terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A ditatorial e inepta direcção da Comissão Europeia quando se demitirá?

                                     
A dimensão absu
rdamente grande da opressividade da União Europeia, regida por uma série de tolas burocratas e pesadões cinzentões vendidos ou avençados à oligarquia do Fórum Económico Mundial e à banca sionista, foi hoje desvendada em Bruxelas, 27 de janeiro, conforme nos descreve a valiosa agência de informação do mundo livre, e que de Moscovo fala a verdade, TASS:  «Medidas restritivas unilaterais ilegais impostas pela União Europeia estão  em vigor actualmente contra mais de 30 países em todo o mundo, com uma população combinada superior a 2,2 bilhões de pessoas, de acordo com materiais da conferência internacional Medidas Coercitivas Unilaterais: Ameaças e Desafios Contemporâneos, organizado pela missão bielorrussa em Bruxelas.
A conferência contou com a presença de membros do Parlamento Europeu, bem como da Relatora Especial da ONU sobre o impacto negativo das medidas coercitivas unilaterais nos direitos humanos, a notável professora Elena D
ovgan.
                                          
"As medidas coercitivas unilaterais ilegais atualmente afectam a Rússia, Bielorússia, Irão, Chi
na, Coreia do Norte, Mianmar, Líbia, Sudão, Somália, Iémen, Burundi, República Centro-Africana, República do Congo, Guiné e outros países." A União Europeia aplica medidas semelhantes contra mais de 30 países em todo o mundo. A população total dos países listados excede 2,2 bilhões de pessoas," afirmam os materiais da conferência.
Elena Dovgan explicou que quaisquer sanções só podem ser impostas por uma decisão do Conselho de Segurança da ONU. Todas as outras medidas restritivas são medidas coercitivas unilaterais que são ilegais do ponto de vista do direito Internacional, afirmou.

                                                     
Ela demonstrou, através de exemplos específicos, que as sanções unilaterais não são apenas uma ferramenta de interferência nos assuntos internos dos estados, mas resultam diretamente na morte de membros dos grupos populacionais mais vulneráveis», da Europa e fora da Europa?
                                   
A conclusão q
ue devemos tomar é  que o actual trio dirigente, Ursula, Kallas e Costa é constituído  por ineptos insensíveis anti-russos. vendidos à oligarquia innfrahumnista e às suas políticas antirussas, anti-Brics e anti-multipolaridade, sendo autênticos criminosos de guerra, pelo que têm feito e causado a muitas populações mundialmente.
                                            
Quando saírem a ditadora hipócrita e corrupta Ursula von der Leyen, e os seus acólitos  - e nesse sentido hoje 27/1 o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, afirmou: "a Rússia e os EUA nunca discutirão nada com a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. Precisamos de esperar até ela sair. Há uma clara degeneração dos políticos no poder na Europa: são incompetentes" - 
  então a União Europeia regressará à Europa das nações equitativas, fraternas, cultas e humanistas, esforçando-se no diálogo e a paz, pelo Bem comum nacional, europeu e planetário.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

"A Fronteira Russa", título do próximo livro de Daria Dugina. A Santa Rússia, fronteira entre a Terra e o Céu, entre a Humanidade e a Divindade. Texto trilingue.

                                   
Vamos transcrever um breve texto  de Alexandr Dugin, sobre o próximo livro de Daria Dugina, sua filha, intitulado  A Fronteira Russa. Qualquer escrito deles, mesmo pequeno, contém sempre ensinamentos valiosos, e não será em vão que ela morreu mártir se os soubermos ler, apreciar, meditar, e na comunidade dos fiéis do Amor e da Luz procurar avançar na missão de religação da Humanidade com a Divindade, que eles e a Rússia realizam, tal como outros seres e países, na multipolaridade nascente pela qual lutamos. O texto desafia-nos a não nos petrificar ou coisificar, como entre nós propugnava Leonardo Coimbra, um conhecedor e admirador da civilização russa, mas antes despertar para as correntes e veios telúricos, cósmicos e divinos do nosso ser, graças aos quais não nos deixamos normatizar, ou "amilhazar", pelas narrativas oficiais europeias, ou partidárias ou mediáticas, mas antes despertamos para a intensidade trespassante do Amor lúcido, divino e fraterno que desmascara ou supera as falsas justificações de aparências e regências, as ilusórias e opressivas fronteiras e limites, sanções e hegemonias, e nos impulsiona tanto na ascensão intima vertical divina, como na horizontal da comunhão fraterna na Terra Mãe, na família, nas comunidades, na Tradição, sob a Luz do Logos sábio, amoroso e libertador da Humanidade, ao qual Daria tanto se dedicou, ao estudar os mestres planónicos e neoplatónicos, os místicos ortodoxos e os perenialistas como René Guénon, Julius Evola, Henry Corbin e outros, aliás já mencionados em alguns dos artigos consagrados a ela neste blogue, sintetizando-os face à post-modernidade, num optimismo escatológico, título aliás de um dos seus livros, e que devemos fazer nossa tenção ou lema, na linha até portuguesa do Talent de bien faire, do Infante D. Henrique.   Oiçamos então o que nos diz o seu pai, um dos mais notáveis pensadores e escritores actuais, Alexandr Dugin, sobre Dasha:

