sábado, 25 de outubro de 2025

Memorial Svetoslav Roerich (1904 -1993). Pinturas, palavras e pequeno vídeo. No 121º aniversário.

                                     
Para comemorarmos o
 121º aniversário (21-X-1904) do notável mestre russo Svetoslav Roerich, e por adopção de muitos anos de vida dedicada à Índia em Naggar e Bangalore, e por casamento em 1945 com Deviki Rani, também indiano, após a breve biografia que publicamos há dias, partilhamos agora algumas pinturas de intensas cores e algumas palavras cheias de ideias-forças.
                                          
O Mensageiro. Em fogo vai, e o ambiente tinge-se também das chamas da sua aspiração e determinação. Os obstáculos, as fraquezas e os inimigos serão superados. Saibamos manter as ligações espirituais e o fogo da energia psíquica que nos devem animar, se queremos cumprir as nossas missões e tarefas.
                              
Face à humanidade aflita ou perdida ergue-se ao longe o Arcanjo da Justiça. Vive na luz da verdade,
vence o egoísmo e a injustiça, comunga com os teus mais afins e em especial mantém os fios das ligações com os santos e santas, mestres, anjos e arcanjos, e a tua forma ou ideia da Divindade, na tua ígnea aspiração, meditação e acção, na luta criativa pelo Bem comum, e pela felicidade e maior plenitude da Humanidade.
                                       
Svetoslav Roerich (de quem ainda recebi duas cartas): «A missão de um artista é levar beleza à vida humana, revelá-la aos outros, atrair a atenção para ela e mostrar algo mais do que a comum rotina diária, a vida do amanhã, a vida de um mundo maior, o desenvolvimento da próxima etapa da nossa evolução vital. Assim, um artista deve ser também um profeta, sintonizado com o som das forças ou poderes eternos, capaz de ler e penetrar nas correntes evolutivas.»
                                          
Sendo um mestre cultural e espiritual, Svetoslav não só perscrutou as correntes em acção na sua época, como também a alma das pessoa a quem fazia o retrato, e grandes figuras políticas indianas pediram-lhe para os realizar, e ainda adornando ainda hoje o Parlamento da Índia tais retratos, e em especial tentou sondar e representar os mestres do Ocidente e do Oriente, nomeadamente Jesus e Krishna, o tocador da flauta encantadora das florestas das almas devotas, ou bhaktas.
                                 
Embora os seus pais Nicholas e Helena Roerich, grandes entusiastas das legendas que corriam no Oriente m
ilenário e algo apocalíptico, e de facto, as duas grande guerras aconteceram no seu tempo, tivessem acreditado que Jesus estivera nos Himalaias, e que havia manuscritos sobre a sua vida no mosteiro de Hemis, como desde o relato imaginativo de Nicolas Notovich (1858-1916) se afirmava, Svetoslav nunca afirmou tal, e quando o Estado indiano lhe pediu o seu parecer sobre o assunto manteve-se num discreto silêncio. Consagrou porém a Jesus Cristo algumas pinturas valiosas:
                                       
       Cristo Jesus. Tão doce, pacificante e harmonizador. Amen.
                                        
Cristo com os seus discípulos... 1930-40. Saibamos também sê-lo, perseverando nas nossas orientações mais luminosas.
                                       
Pieta. 1960. Um momento trágico da Humanidade. Abnegação, compaixão.
                                            
Humanidade crucificada. 1939. Há que agir e contribuir para libertá-la da ignorância e manipulação, exploração, opressão e sanções, ódios e mentiras, racismo, oligarquia e hegemonia.
                                
De novo, o Anjo soará. 1976. Saibamos chamá-lo e ouvi-lo e com ele ressuscitemos para o mundo espiritual e a adoração divina.
                                            
Svetoslav Nikolaievich Roerich: «Queremos criar uma vida mais feliz? Queremos mesmo? O que é essa vida mais feliz? Observemos que, sem dúvida, devemos relembr
ar-nos dos elementos espirituais… Infelizmente, esquecemos de onde viemos, para onde vamos e o que somos. Esquecemos que viemos da Eternidade. A Eternidade está à nossa volta… O Infinito e a Eternidade estão presentes em cada um de nós. Estamos carregando-os, e são grandes sensações-sentimentos. Infelizmente, frequentemente  esquecemo-nos disso. Agora - como fazê-lo (ter uma vida mais feliz)? Tudo é simples, extremamente simples! Só precisamos de relembrar todos os dias que hoje queremos fazer algo melhor do que fizemos ontem. Para que seja pelo menos um pouco melhor. Este desejo de seguir em frente ou avançar  é tudo!.. É por isso que estou a dizer que tudo é muito simples…» 

Sejamos mais simples, mais desprendidos de desejos e receios, e comunguemos  com os elementos espirituais, nomeadamente o espírito, e os grande seres, santos e santas, mestres, anjos e arcanjos e as correntes divinas que possamos merecer, e emanemos luz da sabedoria e o calor do amor! Saudações especiais a Svetoslav, enviadas de Portugal!

                         

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

A pedagogia do belo e do bem, no pintor e mestre Svetoslav Roerich. Com 14 pinturas suas e testemunhos.Comemorações do seu 121º aniversário

Auto-retrato. (Rússia, 1904 - Índia, 1993).

A mãe, Helena Roerich, inspiradora de subtis aspirações e comunicações
O pai, Nicholas Roerich, o seu mestre de pintura, secundado depois pela Natureza.

