sábado, 1 de agosto de 2026

O regime epsteiniano e diabólico norte-americano-israelita, com a sua máquina criminosa de guerra, prepara-se para mais mortandade e destruiçao no Irão

                                     
    Estamos a poucas horas de um novo ataque do eixo do Mal, ou seja da mentira, da ganância, da opressão, da violência,  contra as forças da Luz representadas pelo Irão e sua tradição espiritual milenária, zoroástrica, shia, certamente teocrática face à falsa democrática ocidental. 

Desta vez não sendo tão traiçoeiro, pois já se sabe que acontecerá muito brevemente, tal como o Trump e um departamento do Estado anunciaram, com ordens imediatas dos nacionais saírem rapidamente da zona, serão ainda mais violentos na quantidade e potência dos bombardeamentos  mais uma vez convencidos, ou fazendo crer, que conseguirão destruir a resistência duma civilização estado milenária, sagrada, corajosa, inteligente.

É certo que a espionagem norte-americana, inglesa e israelita dotada de meios sofisticados tremendos e de infinito dinheiro capaz de corromper meio mundo, a esta hora já deve saber onde se encontrarão os principais dirigentes iranianos e tentarão mais uma vez assassiná-los, ainda que desta vez já não seja tão fácil, já que demorarão mais tempo a atingi-los e eles, já avisados, deverão estar em locais mais nas profundidades da Terra. Mas quanto iranianos, comuns, ou mesmo extraordinários, como o notável professor Seyed Marandi, convidado frequente de tantos bons programas, tal como o bi-semanal de George Galloway, poderão estar apenas relativamente protegidos em abrigos pouco profundos?

Oremos para que haja o mínimo possível de mortos e que as forças atacantes sejam abatidas em numero substancial que diminua a mortandade que causariam, pois um só piloto norte-americano ou israelita pode matar centenas de pessoas inocentes, enquanto que um míssil antiaéreo que o atinja apenas retirou da terra um fanático obediente de criminosos de guerra diabólicos que são Trump, Hegseth, Natanyahu e Givr, uma vez que Lindsey Graham já estará a arder num purgatório duradouro, ainda que no seu funeral, participado pela elite epsteiniana, tenha sido afirmado que ressuscitara com Cristo. Só faltou a histérica trapaceira televangelista, mestra de Trump, Paula White, na fotografia de vermelho...

Escrevo ao findar deste Sábado 1º de Agosto de 2026, em Lisboa, tão calmo e contudo invisivelmente tão ameaçado por mais um ataque desesperado da elite ocidental epsteiniana, imperialista e sionista contra um povo que só se tem defendido e apenas ajudado discretamente alguns povos a defenderem-se da cobiça, ódio, supremacismo e racismo ocidental e sionista.

A maior parte dos bons canais de lúcidos entrevistadores ou comentadores e são muitos, - Douglas Macgregor, Dimitrio Laskaris, John Mershmeer, Larry Johnson, Scott Ritter, Chris Hudges, Alaistar Crooke, Rachel Blevins, Judge Napolitano, Meidas Touch, etc. -  claramente está convencida que está prestes a efectuar-se mais um acto diabólico de um punhado de psicopatas sem qualquer moral ou ética que dirigem o Ocidente, e que, após anos de sanções e duas pequenas guerras, e mais recentemente doze dias de bombardeamentos constantes (a última bomba lançada a 3 de Julho na ilha de Keshm pesava 907 kg, mas só matou as três pessoas duma família),  quer de novo mais destruição e mortandade, variando contudo as previsões do que vai acontecer, o que será destruído e sobretudo ainda como será a resposta do Irão em termos de alvos e eficácia.