 «Daria ou Dasha pensava constantemente na borda ou margem, ou melhor, na "fronteira" – essa zona que divide camadas de ser, civilização, cultura e ciência. O seu terceiro livro, que está praticamente pronto, é dedicado a isso, mas ela própria dividiu-o numa série de cursos, ciclos de palestras, apresentações e entrevistas. Já foi denominadoo e será lançado em breve sob o título A Fronteira Russa.
Nela, Daria discute em detalhes as teorias da Nova Direita, que ela encontrou na França e com quem manteve laços pessoais estreitos até ao fim.
E de novo, isto é sobre Tradição.
Dasha aplica o princípio da fronteira, da zona intermediária, da terra de ninguém, à interpretação do fenómeno da Novorossiya (Nova Rússia) e da Ucrânia como um todo. Ela vai mais fundo e interroga-se acerca da metafísica da fronteira – como ocorre quanto à distinção, diferenciação, separação entre um e outro, entre homem e anjo, entre alma e corpo, entre eu e tu. E o mais importante sobre a ideia dela de margem [limite ou borda], é que, ao contrário do entendimento usual de uma fronteira, a fronteira não é uma linha, mas uma zona, um cinturão onde opostos coexistem, discutem, colidem, se reconciliam e se transformam uns nos outros. Nesse caso, não só a Ucrânia se torna uma grande fronteira entre a Rússia e a Europa, mas os próprios russos, como o núcleo da Eurásia, são uma zona especial entre o Oriente e o Ocidente. A nossa profunda identidade é fronteira, somos a Fronteira Russa.
E novamente, não é apenas uma posição geográfica horizontal; somos a Santa Rússia, o que significa que somos a fronteira entre a terra e o céu, entre a humanidade e Deus.
Daria discute tudo isso em seu novo livro, que está a ser cuidadosament
e construído a partir das notas, palestras e rascunhos.»
Breve comentário: Esta expressão da "Santa Rússia, terra de todas as terras, mãe de todas as terras" vem desde tempos medievais, apura-se com alguns santos ou staretz que foram movidos por um grande amor a Terra Russa, terra húmida, terra mãe, e, claro, à Divindade, a Cristo, à Santa Sofia ou Sabedoria e à Igreja, comunidade e corpo místico da Rússia, tais como S. Alexandre Nevsky, Máximo o Grego, S. Sérgio de Radonehz ou Radonega, S. Serafim de Sarov, S. Inácio de Brianchaninov, S. Hilário de Vereya, Silouan e outros. Esta visão atravessou os séculos sempre viva até chegar aos nossos dias, afirmada pelo patriarca Kiril e os sacerdotes e monges ortodoxos. 

                               
Tal reconhecimento divulg
ou-se culturalmente no Ocidente desde o séc. XIX graças aos grandes romancistas Gogol, Dostoievsky e Tolstoi, e aos filósofos Soloviev, Vladimir N. Lossky, Berdiaev, Florensky, Bulgakov e o historiador Dimitri Chizhevski, etc. Aos grande compositores. E a mestres de espiritualidade como Nicholas e Helena Roerich e seus filhos Yuri e Svetoslav, a Boris Abramov,  hoje destacando-se Alexandr Dugin e Dasha, sua filha tão trágica e precocemente sacrificada. Alguns pensadores estrangeiros reconheceram-no,  nomeadamente quanto à sua missão de espiritualizar o Ocidente, ou de conservarem a Tradição Ocidental Perene e cristã viva, tal Rudolfo Steiner, Leonardo Coimbra, Cioran, Edgar Cayce. É nesta tradição que se inserem Daria Dugina e o seu pai, e ela agora verdadeiramente na fronteira dos dois mundos, inspirando-nos.
                                             

«The Russian Frontier... Daria constantly thought about the border, or rather, about the "frontier" – that zone which divides layers of being, civilisation, culture, and science. Her third book, which is essentially finished, is dedicated to this, but she herself has broken it down into a whole series of courses, lecture cycles, presentations, and interviews. It has been named and will soon be released under the title "The Russian Frontier"
Here, Daria discusses in detail the theories of the New
Right, which she encountered in France and with whom she maintained close personal ties until the end.
And again, this is about Tradition.
Dasha applies the principle of the frontier, the intermediate zone, the no-man's-land, to the interpretation of the phenomenon of Novorossiya and Ukraine as a whole. She goes deeper and asks the question of the metaphysics of the frontier – how the act of distinction, differentiation, separation between one and another, between man and Angel, between soul and body, between me and you, takes place. And the most important thing about her idea of the frontier is that, unlike the usual understanding of a border, the frontier is not a line, but a zone, a belt where opposites coexist, argue, clash, reconcile, and transform into each other. In such a case, not only does Ukraine become one big frontier between Russia and Europe, but the Russians themselves, as the core of Eurasia, are a special zone between East and West. Our deep identity is frontier, we are the Russian Frontier.
And again, it's not just a horizontal geographical position; we are Holy Rus', which means we are the frontier between earth and heaven, between humanity and God.
Daria discusses all of this in her new book, which is currently being carefully constructed from notes, lectures, and drafts.

Alexander Dugin

                                                      
Русский фронтир
Дарья постоянно думала о границе или, точнее, о «фронтире» — той зоне, которая разделяет пласты бытия, цивилизации, культуры, науки. Этому посвящена ее третья книга, фактически готовая, но разнесенная ею самой на целый ряд курсов, лекционных циклов, выступлений и интервью. Она получила название и скоро выйдет в свет под заголовком «Русский фронтир»[4].
есь Дарья подробно рассказывает и о теориях Новых правых, с которыми она познакомилась во Франции и с которыми она до конца поддерживала тесные личные связи.
снова здесь речь идет о Традиции.
ша применяет принцип фронтира, промежуточной зоны, ничейной территории, к истолкованию феномена Новороссии и Украины в целом. Она идет глубже и ставит вопрос о метафизике фронтира – о том, как происходит акт различия, различения, разделения между одним и другим, между человеком и Ангелом, между душой и телом, между мной и тобой. И главное в ее мысли о фронтире то, что в отличие от привычного понимания границы фронтир это не линия, а полоса, пояс, где противоположности сосуществуют, спорят, сталкиваются, примеряются, переходят одно в другое. Не только Украина в таком случае оказывается одним большим фронтиром между Россией и Европой, но русские, как ядро Евразии сами по себе особая зона между Востоком и Западом. Наша глубинная идентичность фронтирна, мы и есть Русский Фронтир.
снова это не просто горизонтальное географическое положение, мы – Святая Русь, а значит, фронтир между землей и небом, между человечеством и Богом.
о всем это Дарья рассуждает в своей новой книге, которая сейчас тщательно выстраивается из заметок, лекций и черновиков.
ександр Дугин

 

domingo, 25 de janeiro de 2026

Sobre a Imutabilidade Divina, por Frei Paulo de Vasconcelos, Dom Prior Geral da Ordem de Cristo. Leitura comentada.

                   Ensinamentos da Ordem de Cristo. 

 O Dom Prior do Convento de Tomar Frei Paulo de Vasconcelos, que já abordámos recentemente, publicou em 1649 Arte espiritual que ensina o que he necessario para a meditação, e contemplação, repartida nas tres vias, purgativa, illuminativa & unitiva; o tempo em que se há-de entrar, e deixar cada uma delas com seus particulares exercícios... 

