domingo, 18 de junho de 2023

Blavatsky, Espiritismo, Teosofia, Orientalismo, Woodstock, Timothy Leary, LSD, CIA, Nova Era e Transhumanismo versus Filosofia Perene. Diálogo com Manuel Jorge Ventura e Carlos Dugos.

Do extraordinário artista Henry Fusseli (7.II.1741 a 1815), um dos inspiradores de William Blake,  uma reactualização do desvendar de Ísis num culto iniciático antigo: o véu de Maya, ou Natureza, desvanece-se e a Luz, ou mesmo  formas Divinas, manifestam-se

Um texto de Emmette Coleman acerca de Helena Petrovna Blavatsky e os plágios e eventuais fraudes com que teria escrito a famosa Ísis sem Véu, brevemente contextualizado por mim no recente artigo do blogue, de 6 de Junho, Helena P. Blavatsky mistificou por vezes? Qual a originalidade e valor da Isis sem véu? Por W. Emmete Coleman. Tradução, recebeu de dois amigos conhecedores da espiritualidade e adeptos da Filosofia Perene comentários que merecem ser respondidos e partilhados. É o que passo a fazer, transcrevendo primeiro a apresentação contextualizante inicial:
«William Emmete Coleman foi um bibliotecário e espiritualista,  defensor da liberdade de consciência e religião e contra a escravatura, tendo sido depois um administrativo do General Cambay na Guerra Civil norte-americana. Foi um orientalista e membro da American Oriental Society, da Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland, e do Pali Text Society, esta ligada ao Budismo. Questionou tanto aspectos do Cristianismo como casos ditos de espiritismo, nomeadamente aqueles em que participou Madame Blavatsky (1831-1891) bem como o seu companheiro o coronel Olcott e investigou a originalidade ou o plagiarismo das suas duas obras principais  Ísis sem véu, e Doutrina Secreta, escrevendo alguns artigos importantes dada a grande credulidade com que tais obras foram recebidas como provenientes de textos com milhares de anos (no caso da Doutrina Secreta, as famosas e nunca confirmadas estâncias do Livro de Dzyan) e de mestres invisíveis, os famosos Mahatmas dos Himalaias que se correspondiam com ela por cartas, por vezes bastante prosaicas como podemos constatar hoje em dia.  Se observamos cuidadosamente vemos que à parte algumas citações do Código de Manu e de Shastras indianas, a quase totalidade das suas fontes são da tradição grega, hebraica e cristã, e em seguida dos vários ocultistas e herméticos ao longo dos tempos, culminando com as últimas correntes do magnetismo, do evolucionista e do espiritismo, esta considerada por ela como o elo entre a ciência e a religião, teoria valorizadora do espiritismo, que na altura ela ainda praticava, e que abandonará com a sua orientaliz
ação.
                                         
A obra principal de William Emmette Colema
n contudo perdeu-se em  1906, no terramoto de S. Francisco  na  Califórnia e era nela que detalhadamente demonstrava os plágios e as manipulações de Helena P. Blavatsky na feitura de tais obras, pelo que nos ficaram apenas alguns artigos, tal o seu índice das fontes não referidas na Ísis sem véu, e que foi inserido no fim da obra crítica de Blavatsky, por Vsevolod Solovyov's: A Modern Priestess of Isis, de 1895. Emmette nascera a 19 de Junho de 1843, tivera um breve casamento, pois a mulher morrera cedo e partiu para os mundos espirituais a 4 de Abril de 1905. Quanto ao seu artigo é valioso, embora certamente tenhamos de ter em conta que provém de um crítico do conhecimento e fidedignidade de Blavatsky, pelo que será sempre bom ouvir as versões mais apreciadoras da sua vida e obra, e que são a maioria. Mostra-nos os aspectos iniciais da sua actuação como espírita, depois a fundação de uma agremiação  Teosófica e posteriormente a sua repulsão do movimento espírita e a sua reformulação na Índia e no Ceilão, e em contacto com as tradições religiosas e espirituais locais, e algumas personalidades, do que se tornou modernamente o corpus doutrinário da Teosofia, ou como René Guénon lhe chamou o Teosofismo, título de uma obra de Guénon também muito crítica de Blavatsky, Annie Besant e Leadbeater e das suas vulgarizaçãos da Tradição. Caberá a cada um de nós tirar as suas ilações do texto transcrito e que certamente pouco afectará a estima e aceitação que tanta gente tem por tão discutida como audaciosa e criativa personalidade, e por sua tão rica e tantalizante obra, ainda que bastante abstrusa, contraditória e inconfirmável.» 