 «A beleza será o nosso melhor guia e amigo, a grande tocha da inspiração. Então, vamos procurar a beleza na vida.
Então, vamos todos esforçar
-nos pelo belo, mas não por algo abstrato, fora de nós, mas por algo que faz parte de nós, tentando trazer a beleza para todos os aspectos da nossa vida diária. Vamos executar qualquer pequena tarefa com mais perfeição – em outras palavras, realizá-la cada vez melhor em cada vez menos tempo e com cada vez mais atenção. Vamos ter em atenção o nosso modo de falar para podermos usar uma linguagem bela e exprimir-nos corretamente. Vamos esforçar-nos para nos vestir de forma adequada, como se fôssemos encontrar alguém muito importante para nós. Vamos demonstrar o maior interesse pelo nosso próprio comportamento, e pelo nossos encontros com outras pessoas. Não digam: "E qual é a utilidade disso? Como é que nos pode ajudar?" pois ajuda. Da mesma forma, quanto às nossas casas e aos quartos em que vivemos, devemos  esforçar-nos por mantê-los num estado de limpeza impecável, pois isso ajudará os nossos pensamentos. Não há jogo mais emocionante do que aquele em que nos esforçamos para ser melhores e aperfeiçoamos os aspectos multifacetados de nossas vidas. Quase que imediatamente notaremos a diferença. E a sensação de que somos donos de nossas vidas dar-nos-á alegria infinita. Conhecemos aquela nova leveza que nasce do sentimento de realização. É um sentimento muito autêntico, pois o auto-desenvolvimento é verdadeiramente a maior conquista. A beleza será o nosso melhor guia e amigo, uma grande tocha de inspiração. Então, vamos demandar a beleza na vida.» Svetoslav Roerich, Arte e Vida.
                                                                  
                                                   A mulher, Deviki Rani, flor do amor e da sabedoria.
 -                                                              
O pai, vestido no modo tibetano, aquando da expedição central que percorreu longamente o Tibete.
                                                         
A mulher, Devika Rani, com quem viverá quase 50 anos em perfeito amor e entendimento.

De uma carta de Devika Roerich para K. A. Molchanova, de 25 de novembro de 1968:                
«O que é de mais belo em Sviatoslav é a simplicidade absoluta. Ele é completamente simples, como uma criança pequena, e seu coração está cheio de amor não apenas por todos os seres vivos, mas por todo o Universo. Ele parece sintonizado com o Infinito, e no entanto sabe colocar a mão em qualquer trabalho, por mais insignificante que seja, se precisar ser feito. Recebe a todos com cortesia, amor e interesse. E eu não paro de me maravilhar com sua paciência infinita, que observo ao longo de toda a nossa vida juntos, e ainda assim continuo a maravilhar-me com a forma maravilhosa como ele sabe viver.»

Deviki Rani, também intuindo, vendo, pintando, numa bela imagem inspiradora da sua abertura sensível e perscrutante.

Um tema que Svetoslav e o pai Nicholai Roerich pintaram várias vezes, pois foram, com grande qualidade e universalidade, mensageiros da beleza, da arte, da cultura, do espírito. Saibamos nós também sê-lo, não nos perdendo ou desorientando nas alienações e manipulações das redes sociais e da comunicação social ao serviço da oligarquia globalista infrahumana que rege a UE, USA, NATO... Sejamos Cavaleiros do espírito, face às forças das trevas ou do mal, tentando unir os elos, defender o Dharma e apoiar e desenvolver a justiça sábia, a multipolaridade, a liberdade, a Humanidade religada à Divindade.

 «A nossa demanda interior por algo mais perfeito, por algo mais belo, é essa grande força interior que nos muda e também muda as nossas vidas.  Sem essa chama interior, uma pessoa não pode despertar as suas energias ocultas e não pode ascender a um nível mais elevado de conhecimento e experiência. Esse impulso interior rumo à sua culminação desperta certos nervos ou canais que são condutores de energias ocultas.» Citado de Svetoslav Roerich, por Lyudmila Shaposhnikova, em  Uma Mensagem de Beleza.

Um monge e yogi tibetano num pináculo nos Himalaias, meditando, controlando os pensamentos, comungando com as energias ígneas espirituais, tal como Svetoslav referiu, sendo postas em acção pela nossa aspiração à beleza, à perfeição, à Verdade, à Divindade.
Montanhas e suas nuvens repletas de energias, seres, mensagens, cores. Tema muito frequente no pai, e que todos nós podemos por vezes captar...
Uma visão bastante original do famoso Fujiyama, que até eu, com grande dificuldade, escalei.
Espaço planáltico himalaico, entre montanhas e muito tingido do infinito e do divino. 
Duas pinturas muito originais simbólicas, futuristas e cosmicizantes, esta 1ª um óleo de 1968, intitulado: "Não deves ver esta chama."

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Aniversário de Svetoslav Roerich (1904-1993): vida e ensinamentos. A beleza é salvífica. A educação estética, ética e espiritual são essenciais.

