sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Memorial de Svetoslav Roerich (1904 - 1993). Com video das suas pinturas e música de Vangelis

                                        

Comemora-se a 30 de Janeiro a data da partida em 1993 para os mundos espirituais do notável pintor, pensador e mestre espiritual Svestolav Roerich, filho de Helena e Nicholas Roerich.
Agradecendo a sua passagem tão cr
iativo quão bela e harmonizadora na Terra, partilhamos um pequeno vídeo de pinturas suas e a música de Vangelis, e alguns extractos sobre ele e dele.

Já lhe consagramos textos: 1º https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2025/10/celebrar-o-aniversario-de-svetoslav.html.
2º https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2025/10/a-pedagogia-do-belo-e-do-bem-no-pintor.html
3ºhttps://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2025/10/memorial-svetoslav-roerich-1904-1993.html
4ºhttps://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2025/10/devika-rani-pintada-pelo-seu-marido.html
5º https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2025/10/a-sabedoria-do-pintor-e-mestre.html
6ºhttps://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2025/11/pensamentos-de-svetosav-ou-sviatoslav.html
                                               
Eis um texto escrito por Olga Brodatskaia, dum grupo russo do Agni Yoga e enviado por uma amiga russa, Elena Levintova, dialogante no Vk.com e muito ligada aos ensinamentos do Agni Yoga:
«Servir a Beleza é a melho
r oferenda do espírito humano. Tal serviço só é possível depois de se realizar (alcançar, intuir) a Beleza interior. Quando as pessoas se tornam portadoras do belo, então elas, em todas as suas manifestações,  verdadeiramente servem o Belo.

Hoje honraremos a memória do servidor da Beleza, Svetoslav Roerikh. Em todas as esferas da sua atividade, ele manifestava um belo principio ou começo, característico da sua natureza espiritual.  Ele impulsionava a humanidade para esse alto princípio, deixando o atrás de si o lema buscar ou demandar o belo. Svetoslav foi um exemplo de um homem do futuro, no qual tudo deve ser perfeito. Ele sabia do grande poder salvífico da Beleza e preencheu cada dia que viveu com ela. O legado de sua criatividade espiritualidade, deixado para a humanidade, é uma altíssima oferta para o bem e para a prosperidade da vida.»

Mais textos ou palavras de Svetoslav Roerich. Nikolaevich Roerich

Do livro A Mensagem da Beleza, de Liudmila Shaposhnikova, que acomapnahou muito Svetoslav: «Talvez não haja outra frase que tenha desempenhado na vida e nos pensamentos de Sviatoslav Nikolaevich o mesmo papel que esta. Para ele, as palavras "Vamos procurar o belo" eram como uma frase-encantante. Ela soava especialmente em seus lábios no final de 1989, quando veio ao nosso país para organizar o Fundo Roerikh Soviético. Ele assinava as suas fotografias com ela, mencionava-a em quase todas as entrevistas que dava a jornais e revistas, e pronunciava-a na  televisão. Para ele, ela estava cheia do significado mais profundo.

                                                              

De um artigo escrito em 23 de setembro de 1991 para o jornal Pravda «A Rússia está predestinada a um grande papel, essencialmente cósmico, na Terra. Vamos olhar para o futuro, um futuro brilhante, e estarmos confiantes de que algo verdadeiramente maravilhoso está guardado para nós. A própria natureza resolverá e organizará tudo. Vamos olhar com expectativa o futuro maravilhoso que espera a Rússia. E veremos esse futuro!... Só que temos de estar prontos para aceitar esse futuro maravilhoso. »

  N. D. Spirina, escrevia em 1994: Ao lembrarmos hoje  Svetoslav Rerikh, procuramos avaliar, na medida da nossa consciência, não apenas a grande importância das suas telas de pintura, mas também das suas palavras dirigidas a nós. Nelas está o programa de ação para chegar à luz do futuro. Ele disse: "Em todos os períodos, todas as pessoas verdadeiramente grandes foram obcecadas por um único desejo – construir uma sociedade mais perfeita e humana." Essa construção começa em nós mesmos, pois cada um de nós é uma partícula dessa sociedade. Svetoslav Roerich não oferece nenhuma receita sobrenatural para esse auto-desenvolvimento. Tudo é muito simples e acessível a qualquer pessoa que queira. Cada dia se torna-se um pouco mais harmonioso e melhor do que ontem. Fazer o seu trabalho hoje melhor do que ontem. Aprender a ver a beleza tanto no mundo que nos rodeia, quanto na natureza e na arte. "A felicidade está em nós mesmos", diz ele. E apela para se acreditar no futuro. "Se olharmos para a humanidade como uma única família, onde o bem-estar e a vida de cada um dependem do bem-estar e da vida dos outros, então muitos problemas desaparecerão por si só." "Um Novo Mundo está chegando, lindo, maravilhoso, que trará consigo as nossas melhores esperanças."

                             

Larry C. Johnson e o Coronel Larry Wilkerson: One Strike Away from Global Chaos. Um vídeo em inglês.

Dois bons conhecedores do imperialismo norte-americano, por dentro, Larry C. Johnson, antigo membro da CIA e o Coronel Larry Wilkerson, especulam acerca da situação mundial, norte-americana e sobretudo quanto ao ataque iminente prometido por Trump, o Pentágono, a CIA, Israel e mesmo à NATO,  pois Merz, Macron e Starmer já enviaram para as bases americanas na região uma série de aviões bem municiados de mísseis, à luminosa e heróica República Islâmica do Irão, e demonstram no decorrer da conversa os vários tipos de opressão e criminalidade dos sucessivos governantes ocidentais na sua hubris desmedida de que querem ser os donos do mundo humano, que pelo contrário se quer divinamente multipolar e equitativo.

                         

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Alexander Dugin, Multipolaridade pela força. Entrevista no programa Escalation da Sputnik TV. O presente e o futuro da guerra do Ocidente e Ucrània contra a Rússia. Como se deverá agir?