   O valor perene da obra levou-a a ser dada de novo à luz em 1725 num in-4º de (8)-419-(7) páginas, e as suas divisões ou capítulos são: A Oração e suas seis partes: Lição, Preparação, Meditação, Contemplação, Acção de graças e Petição. A via Purgativa: exercícios, considerações, colóquios e oferecimentos. A via Iluminativa: considerações gratas aos Anjos,  Nossa Senhora.  Meditações sobre a vida de Jesus Cristo (da página 91 à 210). Seguem-se até à p. 229 as Advertências da Via Unitiva, onde se inserem nove belas considerações ou meditações diárias sobre os atributos Divinos, tais a infinidade, a bondade, a formosura, a imutabilidade. Depois as Advertências sobre a Meditação passada, que é do Divino Amor, e os motivos do Amor Divino. Na página 257 começa um Tratado de Contemplação,  as considerações sobre a união da alma com Deus, as visões, a purificação da alma, o amor que se recebe, e  uma breve hermenêutica de algumas advertências da Santa madre Teresa sobre a contemplação. A partir da página 361 conclui-se com novas considerações sobre nascimento, morte de Jesus Cristo e o mítico Juízo final.
Resolvemos ler e comentar uma das meditações ou considerações da fase mais avançada no caminho, a que se segue à inicial Purgativa ou purificadora e à intermédia, a Iluminativa, e que se denomina a Unitiva, pois nela a união com Deus é sentida em amor, zelo e alegria. 
Nas Advertências da Via Unitiva, o Dom Prior e mestre dos Noviços explica o que se requer e é necessário para o contemplativo se tirar da via iluminativa e entrar na unitiva, realçando o «estar habituado e arreigado na virtude, fora de todo o género de cobiça e apetite», o desvalorizar o que lhe entra pelos cinco sentidos, o tender a amar a Deus em tudo, engrandecendo-O acima de todas as coisas, e trazer sempre na memória a omnipotência divina e os seus atributos ou perfeições, os quais, embora sendo infinitos, devem se focar em apenas alguns, tal como ele fez com nove.
Ficamos a conhecer algo da sublimidade do seu ensinamento e provavelmente das almas dos frades da Ordem de Cristo que o seguiam, pois transmite-nos em  nove meditações, para nove dias, o que ele entendeu e valorizou mais das perfeições divinas, ou atributos divinos, apresentados assim: A essência Divina. A eternidade Divina. A imensidade de Deus. Do Poder e da Fortaleza de Deus. Da Providência Divina. A Divina Bondade. A Formosura Divina. Da imutabilidade Divina. Do Divino Amor.
Resolvemos ler e comentar a consideração para o oitavo dia, da Imutabilidade Divina, que poderá ouvir em seguida, num vídeo sempre com a mesma imagem de uma cruz templária, feita do calcáreo da pedreira que alimentou as sucessivas construções do Convento e por artistas que lá trabalhavam na década de oitenta. Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=7Bzqvdib1uI
Para concluir, e como a seguir à consideração sobre a Imutabilidade Divina, Frei Paulo de Vasconcelos trata do Divino Amor, vamos transcrever dos Motivos do Amor Divino, parte da Oração final com que se pede a Deus o seu Divino Amor:
«Bem podeis vós Senhor meu com este fogo de vosso Amor Divino, alimpar a minha alma de todos os meus pecados e enriquecê-la de todos os vossos bens, e com uma faísca deste a podeis fazer bem aventurada e ditosa (...)
Ame-vos eu, fortaleza minha, e perca tudo o mais, porque vós sois a minha riqueza, a minha esperança e vida. A vós quero, a vós busco, a vós desejo, por vós suspiro e chamo. Não me priveis de tão soberano be
m.»

Adveniat Regnum Tuum, isto é, Venha a nós o Espírito, Venha a nós a (tua) Luz, venha a nós o (teu) Amor.  

sábado, 24 de janeiro de 2026

Daria Dugina, ou Dasha: Um grande legado de uma vida pequena. Por seu pai Alexandre Dugin. 23/1/26,

                             

                 Um grande legado de uma vida pequena
«Em primeiro lugar e o mais importante, foi publicado o comovente diário pessoal  Altos e baixos do meu Coração – um verdadeiro romance moderno no género de posts nas redes sociais, com uma gama complexíssima de pensamentos, experiências, dramas existenciais, revelações, observações irónicas e estudos literários, abrangendo uma variedade surpreendentemente ampla – desde os problemas ingénuos de uma jovem até às altas e vertiginosas revelações metafísicas. Um roteiro completo das etapas de formação de uma alma feminina profunda e sublime. A última nota escrita no dia da morte ainda ninguém conseguiu ler sem lágrimas. Ela é dedicada ao modo como Dostoievski compreendia as profundezas do coração russo. A última coisa ou ser em que Dasha estava a pensar era no povo russo. Isto é o que ela realmente, total e ilimitadamente amava.

O segundo livro — Optimismo Escatológico — contém trabalhos filosóficos de Daria Dugina. Trabalhos de curso, rascunhos para a dissertação, artigos científicos, impressões de palestras e entrevistas, que reunidos revelam a imagem de um filósofo Tradicionalista completo, um especialista em Platonismo. Simultaneamente, o Platonismo não era apenas um objeto de estudo para Daria, mas uma fonte de profunda inspiração. Ela viu, na verdade, descobriu por si mesma, que o tradicionalismo que lhe foi instilado desde a infância – René Guénon, Julio Evola, a mística Ortodoxa –  na sua estrutura corresponde mais do que tudo ao ensinamento de Platão e seus seguidores – os Neoplatónicos. O Platonismo é tradicionalismo, que afirma sem compromissos a soberania radical do espírito sobre a matéria, da eternidade sobre o tempo, de Deus sobre a criação. Começando com os trabalhos de Dionísio Areopagita, cuja ideia  da interpretação apofática da Divindade atraiu inicialmente Dasha, ela rapidamente descobriu Proclo e toda a linha neoplatónica que remonta até ao seu fundador Plotino. E de lá, através dos platónicos médios, tudo levava ao próprio Platão. 

