terça-feira, 30 de maio de 2017

O mais belo poema de Antero: Per amica silentia Lunae. Lido e comentado por Pedro Teixeira da Mota

                                               
Inegavelmente um dos mais belos poemas gerados por Antero de Quental é aquele que foi assinado no mosteiro da Batalha em 1861 sob o título latino Per silentia amica Lunae, uma frase que significa Pelo, ou no, ou sob o, silêncio amigo da Lua, e que vem da Eneida, de Virgílio, canto II, verso 250, quando a expedição de Eneias com os barcos parte de noite.  Antero leu a Eneida e gostou da frase e do seu contexto e passou-a a nós, talvez para provocar reminiscências ou sensibilidades maiores, como o poema desenvolverá.  Curiosamente, em 1918, outro poeta e pensador, próximo de Antero, William Butler Yeats, que andou bem fundo em diversas aproximações à espiritualidade, deu esta frase como título a um livro de poemas seu. 
Sincronias, diremos nós, e esta é uma palavra e ideia  chave para entramos mais dentro dos mistérios da Unidade ou do Campo unificado de Energia, Informação e Consciência que a todos nos interliga e pode inspirar, como de certo modo neste anel de referências e invocações estamos a realizar.
Deixou tal poema sua condição de perdido graças ao manuscrito cópia de Eduardo de Oliveira Barros Leite, e à diligência impressora e prefaciadora (Explicação Previa) de Teófilo Braga (certamente discutível, tal quando considera que estes «poemas de 1859 a 1863 eram da sua primeira fase artística, quando o seu ideal era ainda religioso, romântico e espiritualista», como se tais características alguma vez tivessem desaparecido, ou mais ainda no Escorso Biographico, quando é bastante mauzinho, ou invejoso maldoso, para com Antero...), sendo publicado no livro Raios de Extincta Luz, em 1892, póstumo pois Antero deixara o corpo terreno em 1891, e lêmo-lo então agora em 2017, num exemplar dessa edição (da qual não sabemos contudo a exacta fidedignidade, tal como na transcrição anotei para duas palavras), comentando-o, do que resultou o vídeo que pode ouvir em seguida....
Penso que por vezes terei conseguido dar a tonalidade e vibração certa ao que Antero sentiu e pensou, intuiu e quis. Há  em verdade muitas leituras de poemas (para não falar de conferências sobre esoterismos e espiritualidades) que quase que matam a espiritualidade ou a vibração anímica que o autor transmitiu ao poema ou no poema invocatório, pois uma leitura descrente, menosprezadora ou enfraquecida, provinda do facto de quem está a fazê-lo não tem as qualificações ou realizações interiores necessárias, tem que forçosamente diminuir, distorcer, enfraquecer a mensagem.
Podemos dizer ainda que o poema se insere numa tradição ou corrente de forças que ao longo dos séculos impulsionou ou inspirou muitos poetas a erguerem a sua alma aos mistérios e harmonias nocturnas e lunares e poderemos citar entre nós desde Soares dos Passos e Teixeira de Pascoaes a Fernando Pessoa e Herberto Hélder, cada um certamente de acordo com as suas sensibilidades e características, afinidades, aspirações e realizações.
Para além do vídeo, no qual está lido e comentado sucinta e inspiradamente no momento, após apenas uma primeira leitura, encontrará no fim a transcrição do poema que passa a estar disponível na Web, e  apenas realçarei agora algumas das suas linhas de força iniciais... 
Sabermos abrir de noite os seios da alma, ou a flor da alma às energias do céu. E dilatar e expandir a alma nas mil harmonias do Universo e comungar nas correntes ocultas de simpatias e afectos, de tal modo que vamos crescendo e tendo momentos de união com a Alma Divina no mundo.
Sabermos procurar interiormente o foco original do fogo do Amor e comungarmos com a harmonia das esferas, das estrelas, da Natureza, que tanto o manifestam. E nas aspirações e reminiscência que sintamos aspirarmos a ser mais, a ser uns com o Amor Universal...
Quando compreendemos que somos espíritos imortais e contemplamos o Infinito perdemos o medo da morte e a nossa alma eleva-se, expande-se, comunga no Amor Divino com todos os seres.
                       

                                        I
Eu amo a noite às horas sossegadas
Que o Senhor manda à terra, como balsamo
A tanta dor que a punge, e o sol do dia
Parece escarnecer com tanto brilho,
Nem sabe respeitar; quando o silêncio
Com manto protector envolve os tristes,
Os que choram saudades; quando o orvalho
Refresca o seio à flor, e em cada balsa
A viração perpassa suspirando;
Quando é mais puro o ar, mais doce a brisa,
Mais sumidos, mais vagos os rumores,
E detrás da montanha, saudosa
Como a virgem dos sonhos, surge a lua.
                                       II
Eu amo então a noite. — Paz e esperança
A quem sofre, buscando algum alivio;
Ao feliz exultando de alegrias
A lembrança de Deus a quem as deve;
A quem descreu de achar inda na terra
Ventura que lhe foge... o olvido ao menos;
A toda a crença um exultar de afectos;
A todo o desconforto, uma esperança;
A toda a natureza, amor e vida;
Eis o tesouro santo que nos abre
— A nós e ao mundo — a noite, eis seu tributo.

É doce então abrir os seios d'alma
Aos eflúvios do céu: flor que hão crestado
Ardências do sol, e ainda tímida
Palpitando entre o susto e a esperança,
Retoma agora aos poucos novo alento
Ao sentir-se segura, e abrindo o cálice
Estremece de amor a cada gota
Dos orvalhos do céu: como que a vida
Solta de tanto laço que a comprime,
Como gás que ao calor se há dilatado,
Se expande livre agora e cresce e absorve
Em si mil harmonias, mil poderes
Que esse universo tem: como as correntes
Ocultas, que os oceanos comunicam,
A natureza e o espírito permutam
Simpatias e forças, em que a alma
Mais cresce e mais compreende, e mais abrange,
E neste permutar de força e força
Quase na vida universal se funda. [Ou seria funde?].
                                     III
Passa a lua; do alto olhando a terra
Procura o triste por lhe dar alivio;
Perpassa a viração e busca do ermo
A florinha minada que refresque;
Corre manso o regato, e banha a erva
Que um pé calcou, e o sol deixou crestada;
Tremula a estrela, símbolo de esperanças,
Enviam-se harmonias as esferas;
Tudo amor, tudo afectos comunica;
E o espírito do homem busca livre
Da sob'rana harmonia a eterna fórmula,
Do eterno amor o foco, a pátria sua.

