Concluímos a apresentação, com esta 4ª parte, dos diagramas do valioso livro de Alexandre Dugin, Noomakia, a Guerra dos intelectos ou mentes, escrito em 2016 e resumido e partilhado recentemente por ele em https://alexanderdugin.substack.com/p/the-iranian-logos

I época: BUNDAHISM (Creação).
O Estado da Eternidade. Os primeiros 3.000 anos representam o Meio Dia eterno. A criação pura e estática tanto no plano espiritual, Menog, como no Getig, material. Não há doença, nem morte, nem movimento.
O Paraíso Original. Este paraíso prístino é um pairidaeza [muro à volta] veriumian [veridian-verdejante] (jardim murado), existindo num estado de perfeição imóvel.
A Grande Configuração. Ahura Mazda prevê a invasão inevitável do mau Espírito. Ele estabelece o mundo material e os seus guardiões como uma grande e fortificada armadilha, configurada para exaurir as Trevas.

A Ambiguidade da Realidade. O Mundo que habitamos correntemente é Guzesmil. Já não é mais a ordem pura mas um campo de batalha hipercomplexo onde a Ordem e o Caos estão intimamente entrelaçados.
O Resultado Físico. A terra treme, a montanha cósmica é impulsionada para cima, o Sol é posto em movimento, o tempo linear começa.

O Vir a ser (dasein) Iraniano: existir é lutar.
A Fravashi. As almas humanas são entidades luminosas aladas (Fravasi) descendo do reino prístino espiritual para o mundo material corrompido.
Estar em Guerra. O ser humano é inerentemente fraco, mas ganha poder, significado e verdadeira existência exclusivamente por tomar armas na guerra cósmica.
O Imperativo da Pureza. Para lutar pela luz, uma pessoa tem de incorporar física e psiquicamente a Luz. Pureza de pensamento, palavra e acção (fogo, água e sangue) não é meramente moral, é uma arma ontologicamente activa contra o Vazio.


Absoluta Luz (Verdade)
A Primazia da Luz (Rauxsana). A Luz é o poder criativo, a Bondade visível e a fonte de todo o valor. Algo só tem valor enquanto participa da Luz.
A Radical equivalência do Dualismo. Ao contrário das visões Ocidentais, a Treva (Ahriman), é um inimigo ontológico fundamental, substancial, activo e não apenas a ausência do bem.
Puro Apolonismo . A mente iraniana rejeita o terreno intermédio do Dionisismo, operando num estrito modo diurno, onde tudo é ou Luz (verdade) ou Treva (mentira), sem compromisso.
Absoluta Treva
A Guerra como essência do ser: para a alma iraniana a existência é estar em guerra.
Martírio acima da Mentira ou Decepção: na Guerra da Luz, a vitória não é a qualquer custo, é melhor perder com a Luz do que ganhar usando as tácticas traiçoeiras das Trevas.
Historial triplo: a história sagrada move-se através da: Criação Perfeita (Bundaishn), mistura corrente [ou actual] de Bem e de Mal (Gumezishn), e a final Superação (Wizarishn).
A Hierarquia sagrada e a Antropologia
Khvarenah (A Luz da Glória). Um poder carismático e solar que desce para legitimar reis (Shahanshahs), sacerdotes, e guerreiros.
Frevarti (o Eu celestial): O pré-existente e alado anul [? , espírito] que escolhe descer ao mundo material para lutar contra as trevas.
Os Filhos da Luz versus Filhos das Trevas: a humanidade não está dividida por raça ou classe, mas pela escolha metafísica do exercito (da Luz ou das Trevas) que serve.
A Cultura da Expectação e do Tempo.
A Origem da História Linear: o tempo linear é criado pela tensão de esperar pelo fim do mundo e a restauração final (Flashakerab)
O Tempo Quadrado. Baseado na metafísica de Mula Shadra [Mulla Sadra,1572-1641] o tempo é quadrado, combinando progressão horizontal, retorno circular e ascensão vertical numa única estrutura meta-histórica.
A ciência da Presença (Ishraq). Desenvolvida por Sohrawardi [Yahya ibn Habash Suhrawardi, 1154-1191], esta filosofia da Iluminação representa a mais elevada expressão islâmica do Logos Iraniano, tratando o conhecimento como um encontro com a Luz espiritual.
[Grande verdade tão amada pelos que a conhecem, encontram, tratam, adoram, amam].
A Influência Universal Iraniana
Irão procura a salvação do mundo como uma luta trágica de um guerreiro.
A Grécia procura a harmonia e aceita o mundo tal como ele é.
Impacto nas tradições abrâmicas: Os conceitos de Diabo, Messias, Julgamento e Ressurreição final são ideias de origem iraniana e que entraram no Judaísmo, Cristianismo [e, acrescente-se, Islão].»
Termina assim a partilha de diagramas de ideias-forças do Logos Iraniano, ideados por Alexander Dugin. Há um ou outro aspecto que podemos discordar, um ou outro que merecem ser aprofundados, tal o das fravashi, e a filosofia da iluminação de Suhrawardi, sem dúvida dois dos pontos mais altos de contemplação e meditação iraniana, e que já abordamos levemente no blogue, mas estamos em face de uma visão bastante bem estruturada das intelecções e intuições valiosas (nomeadamente as que oferece à Luz) de Alexandre Dugin no Logos Iraniano, e que desde que começou a agressão e guerra de USA e Israel ao Irão ainda mais se tornaram linhas de força dos que lutam pela verdade e a Luz e que vou tentando partilhar no blogue. NUR
Que nasça a paz justa brevemente, no Médio Oriente!

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