                 MULTIPOLARIDADE PELA FORÇA 
Alexander Dugin sobre a Soberania e intensificação da luta pelo poder num mundo sem regras.
Extensa conversa a 27 de  Janeiro de 2026 de Alexander Dugin no programa Escalation da Sputnik TV, na qual o notável filósofo e geo-estratega, pai da sábia e martirizada filósofa Dara Dugina, passa em revisão as relações entre o Ocidente e a Rússia, denuncia a mentalidade violenta e opressiva da hegemonia ocidental e defende que a Rússia tem de afirmar-se com mais assertividade perante a selvajaria ocidental, liderada por Trump, e a nova regra da moral da força, aconselhando mesmo a união mais estreita da Rússia com o Irão, e alertando para o perigo do infinito dólar poder comprar demasiada gente e destruir os esforços da multipolaridade.
 Anfitrião: Vamos começar a discutir as negociações realizadas recentemente em Abu Dhabi, que sem dúvida capturaram a atenção de todo o mundo. É a primeira vez desde o início da Operação Militar Especial que ocorre uma interação trilateral na qual representantes da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos sentaram-se à mesma mesa. Naturalmente, o vazio informativo foi imediatamente preenchido com numerosas teorias: o que exatamente foi discutido e que acordos, se os houve, foram alcançados.
Há extremamente pouca informação oficial. Temos apenas uma declaração de Volodymyr Zelenskyy, que mais uma vez levantou a questão territorial e afirma que um documento sobre as garantias de segurança para a Ucrânia chegou a ser acordado "cem por cento." Nisso, ele permanece fiel a si mesmo, continuando a transmitir a sua narrativa familiar. Muito mais interessante, no entanto, é a posição do lado americano. Os representantes dos EUA—Steve Witkoff em particular—falam de um "avanço sério" e descrevem as discussões como construtivas. Os funcionários americanos enfatizam que os participantes trataram-se com nítido respeito e demonstraram uma disposição genuína para compromissos.
Isso levanta a principal questão: o que devemos esperar daqui para frente? As reuniões em Abu Dhabi tornar-se-ão o passo decisivo rumo a um resolver pacífico, ou são apenas mais uma forma de camuflagem diplomática?

Alexander Dugin: Do meu ponto de vista, esperar a paz neste momento é inútil: as condições em que nos encontramos são totalmente inadequadas para isso. No melhor dos casos, poder-se-ia falar de um cessar-fogo temporário. Por trás das declarações secas do nosso lado russo e dos relatórios moderadamente optimistas dos americanos, encontra-se um impasse.
Se retrocedermos um pouco no processo, de volta às negociações em Anchorage, Alaska, lembraremos que nosso presidente Vladimir Putin propôs a Donald Trump as condições sob as quais a Rússia estaria disposta a concordar com um cessar-fogo. É importante entender que essas condições estavam significativamente abaixo do que realmente exigimos. Este foi um gesto de boa vontade, uma disposição para compromissos substanciais—embora não fatais. Para parar o derramamento de sangue, havia apenas uma saída: aceitar esta, para dizer o mínimo, proposta benevolente da Rússia.
Trump entendeu isso. Ele compreendeu até onde Vladimir Putin estava disposto a ir: em essência, o presidente estava pronto para suspender as hostilidades sem alcançar a gama completa de objetivos estabelecidos no início da Operação Militar Especial. Naquele momento, nosso plano não previa a desnazificação completa ou a desmilitarização total. A discussão dizia respeito ao controle sobre a RPD [República Popular de Donetsk] e a RPL [República Popular de Lugansk], nossa presença militar nas regiões de Zaporizhzhia e Kherson, e uma série de outras exigências. Isso foi muito menos do que poderia ser considerado uma vitória completa—concessões muito sérias que, por uma série de razões (o presidente sabe melhor aqui), decidimos fazer.
Trump percebeu isso e começou a promover o nosso plano, já que, do ponto de vista dele, era vantajoso para o Ocidente e para a Ucrânia: a Ucrânia permaneceria como um sujeito, e nós até concordamos com certas garantias de sua segurança (sem a adesão à OTAN e sem o desdobramento de exércitos massivos). A nossa proposta foi genuinamente generosa em relação ao adversário—mal se poderia desejar algo melhor.
Ainda assim, isso não os deteve. Uma sabotagem total de "Anchorage" [ou dos seus possíveis acordos] começou. A União Europeia, a Grã-Bretanha e, claro, Zelensky começaram a apresentar contra-exigências: um cessar-fogo imediato, a introdução de tropas da OTAN no território legalmente reconhecido da Ucrânia e garantias ampliadas. É exatamente isso que Zelensky repete quando afirma que "concordou com algo" (na verdade, mais com os europeus do que com os americanos).
O próprio Trump, devido à sua impulsividade e natureza errática, rapidamente perdeu o foco nesses acordos. Após a captura de Maduro, o escândalo em torno da Gronelândia e no meio dos preparativos para uma nova fase da guerra com o Irão, o plano de Anchorage foi empurrado para a periferia de sua atenção. Por inércia, ele começou a falar-nos no seu estilo habitual: dando ordens, ignorando obrigações, aplicando pressão e fazendo ameaças.
Suas mensagens mais recentes resumiram-se a exigências para que cedessemos aos requisitos dos europeus e de Zelensky: assine tudo imediatamente, e é isso. Na verdade, Trump começou  tratar-nos como vassalos. Infelizmente, ele não possui nenhum modelo de parceria ou de relações dignas e aliadas. No mundo dele, existem apenas inimigos a serem destruídos ou vassalos e escravos. Como mostramos boa vontade e disposição para compromissos, em sua lógica não somos inimigos—e se não somos inimigos, então devemos ocupar o lugar de servos obedientes. O seu pensamento não permite uma terceira opção. [Excelente discernimento e desvelamento do primarismo psíquico de Trump e da maioria dos políticos norte-americanos, habituados há décadas a impôr violentamente os seus arrogantes e gananciosas interesses, sempre cobertos por hipócritas defesas dos direitos humanos e destruição dos regimes do "Mal", eles sendo os senhores e o juízes do Bem.]

Apresentador: Porque é que tal se desenrolou exatamente dessa maneira? Estará ligado ao sucesso na Venezuela, com a própria captura de Maduro?

