domingo, 11 de setembro de 2016

Bocage. Epístola poética a D. João José A. de Noronha. "Sábio Varão...

    De Bocage a epístola poética sábia a D. João José A. de Noronha, 6º conde de S. Lourenço (1725-1804), louvando o seu carácter e virtudes e dando graças por o ter ajudado a sair da prisão, triste condição essa que o conde de S. Lourenço sabia bem  , pois estivera preso pelo Marquês de Pombal injustificadamente de 1760 a 1777. Começa por: "Sábio varão, que na rugosa idade (...) conservas o verdor do sentimento, o viço da razão...». 
      Lida e comentada por Pedro Teixeira da Mota, em 10-9-2016, em linha com o Congresso Internacional Bocage e as Luzes do séc. XVIII, a realizar de 12 a 14 Setembro, na cidade onde nasceu Elmano Sadino, Setúbal...
                       

sábado, 10 de setembro de 2016

Três Sonetos de Bocage, lidos e comentados por Pedro Teixeira da Mota,

Três sonetos de Bocage, dos últimos anos da sua vida, lidos e comentados por Pedro Teixeira da Mota, em 9-9-2016. 
Vate do Amor e da Amizade, da Virtude e da Liberdade, estes sonetos são os dedicados imortalizantemente aos seus amigos António Xavier Ferreira de Azevedo, Pedro Inácio Ribeiro Soares e Henriques José da Silva e estão cheios de luminosos ensinamentos e imagens-forças ou psicomorfismos...

                            

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Bocage. "Adeus". Canção, à partida para a Índia, lida e comentada por Pedro...

     Vídeo gravado com uma canção de Bocage, Adeus, escrita à partida (Abril de 1786) de barco para a Índia. Lida e comentada por Pedro Teixeira da Mota, no dia 9-9-2016, como contributo para o melhor conhecimento de Bocage e da sua obra e para o Congresso Internacional Bocage e as Luzes do séc. XVIII," de 12 a 14 de Setembro, em Setúbal, onde participo com uma comunicação sobre a imensa e ainda pouco estudada e partilhada espiritualidade de Bocage.
                     

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O caminho, a arte de bem morrer e o além, seg. Bô Yin Râ e a Tradição Espiritual Portuguesa.

           Breve satsanga (do sânscrito, sat-verdade ou ser, e sanga-companhia e grupo, e significa tanto uma conversa orientada pela verdade como um discurso, improviso ou oração feito para uma companhia, fraternidade ou milícia de seres)  sobre o caminho espiritual, a arte de bem morrer e o além, segundo os ensinamentos do mestre alemão Bô Yin Râ (do qual referi algumas ideias forças do seu Livro Do Além) e da Tradição Espiritual Portuguesa, citada nos psicomorfismos e crenças do povo e dos seus grandes seres.
A pintura de arqueologia sagrada é da Marida De Fátima Silva e está a servir de fundo, com um ser orante e uma deusa levitante no meio do recinto sagrado, do templo que todos nós somos pedras vivas e filosofais.
Lisboa, manhã de 2-IX-2016.
                              

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O Caminho da realização espiritual, a partir duma estampa japonesa.

       Improviso sobre o caminho da realização espiritual, a partir de uma estampa antiga do Japão, com algumas ligações iniciáticas do Oriente e Ocidente, registado na aurora, cerca das 4 da manhã, de 1 de Setembro de 2016 e a si e a eles oferecido!
                    

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Celebração da Lua Cheia no vale medicinal de Santarém na ViaFlora Botanical Farms

