sexta-feira, 9 de março de 2018

Viajar de comboio do Porto a Lisboa na eternidade. Reflexos...

  Deixando a urbe portuense e a Dalila Pereira da Costa, comemorada no congresso do centenário do seu nascimento, e mais uma mão de pessoas amigas, sentado na varanda-janela do comboio intercidades Porto-Lisboa, lendo, escrevendo e contemplando, eis  imagens que permancerão de uma viagem já deixada para trás na marcha imparável do tempo, mas aqui, por belos fragmentos fotográficos da paisagem e páginas da alma na sensibilidade e palavra que se transmitem, arrancada a tal voragem, e logo preservada e partilhada. Avancemos...

Fábricas outrora  bem dinâmicas, agora ruínas cheias de memórias. Mas quem as sabe pesquisar e cultivar, ou mesmo as reutilizar?

 Porque mais exposta à chuva e intempéries os telhados. mesmo sem serem de vidro, abatem, e as cabeças , mesmo não sendo ocas, podem ceder. Vela para que a tua luz interior a mantenha coesa e firme. E que a abras às melhores energias psíquicas, emotivas e espirituais
"Gate, gate, paragate, parasamgate, bodhi svaha", rezavam os budistas antigos, apelando a deixares para trás apêgos, vivendo plenamente desperto no presente e, bordejando a margem da eternidade, libertares-te...

Quem saberá amar as casas na eternidade em que elas vivem, quem as consegue contemplar no olho espiritual, ou mesmo recuperar delas seus segredos, ou em sonhos as conhecer e habitar?
Quando o céu e a terra se unem pela água e o ar, a nuvens e o sol, e se tornam um lago em que contemplamos as ondas do pensamento e nos podemos abismar na riqueza e profundidade do coração do Ser.

Que espíritos da natureza e seres humanos  geraram este quadro que atravessa os vidros e se plasma nas nossas almas como obra prima, como transmissora de energias de liberdade e comunhão?

Circunscreveste as tuas energias psíquicas num rectângulo talhado com a razão dourada, e assim como o lago atrairás o raio do Amor sobre ti, e as tuas águas serão harmonizadoras, plenificadoras.


Leves e diáfanas folhas e ramos, cantam ao vento as mudanças das estações e a subtileza do Amor substancial...

Paisagens que nos levam e elevam ao infinito, ao Divino...
Gemeste, choraste, sofreste mas se aspirares e as tuas águas acalmares o Espírito te iluminará..

Nos bosques e florestas que acompanham os cursos de água absorverás o melhor "prana" e sentirás os espíritos da natureza e o Amor divino

Construir ou atravessar a ponte entre o mundo sensorial físico e o subtil é uma das tarefas dos pontífices e dos peregrinos, das almas sensíveis e dialogantes, pacificantes.

A consciência que se expande pelos campos e nuvens a dentro, chegando ao horizonte, às nuvens e ao céu azul e infinito

Sentir a união da terra e do céu é natural na Natureza

Cultivar a comunhão com as nuvens, com o espaço infinito abre-nos ao Amor divino

Também dentro de ti, através do teu olho espiritual, poderás contemplar na distância, maravilhado

Sinta e escreva, do seu ser para ser...

O teu "temenos,  o teu templo, o espaço tempo que sacralizas, vai-te preparando para a Eternidade e vai-se tornando um local irradiante e harmonizante na terra. Cultiva-o persistentemente organicamente, amorosamente.

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