Alexander Dugin: A questão é que Trump pensa em ciclos curtos. Porque Zelenskyy e a União Europeia sabotaram muito habilmente os acordos de Anchorage no estágio inicial, arrastando o processo e avançando condições inaceitáveis, conseguiram atrasá-lo e efetivamente desfocá-lo. E Trump simplesmente esqueceu o que se tinha chegado a acordo. Ele esqueceu-se do que tinha sido avisado: a opção proposta era o limite do nosso compromisso—não iríamos além disso e não discutiríamos nada além disso.
Sob a influência do sucesso na Venezuela e de sua política barulhenta, quase no estilo cowboy e hooligan, Trump sucumbiu à tontura do sucesso. Os seus métodos terroristas à escala global estão a dar resultados e ele sente que não há mais limites. É por isso que  começou a tratar-nos como se fôssemos vassalos. Mas não toleraremos isso. Sim, formalmente observamos o protocolo: enviamos representantes militares para Abu Dhabi para que, com rostos eslavos calmos, pudessem olhar para essa escória frenética, e depois chamámo-los de volta. Não comentámos os resultados porque não há nada para comentar.
O nosso presidente cumpre rigorosamente as suas promessas e não pode simplesmente declarar a rejeição do "espírito de Anchorage", mas esse espírito em si já não existe. Eles estão a tentar pressionar-nos e nos humilhar. Um jogo muito subtil está em andamento: não nos retiramos do processo apenas para demonstrar a nossa capacidade de acordos e não elevar o nível de escalada de forma muito abrupta. Na realidade, no entanto, essas negociações estão condenadas. Assim que Trump começou a levar em conta as exigências da União Europeia e da Ucrânia—que são categoricamente inaceitáveis para nós—ele riscou tudo o que havia sido discutido no Alasca. Agora isso é apenas uma rotina que não leva a lugar nenhum.
Trump está a oferecer-nos um modelo de relações humilhante que é inaceitável para a Rússia. No entanto, ainda não estamos prontos para passar para o próximo nível de confronto. E o próximo passo já seria mais do que apenas palavras sobre mísseis. Se a Ucrânia e a OTAN forem mais longe, esgotaremos o recurso das ameaças. Não poderemos mais ameaçar—teremos que atacar. Até que avancemos para essa ataque, deixemos negociadores como Witkoff e Kushner  deslocarem-se por Abu Dhabi ou virem a Moscovo: aqui é limpo, é seguro, podem andar à vontade. Esta é uma via diplomática completamente estéril.
O problema é que o Ocidente nunca acreditou na nossa verdadeira soberania geopolítica. Certas falhas durante a Operação Militar Especial foram interpretadas pelo inimigo como evidência de fraqueza e falta de determinação. A dado momento, perdemos a oportunidade de uma resposta severa, confiando na racionalidade ocidental—mas não há nenhuma; eles entendem apenas a força. Tendo perdido a oportunidade de demonstrar essa força num nível intermediário, agora encontramo-nos numa situação onde o próximo passo para afirmar a nossa agenda geopolítica exige uma escalada extrema das apostas. Neste momento, não vejo como é que um conflito nuclear pode ser evitado porque no Ocidente ninguém mais leva a sério as declarações sobre o "Poseidon" e o "Burevestnik" [sistemas de armas estratégicas russos].
Há muitos alvos que poderiam ser atingidos. Por exemplo, poder-se-ia destruir completamente o bairro governamental em Kiev, de modo que ele simplesmente deixasse de existir. Mesmo que não atingíssemos a liderança militar-política desse regime terrorista, eles ainda seriam forçados a esconder-se em bunkers e a mover-se pelo subsolo através de sistemas de esgoto. Poderíamos ir mais longe—esfriar o ardor dos inimigos europeus mais russófobos e mais agressivos. Não acho que ainda tenhamos amadurecido para o uso de armas nucleares estratégicas, mas devemos estar preparados para isso. Se o Ocidente, com o qual estamos lutando na Ucrânia, nos nega o direito à soberania, não temos outra escolha senão provar isso por qualquer meio disponível.
Formas mais simples de demonstrar a nossa seriedade e poder estratégico foram, infelizmente, perdidas por nós, pois acreditávamos que seria possível lidar com tipos convencionais de armas. Entretanto, a escalada continua, passando para um novo nível: não houve des-escalada de nenhum dos lados. Pelo contrário, o inimigo está a inflamar a situação, e somos forçados a responder. O momento chegou em que todos estão esperando o nosso ataque. O mundo está paralisado em antecipação: por que, como, com que força e efeito responderemos? Fazê-lo é fundamentalmente necessário. [Dugin, neste ponto, é bem mais drástico que Putin e o Kremlin]
As acções têm consequências, mas a inacção também. Se não atacarmos, confirmamos aos olhos do inimigo a nossa incapacidade de agir. Na política contemporânea de interação com o Ocidente, já não existe mais o conceito de contenção racional. Só existe "Eu posso" ou "Eu não posso." Ou você transforma seu inimigo em Gaza, ou Gaza se transforma em você. É uma fórmula monstruosa e horrível que preferiríamos nunca ouvir, mas não somos nós que a ditamos. Repito: ou Gaza é seu inimigo, ou Gaza é você.
Tentativas de traçar linhas vermelhas, deslocá-las, fazer declarações ou entrar em compromissos—nada disso funciona mais. Não funciona nem nas relações entre os Estados Unidos e a União Europeia quanto mais connosco. O único argumento agora é a acção eficaz. As palavras foram desvalorizadas. Trump simplesmente sequestrou o presidente soberano interino da Venezuela, anexando efetivamente o país em duas horas e declarando as suas riquezas como suas. Este é um acto direto de terrorismo internacional, um atropelo de todas as normas, mas Trump diz abertamente que o direito internacional não existe.
Podemos estar moralmente indignados com isso, mas não temos outra alternativa senão aceitar essas regras do jogo. Moralmente correto agora é o que a Rússia considerar moralmente correto. Devemos fazer o que podemos e o que queremos, porque é exatamente assim que eles nos tratam. Esta é uma entrada em um sistema de coordenadas completamente novo, onde tudo é decidido pela força—demonstrada de forma convincente e aplicada de maneira eficaz. Se não entrarmos neste sistema por conta própria, seremos empurrados para dentro dele à força.
Portanto, as negociações com os Estados Unidos estão completamente esgotadas. Eles continuarão apenas "por uma questão de forma," como uma inércia sem sentido do mundo da vida, simplesmente para evitar irritar Trump psicologicamente mais uma vez. Mas a bola está do nosso lado. Devemos desferir um golpe muito sério, contundente e vívido. Contra quem exatamente—isso é para o presidente e os estrategistas decidirem. Mas em uma luta sem regras, quem não ataca acaba sendo atacado. Se você pede paz no momento em que seu oponente ataca, você recebe um golpe duplo.
Devemos designar um objeto para a justa retribuição e demonstrar poder. Nossa inacção agora é tão eficaz quanto a acção, apenas no sentido oposto e catastrófico. Atacar é arriscado, mas não atacar é ainda mais perigoso. Continuar a guerra é arriscado, mas parar agora significaria reconhecer uma catástrofe.
Eu analiso cuidadosamente a imprensa ocidental e americana. A situação na Ucrânia não me preocupa—já está clara: Zelenskyy vai sabotar qualquer paz até o fim, já que a guerra é a única maneira de  sobreviver fisicamente à frente do regime. Acredito que devemos destruir este regime terrorista e toda a sua liderança o mais rápido possível, por qualquer meio e a qualquer custo. Esse é o caminho mais curto para a paz, para a vitória e para a defesa da soberania. A era dos ataques preventivos chegou. Quem der o primeiro golpe eficaz ganhará não apenas tempo, mas o futuro.
Um ataque poderoso e corretamente direcionado contra o inimigo pode ser a única maneira de acabar com esta guerra.

Apresentador: Mas aqui está a questão: haverá algum futuro se todos os lados começarem a realizar tais ataques preventivos?

Alexander Dugin: Se todos começarem, o futuro provavelmente não chegará. Mas o problema é que, se formos tardios nesse processo, o futuro não chegará precisamente para nós, enquanto para eles pode muito bem acontecer.
Este é um ponto criticamente importante e fundamental: já estamos dentro da Terceira Guerra Mundial. Sim, tudo pode acabar da maneira mais trágica. Mas para nós, o final será catastrófico de qualquer forma se não conseguirmos a vitória. Esta é a essência: ou os paramos, ou não existiremos mais.

