sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Livros sobre Anjos: os melhores e os piores, traduzidos em língua portuguesa.

Breve apreciação valorativa de vinte e tal livros sobre Anjos, de autores estrangeiros e traduzidos para português. Vão por ordem alfabética, e com algumas capas ou ilustrações:
BUONFIGLIO, Monica. 
A MAGIA DOS ANJOS CABALÍSTICOS.  Lisboa, Rocco Temas e Debates. 2000. In-8º 160 p.
Um exemplo do livro fraco sobre Anjos, do estilo nova Era. A autora explica mesmo que ouvira "falar de Anjos há mais de dez anos" e era nessa época apenas «oraculista e ministrava cursos de búzio e Tarot. A partir daí, comecei a orientar os consulentes e alunos sobre os nomes dos anjos de cada um e a maneira de contatá-los, através de salmos específicos. Quando li O Grande Arcano de Eliphas Levi, encontrei o modelo que me serviu de base para a ancora do Anjo.» Propaga a mistificação dos 72 anjos, atribuindo para cada pessoa dois anjos, pois além do anjo desse dia haverá um anjo dessa hora. Ou mesmo «três, no caso de o horário do nascimento for influenciado por dois». «O Príncipe das Virtudes, Rafael, deverá remediar os males Humanidade, será ele quem conduzirá a nova geração para o ano 2.000»...
Livro fraco.
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BUONFIGLIO, Monica. 
HISTÓRIAS, DICAS E MAGIAS. Volume I. S. Paulo. Oficina Cultural Monica Buonfiglio, 1996. In-8º 129 p. 
Obra  superficial, contém um capítulo intitulado Anjo da Guarda, onde recomenda: «não fique mendigando para o seu anjo. Converse com ele como se estivesse conversando com uma criança, sem pressionar nem cobrar resultados. Use sempre o tempo presente, e nunca diga: Eu não quero ser gordo. Isso confunde seu anjo e atrapalha o seu pedido». Várias  mensagens de Maria e  numerologias extravagantes são ainda de realçar, tal uma tabela de três possibilidades para descobrir-se, em função das reencarnações passadas, o que uma pessoa é pela sua data do nascimento, pois toda a gente nascida em tal dia é uma pessoa estrela, ou uma pessoa karma ou uma pessoa livre. Algumas páginas legíveis. 
Livro Fraco.
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CHURCH, Anthea.
ANJOS. 3ª edição. S. Paulo. Editora Gente. 1993. In-8º peq. 32 p.
A obrinha está bem ilustrada com desenhos, como acabámos de ver, e no prefácio Ken O' Donnel diz-nos que vê o Anjo como «um símbolo de um comportamento humano mais divino, já que sempre aparecem na forma humana. Os asas, talvez, representam a leveza e pureza de seres completamente livres de escravidões terrestres e que se movem entre nós», e apresenta a autora como professora de Teatro e que pratica e lecciona Raja Yoga dos Brahma Kumaris  A bela aproximação de Anthea Church ao Anjo é simultaneamente meditativa e poética e embora  reduza o Anjo ao ser humano e afirme logo ao princípio que «um anjo é um ser humano que está enamorado de Deus, Que não apenas ama, mas se apaixona porque o amor pode ser compartilhado (...) Um anjo é um convidado que tudo clareia atrás de si. Onde houve desentendimento, ele retorna para esclarecer, onde existe rancor, ele oferece amor. Ele nunca está sem presentes e está sempre sem carga», a obra tem bastante sensibilidade angélica ou espiritual («a alegria é a qualidade que torna o cérebro angélico»), o que sobreleva algumas frases mais discutíveis ou exageradas. Poderemos dizer que é um livro sobre o estado consciencial angélico no ser humano e que merece ser meditado e mesmo questionado, aprofundado.
Livro razoável bom.  
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COX, Simon. 
ANJOS & DEMÓNIOS DESCODIFICADOS. O guia não autorizado dos factos por detrás da ficção. Lisboa, Europa América. 2005. In-8º gr. 200 p.  
