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domingo, 18 de janeiro de 2026

Gomberville. Algumas quadras e motes da "Doutrina dos Costumes". Com video. Acerca do caminho da realização da Sabedoria e da Virtude.

Continuando a trabalhar Gomberville e a sua Doutrina dos Costumes  eis algumas quadras traduzidas do francês, contendo ensinamentos valiosos do caminho da realização da Sabedoria e da Virtude. No fim, num vídeo, encontra a leitura de algumas explicações e quadras sobre o Amor comentadas por mim.
                                                  
3ª f
igura, mote, O Alimento consegue tudo, e quadra : 

«Mama com o leite este nobre sentimento, 
Que o amor das Virtudes dá às almas bem nascidas:
Nossos corações são vasos que guardam constantemente
os primeiros aromas que lhes são dados.

4ª A virtude pressupõe a pureza da Alma.

Reformemos a nossa vida: aperfeiçoemos nossos pensamentos,
para que as virtudes se deliciem nos nossos corações.
Estas essências do Céu, como outros licores,
Tomam o gosto do vaso onde foram vertidas.


6ª  A Virtude pressupõe a acção.

É preciso agir incessantemente,
E manter a alma em exercício:
Pois só pela acção  
A Virtude difere do Vício.

7ª Quem não começa, nada conseguirá realizar.

Corre atrás dos trabalhos onde a Virtude te chama, 
Supera constantemente toda a dificuldade.
Quando um coração generoso adora uma beleza,
Há algum tormento que ele não sofra por ela?

8ª Correndo chega-se ao fim.

Foge da Volúpia os atractivos criminosos,
sofre o fogo do Sol e os gelos da Ursa polar,
Se queres adquirir os tesouros eternos,
que os Deuses prometeram como prémio da tua corrida.

9ª  A Virtude foge os excessos.

Nos extremos  o homem sempre se perde,
O Avarento e o Pródigo têm o mesmo defeito.
Caminha como deves:
Jamais  o louco Ícaro teria caído tão baixo,
se não
tivesse voado tão alto.

11ª A Natureza regula os nossos desejos.

As leis que regulam os nossos prazeres.
Não são leis desumanas,
A natureza e o céu não limitam os nossos desejos,
Senão pelo receio de aumentar as nossas dores.

12ª  Para detestar o vício, é preciso conhecê-lo.

Quanto mais o vício é horrível,
 Mais atractivos tem: vai sempre de máscara e tudo finge.
Assim é nas rochas que não aparecem 
 Que o nauta se engana, e a barca se quebra.

13ª O Estudo da Virtude é o fim do Homem.

Desprendei os vossos espíritos do temor e esperança, 
Permiti que a Virtude vos devolva a razão:
É insensato o Escravo que teme a libertação,
E é louco o Doente que odeia a sua cura.

14ª figura. Em qualquer condição pode-se ser feliz. 

Em todos os lugares a Virtude se encontra;
Cada um pode ouvir a sua voz:
E bem frequentemente descobre-se-a
assim entre os ruídos do Louvre,
tal como ela está no silêncio dos Bosques.

24ª O Amor dos povos é a força dos Estados.

Artesãos insensatos de discórdias civis,
Não acuseis o Céu das vossas calamidades:
Vossos ódios, vossas conspirações, vossas parcialidades,
São os primeiros Tiranos que desolam as vossas Cidades.

26ª O Amigo não vê o defeito do Amigo.

O Amor usa uma venda, só o parecido a si-mesmo.
Não vemos através dela nada que não seja belo.
Quem quiser amar, deve usar esta venda,
E achar tudo perfeito na coisa que ama.


31ª A Temperança é o supremo bem.

Ó Temperança heróica e santa,
Quem te acolher no seu coração;
Pode-se afirmar que é vencedora 
Da esperança e do receio.»