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Como hoje fui assistir à palestra do meu amigo e monge Dhamiko, do mosteiro do Budismo Theravada da Floresta em Portugal (Sumedhārāma, junto à Ericeira), realizada na sede da Sociedade Teosófica em Lisboa, resolvi iniciar uma lista e apreciação de bons livros de Budismo, muitos dos quais trouxe do Oriente. BUDDHADASA Bhikkhu. Anapanasati. Mindfulness with breathing, unveilling the secrets of Life. Siam, 1989. In-8º 174 p. B. Sete palestras pelo famoso fundador do mosteiro de Suan Mok e com um bom glossário final, tal como por ex. Pañña, sabedoria, visão interior, sabedoria intuitiva: correcta compreensão das coisas que precisamos de conhecer para extinguir dukkha, sofrimento. Pañña é o 3º sikkha (treino, e o começo do nobre óctuplo caminho. Paññna (mais do que fé e poder da vontade) é a qualidade mais característica do Budismo. BUDA. Le Dhammapada. Traduit de l'anglais par Michèle et Salim Michaël. Belgium, 1988. In-8º 125 p. B. C./dedicatória de Salim. Uma boa versão, a partir de várias, por um espiritual e músico. CARUS, Dr. Paul. The Gospel of Buddha. Chicago, 1905. In-4º 275 p. B. Carimbo. Recriação fidedigna da vida e ensinamentos de Buddha. No prefácio Carus afirma: O Budismo é monístico. Clama que a alma humana não consiste em duas coisas, de um atman (eu) de um manas (mente ou pensamentos); mas que ela é feita apenas de pensamentos. Os pensamentos de uma pessoa constituem a sua alam; eles, se alguma coisas, são o seu eu, e não há atman, nenhum eu separado ou adicional, ao lado.»» CHABOREAU, Augustin. Essai sur la philosophie Bouddhique. Paris, E. Flammarion, 1891. In-4º gr. 251 p. B. Bom, com comparativismo valioso. Uma nota: «Do Kandjur e do Tandjur, Alexandre Ksoma publicou uma análise e traduziu fragmentos no XX vol. da Asiatic Researches, Calcutta, 1836 e foi lá que a famosa teósofa M. Blavatsky pilhou à cega uma boa parte dessa famosa Teosophia que ela pretende ter recebido, por telepsiquia de estilistas escondidos no coração do Tibete, - sem dúvida não longe da Asgard do snr. Renan (ver Dialogues et Fragments, Paris, 1876). Realça o carácter de assimilação e de universalidade do Budismo, considerando-o não tanto uma religião, mas mais uma agama, um encaminhamento para a libertação |
GOVINDA, Lama Anagarika. Foundations of Tibetan Mysticism, according to the esoteric teachings of the great mantra Om Mani Padme Hum. London, Rider, 1959. In-4º 311 p. Cart., com sobrecapas. 1ª ed. Excelente, ilustrado, anotado. Dos melhores livros, por um praticante com experiência, bom conhecedor, comparativista.
GROUSSET, René. Sur les Traces du Bouddha. Paris, Plon, 1929. 10ª ed. 1929. In4º peq. 329 p. B. Com mapa e 10 imagens. Excelente estudo de arte, história, estética, religião filosofia das figuras marcantes do Budismo em diferentes países e momentos, realçando, seguindo o discurso de Asanga, a Budeidade ou Natureza Primordial, ou Tathatâ, inerente em todos os seres e realizada plenamente nos Buddhas.
GUYON, Renné. Anthologie Bouddhique. T. I e TT. Paris, Ed. Crés, 1924. Enc. 5ª ed. In-8º LX-280, e 270 p. Enc. Histórias de Buddha e seus primeiros discípulos traduzidas do pali.
JAYAMANGGALO, Phra Ahajhn Maha Sermchai. The Heart of Dhammakaya Meditation. Bangkok, 1991. In-4º 118 p. B. Com boas técnicas para melhorar a centralização subtil e a meditação, tal a da esfera de luz no centro do corpo, donde se pode chegar ao dharmakaya, ou corpo de glória.
MILLOUE, Louis. - Le
Boudhisme dans le monde. Origine – Dogmes – Histoire. Préface M.