                                                            
Há um episódio em que Daria, ainda estudante, conversava num encontro com o escritor e filósofo idoso Yuri Mamleev, nosso amigo e ídolo e professor de longa data. Ele perguntou-lhe: "O que a Dashenka [diminutivo de Dasha] faz ?" É preciso dizer que Dasha sempre pareceu muito jovem, e até recentemente pediam-lhe o bilhete de identidade se queria comprar bebidas alcoólicas. Não há nada a dizer sobre os primeiros anos da universidade: ela parecia simplesmente uma criança. E então, a criança, sem a menor timidez, responde ao famoso escritor – com vivacidade e confiança: "O que mais me interessa é a teologia apofática e o conceito de ἐπέκεινα τῆς οὐσίας   [o que está para além do ser]. A expressão facial de Mamleev ficou bastante admirada – como se ele tivesse entrado nas páginas de suas próprias obras paradoxais. O tema do apofático "abismo em cima"  e do "abismo em baixo" igualmente incomensurável e inominável sempre foi para ele um mistério insondávell, um enigma, uma busca em torno dos quais se desenrolavam e resolviam os enredos de seus contos e romances, e onde nasciam e morriam as suas personagens. E de repente, a jovem criatura, sem hesitar, teoriza sobre o apofático e o indizível!  Mamleev desde então passou verdadeiramente  a amar e a respeitar Dasha. 

                                                   
Ao lado do Neoplatonismo, Darya chegou na realidade aos fundamentos de uma filosofia independente, que ela chamou de "Optimismo escatológico". Nele  incluía os seus autores favoritos:  Julius Evola, Ernst Jünger, Emil Cioran, Lucian Blaga. É uma abordagem peculiar ao mundo moderno, que é vivenciado como crise, decomposição, degeneração, um pesadelo contínuo e sem esperança. É assim que o mundo se torna após a perda do sagrado. Um mundo sem Tradição. E embora este mundo seja exatamente assim e, de certa forma, sem esperança, incurável, sem esperança de correção, o homem [ou mulher ] fiel à Tradição não desiste. Ele faz o impossível, vai contra a corrente –  contra o curso aparentemente mais objetivo da história, contra a sociedade, a cultura, a economia, a política, o entretenimento, a vida quotidiana. E embora esse seja um caminho condenado (a modernidade, infelizmente, é mais forte), aquele que é capaz de trilhar o caminho do "Optimismo Escatológico" torna-se um verdadeiro herói, o último guardião da fronteira, um guarda fronteiriço, fiel à Luz, mesmo quando é abandonado e esquecido num território que ninguém mais, além dele, protege, adjacente ao avanço da treva total».

                                      

          Que a Luz, o Amor e a Fortaleza Divina estejam com a Dasha e ela nos inspire! Que saibamos seguir a mesma via dos Fiéis do Luz e do Amor, da Tradição perene, da Multipolaridade, dos guardas das fronteiras entre as trevas e a claridade, e construtores das pontes entre a Humanidade e a Divindade!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Imagens de consciencialização anímico-espiritual e da comunicação telepática, subtil, vibratória, ou de ondas e formas psíquicas entre as pessoas

                                         
Nestes tempos de in
tensa agitação pelo findar do ciclo de hegemonia opressiva do Ocidente materialista e infra-humanista, para contrabalançar tanta violência mentira e alienação, é importante tanto meditarmos e orarmos mais como trabalharmos no despertar e irradiar da alma com a ajuda das imagens geradas pelas modernas tecnologias,  sem que por isso ponhamos de parte as antigas pinturas, gravuras, ícones e santinhos que continuam na sua materialidade a poder acumular ou transmitir elevadas energias de  inspiração, cura,   amor,  adoração, suscitando em quem as contempla estados modificados ou unificados de consciência, bem como harmonizações, intuições e religações aos mundos subtis, espirituais, divinos.
                                            
Esta escolha é pro
veniente sobretudo da Rússia e de almas amigas que no VK.com, a que aderi, para não estar a ser censurado ou bloqueado pelo Facebook, e para entrar em contacto com uma zona grande da Europa, da Ásia e do mundo, onde há milhares senão milhões de pessoas, grupos culturais, artísticos e espirituais, com  os quais podemos dialogar graças aos modernos tradutores, tais o Quillbol e o Deeply, e assim intensificar a multipolaridade e a união do extremos do Ocidente - Portugal - com o extremo do Oriente europeu - Rússia, uma civilização cada vez mais firme nos seus valores e Tradição Perene para a qual tanto contribuíram o povo sacrificado nas guerras mundiais, como os staretz, ou santos, escritores, artistas, compositores, cientistas, professores, criadores e em especial notáveis filósofos tais como os grandes romancistas Dostoievsky e Tolstoi, e mais especificamente Soloviev, Berdiaef, Bulgakov, Florensky e Alexander Dugin.

 As imagens se forem contempladas, no telemóvel ou computador, ou depois baixadas e imprimidas em papel, contribuirão para recebermos algumas ideias-forças que nos elevam acima da identificação excessiva ao corpo físico e às suas limitações, pois iremos ver  formas do corpo astral, da alma, do corpo espiritual já em glória e ainda das formas de transmissão das energias psiquicas, ígneas, nas quais a Rússia está muito desenvolvida graças aos trabalhos de Nicholas e Helena Roerich e Boris Abramov, com as suas experiências e livros acerca do Yoga ou União pelo Fogo, o Agni Yoga.
                            
                            
De Nicholas Roerich, um Anjo ígneo de justiça.
Embora haja milhares e milhares de registos desde a Antiguidade quanto à transmissão e leitura de pensamento, nomeadamente em santas e santos, mestres e personagens importantes, e muitos pensadores e filósofos  especularam sobre tal, e relembremos Schopenhauer e as suas Memórias sobre as Ciências Ocultas, a palavra telepatia só surge já no final do séc. XIX, em  Dezembro de  1882, quando se formou em Inglaterra a Society for Psychical Research, para investigar os fenómenos de espiritismo, transmissão de pensamentos e sentimentos, teosofia, paranormais sendo Frederic Meyers o seu  introdutor e um dos principais investigadores, definindo-a como a transmissão de informação entre espíritos ou mentes sem utilização dos cinco sentidos. 

