quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Dia Internacional das Montanhas. Mountains Day. 11/12/2014.


Himavat... O Evereste no caminho espiritual...
The sacred mountain of Everest seen from the path of the Light...
 Bô Yin Râ...

Dia Internacional das Montanhas, 11 de Dezembro. 2014

Recebido há pouco o aviso, da parte da geóloga Paula Carminé, presentemente a ter de labutar na Argélia, aqui vai a partilha deste Dia sagrado para que a leitora ou o leitor do blogue saúde e exprima de algum modo o seu amor às montanhas, certamente um dos aspectos ou seres mais belos, fabulosos e importantes da Terra...
Fiz uma breve escolha de algumas imagens de pinturas do notável mestre alemão do séc. XX Bô Yin Râ, depois uma xilogravura de Utagawa Hiroshigue (1797-1858), da série 53 estações do Caminho de Tokaido, uma fotografia tirada por alguém do Fuji, do Japão, ao qual já subi (com dificuldade...)depois algumas pinturas de Nicholai Roerih, o grande mestre russo das montanhas himalaicas e do Agni Yoga e, finalmente, algumas fotografias tiradas por mim na montanha portuguesa com quem mais dialogo, convivo e  amo, o Gerez... Acrescentei ainda um texto sobre as montanhas e escrito nelas, no Gerez...
Possam esta imagens inspirar-nos a estarmos mais na Natureza, a cultivarmos e a usarmos a agricultura biológica, e a amarmos mais as montanhas e as suas energias, tesouros, cristais, seres e funções de ligação com o Céu, o Espírito, os Espíritos, o Infinito, o Amor, a Divindade...

On the day of Mountains, please send your best wishes and love to the mountain's beings and realms as they are so, so incredible beautiful, strong and lovely!
And surely we shoul give or send a special salutation to the Highest Mountains, the abode of the Masters or Gods or Kami, the Axis Mundi, first one the Himalaias or Himavat, but also the sacred Fuji, or the portuguese ones Estrela and  Gerez, or Kailas, Ararat, Mont Blanc and surely the ones of your country...

I have made a quick and short choice of photos to commemorate the Day of the Mountains, some paintings of Bo Yin Râ, a very important master and painter from the XX century, one japanese view of Utagawa Hiroshige of Fuji, some incredible paintings of the russian master Nicholai Roerich, who lived many years between in 1928-1947 in Kulu Valey in front of the Himalayas, and some photos taken by me tree months ago of Gerez mountains, north of Portugal...
Let us love and protect better the Mountains and their Beings, with Biological Agriculture and going and living in harmony with Nature and the Spirit...




Do amor às montanhas 


I Love mountains... Eu amo as montanhas...Through the mountains we pray and we enter in sacred realms... Através das montanhas, oramos e entramos em níveis ou estados sagrados...


Himavat, the sacred realm of the highest spiritual forces in the Planet...

Bô Yin Râ, By the sea we can see better the unseen.....Nas falésias por vezes vemos os espíritos guardiões das costas e nas ondas as ondinas e silfides...

Open thy spiritual eye and contemplate the sacred mountain of the Masters, Himavat.. Painting of Bô Yin Râ.. Ao fundo da visão espiritual vemos a montanha sagrada do Himavat, por onde as energias dos mestres e da Divindade penetram mais na Terra.

Utagawa Hiroshigue... Fuji...



Nas montanhas o espírito manifesta-se mais, sobretudo após difíceis ou árduas caminhadas ou ascensões...


Nicholai Roerich, Chintamani, the treasure of the world...

Montnhas, Nuvens, Espíritos da Natureza, Seres angélicos, mundos divinos sem fim...

De mestre a discípulo...


Despedidas dos mensageiros...

Portadores do santo Graal...

Cristais, o Anjo Cristalino, os Mestres... Contempla mais os cristais ou mesmo as suas grutas...


Guardiões das montanhas e vales. Por lá e por cá...








Um texto sobre as montanhas e as peregrinações escrito por mim no Gerez transmontano:


Peregrinação ao Gerez
Primeira paragem sobre os grandes carvalhos sobranceiros à casa. Corre um vento fraquinho e leve, que refresca do calor forte. É o começo de um treino para fazer a peregrinação de Santiago.

Meu Deus, eu amo-vos, eis a oração que me brota após alguns minutos de caminhada. Aqui vou eu ao meu ritmo e ao sol forte. Venho receber as forças e o treino nesta zona sagrada do Gerez transmontano que tão bem conheço e amo...
A caminhada ao sol limpa-nos do que não é essencial, sobretudo se estamos rodeados de uma paisagem belíssima que acolhemos jubilosamente, fazendo sair muita poluição citadina ou civilizacional...