Muito fraco, poucas referências a Anjos, quase apenas às belas esculturas de Bernini. É um glossário sem  profundidade sobre alguns dos temas ou entradas do livro de Dan Brown, Anjos e Demónios. A propaganda com que o livro é apresentado torna-o confrangedor depois de manuseado, já que desde o título na contracapa "Prepare-se para ser iluminado", até ao considerá-lo que é o «guia essencial para o romance dando importantes informações de bastidores e lançando uma nova luz sobre os muitos mistérios no coração da história», o que o livro de modo algum consegue, pois contém apenas informação corriqueira. Para piorar a situação está o facto de encontrarmos no mesmo ano uma edição da mesma obra apenas com a capa e título diferentes, Anjos & Demónios Iluminados, induzindo assim em erro quem compra tudo de tais temas:
Livro fraco.
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DANIEL, Alma & WYLLIE, Timothy & RAMER, Andrew.
PERGUNTE AO SEU ANJO. Um guia prático para lidar com os mensageiros do Céu e Fortalecer e Enriquecer a sua Vida. S. Paulo, Editora do Pensamento, 1998. In-8º 294 p. 
Com desenhos ilustrativos sugestivos (tal o reproduzido), mistura vários ensinamentos e mensagens,  pois são três os autores, mas com o mérito de não continuar a propalar a mistificadora lista dos Anjos para cada dia do ano. Está é carregada de visualizações e meditações, com ideias interessantes para as pessoas se lembrarem ou interagirem mais com os Anjos. Sofre porém da contradição de receberem inúmeras mensagens e contactos dos mundos astrais, no caso ditos espirituais, e simultaneamente interrogarem-se sobre aspectos básicos do conhecimento angélico. De realçar, talvez por serem norte-americanos, a pretensa existência de mais dois Arcanjos poderosos: Moroni, o Anjo dos Mórmons, e «Melquisedec,  o sábio de Salém, um dos poucos casos conhecidos de um anjo de elevada posição que assume a forma de um corpo humano». Com algumas comercialices de oráculos de anjos, ou na contracapa: «Se este livro lhe chegou às mãos, os anjos já o tocaram», mas com muito desenhos suave e vários exercícios meditativos ou de imaginação bons.
Livro Médio.
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FREEMAN, Eileen Elias. 
A CURA PELOS ANJOS. O poder dos Anjos pode curar a sua vida. Lisboa, Europa-América, 1999. In-8º 220 p. 
No prefácio a autora enumera várias das charlatanices angélicas que tem encontrado nos USA e em geral baseadas em intenções comerciais. Nos agradecimentos a ordem é: 1º Jesus, a quem venera como Deus, 2º «Enniss, querido anjo da guarda e amigo, cuja orientação tem sido por vezes meiga e enérgica, séria e divertida. Adoro-te. 3º Rafael, chefe de Eniss na ordem dos guardiões que está resolvido a curar a Terra e as almas de todos os que nela vivem», seguindo-se 4º «Para Tallithia, o meu anjo anotador, que me ajudou a recordar mais sobre o processo de cura na minha vida do que alguma vez imaginei ser possível - obrigada pela tua paciência, meu querido. 5º Para Kennisha, o meu anjo defensor, cuja luz desvanece as trevas - que os meus agradecimentos possam ser ouvidos de uma ponta à outra do céu».  A obra contém muitas histórias contadas seja por ela (talvez com diálogos angélicos mais para o imaginativo) seja por outras pessoas, com explicações e algumas incursões na história dos arcanjos, sobretudo baseada e aceitando literalmente os textos hebraicos ou da Bíblia. No fim divulga vários aspectos da sua Angel Watchs Foundation, que tem um site demasiado comercial na Internet, com os anjos de cada dia, leituras de vidas passadas pelos Anjos, chegando a oferecer um oráculo para um ano astrológico, denominado Leituras dos Arcanjos e que presenteia ainda com uma mensagem pessoal do Anjo da Guarda, em vinte páginas, tudo pela módica quantia de 20 dólares. 