Lembranças de um viver já pressentido,
Ou memorias — talvez — de uma outra vida,
Que nos relembra vaga, e como em sonhos,
E sobre o fundo desta se destacam
Como pela penumbra um vulto incerto...
Aspirações, memorias, ou saudades,
O que nos enche o peito e nos enleva
Como um sonho de amor — e mais ainda —
Senão este mistério do futuro,
Esta atracção do [de] ser a vida nova,
Que se foge e se busca e nos revela
A vida universal, então sentida
Mais forte na harmonia do Universo?
                                         IV
Busca-se, anseia-se, e o alvejar da campa
Mais que o sorriso de uma amante é doce;
A lembrança da morte mais que a esp'rança
Do poder ou da gloria nos enleva;
Terrores, incertezas se dissipam,
E sem saudade, sem temor se anela
Mais mundo, mais espaço, e viver novo!
                                         V
E quem pode temer? Teme o que um dia
Sonhou na mente uma ambição terrena
E mais não vê por todo esse universo,
E além dele não vê sublime e grande:
O, que engolfado nos prazeres do mundo,
Esqueceu o seu Deus e seus destinos
Nem sonha mais ventura além da campa:
O que pungido por cruel espinho
De uma duvida atroz, sente a cada hora
Cair-lhe a uma e uma cada crença
De sobre alma, deixando-a erma e nua,
Como as húmidas pregas de um sudário,
Aos poucos desdobrado, deixam ver-se
Os descarnados membros do cadáver.
                     
                                     VI
Mas quem se assenta às horas do mistério,
Entre as flores do prado, ou sobre a encosta
Da colina virente e olhando a lua
Que banha em luz a esfera cristalina,
Inveja quem habita nesses mundos...
E fita o olhar por esse espaço, e cuida
Sondar-lhe o infinito; quem anela
Desvendar-lhe os mistérios e buscando
A região que se sonha e não se avista
Dá-la por pátria à sua alma... oh! esse
A viagem não teme, antes anseia,
Quebrada a forma deste ser, alar-se
Em busca de outra mais perfeita, e sempre
De degrau em degrau, de esfera em esfera,
— Metempsicose eterna! — sublimar-se
Na progressão deste ascender constante
Da parte ao todo, do mortal principio
Em busca de um futuro inatingível,
Porém melhor cada hora, e a cada passo.

E quem pode temê-la, essa viagem,
Quando fitando o olhar no alto, avista
Banhado em luz o espaço imenso e puro,
Patente e franca a estrada do Universo,
E como que visível o infinito?
Quando tudo no céu e pela terra
Parece, como irmão, dar-nos confiança
Em nós e em si para seguir avante?
Quando se sente palpitar no seio
Não só já a mesquinha vida própria
Mas todo o grande ser do que é criado?
Quando nas aras do Universo, o espírito
Comunga, como irmão, na mesma crença,
Com tudo quanto vive, e a mais aspira,
Ah! quem pode temer, noite de encanto,
Noite pura e sagrada ao Deus de afecto,
Protegido por tua luz amiga,
A aspiração dos imortais destinos.
Um pouco mais ao peregrinar constante,
A entrevista do infinito e do homem?
                                        VII
Por ti, noite de amor, por ti nos desce
Tanta ventura ao seio; e como o orvalho
Que o pó da terra ressequido e árido,
Que o vento impele, fixa sobre o solo
E como que consola e alivia,
Assim como teu eflúvio o triste espírito
Que incerto das paixões refoge à duvida,
Numa crença fixaste — a crença eterna
Do amor universal, todo harmonias,
Porque és afectos toda! Em cada balsa
Descanta um rouxinol; a cada rosa
Uma brisa osculou; em cada fonte [ou seria fronte?]
Brilha um raio da lua; em cada peito
Murmura um eco que de amor só fala!
                                                        Mosteiro da Batalha, 1861.

Saibamos, com Antero e os demais elos da Tradição Espiritual Portuguesa, ter mais em nós, ou sobre todo o nosso ser em acção, a alma e aura silenciosa e amiga da Lua, Dona Luna...

sábado, 27 de maio de 2017

Câmara Reis. Aspectos da Literatura Portuguesa. Antero de Quental.

                                                    
Luís da Câmara Reis (1885-1961), pedagogo, professor, jornalista e um dos fundadores da revista Seara Nova, em 26 de Outubro de 1926 pronunciava em Madrid, a propósito da Exposição do Livro Português que se realizava na Biblioteca Nacional de Madrid, uma conferência intitulada Aspectos da Literatura Portuguesa, publicada depois pela revista Seara Nova, na qual tece algumas apreciações valiosas sobre as qualidades de vários escritores e escritoras, das quais resolvemos transcrever algumas, com as motivações de preservar o conhecimento de tal obra e das suas subtis observações, e de partilhar para as páginas Antero de Quental, escritor, e Shinto em Portugal e no Mundo, no Facebook, pelo que é a imagem do vate açoriano, desenhada por Tagarro quem encabeça este breve artigo.
                                         
                 
Antero, entre o dia e a noite, a vida e a morte, lúcido!
                                      
                                  
                                         
Seleccionamos apenas algumas das numerosas observações e intuições que relacionam a palavra e o ambiente, a alma e a aspiração de alguns dos escritores e escritoras revisitados:
«Antero, o maior poeta português depois de Camões, romântico enamorado do Amor, da Liberdade e da Morte. (...)
«Nas tentativas dos últimos anos é justo citar a Contemporânea, revista a que o gosto excepcional de José Pacheco deu os mais surpreendentes encantos de beleza gráfica, e em que se afirmaram, entre outros, o talento doutrinário de Fernando Pessoa, o malogrado Mário de Sá Carneiro e o lápis e a verve humorística de Almada. (...)
«Virgínia Vitorino criou nos Namorados, o livro de cabeceira de todos namorados portugueses. (...)
Alberto Osório de Castro, gloriosamente saudado por Ruben Dario, buscou, como Wenceslau de Morais e Camilo Pessanha, no remoto Oriente, imagens e ritmos de peregrina beleza, sem que nos seus versos se desvanecesse a a linguagem, a luz e a cor da Beira natal. [Jaime] Cortesão celebrou em versos admiráveis, a Glória Humilde. E Cândido Guerreiro cantou o Algarve a mulher, erguendo-se por vezes à emoção filosófica dos Sonetos de Antero.
Na prosa, Wenceslau de Morais, émulo de Loti e de Lafcadio Hearn, evocou o Japão, as grandezas do seu passado, o exotismo da sua arte, a atraente feitiçaria das suas mussumés, em livros cuja perfeição de forma se irmana à mais requintada ternura. Teixeira Gomes e António Patrício, almas soberanamente d'annunzianas, recamam de sumptuosas galas a sonora linguagem que os quinhentistas revigoraram no banho lustral do latim clássico. Jaime Magalhães de Lima prossegue infatigavelmente na sua bela obra de moralização e evangelização tolstoiana.
«Leonardo Coimbra, orador magnífico mesmo nos seus livros, reveste duma fulgente espuma literária os mais áridos problemas de filosofia»
No fim da conferência, Câmara Reis analisou mais detidamente as obras de Raul Brandão («Escreveu a epopeia das misérias, da dor, dos vencidos, dos oprimidos, dos que morrem de fome ou por uma insaciada sede de ternura», Aquilino Ribeiro («estupendo paisagista» e Eugénio de Castro («Dormiram no seu leito espiritual, as mais célebres e mais belas mulheres do mundo. Não têm segredos para ele os corpos e as almas de Belkiss...»)
A conferência, ao ser editada no opúsculo da Seara Nova, termina com uma carta de Teixeira Gomes.
Segue-se o autógrafo de Luís da Câmara Reis:
                          
Luz e amor nas almas das nossas almas, nesta grande comunhão perene...