Ora o Manuel Ventura respondeu ao artigo do blogue partilhado por mim para o Face, deste modo: «É hoje possível observar de forma muito nítida que juntamente com a gosma espírita que sempre amparou a S[ociedade]T[eosófica] no seu substrato institucional - para lá do episódico refúgio de movimentos de ideias mais genuinas, que a protecção de que sempre beneficiou M. Blavatsky decorre sobretudo da importância que o "orientalismo" teve e tem para servir interesses dúbios de desestruturação das instituições tradicionais do Ocidente e do espaço próprio que natural e geograficamente lhe cabe na Tradição, sem prejuízo do valor que para a filosofia Perene possam ter culturas, religiões ou sistemas de pensamento de outros espaços ou períodos históricos.
Esse movimento desestruturador e outros que lhe têm sucedido num contexto mais vasto e profundo que se atrela com maior visibilidade a partir da Revolução Francesa tem sido extraordinariamente bem sucedido, pelo que todos os contributos de informação e crítica ainda que pontual e parcialmente dirigidos são louváveis.
E este, no teu caso, caríssimo Pedro, também meritório de um aplauso e agradecimento!»
 Seguiu-se a  minha resposta publicada na mesma espiada e frequentemente opressiva rede social:
«Caríssimo Jorge. Graças pelo teu importante comentário e que mereceria um texto complementar, já que o que dizes, embora certo em vários aspectos noutros é algo radical. Bem vi que ressalvastes a universalidade da Tradição Perene, e dás conta de que o Orientalismo é um conceito pouco definido e claro e que tem servido para muitos fins contrários ao seu mais lídimo sentido que será os que estudam, investigam, conhecem, amam a Sabedoria ou a Tradição Oriental,  no seu todo ou em certos aspectos da sua tão rica pluridimensionalidade. Tenho uma visão não só metafísica mas também histórica da Humanidade e dos seus conhecimentos e movimentos religiosos, filosóficos, esotéricos, espirituais pelo que vejo, também ou melhor, a sua inserção dialéctica, e logo necessária, no devir no tempo e espaço da Manifestação...»
 Com esta equilibrada resposta, ainda que discordasse da designação de "gosma espírita", algo radical para mim, já que houve tantos grandes seres, - de Victor Hugo e Balzac a Camille Flamarion e Charles Richet-, a participar nesse movimento que teve o papel importante de evidenciar a existência de vida após a morte e de alguns poderes psíquicos  humanos poucos estudados, pesem as milhares de fraudes e mistificações, sabendo-se até que a Madame Blavatsky nos seus primeiros anos fez parte do movimento espírita, tanto como médium como jornalista. Embora tenhamos lido a obra Le Spiritisme de René Guénon, muito crítica do espiritismo,  "gosma" é expressão algo insultuosa para a grande riqueza de esforços e dedicação, com consequências  ou efeitos frequentemente bons, como podemos comprovar nas biografias de muitos espíritas mais conhecidos.
 Quanto à crítica ao Orientalismo como elemento desestruturador do da tradição Ocidental também me parece exagerada (tanto mais que o Ocidente invadiu e colonizou no Oriente), embora haja vários movimentos orientais no Ocidente algo caricatos, exagerados ou melhor tenha havido várias pessoas que se aproveitaram de aspectos da sabedoria oriental para fins pessoais e frequentemente com desconhecimento de causa, ou seja superficialidade tanto de conhecimento como de experiência. O ensino do Yoga no Ocidente, no Brasil e em Portugal apresenta vários casos conhecidos de instrutores megalómanos, pouco escrupulosos e que usaram e abusaram das organizações, federações e seguidores, denegrindo bastante a sabedoria oriental, na qual os vários tipos de yoga se inseriam e inserem. 
Creio contudo que como dizes "esse movimento de orientalização, essa tentativa de destruturação do Ocidente, que remete mesmo para a Revolução Francesa", a teu ver, e que terá mentores e actores na sombra, que seria bom discernirmos melhor dentro dos intelectuais que trabalham para a oligarquia mundial liderada por Klaus Schwab, George Soros, Rothchilds e suas instituições, grupos e executivos.
Georges Dumézil (4-III-1898 a 1986), um génio linguista e um dos mais profundos conhecedores da civilização indo-europeia e das suas línguas, estruturas, mitos e religiões.
Lembrarei ainda para terminar, primeiro, que a tradição indo-europeia, tão bem provada já por Georges Dumézil e outros, unifica os povos europeus e os indianos e os persas ou iranianos, pelo que  recebermos da sabedoria própria gerada neste ambiente de família não será algo assim tão pouco congénito.  Segundo, e como ressalvaste e bem, a Tradição Perene, os grandes pensadores do perenialismo sempre estudaram e reconhecerem a Sabedoria, ou a Tradição Perene no Oriente, na Índia, e um bom exemplo disso foi René Guénon (15-XI-1886 a 1951), que depois de ter defendido o tradicionalismo católico, tanto estudou e valorizou a Vedanta indiana e, por fim, a tradição islâmica, à qual se converteu mesmo e nela morrendo no norte de África, no Egipto, como um sheik, um mestre sufi.
René Guénon no Cairo, com o seu mestre e genro.
 Se as palavras mantras que ele utilizaria mais nas suas orações e meditações nos são desconhecidas, podemos admitir que ainda que fossem as tradicionais da sua fraternidade sufi, certamente a outros níveis, ideias e categorias, os nomes de outras tradições e religiões informariam o seu substracto psíquico ou quem sabe alguma jaculatória final, tal como a de Erasmo (28-X-1466 a 1536), que sempre falou em latim, e por vezes em grego (em Veneza, com a campanha de tradutores de Aldo Manuzio), mas no momento de deixar o corpo exclamou em holandês, oh lieuer Gott, oh amado Deus.»
Sancte Erasme, ora cum nobis...
Um dia depois o Manuel Jorge Ventura acrescentou um novo comentário, a que não respondi então:
«O poderosíssimo mercado editorial de miscelânea new age suportado por entidades que hoje se sabe também estiveram na origem de eventos como o Woodstock é mais um prolongamento dessa influência de desestruturação da identidade cultural e religiosa do Ocidente servindo muitas vezes objectivos políticos de distracção vg. hedonista.
Uma teia bem tecida com ampla urdidura no espaço e tempo, cujos intuitos são evidentes nesta dimensão de um totalitarismo soft e controlo digital para onde nos querem conduzir.
De preferência com insegurança constante, guerras e medo também de ameaças sanitárias programadas e, como se vai constatando, muito grafeno &etc, para assegurar o sofisticado controle de uma condição robotizada de zombie transhumanista para a qual estamos criminosamente a ser induzidos.»
 Dias depois respondi, se de facto é verdade que  existe «um poderosíssimo mercado editorial de miscelânea new age», super mistificador embora nada unificado dada a diversidade da qualidade e dos objectivos (desde o hedonismo e o "explorismo" mas também a cura e harmonização) das publicações, e que está muito certa a  imagem final do sofisticado zombismo em curso, já a crítica ao festival de Woodstok (agosto de 1969, com cerca de 400.000 assistentes) como tendo sido gerado ou apoiado pelas mesmas entidades sombras que desejam  a desestruturarão do Ocidente (e que nomes apontados, perguntamos) parece exagerada, pois o Festival foi uma primeira explosão revolucionária e libertária face ao materialismo, capitalismo e imperialismo norte-americano, que por pouco o não proibiu ou oprimiu demasiado.
Se formos ler a história do Festival, vemos que os seus organizadores eram empreendedores musicais e que as adesões vieram de múltiplos sectores do pensamento criativo e crítico musical norte-americano, e basta ver como John Lenon (depois assassinado...) e Yoko Ono Band não puderam participar porque Richard Nixon, diz-se, não permitira, pela oposição que eles faziam à guerra do Vietname, certamente uma das mais tenebrosas do imperialismo excepcionalista norte-americano.
Parece-me portanto uma mera conjectura a da ligação, mesmo que remota, entre Woodstock e os actuais projectos em curso da Nova Ordem Mundial, da tétrica Organização Mundial de Saúde, do transhumanismo-infrahumanista do World Economic Forum de Klaus Schwab e de Yuval Harari, ou dos transgendrismos e chipismos que os media ao serviço da elite financeira mundial propagandeiam. Todos temos o dever ético e moral de lutar contra tal controle e manipulação da Humanidade, dotada de livre arbítrio e constituída de corpo, alma e espírito imortal, e provinda da Divindade...»