Livro médio fraco, sobretudo pela prática ou exploração que a Fundação e seus oráculos fazem sob o nome dos Anjos. 
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GIOVETTI, Paola.
ANJOS. Seres de luz, Mensageiros celestes, Protectores dos Homens. S. Paulo, Editora Siciliano, 1995. In-8º gr. 159 p. Certamente um dos razoáveis livros sobre os Anjos, ainda que relatando como verdadeiras  doutrinas e visões sobre a acção e os poderes dos Anjos que não nos parecem ser (tal como o Livro de Enoch, que ela valoriza exageradamente: «proporciona ao estudioso uma verdadeira angeologia») e manifestando alguma superficialidade nos conhecimentos sobre os Anjos fora da Bíblia. Bem ilustrado, abrangendo e descrevendo um pouco dos contributos de Swedenborg, Rudolf Steiner, padre Pio, da comunidade de Findhorn e de outros. Tenta dar coerência às tão diversas  e contraditórias versões dos anjos caídos ou demónios socorrendo-se do visionário austríaco Jakob Lorber (1800-1864).
É um livro de razoável pesquisa jornalística ou histórica, passando com sensibilidade várias das histórias de contactos ou ligações aos anjos. Ressente-se contudo de estar sem a bússola da verdade bem apontada plenamente, já que acredita muito literalmente na Bíblia, ou nas fontes que cita: «Os anjos, conforme as Escrituras, são sábios mas não omniscientes. De facto, Jesus, ao falar de sua segunda vinda ao mundo, disse: " A respeito daquele dia ou daquela hora ninguém sabe, nem os anjos do céu (...)" (Marcos 13, 32). O mesmo se aplica aos poderes. Os anjos têm poderes superiores aos nossos, mas não são omnipotentes. Um anjo foi suficiente para acabar com os primogénitos do Egipto  e para fechar a boca dos leões que ameaçavam Daniel, mas todos são subservientes ao Senhor». 
Cita por mais de uma vez Giuseppe del Ton, como «um dos maiores angelólogos vivos», e entrevista o P. Eugénio Ferrarotti, de Genova, que escreve sob inspiração do seu Anjo da Guarda.  Paola Giovetti é formada em Letras e é jornalista e escritora, tendo-se dedicado à parapsicologia, ao mistério e de algum modo à espiritualidade, com  obras publicadas.
Livro bom-médio.
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GODWIN, Malcom. 
ANJOS. Uma espécie em extinção. Singapura, Círculo dos Leitores, 1993. In-4º 255 p.  
Certamente o mais rico de fontes, citações e ilustrações dos livros acerca de Anjos editados em Portugal, mas faz uma tal misturada sem querer discernir o que deverá ser verdadeiro do que é fantasioso ou mistificação, que receamos que o leitor ainda fique mais confuso nas suas noções acerca dos Anjos, dificultando por isso o seu acesso a eles. Dezenas e dezenas páginas sobre os Anjos caídos, um tema de alta mistificação e bastante sombrio. É porém bastante abrangente incluindo esoteristas, literatura, arte e cinema contemporâneos.
Livro bom-médio.
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GRÜN, Anselm. 
CADA PESSOA TEM UM ANJO. Petropolis, Editora Vozes, 2000. In-8º 109 p.
O autor, nascido em 1945, é um monge beneditino e aborda os Anjos exclusivamente baseado nos relatos da Bíblia, tomando-os como verdadeiros e à letra, embora depois os passe para o nível da psicologia, psicanálise e análise dos sonhos, fazendo ilações psicológicas e terapêuticas com valor.  É algo contra o esoterismo, pois "procura saber mais do que se pode saber". Obra mista pois não parece ter tido qualquer experiência do Anjo da Guarda regendo-se mais pela teologia, a tradição de orações e liturgia, as crenças, dando contudo boas formas de trabalhar o inconsciente a partir dos Anjos e das suas possíveis funções. 
Livro bom-médio.
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HAZIEL. 
COMUNICAR COM O SEU ANJO DA GUARDA. Quando e como se encontrar com ele. 13ª edição. Lisboa, Pergaminho, 2006. In-8º 146 p.
