Um dos amigos de Fernando Pessoa que nos deixou bastantes recordações da sua convivência com ele foi Francisco Peixoto Bourbon, com quem dialoguei bastantes vezes por carta e algumas vezes pessoalmente, esperando vir a fazer juz à nossa amizade transcrevendo o que de mais importante me disse ou foi por ele escrito.
Foi frequentador sobretudo das tertúlias do Café Montanha, à rua da Assunção, onde participavam às quinta-feiras, entre outros, Mário de Saa, Marquês de Penafiel, Cunha Dias, Manuel de Vasconcelos e Meneses (um sábio, com quem ainda dialoguei), cap. Gastão de Melo Matos, eng. Rogério Caldeira Santos, Joaquim Palhares, mas eventualmente esteve também com ele noutros poisos tertulianos, tais como as Brasileiras do Chiado e do Rossio e os Martinhos, seja o do Rossio, seja o da Arcada, à praça do Comércio, este hoje ainda sobrevivendo como local de culto pessoano e onde de quando em quando amigas e amigos do Martinho da Arcada organizaram actividades pessoanas.
Relendo hoje um pequeno texto que ele me enviou dactilografado intitulado: "Evocando Fernando Pessoa - Como nutrira profundo desamor que lhe chamassem o Verlaine Português", no qual referia a sua publicação recente no jornal O Dia" de texto de contestação ao livro O caso clínico de Fernando Pessoa de um médico Mário Saraiva, entendi ser uma oportunidade de relembrar tal amizade, e transcrever algumas partes desse texto, nomeadamente onde concluía: "Não, Fernando Pessoa merecia sem dúvida melhor crítico e implacável julgador do que até à data se tem revelado o Dr. Mário Saraiva.
A vida foi madrasta para o incompreendido poeta mas depois de morto e passado sobre a sua morte mais de meio século não se me afigura que esteja sendo tratado por forma mais benigna do que o foi em vida"
Neste texto, a propósito de um cachecol, ou cache-nez, e um bastão com cabo de prata, que dois alentejanos ricos ofereceram a Fernando Pessoa, por serem usados frequentemente por Verlaine, o que ele não apreciava, nomeadamente por não gostar de dar nas vistas, diz-nos Francisco Peixoto Bourbon que "Fernando Pessoa procurava confundir-se com a multidão. Chegava mesmo a considerar a popularidade como uma gafa em que só seres inferiores se deixavam prender ou cair.
Não, Fernando Pessoa paira muito acima dessas fraquezas humanas que ele aliás compreendia e desculpava, como ser tolerante que sempre foi.
O seu lema era expor, propor e nunca, de forma alguma, impor.
De uma vez censurou-me, com desgosto, por me estar armando em Catão e acabou por me dizer que devemos ser mais compreensivos em relação às pequenas faltas reservando a severidade para as grandes faltas, as que imprimem carácter."
E fiquemo-nos por aqui nesta pequena evocação de Fernando Pessoa e do seu amigo Francisco Peixoto Bourbon, agrónomo, e das terras de Basto, amigo do meu pai e que me recebeu tão bem na sua bela casa e biblioteca do Melhorado há uns bons anos, onde vivia com a sua mulher e a filha Mafalda, hoje também agrónoma e professora do ensino secundário.
Relendo hoje um pequeno texto que ele me enviou dactilografado intitulado: "Evocando Fernando Pessoa - Como nutrira profundo desamor que lhe chamassem o Verlaine Português", no qual referia a sua publicação recente no jornal O Dia" de texto de contestação ao livro O caso clínico de Fernando Pessoa de um médico Mário Saraiva, entendi ser uma oportunidade de relembrar tal amizade, e transcrever algumas partes desse texto, nomeadamente onde concluía: "Não, Fernando Pessoa merecia sem dúvida melhor crítico e implacável julgador do que até à data se tem revelado o Dr. Mário Saraiva.
A vida foi madrasta para o incompreendido poeta mas depois de morto e passado sobre a sua morte mais de meio século não se me afigura que esteja sendo tratado por forma mais benigna do que o foi em vida"
Neste texto, a propósito de um cachecol, ou cache-nez, e um bastão com cabo de prata, que dois alentejanos ricos ofereceram a Fernando Pessoa, por serem usados frequentemente por Verlaine, o que ele não apreciava, nomeadamente por não gostar de dar nas vistas, diz-nos Francisco Peixoto Bourbon que "Fernando Pessoa procurava confundir-se com a multidão. Chegava mesmo a considerar a popularidade como uma gafa em que só seres inferiores se deixavam prender ou cair.
Não, Fernando Pessoa paira muito acima dessas fraquezas humanas que ele aliás compreendia e desculpava, como ser tolerante que sempre foi.
O seu lema era expor, propor e nunca, de forma alguma, impor.
De uma vez censurou-me, com desgosto, por me estar armando em Catão e acabou por me dizer que devemos ser mais compreensivos em relação às pequenas faltas reservando a severidade para as grandes faltas, as que imprimem carácter."
E fiquemo-nos por aqui nesta pequena evocação de Fernando Pessoa e do seu amigo Francisco Peixoto Bourbon, agrónomo, e das terras de Basto, amigo do meu pai e que me recebeu tão bem na sua bela casa e biblioteca do Melhorado há uns bons anos, onde vivia com a sua mulher e a filha Mafalda, hoje também agrónoma e professora do ensino secundário.

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