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Maria da Fátima Silva expõe no Museu Interactivo do Megalitismo, em Mora.


Portus Graal
Este menhir, enriquecido com deusas, quinas e rosáceas, ligado ainda à Mensagem de Fernando Pessoa, como a Fátima explicou num vídeo gravado pelo seu filho Simão, bem merecia estar num museu arqueológico ou mesmo tornar-se um ícone dos menhires em Portugal. 
Maria da Fátima Silva, da Ericeira marinha, expôs alguns dos seus quadros relacionados com o Megalitismo português e Atlantis, o Atlântico e a mítica Atlântida, em Mora, Alentejo, no Museu Interactivo do Megalitismo, inaugurando a 20 de Maio, pela tardinha quente e chilreada pelas andorinhas.
Pouca gente, não pelo jogo da bola, mas porque na vizinha Pavia havia um concurso gastronómico e a satisfação alimentar ainda está no topo da hierarquia dos prazeres de grande maioria dos portugueses. E se são doces, pior, ou melhor, ainda...
Como seja, estivemos presentes e depois de algumas fotografias e diálogos, já no fim gravámos um vídeo pequeno no qual a Fátima explica à Margarida Coelho, à Daniela Anselmo, à Linda e à pequena Beatriz, ao Nuno e ao Simão, os pormenores e a história de uma das suas composições, tão rica de dados antigos e actuais, imaginados e reais, numa simbiose bem viva.
                    O vídeo, a que se seguirão algumas imagens de outros quadros, é este:
            
                                                 *****

         Registo fotográfico da peregrinação a Mora e a Pavia, feita num dia...
Voar ou planar com as cegonhas, rumo ao Alentejo megalítico e pictórico, é mesmo bom... 
Nossas amiguinhas cegonhas, caseiras e voadoras, caçadoras e mães, serão sempre um dos melhores estímulos a viajarmos em Portugal... 
A estação de comboios de Mora bem transformada em museu e galeria... 
Quais armadilhas mágicas do Quaternário, ou antes apenas pesos e fios de teares e suas subtis e míticas tecedeiras, mouras encantadas... 
As lendárias placas votivas, quase todas no negro e dúctil xisto, com desenhos simbólicos ainda não decifrados plena ou consensualmente. Seriam adquiridas e oferecidas? Seriam como que lápides pequenas individualizadas? Seriam augúrios de boa ressurreição e ascensão? 
Nas placas votivas de xisto discernem-se faixas zizagueantes e de triângulos, e espaços negros não trabalhados ou inscritos. A forma é dinamicamente ascensional, como se o rectângulo da matéria se estreitasse e refinasse na cabeça e cimo que liga ao alto e ao céu. E sugerem simbólicas múmias, registos identitários individuais e ainda formas de oração aos deuses subtis e que, ao morrerem, levariam sobre o peito, como mais tarde se verificará nas lamelas de ouro dos iniciados órficos e pitagóricos: «Eu sou um filho da Terra e do Céu estrelado» 
Parece mesmo um casal de deidades pré-históricas, numa estilização entre o humano e a ave, com mãos-asas, sinal do pressentimento do divino ou do numinoso na Natureza e talvez da destinação astral dos que morriam ou ou deixavam o corpo e mundo terreno.. 
Reconstituição de um alentejano, já dado a primores votivos de mãos, no caso as tais misteriosas placas votivas de xisto, e de há cerca de 4 ou 3.000 anos... 
O corredor de acesso à anta e à exposição sob os triângulos ígneos ou púbicos megalíticos.. 
O Caminho faz-se avançando com firmeza, diz o Tomás. E, ao fim, o Torii shintoísta, presente nos esteios e na mesa da anta, abençoa os que se curvam aos numens, aos antepassados, aos Kami...
Sucessão de algumas pinturas do ciclo Atlantis, da Maria de Fátima Silva, sobre as quais ela escreveu um texto intitulado e que está disponível: 
«Há cerca de dois mil anos, Platão escreveu sobre um império insular fabuloso situado no extremo Ocidente. Deu-lhe o nome de Atlântida. Desde então filósofos e exploradores debateram a sua veracidade, suscitando muitas teorias, e assim a Atlântida, embora imortalizada por Platão, tem sido considerada por muitos apenas como uma lenda ou um mito.
Mas como segundo Fernando Pessoa, o “mytho é o nada que é tudo”, ele permite uma conjuntura infindável de especulações sobre as histórias perdidas nesse tempo sem tempo, tão ainda próximo dos ecos primordiais. 
De olhos vendados para com o tesouro que habita no nosso interior e que só nós conseguiremos desenterrar e também demasiado envolvidos no dia-a-dia esquecemo-nos de interiorizar, de pesquisar as nossas intrínsecas bibliotecas e memórias e assim alcançar mais conhecimento. A magia, e salvaguardando a etimologia da palavra de origem persa, não se deve perder mas sim revelar-se em nós numa dimensão subtil e espiritual, nomeadamente face às eternas questões que todos fazemos: De onde venho? Que maravilhas transporto? Para onde vou?
Possuidora de uma autonomia desconcertante, onde tudo é plausível, a Arte apresenta-se como essência libertadora das histórias e filosofias de vida e assim ATLANTIS parte numa demanda de cores, formas, códigos e mensagens ocultas, estabelecendo um paralelismo entre o mito da Atlântida, submersa nas profundezas do Atlântico, e as marcas impregnadas no património sagrado e espiritual português, em especial no seu riquíssimo megalitismo.
ATLANTIS conta cromaticamente histórias construídas e desconstruídas e intuídas junto ou no mar que já foi chão dos náufragos ou emigrantes atlantes e que terão alcançando as praias do ocidente da Península Ibérica. E com as suas memórias ancestrais e a partir das ruínas de uma civilização perdida, eles podem ter feito surgir uma nova civilização no Ocidente.
Com um universo iconográfico abrangente as pinturas são, na sua maioria, realizadas in loco, em locais com interesse arqueológico, com vestígios de épocas pré-históricas, com monumentos megalíticos, pintura rupestre, fósseis e locais de culto da Deusa-Mãe, da Lua e do Sol. Lugares sagrados de exímia beleza natural simplesmente ou então lugares onde as marcas do Homem, ora por chamamento, ora por encantamento, se erguerem com perenidade na sua comunhão com a Natureza e com o Cosmos. Lugares portadores de um espírito próprio que converge para quem os ausculta em criatividade e permite surgirem em imagens mágicas.
Em simultâneo com as viagens ou peregrinações aos referidos locais pré-históricos, houve um estudo e pesquisa dos temas destacados neste projecto.
Mensagens ousadas ou simplesmente sonhadas que, como artista, me conduzem a uma harmoniosa simbiose entre o mundo fantástico e o meu eu, como um ser integrante deste pequeno pedaço de terra repleto de Luz – Lux – referido por Estrabão, no mundo antigo como Ab coelestis patriae, de pátria ou origem celeste. 
Um gigante sobre um monte, tais como se encontram em Ribamar, Ericeira.
Cultos aquáticos, femininos e shamanicos: que a pureza da água nos limpe sempre. De notar a sereia inspiradora no lado esquerdo. 
Uma sacerdotisa, com uma placa votiva pendurada, e um menhir, com uma gravura rupestre de Foz-Côa.