Uma mistificação pseudo-miraculosa, misturada com alguma informação plausível e  com vários erros na tradução. Com um começo bem mistificador, como em grande parte o livro é, pois teria descoberto o segredo do pentagrama «considerado pelos Iniciados, o símbolo supremo do esoterismo», que até então ninguém penetrara, e do qual dá depois a sua teoria angélica que atribui a 72 Anjos a regência dos dias do ano, dos quais são Anjos da Guarda das pessoas que nasceram nesses dias.  E a causa é:«Os Anjos da Guarda estão totalmente ao serviço dos Humanos. A eficácia dos seus serviços é perfeitamente conhecida de todos os que ousaram, seriamente, solicitar os seus préstimos. É preciso saber que eles intervêm nas nossas vidas só quando lhes pedimos cooperação, e sempre no sentido da nossa Vontade; respeitam de modo categórico, absoluto, a nossa Vontade.» Uma afirmação algo pragmática e exagerada do poder da vontade humana sobre os  Anjos.
Livro fraco, mistificador. 
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HAZIEL. 
O PODER DOS ARCANJOS. Primeira revelações sobre o seu Poder e Orações Iniciáticas. 3ª edição. Cascais, Pergaminho editora, 2001. In-8º 127 p. A primeira edição foi de 1997.
Na badana do livro lê-se: «Haziel é o pseudónimo cabalístico usado pelo autor François Bernard-Termés, nascida em Gerona, na Catalunha, no seio de uma família secularmente dedicada ao estudo da cabala... é um dos mais respeitados especialistas em angelografia de todos os tempos». O conteúdo contudo é muito fraquinho e irreal: refere 10 arcanjos (vá lá que não vem o Moroni norte-americano..) e as orações que os nativos de cada signo devem fazer para terem sucesso nas satisfação das suas necessidades de acordo com as especialidades dos arcanjos.  Escreve ainda: «Difusão da Espiritualidade. Este Livro, inspirado pelos Arcanjos, expõe pela 1ª vez claramente e com precisão, as regras da Real Arte do Êxito (espiritual, moral e material (..) vemos na Bíblia que quando o Arcanjo oferece um livro (como por exemplo, ao profeta Ezequiel, ou a S. João no Apocalipse ele convida-o a comê-lo, a devorá-lo (quer dizer, a lê-lo, a digeri-lo, a servir-se dele) mas sobretudo a difundi-lo (...) É pois pedido a cada leitor que vai devorar (ler, digerir, utilizar) este Livro dos Arcanjos, que profetize; quer dizer, que o dê a conhecer o mais possível (...) oferecendo-o aos amigos». Sem dúvida uma boa técnica de marketing, quinta reimpressão em quatro anos, em Portugal, e a sexta sairá em 2007. 
Os arcanjos não agem por bondade mas por dever, ajudando as pessoas a cumprirem as suas missão que trazem de antes desta vida terrena. Na mesma linha mistificadora dos poderes de quem se alinha com os Arcanjos vai a valorização «de José que, partindo das piores condições de existência, chegou realmente a tornar-se Faraó do Egipto e salvou a Humanidade de uma fome mundial, universal (espiritual e material)...».
Já Rafael é apresentado como o Arcanjo da vocação e da promoção e elevação sociais e económicas, e assim para os leitores já cansados de em vidas anteriores termos sido «varredores de rua, empregados de escritório, sub-chefes de serviços agora pedimos ao Arcanjo o posto que nos corresponde: Directores Gerais», mas só com a ajuda da oração específica a ele, se não vai demorar muito mais tempo tal ascensão ou subida....
O último Arcanjo  apresentado é o Administrador da Estrutura da Matéria, «Sandalfão, Embaixador do Arcanjo Metratão. À medida que o ambiente terrestre se torne mais educado, mais limpo, mais subtil, Sandalfão será substituído pelo verdadeiro Arcanjo da Terra; que tem o nome actualmente de Emanuel. Este misterioso Arcanjo que deve administrar na Terra, na Era Messiânica que se aproxima, é servido pelo Anjo-Príncipe Sandalfão...» Mistificações...