A ausência de uma recolha científica, as fraudes e truques, e a dificuldade de replicar os casos conhecidos, impediu a validação científica de tais fenómenos, psíquicos, tanto mais que nunca se chegou a uma certeza quanto aos modos como se processa a transmissão à distância das informações, imagens, formas de pensamento,  ondas psíquicas. E ainda hoje, tal mistério continua, apesar de algumas experiências, estatísticas, descobertas  e teorias se irem gerando em cientistas mais abertos aos estudos da psique, das neurociências, da parapsicologia, do campo unitário de energia informação consciência e da espiritualidade, entre os quais mencionaremos Dean Radin,  e o biólogo Rupert Sheldrake, notável estudioso dos campos de ressonância mórfica (pelos quais alguns animais se guiam, nomeadamente as aves nas suas migrações), da comunicação telepática com os animais, ou mesmo da telepatia das telecomunicações, e um dos que mais tem lutado contra o materialismo científico redutor.
                                        
Algumas das explicaç
ões estão relacionadas com o comportamento dos neurónios espelho, outras com o comportamento dos neutrões como partículas e ondas, capazes de ultrapassar  as barreiras do espaço e do tempo, circulando num plano onde a instantaneidade da comunicação acontece, desde que hajam os pre-requisitos de afinidades ou sincronização entre quem emite e quem recebe, Dean Radin falando mesmo de uma base genética muito semelhante, ou igual num certo cromossoma, como se verificou na comunicação à distância entre irmãos...
                                         
As imagens apr
esentadas são apenas hipóteses artísticas imaginadas de comunicação ou transmissão, mas é inegável que transmitimos as nossas ondas psiquicas de amor ou de repulsão, de bem ou de mal, muito mais frequentemente do que se admite e muitíssimo mais do que a narrativa oficial da Ciência nos quer convencer e assim enfraquecer quanto a tal poder humano.
                                             
Que estas imagens se
jam benéficos às suas meditações, às comunicações com pessoas mais próximas, às irradiações gerais e às religações verticais com os santos e santas, mestres, Anjos, o Logos e a Divindade.


  
                                     

Da luz interior conforme a actividade dos centros animicos...
Uma imaginação do centro subtil do coração em comunicação amorosa



                                                          

Esteja mais consciente da qualidade de sentimentos, intenções, esperança, amor, em que vive, sem se acinzentar nem amilhazar, e irradie luminosa e divinamente...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

A situação mundial actual. Um texto escrito de noite em 25-II-2021, e levemente revisto.

                                                         

Nestes tempo de guerra total, ainda que por meios menos violentos visivelmente, num horizonte em que se perfilam vários grupos de força e pressão, uma questão que se põe a um cavaleiro do Amor é: qual deve ser o seu posicionamento, e como deve intervir na batalha, tendo em conta que as fronteiras entre os grupos ou entre o justo e o injusto são por vezes difíceis de deslindarmos, ou que o nosso contributo será quase insignificante?
Para uma pessoa se posicionar há que discernir bem seja as actividades, doutrinas e intencionalidades dos vários grupos e estados, seja o que é em si o melhor para o bem comum ou mesmo a Humanidade, repudiando o que parece ou é mais injusto, mentiroso, anti-ético, violento.
Cada um tem de discernir bem qual é o seu swadharma, o seu pequeno dever ou missão, dentro do grande Sanata Dharma a ordem justa eterna planetária e cósmica, na qual todos os seres estão incluídos, ainda que, em geral, se não houver tradições religiosas ou espirituais vivas,  tal ideia de missão ou dever e Ordem escapa à maioria das pessoas, que vivem então como meros seres humanos destituídos contudo de verticalidade e perenidade,  tornando-se por isso facilmente manipulados, oprimidos, explorados. 
Há muita gente que não  põe a questão do dever ou da missão, basicamente trabalhando para sobreviver, cumprindo os seus deveres e prazeres familiares, e ocupando o tempo que lhe resta mais numa dispersão informativa do que numa formação animico-espiritual e numa participação no devir da Humanidade. 
É mais nos escritores, pensadores, artistas, cientistas, amantes da Natureza e ecologistas, professores e profissionais da saúde, religiosos e espiritualistas, que surgem questionamentos mais profundos e criativos, por vezes espirituais, e muitos pensam e dialogam sobre os vários aspectos das políticas, das medidas tomadas, das ambições e imperialismos que dilaceram os povos, discernindo por vezes por entre as malhas das narrativas oficiais e manipulações mediáticas os conflitos e as linhas de força e intenções que se escondem e mesmo as soluções mais justas, sendo contudo frequentemente impedidos de se expressarem livremente... 
Que conflitos estão então a causar uma certa guerra de muitos contra muitos, e que não são apenas os de direitas e esquerdas dentro de cada país, nesse jogo aparentemente democrático mas frequentemente altamente manipulado, e pouco decisivo dado a submissão da maioria dos partidos aos interesses hegemónicos ocidentais?
Pois são sem dúvida as lutas dos Estados Unidos da América e da oligarquia sionista e ocidental contra as forças, associações e estados tradicionais, nacionais, socialistas, libertários e independentes que conseguem sobreviver ao estrangulamento diário, aos golpes de estado, às insidiosas corrupções e infiltrações que vemos sobretudo na América Latina e no Médio Oriente, mas não só já que a lepra ou vírus imperialista norte americano está em quase todo o planeta, pouco importando que sejam republicanos ou democratas os que estão no poder e na administração da máquina de guerra, pois o que conta é basicamente o America first e quase only.
Ora este império, assente sobretudo no controle dos principais meios de comunicação, praticamente em todo mundo, nos armamentos, nas bombas atómicas, na espionagem, nas bases militares espalhadas por mais de cinco países e que matam e torturam com toda a facilidade, tem como base o inesgotável dólar, tornando toda a vida económica na Terra desequilibrada e injusta. O dólar inesgotável e imperialista corrompe meio mundo. É trágico, mas é a realidade. Quantos Institutos, organizações não governamentais e Fundações Norte-Americanas existem pagando excelentemente aos seus membros ou aos seus colunistas, para andarem a manipular e corromper os países?
Ora não contente em estarem em luta com vários países da América Latina e do Médio Oriente, os USA estão ainda apostados numa luta titânica contra a Rússia, a China, o Irão, o BRICS e para isso contam com dois aliados muito importantes, a NATO, o braço armado, que se pode considerar semi-terrorista, norte-americano na Europa e nos vários continentes. e da União Europeia, esta sendo uma galinha tola de burocratas e tolos, que cumprem o que os norte-americanos ou a finança sionista lhes manda.
Qualquer alma mais sensível e pura e informada e não alienada pelo brainwashing norte-americano e dos seus prolongamentos está em então em perigo de ser engolida passivamente pela goela da grande sociedade ocidental dita democrática e cultural, mas que é tal só nas aparências e declarações, as quais por exemplo, a União Europeia, está constantemente a fazer, em muitos dos casos apenas servindo os interesses norte-americanos, financeiros globalistas e sionistas.
Mas não são só estes os conflitos mundiais, pois tanto os religiosos, os da emigração e os ecológicos são também bastante fortes, obrigando-nos a desmistificarmos as religiões e os seus pseudo-revelados livros, e tentarmos estancar as guerras e terrorismos, e as pobrezas e explorações que causam as misérias e emigrações. Valorizemos então a luta pela auto-subsistência das comunidades e povos, pelas cooperativas e associações de trabalhadores, o cultivo e o consumo de alimentos biológicos ou orgânicos, a luta contra a agro-química, e as grandes multinacionais farmacêuticas e de alimentos geneticamente modificados, geradoras das monoculturas, do empobrecimento dos solos e a desertificação, da poluição e do aumento das doenças. 
A estas fontes já já muito conhecidas e mais ou menos confrontadas, adicionou-se agora a guerra biológica e as vacinas e há já mais de um ano que estamos verdadeiramente envoltos num pandemónio, em grande parte derivado de uma má classe política que tem claudicado perante os interesses obscuros dos grupos financeiros e farmacêuticos que parecem dominar o mundo.
É verdade que há muita gente mais lúcida e desperta a tentar denunciar como vão nus os reis da picada, mas um outro factor veio ainda adicionar-se nesta guerra mundial: as grandes companhias tecnológicas que controlam as redes sociais e muitos meios de comunicação e que vão impondo as suas ideologias, as suas corrupções e alinhamentos ou então a censura, a qual, parecendo que era algo dos tempos passados, voltou a ser instalada, não sendo necessário o tribunal da Inquisição, pois ou o bloqueamento, isolamento e silenciamento são impostos pelas redes sociais ou, se for preciso, o assassinato, algo que a USA, Israel, UK, Arábia Saudita e Turquia, estão constantemente a fazer.
O que devemos pensar e agir nós então? 
Pois meditar, pensar, orar, intuir, dialogar, escrever, agir, conscientes de que somos seres espirituais e temos antes de mais de nos fortificar e iluminar, e em família, com amigos ou em grupos dinamizar as forças da multipolaridade, do anti-imperialismo, da cultura, da fraternidade, da luz, do amor e da paz criativamente... 