O comentário do Manuel Jorge recebeu duas intervenções  ou comentários, um de Patrícia Ruivo,  extenso e político, valorizando Kennedy Jr. face ao zombie Biden, com um bom final: «É surpreendente a falta de capacidade das pessoas para se interrogar. Pensar, com autonomia, é mais do que nunca um acto salvífico de profunda e carecida subversão»,   e outro de Maria Helena Lusignan:«eu gostei do Woodstock mas fiquei mais aborrecida com a aterragem na Lua feita pelo Kubrick».
 Ao que o Manuel Jorge replicou: 
«Eu também gostei desse momento com novas formas de convivencialidade e explosão criativa da música popular com tantos compositores que me acompanham desde então.
Mas não gostei de saber que todo esse movimento do make love not war foi incentivado e tutelado discretamente por estruturas do governo. As mesmas que apoiavam o sr. do LSD e experiências psicadélicas destinadas ao mesmo segmento de filhos do vento "libertários". O mercado mundial de droga de resto também teve sempre a mesma tutela e se os EUA saíram do Afeganistão a CIA permanece lá de braço dado com os talibãs para assegurar a qualidade e o escoamento do suco da papoila.»
Ora para mim, este esclarecimento quanto às forças que na sombra apoiaram o movimento hippie e psicadélico, nomeadamente o senhor Timothy Leary, parece-me uma conjectura infundada, pois esse revolucionário psico-social e visionário psicadélico esteve preso mais de trinta vezes e foi constantemente perseguido pelo establishment norte-americano e as suas forças  policiais e secretas. 
A biografia dele (1910-1996), mesmo na tão distorcida wikipedia, é de leitura recomendada para se ter a noção do que foi a saga da contra-cultura americana, uma impulsão juvenil libertadora que foi controlada e manipulada persistentemente (de tal modo tão hilariante que hoje Joe Biden e os democratas são a esquerda...), e a evolução do consumo de drogas nos USA, para se chegar hoje à degradação actual visível nos milhões de norte-americanos que vivem na extrema miséria nas ruas da cidades do império que imprime os dólares que quer para os seus fins hegemónicos....
Homenagem à definitiva viagem em corpo anímico de Timothy Leary...
Donde me parecer de novo um salto no vazio a relação que é feita do LSD com as plantações da papoila para os opiáceos, e a heroína em especial, em que o Afeganistão é terreno fértil e que de facto os USA, através de  diplomatas e da CIA apoiaram fortemente na época dos mujahidins em luta contra a influência e depois a presença soviética. Quanto à CIA ainda hoje controlar é algo mais complexo de sabermos, mas  que o narco-tráfico funciona não há dúvidas. Mas é necessário destrinçar o aproveitamento para zombificação que certas drogas, tal o ópio e heroína, permitem, com outras que expandem a consciência, como é o caso do LSD e dos cogumelos, mas que certamente têm  contra-indicações e efeitos cerebrais desgastantes.
Posteriormente, Carlos Dugos, que já dera um breve contributo,  lembrando Júlio Evola e a sua Metafísica do Sexo, num comentário ao meu texto Do mistério da origem do ser humano Espiritual e da sua polaridade masculina e feminina. Versões esotéricas. As perigosas alterações de identidade e género actuais, entrou na polémica:
«Uma das críticas - e não é a maior - que Guénon faz ao teosofismo prende-se com o sincretismo misturando, no mesmo "discurso", elementos de diferentes correntes espirituais, numa confusão de linguagens e símbolos que obscurece a luminosidade doutrinal de cada uma das correntes abordadas. Tal prática não deve ser confundida com respeito perenialista por todas as tradições regulares porque a cacofonia teosofista se deve a um absurdo, que é o "estudo comparado das religiões", dado que elas são, por natureza, incomparáveis. Segundo a doutrina perene, as coincidências, nomeadamente as religiosas, provêm da origem comum de todas as correntes espirituais regulares, entendidas como versões particulares de uma Tradição Primordial. E é justamente a particularidade que estrutura cada uma delas que não pode - e portanto não deve - ser comparada com outras particularidades, já que cada particularidade tem: circunstância, coerência e completude próprias. Tentar "iluminar" elementos de uma tradição específica com elementos oriundos de outra Tradição constitui um erro elementar.»
Giulio Evola (1898-1974), um sábio tradicionalista, kshatriya ou guerreiro.
Esta observação valiosa de Carlos Dugos tem de ser contudo relativizada pois é inegável que o estudo comparado das religiões e tradições auxilia-nos a termos uma percepção melhor das particularidades próprias e das igualdades e semelhanças existentes. 
É verdade que a Teosofia de Blavatsk, e super-patente na Ísis sem Veu, abusou de todo o tipo de comparações superficiais e que os seus sucessores enveredaram pelo mesmo tipo, embora sem o génio dela, e lembrar-nos-emos de muitas das obras de membros da Sociedade Teosófica, ou pantominices que foram a Igreja Liberal, com o famigerado Charles Leabeater bispo, ou a vinda do Novo Messias- Instrutor Mundial, o jovem bengali Alcyone e depois denominado apenas Krishnamurti. 
Ou ainda tantos autores e autoras contemporâneos que sem qualquer realização espiritual nem metafisica ora canalizam mensagens, ora cabalizam, ora compilam tudo o que se escreveu sobre a Lemúria e a Atlântida, ou os sete corpos, ou a vida de Jesus e a sua infundada viagem ao Tibete, descobrindo as influências budistas, tibetanas ou indianas no seu ensinamento. 
Todavia, pese e completude que cada religião no seu aspecto iniciático poderá ter, sabemos bem como as religiões são ainda vividas pela maioria na sua limitada exotericidade, ou mesmo superficialidade de costumes, crenças e ritos semi-automáticos, ou então frequentemente astralizada e explorada nos cultos pseudo-evangélicos e carismáticos, pelo que mostrar as analogias entre as diversas formas verdadeiramente espiritualizantes de Religião, e sobretudo numa época de crescente globalização de quase tudo, é importante ou mesmo necessário, nem que seja para se evitar o cepticismo, o ateismo ou a mentalidade da Nova Era superficial e por vezes até fanática.
Ananda Coomarasawamy (22.VIII-1877 a 1947), um dos grandes sábios modernos...
Exemplos de bons perenialistas que sabem comparar ou estabelecer as correspondências das doutrinas religiosas, para se aprofundar a hermenêutica dos símbolos, ritos, crenças e práticas encontramos em Ananda Coomaraswami, com uma extensa obra de constante comparação (ou se quisermos, correspondência) de diversos aspectos das religiões à luz da Unidade Transcendente e Imanente delas, ou seja da Filosofia Perene e realização espiritual, tanto mais que sabia latim, grego e sânscrito, e foi um dos melhores cultores de uma História da Arte mais profunda, metafísica. E ainda em Henry Corbin, Louis Massignon, Julio Evola, o ainda vivo e excelente Seyyed Hossein Nasr, ou mesmo o algo megalómano Frithjof Schuon (que no teu comentário terás tido em conta, tal  a sua obra A Unidade Transcendente da Religiões), todos eles  com valiosos (por vezes menos...) contributos de ordem metafisica ou intelectual, e não, como tu criticas, de emocionalismos ou sincretismos cultuais, que contudo tocam mais nas maiorias e por vezes são necessários, tais os encontros de diálogo ecuménico em Assisi, já que a realização interior, só intelectual e metafísica é apenas para uma minoria mínima. Daí por exemplo, as formas Divinas do Absoluto cultuadas ou adoradas por tantos mestres verdadeiros...
Henry Corbin (14-IV-1903 a 1978), grande conhecedor da Filosofia Perene, da tradição espiritual do Irão, com obras fundamentais sobre  o Zoroatrismo e o Islão Shia. 
 Ainda houve uma adenda final de Carlos Dugos: 
«Ainda a propósito do sincretismo, uma curiosidade. Em O Nome da Rosa, Eco introduz uma personagem, surgindo nitidamente como metáfora da expressão sincrética. Um monge, de tendências heréticas, fala por frases onde se misturam palavras de línguas diversas.»
Dara Shikoh (20-III-1615 a 1659), em jovem com o seu mestre Mian Mir, pioneiro do estudo e encontro dos oceanos das Religiões.
Quanto a Umberto Eco, pese a sua genialidade e extraordinária erudição, não creio que tivesse a necessária realização espiritual para saber discernir quando é que um ser considerado herético, seja cristão ou islâmico, estaria certo quanto ao que era considerado  erro ou rebeldia, e basta ver como Giordano Bruno e Miguel Serveto foram queimados vivos, ou como Al Hallaj ou Dara Shikoh (um dos primeiros estudiosos do comparativismo espiritual ou esotérico das religiões - em especial do Islão e Sanatha Dharma indiano) foram acusados e mortos. Como também ainda que entendesse que a oração hesicasta cristã, ou o mantra yoga indiano, ou o dhikr ou zikr sufi, têm as mesmas bases e fins, provavelmente não experimentara tal e não sabia que tais diferentes orações podem ser praticadas pela mesma pessoa que esteja aberta à unidade interior e metafisica das Religiões, sem necessariamente se tratar dum sincretismo, antes sendo natural e gerando bons resultados.
Em verdade, quais  os melhores meios das pessoas despertarem  para a sua identidade, religação e visão espiritual, e nela viverem mais e melhor, continua a ser parte essencial da demanda do santo Graal, ou da taça do rei do antigo Irão Jamshid, a Jam-e jam...
                                  