Sobre as pinturas desta série Atlantis, escrevi um texto que transcrevo: Da memória das pedras à mítica Atlântida. Uma exposição de Maria de Fátima Silva :
A pintura de Maria de Fátima Silva é de um realismo verdadeiramente mágico, no sentido de que, ao ser vista ou mesmo contemplada, permite-nos entrar em dimensões subtis e insuspeitadas, vencendo as barreiras do tempo-espaço e fazendo-nos sentir, intuir e comungar energias e emoções, ideias e seres, ritmos e ritos que, realizados e vividos há séculos e séculos, ainda hoje nos tocam, nos movem, nos podem proporcionar expansões e aprofundamentos de sensibilidade e compaixão, de de conhecimento e de consciência...
ATLANTIS remete-nos para as épocas mais ancestrais da Humanidade, em que a unidade entre os elementos da Natureza, as pedras, as águas, os peixes, as aves, os animais, os humanos e a intuição das presenças invisiveis dos deuses ou da Deusa eram intimamente sentidas, vividas e celebradae, e de modos tais que, dada a falta de documentos explicativos de tais compreensões e acções, só os mais estudiosos, ou artistas ou sensíveis conseguirão tal imaginar ou tornar a focalizar.
A Atlântida é em verdade um dos icebergues que nos chegou da história antiga e perdida da Humanidade graças à referência de Platão no Timeu de ter ouvido aos sacerdotes egípcios menção do desaparecimento da sua última ilha no meio do Atlântico. Os mistérios da sua existência permanecem no séc. XXI, apesar dos estudos e livros tanto de historiadores e arqueólogos, como dos ocultistas ditos clarividentes dos finais do séc. XIX e começos do séc. XX: Helena Blavastky, Rudolf Steiner, Max Heindel e Edgar Cayace, quase todos eles algo devedores da obra Atlantis, The Antedeluvian World, de Ignatius Donnely, de 1882.
A Maria de Fátima oferece-nos uma estreita simbiose nesta série Atlantis entre o que poderia ter sido a Atlântida e o que sabemos terem sido os tempos pré-históricos, nomeadamente em Portugal, com os seus diversos cultos e estreita osmose do ser humano com as pedras e as águas, as aves, os animais, as estrelas, o Sol e a Lua e que a Fátima intui a partir da sua experiência concreta de ter visitado em Portugal muitas antas e tholos, falésias, rios e eco-sistemas, em especial os existentes na região da Ericeira em que ela e a sua família vivem,   ainda hoje cultivando a terra e com animais.
Entre nós, Dalila Pereira da Costa foi talvez a escritora que mais cultivou a chamada "memória do lugar" dando-nos, seja do Porto seja dos cultos da Antiguidade celebrados nas margens e santuários do rio Douro, descrições e ressurreições em que combina tanto os dados intuitivos ou de reminiscências como os históricos. A Maria de Fátima Silva fá-lo também com as suas pinturas, e não nos é difícil discernir, emergindo das pedras e águas omnipresentes, determinados ritos e celebrações, grandes deusas e deuses, prefigurações de Jesus e Maria, sacerdotisas e shamanes, espíritos da natureza e anjos, símbolos da fecundidade e da maternidade, dos nascimentos e mortes, das iniciações e purificações, dos sacrifícios e amores.
A sua pintura é na verdade bem invocadora pois é bastante poderosa na policromia, nas formas dos corpos, na expressividade dos pés, das mãos, dos seios, das faces, de cada ser, que estão sempre interconectados com um momento, um ambiente natural ou ritual, o todo, visível e invisível mas bem perceptível. É verdadeiramente uma pintura animista a que nos é apresentada, e corresponde bem ao estágio de então da Humanidade que via e sentia tanto a alma individual presente em tudo e todos como também a grande Anima Mundi, a Alma do Mundo, que a todos ligava, e portanto vivenciava com menos barreiras ou quebras de continuidade a consciência no mundo material e no subtil e espiritual. Algumas das suas pinturas fazem-nos então entrar num no man's land, numa percepção na qual não sabemos se estamos a ver com os olhos físicos ou se com o olho espiritual, podendo talvez então caracterizar-se como uma entrada numa terra lúcida, luminosa, a que alguns estudiosos das almas e obras místicas e clarividentes chamaram de imaginal.
Neste sentido são especialmente mágicas algumas pinturas (e cada observador sentirá as que mais ressoam animicamente), esbatendo subtil e mais fortemente as nossas certezas e limitações objectivantes redutoras e fazendo-nos pairar ou mesmo entrar por um umbral misterioso, rico e profundo, mítico e até divino, para o qual contribui todo o dinamismo sacralizante que as constantes metamorfoses, derivadas da interconectividade de todos os seres, apresentam e interrogam, sugerem e propulsionam.
Cada pintura pode-se então dizer que é realmente uma janela aberta para acontecimentos e dimensões tanto históricos como anímicos insuspeitadas e, para quem mais demoradamente as contemplar, para estados expandidos de consciência ou reconhecimento da Unidade, ou como se diz hoje, do Campo unificado de energia-informação-consciência, entre todos os seres e, logo ou portanto, intensificando o culto da Verdade, da Beleza, da Harmonia e Amor na Humanidade, na Terra e no Cosmos.

As serpentes da sabedoria descendo à Terra.

