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domingo, 11 de outubro de 2026

Palestra sobre a Sabedoria (4ª parte) de Pedro Teixeira da Mota. Perguntas e respostas. Biblioteca Municipal de Cascais.

Quarta parte, perguntas e respostas, da conferência de Pedro Teixeira da Mota sobre a Sabedoria, na Biblioteca Municipal de Cascais. Na continuidade dos "Encontros de Sabedoria", que a Maria Conceição Valdez Teles de Menezes tem organizado. 10 de Outubro de 2026.    

Sobre a Sabedoria (3ª p.). O prof. Mário Simões comenta a palestra. E perguntas. Cascais. 10/10/26.

     Terceira parte da Palestra de Pedro Teixeira da Mota sobre a Sabedoria, na Biblioteca Municipal de Cascais no âmbito dos "Encontros de Sabedoria", que a Maria Conceição Valdez Teles de Menezes tem organizado em parceria com as Câmaras Municipais de Cascais, Sintra e Mafra. Nesta Terceira parte, podemos ouvir o comentador prof. Mário Simões, psiquiatra e psicólogo transpessoal, amigo de longa data, a apresentar a sua visão e questões. E outras pessoas a perguntarem ou comentarem.         

Conferência acerca da Sabedoria (2ª parte), proferida por Pedro Teixeira da Mota, na Biblioteca Municipal de Cascais, a 10/10/26.

     Conferência, palestra ou improviso acerca da Sabedoria (2ª parte) proferida por Pedro Teixeira da Mota na Biblioteca Municipal de Cascais, a 10/10/26. No âmbito dos "Encontros de Sabedoria" que a Maria Conceição Valdez Teles de Menezes tem organizado em pareceria com as Câmaras Municipais de Cascais, Sintra e Mafra.
Poderei acrescentar alguns esclarecimentos, se forem pedidos....

             

A Sabedoria (1ª parte), conferência por Pedro Teixeira da Mota, na Biblioteca Municipal de Cascais, realizada a 10/10/26.no âmbito dos "Encontros de Sabedoria"

   Palestra ou conferência sobre a Sabedoria (1ª parte), realizada por Pedro Teixeira da Mota, na Biblioteca Municipal de Cascais, a 10/10/26,.no âmbito dos "Encontros de Sabedoria" que a Maria Conceição Valdez Teles de Menezes tem organizado em pareceria com as Câmaras Municipais de Cascais, Sintra e Mafra.

Poderei vir a acrescentar algumas notas ou clarificações....

           

sábado, 10 de outubro de 2026

Breves meditações (4ª) ou ensaios sobre a Sabedoria.

A Sabedoria é uma das faces ou princípios pluridimensionais divina mais manifestada pelo ser humano.
Ela permeia tudo o que acontece, e une os mundos e os seres em múltiplos níveis, desde os mais práticos e visíveis até aos mais subtis e elevados ou mais profundos mas poucos são os que demandam e atingem os seus píncaros ou profundidades e compreendem bem os seus símbolos e sinais e os vivem e unificam em si próprios.
É no peito de cada ser humano que o culto da Sabedoria deve ser trabalhado perseverantemente, pois a Sabedoria está sempre rodeada, ou envolta ou submersa por muitos véus de aparências enganosas, de instintos possessivos, de ignorância descuidadas. Por isso ao longo dos séculos  erguerem-se grupos fraternidades, escolas de sabedoria, tais as de Pitágoras, as das confrarias dos Mistérios, as sodalidades ocidentais, as fraternidades esotéricas islâmicas, hindus, taoístas ou as ordenes religiosas cristãs, todas elas ajudando a purificação e instrução e aperfeiçoamento dos seres na realização espiritual e unidade do ser, do universo, da Identidade Suprema.

Gnothi seauton, "Conhece-te a ti próprio", é uma das máximas fundacionais da sabedoria grega, proveniente da Tradição, nomeadamente popular, e formulada ou atribuída a Tales de Mileto, um dos Sete Sábios da Grécia, dos séc. VII e VI,  canonizados como tais, sendo a cada um deles, Tales, Sólon, Bias, Quílon, Periandro, Pitaco, Cleóbulo, atribuída uma máxima ou símbolo de sabedoria moral, a maioria delas no sentido da prudência.

Como seta afirmante da da necessidade da auto-gnose e para se entrar na esfera do mais sagrado, ela estava inscrita  em Delfos numa das colunas do pronau ou entrada do templo de Apolo, o deus do Sol, mas onde ainda pontificava, vinda da matriz da Grande Deusa, uma pitonisa ou sibila inspirando as almas no Caminho. 

Relembra-nos  tal lema, intenção e bussola, que devemos ser perseverantes no árduo caminho do conhecimento e da perfeição, quais eixos ou colunas na Sabedoria perene que une os mundos, os seres e a Divindade.

Nos nossos dias, de ruínas mas ainda de fogo (Atar, Agni, Ignis) da Sabedoria e Amor
.