Não longe da mítica fonte da Joaninha das Viagens da Minha Terra, de Almeida Garret, o Pedro  e a Susana Gonçalves iniciaram um projecto de criação de ervas medicinais que leva já cinco anos, e que vai gerando frutos no tomilho, na cidreira, no estragão, na lúcia-lima, na alfazema, na artemísia, etc.
É no mês de Agosto, na Lua Cheia, que realizam dois dias abertos nos quais, com os seus cinco filhos, recebem os amigos para celebrarem a fecundidade misericordiosa da Natureza com visita dos campos e estufas,  provas das ervas, fogo, música, diálogos, meditações, banhos no rio Tejo  e refeições conviviais. 
Eis algumas imagens da celebração do ano de 2016:
Pedro ViaFlora Baptista Gonçalves e a Susana guiam-nos.
Salva transplantada pé a pé para canteiros. Já para venda.
Apreciando a artemisia absinthium, entre nós mais conhecida como absinto. A usada para moxabustão é outra variedade, a artemisia vulgaris.
As dificuldades de comercialização ou circulação destas belíssimas plantas requerem mais redes de amigos das ervas medicinais dando as mãos...
A Lua Cheia e o fogo que se ergue do vaso invocador: possa a nossa gratidão elevar-se até aos mundos espirituais e divinos...
Agni, o fogo e deus védico, no vale de Santarém...
Campos medicinais e estufas na aurora orvalhada
São aves cantando em escala musical embebidas na aurora 
O Sol brilha mais e a alegria agudiza-se nas notas ou trinidos
Sol Divino, fonte de vitalidade, de amor e de inteligência no Universo...
Os raios benignos de Zeus fecundando Hera...
Lúcia-lima feliz, ainda orvalhada mas já ao sol matinal
Grandes árvores, um freixo, entre a vegetação dos terrenos arborizados que protegem do Suão as ervas medicinais da Susana e do Pedro...
Canavial, canavial, que mensagens o vento faz ressoar nas tuas flautas subtis?
Flores de muros bordejantes
Uma fada fantasminha de cinco pontas, quem sabe chamada Zased (botanicamente Estramónio Datura), talvez atraída pelas brincadeiras e cantos das cinco belas crianças da Susana e do Pedro, desponta sozinha nos campos...
A ilha do rio Tejo que nos acolheu e onde fizemos algumas posturas de yoga e exercícios psicosomáticos
O Y, famoso símbolo pitagórico, estava presente lembrando-nos de sabermos discernir bem os caminhos que tomamos ou trilhamos...

Alguns dos chás ou condimentos ao seu imediato dispor: tomilhos e manjerona, e os sais Epson. Coroados na imagem pelas pêras biológicas escalabitanas do Pedro e Susana, e um quartzo gereziano, este da minha lavra...

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Antero de Quental e nós na mão de Deus

                                  Antero de Quental e nós na mão de Deus.

Na mão de Deus 
À Exm.ª  Sr.ª  D. Vitória de O. M.

«Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita. 

Como as flores mortais, com que se   enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita. 

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva no colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente, 

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!»

A escolha arbitrária de Joaquim Oliveira Martins de finalizar a edição dos Sonetos, da qual foi o organizador e prefaciador, com um soneto que não é dos finais, antes escrito bastante antes, teve um intuito provavelmente moralizador e talvez mesmo catolicizante, fazendo terminar, aparentemente, a bem ou na entrega a Deus o percurso filosófico, poético e anímico de Antero de Quental,  manifestado em parte no livro dos Sonetos, o qual foi mesmo dividido e ordenado cronologicamente.
Neste poema, profundo e complexo, certamente algo autobiogáfico, vemos o autor a depor os seus movimentos anímicos antigos, considerados agora como infantis, ilusivos, passionais e a entregar-se definitivamente a Deus, sob a forma do coração a quem "ordena" ou sugere que vá dormir na mão direita, a benéfica ou misericordiosa deDeus, numa simbologia tradicional de uma visão humana ou antropomórfica da Divindade.
Há contudo no soneto algumas vozes que parecem algo passivas e derrotistas. Por exemplo, essa recomendação para a alma adormecer e dormir não parece muito de Antero, um ser com uma aspiração enorme muito forte da Verdade e do seu dinamismo perene e que o marcou sempre, provavelmente mesmo ou muito na hora insatisfeita em que se suicidou.
Talvez a possamos compreender melhor o soneto se virmos Antero a dizer: «eu não sou este coração nem o ser que se iludiu com ele; antes sou o ser espiritual que diz ao coração, algo desiludido dos palácios da ilusão, algo cansado ou trôpego da caminhada agreste à mera luz da fé e da razão: «dorme em Deus, descansa». E certamente apenas por algum tempos, a fim de se recompor, e não numa ideia de descanso eterno a que este poema remete pela associação da terminologia e visão católica da morte e do além: «Descansa em paz, adormecei no Senhor».
Realcemos  no começo, a expressão de passado empregada: "descansou". Se no fim do soneto está mais um presente imperativo: "dorme" é dito ao coração, no princípio há um passado, que nos abre para a ideia da vivência árdua da vida interior que Antero fez e que o obrigou a descer das grandes esperanças ou ilusões ,das  quais nomeia o Ideal e a Paixão. 
                                                             
