Iter in Spiritu,
Caminho no Espírito, é o título da exposição de pintura que a
Maria de Fátima Silva, da sua profunda e grande sensibilidade,
criatividade e alma, nos oferece num dos corações lisboetas, o
Largo do Calhariz, num palácio oitocentista onde funciona a
Biblioteca Municipal Camões, na zona onde outrora floresceu a
tipografia Craesbeekiana, e ainda hoje a Livraria Antiquária do
Calhariz.

É numa sala ampla, sob um tecto finamente revestido de motivos vegetalistas em estuque, num entretecimento histórico bem adequado, que encontramos, com curadoria da Eunice Mestre, o conjunto de dezoito pinturas apresentado pela Fátima sob a ideia constelada de itinerário ou caminho no espírito, e que é tanto seu e da sua família, como o nosso e o das personagens e simbolizações representadas, todas elas manifestando estações no caminho em si: o iter que liga a terra e o céu, os opostos e dualidades, através das escolhas (o y pitagórico presente), actos, devoções, peregrinações, beleza e bem, sacrifício e compaixão, sabedoria e amor e que ela exemplifica ou transmite através filões, veios, seres, símbolos, monumentos e mitos da tradição espiritual portuguesa, e não só já que esta é universalista, e que com muita criatividade e hermenêutica própria, rasgando as trevas brancas de cada tela virgem, a Fátima convoca, avatariza e povoa segundo associações, ritmos e intencionalidades que no seu processo criativo se tornam manifestações interactivas tanto do seu subconsciente como da grande alma portuguesa e anima mundi a que tem acesso, resultando numa unidade da pluridimensionalidade do espaço e tempo, das perspectivas e épocas históricos, com o colorido, o dinamismo e a alegria que caracterizam o seu estilo de pintura.

A Fátima, com o autor do texto, evocando-invocando.
Gerada toda a sua obra por uma grande sensibilidade e vigor, e em que história e religião, afectividade e devoção, memória e conhecimento são alquimizados e reactualizados pelo seu espírito criativo, Santo.

Embora a exposição seja um conjunto de pinturas, sentido por quem entra na harmoniosa sala como um todo belo (um microcosmos) diluído pelo chão antigo de madeira castanha, pelas paredes de uma pureza grande rasgadas nas amplas janelas e pelo maravilhoso tecto estucado vegetalista, é sem dúvida cada quadro a cumprir melhor ou pior a sua função de representar, de transmitir, de despertar o espírito no caminho, Iter in spiritu, o que a Fátima fez cuidadosamente e tanto subconsciente como eruditamente, com muito génio.


Se a intencionalidade da mensagem dela, ou mesmo da pintura ou coisa em si, é compreendida ou não, se o caminho espiritual que contemplamos é apenas histórico, estético, exterior ou se ressoa em nívéis internos nossas e nos impulsion nesta ou naquela energia, sentimento, direcção ou consciencialização, só cada um por si mesmo poderá realizar e discernir, e em especial ao contemplar e sentir melhor ou mais demoradamente as obras, por vezez ícones.
É numa sala ampla, sob um tecto finamente revestido de motivos vegetalistas em estuque, num entretecimento histórico bem adequado, que encontramos, com curadoria da Eunice Mestre, o conjunto de dezoito pinturas apresentado pela Fátima sob a ideia constelada de itinerário ou caminho no espírito, e que é tanto seu e da sua família, como o nosso e o das personagens e simbolizações representadas, todas elas manifestando estações no caminho em si: o iter que liga a terra e o céu, os opostos e dualidades, através das escolhas (o y pitagórico presente), actos, devoções, peregrinações, beleza e bem, sacrifício e compaixão, sabedoria e amor e que ela exemplifica ou transmite através filões, veios, seres, símbolos, monumentos e mitos da tradição espiritual portuguesa, e não só já que esta é universalista, e que com muita criatividade e hermenêutica própria, rasgando as trevas brancas de cada tela virgem, a Fátima convoca, avatariza e povoa segundo associações, ritmos e intencionalidades que no seu processo criativo se tornam manifestações interactivas tanto do seu subconsciente como da grande alma portuguesa e anima mundi a que tem acesso, resultando numa unidade da pluridimensionalidade do espaço e tempo, das perspectivas e épocas históricos, com o colorido, o dinamismo e a alegria que caracterizam o seu estilo de pintura.
A Fátima, com o autor do texto, evocando-invocando.
Gerada toda a sua obra por uma grande sensibilidade e vigor, e em que história e religião, afectividade e devoção, memória e conhecimento são alquimizados e reactualizados pelo seu espírito criativo, Santo.
Embora a exposição seja um conjunto de pinturas, sentido por quem entra na harmoniosa sala como um todo belo (um microcosmos) diluído pelo chão antigo de madeira castanha, pelas paredes de uma pureza grande rasgadas nas amplas janelas e pelo maravilhoso tecto estucado vegetalista, é sem dúvida cada quadro a cumprir melhor ou pior a sua função de representar, de transmitir, de despertar o espírito no caminho, Iter in spiritu, o que a Fátima fez cuidadosamente e tanto subconsciente como eruditamente, com muito génio.
Se a intencionalidade da mensagem dela, ou mesmo da pintura ou coisa em si, é compreendida ou não, se o caminho espiritual que contemplamos é apenas histórico, estético, exterior ou se ressoa em nívéis internos nossas e nos impulsion nesta ou naquela energia, sentimento, direcção ou consciencialização, só cada um por si mesmo poderá realizar e discernir, e em especial ao contemplar e sentir melhor ou mais demoradamente as obras, por vezez ícones.
O conteúdo e os elementos de cada
composição são em geral identificáveis (com maior ou menor
dificuldade...), e respiram ou partilham a nossa tradição, desde os
tempos pré-históricos, com os cultos misteriosos à volta dos
menhires e cromelechs, aos medievais, com o amor até ao fim do mundo
de Inês e Pedro, e o culto do Espírito santo, do menino imperador
do mundo.