 


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Breves meditações (3ª) ou ensaios sobre a Sabedoria.

           
A Sabedoria nos humanos nasce tanto do estudo, meditação e contemplação como das vivências e encontros com os seres e polaridades, e amadurece e apura-se na compreensão lúcida que assimilamos, frutificando no bem fazer, na beleza, justiça, paz e ser.
A Sabedoria é um princípio ou atributo divino, uma ideia primordial, um eidos, um super-conceito, que inclui ou apela a diversas qualidades para se manifestar humanamente, e deixar de ser apenas divina, transcendental, ideia pura, virtual, encarnando graças às virtudes ou qualidades, tais como a atenção, o discernimento, o estudo, a paciência, a prudência, a comensurabilidade, o estoicismo, o desprendimento, a abnegação, a serenidade, o amor, que vamos desenvolvendo no Caminho. 

No exame ao fim do dia que os Pitagóricos realizavam na sua fraternidade e tradição o discípulo interrogava-se e discernia onde errara mais, arrependendo-se e corrigindo-se, e onde fora mais sábio,  justo, luminoso, ligando melhor a alma e o espírito, o bem nosso e o bem dos outros, o céu e a terra na cruz universal, aprofundando a pureza e transparência de consciência, do coração e do seu veículo etérico, ochema.

Ao longo dos séculos seres e grupos perseveraram mais na Sabedoria do pensar, contemplar e agir bem, e encontramos belas florações na sabedoria popular, nas profissões e artes, nas ordens religiosas, e sobretudo nos pensadores e filósofos, já que estes eram teoricamente  os amigos da Sabedoria, Sophia, e desde Pitágoras que no Ocidente se distinguiu a Phronesis, o bem fazer, a sabedoria prática,  e a Sophia, sapiência contemplativa, aprofundada com Sócrates, Platão, Aristóteles e os seus continuadores, tais Plotino, Porfirio, Plutarco, Apuleio, ou mesmo na idade Média com diversas escolas, tal a de Chartres. 

A partir do Renascimento, a grande floração humanista de sapiência vinda já de Dante e Petrarca, brilha em Marsilio Ficino (o tradutor e comentador de Platão, Plotino e do Corpus Hermeticus, desde 1484), Pico della Mirandola, Erasmo, Eugubinus Steucos, Lefévre d'Étaples, Paracelso, Charles de Bouvelles, Giordano Bruno, ou mesmo nos nossos André de Resende, João de Barros, Damião de Goes, Luís de Camões, Jorge Ferreira de Vasconcelos,  Rafael Bluteau, etc.

No Cristianismo, se alguns dos primeiros padres da Igreja uniram bem a sabedoria pagã e a cristã e se tornaram célebres. tais Orígenes e Clemente de Alexandria, muitos outros se destacaram no culto da Sabedoria e entre os portugueses destacaram-se nos franciscanos, na esteira de S. António,  nos Agostinhos, nos Jesuítas missionários e em especial, enquanto sucessores dos Templários na Ordem de Cristo, bem actuante no tempo dos Descobrimentos (com a de Aviz e de Santiago),  na qual o lema do seu administrador e governador (durante 40 anos) Infante D. Henrique,  Talent de bien faire, a invocava, inspirando frades contemplativos e cultores como Gregório Taveira, Isidoro Barreira, Aleixo de S. António, Lourenço Garro, Paulo de Vasconcelos e outros. 

Certamente que deveremos referir a existência de várias monjas ou sorores que desenvolveram em Portugal a Santa Sophia, nas suas vidas (por vezes tão ásperas ou abnegadas), nas suas realizações íntimas e escritos, numa rectaguarda da Igreja militante mas nem por isso menos importante na funcionalidade de irradiação luminosa  religante da Humanidade ao Bem e à Divindade, a partir dos seus centros e claustros, corações e orações.

Com uma riqueza tão grande de Tradição perene e portuguesa ao nosso alcance, que tem tido valiosos representantes até aos nossos dias, - e mencionaremos apenas as demandas de Antero de Quental e Jaime de Magalhães Lima, de Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa, de Leonardo Coimbra e Sant'Anna Dionísio, de Agostinho da Silva e Dalila Pereira da Costa, de Afonso Botelho, Pina Martins e Jorge Preto -, cada um de nós deve cultivar,  meditar, aprofundar e actualizar alguns destes elos mais ou menos axiais, para a nossa alma sobreviver melhor a tanta  artificialidade e tecnologia, agitação e violência, ignorância e manipulação. Cultivar a sabedoria no discernimento, assimilação e acção, e aprofundá-la na meditação e contemplação, é cada vez mais necessário se queremos realizar-nos espiritualmente, se aspiramos a uma Humanidade mais desperta, sábia e unida harmoniosamente...

A humanidade, os espíritos celestiais e a Divindade unidos em elevação e adoração, por Domingos António de Sequeira. Museu de Arte Antiga.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Breves meditações (2ª) ou ensaios sobre a Sabedoria.