Se a palavra ideal está perfeitamente de acordo com a filosofia e o ambiente cultural e revolucionário da época, e nela ressoam muitos escritores e filósofos com os quais dialogou nas suas leituras e conversas com os amigos (embora se tenha encontrado pesoalmente, anónima e humildemente com Jules Michelet, em Paris), já a Paixão é menos esperada. 
Eu pensaria na palavra e conceito, sentimento e realidade do Amor, mas Antero preferiu por certas razões escolher a Paixão e não vamos pensar que as escolhas foram apenas por questões de rimas, ainda que possam em certos casos terem sido os sinónimos encontrados mais próximos. O Amor intenso, talvez absolutizante, divinizante, qual o por Beatriz de Dante, e então Antero se inseriria nos Fiéis do Amor. Mas das paixões, sobretudo amorosas, de Antero ficaram apenas zonas esbatidas, íntimas quase angélicas juvenis...
Neste soneto que encerra a obra prima de Antero, escolha do seu grande amigo Oliveira Martins, e a que Antero aquiesceu, e seria bem interessante sabermos melhor do diálogo parturiense, deparamo-nos com as duas colunas do Palácio da Ilusão, na tradição Indiana denominada Maya, e que é tanto o poder dinâmico da criação de formas e da manifestação da Divindade, mais tarde cultuada como a Shakti, e que é também a energia interna de cada um de nós, pelos shaktas e tântricos, e que também poderia ser chamado segundo a tradição Ocidental o Templo da Divindade, com as suas duas colunas, a do Ideal do intelecto, razão, mente e a da Paixão e amor do coração, o masculino e feminino que temos de equilibrar ou complementar dentro e fora de nós para se realizar o milagre da Unidade.
Antero desceu dos grandes sonhos juvenis revolucionários filosóficos e passionais afectivos, e reconhece que deve libertar-se do que são ainda conceptualizações e formas transitórias e almeja o Divino, ao qual acaba por se entregar por fim como que numa fé de criança que vai levada pela mão da mãe na jornada tão misteriosa ou complexa da vida cósmica.
É numa posição de humildade, de ser como húmus da terra, que Antero se confessa perante o mistério do Universo, entregando o seu coração nas mãos da Divindade para que nela repouse.
Diria que a minha discordância maior quanto às palavras e estados psíquicos que se evolam deste soneto, como já assinalei de certo modo, está no "dormir" e sobretudo no final "eternamente", que sabe um pouco a campa romântica do séc. XIX mas que pode ser redimida se consideramos que o dormir tem a sua utilização figurada ou simbólica no sentido de se estar em íntima e confiante paz, repouso e entrega, algo que certamente desejaremos tanto para Antero como para todos nós, e não só para depois da morte mas no aqui e agora, de ser a Hora, de nos ligarmos mais confiantemente à Divindade.
Ou seja, que o nosso coração se ligue, entregue ou abra a Deus e que as suas agitações e ilusões estejam como suspensas ou adormecidas e que nele vibre sobretudo a Luz e o Amor do Espírito e da Divindade, mistério dos mistérios, que as crianças por vezes têm bem vivo e às mães transmitindo no aperto de mão confiante, mãos dadas, em Roma o junctio dextrororum, que as impulsiona reciprocamente no Caminho.
Estamos  na mão de Deus, ou de mão dada com Ele, quando vivemos bem, bela e verdadeiramente e confiamos na Providência divina e nos seus mensageiros e guias para avançarmos no verdadeiro caminho da Vida, rumo a uma melhor ligação íntima com a Divindade.
          Que no nosso íntimo, e no de Antero de Quental, a Divindade arda e brilhe mais.... Aum...