Embora muitas das bases norte-americanas já foram bastante atingidas e várias delas já não podendo servir de ponto de partida dos bombardeiros norte-americanos, mas mesmo assim algumas serão ainda mais destruídas. Como variam as avaliações das atingidas ou mesmo abandonadas, se consultarmos a IA do Google, o optimismo (manipulador e censurador das imagens em contrário) do Império do qual ele é um porta-voz está patente: «Quantas bases dos EUA ainda estão operando no Oriente Médio», pergunto, e a resposta é: «Os Estados Unidos operam 19 grandes bases militares no Oriente Médio, incluindo 8 bases permanentes, enquanto métricas mais amplas que rastreiam cada pequeno posto tático ou local de segurança compartilhada colocam a pegada total mais próxima de 80 instalações na região. Apesar das graves escaladas em curso, incluindo ataques diretos de mísseis e drones iranianos às instalações americanas, todas as bases principais permanecem operacionais, embora o Pentágono tenha reduzido o pessoal ou realocado tropas em certos locais para minimizar os riscos de segurança.»


Mas se além dessas bases, que aparecem aos amilhazados quase que indestrutíveis, o Irão responder ao ataque às suas infraestruturas energéticas e civis, como já prometeu, bombardeando as estruturas energéticas dos países árabes da região que se deixaram escravizar pelos norte-americanos e permitem usar as bases nos seus territórios para os ataques ao povo e estado iraniano, já que são governados por ditadores opressivos, alguns até  com fotografias comprometedoras com Jeffrey Epstein, tais os dos Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita? 

Não nos admiremos como eles, pequenos mas muito rico ditadores, estão contra o Irão e mesmo indiferentes à sorte das suas populações, como algo de certo modo se passa com o controlado rei da Jordânia,

Pois haverá consequências dramáticas, certamente, embora evidentemente a Administração norte-americana não esteja nada preocupada com isso, localmente ou na esfera da crise mundial económica que vai crescendo, pois o seu egoísmo de classe e de império é tanto proverbial como intrínseco, já que incarnam claramente as forças da mentira, roubo e violência que caracterizam o mal, como já há quase 3.000 anos Zoroastro discerniu e afirmou, passando para os persas e iranianos, por elos sucessivos dos magos, dos neo-platónicos, dos ishraqui e dos shiia e seus Imams,  uma sublime tradição de honra, de ordem, de cavalaria, de coragem até ao martírio que está viva nos nossos dias nos dirigentes, militares e povo iraniano...

Já o contrário se passa no Ocidente, com uma mentalidade mercenária, corrupta ou mesmo fanática e genocida que caracteriza a maioria dos militares israelitas e norte-americanos, por vezes verdadeiramente diabólicos na sua insensibilidade, perversões e crueldade.
O objectivo norte-americano e israelita é indubitavelmente o de destruírem o governo e as forças armadas do Irão e para isso tem utilizado todos os meios desde os económicos das sanções, dos estrangulamentos, bloqueios e marginalização, aos de propaganda, manipulação e demonização do regime da República Islâmica do Irão, a fim de não não terem adversários ou mesmo apenas concorrentes na economia e na mentalidade, ideologia e religiosidade, para eles tremendamente demonstrada numa bofetada com o maior funeral da história, 40 milhões de pessoas, realizado em sinal de amor e unidade com o ayatollah Ali Khamenei e a grande alma iraniana...

Diabólicos nestes processos, criminosos de guerra mesmo quando se pensa quantas crianças e doentes morreram por não terem acesso a medicamentos e a materiais que teriam de receber do estrangeiro, ou mais recentemente no bombardeamento sucessivo e deliberado da escola de Minab que assassinou cerca de 16o crianças e professores, os regimes e administrações de Trump e de Netanyahu devem ser condenados,  derrotados e removidos rapidamente para o Bem da Humanidade.

Apenas podemos orar e meditar, apelando aos mestres, anjos e à Divindade, com os nossos sons e mantras, para que impeçam a guerra, ou a tornem o menos mortífera possível, ou que o Irão triunfe, como certamente a Ordem Cósmica e Divina (Asha, como a denominou Zoroastro) quererá, cingida ao livre arbítrio outorgado humanos na luta entre o bem e o mal que no fundo, interna e externamente (a jihad) definem o propósito evolutivo ou libertador na humanidade.....
Quantos de nós nas suas meditações ou sonhos, comungando o campo unitário de energia, consciência, informação mundial, captarão ou intuirão o ataque antes de serem informados pelos canais da internet ou alguma pessoa amiga? Quantos estarão firmes ligando harmoniosamente a Terra e o Céu para que a justiça, o bem, a verdade e a multipolaridade triunfem?