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Do trato amoroso dos livros imperfeitos: a devoção a S. João Nepomuceno, defensor da boa fama e do sigilo confessional, numa novena do séc. XVIII.

Foram, são e serão milhões e milhões  os amantes dos Livros ao longo da história da Humanidade, mas nesta fase em que eles, por várias razões, são preteridos  pelas suas imagens digitais, deveremos erguê-los e elogiá-los nas suas qualidades manuseáveis, físicas, vibratórias, sensíveis, assimilativas, retentivas e estéticas, pelas quais tanto perseveram como transmitem inesgotável riqueza de informação e de conhecimento, ou ainda de beleza e cura, ambiente e inspiração.

São também milhares e milhões os livros escritos sobre  livros, o que eles são e nos podem transmitir. O meu contributo será hoje muito pequeno, apenas observar, partilhar e comentar um  livro que, ao passar pelas minhas mãos com as suas características próprias, senti que merecia ser investigado e eternizado em si e nas almas dos que nos lerem.

No decorrer do ano da graça de 2023 o livrinho encontra-se num estado que não direi confrangedor mas apenas invulgar na sua incompletude, pois nem capa nem frontispício tem, e começa no fólio 2, com a Dedicatória, a que se segue um Prólogo  ao leitor e depois no fim a obra surge incompleta de novo, ao terminar abruptamente na pág. 192, com a menção de "S. Sebast-"

         

  Contudo, foram-lhe acrescentadas aquando da encadernação, em pergaminho e da qual resta a lombada e a contracapa, duas folhas bem orladas com: Actos de Fé, Esperança, Caridade, e de Contrição que se devem fazer devotamente antes da Confissão, contendo passagens valiosas da expressão do amor a Deus, e que transcreverei no fim.

                                                                   
Mas que raio de ideia terá passado pela cabeça, ou alma, do autor deste texto  para valorizar uma obra em tão danificado ou imperfeito estado, pensarão alguns, e a resposta não é de facto vulgar: ao manuseá-lo, ao limpá-lo, observei a quantidade de penugem de que ele se revestira na parte interior das folhas, junto à dobra de junção com a lombada, como se fosse um ninho feito pelo tempo ou, o que eu pensei primeiro, como se o livro, na sua vitalidade e ânsia de ser lido, tivesse feito brotar uma vegetaçãozinha rasteira que se acumulou no interstício de união de uma folha com a outra. Uma metamorfose subtil...

E pareceu-me também que embora tivesse removido tal aparente excrescência, ela não deixava de aparecer numa ou noutra folha. Concluí: há livros com tanta vitalidade, seja pela sua mensagem seja por outras razões subtis, que a árvore que lhes deu origem ou suporte material anima-se no papel e miraculosamente cresce de novo, metamorfoseia-se.

Mas quem conseguirá alguma vez discernir de onde veio este papel, se a obra modesta não ostenta nas páginas qualquer marca de papel visível que indique a fábrica de onde proveio?
Neste momento
do contacto com o livro nem sei sequer o seu autor, nem data, nem local de impressão, embora seja fácil adivinhar que foi dado à luz numa tipografia lisboeta no século XVIII, porventura entre 1745 e 1775, balizando-o com a data do famoso terramoto de Lisboa. E podermos ainda interrogar-nos sobre, e quem sabe se um dia no invisível mundo espiritual teremos direito a sabê-lo, quantas tipografias e livrarias foram destruídas no trágico acontecimento, e quantas conseguiram depois renascer das cinzas, da inundação maremótica ou tsunamica e dos escombros?
Ao lermos a
dedicatória e o prólogo deveremos  receber algum apoio para a pesquisa identificadora e provavelmente nem teremos de ir a qualquer boa biblioteca pública, pois o valioso instrumento da catalogação de muitas das obras nelas existentes se encontra hoje acessível online sob a designação de Porbase.
Contudo, ao digitar
mos na Porbase, Novena Devota S. João Nepomuceno, não encontramos senão uma edição de 1763, e bem mais pequena que esta, pelo que o mistério continuará por algum tempo. Mas transmitamos então algo dela, dada a vitalidade e valor da obrazinha, de 14x9 cm, cerca de 200 páginas, bem poída, manchada e metamorfoseada  pelo uso, o tempo e a devoção.

                                    

Na Dedicatória, escrita como se estivesse a falar com o espírito imortal de S. João Nepomuceno, há uma contextualização valiosa pois a obra é entregue ao santo "pelas mãos do Reverendo Fr. Filipe Camelo de Brito, o qual todo inflamado no vosso amor, e devoção fez com que se expusesse à pública veneração esta vossa miraculosa, e admirável Imagem, que todos veneramos nessa Paroquial igreja de S. Julião."  Por esta afirmação teremos admitir que na folha inicial A em falta devesse estar a imagem do santo.
Acrescenta em
seguida o nome de outra alma que «não é menor na devoção, o vosso devoto Fernando António da Costa Barbosa, que com tão ardente zelo de ver a vossa devoção estendida por todo este Reino, e de serem públicas, e manifestas vossas maravilhas mandou abrir estampas da vossa Imagem, e tem feito que os livros da vossa vida, que andavam impressos em diversas línguas, na nossa Portuguesa se vertessem para melhor inteligência dos vossos devotos ».
P
elos registos da Porbase (confirmados depois na Biblioteca Lusitana de  Barbosa Machado),  Fernando António da Costa de Barbosa foi o autor da Dedicatória à Rainha Dona Mariana de Áustria na Oração Funebre pelo rei D. João V, recitada pelo P. Plácido Nunes, em 11 de Novembro de 1750, e  do Elogio fúnebre do Padre João Baptista Carbone, de 1751. E em 1754 do Elogio Histórico, vida e morte do E. e R. Senhor Cardeal  D. Thomaz de Almeida, Patriarca... Era pois um espiritual, muito provavelmente próximo da Rainha, já que, como veremos no fim, o seu irmão mais velho era capelão na Corte e oficial da secretaria de Estado, além de cavaleiro professo da Ordem de Cristo.
O autor anónimo da dedicatória (e do prólogo) dá ainda graças ao Santo pelo grande sucesso devocional que estão ter com as gravuras do santo e as «línguas de ouro, prata e meta, sendo estas bentas, e tocadas na vossa Santa Imagem com a devoção de as trazerem consigo», assim se revestindo de mais poder inspirador ou protectivo.  Eis-nos numa certa magia, numa linha medieval e gótica, quando a peregrinação às relíquias e locais santos e a fé nos diversos tipos de ícones era muito grande ou intensa.

                                      

No Prólogo, ao leitor, o autor vai narrar um pouco a vida do santo [nascido em 1345 na Boémia e lançado ao rio da ponte Carlos, em Praga, em 1393, por recusar-se a dar à língua quanto à Rainha, que ele confessava e que o Rei "ciumava"], e também a implantação da sua devoção em Portugal, começando por  si: «eu te confesso [leitor], que a primeira vez, que ouvi nomear este Santo, e me mostraram um registo, ou estampa da sua Imagem, que logo senti em meu coração um tal afecto, e amor com uma entranhável devoção, que nunca mais me esqueci deste Santo, ainda que suposto lhe não rezava algumas vezes, nunca dele apartei o pensamento, e desejando eu já há três anos fazer a obra, que agora faço com tenção de a dedicar à sua portentosa Imagem que se venera na ponte de Alcântara» posta por Dona Mariana de Áustria, mulher de D. João V.

