sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O Anjo no Conto Português: Severo Portela, "O Milagre de um Anjo". 1917.

      Severo Portela é um escritor algo perdido no século XXI e contudo na sua época teve certa relevância como escritor, pedagogo e republicano, publicando livros, participando em movimentos cívicos e colaborando na importante revista portuense a Águia, de Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra e Jaime Cortesão, onde Fernando Pessoa iniciou os seus passos, e que nos últimos tempos teve como directores , entre outros, Sant'Anna Dionísio e Agostinho da Silva, com os quais  ainda convivi bem. 
Que relações terá havido entre todas estas almas pouco sabemos, bem como do próprio Severo Portela. 
Conheço e tenho algumas das suas obras mas é na muito valiosa Porbase, registo das obras existentes na Biblioteca Nacional e em mais algumas das bibliotecas portuguesas que encontramos a lista das suas  obras e prefácios, e vemos que se estreou bem nas Letras, publicando em 1899,  na Imprensa da Universidade de Coimbra, A Crença de Antero, voltando a ele em 1923, com a Mãe de Antero,  no qual defende com a sua linguagem casticíssima Antero de Quental, zurzindo a desfiguração que foi feita dele no In Memoriam, pelo médico Sousa Martins, e noutros escritos e intervenções por Teófilo Braga. .
Nessa data de 1923 tinha já publicadas quatorze obras, duas das quais muito perenes, A Árvore e o Sentimento Português; Os Animais na Educação do Sentimento, e a sua última participação conhecida é de 1939, um prefácio. Curiosamente, em 1945, a sua biblioteca é levada à praça pela actual livraria Antiquária do Calhariz, dos meus amigos e com quem tenho cooperado José Manuel Rodrigues e  sua filha Catarina, então de Arnaldo Oliveira Henriques. Certamente um dia destes faremos um artigo sobre os textos anterianos de Severo Portela, em especial para partilhar a nossa página no Facebook, Antero de Quental, escritor, tal como este texto nasceu da ideia de o partilhar para a página Anjos e Arcanjos de Portugal e de Deus.
Teremos contudo que deixar o tempo e o Campo unificado de Energia Informação Consciência trazerem-nos mais algumas informações acerca das linhas de força dele, que sabemos serem de grande sensibilidade estética, ética e religiosa, com algumas das suas obras versando sobre este último tema, nomeadamente a pequenina recolha etnográfica dos Romances Religiosos da Beira, publicada na portuense Maranus em 1929
O que nos interessa mais neste momento é partilhar um belo conto, de intervenção angélica e que tem foros de ser verdadeiro, mas que também pode ser apenas fruto da sua bela imaginação, língua e palavra. Chama-se Um Milagre dum Anjo.
Está incluído no O Presépio, um in-8º de 221 páginas, da Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira, onde Fernando Pessoa na mesma data de 1915 publicava as suas traduções de obras teosóficas, encomendadas possivelmente por João Antunes, outro ocultista da época com vasta produção sobre o tema.
O exemplar consultado está encadernado em mimosa chita florida e tem a particularidade de ter belas vinhetas e desenhos no interior, alguns com assinaturas, além de ser em vermelho a letra.
O conto não tem grandes ensinamentos sobre os Anjos, mas está escrito com uma linguagem tão sensível e requintada, simbólica e sugestiva, bem característica do final do séc. XIX e princípios do séc. XX,  que vale a pena lê-lo e também ressuscitar um pouco o Severo Portela, um dos manes da Pátria, um dos elos da Tradição Espiritual Portuguesa...






Saibamos estar mais abertos e comungar melhor com o Anjo da Guarda e o Arcanjo de Portugal 

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