Oremos, meditemos, velemos e irradiemos paz, luz, justiça, verdade, Divindade....

Do encontro do Oriente e Ocidente e sua sabedoria, através de algumas efemérides da 1ª semana de Agosto.

Destaquei de "Agosto e as suas efemérides do encontro do Oriente e do Ocidente, da Índia e de Portugal", nascido de um livro publicado em 1998 e que se foi desenvolvendo como encontra no blog, a primeira semana, suprimindo ou abreviando algumas e sublinhando o mais valioso: 
1-VIII. Frei Amador Arrais, nascido em Beja em 1530, frade carmelita, formado em Teologia e professor em Coimbra, e que fora pregador real e Bispo de Portalegre, parte da Terra neste 1º de Agosto em 1600, em Coimbra,  aonde regressara em 1596 desiludido do Cabido de Portalegre não ter querido aceitar a implementação da reforma de costumes da cristandade desejada e decretada pelo Concílio de Trento. Notável escritor da língua portuguesa, na sua obra principal, de cunho moral e humanista, erudito e simples, iniciada pelo seu irmão Jerónimo, Os Diálogos, no diálogo quarto, Da glória e triunfo dos Lusitanos, consagra belas páginas  a Viriato e aos seus heróicos sucessores ao longo dos séculos, com algumas dedicadas à Índia, mostrando-se leitor de João de Barros, Garcia de Orta e  Jerónimo Osório, descrevendo particularmente o reino de Narsinga e os monumentos (tal a famosa cruz em pedra)  e o culto de S. Tomé, em Meliapor, onde uma bela pintura de Nossa Senhora  levada pelos portugueses, é ainda hoje venerada, como eu próprio vi. Citará Propércio, da Elegia 3, «quanto com armas tanto prevalecerão com piedade, que [Deus] temperou suas mão vencedoras», consideração da harmonia do rigor e do amor, desenvolvendo-a ainda com a profunda doutrina   transmitida por Platão: «Deus, fazedor dos homens, misturou no peito dos Príncipes que haviam de governar as Repúblicas ouro celestial, que são virtudes divinas, porque fossem de altos e divinos pensamentos. E aos que haviam de ajudar a estes no governo púbico, ainda que não se lhes igualassem na dignidade, ornou-lhes o coração de prata do céu, que são os esmaltes e atavios de excelentes inclinações e costumes. Mas no peito dos lavradores e outros oficiais mecânicos que servem a república, enxertou ferro e cobre. Acrescentou mais Platão que aqueles em cujo peito Deus encerrara ouro e prata, eram obrigados a desprezar os metais da terra e não ajuntar tesouros, nem seguir as riquezas deste mundo. Por esta metáfora figurou este sumo filósofo a vida do religioso e do perfeito cristão.»
                                                   
 Bal Gangadhar Tilak, um rei não coroado do Decão, o pai do desassossego indiano, o líder do Partido de Toda a Índia, desencarna em 1920. Mahatama Gandhi dirá: «O seu vasto saber, os seus imensos sacrifícios e o serviço de toda a sua vida fizeram-lhe ganhar um lugar único no coração do povo... Creio que o seu comentário sobre o Canto do Amado (Bhagavad Gita) será o mais duradouro monumento à sua memória. Sobreviverá mesmo ao fim com sucesso da luta por Swarajya, o auto-governo. Mesmo então a sua lembrança permanecerá fresca como sempre, devido à imaculada pureza da sua vida e ao seu grande comentário sobre a Bhagavad Gita.» Além desta exegese, escreveu um vasto tratado sobre a pátria Ártica dos Indo-europeus. Pouco antes de morrer, ao visitar, com o mestre e poeta Shuddhananda Bharati (que eu conheci), o Sai Baba de Sirdir, este diz-lhe: «Vai e descansa. A liberdade chegará à Índia». Era um conselho profético merecido, pois Tilak, um marata, representara a linha mais incendiária no partido do Congresso Nacional Indiano, pouco disposta a cooperar com os ingleses e exigindo a independência imediata. Será contudo ahimsa, a não-violência activa, de Gandhi, aliada à auto-governação, swarajya, que galvanizarão toda a nação invencivelmente. No recente livro, ao qual fiz uma apreciação no blogue, Tributes to and Remembrances of Gurudev R. D. Ranade, The Saint of Nimbal, by Rajendra Chauan and Deepak V. Apte, há um testemunho do mestre Ranade, que o conheceu, valiosa e em que se realça muito bem a unidade do coração e da cabeça-cérebro no caminho espiritual e que Tilak realizara.
                                                     