Apresentador: Gostaria de falar um pouco mais sobre a transformação da ordem mundial, na qual o direito internacional deixa de funcionar e tudo começa a ser decidido exclusivamente pela força. Portanto, todos agora são obrigados a provar o seu direito a um lugar ao sol através de ações, e a Rússia não é excepção.
No entanto, um ditado bem conhecido vem imediatamente à mente: Não discutas com um tolo, ou ele  arrastar-te-á para o nível dele e depois esmagar-te-a com a experiência. Algo semelhante pode acontecer aqui? Os Estados Unidos, objetivamente, começaram a tornar-se mais ousados, especialmente após o sucesso na Venezuela. Vemos seus apetites em relação à Gronelândia, México, Cuba e Irão. Se entrarmos neste jogo pelas regras deles, não perderemos essa própria auto-concepção de nós mesmos como uma força racional e, se preferir, "adequada" neste mundo?
 Alexander Dugin: Provar que somos racionais em um hospício é o esforço mais fútil que se pode imaginar. Lidar com um idiota agressivo enquanto cumpre todas as regras de polidez e correção, dirigindo-se a ele formalmente e avisando-o das consequências—isso, por sua vez, também é um sinal de idiotice. Se o direito internacional já não existe (e ele já não existe,  é assim mesmo), então apelar a ele é inútil. Está morto, porque os principais actores decidiram que ele não existe.
Para estabelecer novas regras, devemos primeiro vencer esta luta. Numa ala de pacientes violentamente doidos, para reivindicar o papel de enfermeiros ou médicos, é preciso primeiro colocar todos os pacientes de volta aos seus lugares. E eles estão agora fora das enfermarias, cada um agindo de acordo com a sua própria estratégia. Algo mais está a tomar forma agora: uma lei internacional terminou, e uma segunda está sendo delineada neste momento—não através de declarações, mas através de acções concretas.
Hoje, o que tem sucesso torna-se a norma. Trump conseguiu sequestrar o presidente de um país soberano. Portanto, isso agora é a norma. Desafiá-lo é inútil. Para sermos ouvidos, precisamos sequestrar algum presidente ou algumas figuras-chave da mesma maneira rápida e dizer: "Olha, Trump, é isso que você faz, e aqui estão as consequências." Podemos jogar esse jogo também. Vamos trocar seus vassalos pelos nossos. Não podemos permitir que um lado mude a situação mundial através de seu comportamento maníaco. Se tudo ficar impune para Trump (e até agora ficou), então a nova “lei internacional” se tornará aquele mesmo “Conselho de Paz” ao qual ele convida a todos: Trump e seus vassalos, prontos para aplaudir qualquer gesto agressivo de Washington.
Ele está apagando a antiga ordem mundial e afirmando a hegemonia unipolar. Isso categoricamente não nos convém. E não temos outra escolha senão confrontar um maníaco agressivo no seu próprio nível. Qualquer outra opção está simplesmente fora de questão. É necessário aceitar as condições de uma luta sem regras, reivindicar o que é nosso e construir uma nova ordem com base em ações decisivas. A situação está volátil em todos os lugares. No Oriente Médio, Israel está cometendo um genocídio em Gaza—e daí? A indignação universal causou alguma reação, por menor que fosse, no rosto de Benjamin Netanyahu? Não. Os Estados Unidos estão se preparando para uma invasão do Irão. Eles são capazes de fazê-lo e procedem de acordo.
Dizer em tal situação que somos "contra" ou "a favor da amizade" é a lógica do Cheburashka [animal de desenho animado soviético]. E os Cheburashkas são tratados de acordo. Precisamos restaurar o respeito por nós mesmos através do medo. Nossa contenção hoje não vale nada; é percebida como fraqueza e um convite à escravidão. Estamos sendo empurrados muito rapidamente para uma situação que não se assemelha nem mesmo à União Soviética, mas ao caos sem sujeito dos anos 1990. Eles estão tentando privar-nos de soberania, oferecendo em troca migalhas de nossos próprios activos congelados para que, por exemplo, possamos abrir o espaço aéreo para uma futura guerra dos EUA com a China.
Entendo que dentro da elite governante [russa] ainda existem camadas—as chamadas "sextas colunas"—que estão prontas para concordar com isso, desde que as suas contas sejam descongeladas. Mas isso contradiz absolutamente o curso do presidente e a mentalidade actual da sociedade. Já pagamos um preço muito alto pela soberania para parar pela metade. Temos apenas uma opção: a vitória. Os compromissos estão esgotados.
O direito internacional que existia antes foi o resultado de uma vitória extraordinariamente difícil na Segunda Guerra Mundial. Se Hitler tivesse vencido, a Rússia não existiria, e nós seríamos escravos. Trump está propondo algo semelhante: "Tornem-se escravos e vocês viverão bem; talvez chamemos vocês de vassalos felizes." Não temos escolha. Deve-se lidar com um maníaco com severidade. Qualquer tolerância aqui será interpretada como derrota.

Apresentador: Se alguém se coloca no lugar de Donald Trump, a lógica de suas ações parece assustadoramente eficaz. Ao fazer tais movimentos contra a Venezuela, ele certamente calcula as possíveis reações, tanto de Vladimir Vladimirovich [Putin] quanto de Xi Jin ping. Ele entende a composição psicológica deles e como operam dentro de certas regras. Mas a lógica interna das ações de Trump parece quase impossível de prever.
Isso é mesmo possível nas condições actuais? Está ele movendo-se numa direção claramente calibrada, ou é caos? E se for caos, poderá haver, no entanto, uma única lógica de ferro correndo por ele? Vemos essa pressão em todo lugar: Gronelândia, México, Cuba, Irão. Às vezes, parece que ele é simplesmente mais ousado do que todos os outros.