Um atlante sonhando sobre as falésias do Oceano

Uma criança Atlante revisitando os fósseis de ouriço, da época do Jurássico, em Cambelas.

O menhir Portus Graal....

A Maria de Fátima Silva explicando a pintura principal da Exposição, o que foi gravado pelo seu filho Simão e poderá encontrar brevemente no Youtube:

Já no regresso para Lisboa, um belo menhir, qual agulha de acupunctura da Terra e quem sabe verticalizando e subtilizando os excessivos rastos-nuvens dos aviões...

O cromeleque das Fontainhas, com um dos peregrinos no meio e comungando da ligação
do Céu com a Terra ali cultuada desde o Neolítico.

A Fátima comungando com a alma do menhir e as energias telúricas e celestiais. Que potencial de cura não terão estas pedras e locais?

O recinto sagrado das Fontainhas aberto a Oriente, num cruzamento de vias antigas... Termos de o deixar... Prometer voltar...

O céu azul imenso matinal foi sendo obscurecido pelos rastos químicos dos aviões, mas ainda assim a beleza solar triunfa...

O desdobramento em cores, próximas da do arco-íris, gerado pelos rastos dos aviões não tem a cristalinidade natural nem a associação tradicional a bruxas e mouras a pentearem-se...
                              
Valham-nos as cegonhas, que trarão a fecundidade mesmo que em cima da electricidade...

domingo, 21 de maio de 2017

Review of 55 Tarot Books. Bibliografia de Tarot. Best Tarot Books.

Review of 55 Tarot Books. Best Tarot Books... Open opera...
Bibliografia crítica de 55 livros de Tarot. Melhores livros de Tarot.
4* = very good; 3* = good; 2* = medium; 1* = weak; 0* = bad.

 1- HADÈS. MANUEL COMPLET D' INTERPRETATION DU TAROT. Paris, Niclaus, 1968. In-4º 143 pp. ***
A quite sober exposition of the Tarot taken from the Marseille version, specially from a psychological and spiritual approach, without occultism and kabbalah, even if the author was a leading astrologer, and so infusing in each card a bit of that knowledge at correspondences levels.
2 - KNIGHT, Garret. TAROT AND MAGIC. Images for Rituals and Pathworking. Vermont, Destiny Books, 1991. In-4º 187 pp. ***

The first 76 pages are the most interesting, as it draws an impartial or historical vision of the evolution of the representation of the 22 arcane in the most important sets of tarots: the original Italians, the old ones of Marseilles and then the three modern esoteric ones: Oswald Wirth, Arthur Ed. Waite and A. Crowley. The magical and imagetic part, although a bit tedious and most subjective, has some interesting notes on how some writers have made the Tarot became subject to some lines of tradition and initiation, either by the kind of drawings either by the speculations to be joined into the contemplation, sometimes in a pair or in a group of arcanes.
3 - DECKER, Ronald and DUMMET, Michael. A HISTORY OF THE OCCULT TAROT 1870-1970. Avon, Duckworth, 2002. In-4º 379 pp. ***

With an introduction of the main western sources of ocultism: egypcian, hermetic, jewish, it is mostly a history of the diferent groups and teachers who worked with the Tarot, specially the first the french occultist ones, than Brotherhood of Luxor, A. E. Waite, Golden Dawn and the Russians. A very good historical source.
4 - MARTEAU, Paul. LE TAROT DE MARSEILLE. Préface de Jean Paulhan, exposé de Eugene Caslant. Paris, Arts et Métiers Graphiques, 1949. In-4º 285 pp. ***
Good interpretations based in general numerical symbology and in a understanding of the colors, forms, positions and meanings of the figures and objects of Marseille arcanes, although sometimes the doctrines and ideas exposed don't seem so right, being also a bit dualist.
5 - KNIGHT, Gareth. THE TREASURE HOUSE OF IMAGES. An introduction to the magical Dynamics of the Tarot. London, Aquarian Press, 1986. In-4º 192 pp. **

A good comparison between the iconography aspects of each main traditional Tarot, although giving a bit to much influence or value to some hypothetical Jewish sources and Golden Dawn teachings.
6  - GRAY, Eden, THE TAROT REVEALED. A modern guide to reading the tarot cards. New York, Bell Publishing Comp, 1960. In-8º obl. 120 pp. **

Simple and direct, with fair relations of each arcane with the others major arcanes, but based only in the iconography or version of A. E. Waite.

7 - WAITE, A. E. THE PICTORIAL KEY TO THE TAROT. London, William Rider, 1911. In-8º 340 pp. ***

A classic book, making wit commentaries on the former and almost rivals occultist interpreters of Tarot, and giving short explanations of all the 78 trumps. With fine interpretations, as he was an intelectual mystic and occultist, although a bit complicated, mixing to much with  the tree of life of Cabbala or becoming to much dry sometimes. Valuable are the mottos  choose for some cards that are like mantras.
8 - LHOTE, Jean-Marie. COURT DE GEBELIN. LE TAROT, presenté et commenté par... Paris, Berg. 1983. In-4º 195 pp. *** 

A good presentation of this pioneer study of Tarot, by Lhote. Court Gebelin got the idea that the Tarot was mainly Egyptian and tried to groove it, but in fact we can only see in a few cards (and not of the primordial italians Tarots) some reflections of the Mediterranean wisdom and probably a bit through some old Egyptians sources.
9 - SIMON, Sylvie. LE TAROT PRATIQUE. Paris, Nathan, 1988. In-4º 122 pp. ***

Good interpretations in a plain and direct language, in a fluent discourse with wisdom, sometimes with some original views, other times a bit superficial, but not a accumulation of extracts from other books or traditions.

10 - LAURENCE, Theodor. HOW THE TAROT SPEAKS TO MODERN MAN. New York, Bell Publishing Company, 1972. In-4º 216 pp. ***

The author uses the Waite Tarot and explains in a plain way the 22 arcanes successively on the physical, psychological and spiritual levels, and gives much importance to the polarity and their balance and unity, using also may be to much of the stories and teachings of the Bible.
11- HUSON, Paul, THE DEVIL'S PICTURE BOOK. London, Abacus, 1972. In-8º 256 pp. **

Although full of good information from old religions  and how their Gods and tenets passed to the so called monotheistic religions and from them to the Tarot, it mixes them a bit with a certain biased view of Christianity and a certain credulity of many fake acts and merits, notably from magicians and drugs.
12 - MATHONIÈRE, Jean-Michel. L'ARCANE DES ARCANES DU TAROT. Essai sur la structure géometrique des Arcanes, Paris, Guy Tredaniel. 1985. In-4º 133 pp. ***