  No dia 23 de outubro comemoram-se os 121 anos do nascimento  do notável artista russo  Svetoslav Nikolayevich Roerich (1904 - 1993),  o segundo filho, ou o mais novo, após Yuri ou George, de Helena Ivanovna e Nikolai Konstantinovich Roerich - e que foi estudante de arquitectura,  filósofo, apaixonado pelas ciências naturais (trabalhou com óleos essenciais, de alfazema, construindo até uma fábrica na sua propriedade) e sobretudo pintor e retratista, tornando-se, como os restantes membros da família Roerich, uma figura pública mundial.
 Os doze primeiros anos de vida viveu e estudou onde nasceu, em São Petersburg, e dotado para a pintura e o colecionismo e a museologia começou a aprender com o pai Nicholas e depois a ajudá-lo em cenários e obras grande. Após ter estudado temporariamente arquitectura em Londres e nos USA, participou nas fundações, instituições dos pais, sendo ora director ora vice presidente, e foi desenvolvendo a pintura de retratos onde adquiriu uma grande mestria, ao conseguir penetrar bem na intimidade ou especificidade psico-espiritual do retratado, tal como vemos em relação ao seu pai.
                                
Pela qualidade da sua arte e do seu magistério museológico, estético, ético, filosófico e espiritual foi chamado o Mensageiro do Belo, na linha do seu pai Nicholas,  seu mestre, e sua mãe Helena.   
Foi  na Índia onde viveu, investigou e pintou a partir de 1928,  primeiro em Naggar, junto  aos Himalaias, onde foi o responsável pelo departamento das ciências naturais no  Urusvati, Himalayan Research Institute fundado pela família após a legendária expedição à Ásia Central,  realizando valiosos trabalhos sobre minerais, plantas, farmacopeia, alquimia. 
 E em segundo lugar ou depois em Bangalore, para onde foi viver desde que seu pai morreu em 13-XII-1947, e  onde colaborou com o governo da Índia, seja contribuindo para que Nehru (de quem pintou um retrato que está hoje no Parlamento) assinasse o Pacto Roerich de protecção dos monumentos mundiais, seja subsequentemente orientando e supervisionando  a preservação de monumentos indianos. Simultaneamente trabalhou com óleos essenciais, construindo até uma fábrica na sua propriedade densa e fragrantemente arborizada, com máquinas vindas da Europa, para extrair o óleo de alfazema.
 Casou em 1945 com a pioneira e legendária actriz indiana Deviki Rani, sobrinha-neta de Rabindranath Tagore e viúva dum famoso produtor cinematográfico, e peregrinaram ou singraram numa relação ou união muito profunda e feliz cerca de 50 anos. 
                                             
                                        
Após a desencarnação de Svetoslav a 30-I-1993,  Deviki Rani partiu para se reunir a ele nos mundo subtis a 30-I-1994 e, sem herdeiros, começaria uma saga para a preservação museológica da casa e de 241 pinturas, preservadas numa galeria de arte vizinha, e dos milhares de livros e objectos ao abandono nas divisões da grande casa ainda hoje à espera do tratamento adequado, numa Índia imensa e tão rica mas por vezes muito madrasta para os seus valores culturais.
O mensageiro.... Tema recorrente na pintura do pai e do filho... Muitos  são os mensageiros luminosos... Sê mensageiro da Luz e do Amor divinos...
                                                
A obra de Svetoslav Nikolaevich Roerich está intimamente ligada a uma visão fluída, dinâmica e espiritual do mundo, e ao ensinamento filosófico-espiritual denominado Ética Viva, desenvolvido pelos seus pais nos livros do Agni Yoga e em vários volumes de cartas. Foi  um pensador profundo, que conseguiu desenvolver as suas posições e ideias mais importantes, seja na sua forte e colorida pintura seja na escrita e palavra.
 Svetoslav Nikolaevich Roerich conhecia bem o poder da Beleza e sabia que ela era capaz de transformar plenamente as nossas vidas, e realçava tal dinamismo constantemente: "Levemos a mensagem de beleza a cada coração, a cada lar",  – "Que a busca pelo belo seja nossa oração diária... A busca pela beleza é o que aproximará as pessoas e salvará o mundo. É preciso pensar na beleza nos momentos difíceis da vida."
                                            
Em 23 de outu
bro de 1994, Liudmila Shaposhnikova, escrevia no jornal Mensageiro do Belo«completam-se 90 anos do nascimento de Svetoslav Roerich. Ele já não está  connosco no plano terreno, mas nada nos impede de estar com ele no plano mental. Ao pensarmos em alguém, unimo-nos a essa pessoa no plano mental, e esse plano é tão real quanto o nosso plano material, embora não seja visível à nossa visão terrena.
Além dos olhos físicos, há também os olhos do coração. "Olha com os olhos do coração" - assim foi dito. E então veremos que Sviatoslav Nikolaevich está ao nosso lado e  fala-nos sobre o que é mais essencial, o que tanto necessitamos nas viragens decisivas da nossa história.
                                        
Diz-nos ele: "Levemos a mensagem de beleza a cada coração, a cada lar. Que a busca pelo belo seja nossa oração diária... A busca pela beleza é o que aproximará as pessoas e salvará o mundo... É preciso pensar na beleza nos momentos difíceis da vida..."
                                       
Ao homenagear
hoje Svetoslav Rerich, procuramos avaliar, na medida da nossa consciência, não apenas a grande importância de suas telas de pintura, mas também suas palavras dirigidas a nós. Nelas está o programa de ação para chegar à luz do futuro.
Disse ele: "Em todos os períodos do tempo, as pessoas verdadeiramente grandes tiveram como o seu maior desejo – construir uma sociedade mais perfeita e humana". Pois essa construção começa em nós mesmos, pois cada um de nós é uma partícula dessa sociedade. Sviatoslav Roerich não oferece nenhuma receita sobrenatural para esse auto-desenvolvimento. Tudo é muito simples e acessível a qualquer pessoa que queira.
O dia de hoje se torna-se um pouco mais suave e melhor do que ontem. Fazermos o nosso trabalho hoje melhor do que ontem. Aprender a ver a beleza tanto no mundo que nos rodeia, quanto na natureza e na arte. "A felicidade está em nós mesmos", diz Svestolav. E apela a acreditarmos no futuro. E vermos a humanidade como uma única família, onde o bem-estar e a vida de cada um dependem do bem-estar e da vida dos outros, porque então muitos problemas desaparecerão por si só. "Um Novo Mundo chegará, belo, maravilhoso, que trará consigo as nossas melhores esperanças."»
                                         