Livro fraco, grandes patranhices.
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HENOCH, O LIVRO DE... Outros apócrifos do Antigo Testamento e um apêndice de H. P. Blavatsky. Lisboa, Minerva, 1976. In-8 peq. 221 p.
Um dos livros clássicos da literatura visionária e apocalíptica angélica judaica e que foi bem acolhido por vários círculos ocultistas do séc. XIX, destacando-se Blavatsky, da qual é incluído em apêndice um texto do 5º vol. da Doutrina Secreta intitulado o Livro de Henoch - Origem e Fundamento do Cristianismo, na qual ela tenta, com várias citações de fontes, interpretá-lo simbolicamente e relativo aos períodos das raças da evolução humana e às iniciações. As visões apocalípticas de Enoch («E eu Henoch, eu só, vi o fim de todas as coisas, o fim que a ninguém foi dado ver como a mim») revelam no cap. XIX «1. Eis o nome dos anjos que velam:/ 2. Uriel, um dos santos anjos, que preside aos gritos e ao terror./ 3. Rafael, um dos santos anjos, que preside aos espíritos dos homens./ 4. Raguel, um dos santos anjos, que pune o Mundo e as luminárias./ 5. Miguel, um do santos anjos, que preside à virtude e comanda as nações./ 6. Sarakiel, um dos santos anjos, que preside aos filhos dos homens que pecam./ 7. Gabriel, um dos santos anjos, que superintende sobre Ikisat [a serpente], sobre o Paraíso e sobre os querubins.»  Certamente uma descrição das funções muito extravagante, mistagógica, tal como toda a obra é, atribuída ao fantasioso bisavô de Noé, o sétimo depois de Adão, e que está hoje datada entre 300 a. C. e as partes finais, o Livro das Parábolas, dos cap. 37 a 71,  já para para o final do séc. III d. C
 Apesar de ter influenciado as crenças do messianismo, usando pela primeira vez a expressão de Filho do Homem (para aquele que se assentará no trono para o julgamento final), da demonologia (fornecendo muitos nomes), dos 199 anjos caídos que tiveram relações com mulheres terrenas e deram origem aos nefetelins, os anjos caídos, o que foi traduzido também como gigantes ou tiranos, é uma imaginação de vários messiânicos fantasiosos crendo-se que as partes finais são provenientes dum judeu cristão tentando converter para o cristianismo e atemorizar. Os próprios arcanjos Mikael e Rafael no caps. LXV e LXVI, desta tradução portuguesa, se espantam com a ferocidade divina no julgamento dos anjos caídos e que «ameaça os que possuem a Terra» 
Livro médio-fraco, em termos da verdade acerca dos Anjos.
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HODSON, Geoffrey.
A FRATERNIDADE DE ANJOS E DE HOMENS. Tradução, prólogo e posfácio de Cinira Riedel de Figueiredo. S. Paulo, Editora Pensamento, sem data, [c. 1978]. In-8º 126 p.
Um dos primeiros livros sobre Anjos, publicado em 1927, por este autor inglês (1886-983) dotado de clarividência e que foi membro da Sociedade Teosófica e defensor do vegetarianismo e de um melhor relacionamento com os Espíritos da natureza e os Anjos. A sua obra The Kingdom of Gods, O Reino dos Deuses, 1952, acerca dos espíritos da Natureza e com belas ilustrações, permanece como uma obra chave. Após um bom prólogo histórico de Cinira, lemos no seu breve prefácio: «creio sinceramente que no passado houve uma estreita colaboração entre anjos e homens; que os anjos cooperaram com os humanos na criação de grandes civilizações; que estão além da visão do historiador, e que como a história se repete sempre, não está  longe a hora de se restabelecerem esta comunicação e cooperação». O livro proporciona várias linhas nesta direcção, apresentando sete secções especiais de Anjos mais apropriadas a serem trabalhadas com benefícios: os Anjos do Poder, os da Cura, os Guardiões do Lar, os Anjos Construtores das formas que incorporam ideias arquetípicas, os Anjos da Natureza, os da Música e os da Beleza e Arte. A criação de altares ou de locais onde as pessoas possam com regularidade invocá-los é recomendada. Desenvolve ainda as qualidades necessárias a avançarmos na senda da comunhão com os Anjos: simplicidade, pureza, paz, paciência, aspiração, visão, impessoalidade e unidade.