23:05 25-II-2021, e levemente revisto em 22-I-26.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Frei Paulo de Vasconcelos: a Consciência da Presença de Deus é um modo de oração. Das jaculatórias. Venha a nós a Vossa Luz. Extractos da sua "Arte espiritual."

 Frei Paulo de Vasconcelos, mestre prior geral da Ordem de Cristo, na sua Arte espiritual, dada à luz em 1649, e reimpressa em 1725,  já abordada num primeiro artigo, num sub-capítulo valioso  partilhou a sua visão e compreensão da omnipresença de Deus, e do estado de oração permanente que tal realização permite, o que para nós nestes tempos agitados é bem fecundante. Intitula-se Também a presença de Deus é modo de oração.

 «É muito de advertir, que não é menos importante para a vida da alma a presença de Deus, do que para a vida do corpo a respiração, porque assim como não pode haver vida sem respiração, assim não havíamos de estar um instante sem a lembrança de Deus, e ainda que pareça dificultoso este exercício, com a Divina Graça vem a ser tão fácil, que muito mais dificultoso vem a ser o esquecer dele, do que ao princípio era a sua lembrança.
E se há-de adv
ertir, que a presença de Deus é de dois modos, um é a presença de Deus intelectual, e outro o imaginário. O do entendimento não é outra coisa senão abrir os olhos da razão, e advertir que temos a Deus presente no íntimo de nossa alma, e isto é tanto assim, que não só na alma, senão também o está na mais vil e desprezada coisa que há no mundo, dando-lhe o ser que tem, de modo que havemos de considerar a Deus como uma densa névoa, de que todo o mundo está cheio, e a nós no meio dela cerrados de todas as partes, ou como uma esponja metida no ar, que não só está cercada de água, senão que também a tem dentro em si, ou como o ferro, abrasado, que não está cercado de fogo, senão que por todas as partes o tem estranhado e metido em si. E deste modo podemos sempre trazer a Deus presente, abrindo os olhos da razão, e considerando a Deus em todas as coisas criadas, dando-lhe o ser que tem, e obrando em todas como primeira causa, que é de todas, e assim para qualquer parte que olharmos, temos motivos e ocasião de nos lembrarmos de Deus, e de o termos presente, e de sempre o andarmos louvando, tendo sempre respeito a quem está nelas (...)

 Comentário: Que extraordinário texto, que excelente modo de fazer bem compreensível e sensível a omnipresença divina. Meditemo-lo bem...

A presença de Deus imaginária é formar dentro de nós com a imaginação uma imagem de Cristo Nosso Senhor nascido, circuncidado, açoitado, ou de qualquer outro modo, que mais no incitar a devoção, e esta havemos de representar ao entendimento, e traze-la sempre diante de nós, como se na realidade o estivera, e com ela havemos de andar falando, representando nossas necessidades, queixando-nos de nossos males, dando-lhe graças pelas mercês recebidas, pedindo-lhe perdão pelos pecados, alegrando-se com ela. doendo-se das suas dores (...)

Comentário: Outro ensinamento presente nos iniciados e místicos de várias religiões, denominando-se o nascimento de Deus em nós, ou ainda o ishtadevata, na tradição indiana, com várias formas ou avatarizações possíveis na imensa religiosidade do Oriente. Nesta instrução, o Dom Prior geral Paulo de Vasconcelos cinge-se a Jesus Cristo, embora haja nela as duas dimensões humana e divina, e cada um sentirá a que lhe é mais afim...

Também servem para a oração o uso das jaculatórias, que é o que acompanha a presença de Deus; estas são umas palavras amorosas, ou aspirações com que o coração se levanta Deus, e são uns afectos da vontade afervorados, com que os contemplativos mostram o desejo que têm de servir, e contentar a Deus; e dá-se-lhe o nome de jaculatórias, porque podem tanto com Deus como se fossem armas de arremesso, que atravessam o coração de Deus; estas pode cada um formar conforme sua devoção, e necessidade, a saber: - "Senhor meu, quem nunca vos ofendera"; Que padecera antes as penas do Inferno, que ter-vos ofendido"; "Deus meu, alumiai-me, tende misericórdia."

