sábado, 14 de outubro de 2017

"Beatrice" de Antero Quental. Leitura-comentário dos 1ºs quatro poemas p...


A Beatrice, de Antero de Quental, editada em 1863, em Coimbra, na Imprensa da Universidade, com 39 páginas impressas, quando ele tinha apenas 21 anos, assinala a segunda manifestação em livro (após a edição pequenina dos Sonetos em 1861) do seu veio poético e em especial amoroso, lírico, romântico, cristão, idealista.
O poema livre, ou se quisermos "a colecção de poesias", está dividido em dois cantos, o primeiro, mais lírico, contém treze poemas, alguns deles em forma de soneto, e nele está bem presente a busca do amor humano e divino; o segundo, mais religioso e metafísico, contem apenas três poemas, e manifesta a sua aspiração ao mundo celestial e ao Pai Divino, estando ainda bastante devedor da cosmovisão teológica católica, algo que ele depois porá bastante em causa, tal como o seu antecessor Bocage fizera.
Neste primeiro vídeo comentamos e mostramos ou lemos os quatro primeiros poemas, destacando os ensinamentos mais luminosos sobre a visão e a experiência do Amor que Antero sente e poetisa.
Realcemos a sua experiência do amor como incêndio que arde cresce e se expande no peito e que alaga até o peito da amada e no peito-templo dela se ergue como chama e incenso-aspiração à Divindade.
Também o Amor como energia que emana entre os seres que se amam ou se querem e assim se fortificam.
Amor, que melhor que tudo o lábio da mulher transmite.
Amor invocado em oração, jaculatória ou mantra, no verso seguinte: Coração! Coração! Eia! Ressurge! Vive!”, e que bem poderemos utilizar de vez em quando para intensificar o Amor, na linha da Tradição Espiritual Portuguesa...
Para contextualizarmos melhor as poesias (e ao de leve as paixões-Amor de Antero, sendo esta que inspirou o poema a segunda conhecida) juntemos agora, e já depois de gravado o vídeo (...), a partir das indicações passadas por José Bruno Carreira, no seu incontornável e monumental Antero de Quental, subsídios para a sua biografia, os testemunhos ou apreciações de Alberto Sampaio, que disse que «elas foram inspiradas por um sentimento real», de Teófilo Braga, que temos de tomar sempre com cautela, «que possuía um manuscrito desta poesia datado de "Figueira, Setembro, 1860"», de Sérgio de Castro, já em 1943: «A Beatrice! Teve existência, não era de imaginação, não pairava nas nuvens, passeava por este planeta... Eu sei quem ela era; formosa a mais não ser...» e, para terminarmos, as mais importantes de Fernando Leal, escrevendo sob o pseudónimo de Gustavo André, no Mandarim de 19-X-1881, ainda em vida de Antero:«Teve um amor na sua vida: foi a Beatrice, aquela Beatrice que lhe valeu um poema que é uma obra prima de poesia idealista, e que ele consagrou a - Nome que não se diz, nome que não se escreve.   Era uma mulher lindíssima dos arredores de Coimbra, uma mulher honesta que nunca soube da paixão que inspirara. Ele respeitava-a como um Deus, quando a via, com a sua figura majestosa, no meio de um rancho de filhitos sadios e rosados. E quase todas as tardes ia a pé desde Coimbra até ao Buçaco, à Cruz-Alta, creio eu, para de lá ver muito ao longe, a casa de campo onde ela habitava», o que explica melhor ou ambientalmente a constante utilização da cruz no poema. 
Oiçamos então o poema e o breve comentário e de improviso gravado...

                                 

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