Ensinamentos da Ordem de Cristo.
O Dom Prior do Convento de Tomar Frei Paulo de Vasconcelos, que já abordámos recentemente, publicou em 1649 a Arte
espiritual que ensina o que he necessario para a meditação, e
contemplação, repartida nas tres vias, purgativa, illuminativa &
unitiva; o tempo em que se há-de entrar, e deixar cada uma delas com
seus particulares exercícios...
O valor perene da obra levou-a a ser dada de novo à luz em 1725 num in-4º
de (8)-419-(7) páginas, e as suas divisões ou capítulos são: A Oração e suas
seis partes: Lição, Preparação, Meditação, Contemplação, Acção de graças
e Petição. A via Purgativa: exercícios, considerações, colóquios e
oferecimentos. A via Iluminativa: considerações gratas aos Anjos, Nossa Senhora. Meditações sobre a vida de Jesus
Cristo (da página 91 à 210). Seguem-se até à p. 229 as Advertências da Via Unitiva, onde se
inserem nove belas considerações ou meditações diárias sobre os
atributos Divinos, tais a infinidade, a bondade, a formosura, a
imutabilidade. Depois as Advertências sobre a Meditação passada, que é
do Divino Amor, e os motivos do Amor Divino. Na página 257 começa um Tratado de Contemplação, as considerações sobre a união da alma com
Deus, as visões, a purificação da alma, o amor que se recebe, e uma breve hermenêutica de algumas advertências da Santa madre Teresa sobre a
contemplação. A partir da página 361 conclui-se com novas considerações sobre nascimento, morte de Jesus Cristo e o mítico Juízo final.
Resolvemos ler e comentar uma das meditações ou considerações da fase mais avançada no caminho, a que se segue à inicial Purgativa ou purificadora e à intermédia, a Iluminativa, e que se denomina a Unitiva, pois nela a união com Deus é sentida em amor, zelo e alegria.
Nas Advertências da Via Unitiva, o Dom Prior e mestre dos Noviços explica o que se requer e é necessário para o contemplativo se tirar da via iluminativa e entrar na unitiva, realçando o «estar habituado e arreigado na virtude, fora de todo o género de cobiça e apetite», o desvalorizar o que lhe entra pelos cinco sentidos, o tender a amar a Deus em tudo, engrandecendo-O acima de todas as coisas, e trazer sempre na memória a omnipotência divina e os seus atributos ou perfeições, os quais, embora sendo infinitos, devem se focar em apenas alguns, tal como ele fez com nove.
Nas Advertências da Via Unitiva, o Dom Prior e mestre dos Noviços explica o que se requer e é necessário para o contemplativo se tirar da via iluminativa e entrar na unitiva, realçando o «estar habituado e arreigado na virtude, fora de todo o género de cobiça e apetite», o desvalorizar o que lhe entra pelos cinco sentidos, o tender a amar a Deus em tudo, engrandecendo-O acima de todas as coisas, e trazer sempre na memória a omnipotência divina e os seus atributos ou perfeições, os quais, embora sendo infinitos, devem se focar em apenas alguns, tal como ele fez com nove.
Ficamos a conhecer algo da sublimidade do seu ensinamento e provavelmente das almas dos frades da Ordem de Cristo que o seguiam, pois transmite-nos em nove meditações, para nove dias, o que ele entendeu e valorizou mais das perfeições divinas, ou atributos divinos, apresentados assim: A essência Divina. A eternidade Divina. A imensidade de Deus. Do Poder e da Fortaleza de Deus. Da Providência Divina. A Divina Bondade. A Formosura Divina. Da imutabilidade Divina. Do Divino Amor.
Resolvemos ler e comentar a consideração para o oitavo dia, da Imutabilidade Divina, que poderá ouvir em seguida, num vídeo sempre com a mesma imagem de uma cruz templária, feita do calcáreo da pedreira que alimentou as sucessivas construções do Convento e por artistas que lá trabalhavam na década de oitenta. Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=7Bzqvdib1uI
Para concluir, e como a seguir à consideração sobre a Imutabilidade Divina, Frei Paulo de Vasconcelos trata do Divino Amor, vamos transcrever dos Motivos do Amor Divino, parte da Oração final com que se pede a Deus o seu Divino Amor:
Para concluir, e como a seguir à consideração sobre a Imutabilidade Divina, Frei Paulo de Vasconcelos trata do Divino Amor, vamos transcrever dos Motivos do Amor Divino, parte da Oração final com que se pede a Deus o seu Divino Amor:
«Bem podeis vós Senhor meu com este fogo de vosso Amor Divino, alimpar a minha alma de todos os meus pecados e enriquecê-la de todos os vossos bens, e com uma faísca deste a podeis fazer bem aventurada e ditosa (...)
Ame-vos eu, fortaleza minha, e perca tudo o mais, porque vós sois a minha riqueza, a minha esperança e vida. A vós quero, a vós busco, a vós desejo, por vós suspiro e chamo. Não me priveis de tão soberano bem.»
Ame-vos eu, fortaleza minha, e perca tudo o mais, porque vós sois a minha riqueza, a minha esperança e vida. A vós quero, a vós busco, a vós desejo, por vós suspiro e chamo. Não me priveis de tão soberano bem.»
Adveniat Regnum Tuum, isto é, Venha a nós o Espírito, Venha a nós a (tua) Luz, venha a nós o (teu) Amor.