Livro bom.
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JAMES, Geoffrey. 
A MAGIA DOS ANJOS. A Antiga arte de invocar e comunicar com os seres angelicais. Lisboa, Livros de Vida, 2000. In-8º 206 p.  Obra com razoável qualidade, capítulos sobre os anjos em geral, a magia na antiguidade, na época medieval e no renascimento. Depois passa aos famosos magos Edward Kelly e John Dee e a sua vida e o seu silenciamento, e a continuidade na Golden Dawn, Yeats e Aleisteir Crowley.  Fornece as assinaturas, selos e alfabetos pretensamente ligados aos planetas e aos correspondentes Anjos (ou será antes elementais e larvas) por essas formas de magia cerimonial   evocáveis,  certamente algo ora mistagógico ora perigoso.
Livro médio.
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LAWRENCE, Richard & BENNET, Mark. 
DEUSES, GUIAS E ANJOS DA GUARDA. Lisboa, Editorial Estampa. 2007. In-8º 191 p.
A obra é escrita por médiuns e relata eventuais contactos, mas como de costume manifestam grande ignorância em vários aspectos que os seus guias poderiam ajudar a responder, um deles bem famoso Charles Bradlaugh, que esteve ligado com Annie Besant e que Fernando Pessoa leu algumas obras. Bradlaugh e o autor nutrem grande respeito pelo Dr. George King. Os resumos sobre religiões e esoterismo são muito pobres. Quanto aos anjos escreveram umas linhas aqui e acolá. 
Livro Fraco.
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MARRIOT, Sara. 
A ALEGRIA DE DESCOBRIR ANJOS DA GUARDA EM NOSSA VIDA.. S. Paulo, Editora Pensamento, 1999. In-8º 144 p.  
Escrito na década final do séc. XX o livro sofre um pouco das mistificações que então correram: «Esta década é um período em que milhões de almas e Anjos da Guarda estão nos impelindo a despertar para a maior oportunidade oferecida em centenas de anos: a de fazer um grande salto em nossa evolução e a do milagre em nossa cura interior. Na quarta e quinta dimensão, ou nos níveis vibratórios da nossa consciência, um salto quântico está sendo preparado com toda uma programação de atracções para captar a nossa atenção». O livro é basicamente uma compilação de relatos de pessoas que dizem ter sentido ou visto o anjo, com uma ou outra consideração da autora. 
Quanto ao numero de seres angélicos, o testemumho de Rodney Rommey é transcrito «uma contagem populacional de cerca de 4 milhões de Anjos no século XVI. Posteriormente, Martinho Lutero disse que esse numero se aproximava de 10 triliões», o que leva Rommey a interrogar onde estarão os Anjos dos 40 milhões de refugiados, e apelando portanto a que cada um de nós seja também um anjo da guarda no aperfeiçoamento do mundo», e nesta consideração ecológica e ética, escreveu bem.
Livro fraco.
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SIENA, Giovanni.
P. PADRE PIO E OS ANJOS. Porto, Editora Educação Nacional, 1959. In-8º de 222 p. 
Obra de boa fé católica romana, descrevendo os muitos casos de santos (e refere a presença protectora do Arcanjo Miguel «ao lado de S. António de Lisboa» quando este foi exprobar o mau comportamento do tirano Ezzelino) e santas (tal como Santa Gema Galgani) que tiveram ou deixaram testemunhos sobre revelações do Anjos, e narrando mais pormenorizadamente a relação tão familiar e clarividente do padre Pio com os Anjos, dele e das pessoas. Pelo menos esta parte final é actual e verdadeira; a inicial terá alguns exageros, próprios das hagiografias ou biografias santificadoras, mas mesmo assim está bastante  sóbria e com vários ensinamentos valiosos. Do padre Pio destaquemos ele pedir:«Invoca muitas vezes o teu Anjo da Guarda» e também: «Reza ao Anjo da Guarda, e manda-o ter comigo sempre que for preciso». O autor descreve vários casos  de aromas ou baforadas de flores sentidos por pessoas, bem como de ubiquidade do padre Pio, interrogando-se se os Anjos poderão de algum modo intervir em tal.
