seres resolvem já plenamente maduros e conscientes unir os seus caminhos sob a invocação da Unidade do Amor, estes seres estão verdadeiramente a atrair sobre eles as bênçãos divinas e estão no fundo a recriar o amor da Vida e da Unidade, face a todas as fragilidades do mundo físico e histórico, tão mutável e frágil.

O casamento ou união de dois seres passa-se sobretudo ao nível da alma. É aí no corpo espiritual, que subjaz e que coroa os corpos fisicos, que se tecem os fios e entrelaçamentos que gerarão a intensificada invocação do amor e sabedoria da Unidade e da Divindade.

O casamento é assim o fazer de dois seres, separados, dois seres unidos, entre si, e com o melhor de si e do Universo.

É pois trazer à Terra a Graça divina da harmonia dos contrários, tornados complementares, activamente, no dia a dia, companheiros, portanto, da mesma construção e labuta, alegria e adoração.

Dois seres já amadurecidos na idade e na experiência, quando resolvem unir-se, unem também mais com o Amor todos aqueles seres que conheceram e que ficaram para trás, ou para o lado, ou que já partiram mesmo, e que quer estejam em Amor e em estados de unidade frequentes ou não, sempre receberão os eflúvios, as ondas, as informações de amor e sabedoria que eles comunicarão e desabrocharão.

Qualquer união amorosa é pois um modo de se refrescar a secura da Terra, de diminuir a separatividade e a guerra, de se intensificar a descida do fogo do Amor divino no coração dos seres e dos ambientes..

E por isso ao juntar-nos aqui todos para celebrar esta união, este casamento entre a Graça e o César, fazemo-lo perante ou unindo a Terra e o Céu, os corpos e espíritos, duas almas na grande Alma do Cosmos de Amor-Sabedoria que é a Divindade, tanto transcendente como em nós e nos nossos corações agora mais flamejantes e mais unidos entre si...

                                   

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Uma paráfrase da oração do Pai Nosso, da sua 1ª parte, sobre um desenho aguarelado.

 A oração do Pai Nosso, passados dois mil anos de ter sido pronunciada e ensinada por Jesus, continua a ser orada, e pronunciada por muita, muita gente. A sua hermenêutica ou interpretação não é fácil, embora  haja certamente uma leitura simples e já boa se dita ou pensada sentidamente, ainda que saber mesmo realizá-la e merecê-la seja sempre exigente.

Não admira que ao longo dos séculos, além das explicações e doutrinações, tivessem surgido  diferentes versões, em especial de religiosos, e entre nós apresentou algumas o Padre Mário Martins, notável estudioso da época medieval e um amigo de Dalila Pereira da Costa, que me o fez conhecer e apreciar, como já testemunhei num artigo.  .

Também eu ao longo dos anos as escrevi, ou pronunciei apenas e vogarão no espaço infinito os ecos subtis do que da minha alma em aspiração se ergueu. Há dias encontrei uma  já de há uns anos, escrita de uma só vez sobre um desenho de fundo (30x50 cm) e resolvi dá-la à luz, com leves correcções ou melhorias. Ei-la, embora seja só a primeira  parte do Pai Nosso, certamente a mais valiosa. E a esta oração, nas suas tão variadas versões e hermenêuticas, esperamos voltar...
                                

Pai Nosso, nós te invocamos, por nós todos,

todos teus filhos, emanados de Ti, a Ti te amando.

Que estais nos céu, visível no mundos espirituais,

e na consciência pura e una do amor em todos seres,

 presente como estado de consciência puro e iluminado. 

Santificado seja o Vosso nome, memória e ser,

que embora não patente no mundo em que vivemos

por sabermos que és Nosso Pai te podemos invocar

e  prestar culto em espírito e verdade

de modo a que nossa vida seja constante testemunhar

da Vossa presença em nós, e da nossa ligação a Vós,

a fim manifestarmos a Vossa Vontade e Amor.

Venha a nós o vosso Reino, a vossa governação nossa,

que sejam vós  e a vossa Bondade e Sabedoria

a inspirar e a dar realeza ao mundo e às pessoas

que Te seguem no interior, na consciência íntima

que lhes vai sugerindo como estarem mais abertas a Ti,

mais penetradas e envolvidas por Ti,

de modo a podermos estar mais plenos e felizes,

desenvolvendo capacidades e obras luminosas.

Seja feita a Tua vontade assim na Terra como no Céu,

que possas verdadeiramente circular vitoriosamente

em todas as dimensões e estados de consciência,

para sermos canais, eixos de ligação entre o Céu e a Terra, 

entre a tua Sabedoria omnisciente e nossa aspiração ardente,

e assim cooperarmos na plenitude dos seres e tempos, 

na união dos múltiplos opostos, na harmonia dos contrários,

vencendo as vontades contraditórias e exclusivas, 

unindo-as na tolerância, liberdade e Amor.

Que todo o nosso ser, da cabeça aos pés,

da manhã à madrugada

viva iluminado ou harmoniado pela Tua consciência nele,

que lhe dê lucidez, destemor, criatividade

e capacidade de ser pontífice,

construtor de pontes

por onde nos podemos

encontrar, amar, iluminar.

Demos graças, em Ti, para Ti, por todos. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Uma flor-de-lis e uma oração iconograficamente muito belas, e uma grande alma: Elizabeth Philiphine Marie Hélène, princesa de França.

A Flor-de-Liz, como capitular da oração, e as três flores-de-liz, brasão de Elizabeth. Impressão parisiense sobre pergaminho, começo do séc. XX.