Conservo ainda as duas cartas que ele me enviou quando em jovem peregrinei na Índia, mas sem o ter conseguido encontrar dadas as grandes distâncias...
Foi dito de Svetoslav Roerich (muita luz e amor brotem dele!):
«... Talvez não
haja outra frase que tenha desempenhado um papel tão importante na vida e nos pensamentos de Sviatoslav Nikolaevich quanto esta, "Procurar o Belo".  Para ele, as palavras "Demandaremos o Belo" eram como uma frase-feitiço, um mantra.  Tal dito ou lema soava especialmente nos seus lábios no final de 1989, quando  veio da Índia  para a Rússia, a fim de organizar o Fundo Roerich Soviético. Ele assinava as suas fotografias com tal lema, mencionava-o em quase todas as entrevistas que dava a jornais e revistas, e pronunciava-o diante da televisão. Para Svetoslav, tal lema estava cheio do significado mais profundo. »
Podemos pois dizer nós h
oje, admiradores e amigos de Svetoslav, que  o mantra  Aspirar ao Belo, Procurar o Belo, Demandar o Belo, será uma boa ideia-força  para recebermos como seu presente ou bênção no seu 121º aniversário.

                                
A nossa causa comum crescerá, f
oi o título dado à entrevista de Svetoslav Roerich ao jornal Cultura Soviética, em 1940 e nela transmitiu-nos um ensinamento bem valioso de ser meditado: «O nosso anseio interior por algo mais perfeito, mais belo, é a grande força interior que nos transforma e transforma também nossas vidas. Sem essa chama interior, o homem não pode despertar as energias ocultas em si mesmo e não pode ascender a um nível mais elevado de conhecimento e experiência.»
                                         
Saibamos pois aspi
rar a elevar-nos o mais possível, a despertar as energias profundas e a criar ou dar de nós, com aspiração e força, as formas e ideias belas e sábias que ajudarão a ampliar ou a melhorar o nosso estado consciencial e os das pessoas a quem chegamos e logo contribuir para harmonização da vida social, tão dilacerada por divisões ideológicas e sobretudo emocionais e de opiniões, e em que sem dúvida a falta de conhecimentos históricos, filosóficos e espirituais e sobretudo sentido ético e estético é aflitiva, desde os políticos às câmaras municipais, dos programas televisivos às decorações das casas, até finalmente à qualidade do que deve ser o templo invisível da alma, onde deveríamos, seja pontífices ou construtores das pontes que ligam os mundos, multipolarmente na Terra, espiritualmente no Cosmos sagrado subtil e seu centro Divino, seja arquitectos das colunas e altares internos, como Svetoslav foi, tornar as nossas almas e vidas mais em sintonia com os arquétipos, padrões, formas e ritmos que evidenciam que a Beleza é Divina, que pela Beleza oramos, que o Belo, o Bem e a Verdade devem por nós ser desenvolvidos perseverantemente.... Ars longa, vita brevis...

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Orações nestes tempos que correm revoltos. Que a Luz e o Amor espirituais e divinos nos abençoem.

 - Ó Meu Deus, eu te invoco, eu te quero amar, eu te quero merecer mais. Vinde, ó subtil sensação-presença espiritual ou divina...

No meio da agitação e do labor, abro no meu coração um pedido e uma irradiação afectiva para Ti. 

Que ela possa brotar do vero íntimo e me transforme e purifique na personalidade, por onde ecoam as palavras e os mantras que sentidamente envio para as alturas do peito e da cabeça, e dos céus.

Ó meu Deus, quantos seres te adoraram e amaram, labutaram e se sacrificaram tão intensamente que é impossível que tal fogo se tenha desvanecido da memória íntima da grande alma da Humanidade, do campo unitário de energia consciência informação em que todos temos o nosso ser, e que muito mais devemos reconhecer, sintonizar e meditar unificadora e iluminadoramente. 

Ó devas, anjos e arcanjos, ó grandes seres, ó sorores nossas, ó poetas e vates idealistas de todos os tempos, ó líderes, pensadores e trabalhadores abnegados, ó cristais puros da altas montanhas do Gerês, da Estrela, do Marão e dos Himalaias,  onde quer que estejais, irradiai, protegei e inspirai aqueles que na Humanidade por vós clamam na luta e  aspiração pelo fim da opressão política do Ocidente decadente  e pela vitória da libertadora multipolaridade equitativa e fraterna.

Que haja mais Luz e Amor nos corpos, almas e espíritos, famílias, grupos e nações, harmonizadoramente, libertadoramente.  

                              

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Assembleia Mundial dos Povos, o Novo Mundo de Unidade Consciente reuniu-se pela 1ª vez, com 4.500 participantes, a 20-21 de Setembro de 2025, em Moscovo

Imagem do painel sobre a Família. Ao centro, a moderadora da reunião, Doutora em Filosofia e Psicologia Integrativa, Presidente da Fundação Família XXI Século, Larisa Dokuchaeva, ao abrir a discussão, observou: "A cultura ancestral não algo do passado ou arcaica, mas sim uma força viva que forma a personalidade, e é o seu núcleo moral e a sua capacidade de resistir ao caos."