Many geometric drawings with the arcane numbers and positions, some good relations with Aritmosophy and Rabelais, the first to use the word Tarau in France. He endorses the view that Tarot comes from the arabian Turuq that means school and initiatic path. 
13 - PIMENTA, Alberto. A MAGIA QUE TIRA OS PECADOS DO MUNDO. Lisboa, Cotovia, 1995. In-4º 303 pp. ***
Mostly a erudite and poetic travel on the arcanes through mythology, philosophy and literature, although not mentioning any Tarot book. Many times misses the deeper or more esoteric or spiritual aspect or interpretation; still his constant reference to writers and teachings, makes the book interesting. There is not any regularity on the level attained for each arcane. For example, in some, like on VII and XXI he doesn't say almost anything related to arcane; in the XVII relies much on Andre Breton Arcane XVII. Good ones, for example, are the I, XIV and XV. 
The Painted Caravan..
14 - RAKÓCZI, Basil Ivan. THE PAINTED CARAVAN, a penetration into the secrets of the Tarot cards. Hague, L. J. C. Boucher, 1954. In-4º gr. 119 pp. ***

A quite interesting one, with a valuable perception of the history of the versions and of the expounders of Tarot (mentioning T. S. Eliot in the Waste Land), and pertinent psycological and initiatic views, and with original drawings in a naif style.
15 - KAPLAN, Stuart. TAROT CLASSIC. London, Robert Hale, 1974. In-4º 240 pp. **

An historical aproach to the evolution of the Tarot, and then a short and a bit superficial explanation of each arcane, sometimes inovative other times missing the point or going astraway. It gives in the end an anotated bibliography where are noted the rare or not so known books of Girolamo Bargagli, W. Gurney Benham. Leopoldo Cicoganara, R. Falconnier (1896), Muriel Bruce Hasbrouk (1941), R, Merlim, 1869. Samuel Weller Singer (1816), Rev. Ed. S. Taylor, A. E Thierens (1928), Mrs. John King Van Renselaer (1895).
16 - CHRISTIAN, Pierre. HISTOIRE DE LA MAGIE ET DU MONDE SURNATUREL. Paris, Éditions Artefact, 1986. In-4º 662 pp. ***

One of the first more abstract philosophical texts written on Tarot, it has some influences of the mystagoge Eliphas Levy that was his friend. It has only around 30 pages, who give for each card or arcane three levels of interpretation, divine, intelectual and physical, in aforisms, and then some lines on the description of the images as symbols of teachings, and ending with some lines in a kind of discourse how we should work or live with that.

17 - LASZLOË, Elisabeth. LES SECRETS DU TAROT. Paris, Editions Destins, 1952. In-4º 18 pp. **
A interesting book as Elisabeth mixes well Indian, Jewish, Christian and Rosicrucian traditions, symbols and hypotesis, surely not every time sounding well.
18 - DUMONT, Jean Paul. NOTRE DAME DES TAROTS. Paris, L'Herne, 1970. In-8º 74 pp. **
A poetic and philosophical dialogue about the Tarot and some aspects of the arcanes. Signed edition by the  author: "Chaleureusement Jean Paul, le Diable". Poetical and philosophical dialogue on Tarot and same of its meanings.

19 - POLLAK, Rachel. SETENTA E OITO GRAUS DA SABEDORIA. Um livro de Tarô. Parte I: Os Arcanos maiores. S. Paulo, Editora Nova Fronteira, 1991. In-8º 150 pp. **

Some interpretations of the cards a bit disputable, specially when she mixes, without perfect concordance or harmony, astrology, alchemy, mythology and religions,  still it is an interesting book, although mostly based on Kabala, Waite Rider version of Tarot and Paul Douglas interpretations.
20 - VILELA, Beatriz. TAROT HIPOCAMPO. Rio de Janeiro, Edições Hipocampo, 1990. In-8º 62 pp. **
One page for each arcane, mostly on psycological levels, generaly well but only one or two times with some originality, like arcane XII stressing  the abandonemnt to God, and in the XVIII the ilusions of apearances and emotions.
21 - MCcORMACK, Katheleen. DESCOBRIR O TAROT. Aprenda  descodificar os símbolos do Tarot e a interpretar as cartas. Lisboa, CentraLivros, 1999. In-4º máx. 144 pp. **

The most interesting part are the 22 pages dedicated to each arcane and a detailed observation of the most characteristic features and trying to explain their symbolism, sometimes well others no so much. It uses almost only the Marseille Tarot, although it has selected in each arcane also a reproduction of another Tarot's version and making a statement based on their symbolism, which in many times doesn't have so much harmony with Marseille, or even it is just the interpretation given by Kathellen McCormack, that usually is more based in graeco-roman tradition, what is rare in the other Tarot explainers. But at the beginning on the chapter The history of Tarot she admits some uncredible hypotesis of the origins, the one relating them to Knights Templars and then follows the usual treck of the occultists of the XIX century.
22 - DICTA et FRANÇOIS. MYTHES ET TAROTS. Le Voyage du Bateleur. Paris, Mercure de France, 1983. In-4º 206 pp. **

Relations of the 22 arcanes to 22 myths of antiquity, sometimes without so much accuracy but anyway interesting as a story of some of the old myths of Greek and Rome. 
Relacionando talvez algo arbitraria ou superficialmente os 22 arcanos com 22 mitos da Antiguidade, a obra vale pelas incursões na religiosidade e mitologias da Antiguidade e bem menos no que diz sobre o Tarot.
23 - GIRIÉ, Jacques. MIRIBEL, Amédée. LE TAROT SACRÉ. Manuel Initiatique. Marseille, Jeanne Lafite, 1984. In-4º 100 pp.**

Based mostly in Oswald Wirth's Tarot, the interpretations only a few times have some originality.
24 - GETTE, Bernard Spencer Le. THE RATIONAL TAROT. How to use it, Why it works. London, 1976. In-4º 143 pp. **

Good analysis of the detailed signs of each card, the interpretations are sober, but sometimes entering into fancy paths.