2-VIII. Neste dia em 1864, em Macau, o Padre F. F. X. Rondina assina a dedicatória da sua obra baseada no seu discurso Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo reivindicada contra Ernesto Renan, recitado na Sé Macau, e impresso no Seminário Diocesano, porque aquele «escritor, embebido de doutrinas panteístas, depois de ter nos seu Estudos da História Religiosa, afirmado a eternidade da matéria, negado a existência dum Deus distinto das criaturas, rejeitado tudo o que é sobrenatural, vem hoje com um miserável romance na mão, intitulado a Vida de Jesus, combater a crença da divindade de Jesus Cristo, pedra angular da Religião revelada.» Rondina, apesar de ter aprendido há pouco o português, escreve bem e mostra-se muito informado quanto aos vários racionalistas que cumprimentavam Ernesto Renan. E como crente na leitura literal dos Evangelhos não podia deixar de criticar várias asserções, e por vezes com razão, escritas por Renan na sua obra e por ele rebatidas. Contudo errava quando a pensava que a perda «da fé na Divindade de Cristo, na infalibilidade dos seus dogmas e na veracidade das suas promessas», acabaria com o Cristianismo, já que o aprofundamento crítico do Cristianismo não se deve nem se pode limitar a bem da Verdade e da Divindade...
                                    
3-VIII.   Simão Vaz de Paiva, Luís Pais Pacheco, Rodrigo Sanches de Paredes, Gonçalo Monteiro de Carvalho, os quatro embaixadores, vindos de Macau com outros 60 cristãos, para reatarem as relações comerciais com o Japão, morrem degolados, mártires da fé cristã, em 1640, na cidade, construída à portuguesa e em parte administrada pelos jesuítas, de Nagasaki, que será desnecessária e criminosamente arrasada em 1945 pela bomba atómica norte-americana, ameaça que continua pesar sempre de novo sobre a humanidade devido ao insaciável imperialismo norte-americano e sionista. Instado a renegar a sua crença pouco antes de morrer, rezam as crónicas, Simão Vaz respondeu que estava vendo a Jesus Cristo e a sua glória, o que era bem possível pois o ardor e o drama aguçam a clarividência. Em 1638 a revolta dos camponeses e dos cristãos de Shimabara, liderados por Jerónimo, que terminara com a morte à espada dos 37.000 sobreviventes do prolongado cerco do castelo de Hara, intensificara a perseguição contra os cristãos. Em 1640 o xógum Iemitsu cria um tipo de Inquisição para prender e matar os poucos missionários que tinham ficado ou ainda ousavam aventurar-se pelas terras nipónica. Os próprios japoneses tinham de provar que realizavam uma peregrinação por ano a um santuário budista ou shintoísta, e os suspeitos de cristianismo tinham de pisar uma imagem de Jesus e Maria. Terminara o século de ouro dos portugueses no Japão (1543-1639), no qual marinheiros, comerciantes e missionários transmitiram características e impulsões ocidentais e portuguesas, para além de influências específicas nas ciências, artes e usos, que contribuíram para o fermentar do Japão. Nos nossos dias, entre nós, João Paulo Costa, Pedro Canavarro têm estudado o relacionamento luso-nipónico e,  um nível mais de guia no terreno, Inês Carvalho Matos, publicou recentemente um livro Património de Cristianismo no Japão, em que ilustra bem o ponto da situação do passado no presente.
                                       