Livro Bom.
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SILVA, Severino Pedro da. 
OS ANJOS. Sua natureza e ofício. 8ª edição. Rio de Janeiro, casa Publicadora das Assembleias de Deus. 1997. In- 8º 159 p. 
Obra de um evangélico assente em inumeráveis citações bíblicas tentando criar sentido e ordem delas, identificando algo forçadamente certos Arcanjos a certas intervenções anónimas descritas, socorrendo-se de alguns evangelistas e escritores, mas vendo-se algo aflito em certos aspectos. Um exemplo: «Billy Graham, observa que a questão importante, porém, não é, "Quando foram criados os anjos", mas Quando caíram os anjos», apresentando algumas hipóteses todas elas bem frágeis senão mesmo divertidas. No fim narra em quatro páginas apenas cinco casos de intervenção angélica moderna, um dos quais o seu, com uma materialização de um anjo aos seus olhos, para proteger e guiar a sua mulher ferida, sem que contudo as outras pessoas se apercebessem. Vale mais pela exaustiva enumeração dos casos angélicos ou tidos como tal na Bíblia, do que na interpretação pois acaba por tomar muito à letra, ou ainda a valorizar e ter depois dificuldades de interpretação, as descrições frequentemente inventadas ou mistagógicas que encontramos na Bíblia e em especial no Apocalipse do pseudo-João.
Livro médio fraco. 
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SWEDENBORG, Emanuel. 
DO INFERNO DO CÉU E DOS ANJOS. Lisboa, Pergaminho, 1994. In-8º 101 p.
Um dos livros primeiros sobre os Anjos com bastante profundidade, originalidade mas também com muita imaginação visionária baseada em adaptações dos dados também frequentemente incorrectos da Bíblia. As descrições são bastante pormenorizadas e físicas, pois afirma no início: «os anjos são homens pelo que vivem da mesma forma que eles: têm roupa, casas e outras coisas semelhantes, contudo com uma diferença, tudo é mais perfeito, pois já alcançaram a perfeição». As roupas ou as casas são dádivas divinas conforme a inteligência e a bondade de cada um, e entre eles aproximam-se pelos estados de alma afins. Com têm boca, língua e ouvidos ouviu mesmo voz articulada nos anjos, embora o autor confesse que «não podia distinguir, se estava a falar com pessoas do nosso planeta ou com anjos do reino celestial», estando  a sua linguagem intimamente ligada ao estado afectivo, que é o do mais puro amor celestial para com Deus e o próximo. Também há uma escrita angélica e até obras impressas, embora o ser humano não possa compreender mais do que umas palavras. Pelo extractos vemos como o visionarismo de Swedenborg foi dos mais ousados em relação aos Anjos, ora pondo em causa os dados da Igreja ora aceitando-os e interpretando-os frequentemente melhor (a Ressurreição passa-se à hora da morte com cada ser) mas também pagando o preço limitador da época e a excessiva . 
Livro bom, mas certamente com muita imaginação visionária
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TAYLOR, Terry Lynn. 
ANJOS MENSAGEIROS DA LUZ. Guia para o crescimento espiritual. S. Paulo. Editora Pensamento, 1997. In-8º 240 p. Dividido em 5 artes: 1 º o que são os anjos ao de leve. 2º os anjos nas suas actividades para connosco, 3ª como os atrair e fazer com que focalizem a atenção em nós [ou deveríamos antes dizer, como focalizarmos a atenção neles?], 4º como ter uma vida mais angélica, isto é, incorporar o Eu superior no quotidiano. 5º «oferece um pot-porri de propaganda angélica que vale a pena mencionar». Com conselhos ou ideias curiosas mas também com muita superficialidade e até propagandice. Não transparece qualquer vivência pessoal com o Anjo, relata e defende mais o encontro com o anjo na forma de pessoas. 
