domingo, 19 de outubro de 2014

Marsilio Ficino (1433-1499), vida e ensinamentos.

19 de Outubro, dia de anos Marsilio Ficino, nascido em 1433 mas sempre vivo nos corações dos seus amigos e admiradores...
                                    
Foi a 19 de Outubro que nasceu na Itália, no vale do Arno, em 1433 Marsilio Ficino, filho do médico de Cosimo de Medici, primeiro tradutor das obras completas de Platão, Plotino e do Corpus Hermeticum do grego para o latim, então a língua culta da Europa, líder do Humanismo mais espiritual e abrangente do Renascimento, animador da celebrada Academia Platónica de Florença. Viverá até 1499.
Horóscopo de Marsilio Ficino, muito dado às correspondências do Macrocosmo e do Micrcosmos.     
Foi inspirador de artistas como Botticeli, Ghirlandaio, Fillipini Luppi e Miguel Angelo, e autor, como Pico della Mirandola, Erasmo, Thomas More, John Colet, Lefèvre d’Étaples, Leão Hebreu e Agostino Steuco, de obras de grande sabedoria no Renascimento europeu, entre elas se destacando, além da Theologia Platonica, o De Sole e o De Triplice Vita, que inclui três tratados: A Vida Longa, Da Manutenção da Saúde nos Estudiosos, e Da obtenção da Vida dos Céus, 
Médico como o pai, mas clérigo em santa Maria Magiore e mais ainda filósofo e espiritualista, desenvolveu a ideia da continuidade da revelação divina,  desde os tempos primordiais, a chamada Prisca Teologia, reconhecendo Hermes Trimegistos, Zoroastro e Pitágoras, entre outros, o que na altura de um certo zelo Católico de exclusividade era muito pioneiro, embora se apoiasse em padres da Igreja, tal como Lactâncio, para reconhecer nos ditos pagãos a sabedoria divina.
 Provou a imortalidade da alma, se é que assim se pode dizer, na sua famosa Teologia Platonica da imortalidade da alma, e os seus comentários às obras que traduziu de Platão e Plotino, e em espacial ao Banquete de Platão granjearam-lhe admiração ao longo dos séculos pela sublimidade da sua mente, coração e alma....
Aí afirma sobre caracterização trina da Divindade: "é denominada Boa porque é o acto (e autor) e fortificador de tudo. Bela porque vivifica, alegra, adoça e excita. Verdade, porque alicia para os objectos que devem ser conhecidos as três forças da alma, a mente, a vista e o ouvido [...]
Não sem causa os antigo Teólogos puseram a Bondade no centro, e a Beleza na circunferência. A Bondade num centro único e a beleza em quatro círculos. O centro uno de tudo é Deus, e os quatro círculos que o rodeiam são o espírito, a alma, a natureza, a matéria. O espírito ou mente angélica é o círculo estável. A alma move-se por si. A Natureza move-se a partir do outro e no outro.”
A sua correspondência é vasta e riquíssima. E certamente merece que a leiamos com amor e discernimento. Oiçamo-lo numa carta a um amigo professor: «Mostra-te um exemplo de boa conduta. Pureza de vida engendra reverência para com o ensinamento. Os jovens seguem facilmente o exemplo dos mais velhos. Os que corrompem um jovem, ou de facto a mente de alguém, quer por palavras ou por conduta, devem ser considerados culpados de sacrilégio. Finalmente, age de acordo com Pitágoras e Apolónio de Alabanda que, na tradição dos filósofos Indianos, não admitiam à sua disciplina nenhum jovem que não fosse de nascimento luminoso e de educação boa. Pois não está certo que as Musas se tornem ministras ou instrumentos de iniquidade». 
Ficino, o 1º do lado esquerdo.
    Ou noutra carta, tâo lúcida quanto profundamente sábia: 
"Ouviste, meu amigo Nicolau, aquele provérbio, nada mais doce que o lucro. Mas quem lucra? Aquele que compreendeu o que é seu no futuro, pois nosso é aquilo que sabemos, tudo o mais é verdadeiramente da fortuna. Invejam os homúnculos os ricos, dos quais é a arca e não a alma a riqueza [cuja riqueza está na arca e não na alma]. Tu emula os homens doutos e bons, cuja mente é semelhante a Deus. Admoesta os teus condiscípulos a terem cuidado de Cila e Caribide, isto é, da volúpia encantadora e da inflamação pestífera da mente, antes opinando que sabendo. Que eles se lembrem que um dia, a suma volúpia haverá de estar na parte suprema da alma, naquele tesouro da verdade suprema, quando eles desprezarem as sombras inânimes da volúpia pela graça do conhecimento.

A árvore do conhecimento, mesmo se vimos que tem raízes amargas, todavia produz frutos suavíssimos. Que eles se lembrem além disso que nunca superfluamente em excesso se torna o que nunca se torna suficiente.
Que eles se lembrem além disso que nunca se torna bastante o que nunca se tornar em excesso. Ainda não aprendeu suficiente quem ainda duvida de qualquer coisa porém duvidamos enquanto vivemos. Assim é de nós aprender por tanto tempo quanto formos vivendo, imitando aquele sábio Sólon que, estando a morrer, brilhava aprendendo algo, visto que se alimentava pelo sustento da verdade e para quem a morte não era senão revivescer. 
Não pode morrer quem vive [respira] de alimento imortal. Além disso, Sócrates foi o primeiro a ser chamado do mais sábio de todos por Apolo, porque foi o primeiro a pregar publicamente que nada sabia. Mandava Pitágoras os seus discípulos verem-se ao espelho não à luz de uma luzerna, mas à luz do sol. O que é porém a luz da luzerna senão uma alma até aqui pouco erudita? O que é a luz do sol senão a mente que é muito erudita?
Portanto quem lhe apeteça especular acerca da figura da sua alma não a compare com indoutos, mas pelo contrário com doutíssimos. Assim discernirá claro quanto foi o lucro, quanto falta. Ao sustentar a mente devemos imitar os gulosos e os avaros, que sempre tem a mente intenta no que ainda resta. O que há mais? O Mestre da Vida diz: «Não é digno de prémio aquele que mete a mão ao arado e olha para trás». Ouviste aquela que de ser vivente em estátua foi transformada. Ouviste ainda como Orfeu perdeu nessa ocasião, em que olhou para trás, Eurídice, isto é, a profundidade do seu juízo. Cobarde e vão é o investigador que regride e não progride. Guarda-te em Deus [Vale]...

Tocando harpa, Marsilio Ficino conheceu, tal como a tradição Indiana, Persa e Grega ensina, o Verbo ou Shabda interno: «A alma recebe as mais doces harmonias e números através dos ouvidos, e por estes ecos é lembrada e desperta para a música divina que pode ser ouvida pelo sentido mais subtil e pela mais penetrante mente».
E por isso está representado no seu busto mortuário, dentro da igreja florentina de Santa Maria Maior, na parede meridional, tocando harpa, afinando as frequências das almas e intensificando-as para os níveis mais elevados delas próprias e da Anima Mundi, ou mesmo para a Divindade...
                               

2 comentários:

Pedro Teixeira da Mota. disse...

Na wb há já muita informação sobre Marsilio Ficino e algumas páginas mesmo boas, de bons estudiosos...

Unknown disse...

Obrigada Pedro.
Inês