Paul Regnaud. Paris, Leroux, 1893. In-8º 257 p. Enc. Ilustrado. Valiosos capítulos sobre a teogonia, o eu e não eu e a transmigração.

NANAJIVAKO, Bhikkhu. Schopenhauer and Buddhism. Ceylon, Buddhist Publication Society,
1970. In-8º 93 p. Br. Valioso estudo, com amplas transcrições comparativas.
NYANAPONIKA, Thera. Satipatthana.
Le Coeur de la Méditation Boudhiste. L'arte de cultibver l'harmonie et
équilibre de l'esprit. Paris, Maisonneuve, 1976. in-4º 223 p. B.
Excelente estudo do Estabelecimento da atenção, a principal via segundo o
Buddha, nomeadamente sobre o corpo, a postura, o movimento, a
respiração e a actividade psíquica.
RIBAS, Emilio. Buda, una biografia en relieve. Barcelona, Editorial Berenguer, 1944 In-fólio pq, 224 p. Cart. História de Buddha, simples mas muito original graficamente, ilustrada a cores, fotografias e mapas desdobráveis.
STCHERBATSKY, Theodore. The
Soul Theory of the Buddhists (with sanskrit text). 2ªed. Delhi, Bharatiya Vidhya Prakasham, 1976. In-8º 99 p. Cartonado, com sobrecapa. Transcrição do Abhidharmakosa do filósofo do séc. V Vasubandhu, com breve introdução e notas.
THERA, Narada Maha. Nibbana.
Gaya, Maha Bodhi Society, 1986. In-12º 39 p. B. Bom trabalho quanto à
etimologia e a utilização em textos canónicos, de Nirvana, tanto como a
negação ou a libertação em relação ao desejo e às necessidade, como um
estado positivo de equanimidade e felicidade, para além da dualidade.
THOMAS, M. L'Abbé. Le
Boudhisme dans ses rapports avce le Christianisme. 2ª partie.
Ascétisme Oriental et Ascétisme Chrétienne. Paris, Bloud et Barral,
1900. In-8º 66 p. B. Assinaturas de Alberto Osório de Castro e com seu ex-libris. Uma visão católica limitada, anti-budista, desdenhosa dos seus métodos meditativos.
VALLÉE-POUSSIN, Louis de la. Boudhisme. Opinions sur l'Histoire de la Dogmatique. 4ª ed. Paris, Beauchesne, 1925. In-8º 420 p. B. Valioso estudo. Crê que Buddha defendia um agnosticismo quanto à identidade real da pessoa ou pugula, nem a afirmando nem a negando.
VALLÉE-POUSSIN, Louis de la. Nirvana. Paris, Beauchesne, 1925. In-8º XXIII-194 p. B. Um dos melhores trabalhos, onde realça como Budismo recebeu do Yoga as doutrinas da transmigração e do karma, (os frutos dos actos), mas acrescentou a anatta ou nairatmya, e o sunyata, vacuidade, negando o eu, e haveria só uma série de relações de causa e efeito, embora alguns, os personalistas, admitissem pugdala, o eu, o atman, purusa, homem.
VALLÉE-POUSSIN, Louis de la. La Morale Boudhique. préface de Émile Séneart. Paris, 1927. In-4º XVI-256 p. Destaquemos neste valioso trabalho o discernir e explicar bem as noções de bem e mal, realçando, por exemplo, a cobiça e a avareza ou falta de caridade, como subsistindo mesmo no mundo purgatorial, e o apontar de algumas dificuldades de conciliação da sucessivas doutrinações da vida de SakyaMuni, admitindo que ele não tenha se tornado Buddha e nem entrado no nirvana, a fim de poder continuar a sua missão salvífica no seu corpo infinito, como os mahasamghikas afirmam. No prefácio, Emile Senart conclui: «Cada um sabe quanto isentos de pedantismo e frementes de vida pessoal são os trabalhos de M de la Valllée Poussin. É muito agradável desejar ao recém vindo o destino feliz que me parece tão bem merecer.»
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| Louis de la Vallée-Poussin, nasceu em 1 de Janeiro de 1869. Veja a sua biografia em: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2017/01/janeiro-e-suas-efemerides-do-encontro.html |