Nos dias 20 e 21 de setembro de 2025, ocorreu em Moscovo a Primeira Assembleia Mundial Pública,  da sociedade “Novo Mundo de Unidade Consciente”,  um fórum humanitário em grande escala que reuniu cerca  de 4.500 participantes de mais de 150 países, com numerosos líderes educativos, políticos, sociais, culturais, espirituais. 

Andrey Belyaninov, o Secretário-Geral da Assembleia Mundial dos Povos, apresentou assim o projecto já realidade:
«Queridos 
amigos!
A Assemble
ia Pública Mundial é uma plataforma moderna e aberta para aqueles que se sentem responsáveis pelo futuro e se esforçam por ser não apenas testemunhas, mas fontes de mudança.
Neste momento, temos a oportunidade de lançar as bases de um mundo que não seja movido pelo medo e pela competição, mas pelo respeito e pela coopera
ção.
Acreditamos que um No
vo Mundo começa onde a unidade é estabelecida, onde as diferenças não são temidas, mas respeitadas, onde os valores são maiores que as diferenças, e a cooperação é mais forte que a rivalidade.
O Novo Mundo é uma questão de esforços comuns.
E está sendo criado aqui e agora — junto consigo.
Que nos encontremos na Assembleia Mundial!»

Houve numerosos painéis : Cultura, Família, Educação e ciência, Desporto, Juventude, Polilogia religiosa, Comunicação social, Responsabilidade social das empresas, Turismo, Parcerias.

 Um dos  painéis foi o  da “América Latina - Grande Eurásia: Era de novas oportunidades estratégicas”, no qual se discutiram  temas como diplomacia popular, cooperação cultural e os desafios impostos pelas sanções económicas, tendo participado nele  Ernesto Guevara March, filho do revolucionário Che Guevara, que realçou a necessidade de se unirem esforços globais contra as pressões, opressões e sanções dos EUA.

O delegado brasileiro Adilson Araújo igualmente «destacou que as lutas contra a pobreza e a defesa dos direitos dos trabalhadores no Brasil se tornaram mais complexas após a imposição de tarifas comerciais de 50 % sobre produtos brasileiros pelos EUA» e afirmou ainda que a “diplomacia popular” é uma ferramenta essencial para contornar obstáculos macro-económicos e estreitar vínculos com movimentos sociais de outros países, especialmente dentro dos objectivos dos países do BRICS e do mundo multipolar.

                                    

 Mais de cem participantes de diferentes partes do mundo - da Rússia e China à Índia, África, Oriente Médio e Europa -  reuniram-se para uma mesa-redonda "Diálogo e Parceria dos países BRICS para Fortalecer a Solidariedade e a Cooperação Internacional" nos bastidores da Assembleia Pública Mundial..

 No painel da Família as apresentações ou comunicações de especialistas da Rússia, Uzbequistão, Bulgária, Cazaquistão, Quirguistão, Espanha e Bielorrússia tornaram-se uma mosaico de uma única mensagem: a família é mais do que a vida privada. É a base da identidade, o elo entre o passado e o futuro, entre os povos e as civilizações. E a cultura ancestral é a base para a formação da personalidade, do núcleo moral interior e da estabilidade dos laços familiares e sociais.
Viktor Makarov, MD, Professor, Vice-Presidente do Conselho Mundial de Psicoterapia, falou sobre a missão psicoterapêutica da família. Stoyana Natseva, PhD em Administração de Empresas, PhD em Psicologia e fundadora da Academia Internacional Happy Life da Bulgária, enfatizou o poder da aceitação como um caminho para a paz interior. Elena Leontieva, PhD, consultora genealógica, com mestrado em Humanidades pela Universidade de Barcelona, da Espanha, lembrou que as crianças adotivas vivem em "duas culturas" e especialmente precisam de uma identidade genérica. O genealogista bielorrusso Alexei Biletsky disse: "A genealogia não é apenas uma ciência, é a reconciliação e a restauração da memória viva das gerações."
No final da mesa-redonda, foi expressado um pensamento que uniu todos os participantes: a cultura ancestral é uma ponte, uma ponte entre uma pessoa e seus antepassados, entre gerações, entre povos. Na resolução da mesa-redonda, os participantes observaram que, através da conexão de família, parentes, povos e toda a raça humana, é lançada a base do respeito, responsabilidade e continuidade. Ao perdê-lo, a humanidade corre o risco de se perder. Tendo-o salvo, ganhará uma oportunidade de um futuro harmonioso.»
A continuação da mesa-redonda foi um programa interactivo onde todos puderam tocar no tema do Género: foi organizada uma exposição ao vivo "Árvore Genealógica", realizado um jogo interactivo "Parentes – o Elo das Gerações", e finalmente todos alinharam-se numa "Dança Circular dos Parentes".

 Também estrategicamente importante dentro do programa super-lotado da Assembleia Mundial foi a sessão do Painel "Cultura Espiritual – o Espaço para Formar Significados e Valores, pois somente a unidade na diversidade das culturas espirituais firmará a base para a renovação da humanidade.