Alexander Dugin: Claro, Trump tem uma estratégia, e por trás de suas acções há uma linha clara que não é tão fácil de entender à primeira vista. Porque ele se sente no direito de sequestrar Maduro, um aliado da Rússia e da China, o presidente em exercício de um país soberano? Porque ele tem certeza absoluta de que nada será feito contra ele, nem por nós nem pela China. Isso se aplica ao Irão e a qualquer outra região. À medida que essas travessuras ficam impunes, como ele não perde nada e não sacrifica nada, o equilíbrio no mapa geopolítico se desloca. O seu comportamento torna-se cada vez mais audacioso e unilateral.
Esta é a restauração da hegemonia—mas não do Ocidente coletivo, apenas dos Estados Unidos da América. Trump está fazendo isso com sucesso e de forma consistente, o que é realmente assustador. Sem encontrar obstáculos, ele chega à conclusão de que do lado do mundo multipolar não há ninguém, ou há alguém tão fraco e letárgico que pode ser ignorado.
Acho que chegou a hora de responder ao desafio com desafio. Trump pegou Maduro? Tudo bem—então vamos levar Zelenskyy. Ou, digamos, sequestrar Netanyahu pelo que ele fez aos palestinianos, e depois decidir se o devolve ou não. Poderia-se trocar Zelenskyy por Maduro. Não se trata nem mesmo de personalidades—poderíamos tirar Kaja Kallas diretamente da Estónia, junto com a própria Estónia. O que importa aqui é o princípio: se um desafio não for respondido, o resultado fica 1–0 a favor deles, e então a derrota completa aproxima-se. Estamos lidando com um oponente calculista. Quanto mais permitirmos que ele aja com impunidade, mais tributos ele exigirá, e menos peso terá a nossa palavra.
Trump pode ser interpretado: ele está agindo estrategicamente nos interesses dos Estados Unidos, restaurando a Doutrina Monroe no Hemisfério Ocidental. Mas ele invade o Hemisfério Oriental e o Oriente Médio apenas porque ninguém o obstruí. Agora é necessário criar problemas colossais para o Ocidente como um todo. Talvez não possamos atingir a própria América no momento, mas há muitos outros alvos. Trump toma uma de nossas peças—vamos tomar uma deles, como Jolani, por exemplo. Por que não prendê-lo por crimes na Síria? Isso nem nos ocorre, mas deveria. [Algo exagerado, pois seria outro pântano de múltiplas facções e corrupções]
Agora assemelhamo-nos a uma galinha ao redor da qual um círculo foi desenhado com giz. É fisicamente capaz de ultrapassá-la, mas está hipnotizado pela linha e morrerá de fome, não se atrevendo a cruzá-la. Estamos constrangidos por paredes que não existem. Seguimos regras que já não existem e que ninguém segue. O principal é acordar e aceitar as realidades do novo mundo. Isso não é um apelo à crueldade cega; é um apelo a ações simétricas ou assimétricas. A inação de hoje também é uma acção, apenas com consequências negativas. Em algumas situações, adiar se torna criminoso.
Precisamos de nos sacudir e realizar várias ações que restaurarão não apenas o respeito, mas o terror diante do poder russo. Isso se tornará o argumento para qualquer diálogo futuro. Sim, estamos avançando na frente, mas para o Ocidente isso é pouco convincente. Usamos o Oreshnik [míssil hipersónico russo], mas foi esquecido após quinze minutos. Precisamos de eventos que não possam ser ignorados. Em princípio, a cidade de Kiev já deveria ter deixado de existir há muito tempo, se agíssemos pelos métodos dos nossos opositores. Perdemos nossas cidades e as vimos destruídas durante a Grande Guerra Patriótica, quando estavam sob ocupação. A história não pode ser enganada.
Continuamos a viver em ilusões: ordem mundial, poder nuclear... Mas as potências nucleares perdem guerras se suas armas não forem um argumento real, respaldado pela disposição de usá-las. No Ocidente, eles se lembram de como nos arrastamos de joelhos diante deles na década de 1990, e  tratam-nos de acordo com isso. Após o colapso da União Soviética, perdemos a dignidade. Ao prolongar a Operação Militar Especial, fizemos o inimigo acreditar que somos fracos. Se não restaurarmos as nossas posições agora, essa etiqueta ficará permanentemente fixada. [Dugin bem mais exigente que Putin e o Kremlin...]
Acontece que não estamos simplesmente a defender a soberania; estamos a lutar pelo próprio direito de tê-la. À medida que fica claro, o que anteriormente considerávamos soberania não era soberania alguma. A nossa reivindicação de independência encontrou uma resistência feroz. Dizem-nos: "Vocês não são soberanos—provem o contrário." Essa prova só pode vir através de uma acção em grande escala e inequívoca.
Glorificamos Oreshnik, e eles não notam isso. Se um ataque não é notado, então ele não aconteceu. Mas o sequestro de Maduro em duas horas—isso é uma palmada que não pode ser ignorada. A apreensão do nosso petroleiro, a detenção dos nossos marinheiros—amanhã todos farão o mesmo se não houver uma resposta decisiva.
Precisamos jogar essa carta, mesmo que em território ucraniano, mas de tal forma que todo o Ocidente estremeça. Eles não nos amarão, mas mais uma vez nos temerão—e, portanto, nos respeitarão e levarão nossos interesses em consideração.

Apresentador: Primeiro, deixe-me fazer o necessário aviso: o Estado Islâmico é designado como uma organização terrorista na Rússia. Mas, no contexto das suas palavras sobre a necessidade de realizar atos concretos de retaliação, estamos agora testemunhando uma ameaça extremamente séria ao Irão por parte dos Estados Unidos. Você acredita que é possível considerar, como um desses "actos de afirmação da soberania", por exemplo, a participação direta de nossas forças armadas na defesa do Irão?
 Alexander Dugin: Sem dúvida, isso seria o mais acertado a fazer-se. Sob quaisquer circunstâncias não devemos abandonar o Irão. Mas como isso pode ser feito? Recentemente, apareci na televisão iraniana e disse diretamente: a única maneira de vocês resistirem a uma nova guerra é criar um estado de união russo-persiano no modelo da Rússia e Bielorrússia. Não há nada de imprudente nisso. Olhe para o Trump—ele está tomando passos muito mais radicais. Precisamos de agir rapidamente: estabelecer o status de estado aliado e garantir a soberania do Irão com as nossas armas nucleares. Caso contrário, está acabado, e todo o resto virá a seguir.
Você vê o que está a acontecer na China? Uma conspiração contra Xi Jinping está a formar-se lá. Xi encarna a soberania, no entanto, uma parte significativa da elite chinesa—incluindo elementos do exército—parece estar a trabalhar para um adversário geopolítico. Na China, onde o Partido Comunista governa, onde uma vertical rígida de poder está construída e há uma ideologia, as redes de influência ocidentais alcançaram tal nível que uma tentativa de golpe de estado foi empreendida. Foi prevenido e reprimido apenas há um dia.
Se isso está a acontecer lá, então e nós? Você consegue imaginar a condição das nossas elites governantes, que foram pró-Oeste até ao último momento? Os riscos para o presidente, para o país e para a nossa soberania são enormes. No Irão também, as coisas se arrastaram por muito tempo, com ameaças verbais dirigidas a Israel, mas quando a guerra começou, eles mostraram-se incapazes de respaldar essas palavras com ação. E agora chegou um momento crítico: os americanos estão a preparar uma agressão militar contra o Irão. Na verdade, isso é uma agressão contra nós. Venezuela, Síria, Líbano, Iémene—tudo isso é dirigido contra a Rússia. Não se pode fingir que isso não nos diz respeito.
Devemos ajudar o Irão, mas primeiro devemos provar que somos capazes de algo. Precisamos fazer algo que deixe claro para todos: é melhor não nos provocar. Não acho que apenas enviar um contingente limitado vá mudar a situação. São necessários meios mais eficazes—meios capazes de esfriar o ardor dos inimigos e parar Trump. Sim, ele tem ideias sobre a Gronelândia que criam uma divisão entre os Estados Unidos e a União Europeia, e isso pode ser apoiado. Mas, estrategicamente, a compra da Gronelândia também nos prejudica: é uma tentativa de impedir que nossos mísseis lancem as suas ogivas sobre a ilha em caso de conflito nuclear. Não podemos ser masoquistas políticos e nos alegrar por estarmos cercados.
Em conclusão, gostaria de dar parabéns à grande Índia pelo 77º aniversário de sua independência. Este é um feriado maravilhoso. A Índia é um dos polos mais importantes do mundo multipolar; temos excelentes relações e objetivos comuns dentro do conceito de Viksit Bharat. Não vamos perder aqueles que ainda permanecem nossos amigos. Precisamos de nos envolver mais activamente na política externa: proteger os nossos, defender os aliados e dar uma resposta decisiva aos inimigos.
Vamos construir um mundo multipolar e buscar parceiros genuínos nesta tarefa histórica tão difícil.»
 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Jeffrey Sachs entrevistado por George Galloway. English video. Iran will win against USA and Israel? China and the European idiots and hypocrites. ICE melting | Ukraine peace deal, where Zelensky is the leader of a group of gangsters. United Nations is still needed. Who killed Kennedy and Olaf Palm? Are Trump and Netanyahu mad? Why the european politicians are now so inept