11:30 paragem numa cova de penhascos, à sombra. Quantos seres já aqui se abrigaram, se sentaram, recuperaram forças e deram graças a Deus, talhando o seu corpo espiritual.
O sol e a sombra estão em constante relação, e assim podemos sentir a purificação da aura que podemos adivinhar na sombra visível que o nosso corpo projecta ao ser batido pelo sol, e à qual pode corresponder o que de mais escuro exista na nossa alma e que queremos purificar, nomeadamente todos os sofrimentos que acabamos por infligir às pessoas, nomeadamente os mais duros que são aqueles das pessoas que nos amam ou amavam...
Poderíamos pensar então que quanto mais amamos mais sofreremos e que, logo, para não se sofrer não se ama. Tal dedução está errada pois faz parte desta vida amar e sofrer. Mas façamos passar ou correr estas duas alternâncias pela alma com dignidade, harmonia, justiça e sabedoria...
Amar com conta, peso e medida, fazer sofrer o menos possível, lutar contra o sofrimento mas aceitá-lo com sentido pacificador e transmutador quando nos chega.

Meio dia, encostado a uma pedra e à sombra. Embrenhei-me em subida de montanhas em caminhos, aos zizagues e o coração dá sinal do esforço no seu ritmo mais pressado...
Algumas faces talhadas nas pedras contemplam-nos. Quem as fez: a Natureza, o ser humano, os Espíritos da natureza? Provavelmente o decorrer do tempo, algumas pessoas e sobretudo os espíritos da Natureza, nomeadamente os famosos anões ou duendes que ainda hoje podemos ver no nosso olho espiritual...
Numa poça maior as rãs saltitantes no charco são saudadas por algumas exclamções minhas que não sei como lhes chegam aos ouvidos e entendimento. Um amigo? Sentirão uma modulação vibratória amorosa?
A água do ribeiro, doce, humilde, mansa, faz lembrar a mulher, e em especial aquela que nos mais gostamos, mas ao lado um penedo em forma de Buda mostra-nos a própria natureza a assumir a natureza contemplativa indicando-nos que numa peregrinação ígnea não nos devemos deixar reter ou prender por sentimentos mas avançar em amor...

Quando chegamos ao cimo dos montes e, por entre a paisagem desértica quase só povoada de penedos e de giesta, surpreendemos uma árvore bem pujante e frondosa, saudamo-la e aos espíritos da natureza que ali habitam. Convidamo-los a chegarem até nós e a virem connosco, ou que pensaremos neles quando andaremos em peregrinação por outras terras ou no caminho de Santiago...
Mas uma certa tristeza da Natureza, e a frase bíblica, que ela suspira pelo Advento do Reino dos Céus emerge ou sente-se nestas fragas transmontanas, como se a certos níveis a Natureza e os seus reinos quisessem uma maior vida dialogante com a Humanidade e a Divindade...
E então nas pessoas que viviam mais na Natureza era natural sentirem e pensarem que o Espírito que habitava nela, ou os Espíritos, gemiam pela vinda do Espírito, divino, santo, despertante. Neste sentido também a Natureza evolui, seja pela passagem das mónadas átomos pelas diversas situações ou estações dela, tal como a ideia metempsicose quis transmitir, seja pela comunhão com um ser humano, elo maior da ligação entre a terra e o céu, entre os níveis menos conscientes e os da plena consciência Divina...
13 horas e pouco. Fim da primeira purificação, com a parte final algo dolorosa nas pernas quando estavam a ser arranhadas prolongadamente nos atalhos da montanha. Mas já estou junto ao lago e vou tomar um banho purificador...

Oh Princípio Feminino da Pureza,
Aqui tão doce e calmamente manifestado,
Penetra na minha alma, lava o meu corpo.

Oh Deus, que eu só siga a ti e à tua verdade
e seja verdadeiro, justo e amoroso
com todos os seres.
E se tiver que viver com alguém
que essa pessoa surja e seja feliz.
Água pura azulada, limpa-me,
Penetra também nos antepassados e amigos,
Amen por todos...

Bom banho na água fria e pura que escorre da montanha durante todo o ano e se recolhe e concentra neste extenso lago criado há umas dezenas de anos, sobre campos fertéis de Sirvozelo e cujos muros que os delimitavam ainda afloram aqui e acolá... Grande paz... Desejos que alguém pudesse também partilhar desta beleza...