25 - LIND, Frank. COMO INTERPRETAR O TAROT. Uma Galeria de Poder e Sabedoria Oculta. Ediouro, 1982. In-4º 63 pp.** Although with much information valuable on old myths and religions, and quoting many different authors on the arcanes, he mixes them, sometimes, in each symbol of each card too much and without the correct understanding and handling.
26 - SIMON, Sylvie PICARD, Marcel. A LINGUAGEM SECRETA DO TAROT. S. Paulo, Ed. Pensamento, 1997. In-8º 175 pp. **

Very dynamic story of the making of the Tarot, mixing different teachings, from Astrology to the Bible and old Religions, but many times not sound or correct, and taking as literal or truth what is mostly guesses and folks.
27 - MEBES, G. O. OS ARCANOS MAIORES DO TARÔ. Seu simbolismo, suas iniciações e seus passos para a realização espiritual. S. Paulo, s/d. In-4º 390 pp. **
A deep book and teaching from a occultist and free-mason from the beginning of XX century in Russia. Much indebted to Numerology and Kabbalah, to much schematic, still with much occultist, health  and magic teachings.
28 - MELO, Thereza. O TAROT. A arte de adivinhar com cartas. Lisboa, 1979. In-8º 133 pp. **

A nice synthesis, specially from the possible sources of Greek and Indian traditions. Some originality in the process of making the correspondence between the arcane and the phases of inner process of individuation, in a Jungian line.
29 - WIRTH, Oswald. LE SYMBOLISME HERMÉTIQUE dans ses rapports avec l'Alchimie et la Franc-Maçonnerie. Paris, Dervy-Livres, 1969. In-4º 221 pp. **

Mostly a book on free masonry and alchemy, with some references to some arcanes. Wirth has written two books on Tarot considered good ones although sometimes with too much dependence on Kabbalah and Masonry traditions or folklore.
30 - QUESTION DE Nº 55 LES ARTS DIVINATOIRES. Paris, 1984. In-4º 125 pp. **

Article of Serge Bramly on Tarot, and 22 arcanes, with interesting but sometimes wrong interpretations with potential bad effects. For example, the Justice can have the Gnostic meaning that each good action will engender a correspondent bad action. And so some Gnostic of Alexandria went to the worst crimes in order to make someone better... Dangerous... Makes a quotation of Fernando Pessoa for the Foul.
Papus..
31 - PAPUS. LE TAROT DIVINATOIRE. Clef du tirage des cartes et des sorts. Avec la reconstitution complète des 78 lames du Tarot Egyptien et de la méthode d'interprétation. 4ª ed. Paris, Henri Durville, c.1920. In-4º 266 pp. **

Based on Eliphas Levy and Paul Christian, it reproduces the cards of Eliphas Levy and Etteila and some Indians ones of the avatars of Vishnu. Much concentrated or syntetised here, he will develop his knowledge on the Tarot of Bohemiens. Still many of his interpretation of the symbols are much personal and sometimes out of the most probable meanings.

32 - LHOTE, Jean Marie. SHAKESPEARE DANS LES TAROTS EU AUTRES LIEUX. Revue Bizarre, nº 43-44. Paris, Jean Jacques Pauvert, 1967. In-4ºgr. 100 pp. ***

Good work, very well acquainted with iconography and cultural history of Europe and aproaching Shakespeare "Midnight Summer Dream" and Tarot through the same sources: mythology and etnography.

33 - MAYANANDA, THE TAROT FOR TODAY. London, Zeus Press, 1963. In-4º 255 pp. **
The author takes much from French occultists, kabbalist tree of life and theosophical books, making to much quotations and relations and so, although erudite and sometimes deep, it is a bit confusing and depending in informations or statements impossible to prove. A book to much at mind level, without much love and spirit.
Bourgeat. 
34 - BOURGEAT, J.-G. LE TAROT. Aperçu historique. Signification des vingt-deux arcanes majeurs et... Ouvrage illustré par l'Auteur. 4ª ed. Paris, Chacornac, 1923. In-8º 128 pp. *

Mixing many sources, without much understanding and relevance, in the origins of the Tarot, also his interperations are a bit without  a personal or living relation with the cards, as he mostly gives sentences of others based in numbers and their teachings. 
35 - DUQUETTE, Lon Milo. TAROT OF CEREMONIAL MAGICK. A pictorial Syntesis of Three great Pillars of Magick (Astrology, Enochian Magick, Goetia). York, Samuel Weiser, 1995. In-4º 277 pp. *
Relying to much in Qaballa  Aleister Crowley and Ennoch alpabhet and genius, the book at Tarot level is very weak: just some correspondences for each Arcane, like hebrew letter and english equivalent, numerical value, meaning, colors, path of Sepher Yetzirah, Mercurial and Qliphothic Genii, and traditional image. In contrast with that image the author gives his own image, as he has formulated and presented to each his own version, giving for general divinatory meanings four levels of short interpretations: spiritual, heart, intellectual, material. A bit of confusion as he tries to hold all that correspondences. May be the best are the transcripton of two lines of Crowley's mnemonic for each arcane. 
36 - BASILIDE, T. LE SYMBOLISME DU TAROT. Paris, Chacornac, 1943. In-4º 53 pp. *
With to much confusion of different sources but mostly relying in Kabbalist and Jewish traditions, which he takes almost as sure and truthful and so giving very fantasists interpretations of the arcane.
37 - ENEL. TRILOGIE DE LA ROTA. Trois traités: Essai d'Astrologie Cabbalistique, Rota ou la Roue Celeste, Manuel de la Cabbale Pratique. Lyon, 1960. In-4º 347 pp. **

Mostly a book on Kabbalah in its different aspects, with much faith on them, and also with a view of magic action, namely through pentacles.  With some explanations of the arcanes of Tarot, received from others. 
38 - THYLBUS. LES CARTES ET LES TAROTS. Methodes des Maitres de la Cartomancie, Préface de Paul-C. Jagot. Paris, 1952. In-8º 222 pp.
In the preface, Jagot, a very known psychologist and occultist says: "Intuition, clairvoyance, lucidity, are mysterious faculties just touched by the modern psychology, where much used in Antiquity to provoke the manifestations, of different practices, called divinatory. Cartomancy is the simplest and most effective of this methods. It allows to everyone to obtain according to the receptivity, the perception of facts out of sensorial reach in time and space». But the book doesn't speak at all on the 22 Arcanes, although Jagot concludes in the preface that is «the most clear and complete treatise, according to the tradition of the Masters de l'Art».
39 - MOORNE, Dr. EL SUPREMO ARTE DE ECHAR LAS CARTAS. mexico, Editora e Distribuidora Mexicana, 1973. In-4º de 248 pp. 
Weak, with many wrong significations, and following a different type of cards than the tarot.
 Fraco, cheio de erradas significações, seguindo um tarot diferente.