      A Sabedoria, humana, é sentir, pensar, falar, agir e meditar em verdade e bem,   e harmonizar e religar os seres mundos  visíveis e invisíveis, nomeadamente a terra e o céu, os vivos, mortos e antepassados, dissipando a ignorância, atravessando os embates e as oposições, constantemente morrendo e renascendo, rumo à luz, à verdade, ao Bem, à Divindade.

A Sabedoria é o aprofundamento do que se faz, sente e pensa de modo a que se realizem transformações, transmutações e transmissões  que nos abram mais - a nós e aos outros  - à verdade, à justiça, à harmonia, à Unidade.

A Sabedoria enquanto prática mais interna e iniciática, tanto observa o mundo interior, tenta gerar e adentrar-se no silêncio, tenta entrar no coração e desvendar aspectos e mistérios, como segue a respiração e pronuncia os mantras ou palavras de poder sacro e invocatório dos seres espirituais e dos estados conscienciais e de ser que nos religam ao espírito, à Luz, à Paz, à Divindade.

O ser que cultiva, cultua ou ama a Sabedoria ou a Sapiência é por ela apoiado e transformado e consegue estar ou caminhar mais  axializado entre a Terra e o Céu, tornando-se um centro invocador, receptor e irradiador das força da verdade, da paz,  da Unidade que ele intui, sente, toca, respira, ama ou contempla.

A Sabedoria cósmica manifesta-se nas proporções, geometria, ritmos, tais os da respiração, das batidas do coração, das horas do dia, do bio-ritmo mensal, das estações do ano,  equinócios e solstícios, o ciclo lunar, da espiral biográfica da vida. E pelas leis das correspondências tudo pode ser vivenciado pluridimensionalmente, alargando ou expandindo a consciência e o ser, permitindo-nos sentir, receber, contemplar, entrar nos domínios ou níveis da essencialidade e sacralidade dos seres e viver de modos mais profunda, harmoniosos, conscientes da trindade amalgamada de corpo, alma e espírito, das dualidades complementares, dos princípios perenes e atributos divinos no aqui e agora. 

A Sabedoria é discernir os ritmos e ondas psico-somáticas, os limites, os tempos de mudança, a absorção e a irradiação, o que devemos evitar e o que devemos apoiar, tal como já dizia Epitecto, sustine et abstine, o que é justo ou injusto, o bem e o mal, e avançar e convergir ascensionalmente, axialmente.

Sabedoria é estar consciente de si e dos outros, e como devemos fluir nas relações espontaneamente a partir do coração e da espírito e sabendo ultrapassar tantos as atrações e dispersões das aparências agradáveis ou sedutoras, como vencer ou superar as ameaças e medos desintegradores.

O verbo ou sermo da Sabedora e do sábio é ser, sê-lo. Ou tornar-se, assumir, incorporar, respirar, viver, a santa Sophia, a sabedoria que é divina e que harmoniza e nos eleva à sua Luz ou glória, qualquer que seja a medida e a cor que nos caiba mais .

Na religião mais antiga dos Persas, o seu  profeta fílósofo e reformador Zoroastro, compreendeu bem a Divindade (e bispo e historiador Eusébio da Cesareia, do séc. IV, na sua Preparação Evangélica, reconheceu: "A mais bela definição da Divindade que se encontra entre os antigos é a de Zoroastro") denominou  Deus ou a fonte suprema, o grande ser ou senhor Sabedoria, Ahur Mazda, e intuiu nele seis grandes entidades  celestiais,  os Amesha spenta, os Santos Imortais, que representam atributos, arquétipos e modelos vivos com diferentes funções na harmonia do Cosmos e da Terra (estando na génese dos Arcanjos do Cristianismo),  os seus nomes, masculinos e femininos, e funções  sendo Asha Vahishta, a Verdade ou Ordem Cósmica (a que se opõe Druj, a mentira), Spenta Armaiti, a da devoção, adoração,  Sabedoria, Vohu Mana, a boa mente, com os pensamentos justos, Khshatra, Reino de Deus e soberania (correspondente ao Kshatriya, guerreiro, indiano), Haurvatat, a saúde, integridade, salvação, Ameretat, imortalidade, deixando-nos assim uma valiosa tradição dos espíritos celestiais (e os  hinos a eles, ou gathas, são de grande devoção e beleza) e dos atributos divinos importantes de serem trabalhados,

Saibamos pela vida de aspiração, labor e amor à Sabedoria e Verdade  pelos pensamentos e sentimentos,  orações e ritos, meditações e contemplações elevar-nos mais consciencialmente e transformar-nos pelos símbolos ou seres sagrados contemplados, sob o influxo da luz da glória, khvarenah ou farrah, na tradição avéstica  iraniana e na sufi, luz de amor, inteligência e justiça, que nos revela a taça do centro do coração, na idade Média erguido como santo Graal, e na Pérsia dos poetas espirituais Jam-e Jam,   que acolhe e emana os influxos celestiais e do Espirito Divino, e nos harmoniza e unifica íntima e universalmente.