Um ramo de flores da montanha para si...
Cores tão doces e suaves
após os penhascos lá no alto secos,
que até as cigarras e grilos
por aqui se instalaram e cantam...

Terra quente, terra fremente
assim nossas almas anseiam
por um não sei que mais
que nos faz movimentar sem cessar.

Quem sabe buscando ora os lagos
do amor eterno e calmo,
ora as criatividades flamejantes
e transformantes

Para si tão longe de mim
e contudo tão perto pelo coração
voe esta brisa perfumada
que faz ondular as gramíneas
e deixa nos ouvidos o eco
das suas palavras e ser,
Bom dia...


19:38. Paragem a meio dos montes, por onde fui trazido pelo cão branco do Artur... Com o seu rabo de raposa aí veio ele a abrir e a farejar caminhos, sempre atento a qualquer som ou cheiro. Cara de leão ajubado, corpo de cavalo ou gazela, rabo de raposa, lãzudo amarelado...
Há pouco uma intuição sobre a regra pitagórica, “não saltes de pés juntos”: quando caminhamos pela montanha, só devemos fazer avançar uma perna de cada vez e quando já estamos certos que uma não ficou presa atrás. Saltar a pés juntos não se deve fazer pois devemos cobrir em equilíbrio o máximo de terra cada vez mais. Assim também na vida e presente e o futuro devem fluir harmoniosa e naturalmente.
O cão está sentado ao meu lado a partir e a rilhar um ramo seco à falta de algum osso mais saboroso. Como trouxe uns bocados de bolacha para as formigas dou-lhas mas também ao cão.
O sol começa a desaparecer atrás de um monte mesmo à frente mas as pedras onde me sento ainda estão quentes, o som do riacho ecoa permanentemente e sombras esverdeadas, acizentadas ou amareladas descobrem-se ao longe nos vales, ora já à sombra ou ainda bafejados pelos raios solares... 
E o dorso da Terra, do Arcanjo ou da Daena dos Persas, emerge mais subtil mas poderosamente...

22:00.  Em casa, como sabe bem após tanto esforço fisico e purificador. Mão secas, pernas trilhadas e ensaguentadas. Vai-se aguentando o riscar das silvas, mas a certa altura a pele atingiu o seu limite e começa a revelar a dor que sente por estar a ser tão ferida ou penetrada...
Assim nós, na vida, subitamente somos lançados para novas paragens e desafios que a nossa personalidade não suspeitava mas que a individualidade desejava...
Dias sem receber notícias, sem televisão, sem ligar a música, com o som do silêncio, a música das esferazinhas ou dos grilos, o que se pode desejar mais? Nada...
Com tal plenitude, que vazio há para preencher, que estímulos há que recrutar? Nenhum. Que frustrações nos ferem e apelam a melhores vibrações? Nenhumas. 
Assim estou bem neste retiro nas montanhas de Trás-os Montes...
Ao caminhar-se com o cão vamos mais rapidamente do que a sós, e assim também vemos o que nos rodeia com outra percepção. Quando paramos, connosco está um outro ser que desejamos que também consiga sentir algo da beleza ou mesma alegria que por nós perpassa...

Peregrinar como arte de talhar o corpo espiritual: 

Ao fim dum dia de peregrinação sentimos bem as pernas trementes, vibrantes, doridas e rasgadas; mas resultaram forças e despertamos energias para a coluna vertebral e para a consciência.
Jesus, o Cristo, tal como Gautama, o Buda, passou a vida a peregrinar. Não andava de camioneta, carroça ou burro, mas avançava, ao princípio só, depois com alguns, hoje com muitos.
Era um mestre da via espiritual, a despertar mais almas para a realização espiritual e divina.
Cada um de nós é um Cristo, um ungido por Deus em potencial, um peregrino rumo ao templo do Pai-Mãe.
Até chegarmos a ele precisamos de um mestre, que nos acompanhe na caminhda, que seja uma presença que nos galvanize ao melhor de nós. Jesus Cristo é para muitos o mestre ideal. Podemos imaginá-lo e segui-lo, e ele ou os outros mestres nos ajudarão a manter-nos puros e victoriosos na Peregrinação...
Com o sol a bater na cabeça, podemos pedir à Luz unificadora que apague a agitação perpétua da mente e deixe as próprias células dos neurónios banharam-se na Luz, na presença crística ou do ungimento divino..
Até que ponto é que podemos mesmo receber uma espécie de consciência crística nossa, individual?
Pergunto tal, enquanto caminho, ora olhando o chão ora a frente, mas com poucos pensamentos na cabeça, e não é difícil sentir a cabeça só com luz, sem pensamentos. Ou mais à frente caminhar de braços abertos à presença crística e divina, irradiando-a pelo coração.
São sensações espirituais tão subjectivas que são difíceis de determinar nas suas origens e processos e quem não acredita em Deus ou no Divino ou no Espírito mais dificilmente o sentirá...
Agora fecho o candeeiro e fica só a vela a arder. Aproximo-me mais do papel e a escrita e a letra mesmo tornam-se diferentes. É uma luz mais íntima, mais próxima, mais orgânica. Não é como a luz física eléctrica muito dispersante, abrangente, superficial, fácil...
A luz da vela arde no tempo, limitadamente, e mostra que não há luz sem combustão de algo, e produz então um certo calor ou mesmo uma irradiação: estão a desprender-se certas partículas que nos chegam, que nos ligam ao papel e à esferográfica de um modo mais artístico, mais consciente, mais harmonioso.