As moderadoras deste painel foram  Irina Darneva, Membro da Presidência do Fórum Mundial da Cultura Espiritual, Presidente do Conselho de Cultura Espiritual, Membro do Conselho Consultivo Supremo da Assembleia dos Povos do Mundo (Rússia), e Eliseo Bertolasi, formado em Ciências Antropológicas, jornalista, chefe do escritório de representação do Movimento Internacional Russófilo na Itália (Itália). 
As questões que foram discutidas durante este Painel foram:
-Valores espirituais como a b
ase do diálogo intercultural
- O papel da Cultura Espiritual no fortalecimento da harmonia e do entendimento mútuo entre as pessoas
- Preservação do património espiritual na era da globalização: desafios e perspectivas actuais -
- Cultura Espiritual como garantia de preservar o humano na humanidade -
- Quais as práticas e iniciativas internacionais que podem ser consideradas exemplos bem-sucedidos de integração da Cultura Espiritual na vida pública?
- Como pode a cooperação internacional contribuir para a afirmação dos valores espirituais no mundo
?  

Participaram entre outros Suleimenov Olzhas, da Republica do Kazakhstan; Tolegen Mukhamejanov, presidente da International Association "Peace through Culture", Presidente da International Public Foundation "Congress of Spiritual Accord", Co-Presidente do World Forum of Spiritual Culture; Dr. Suheil Farah, professor, Academico da Russian Academy of Education e da Russian Academy of Natural Sciences, Presidente da Lebanese-Russian House, Presidente da Open University "Dialogue of Civilizations" (Russia/Lebanon);  e Ariunaa Shajinbat, académico e Secretário da Mongolian Academy of Sciences. [Ainda acrescentarei alguns nomes]


É muito significativo  que, apesar de tudo o que se passa de ataques difamatórios do Ocidente à Rússia e aos povos do BRICS, tenha decorrido em Moscovo esta primeira Assembleia Mundial dos Povos do Mundo, com uma interação tão rica de conhecimentos e objectivos, e uma cooperação dialogante e  unidade tão grande entre os participantes, que se pode dizer que asboas sementes plantadas estão a germinar e a dar já frutos, mas haverá ainda mais, muito mais, no futuro.

Não sabemos quantos portugueses ou representantes da lusofonia tiveram presentes, dado a ignorante e escravizada russofobia que os governos portugueses continuam a apresentar e a impor, mas certamente na próxima vez já haverá mais. Tendo participado nos anos oitenta e noventa em alguns  encontros deste tipo, tal a famosa Iniciativa Planetária, para O Mundo que nos escolhemos, realizada em Bruxelas e em Toronto em 1983, como noticiei recentemente no blogue, na qual o pioneiro e valeroso Afonso Cautela se empenhou, não podemos deixar de nos alegrar com este dinamismos de superação da opressiva hegemonia do neoliberalismo oligárquico globalista e que, associado ao sionismo e ao imperialismo norte-americano, tanto mal tem causado à Humanidade e à Natureza.

Possam os valores familiares, tradicionais, ecológicos, espirituais e cooperativos vencer e ajudar a renovação da Humanidade e da Terra. 

Ligação:  worldpublicsummit.org+2sotsprof.org+2

domingo, 19 de outubro de 2025

"Religião e Política": o Tenente-Coronel Pedro Tinoco de Faria, candidato à Presidência da República, na Academia Tubuciana em Abrantes, inicia a sua participação.

Realizou-se na Academia Tubuciana de Abrantes, a 18 de Outubro de 2025, uma bem interessante sessão com a presença de alguns académicos, os oradores convidados e algumas poucas pessoas, com comunicações e diálogos valiosos. Nesta gravação podemos ouvir a apresentação do tenente-coronel Pedro Tinoco de Faria (n. 2-II-1962), que interviu ainda algumas vezes, gravadas posteriormente, numa dela expondo mesmo o seu programa político, a sua visão do que deveria ser um verdadeiro Presidente da República. Oiçamos esta candidato que tem sido menoprezado pelos meios de informação tão alinhados ou vendidos a outras figuras ou partidos, mas que merece o nosso voto, não útil, mas consciencial, espiritual...  

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

O prefácio de Pina Martins ao "Marxismo e Religião", de Nicolas Berdiaeff. Ou como o Liberalismo globalista e ateísta é o adversário actual principal da religião e do cristianismo.

Nestes tempos de cacofonia provinda  de tanta gente impreparada, de tanta democracia que é mais uma ruídocracia (como lhe chamava Afonso Cautela), manipulada de interesses e partidos espalhafatosos e conflituosos, há que tentar elevar-nos a níveis mais filosóficos ou doutrinários e apresentar e redescobrir análises, ideias valiosas e  valores primordiais e perenes que tornam os seres humanos persona, isto é, por onde soa o espírito, e que ao longo dos séculos tantas vezes brilharam, embora estejam hoje encobertos, esquecidos ou mesmo perseguidos por um pragmatismo relativista e niilista que podemos chamar infrahumanista, ao reduzir o homem ao animal consumidor e manipulado e automatizado, sem identidades ou referências tradicionais de género, família, nação, religião.
Se nos anos trinta a cinquenta se podia traçar um campo de batalha entre o Ocidente e o mundo soviético, ou mesmo entre o Cristianismo e o Materialismo ateísta, com o desabar da comunismo soviético, não vimos crescerem os valores cristãos nas sociedades ocidentais mas sim os económicos neo-liberais pragmáticos e em grande parte indiferentes à justiça social e internacional e à situação psíquica e espiritual das pessoas.