Acrescenta que oferece «este Tratado de sua devoção à sua prodigiosa Imagem, que se venera novamente na Paroquial Igreja de São Julião desta Corte, posta pela devoção de um devoto Sacerdote, e exposta à veneração dos devotos no dia do glorioso S. João Evangelista no ano de 1745».
Narrando depois a vinda d
a devoção para Portugal com a rainha Dona Mariana, e a fundação por ela de uma confraria do santo, desde 1730 (que é a data do Sermão da Canonização de S. João Nepomuceno pregado no Real Hospício dos Carmelitas Descalços Alemães, pelo P. Joseph Rodrigues Pereira, impresso em Lisboa, na officina Augustiniana). afirma a sua esperança em que todas as pontes portuguesas e europeias houvesse a  imagem protectora de S. João Nepomuceno.

Entre nós destacou-se em Lisboa, na ponte de Alcântara, uma bela e grande estátua de S. João Nepomuceno, que esteve ao serviço protector dos transeuntes e viajantes até ao ano 1866 quando, por modificações viárias na ponte, foi necessário removê-la, vindo a ficar depositada no Museu do Convento do Carmo, onde ainda hoje pode ser admirada. Que devoções ou orações receberia o santo, não sabemos...

De A. Vieira da Silva, A Ponte de Alcântara e suas circunstâncias, 1942. Há outras imagens...

Dá ainda, além de orações valiosas de ardente devoção aos dois santos das línguas, S. António e S. João Nepomuceno, de quem recebera já muitos benefícios, uma informação valiosa bibliográfica: «em mil línguas quisera eu converter-me agora só para louvar, e engrandecer a prodigiosa, e bendita língua de São João Nepomuceno; porém todas seriam poucas para explicar as suas maravilhas, mas de alguma sorte me contento, e satisfaço considerando que estes mil livrinhos, que agora saem à luz [uma boa tiragem], e todos os mais que se imprimirem, serão mil, e outras tantas línguas, que publiquem as maravilhas do nosso Santo Nepomuceno, e no fim vão três Suspiros à prodigiosa língua do nosso Santo, que se podem rezar todos os dias para que por sua intercessão alcancemos ter uma boa língua, que não seja maldizente, e não saiba senão louvar a Deus, como fez a língua do nosso Nepomuceno, e a do nosso Português Santo António, e bom será que todos tenhamos uma grande devoção a estas duas benditas línguas tão semelhantes, e parecidas uma com outra». 

Acrescente-se que em 1712 em Lisboa e em 1736 em Roma foram publicados  dois Compêndio da vida de São João Nepomuceno. E em 1746 foram pregados e impressos em Lisboa dois sermões de S. João de Nepomuceno, "glorioso protomártir do sigilo confessional", que não têm todavia o carácter devocional deste livrinho, o primeiro de Joaquim Bernardes, clérigo regular, demonstrando com erudição (com bela e extensa citação do discernimento de um discípulo perturbador e barulhento, por Pitágoras) e bons raciocínios, que ser-se obrigado a confessar as pessoas envolvidas em pecados é um pecado ainda maior e a adopção de uma doutrina falsa e menos pura, citando mesmo o antigo curioso dito do papa Clemente XI (de 1700-a 1721): "Estou bem com Portugal, porque é um Reino que nunca buliu com o Credo", valorizando ainda bastante o "saber com sobriedade", pois "saber muito não convém" e gera em geral a "faladura" e a "historiola", que só impedem tanto a boa vizinhança como o silêncio interior e a intuição da Verdade. No segundo sermão, do clérigo Filipe de Oliveira, narra-se a vida exemplar do santo, as muitas heresias históricas e como Portugal tem escapado a elas.
Voltando ao livrinho incompleto ou imperfeito, qualidade que o mestre bibliófilo José V. de Pina Martins bem elogiou,  seguem-s
e após a dedicatória e o Prólogo,  as orações da Novena devota, da Semana devota, e algumas particulares, das quais transcreveremos pela sua originalidade, e até sugestão horária, a  Oração a Deus Espírito Santo:
«Oh Santo Es
pírito Divino, que às nove horas descestes sobre a Santíssima Virgem Maria e sobre os Sagrados Apóstolos, em figuras de línguas de fogo, concedei-me, que a minha língua imite a dos vossos Servos São João Nepomuceno, e Santo António, as quais nunca clamaram contra Jesus Cristo, mas sim sempre vos louvaram, e louvarão por todo o sempre. Amen.»

Seguem-se mais algumas orações a Santo António e a S. João Nepomuceno e, por fim, abre-se o capítulo final, a partir da página 89, em que se narram os milagres e benefícios que devotos em várias partes do mundo têm recebido do santo que é apresentado como o defensor da honra e boa fama, da pureza contra as tentações e do "sigilo confessional". 
Esta última referência  pode ser contextualizada com a grande luta que se travou entre os Sigilistas, defensores nos Religiosos duma vida mais pura e sem vaidades, com disciplina e oração mental e menos contaminada pelo mundo, e muitos religiosos desfrutavam disso, e o Estado que começava no seu absolutismo (ou regalismo) a tentar controlar tais austeras e éticas consciências. A obra é porém muito discreta quanto a esse debate, que foi manipulado e exacerbado, censurado e liquidado, em 1769, pelo Marquês de Pombal, com o auxílio da Real Mesa Censória e levemente duma Santa Inquisição, já totalmente controlada e que chegara mesmo a estrangular e queimar em 1761 um experiente missionário jesuíta visionário Gabriel Malagrida.

Por graça do livreiro ou do comprador que o mandou encadernar, há  as duas folhas mencionadas e apensas posteriormente, já que o papel é diferente, contendo as tais instruções para a confissão, pois o santo morrera mártir da sacralidade ou sigilo dessa arte, destacando-se uma bela  oração e meditação devocional ou amorosa, no qual se analogiza a Divindade, eterna e primordial, tanto com o supremo Bem como com o Abismo de toda a perfeição ou perfectibilidade, num certo  Alfa e o Ómega: 

«Amo-vos, ó Deus amabilíssimo, sumo, e infinito Bem, abismo de toda a perfeição: só pela vossa verdadeira, e natural bondade, formosura, e ser essencialmente amável: Porque sois quem sois, digníssimo de todo o amor, e honra possível. Quem me dera poder amar-vos com todo aquele ardentíssimo amor, com que vos amam, e amarão eternamente todos os Anjos, e Bem-aventurados no Céu! Com que vos amam, e podem amar todas as Criaturas, que há, e pode haver na terra! E com o seu ardentíssimo amor ajunto o meu, ainda que tão imperfeito como é.»
E fiquem
o-nos nesta ardência amorosa religiosa mas de grande profundidade espiritual, e que meditada dará certamente os seus frutos, sobretudo nas almas virgens ou vigilantes, fiéis cavaleiras do Amor no meio das noites e trevas actuais, para que elas floresçam como Noches claras Divinas...
E es
peremos que brevemente saibamos quem foi o autor do livrinho, bem como o seu título, impressor e data. Provavelmente os grandes bibliógrafos antigos, Barbosa de Machado e Inocêncio, poderão trazer luz esclarecedora. 