Excelente entrevista e diálogo entre Jeffrey Sachs e George Galloway, entre as 19:30 e as 20:10, abordando os principais aspectos mundiais com grande conhecimento e discernimento, independência e coragem, qualidades muito necessárias nos nossos dias e que ambos transbordam. Concordaram em praticamente tudo, pois são da mesma geração, e os ideais de justiça, verdade e multipolaridade são-lhes intrínsecos. A decadência da classe política norte-americana e europeia foi destacada, admitindo-se a demência de Trump, já de família dado que o seu pai dela sofreu, e lastimou-se a fraquissima qualidade de personagens públicas como Macron, Merz e Starmer, que tem um apoio público reduzidíssimo e contudo querem dispor à vontade da vida de milhares ou milhões de pessoas. Zelensky é para o ilustre professor universitário de economia Jeffrey Sachs um gansgter à frente de um pequeno grupo, que controla os destinos de milhões de ucranianos, num conflito que poderia ter sido evitado se os acordos de Minsk, sob a égide das Nações Unidas, tivessem sido cumpridos e não quebrados, a par do alargamento da NATO, levando à reacção natural e justa da Rússia em relação a Donbass e à sua população russa a ser massacrada. O envolvimento da CIA na morte de John Kennedy e dos serviços secretos dinamarqueses no assassinato de Olaf Palma, que ele tem investigado, foram por Jeffrey Sachs apontados (embora não mencionasse a influência determinante israelita) como factores decisivos de mudanças políticas em ambos os países, considerando que nos USA o complexo militar controla a política desde o tempo de Eisenhower, que uns dias antes de findar o seu mandato, e sendo um general, afirmou isso num importante discurso. Se vai haver guerra com o Irão não tentaram adivinhar, apenas lembraram que o povo iraniano está muito unido, para além de militarmente estarem bem apetrechados. E acrescentemos nós, inspirados e iluminados pelos mundos espirituais e seus mártires, santos, e Imams. 

Na 2ª parte o ex-diplomata britânico Greg Murray, perseguido pelo seu conhecimento da verdade que está por detrás do conflitos no  Médio Oriente, falou da Venezuela verdadeira e sã que está a contactar desde há cinco dias e, brevemente, do genocídio da Palestina pelo sionismo. Um dos melhores programas, senão mesmo o melhor do Moats, afirmou George Galloway ao findar, dum estúdio em Shangai, agora para ele um oásis político, uma vez que o chihuahua de Keir Starmer e a sua fanática ministra do Interior o detiveram, oprimiram e forçaram a exilar-se. Um programa ou podcast bi-semanal, às quartas e domingos, das 19 às 21.00, de excelente qualidade, uma autêntica universidade aberta, com possibilidade de se participar por telefone...

                        

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A ditatorial e inepta direcção da Comissão Europeia quando se demitirá?

                                     
A dimensão absu
rdamente grande da opressividade da União Europeia, regida por uma série de tolas burocratas e pesadões cinzentões vendidos ou avençados à oligarquia do Fórum Económico Mundial e à banca sionista, foi hoje desvendada em Bruxelas, 27 de janeiro, conforme nos descreve a valiosa agência de informação do mundo livre, e que de Moscovo fala a verdade, TASS:  «Medidas restritivas unilaterais ilegais impostas pela União Europeia estão  em vigor actualmente contra mais de 30 países em todo o mundo, com uma população combinada superior a 2,2 bilhões de pessoas, de acordo com materiais da conferência internacional Medidas Coercitivas Unilaterais: Ameaças e Desafios Contemporâneos, organizado pela missão bielorrussa em Bruxelas.
A conferência contou com a presença de membros do Parlamento Europeu, bem como da Relatora Especial da ONU sobre o impacto negativo das medidas coercitivas unilaterais nos direitos humanos, a notável professora Elena D
ovgan.
                                          
"As medidas coercitivas unilaterais ilegais atualmente afectam a Rússia, Bielorússia, Irão, Chi
na, Coreia do Norte, Mianmar, Líbia, Sudão, Somália, Iémen, Burundi, República Centro-Africana, República do Congo, Guiné e outros países." A União Europeia aplica medidas semelhantes contra mais de 30 países em todo o mundo. A população total dos países listados excede 2,2 bilhões de pessoas," afirmam os materiais da conferência.
Elena Dovgan explicou que quaisquer sanções só podem ser impostas por uma decisão do Conselho de Segurança da ONU. Todas as outras medidas restritivas são medidas coercitivas unilaterais que são ilegais do ponto de vista do direito Internacional, afirmou.

                                                     
Ela demonstrou, através de exemplos específicos, que as sanções unilaterais não são apenas uma ferramenta de interferência nos assuntos internos dos estados, mas resultam diretamente na morte de membros dos grupos populacionais mais vulneráveis», da Europa e fora da Europa?
                                   
A conclusão q
ue devemos tomar é  que o actual trio dirigente, Ursula, Kallas e Costa é constituído  por ineptos insensíveis anti-russos. vendidos à oligarquia innfrahumnista e às suas políticas antirussas, anti-Brics e anti-multipolaridade, sendo autênticos criminosos de guerra, pelo que têm feito e causado a muitas populações mundialmente.
                                            
Quando saírem a ditadora hipócrita e corrupta Ursula von der Leyen, e os seus acólitos  - e nesse sentido hoje 27/1 o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, afirmou: "a Rússia e os EUA nunca discutirão nada com a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. Precisamos de esperar até ela sair. Há uma clara degeneração dos políticos no poder na Europa: são incompetentes" - 
  então a União Europeia regressará à Europa das nações equitativas, fraternas, cultas e humanistas, esforçando-se no diálogo e a paz, pelo Bem comum nacional, europeu e planetário.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

"A Fronteira Russa", título do próximo livro de Daria Dugina. A Santa Rússia, fronteira entre a Terra e o Céu, entre a Humanidade e a Divindade. Texto trilingue.