Encontramos também o culto do coração espiritual , como imagem piedosa, como emblemata, como local de teofania divina ou de confluência das correntes entre os que se amam, ou com o que cada um se liga e ressoa, frequentemente subtil e inconscientemente.
Mencionemos ainda o culto dos mensageiros, das aves, dos daimons, mercúrios, anjos e deusas que povoam bastante o imaginário anímico e pictórico tanto da história humana como da Fátima, e para bem nosso, pois face à virtualização digital crescente da percepção do mundo e da comunicação, mais do que nunca nos compete trabalhar para não esquecer que tanto somos corpos com mãos que pintam, escrevem, leem, trabalham, ajudam e abençoam, e elas estão muito presentes na exposição, como também espíritos no caminho da Vida eterna e que os Anjos, como os santos e santas, os guias, antepassados e mestres, ou as diferentes Faces Divinas (ishta devata, na Índia), são ajudantes e intermediários para a sintonização e manifestação do Espírito, do Bem, da Verdade e da Divindade e para uma melhor Humanidade.

O que é que cada pessoa valorizará mais no caminho para o Espírito ou já no Espírito, qual é a pintura ou os seus elemento que mais a tocam ou encantam, caberá a cada um de nós considerar, sentir, intuir e, talvez até, para aprofundar melhor a qualidade icónica espiritual, adquirindo algum quadro, ou apenas o contemplando mais demoradamente, para o ter de cor no coração e ser assim um psico-morfismo vivo e dinamizante no seu caminho no Espírito, luminoso, santo, beatífico como todos aspiramos e potencialmente merecemos e que a Arte tanto estimula, pois como o mestre e pintor russo Nicholai Roerich disse, “através da Beleza oramos, através da Beleza unimo-nos!”.
Encontramos também o culto do coração espiritual , como imagem piedosa, como emblemata, como local de teofania divina ou de confluência das correntes entre os que se amam, ou com o que cada um se liga e ressoa, frequentemente subtil e inconscientemente.
Mencionemos ainda o culto dos mensageiros, das aves, dos daimons, mercúrios, anjos e deusas que povoam bastante o imaginário anímico e pictórico tanto da história humana como da Fátima, e para bem nosso, pois face à virtualização digital crescente da percepção do mundo e da comunicação, mais do que nunca nos compete trabalhar para não esquecer que tanto somos corpos com mãos que pintam, escrevem, leem, trabalham, ajudam e abençoam, e elas estão muito presentes na exposição, como também espíritos no caminho da Vida eterna e que os Anjos, como os santos e santas, os guias, antepassados e mestres, ou as diferentes Faces Divinas (ishta devata, na Índia), são ajudantes e intermediários para a sintonização e manifestação do Espírito, do Bem, da Verdade e da Divindade e para uma melhor Humanidade.
O que é que cada pessoa valorizará mais no caminho para o Espírito ou já no Espírito, qual é a pintura ou os seus elemento que mais a tocam ou encantam, caberá a cada um de nós considerar, sentir, intuir e, talvez até, para aprofundar melhor a qualidade icónica espiritual, adquirindo algum quadro, ou apenas o contemplando mais demoradamente, para o ter de cor no coração e ser assim um psico-morfismo vivo e dinamizante no seu caminho no Espírito, luminoso, santo, beatífico como todos aspiramos e potencialmente merecemos e que a Arte tanto estimula, pois como o mestre e pintor russo Nicholai Roerich disse, “através da Beleza oramos, através da Beleza unimo-nos!”.
Lisboa, Pedro Teixeira da Mota. 5 Setembro 2024.
2 comentários:
Nas palavras do Pedro, encontro-me, sinto uma comunhão muito verdadeira, de coração e como explicar as minhas demandas pictóricas. Agradeço muito a apreciação que o Pedro faz e fico muito feliz embora saiba e sinta que sou uma gota de água neste caminho pitagórico, Muitas graças carissimi amicum por caminhar ao meu lado.
linda apresentação de uma obra muito interessante que não vou perder. Já vi que está na Biblioteca Municipal até 28.09.
Muitas graças ao Pedro e à pintora Maria de Fátima Silva
Adli
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