      *+E de facto, umas horas depois, consultando  Barbosa Machado, Biblioteca Lusitana, Lisboa, 1757-1759, na reimpressão, lemos no  vol. IV e último, o do suplemento aos anteriores, apenas que o patrocinador do livro Fernando António da Costa de Barbosa  nascera em Guimarães, em 1716, sendo irmão de um capelão do Rei. E que tendo estado quinze anos no Brasil, de 1732 a 1747 regressando, casou e deu à luz as duas obras já mencionadas e um Elogio a Manuel Caetano Lopes de Laure, Secretário, e Deputado do Conselho Ultramarino, 1754.  Deve ter sido pois ele o autor anónimo da obra, ao verter condensada e sabiamente para português algumas obras biográficas de S. João Nepomuceno que corriam de nós ignotas no estrangeiro...

 Concluiremos dizendo que mesmo no seu estado imperfeito, não identificado plenamente  e logo ainda algo misterioso, este livro  é  vivo e germinante  na sua profunda e elevada aspiração amorosa à Divindade, ao Bem e  à comunhão com as almas bem-aventuradas, isto é, luminosas, corajosas, plenas, santas... Que elas, e particularmente S. António e S. João Nepomuceno, nos inspirem e apoiem, a fim de que a Humanidade se vá tornando mais desperta, justa, fraterna, multipolar e sábia, oremos...

S. João Nepomuceno num registo do séc. XVIII que circulava em Portugal. Da colecção da Fábrica da Fiação de Tomar. 

terça-feira, 13 de junho de 2023

The escalation of the III great War. The astounding hipocrisy of the W.E.F. clerk, Macron, and of other western politicians.

                               

PARIS, June 12. /TASS/. Ukraine’s counteroffensive will last for several weeks or months and France hopes [or better: not French people but Macron, UE and USA politicians, WEF, and their hegemonic hubris] that it will help create conditions for future peace talks, French President Emmanuel Macron told a news conference on Monday.
"Ukraine’s counteroffensive began several days ago. It has been thoroughly planned," he said. "This counteroffensive will last for several weeks or months. We did our best to help it happen within the frames outlined by us since the conflict beginning: to punish Russia in order to stop its military effort, to help Ukraine resist and win back its territory, but to never attack Russia and avoid any forms of escalation of this conflict."  (what a hipocrity statement, as Russia has been attacked many times already, and the conflict is escalading in many forms, specialy the amount and quality of weapons, as he can read in the next new...)
He reiterated commitment to the long-term support for Kiev and expressed the hope that the Ukrainian army’s offensive operations will be successful as "the transition to the phase of talks in favorable conditions" will depend on that.
"It is clear today that Ukraine will not be conquered, that the only peace that is acceptable today is the one which is based on international law and the sovereign choice of the Ukrainian people," he stressed. "Our enduring support for Ukraine must continue for a long time, be it political, military, economic, humanitarian assistance or assistance linked with [Ukraine’] restoration.".

PARIS, June 12. /TASS/. France is expanding weapons and munitions supplies to Ukraine, French President Emmanuel Macron said on Monday.
"We have increased supplies of weapons, munitions, armored vehicles and have ramped up logistics support," he told a news conference. "We will continue to di this in the coming days and weeks."
He also promised assistance in repairing damaged vehicles and training Ukrainian troops.
At the same time, he recalled that France’s support continues within the frames set at the beginning of the conflict. According to the French leader, this support is meant to help Kiev defend itself rather than attack Russia. Moreover, it should not lead to the escalation of the conflict.
By now, France has supplied Ukraine with Caesar self-propelled artillery systems, Crotale air defense systems, armored cars, AMX-10 RC wheeled tanks, Milan anti-tank missiles, and Mistral man-portable air defense systems.» 
They now need only  to send not disguised NATO officials and mercenaries, but regular troops... 
 Now Germany:

BERLIN, June 13. /TASS/. Germany cannot replace every Leopard 2 tank that gets disabled in Ukraine but it will continue to supply Kiev 
with weapons, German Defense Minister Boris Pistorius told Bild on Tuesday.
"We cannot replace every tank that is being taken out," the German tabloid quoted him as saying. Commenting on reports about German-made military equipment being destroyed in Ukraine, he referred to the nature of war, where people get killed and weapons get destroyed. "This is why our support for Ukraine is so vital," he added.
"What we will do is increase the supplies of repaired Leopard 1A5 tanks starting from July. There will be more than 100 of those by the end of the year," Germany’s defense chief said. In February, the German government approved sending 178 Leopard 1A5 tanks to Kiev.
On Saturday, the Russian Defense Ministry reported that that in the previous 24 hours, the Ukrainian army had lost nine tanks, including Leopards, and 11 infantry fighting vehicles, including US-made Bradley
IFVs, in the South Donetsk and Zaporozhye areas.»

Now USA:

