segunda-feira, 13 de abril de 2015

Antero. O Desterro dos Deuses. E o seu regresso...

Quando Antero estudava em Coimbra e se inebriava na história longínqua da Humanidade e das suas religiões e mitos,  mas também entusiasmando-se com o Socialismo e a Revolução, bebendo sobretudo em autores como Michelet, Quinet, Proudhon, Max Muller e outros, e sendo de estudos companheiro de Vasconcelos de Abreu, Batalha Reis e Eça de Queiroz, podemos interrogar-nos como perspectivou ele a evolução da humanidade e sobretudo a história religiosa e cultural do Ocidente, e que intuições conseguiu ele desferir mais ou menos acertadas no meio do cortejo de deuses, heróis e poetas antigos que a sua imaginação ardente e poética trabalhava e que mais tarde os Sonetos e alguns escritos testemunham.
Ora um poema pouco conhecido escrito em 1866, quando tinha 24 anos, para a revista conimbricense Instituto, já depois de ter publicado as Odes Modernas e de ter participado na Questão Coimbra,  faz alguma luz e mostra-nos uma grande admiração e mitificação da época primordial da Humanidade então na sua Idade do Ouro, desabrochando históricamente na Grécia mas depois subitamente obscurecida e apagada por uma estranha opressão que Antero não explicita ou nomeia mas que se pode deduzir ser o desenvolvimento do Império Romano e da Igreja Católica Romana.  Antero, aliás, estava neste ano de 1866 a entrar na época de maior intervenção revolucionária, mudando-se para a Lisboa e iniciando a experiência de tipógrafo na Imprensa Nacional e antes de partir para Paris e conhecer melhor o meio vanguardista da época e as condições de ser um operário.
Esse anseio da alma eterna da Humanidade, esses génios e espíritos, essas vozes oraculares e divinas que inspiraram a Humanidade (nomeando mais Diana e as Naiades, Homero e Orfeu, como referencio em legenda numa das fotografias),  não morreram e estão de novo a desabrochar impulsionando  a Humanidade a reatar os  momentos mais luminosos e harmoniosos da sua infância quando então comungava com os deuses e mestres e toda a manifestação estava animada pelo Espírito, e as pedras e grutas, fontes e montanhas eram templos vivos...
Há então neste poema de Antero de Quental, um veio quase clarividente e céltico do regresso de Orfeu e de Merlim, dos heróis, mestres e deuses que se sentem e se adivinham já como sombras, cantares suaves, presságios precursores e luz de alba que em breve a Humanidade iluminará...

Um belo poema de Antero, pouco conhecido, dedicado ao seu companheiro António de Azevedo castelo Branco, e que visitando hoje um bibliófilo amigo, Fernandes Tomás, deu para fotografar nesta bela edição da mítica Tipografia do Cávado, em Barcelos, realizada pelo seu devoto admirador Rodrigo Veloso, que salvou do olvido várias destas publicações dispersas do nosso Antero....

Saibamos trabalhar pela justiça e clarividência, pela vida harmoniosa com a Natureza e com a ligação ao mundo espiritual e os seus seres...
Omm










"Entre os lábios de Orpheu o canto augusto/ Gelou-se, e a extrema nota dissipou-se."
Uma das belas e profundas referências ao mestre encantator, e donde derivaram as poesias e a teologia Órfica, com os seus iniciados. "Morrer é ser iniciado", dirá Antero mais tarde, ecoando esta tradição...
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Vestido de Luz, esteja o Santo Antero nosso...
Eco

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