 Comentário: são muitas as jaculatórias da nossa tradição espiritual, presentes desde os Templários, com o seu Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomine Tuo da Gloriam,  e a Ordem de Cristo, aos místicos e místicas que ao longo dos séculos tão fortemente ligaram a grande alma portuguesa à divina, algumas das quais tenho apresentado neste blogue, advertindo que cada um deve ter ou criar algumas, quais mantras orientais. As jaculatórias apresentadas são da via purgativa, ou da propedêutica da humildade, necessária em todas as vias ou estágios...
                                                
Estas e outras
 semelhantes forme cada um conforme a sua devoção, e estas deve de ter na memória, para que na oração, e fora dele use muitas vezes delas no exercício da presença de Deus, e não deixe de as dizer por indevoção, nem por se ver levado com pecados, porque elas bastam para livrar de todos, e para afervorar a devoção, e não se deixe este exercício, posto que divirta milhares de vezes em cada hora, porque quando menos o cuidar, vira Deus com sua luz.»

                                   "Venha a nós a vossa Luz...."









terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Mestres espirituais da Ordem de Cristo e os ensinamentos de meditação: Frei Paulo de Vasconcelos, de Aveloso, Lamego. Extractos da sua "Arte espiritual."

Frei Paulo de Vasconcelos foi um dos mestres espirituais da Ordem Cristo, natural de Aveloso, Lamego e que professou no Convento de Tomar em 8 de Setembro de 1587, exercendo sucessivamente importantes posições no convento, no colégio de Coimbra, onde foi Prior tal como no Convento de Nossa Senhora da Luz em Lisboa, e por fim  Prior Geral da Ordem ao ser eleito a 22 de Maio de 1647, vindo a deixar a Terra no convento de Tomar a 29 de Junho de 1654. 

Embora tivesse deixado manuscritos importantes sobre a Ordem de Cristo e um Tratado da Oração, só foram impressos e sobreviveram duas obras, a primeira  a Instrucao de como se ha de dar posse do Mestrado da Milicia de Nosso Senhor Jesu Christo, & de como se ha de celebrar Capitulo geral da mesma Milícia. 
A segunda, a Arte espiritual que ensina o que he necessario para a meditação, e contemplação, repartida nas tres vias, purgativa, illuminativa & unitiva; o tempo em que se há-de entrar, e deixar cada uma delas com seus particulares exercícios, e o de cada dia..., ambas impressas em Lisboa, em 1649, quando ele era o Dom Prior geral da milícia de Cristoe na qual encontramos ensinamentos bem valiosos sobre a oração, a meditação, as potências e qualidades da alma activas no caminho espiritual, os estágios de purificação, iluminação, amor e união. Escreve dentro da tradição da Ordem de Cristo e da Cristandade e dos seus subtis ou ardentes místicos e místicas (dos quais cita o pseudo-Dionísio, Dionísio Cartusiano, e Santa Teresa de Ávila, de quem comenta no fim algumas advertências), e dos quais era um bom conhecedor, iniciador e transmissor, como mestre de noviços.
                                             
É certo que a obra
ressente-se por vezes da cosmovisão do Antigo Testamento, que cita de cor no livro a par do Novo Testamento, embora este seja muito mais privilegiado natural e acertadamente, já que o Antigo Testamento está cheio de fábulas demasiado exageradas e violentas. Tal podemos observar, por exemplo, nas suas considerações sobre os Anjos, por vezes bem valiosas, outras absurdas ao aceitar a literalidade dos textos referentes aos anjos do Antigo Testamento. Todavia, são muito mais as páginas de ensinamentos valiosos e correctos.
                                                        
A obra teve uma segunda edição, em 1725, o que prova o reconhecimento público do seu valor no discernimento subtil dos estados meditativos, amorosos, contemplativos, que conhece por experiência interior e não só por leitura e especulação, e que transmite com grande profundidade e clareza. Estamos diante dum verdadeiro e valioso Tratado da Oração Mental, ou Arte espiritual, tal como ele põe como cabeçalho da obra, na primeira página, com lições bem úteis para a via purgativa-iluminativa, aquela na qual devemos mais tentar e perseverar nestes nossos dias tão agitados e absorventes do mundo...
                           
Reimpressa em 1725
num in-4º de (8)-419-(7) páginas, a obra está dividida assim: A Oração e suas seis partes: Lição, Preparação, Meditação, Contemplação, Acção de graças e Petição. A via Purgativa: exercícios, considerações, colóquios e oferecimentos. A via Iluminativa: considerações gratas aos Anjos,  N. Senhora. Da página 91 à 210, numerosas meditações sobre a vida de Jesus Cristo. Seguindo-se até à 229 as Advertências da Via Unitiva, onde se inserem nove belas considerações ou meditações diárias sobre os atributos Divinos, tais a infinidade, a bondade, a formosura, a imutabilidade. Seguem-se as Advertências sobre a Meditação passada, que é do Divino Amor, e os motivos do Amor Divino. Começa então na p. 257, o Tratado de Contemplação e as considerações sobre a união da alma com Deus, as visões, a purificação da alma, o amor que se recebe, e por fim uma hermenêutica de algumas advertências da Santa madre Teresa sobre a contemplação. Da pág. 362 às finais do Índice,  de novo considerações  sobre nascimento, morte de Jesus Cristo e o mítico Juízo final. 

                                              
Há portanto
 páginas bastante valiosas, como se pode deduzir ou intuir, sobre a oração, a meditação, as potências da alma, os afectos, imagens sobrenaturais, os Anjos, a Luz, as Perfeições Divinas: sua essência, eternidade, imensidade, fortaleza, providência, bondade, formosura e imutabilidade. E como hoje tanta gente fala e escreve sobre as Ordens do Templo e  de Cristo mas do espiritual e divino delas pouco  realiza e transmite, creio ser um bom serviço partilhar estas centelhas da  Tradição Espiritual de Portugal.

