quarta-feira, 8 de abril de 2026

Karl Richter: O Irão como o Katechon ou restrictor e catequizador mundial e a humilhação do grande Satã.

Neste dia 8 de Abril, quando  um frágil e mais que tudo simbólico cessar-fogo por duas semanas na guerra dos USA e Israel contra o Irão foi ao de leve acordado entre os USA e o Irão (certamente para desagrado de Israel que não deixará de o sabotar), para discutirem os quinze pontos da proposta iraniana, e porque com os fracassos políticos e militares da liderança norte-americana começou-se a erguer uma forte contestação interna e mundial ao megalómano presidente Donald Trump e ao seu primário secretário de Defesa Pete Hegseth, por entre a confluência de tantas vozes discordantes,  ergue-se com simplicidade, discernimento, amor e cautela [ciente da criminalidade do ultra-sionismo de Netanyahu e Givr] a do jovem geo-político alemão Karl Richter, prestando uma bela homenagem ao povo iraniano, num texto intitulado o Irão como o Katechon e a humilhação do Grande Satã.  
Porque estou também do lado da justiça, da fraternidade e da multipolaridade e logo com o povo e regime iraniano, e porque também estive no Irão, não tanto em Meshad como ele mas noutra cidade santa Qom a conferenciar sobre o valor dos místicos, da poesia e do dialogo inter-religioso, resolvi traduzir e partilhar o texto, continuando assim a homenagear e a apoiar continuamente  no blogue - e no campo unitário de energia consciência e informação - o povo e pessoas amigas do Irão e o seu governo, forças armadas e civilização. Oiçamos então Karl Richter na valiosa Multipolar Press, https://www.multipolarpress.com/p/hero-nation-iran:
                                              
   «Na noite passada, testemunhamos um ponto de virada que só pode ser descrito como histórico—um acontecimento do tipo que talvez se vivencie uma vez em cada trinta ou quarenta anos. A abertura do Muro de Berlim em 1989 foi um desses acontecimentos (mesmo que hoje o vejamos de forma diferente), e outro foi a dissolução da União Soviética em 1991.
Mas desta vez, algo ainda maior estava em jogo, e qualquer pessoa com certa sensibilidade poderia perceber: o povo iraniano foi até os limites do que é humanamente possível. Centenas de milhares estavam preparados para defender pontes, fábricas e infraestruturas vitais com suas próprias vidas depois que Trump e o seu aliado Israel anunciaram o plano criminoso de destruírem as fundações da vida iraniana. Trump, aparentemente movido apenas por forças sinistras e sussurros, ameaçou abertamente com “o fim de uma civilização inteira.” Os iranianos estavam prontos para se sacrificar. Deus os ouviu. Quem desejar pode ver um milagre naquela noite.
Nas últimas semanas, os iranianos revelaram-se como o povo heroico do nosso tempo. Quem teria esperado que eles resistissem por cinco semanas contra os militares fortemente armados e as potências nucleares dos Estados Unidos e de Israel? Que eles acabariam prevalecendo? Algo incomparável se desenrolou diante de nossos olhos.
As consequências ainda são difíceis de prever. O "Grande Satã" foi humilhado diante dos olhos do mundo. Agora estão sobre a mesa as exigências de Teerão, que formam a base das próximas negociações de cessar-fogo: a retirada completa de todas as forças dos EUA da região; a libertação total de todos os activos iranianos congelados no exterior; a abertura do Estreito de Ormuz sob as condições iranianas; e a codificação desses termos numa resolução vinculativa da ONU sob a lei internacional. Se os iranianos conseguirem isso, eles emergirão como vitoriosos—como uma nova potência regional e como um membro pleno da comunidade das nações que, após 47 anos de sanções mortais impostas pelo "Ocidente baseado em valores," quebrou as suas correntes e levanta-se com a cabeça erguida. N. b.: recentemente, o economista político americano Prof. John J. Mearsheimer [muito entrevistado no Youtube pois sendo professor universitário judeu nos USA é completamente crítico de Netanyahu e do Israel sionista] lembrou que as sanções dos EUA causaram 38 milhões de mortes nos últimos 50 anos.
38 milhões de mortes....
Se a paz que agora está a ser negociada se mantiver, os historiadores futuros datarão a partir deste momento o início de uma nova ordem no século XXI — uma em que o mundo deixou de dançar ao som do Ocidente. Os Estados Unidos, humilhados no seu domínio mais fundamental — o poder militar — daqui em diante serão um tigre sem dentes [nem 8 nem 80...]. O mundo, além dos europeus completamente esvaziados e impotentes [apenas algo, pois ainda são muito arrogantes e teimosos], não sentirá mais  respeito ou medo dele [algo, mas não tanto ainda, pois o infinito dólar ou euro corruptor continua]. O seu tempo acabou, e isto é para o melhor.
Karl Richter, em Mashhad, em maio de 2018, durante um congresso de comemoração do Dia de al-Quds, isto é, de Jerusalém capital da Palestina, que ocorre anualmente deste 1979 na sexta-feira última do mês do Ramadão.
Admito que não escrevo estas linhas sem emoção e profunda perturbação. Conheço o Irão por experiência pessoal; conheço e respeito a cultura persa de cinco mil anos, que está entre as mais ricas e belas do mundo. Está ligada à nossa através de mil canais subtis e subterrâneos; como é bem sabido, os iranianos são um povo irmão ariano. Eles contam isso aos viajantes alemães a cada passo, porque é importante para eles.

Neste momento, as ruas e cidades do país estão tomadas por uma alegria sem limites. Um povo provou ao mundo que o domínio criminoso do "USrael" não é uma lei da natureza. Pode ser resistido. A sua máscara pode ser arrancada de seu rosto. Vale a pena lutar. Vale a pena estar pronto para o sacrifício. Quando estaremos prontos, como alemães [, como europeus, como cidadãos do mundo]?
Não desejo ser uma [profetiza] Cassandra. O grande Satã não descansará. Exige a grande guerra, o grande massacre, que mais uma vez foi evitado na noite passada. Os iranianos são, no momento, o Katechon—o restrictor [o controlador, o catequizador, muito trabalhado por Alexandre Dugin] que, no fim dos tempos, se opõe por um breve momento à vinda do Anticristo. Pode-se desvalorizar isto simplesmente como uma fantasia. Mas é suficiente para simplesmente abrir  os nossos olhos. E ainda assim, uma pessoa pode, neste preciso momento, sentir-se profundamente feliz.»

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