
Faz hoje 13 de Fevereiro de 2016 110 anos que nasceu na Terra, em Portugal, em Barca de Alva, junto ao rio Douro e à fronteira espanhola, Agostinho da Silva, grande amigo e pedagogo dialogante e luminoso. Será homenageado na Faculdade de Letras de Lisboa num Colóquio nos dias 16 e 17, no qual participarei a 17, pelas 11:00, com uma oratio sobre Agostinho da Silva e a Tradição Espiritual Portuguesa.
Sorrindo-lhe, relembrando-me com amor das tantas vezes que nos encontramos e dialogámos, eis três quadrazinhas muita suas para meditarmos ou decorarmos (isto é, sabermos de cor, de coração e com elas entrarmos luminosamente na outra dimensão) e, depois, um pensamento seu sempre actual e para que aconteçam mais uniões e convergências, entre pessoas e grupos, tão necessárias à grande Alma Portuguesa, a nós, ao Mundo...
Alma esculpes e não pedra
A cada gesto de amor
A ti próprio te fazendo
Como todo o criador.
Se não sabes o caminho
E a sorte nenhum prefere
Toma então pelo mais duro
É esse o que Deus te quer.
Naquela ilha dos Amores
Que sonhou Camões outrora
Só entra e fica liberto
Quem lá viva desde agora.
Como sabemos Agostinho da Silva, e luminoso esteja ele e inspirando os seus amigos, além de um pensador, escritor e pedagogo, foi sobretudo um dialogante, um conversador, sabendo ouvir e falar ou aconselhar, sem premeditação mas espontaneamente, numa linha sempre de unir pessoas, aproximar culturas, reforçar laços de solidariedade para desabrochamentos luminosos. E alguma teorização fez dessa sua particular veia poética dialogante, na qual subitamente se podia começar a navegar no mar alto da unidade dos contrários, na criatividade pura, e à qual, todos os que mais dialogavam com ele, tocava e inspirava:
«A palavra conversa tem a mesma origem etimológica que converter, o que está implicado quando um homem conversa com outro, é uma conversão de qualquer deles ou dos dois ao mesmo tempo – é converter-se aqui, converter-se a qualquer coisa que entenda os dois como as duas partes, as metades de uma certa unidade. Quando conversamos com uma pessoa, no fim de contas queremos converter-nos ou converter a nossa dualidade numa unidade superior».
«A palavra conversa tem a mesma origem etimológica que converter, o que está implicado quando um homem conversa com outro, é uma conversão de qualquer deles ou dos dois ao mesmo tempo – é converter-se aqui, converter-se a qualquer coisa que entenda os dois como as duas partes, as metades de uma certa unidade. Quando conversamos com uma pessoa, no fim de contas queremos converter-nos ou converter a nossa dualidade numa unidade superior».
Este ensinamento, provindo de uma mestre da conversa dialogante, deve ser realmente aprofundado por nós dentro das nossas relações e na tradição cultural e espiritual portuguesa, da qual ele fazia parte, embora já muito aberto à unidade superior universal, matriz ou Campo Unificado de consciência que nos espreita, sobrevoa e recompensa, caso aspiremos a ela e a mereçamos.
Podemos dizer que se convergirmos mesmo para a Verdade e em Amor, então essa Unidade superior supra-racional e temporal, abre-se-nos, manifesta-se e temos intuições valiosas sobre os assuntos em questão.
Que Unidade é esta, que já a Filosofia Perene ou Prisca Teologia falava, como Anima Mundi, Alma do Mundo?
É uma unidade que tem vários níveis, desde os cósmicos, solares e planetários aos humanos, onde, por exemplo, podemos realçar a lei do Amor: o amante torna-se o ser amado e a amada o amante.
Ou o que procura intensamente a Verdade e a ama, guinda o outro a tal vibração e então, aumentada, algo mais dela se poderá revelar, expandir, frutificar.
«Quando dois ou três se reunirem em meu nome, eu estarei no meio deles», disse o mestre Jesus.
Isto é, quando duas pessoas ou três se reunirem, convergindo para a a busca inteligente do que será melhor, eu (verdade, unidade) revelar-me-ei na melhor compreensão ou solução a adoptar.
Ou seja, se vos reunirdes em meu Nome, ou na minha vibração de amor e verdade, então eu estarei presente, eu como a Sabedoria e Verdade subjacentes ao Cosmos, eu como mestre e inspirador possível dos que procuram, batem e aspiram, eu como o Espírito santo, eu como comunhão dos santos, ou dos que mesmo já partidos "bodhisatvicamente" agem pela Humanidade na Terra...
Unidade superior ainda à humana (incarnada e desincarnada), mas com ela contactando, teremos os Anjos nossos, que em tais momentos também se encontram, dialogam, inspiram...
Unidade superior ainda à humana (incarnada e desincarnada), mas com ela contactando, teremos os Anjos nossos, que em tais momentos também se encontram, dialogam, inspiram...
Esta harmonia de seres e campos energéticos e psíquicos, que se fundem e intensificam, fazem desabrochar mais a Alma Mundi ou corpo místico e amoroso da Humanidade, iluminada e intensificada com tais momentos de maior irradiação benefica para todos, para o Cosmos...
Saibamos pois conversar convergentemente e abrindo-nos ao Espírito, de cada um de nós e do Todo, espírito da verdade e do Amor...
E, para terminar com o nosso Agostinho da Silva, eis uma última ideia força perene e optimista, nesta luta ainda forte contra o mundo violento e desequilibrado que alguns poderes tentam impor.
Diz-nos então Agostinho que «aos povos e pessoas da língua Portuguesa cumpriria uma missão», entre os quais particularmente o Brasil, onde Agostinho tanto desabrochou, que, embora comum a todos os povos, alguma relevância poderia ou poderá ter: «guiarem o mundo ao reconhecimento da sua verdadeira essência: a do espírito na matéria esplendendo», essencial verdade e meta do caminho, mas que sabemos só se vai fazendo individualmente e em pequenos grupos...
Pax, Lux, Amor.
Pax, Lux, Amor.

2 comentários:
Que belo Agostinho! Ensina sobre a importância da conversa... tão necessária em nossos dias. Essa essência do verdadeiro relacionamento humano...
Sim, Agostinho era um excelente conversador. As palavras, as histórias, as metáforas surgiam-lhe ao correr da alma e da respiração, para não dizer escrever, mas quem sabe discernir bem os mecanismos ou o processo da associação das ideias e das palavras, das imagens e das intenções? O que predominaria mais em Agostinho, ou agora em nós? Foi ele um conversador nato, ou tal disponibilidade de ouvir o outro e fazer um com ele e depois bolinarem com o melhor vento, desenvolveu mais no trópico brasileiro?
Sim, a conversão de cada um ao melhor de si, para não se ser infiel à sua criatividade e missão, constituía muito provavelmente a essência intencional do conversar de Agostinho da Silva.
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