 Vamos apenas transcrever alguns parágrafos, e mais tarde comentaremos, para nos inspirarmos talvez sobretudo mais no caminho da compreensão do controle e elevação mental e da intensificação ígnea amorosa da alma para Deus e seus estados expandidos e unificados de consciência.  
Como prior e mestre de noviços Frei Paulo de Vasconcelos partilha a  visão tradicional da oração mental, composta de seis partes com   duas mais essenciais, a meditação e a contemplação, ensinando que  a contemplação nasce da meditação, e nesta «o fim há de ser contentar a Deus, e o menos principal há de ser o proveito, que determina tirar daquela meditação, a saber, ser humilde, ser casto, aborrecer o pecado, desejar o Céu, etc. A causa eficiente são as três potências da alma: Memória, Entendimento e Vontade. A Memória representa a história, o Entendimento vai tirando de umas coisas outras, a Vontade escolhe conforme o entendimento lhe mostrou, ama, ou aborrece, etc. (...).
 A terceira advertência seja, que nenhum caso se pare nos discursos do entendimento sem chegar aos afectos da vontade: porque se parar nos discursos do entendimento ficará sendo especulação e não meditação, de forte que todas as três potências da alma, Memória, Entendimento e Vontade, hão de obrar na meditação, a Memória há-de representar ao entendimento,  há-de ir conhecendo, fazendo ilações e discursos, e descobrindo verdades; e a Vontade ir amando, ou aborrecendo, alegrando-se, ou entristecendo, e tirando outros afectos conformes a matéria sobre que vai meditando. (...)
A Quarta advertência é que o que medita não deixe ao entendimento discorrer livremente quanto ele quiser, senão que quando vir que é tempo, e que tem já conhecido o que vai especulando, ele há de ir amando [sentindo no coração, pronunciando jaculatórias, determinado-se em actos] para que não gaste o tempo todo em discursos e perca o que é mais, que são os afectos e actos da vontade, porque não está o caso em conhecer e especular as virtudes e os vícios, senão em aborrecer os vícios e amar as virtudes, e a razão é que o discurso do entendimento não serve de mais que acender o fogo na vontade, e tanto que a vontade tiver este desejo e fogo acesso, não há para que o entendimento trabalhe, porque escusado é ferir com o fuzil na pederneira depois que o fogo está acesso, assim que cesse o entendimento de conhecer, e ame a vontade quanto quiser as verdades, que o entendimento lhe descobriu, ou aborreça os erros que ele lhe declarou.
 Advertência quinta: Também se advirta, que sempre a meditação se há-de encaminhar para conhecer mais de Deus, ou para adquirir alguma virtude, ou desbaratar algum vício, como destro Capitão, que acode com mais socorro à parte mais necessitada, e que em qualquer parte da oração, em que achar devoção, ou movimento algum, que não há de passar avante em quanto lhe durar o tal movimento, porque como na oração não se trata de mais que de buscar meios para amar a Deus, e as virtudes, e aborrecer os vícios, em os tendo não há para quê buscar com dúvida o que está possuindo, pelo que em chegando a este bem, ali pare, e gaste o tempo todo que determinava ter de oração, e advirta que todas as considerações que fizer hão de ser uma escada para subir a alguma das perfeições divinas, e a que mais leva delas é a consideração da vida e milagres de Cristo Senhor nosso (...)
A sexta advertência é que a meditação parte é do entendimento, e parte da imaginação. A meditação do entendimento é de coisas espirituais, como são os atributos divinos, a sabedoria divina, sua eternidade, e imensidade, a graveza e fealdade do pecado, e outras coisas semelhantes. A meditação da imaginação é de coisas coroporais ou que já passaram...ou que ainda estão por vir (...)  
      Quarta parte da oração que é a Contemplação.
«A contemplação é uma simples, suave e qu
ieta vista de Deus, sem variedade de discursos, com grande amor, espanto, alegria e humildade, pelo que dizemos, que é meditação tomar no entendimento algum mistério, e depois de considerar nele o literal, considera as circunstâncias, e tira alguns afectos de vontade. Porém quando o entendimento por discursos que tem feito, ou também porque o Senhor sem eles lhe deu particular luz, conhece claramente a verdade e fixa os olhos nela, e está vendo com quietação e sossego. sem ter necessidade de mais discursos para se convencer, e a vontade pelo conseguinte convencida da verdade que tem em vista, com alegria a está vendo, ou se está espantado dela, ou a está a amando, então está em contemplação. De modo que a meditação busca e a contemplação chega ao porto desejado, pelo que em chegando a ele hão de parar todos os discursos do entendimento aplicando a vontade ao que está amando, porque este amor é fruto da oração e contemplação. Nunca o contemplativo se tire desta quietação, por seguir os demais pontos, salvo quando vir que se torna a distrair, porque então pode ir avante com seus discursos.» p. 17.

Em seguida Frei Paulo de Vasconcelos escreve acerca «do que se deve fazer para adquirir esta quietação [contemplativa] e tirar de Deus um conceito» seguindo pseudo-Dionísio, que recomenda dois modos para se chegar a tal contemplação: o imaginativo, em que vai pondo em Deus em grau máximo todas as perfeições que vê no mundo, tais a bondade, a formosura, agregando-as num conceito altíssimo de Deus. E o negativo, no qual vê que Deus não é nem entendimento, nem sabedoria, nem poder nem luz, pondo a morada de Deus na luz inacessível, «não afirmando dele coisa alguma, não o chamando grande, senão infinito, não lhe chama perfeito, senão inefável, imenso, incompreensível...» 

Seguem-se as partes quinta e sexta finais da oração, que são a acção de graças, e a petição. Acrescenta ainda a oração de repetição, e  a oração da presença de Deus, sobre a qual desenvolverá a sua visão e compreensão da omnipresença de Deus, e como nós ao realizarmos-la mais poderemos entrar num estado de oração mais incessante ou permanente, tal como também Erasmo ensinava ou propunha, e que a voz da consciência e a música das esferas aludem. É num subcapítulo bem valioso, Também a presença de Deus é modo de oração, e que transcreveremos e comentaremos brevemente no próximo artigo, e que se inicia assim: 

 «É muito de advertir, que não é menos importante para a vida da alma a presença de Deus, do que para a vida do corpo a respiração, porque assim como não pode haver vida sem respiração, assim não havíamos de estar um instante sem a lembrança de Deus, e ainda que pareça dificultoso este exercício, com a Divina Graça vem a ser tão fácil, que muito mais dificultoso vem a ser o esquecer dele, do que ao princípio era a sua lembrança. (...)