4-VIII. Morre em Alcácer Kibir, em 1580, grande parte da força e missão de Portugal, e apressa-se a decadência do fugaz império marítimo português, quando D. Sebastião levou os  seus exércitos a uma batalha desnecessária, culminada no lutar até morrer. Já após o famoso grito "Ter,Ter", que brotou naturalmente perante a força da arremetida moura, o infausto Rei Desejado terá respondido, lendariamente quiçá, aos que insistiam na fuga, que «a liberdade real com a vida se havia de perder». Muitos dos que foram presos na derrota serão resgatados, afirmando alguns terem visto o corpo do «último do sangue de Henriques» exangue, mas a crença e a lenda da sua sobrevivência permanecerá por longo tempo, acalentada pelo não aparecimento do seu corpo e por messianistas e sebastianistas, ora visionários da sua presença na Europa ora sonhadores duma de grandeza futura que lhes tinha sido cerceada no presente. Sábios como Jerónimo Osório, Diogo de Teive, D. Luís de Ataíde e até o insigne espanhol Arias Montano, vindo expressamente do seu refúgio na Pena, tinham tentado em vão suster o imprudente acometer. Um dia trágico na memória subtil da pátria, certamente trabalhável em bons sentidos, tal o de se ressuscitar e manifestar melhor o nosso corpo espiritual, seja pelo sofrimento e a paciência, seja pelo discernimento e a coragem prudente, amor, adoração e alegria...
                                 
                                   
5-VIII. Abandona a vestimenta terrena Sri Takur Satyananda Deva, em 1969, em Baraganore. Discípulo de swami Abhedananda e por este de Sri Ramakrishna Paramahansa, dirá: «Há um Eu Supremo no cosmos. Medita pois nele como Supremo Eu. Mas na vida agitada põe-O em toda a parte. Tenta vê-Lo em cada átomo. Em cada pessoa que encontres, permite-Lhe estar visível». Aconselhava judiciosamente a tomada de consciência da Divindade simultaneamente, no aspecto estático e no dinâmico, no transcendente e no imanente.
                                        
 6-VIII.     Termina cedo a sua promissora passagem pela Terra, em 1937, apenas com 32 anos, Adeodato Barreto, que entrara no mundo físico em Margão, Goa, em 3-XII-1905 e que, cursado o liceu e revelando já os seus dotes, viera para Portugal licenciar-se em Coimbra, em 1929 e 1930, em Direito e Ciências Histórico-Filosóficas. Foi um grande dinamizador da cultura luso-indiana, fundando universidades livres, o jornal Índia Nova (entre 1928 e 1929, com seis números publicados), ligas e escolas, até desencarnar em Aljustrel, onde estabilizara durante quatro anos como notário, pedagogo e cooperativista. Na sua valiosa Civilização Hindu, publicada em 1936 pelo grupo da revista Seara Nova (onde desde 1926 funcionava uma secção do Oriente), e que foi em 2000, reeditada, visualiza as lutas ainda actuais  no séc. XXI: «Duas orientações se disputam hoje o privilégio de conduzir o futuro da humanidade: uma é pela tradição e pelo grupo, outra é pela revolução e pelo indivíduo. Mas uma e outra esquecem o que há de essencial neste debate: a subordinação do material ao espiritual. É neste ponto crucial que se manifesta o que se entende ser a missão da Índia moderna: às facções em luta, e sem esquecer o que deve tanto à tradição como à revolução, ela recorda à humanidade transviada que o seu fim último não é nem uma nem outra, mas sim o seu próprio aperfeiçoamento interior». A revista Índia Nova, que fundara com José Teles e Tello de Mascarenhas, bem merecia ser reeditada.
                                          
Na sua linha de pensamento podemos dizer que na sociedade política mundial cada vez mais global e em que as tradições são tanto de se respeitar como de se revolucionar quando não são correctas, par  se as fazer evoluir e aperfeiçoar, sem dúvida  a visão espiritual da existência e um modo de vida não-violento, ecológico e fraterno, como o que triunfou de certo modo na Índia, com Gandhi e a sua epopeia libertadora face à opressão inglesa, ou agora imperialista globalista e sionista, são dois pilares do templo sempre utópico, sempre em construção,  duma Humanidade
melhor.
 