                                       

Quem reflectiu com grande  acuidade e profetismo sobre tal confronto, pois conheceu-o in loco desde o seu início, foi Nicolas Berdiaeff (1874-1946, biografado sumariamente em https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2025/08/os-mestres-universais-russos-nicolas.html ), e que, depois de uma trajectória marxista evoluiu para o espiritualismo e anti-materialismo, foi convidado a sair da Rússia em 1922, com mais alguns intelectuais valiosos, tais Sergei Bulgakov e Ivan Ilyin,  assim destinados a exportar a grande alma russa para o Ocidente. Passando pela Alemanha será em França onde estabilizará desde 1924 e se relacionará fecundamente com intelectuais, teólogos e editores tornando-se uma voz importantíssima da Rússia sagrada, um filósofo existencialista, esoterista e místico cristão ortodoxo e universal muito lido e discutido.

                                  

Até às praias lusitanas chegaram as suas mensagens e delas fizeram eco, entre outros Leonardo Coimbra e José Vitorino de Pina Martins, que traduziu mesmo o Marxismo e a Religião em 1948, ainda sob o pseudónimo de Duarte de Montalegre, para a colecção Mensagem, iniciada em 1941, com Pergunta de Pilatos, do mesmo Duarte Montalegre, isto é, José V. de Pina Martins. Sabe-se pouco desta aventura editorial, Mensagem. Pensamento e Doutrina, que assinalava na folha preliminar ter a direcção de José Charters e José Vitorino de Pina Martins, e o fino livrinho  leva o prefácio da página 9 à 30, seguindo-se a obra de Berdiaeff, até à página 118. O exemplar consultado foi oferecido por Pina Martins numa dedicatória na sua letra espraiada, jovem de 28 anos, ao Dr. Pinheiro Torres, Ilustre Director da Ordem.

O prefácio, hoje em dia em várias partes datado ou ultrapassado, pois, por exemplo o espectro do comunismo avassalante esfumou-se, ainda que alguns pobres diabos ocidentais mais gananciosos explorem a russofobia e o insuflem, ganhando algum dinheiro e apoio com isso,  contém porém bastante idealismo cristão, sabedoria perene e crítica corajosa, que anunciavam o grande humanista português que ele viria ser,  que vale a pena meditar.
José V. de Pina Martins, ao traduzir e prefaciar a obra de Berdiaeff clama sobretudo pela reabilitação do homem, denunciando a via perditionis, anti-humana e anti-divina do totalitarismo, então do comunismo e hoje  o do imperialismo e globalismo ocidental do petrodolar e do sionismo, das indústrias farmacêuticas e dos armamentos, que acabaram por se tornar entidades opressivas,  tirânicas, ou mesmo "diabólicas" ao serem adversárias, ou negarem o princípio da liberdade individual, forçando as pessoas a serem vacinadas, a alistarem-se para a guerra, a suportarem os gastos públicos extraordinários para armamentos, em detrimento da saúde física e psíquica e a prosperidade equitativa.
As análises das causas, na linha do que  Berdiaeff e de Jacques de Maritain teciamam, discenidas por Pina Martins no crescimento de aceitação do materialismo histórico no Ocidente nos anos quarenta, continuam hoje aplicáveis em grande medida ao neo-liberalismo, ao imperialismo norte-americano, ao sionismo. Transcrevamos então algumas delas da sua valiosa introdução:
«Fácil foi aos agitadores comunistas realizar este trabalho de propedêutica psicológica e demagógica, dado que o mundo capitalista oferecia e ainda oferece o desolador panorama de uma hierarquia injusta e ilógica, com nítido pendor oligárquico, que leva à plutocracia, por um lado, e à escravização daqueles que nada possuem. O facto dos representantes do poder espiritual se terem esquecido, tantas vezes, de cumprir a sua missão, pelo que diz respeito à assistência dos humildes, e ainda estoutro facto de, frequentemente, se aliarem com as forças do capitalismo e do poder temporal no desrespeito ou esquecimento dos mais sagrados imperativos divinos- e a religião resume-se na caridade – contribui muito para a condensação do clima revolucionário em que se geram ou podem gerar todos os atropelos e todas as inversões, ainda os mais monstruosos, quais sejam os do materialismo económico.
Continuando a comentar a «demonstração brilhante e meridiana» do filósofo russo Berdiaeff, Pina Martins não se detém na crítica ao marxismo e materialismo e aponta certeiro, embora algo inflexível na sua ardência militante e de apostolado cristão juvenil ao Ocidente de então (e de hoje o liberalismo, a iniciativa liberal: «a perigosíssima heresia do individualismo liberal deixou, ao homem, a falsa liberdade de profissão religiosa, segundo o critério arbitrário de cada um, como se, perante a Verdade incriada e as inumeráveis mentiras fantasiadas pelo capricho humano, houvesse direito de opção. Isto estava na lógica rigorosa da essência agnóstica liberal e redundou, efectivamente, no sobredomínio do laicismo ante o magistério tradicional da doutrina cristã. Porquanto, partindo do pressuposto de que a religião é um problema de carácter apenas particular, fatalmente se há-de seguir e prosseguir no sentido de luta religiosa [ou talvez apenas menosprezo ou desprezo dela], pois a concepção cristã é absorvente e não admite, de modo algum, transigência, vacilações ou quebras morais.»