                                   
Vamos transcrever um breve texto  de Alexandr Dugin, sobre o próximo livro de Daria Dugina, sua filha, intitulado  A Fronteira Russa. Qualquer escrito deles, mesmo pequeno, contém sempre ensinamentos valiosos, e não será em vão que ela morreu mártir se os soubermos ler, apreciar, meditar, e na comunidade dos fiéis do Amor e da Luz procurar avançar na missão de religação da Humanidade com a Divindade, que eles e a Rússia realizam, tal como outros seres e países, na multipolaridade nascente pela qual lutamos. O texto desafia-nos a não nos petrificar ou coisificar, como entre nós propugnava Leonardo Coimbra, um conhecedor e admirador da civilização russa, mas antes despertar para as correntes e veios telúricos, cósmicos e divinos do nosso ser, graças aos quais não nos deixamos normatizar, ou "amilhazar", pelas narrativas oficiais europeias, ou partidárias ou mediáticas, mas antes despertamos para a intensidade trespassante do Amor lúcido, divino e fraterno que desmascara ou supera as falsas justificações de aparências e regências, as ilusórias e opressivas fronteiras e limites, sanções e hegemonias, e nos impulsiona tanto na ascensão intima vertical divina, como na horizontal da comunhão fraterna na Terra Mãe, na família, nas comunidades, na Tradição, sob a Luz do Logos sábio, amoroso e libertador da Humanidade, ao qual Daria tanto se dedicou, ao estudar os mestres planónicos e neoplatónicos, os místicos ortodoxos e os perenialistas como René Guénon, Julius Evola, Henry Corbin e outros, aliás já mencionados em alguns dos artigos consagrados a ela neste blogue, sintetizando-os face à post-modernidade, num optimismo escatológico, título aliás de um dos seus livros, e que devemos fazer nossa tenção ou lema, na linha até portuguesa do Talent de bien faire, do Infante D. Henrique.   Oiçamos então o que nos diz o seu pai, um dos mais notáveis pensadores e escritores actuais, Alexandr Dugin, sobre Dasha:

 «Daria ou Dasha pensava constantemente na borda ou margem, ou melhor, na "fronteira" – essa zona que divide camadas de ser, civilização, cultura e ciência. O seu terceiro livro, que está praticamente pronto, é dedicado a isso, mas ela própria dividiu-o numa série de cursos, ciclos de palestras, apresentações e entrevistas. Já foi denominadoo e será lançado em breve sob o título A Fronteira Russa.
Nela, Daria discute em detalhes as teorias da Nova Direita, que ela encontrou na França e com quem manteve laços pessoais estreitos até ao fim.
E de novo, isto é sobre Tradição.
Dasha aplica o princípio da fronteira, da zona intermediária, da terra de ninguém, à interpretação do fenómeno da Novorossiya (Nova Rússia) e da Ucrânia como um todo. Ela vai mais fundo e interroga-se acerca da metafísica da fronteira – como ocorre quanto à distinção, diferenciação, separação entre um e outro, entre homem e anjo, entre alma e corpo, entre eu e tu. E o mais importante sobre a ideia dela de margem [limite ou borda], é que, ao contrário do entendimento usual de uma fronteira, a fronteira não é uma linha, mas uma zona, um cinturão onde opostos coexistem, discutem, colidem, se reconciliam e se transformam uns nos outros. Nesse caso, não só a Ucrânia se torna uma grande fronteira entre a Rússia e a Europa, mas os próprios russos, como o núcleo da Eurásia, são uma zona especial entre o Oriente e o Ocidente. A nossa profunda identidade é fronteira, somos a Fronteira Russa.
E novamente, não é apenas uma posição geográfica horizontal; somos a Santa Rússia, o que significa que somos a fronteira entre a terra e o céu, entre a humanidade e Deus.
Daria discute tudo isso em seu novo livro, que está a ser cuidadosament
e construído a partir das notas, palestras e rascunhos.»
Breve comentário: Esta expressão da "Santa Rússia, terra de todas as terras, mãe de todas as terras" vem desde tempos medievais, apura-se com alguns santos ou staretz que foram movidos por um grande amor a Terra Russa, terra húmida, terra mãe, e, claro, à Divindade, a Cristo, à Santa Sofia ou Sabedoria e à Igreja, comunidade e corpo místico da Rússia, tais como S. Alexandre Nevsky, Máximo o Grego, S. Sérgio de Radonehz ou Radonega, S. Serafim de Sarov, S. Inácio de Brianchaninov, S. Hilário de Vereya, Silouan e outros. Esta visão atravessou os séculos sempre viva até chegar aos nossos dias, afirmada pelo patriarca Kiril e os sacerdotes e monges ortodoxos. 

                               
Tal reconhecimento divulg
ou-se culturalmente no Ocidente desde o séc. XIX graças aos grandes romancistas Gogol, Dostoievsky e Tolstoi, e aos filósofos Soloviev, Vladimir N. Lossky, Berdiaev, Florensky, Bulgakov e o historiador Dimitri Chizhevski, etc. Aos grande compositores. E a mestres de espiritualidade como Nicholas e Helena Roerich e seus filhos Yuri e Svetoslav, a Boris Abramov,  hoje destacando-se Alexandr Dugin e Dasha, sua filha tão trágica e precocemente sacrificada. Alguns pensadores estrangeiros reconheceram-no,  nomeadamente quanto à sua missão de espiritualizar o Ocidente, ou de conservarem a Tradição Ocidental Perene e cristã viva, tal Rudolfo Steiner, Leonardo Coimbra, Cioran, Edgar Cayce. É nesta tradição que se inserem Daria Dugina e o seu pai, e ela agora verdadeiramente na fronteira dos dois mundos, inspirando-nos.
                                             

«The Russian Frontier... Daria constantly thought about the border, or rather, about the "frontier" – that zone which divides layers of being, civilisation, culture, and science. Her third book, which is essentially finished, is dedicated to this, but she herself has broken it down into a whole series of courses, lecture cycles, presentations, and interviews. It has been named and will soon be released under the title "The Russian Frontier"
Here, Daria discusses in detail the theories of the New
Right, which she encountered in France and with whom she maintained close personal ties until the end.
And again, this is about Tradition.
Dasha applies the principle of the frontier, the intermediate zone, the no-man's-land, to the interpretation of the phenomenon of Novorossiya and Ukraine as a whole. She goes deeper and asks the question of the metaphysics of the frontier – how the act of distinction, differentiation, separation between one and another, between man and Angel, between soul and body, between me and you, takes place. And the most important thing about her idea of the frontier is that, unlike the usual understanding of a border, the frontier is not a line, but a zone, a belt where opposites coexist, argue, clash, reconcile, and transform into each other. In such a case, not only does Ukraine become one big frontier between Russia and Europe, but the Russians themselves, as the core of Eurasia, are a special zone between East and West. Our deep identity is frontier, we are the Russian Frontier.
And again, it's not just a horizontal geographical position; we are Holy Rus', which means we are the frontier between earth and heaven, between humanity and God.
Daria discusses all of this in her new book, which is currently being carefully constructed from notes, lectures, and drafts.