Livro médio.
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WEBBER, Marilyn Carlson & Webber, William D. 
ANJOS. Quem são? Onde vivem? O que fazem? S. Paulo, Editora Vida, 1997. In-8º 192 p.
Os autores juntam relatos de pessoas às passagens da Bíblia, tidas todas como autoridade ou história verídica, e criam na parte final um resumo da doutrina que defendem com certa superficialidade e crença excessiva nos dados bíblicos, compreensível dado que o casal é de orientação Baptista, ele tendo-se formado em Teologia e ela é «conhecida nos USA como uma grande coleccionadora de história dos Anjos». Os Anjos só aparecem quando Deus ordena. De mais interessante o questionarem a veracidade da hierarquia do Pseudo-Dionísio Areopagita, o livro que institui a divisão que se tornará clássica (e não só, com o esoterismo e o new age...) em nove ordens, lembrando que os protestantes só admitem os Anjos e Arcanjos e alguns destes só um, Mikael. 
Livro médio-fraco.
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WEBSTER, Richard. 
COMUNICANDO COM O ARCANJO MIGUEL PARA ORIENTAÇÃO E PROTECÇÃO. Lisboa, Europa-América, 2006. In-8º 150 p. 
No primeiro capítulo cita várias das tradições e lendas quanto ao Arcanjo Miguel, pondo em causa ainda assim a das Testemunhas de Jeová de que Jesus e Miguel eram o mesmo ser. Nos capítulos seguintes dá as suas metodologias de aproximação e invocação dele, narrando como a de caminhar a pé conversando com ele é das melhores, no seu caso narrando dois casos pessoais, num deles «disse-lhe que estava grato por ele ter reaparecido, mas que não era necessário. Miguel respondeu-me que gostava de caminhar comigo e que era uma boa ocasião para uma conversa. Penso que nessa altura discutimos alguns tópicos cármicos com os quais estava a tentar lidar. Desde então tenho feito inúmeros e agradáveis passeios com Miguel e considero que caminhar com ele é uma das formas mais eficazes de meditação que conheço.» 
Nada humilde este autor, discutia aspectos cármicos com Miguel. A auto-sugestão em pleno funcionamento. Nesta linha temos tido muita gente nos últimos tempos desde Donald Walsch à Alexandra Solnado, falando com o Deus ou o Jesus das suas imaginações. Revela ainda que o azul é a cor do Arcanjo e que a magia das velas também é apropriada embora aqui já a correspondência seja com o Carneiro vermelho, ou no Leão com o dourado. O atributo da vela cinzenta é sabedoria, maturidade, senso comum. 
Livro médio-fraco.
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WOLF, Silver Raven. 
O PODER MÁGICO DOS ANJOS. O que a magia dos Anjos pode fazer por si. Mem Martins, Livros de Vida, Editores, Lda. In-8º 419 p.
Livro típico da magia angélica estilo nova Era, uma grande misturada toda ela baseada em pretensos nomes de anjos e correspondentes  signos, planetas, dias do ano, funções, etc. A autora ainda assim fez algum trabalho de referências histórias aos principais Arcanjos mas especula, adivinha e inventa com facilidade, tal como o Anjo da Guarda poder ser de qualquer nível da hierarquia angélica, ou que a NATO tem um Principado a protegê-la.  Considera que o Arcanjo Gabriel era feminino. 
A nota biográfica na contracapa apresenta-nos a autora: «pertence ao signo Virgem. Adora fazer listas e ordenar as coisas. É mãe de quatro crianças e presentemente está a trabalhar para obter o seu certificado de Hipnoterapia clínica. Silver conseguiu o sacerdócio na bruxaria e é chefe da tradição do Clã da Floresta Negra, que cobre seis estados norte-americanos». 
Livro Médio-fraco.

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