 Tendo partilhado num artigo do blogue um dos símbolos proféticos do Paracelso, o das flores-de-liz, ao arrumar alguma iconografia religiosa deparei-me com um santinho francês com uma bela flor-de-liz ilustrando uma oração de uma M. Elizabeth, que pensei ser uma Mère Elizabeth, mas não, a oração é bem conhecida e foi escrita por Elizabeth Philiphine Marie Hélène (3-V-1664 a 10-V-1694), a irmã mais nova do rei de França Luís XVI e que com ele e Maria Antonieta foi guilhotinada no auge da Revolução Francesa, quando tinha 30 anos de idade, nada a demovendo de acompanhar o irmão, a mulher e os sobrinhos, face ao ataque do revolucionários, sustentando-os com a sua espiritualidade no caminho que os levará, através das provações,  até ao desenlace fatal mas também libertador da realeza absolutista francesa.
                                        
Como era nova, bela, artist
a, inteligente, religiosa, e se mantivera firme nas suas convicções e aconselhamentos no tempo da provação, em que saindo da sua vida retirada fora da corte passou acompanhar o rei seu irmão, logo se ergueu no meios realistas e religiosos um certo culto, pois  morrera corajosa e serenamente e ter-se-ia sentido na atmosfera, na actual Place de la Concorde, no momento da "abertura das portas do céu", o perfume de flores ou rosas, fenómeno subtil  que é chamado odor de santidade, transversal a várias tradições e religiões e não tão, tão raro de ser sentido...
A oração é bela, de grande amor e ent
rega a Deus e à sua providência, sacrificando tudo à Sua Vontade, só Lhe pedindo que continue a sustentar-lhe a paciência (ou ciência da Paz) e a aceitação das provações e sofrimentos que tiver de atravessar, e que foram bem intensos, embora saibamos que o seu estado de consciência espiritual e de abertura e ligação a Deus e a Jesus e Maria subsistiram sempre.
                                      
Saber ou discernir porém qu
al é a Vontade divina não é assim tão fácil frequentemente. Deveria Elizabeth, e Luís XVI e a austríaca Maria Antonieta, terem sido mais sensíveis aos problemas do povo e aceitado as imposições anti-religiosas e anti-monárquicas dos revolucionários, e talvez assim escaparem ao fim trágico que os vitimou?
                                              
Deveria ter-se exilado, como o seu irmão queria, em vez de ficar a residir em Paris nas Tulherias com o irmão
 e, depois dele ser levado para a prisão na torre do Templo, se ter ido entregar também, em 1792, para  apoiar o seu irmão a enfrentar dignamente a morte e decapitação?
O certo é que depois de ajudar os familiares
e próximos será a  última das vinte e cinco pessoas a morrer no mesmo 10 de Maio de 1794, sempre escudada nas suas práticas espirituais, orando nos últimos momentos  das profundezas da sua alma abnegada e reafirmando às que iam ser mortas que nesse mesmo dia se encontrariam no Paraíso, um leif-motive e certeza que aparece em algumas almas mais elevadas de várias religiões, embora o Paraíso dos crentes das várias religiões e teodiceias seja multidimensional  e multipolar...
Poder
emos concluir esta breve janela relembrando a oração e a meditação diária como formas necessárias para nos abrirmos a uma percepção mais clara do que devemos ser ou fazer, de nos alinharmos melhor com as forças cósmicas, ambientais, sociais, orgânicas que  nos estão a influir ou afectar mas que geralmente não nos consciencializamos o suficiente para evitar erros, doenças, acidentes, traições, manipulações, ou fraquezas perante as cruzes do destino.
                                          
Possa esta tão imaculada flor-de-lis, símbolo ascensional psico-somático, e a bela e tão sacrificial quão trágica oração, impelirem-nos então a praticar mais a oração, a ligação ao sagrado coração, os mantras, a meditação, a contemplação, o silêncio, os sacrifícios a fim de sermos ou estarmos
mais inspirados seja pelo nosso espírito, seja pelos celestiais, seja pelo Espírito Santo,  e assim cumprirmos melhor e mais criativamente o nosso dharma, a nossa missão em ligação divina, tal como tentou realizar Elizabeth Philiphine, a quem endereçamos as melhores invocações divinas. E que ela nos possa inspirar do Corpo Místico da Igreja e da Humanidade, onde se encontra certamente bem consciente, tanto mais que se tenta a sua beatificação.
                                          
Duas traduções, já que deparei-me com duas versões da mesma oratio, a primeira sendo  provavelmente a mais fiel à original:
"O que me acontecerá hoje, ó meu Deus.? Eu nada sei. Tudo o que sei, é que
não me acontecerá nada que não tenhas prevenido, regulado e ordenado de toda eternidade. Isso chega-me, ó meu Deus.
Eu adoro os vossos desígnios eternos e impenetráveis. Eu submeto-me de todo o meu coração pelo amor de vós. Eu quero tudo, eu aceito tudo. Eu faça-vos um sacrifício de tudo e eu uno este sacrifício ao de Jesus Cristo, meu divino Salvador.
Eu vos p
eço em seu nome, pelos seus méritos infinitos, a paciência nas minhas dificuldades e a perfeita submissão que vos é devida por tudo o que vós quereis e permitis."

"O que me vai acontecer hoje, ó meu Deus, eu ignoro. Tudo o que eu sei é que nada me sucederá se vós não o tiveres previsto desde toda a eternidade. Isso chega-me, meu Deus, para estar tranquila. Adoro os vossos desígnios eternos e submeto-me de todo o meu coração. Eu quero tudo, aceito tudo, faço-vos um sacrifício de tudo; uno este sacrifício ao do Vosso querido Filho, meu Salvador, pedindo-Vos, pelo seu Sagrado Coração e pelos seus Méritos infinitos, a paciência nos meu males e a perfeita submissão que Vos é devida para tudo o que quereis e permitais. Assim seja." ...   

 Aum, Amen, Lux, Amor!