«NEW YORK, June 13. /TASS/. The Biden Administration is ready to approve shipments of depleted uranium shells for Abrams tanks to Ukraine, the Wall Street Journal reported Tuesday citing its sources.
According to the report, the White House agreed to approve the shipment of shells after a series of debates were held to decide which shells should be supplied with the tanks that the US will ship to Ukraine. There are reportedly no obstructions left for approval of this type of ammunition.
The Wall Street Journal notes that the Pentagon insists on sending depleted uranium shells specifically due to their increased efficiency. Administration officials say that the increase in arms shipments aims to help Ukraine achieve progress on the battlefield in order to strengthen Kiev’s negotiating position in case of peace talks.
The newspaper notes that US authorities remain undecided regarding shipments of other weapons that the Pentagon insists on, including cluster munitions. NATO Supreme Allied Commander for Europe, General Christopher Cavoli reportedly told Congress that these munitions will be "very effective" against Russian forces.
On March 20, the media reported that British authorities are ready to ship depleted uranium shells, which are especially effective against armored vehicles, to Ukraine. Toxic and radioactive uranium dust that appears when such shells are detonated may pose a danger to the health of anyone who inhales it. Meanwhile, there have been no large-scale studies to determine how the health of people living in places contaminated with depleted uranium is affected.
On March 21, Russian President Vladimir Putin stated that such plans are proof of the West’s intention to fight against Russia until the last Ukrainian not in word, but in deed. The president noted that Russia will have to react to such steps accordingly.»
 Until when it will happenso much destruction of people and weapons? Why UE doesn't stop to be a slave of NATO and USA imperialism? Russia will never let go another time Crimea and Donbass. Kiev regime was not at the heights of humanim to hold that more time, with so much ucranians-russians suffering from the extremists...
 MOSCOW, June 13. /TASS/. The Russian Aerospace Forces delivered a strike by precision weapons against clusters of Ukrainian army reserves and a depot of foreign-made ammunition and armaments in the past day during the special military operation in Ukraine, Defense Ministry Spokesman Lieutenant-General Igor Konashenkov reported on Tuesday.
"At night, the Russian Aerospace Forces delivered multiple strikes by airborne long-range precision weapons against the amassment areas of the Ukrainian army’s operational reserves and a depot storing foreign-made ammunition and armaments. All the designated targets were destroyed. The goal of the strike was achieved," the spokesman said.
"In the Kupyansk direction, aircraft and artillery of the western battlegroup inflicted damage on the enemy units in areas near the settlements of Ivanovka in the Kharkov Region and Rozovka in the Lugansk People’s Republic. Near the settlement of Timkovka in the Kharkov Region, the activity of a Ukrainian subversive/reconnaissance group was thwarted," the spokesman said.
Over 35 Ukrainian troops, an armored personnel carrier, a pickup truck and a D-20 howitzer were destroyed in the Kupyansk area in the past 24 hours, the general reported.
Russian forces eliminate 60 Ukrainian troops in Krasny Liman area in past day
"In the Krasny Liman direction, operational/tactical and army aviation and artillery of the battlegroup Center inflicted damage on the Ukrainian army units in areas near the settlements of Nevskoye and Belogorovka in the Lugansk People’s Republic and the Serebryansky forestry," the spokesman said.
"During the last 24-hour period, Ukrainian army units continued attempts to conduct offensive operations in the south Donetsk direction, and also near the town of Artyomovsk. At the Vremevka bulge, the Kiev regime threw into battle the units hastily assembled from the remnants of the Ukrainian army brigades that had earlier sustained heavy casualties," the spokesman said.
In the past 24 hours, Russian forces repulsed three attacks by Ukrainian army units reinforced by tanks and armored combat vehicles near the settlement of Makarovka, the general reported.
"All the attacks were repelled by courageous and decisive actions of units from the battlegroup East, air strikes and artillery fire. Eight out of ten armored personnel carriers of the Ukrainian army involved in the attacks were destroyed," he said.
Russian forces repulsed two Ukrainian attacks south of Artyomovsk over the past day, Konashenkov reported.
"South of the town of Artyomovsk in the Donetsk People’s Republic, two enemy attacks towards the settlement of Klreshcheyevka in the Donetsk People’s Republic were successfully repulsed in the past 24 hours by active operations of the southern battlegroup," the spokesman said.
Ukrainian troops were prevented from breaking into Russian defenses, the general stressed.
"As many as 350 Ukrainian personnel, two armored combat vehicles and six motor vehicles were destroyed in the battles," he said.
Russian forces wipe out 275 Ukrainian troops in south Donetsk area
Russian forces destroyed about 275 Ukrainian troops in the south Donetsk area, near the Vremevka bulge and Artyomovsk over the past day, Konashenkov reported.
"The enemy’s total losses in those areas in the past 24 hours amounted to 275 Ukrainian personnel, four tanks, 15 armored combat vehicles, eight motor vehicles and an Msta-B howitzer," the spokesman said.
Also, Russian forces successfully repulsed two Ukrainian army attacks near the settlement of Rovnopol in the Donetsk People’s Republic in the past 24 hours. They destroyed two Ukrainian tanks and three armored combat vehicles. Near the settlement of Prechistovka in the Donetsk People’s Republic, Russian forces eliminated the larger part of the personnel of a Ukrainian company tactical group and four infantry fighting vehicles, the general reported.
"In the Kherson direction, as many as 30 Ukrainian personnel, three motor vehicles, an Msta-B howitzer and a Gvozdika motorized artillery system were destroyed in the past 24 hours as a result of damage inflicted by firepower," the spokesman said.
Russian forces strike 98 Ukrainian artillery units in past day
"During the last 24-hour period, operational/tactical and army aviation, missile troops and artillery of the Russian groupings of forces inflicted damage on 98 Ukrainian artillery units at firing positions, manpower and military equipment in 114 areas," the spokesman said.
Russian air defense forces intercepted three Storm Shadow missiles, 10 rockets of the US-made HIMARS multiple launch rocket system and shot down six Ukrainian unmanned aerial vehicles over the past day, Konashenkov reported.

"In the past 24 hours, air defense capabilities intercepted three Storm Shadow long-range cruise missiles and 10 rockets of the HIMARS multiple launch rocket system," the spokesman said.
In addition, Russian air defense systems shot down six Ukrainian unmanned aerial vehicles in areas near the settlements of Staromlynovka in the Donetsk People’s Republic, Rabotino in the Zaporozhye Region, Korsunka in the Kherson Region, Pshenichnoye and Novokrasnyanka in the Lugansk People’s Republic, the general reported.
In total, the Russian Armed Forces have destroyed 442 Ukrainian combat aircraft, 238 helicopters, 4,585 unmanned aerial vehicles, 426 surface-to-air missile systems, 9,939 tanks and other armored combat vehicles, 1,122 multiple rocket launchers, 5,100 field artillery guns and mortars and 10,927 special military motor vehicles since the beginning of the special military operation in Ukraine, Konashenkov reported.»
  WASHINGTON, June 13. /TASS/. Russia is on the right side of history in the recent global geopolitical crisis, Ambassador to the United States Anatoly Antonov said.
"Our country has proven to be a reliable partner for all who are willing to cooperate on the basis of mutual respect and a balance of interests. We are on the right side of history, and time will put everything in its place," the Ambassador said.
"A return to the principle of the indivisibility of security is the only way to prevent future conflicts," the Russian diplomat added.»
Let us pray for Peace being established soon...

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Dia de S. António. O milagre da pregação aos Peixes, na História da Arte. "Vita, Miracoli e Previlegi di Santo Antonio di Padova", 1817, por Ruffono.

                              

O milagre, lendário ou não, de S. António (15-VIII-1195, Lisboa, a 13-VI-1231, Pádua) pregar ou falar aos peixes ficará eternizado tanto na arte como na religiosidade e moralidade da Humanidade. E quando nos deparamos ainda hoje com imagens de tal evento, em pinturas ou azulejos em  igrejas e museus, ou em livros e registos, podemos tanto interrogar-nos sobre as fontes históricas como contemplarmos e inspirar-nos no que cada artista, pintor ou gravador sentiu ou teve na mente ao debuxar o seu ícone devocional.
A fonte histórica principal é o Liber Miraculorum sancti Antonii, do séc. XIV, escrito entre 1367 e 1370, e que desenvolveu algumas narrativas mais antigas escritas logo após a morte do santo, e posteriormente as Fioretti di S. Antonio di Padova. Aí se descrevem a vida do santo e os milagres, entre os quais o da pregação aos peixes que tanta fortuna teve na arte. A versão que eu consulto é a da Vita Miracoli e Privilegi di S. Antonio di Padova espresi in XL rami. Venezia, Parolori, 1817, com gravuras e portada por Ruffonus, que teria seguido a Vida do Santo pelo P. Arbusti, de 1776, e as versões mais antigas.
Na
maioria dos artistas certos aspectos perpassam pelas suas obras e tocam-nos: o desprendimento resiliente do santo face ao desinteresse dos humanos ou heréticos pela sua pregação, a  fraternidade  e capacidade telepática com os peixes, que lhe respondem inteligentemente, no fundo uma sensibilidade activa quanto à omnipresença do Logos divino no universo, o que pode ser mesmo chamado de panteísmo místico franciscano (realçado por Jaime Cortesão como dos melhores veios na gesta dos Descobrimentos), pois S. Francisco de Assis, o fundador da sua Ordem dos Frades Menores, também a manifestara com o irmão lobo, ou mais celestialmente ainda com o Sol e a Lua.
De autor incógnito, no número comemorativo do 7º centenário da morte de S. Francisco de Assis, da Revista mensal de cultura e formação católica Estudos, Coimbra, 1926. Nela colaborou o meu querido amigo José V. de Pina Martins, com as suas primícias ensaísticas cristãs, que, a para das poéticas, depois qualificava de "pecadilhos de juventude", e a que já dediquei alguns artigos no blogue.