Peregrinar como trabalho espiritual. Vamos tentar ultrapassar as limitações e memórias da personalidade e enriquecermo-nos com novas paisagens da natureza, da alma, de pessoas, com a possibilidade até de revelação do espírito, tanto o cósmico, o divino, o santo presente nas línguas, no horizonte, no espaço vazio como também no espaço interior, subitamente silencioso, atento, receptivo e deixando-se penetrar pelo Intelecto único e Divino, a Sabedoria-Amor divino que tudo sustenta, por uns chamado Logos, outros Anima Mundi, outros Mahat....
Já depois do jantar, em frente à janela aberta e olhando o planeta Vénus a luzir, rodeado das núvens dos incêndios que perpassam a crista da montnha, de novo mergulho no silêncio, no estado unificado, vazio de pensamentos, mais fácil aqui que na populosa e buliçosa cidade.
E vou um pouco lá fora e vejo muitos raios ou feixes de luz vindo do céu para a terra. E o horizonte em forma de meia lua recepetiva é muito adequado a uma visão antiga do mundo. E decido-me a peregrinar de novo, agora de noite...

Regresso da peregrinação sob o céu estrelado. Uma só cadente, atravessando rápida e intensamente brilhante, de Norte para sul, a Oriente, e que nos faz gritar uma oração ou exclamação ou desejo, de certo modo nesse momento de aqui e agora realizado....

Que fantástica a Natureza, no Quarto Crescente, neste bom tempo de finais de Julho. Ir em calção e camisa por vários sítios, com vários pensamentos, compreensões, orações e irradiações de alma. Ver a Estrela Polar e saudá-la. Abraçar o gigantesco carvalho, dar-lhe amor e receber as suas forças. Invocar o Espírito santo por ele e nele, e sermos um. Que extâses. E a luz da Lua a transfigurar a ramagem de uma árvore, enquanto mais alta ainda, de um trecho da abóbada a Via Láctea faz o mesmo, deixando chegar as suas míriades de luzes até mim coadas pelas folhas da árvore... E irradiar isto tudo para duas ou três pessoas amigas em especial e para a Humanidade...
Sair daqui mais transfigurado e iluminado, mais poderoso na aura: há pouco a uns quinze metros de uma grande árvore de cerca de 30 metros de altura, irradio para ela, abro-me a ela. Por que não a minha aura assumir a sua dimensão?
Ao longe, uma estrela mais pulsante e avermelhada. Comunicamos, tentamos ser um.. E então, quando consigo sentir que perpassa a Unidade cósmica, a estrela fica como que com a luz mais forte e recortada, como sendo uma centelha espiritual que comunica com a minha, salvaguardadas as dimensões, também ela uma chispa de luz espiritual...
Grandes sítios estes do Gerez ou do Marão, onde as pessoas podem facilmente harmonizar-se e  irradiar boas energias para o Cosmos.

Oh Natureza sagrada,
Céu, estrelas, vento, árvores
Penedos, riachos, rãs e grilos,
Vossa é a "Harmonia das Esferas",
A música silenciosa harmonizadora.

Vimos até vós em peregrinação,
purificai-nos dos nossos defeitos e limitações
e inspirai-nos para níveis novos e criativos
para que possamos contribuir
para a evolução planetária e total.

Que o Amor brilhe e persevere em todos os seres
e que a justiça, a felicidade e a Divindade nos unam."



Um fragmento (de há anos) dos diários que vou escrevendo, sobretudo quando subo ou peregrino as montanhas. Boas inspirações...


See you one day, here, in Gerez. If not, in the Infinite....
Até um dia destes quem sabe aqui no Gerez, ou nos horizontes Cósmicos...

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