Alexander Dugin

                                                      
Русский фронтир
Дарья постоянно думала о границе или, точнее, о «фронтире» — той зоне, которая разделяет пласты бытия, цивилизации, культуры, науки. Этому посвящена ее третья книга, фактически готовая, но разнесенная ею самой на целый ряд курсов, лекционных циклов, выступлений и интервью. Она получила название и скоро выйдет в свет под заголовком «Русский фронтир»[4].
есь Дарья подробно рассказывает и о теориях Новых правых, с которыми она познакомилась во Франции и с которыми она до конца поддерживала тесные личные связи.
снова здесь речь идет о Традиции.
ша применяет принцип фронтира, промежуточной зоны, ничейной территории, к истолкованию феномена Новороссии и Украины в целом. Она идет глубже и ставит вопрос о метафизике фронтира – о том, как происходит акт различия, различения, разделения между одним и другим, между человеком и Ангелом, между душой и телом, между мной и тобой. И главное в ее мысли о фронтире то, что в отличие от привычного понимания границы фронтир это не линия, а полоса, пояс, где противоположности сосуществуют, спорят, сталкиваются, примеряются, переходят одно в другое. Не только Украина в таком случае оказывается одним большим фронтиром между Россией и Европой, но русские, как ядро Евразии сами по себе особая зона между Востоком и Западом. Наша глубинная идентичность фронтирна, мы и есть Русский Фронтир.
снова это не просто горизонтальное географическое положение, мы – Святая Русь, а значит, фронтир между землей и небом, между человечеством и Богом.
о всем это Дарья рассуждает в своей новой книге, которая сейчас тщательно выстраивается из заметок, лекций и черновиков.
ександр Дугин

 

domingo, 25 de janeiro de 2026

Sobre a Imutabilidade Divina, por Frei Paulo de Vasconcelos, Dom Prior Geral da Ordem de Cristo. Leitura comentada.

                   Ensinamentos da Ordem de Cristo. 

 O Dom Prior do Convento de Tomar Frei Paulo de Vasconcelos, que já abordámos recentemente, publicou em 1649 Arte espiritual que ensina o que he necessario para a meditação, e contemplação, repartida nas tres vias, purgativa, illuminativa & unitiva; o tempo em que se há-de entrar, e deixar cada uma delas com seus particulares exercícios... 

   O valor perene da obra levou-a a ser dada de novo à luz em 1725 num in-4º de (8)-419-(7) páginas, e as suas divisões ou capítulos são: A Oração e suas seis partes: Lição, Preparação, Meditação, Contemplação, Acção de graças e Petição. A via Purgativa: exercícios, considerações, colóquios e oferecimentos. A via Iluminativa: considerações gratas aos Anjos,  Nossa Senhora.  Meditações sobre a vida de Jesus Cristo (da página 91 à 210). Seguem-se até à p. 229 as Advertências da Via Unitiva, onde se inserem nove belas considerações ou meditações diárias sobre os atributos Divinos, tais a infinidade, a bondade, a formosura, a imutabilidade. Depois as Advertências sobre a Meditação passada, que é do Divino Amor, e os motivos do Amor Divino. Na página 257 começa um Tratado de Contemplação,  as considerações sobre a união da alma com Deus, as visões, a purificação da alma, o amor que se recebe, e  uma breve hermenêutica de algumas advertências da Santa madre Teresa sobre a contemplação. A partir da página 361 conclui-se com novas considerações sobre nascimento, morte de Jesus Cristo e o mítico Juízo final.
Resolvemos ler e comentar uma das meditações ou considerações da fase mais avançada no caminho, a que se segue à inicial Purgativa ou purificadora e à intermédia, a Iluminativa, e que se denomina a Unitiva, pois nela a união com Deus é sentida em amor, zelo e alegria. 
Nas Advertências da Via Unitiva, o Dom Prior e mestre dos Noviços explica o que se requer e é necessário para o contemplativo se tirar da via iluminativa e entrar na unitiva, realçando o «estar habituado e arreigado na virtude, fora de todo o género de cobiça e apetite», o desvalorizar o que lhe entra pelos cinco sentidos, o tender a amar a Deus em tudo, engrandecendo-O acima de todas as coisas, e trazer sempre na memória a omnipotência divina e os seus atributos ou perfeições, os quais, embora sendo infinitos, devem se focar em apenas alguns, tal como ele fez com nove.
Ficamos a conhecer algo da sublimidade do seu ensinamento e provavelmente das almas dos frades da Ordem de Cristo que o seguiam, pois transmite-nos em  nove meditações, para nove dias, o que ele entendeu e valorizou mais das perfeições divinas, ou atributos divinos, apresentados assim: A essência Divina. A eternidade Divina. A imensidade de Deus. Do Poder e da Fortaleza de Deus. Da Providência Divina. A Divina Bondade. A Formosura Divina. Da imutabilidade Divina. Do Divino Amor.
Resolvemos ler e comentar a consideração para o oitavo dia, da Imutabilidade Divina, que poderá ouvir em seguida, num vídeo sempre com a mesma imagem de uma cruz templária, feita do calcáreo da pedreira que alimentou as sucessivas construções do Convento e por artistas que lá trabalhavam na década de oitenta. Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=7Bzqvdib1uI
Para concluir, e como a seguir à consideração sobre a Imutabilidade Divina, Frei Paulo de Vasconcelos trata do Divino Amor, vamos transcrever dos Motivos do Amor Divino, parte da Oração final com que se pede a Deus o seu Divino Amor:
«Bem podeis vós Senhor meu com este fogo de vosso Amor Divino, alimpar a minha alma de todos os meus pecados e enriquecê-la de todos os vossos bens, e com uma faísca deste a podeis fazer bem aventurada e ditosa (...)
Ame-vos eu, fortaleza minha, e perca tudo o mais, porque vós sois a minha riqueza, a minha esperança e vida. A vós quero, a vós busco, a vós desejo, por vós suspiro e chamo. Não me priveis de tão soberano be
m.»

Adveniat Regnum Tuum, isto é, Venha a nós o Espírito, Venha a nós a (tua) Luz, venha a nós o (teu) Amor.