Pina Martins, jovem 
Nestas considerações vemos ecos do jovem militante da juventude católica e animando os seus companheiros a lutarem contra todas formas de niilismos, ateísmos, materialismos, liberalismos, sem quebras ou condescendências, algo que porém nos nossos dias não teria de ser criticado em muito cristão verdadeiro, que pode ser mais tolerante com a diferença materialista ou apenas indiferença dos que o rodeiam, sem com isso se deva considerar que vacilou ou transigiu na sua fé...
Considera pois Pina Martins o liber
alismo (expressão que usa sempre em vez de social-democracia, a qual Berdiaeff, mais crítico e até profético, utilizava bastante) um "escalracho daninho da heresia", e cita a condenação que o papa Pio IX lhe fez ou ainda o que Giovanni Gentile confessou na Mia religione: «O erro da Reforma, como viram bem os nossos pensadores do Renascimento, foi aquele de terem querido fazer da religião um assunto privado daquele indivíduo fantástico [ou fantasmático], que não é homem, espírito, mas um simples fantoche do homem colocado na espacialidade e temporalidade da natureza.»
E continuando na s
ua crítica forte e profética do liberalismo: «Eis o motivo por que, no nosso tempo, e mais perigosa do que a própria propaganda comunista, a doutrinações de certos católicos responsáveis, alguns com a cotação de pensadores e até filósofos, os quais não hesitam fazer a profissão de fé do seu cristianismo liberal, esquecidos, pelo menos, de dois factos: 1º que é em nome do liberalismo ideológico que a Igreja tem sido perseguida tantas vezes através da história e que o liberalismo é de natureza herética, perante o lídimo sentido da ortodoxia católica; 2º que pregar o liberalismo como adjuctório ou panaceia da cristianização é cair no paradoxo sacrílego de querer aliar Deus com o diabo, a Verdade com a mentira e preparar destarte, sob o pretexto de espalhar a fé e a caridade, o advento do anti-cristianismo que, na hora presente, se confunde com a ideia marxista-leninista»
Substitua-se ho
je a ideia marxista-leninista pela do neo-liberalismo ou mesmo a social-democracia, na sua dimensão  oligárquico globalista, e compreenderemos como o Ocidente se deixou infiltrar e tomar por tal ideologia relativista que na sua última versão foi denominada woke e que até há dois anos, comandada pelo presidente dos USA e a sua agência USAID corrompia e degenerava tantos grupos e nações, e ainda hoje se mantendo forte nas agendas da União Europeia.
Após citar algu
mas linhas do fantasmático e zelota Apocalipse, que não foi escrito pelo apóstolo João,  valorizado como profético, aceitando a errada identificação de passagens do (Mosch) e Tobol (Tobolsk, na Sibéria), com a pretensão invasão da Europa pelos príncipes de Moscovo, algo que os que odeiam mais a Rússia invocam com regularidade (por vezes mesmo sacerdotes), José V. de Pina Martins aproxima-se do filósofo russo na contemporaneidade,  citando Michel F. Sciacca que «chama a Nicholas  Berdiaeff o pensador da transfiguração e divinização do homem", mas esclarece que é necessário «confessar, todavia, que essa transfiguração e essa divinização só podem efectivizar-se mediante Cristo, cabeça do corpo místico de que o homem é uma participação limitada", travando ou recusando assim excessivas ou exageradas divinizações do homem, ou melhor, realizações espirituais. 
Realçará porém antes dessa linha transfigurante da mística ortodoxa  russa que  «encontra-se Berdiaeff no seguimento tradicional do magistério paulino, agustiniano e pascaliano, sem que, por outro lado, prescinda do muito que recebeu de Dostoievsky, Kierkegaard e Soloviev. Analizada com certa profundeza a essência da sua filosofia, ter-se-á de reconhecer que ela se ressente, inegavelmente, de um conceito existencial do homem – existencialismo cristão, pela concorrência de influxos ideológicos afastados [do Oeste e do Este europeu], mas que, no sentido místico do pensamento de Berdiaeff, encontram a adequação necessária» e concluirá:«que continua a ser o filósofo do movimento doutrinário anti-comunista da Europa, e portanto do Cristianismo militante desta hora, [e nele] está contudo, porventura, o mais belo exemplo de espiritualidade europeia, dado por um russo medularmente anti-marxista». Nas linhas finais expressando a mesma sensibilidade de jovem católico militante inquieto com os espectros imaginativos do marxismo, Pina Martins ergue a voz em oração: «Salvai-nos, Senhor, que perecemos».

Do livrinho de Nicolas Berdiaeff, dividido em O Marxismo (A Origem filosófica do marxismo, A Ideia fundamental do marxismo, A Religião, ópio do povo, As Contradições do marxismo) e a A Religião do Marxismo (A Ideia do messianismo proletário, A Religião não é um assunto particular), transcrevamos dois dos passos mais ardentes ou significativos, e meditemos para os assimilar ou realizar intimamente melhor: «A personalidade humana tem, para o cristianismo, um significado absoluto: a alma humana tem mais valor que todos os reinos do mundo. A vida espiritual do ser humanos não pertence já, no seu todo, à sociedade; qualquer que seja a sua forma, está ligada à Igreja e não Estado, pertence ao Reino de Deus e não ao Reino deste mundo. Na base do cristianismo há o amor ao próximo, o amor do homem», e o parágrafo final: «Novos métodos são necessários para proteger o cristianismo, porque os antigos o comprometem. Só um cristianismo purificado, espiritualizado, aprofundado, que tome consciência dos seus deveres criadores tanto na cultura como na vida social, poderá vencer o espírito anti-cristão». Assim seja...