                                     
                                    
7-VIII. Deposita-se em 1628 a primeira pedra do mosteiro da Santa Cruz no Buçaco, onde monges lidarão com as potências do corpo e da alma, no meio duma natureza frondosa, em similitude com os ashrams indianos. O ensaísta, professor e jornalista Sant’Anna Dionísio, discípulo de Leonardo Coimbra, e com quem convivi em diálogos acromáticos, escreverá: «Verdadeiro recolhimento de ascese, seria o único deserto, no género, que existia em Portugal. O silêncio era rigorosamente imposto à comunidade, sendo apenas isentos desse preceito o prior, e mais três monges, um deles, o da portaria. Aos outros era somente permitido quebrar a mudez de quinze em quinze dias. A própria regra monástica preceituava o dever da plantação de árvores e proibia o corte de alguma sem o voto favorável, pelo menos, de dois terços da comunidade... No Buçaco, de resto (como em toda a floresta), há alguma coisa de inefável que não se transfere. A própria alma do homem que se diga positivo, posta a sós perante a impressionante multiplicidade, quase ecuménica, do seu arvoredo é assaltada pela dúvida (por assim dizer indefinida ou metafísica) sobre se esse mundo de seres é puramente vegetativo ou alguma coisa mais». Bons ensinamentos de Sant'Anna Dionísio para estes tempos ainda com tanto arboricídio público.
Em 1941, Lua cheia, ao meio-dia, neste dia 7 de Agosto passa para o mundo espiritual, na mesma casa onde nascera há 80 anos (6-5-1861) em Calcutá, o educador, mestre e poeta, Rabindranath Tagore, filho do Maharishi Devantranath Tagore, e como este destacado mestre no movimento espiritualista e nacionalista do Bramo Samaj. Esteve em Inglaterra por duas vezes entre os 17 e os 19, casou aos 23 e viveu a natureza pura e rural. A morte da mulher e dos três filhos fazem-no ainda despertar mais para o Amor divino e universal, desenvolvido tradicionalmente pela  via do Bhakti Yoga, transmitindo realizações espirituais com impressivo lirismo na sua poesia, recebendo o prémio Nobel da Literatura em 1913, e tornando-se muito divulgado no Ocidente: traduzido por Yeats, André Gide (outros dois prémios Nobel) e, entre nós traduziram-no ou sobre ele escreveram Adeodato Barreto, Santana Rodrigues, Tudela de Castro, Telo de Mascarenhas, Augusto Casimiro, António Figueirinhas, Bento Caraça, Alexandre Fonseca, entre outros. Fundou a universidade ao ar livre de Shantiniketan, em Bengala, que visitei ainda há uns anos em pleno e belo funcionamento. A sua obra é tão rica que qualquer citação dela será sempre uma ínfima e limitada amostra, contudo eis algumas: «Sinto que Deus no mais íntimo de mim tem alegria em expressar-se através de mim e esta alegria, este amor penetra todas as partes do meu ser, derramando na minha mente, no meu intelecto, este universo inteiro que está vívido diante de mim, meu passado infinito e meu destino eterno. Há um laço de perpétuo amor entre nós dois». No seu último poema escrito diz-nos: «Uma vez encontrada a verdade, / lavada na sua própria luz interna / ninguém a pode privar dela. / Leva-a consigo / para a sua casa entesourada / Como o seu último prémio».
O tesouro das suas obras e estados anímicos, tão vibrantes de amor e sabedoria, é uma fonte de impulsão sucessiva ou perene. Oiçamo-lo ainda: “Meu coração, ave da selva brava, encontrou o céu nos teus olhos. Eles são o berço da manhã e o reino das estrelas. Meus cantos perdem-se na sua profundeza. Deixa-me voar nesse céu, na sua imensidade solitária. Deixa-me violar as suas nuvens e abrir largas asas na sua claridade.” E ainda: “Vida da minha vida, tudo farei para conservar puro o meu corpo, porque sei que em meu corpo vive o teu divino alento. Sem descanso procurarei proteger meu pensamento de todas as mentiras, porque tu és aquela verdade que inflama no meu espírito a luz da razão. Sem descanso tudo farei para afastar do meu coração toda a maldade, conservando florido e puro o meu amor, porque sei que tu vives no mais íntimo altar do meu coração. Farei tudo, para te revelar em meus actos, porque é a tua força que em mim se torna acção.” Encontra no meu blogue e no youtube alguns contributos sobre a sua grande alma, mahatma.