De facto nas pinturas, gravuras e azulejos os peixes parecem mesmo ouvi-lo, compreendê-lo, usufrui-lo com olhitos espertos a luzir pois segundo as narrativas eles respondiam ao que o santo lhes pedia.  E noutros episódios da vida de S. António  não faltarão o burro que se ajoelha perante o santíssimo Sacramento (mas não foi tão longe que lhe desse a comungar), num belo ensinamento que tal como os grandes seres e anjos intermediarizam a Divindade com a Humanidade, assim o ser humano opera com os animais.
Todavia outros aspectos e ensinamentos se podem retirar de tal episódio, real ou imaginário, e face a ele os artistas manifestaram certas crenças ou conhecimentos, que se tornaram linhas de força perceptíveis nas suas obras e, ao contemplá-las, podemos receber impulsos para melhor discernirmos tais forças e avançarmos mais conscientes e luminosamente na peregrinação terrena.
Embora haja variantes na descrição do milagre a base é a a mesma, e transcreve
mos da versão italiana, na impressão de 1817 já referida, um resumo: o santo vendo que os heréticos não o queriam ouvir e se afastaram disse: «ora bem, já que recusastes ouvir a palavra de Deus, olá, ó peixes, vinde a mim, vinde e escutai-me.» Ouvindo tal fala do Santo, os que já se afastavam voltaram-se para atrás e viram uma turba de peixes a aproximar-se da costa, e logo ordenadamente ficarem a vê-lo e a ouvi-lo. Então Santo António disse: «Benditos sejam todos os que vivem nas águas do Senhor». E começou a narrar as vezes em que os peixes são nomeados em episódios das Escrituras, tal o do Arcanjo Rafael e de Tobias ou o da multiplicação dos peixes. No fim, S. António convidou-os a darem graças a Deus e, já que não tinham língua e voz para o  louvar, que mexessem as cabeças, abanassem o corpo, saltassem, o que eles fizeram para grande surpresa dos incrédulos. O Santo deu-lhes a bênção e mandou-os partir, e voltando-se para os heréticos viu-os perturbados e desejosos de se converterem, pelo que lhes pregou e convenceu.
                                                
Ora Ruffono, um pintor e gravador já
 do final do séc. XVIII, o autor  da bela portada alegórica e das gravuras, assinada Ruffonus fecit,  tinha atrás de si já uma  tradição de séculos pinturas e gravuras pelo que teria só que se inspirar, e enriquecer ou aprofundar os episódios da vida mais interessantes, certo que pela sua boa qualidade artística daria ao seu editor um garantido sucesso nos peregrinos que o compravam junto ao santuário em Pádua, ou então, como o editor Parolari propagandeia no prefácio, nas livrarias de Pietro Massalonga em Verona e de Francisco Andreta em Merceria de San Giuliano, locais certamente plenos de vida e cultura então e de que dificilmente poderemos recuperar a consciência e visão, bem como dos que se edificaram antonianamente ao comprarem a obra tão belamente ilustrada.
E as
sim sucedeu pois o milagre dos peixes, a imagem sendo a quarta na sequência das quarenta que ilustram a Vita Miracoli e Privilegi di S. Antonio di Padova espresi in XL rami, como a portada diz no meio de quatro colunas e dois nichos onde pontificam o patriarca S. Francisco de Assis, estigmatizado e com um crucifixo e S. António de Lisboa, com o lírio e o menino divino nas mãos, tem vários aspectos originais que demonstram bem as suas qualidades, ainda que mais limitadas na forma de expressão que as pinturas dos artistas consagrados com o seu colorido e maior dimensionamento e perspectivação, como podemos por exemplo comparar com algumas das portuguesas, tal a de Gregório Lopes (1490-1550), com ressonâncias do Genesis, da Criação,  por Miguel Ângelo...
                              
O que destacaremos então na reconst
ituição de Ruffono tanto realista como visionária: na base, do evento, do abismo do mar, vasto e profundo, acorreu grande variedade de peixes   ao chamamento, à voz e palavras  de amor e aspiração do santo. E parece-nos ver desde fanecas e sardinhas a enguias e cações. E aos seus pés, requinte de humildade e profundidade, o esquivo caranguejo e a tão cerrada ostra, agora semi-aberta, ou não fosse ela uma produtora de pérolas, a partir de um pequeno acrescento catalizador vindo exterior.  Serão os textos gnósticos que desenvolverão o hino da Pérola, a busca da realização interior e íntima do espírito divino, mas quem sabe se algo de tal simbologia ressoava na alma de Ruffono.
O santo,
com um companheiro frade, encontra-se de pé, com as mãos bem abertas e gesticulantes, com uma auréola irradiante por cima da zona da cabeça, indicando que a sua ligação ao espírito e ao Divino se encontra desperta e activa.
                                                
Os humanos ao seu lado, af
astados, tem mesmo um diabão, num misto de sátiro e basilisco puxando por um deles, que não parece dar-se conta dele, pois na realidade as entidades subtis não são vistas pelos olhos do corpo, mas apenas pelo olho espiritual, e em tais pessoas ele não está desperto, ou então algo sentidas pelas mais sensitivas Ao fundo vemos a cidade, no caso Rimini, murada, com as casas, torres e igrejas, e de novo num registo de clarividência, ou então, pelo menos de crença na existência de entidades subtis, tais como diabos, com asas mais reduzidas, e anjos, com elas mais desenvolvidas, vemos uma espécie de dança ou luta voadora deles, no fundo tentando influenciar ou apoiar as pessoas no bem ou no mal.
Ruffo
no na sua ilustração acentuou tanto as entidades subtis que estão pode detrás dos erros e maldades das pessoas como ainda o poder da palavra justa, verdadeira, amorosa, pela qual Santo António, qual outro Orfeu trácio e dos mistérios órficos, conseguia comunicar-se com a Natureza, os animais, os peixes e mais ainda, como noutros milagres aconteceu, expulsar as forças do mal, da ignorância, do ódio, da inveja, da ganância que tanto diabolizam o seres, ou seja, os tornam adversários ignorantes da Verdade, da Justiça, do Bem e da Divindade. E isso acontece muito nos nossos dias, em que por artes maléficas tanta gente é enganada e manipulada e segue arrebanhada por políticos, grupos e meios de informação negativizados, ou na anti-verdade, anti-Divinos.
Saibamos
orar, meditar e tentar ouvir a vontade, voz e providência divina, o Logos, em nós, tal como S. António, "o meu bispo", como lhe chamou o seu patriarca S. Francisco, admirando a sua erudição de Retórica, Gramática e Dialéctica, o Trivium, adquirida no mosteiro de S. Vicente de Fora, dos frades de Santo Agostinho e depois no mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, onde fora ordenado sacerdote em 1220, além da sua ascese, virtudes e sensibilidade. Modernamente o P. Henrique Pinto Rema e Francisco da Gama Caeiro (os quais ainda conheci), deram à luz as obras ou esquemas de sermões do Santo e valiosos estudos sobre ele.

S. António, pela querida amiga Maria da Fátima Silva. Pelo verde aromático do manjerico-tulsi sagrado,  e a humildade manual e peregrina, rumo ao Divino e à Humanidade justa e fraterna....

Possamos ser nós amigos deste importante mestre e elo da Tradição espiritual portuguesa, mais celebrado na fraternidade e alegria popular do que na sua sabedoria e amor devocional à Divindade, tão presente noutros milagres da sua vida exemplar.

Que S. António nos ajude encontrar a pérola, chave, alma afim ou gémea perdida, e a conversa ou convergência (como desejava Agostinho da Silva) viva e amorosa com a Divindade íntima (ishta devata, e para S. António, se a lenda de ter sido visto com ele é vera, o menino Jesus). E para melhor vivermos em fraternidade comungante multipolar.