40 - SAUER, Erika. O LIVRO DO TAROT. Lisboa, Editorial Presença, 1998. In-4º de 179 pp. *

Embora com algumas linhas dedicadas a cada um dos arcanos vistos mais de um ponto de vista psicológico, a obra está mais direccionada para dar exemplos de tiragens (demasiado complicadas) de cartas e como devem ser interpretadas. A book mostly on readings of the cards, with a few lines on each arcane.
41 - ARMADA, Silvia. O TAROT. Cartomância especial. O significado das lâminas maiores e arcanos menores. Tiragem de resposta imediata. Corroios, edição de autora, 2004. In-8º 50 pp. *
Bastante simples, dá explicações dos arcanos muito sumárias e destinadas a apenas a respostas aos problemas do quotidiano.
42 - DANYLIUK, Rita. TAROT. O que dizem as cartas. Lisboa, Editorial Presença, 1992. In-4º de 134 págs. *
A work with some originality in the explanations of the symbols contained in the 22 arcanes, although mostly very imaginative and not truthful, stressing to much the idea of reincarnation in many of them. Too much complicated the readings.
43 - PAPUS. LE LIVRE DE LA CHANCE, Horoscope individuel de la Chance. les secretes des Talismans. Comment faire revivre la Chance. Signes secrets de Chance. Paris, Diffusion Scientifique, 1987. In-8º de 120 pp. *
A bit melodramatic and superficial simplification of astrology and Tarot. Obra superficial de divulgação dos ditos segredos da astrologia, da adivinhação, da magia e da sorte, dando do Tarot apenas 22 desenhos pequenos e a sua classificação em signos de sorte maior, sorte menor e azar.
44 - BARTLETT, Sarah. THE TAROT BIBLE. The definitive guide to the cards and spreads. London, Bounty Books, 2009. In-8º de 400 pp. *
Mostly a interpretative book for counseling, it is a bit superficial, not at all erudite, still at the psychological level has some practical and down to down interpretations of the arcane, at the level of the normal reality or psychological level. And it is a beautiful book in colors, design and images. 
45 - GODO, Carlos. O TAROT DE MARSELHA. S. Paulo. Editora do Pensamento, 1997. In-8º 124 pp. *
Very simple interpretations, taking mostly the colors and designs as meaningfull symbols.
46 - BENAVIDES, Rudolph. THE PROPHETIC TAROT AND THE GREAT PYRAMID. Mexico, Editores Mexicanos Unidos, 1969. In-8º 378 pp. *
A very difficult task: to reconcile Pyramids of Egipto, Bible Mexican traditions and Apocalipsis with a bit of Tarot, and as numbers and nouns coming from Egypt. So we got many hazardous afirmations and prophecies and taking to much litteraly the Bible. The most interesting parts are some stories about dreams in Antiquity and in Mexico.
47 - PETIBON, Andrée. LE TAROT. Volume I. Origine mystique des arcanes et primauté des nombres. Vol. II La Cabbale fille ainée de la science des nombres. Vol. III L'Alchimie Mystique. la Tradition Solaire. Paris, Omnium Littéraire, 1968-1972. In-8º 3 vols. 114, 158, 94 pp. **
Defense of kabalistic and christian origin of the Tarot. In the chapter Clef des auteurs are mentioned as the best ones: Marteau, Rijnberk, Valentin Bresle, Wirth, Haven and Allendy. 

48 - CROWLEY, Alesteir. THE BOOK OF THOTH A short  essay on the Tarot of the Egyptians. New York, samuel Weiser, 1977. In-4º 287 pp. **
Although a bit unortodhox, or left handed teaching, without rules and obedience to the Divine, still is a good book as A. Crowley was inteligent and erudit and skilled in magician arts. But a bit mad in some of his extravagancies and use of drugs and sex, or in the prophecies he made. So it is a book to be read with attention and best if you are mature or you can dialogue with people about the teachings and pratices given there.
49 - SHARMAN-BURKE, Juliet. OS SEGREDOS DO TAROT. O seu destino na leitura das Cartas. Lisboa, Editorial Estampa, 1998.
In-folio small, 128 pp. **
It is a rich work, althought with many inacurate informations, as the author compares diferent tarots (may be not in the best way as considers them all at the same level), myths and religions, without a deep knowdlege of them being present. At same time she is a psychoterapist uniting her professional work with tarot counseling, using the 78 cards.  Still her spiritual vision and experience is not so much present, but more a capacity to read and to listen and then just give a sound and prudent advice, as we can see from some examples of readings...

50 - WANG, Robert. THE GOLDEN DAWN TAROT. 3th printing. New York, Samuel Weiser,1981. In-8º 158 pp. ** 
The author believes or claims that Golden Dawn Tarot «is the only published deck which includes all of the correct atributions of a secret oral tradition», and that is the result of MacGregor Mather's intensive research and his contacts with the secret oral tradition... He writes a interesting view of the Golden Dawn Tarot history, and then gives some of the writings on Tarot meanings and use given by members of Golden Dawn, with much of that concerned with the Minor trumps, and only 9 pages are The Tarot Trumps («glyphs of cosmic not human forces») by G.H. Soror, Q. L. The laying of the cards to divination used is to complex, as also the constant mentions to tree of life of kabala and their correspondences, a bit artificial, to planets, colors, angels, gods. A book a bit mystagogic.

51 - BENNETT, Sidney. THE TAROT FOR THE MILLIONS.  In-8º 157 pp. Los Angeles, Sherbourne Press, 1967. *
The author expresses his gratitude to Arthur Waite, Wenzel Brown and Basil Ivan Rakoczi, by their invaluable labour and mentions also the interest in Tarot of Einstein, Vincent Price, prof. Frank Baxter and Aldous Huxley. With stories and the meagre explanations meant to millions, some a bit odd: «Hanged man (...) This is also the card of the religious fanatic who, like the Budhist monks today, will burn themselves to death to prove a point». Nice, although a bit patriarcal, the comentaries (the longest and poetical ones) to the Highest Priestess: «She is the spirit of woman, the essence of all that is female. She is the woman every man sees when he is in love (...)»

52 - GERUSKIS-ESTES, Susan. THE BOOK OF TAROT. Illustrated with the Morgan-Greer Tarot. New York, Morgan & Morgan, 1981. In-8º 96 pp. **
Explains the symbols of this unusual Tarot with some explanations interesting ones even if not true, like for arcane I: «The golden band around the Magician's head is the Egypcian symbol of the divine spark in man, put forth by God», but in general sound ones like relating the V, the Hierophant, to the Mysteries of Demeter, at Eleusis, and the VII to the perfected personality. In the VIII Justice, the double edged sword which cuts through both sides of any situation so that it can be viewd more clearly. The sword symbolizes psychic decisiveness and the Law of the Universe. It represents the Word of God; that which is true and just». In the Temperance sees the cups of subsconscious and superconscious and the raising of the lower to the higher. And the folowing one, of the Devil, as showing we can in life choose the way of the angel or of the devil. 

53 - SMEDT, Evelyn de. BARDET, Vincent. BRAMLY, Serge. LA PRATIQUE DES ARTS DIVINATOIRES. Astrologie; Tarots; Chiromancie, Yi-King. Paris, Editions Robert Laffont, 1976. In-4º 287 pp. **
A combination of different aproaches with general sound psychological interpretations and a few insights. The best part are some analogies with alchemy, the worst some forced correspondences with the letters and meanings of hebrew alphabet and also with the identification of persons and gods. Well seen the woman of the arcane XVII, as naked and kneeling as symbols of humility, and the two jars are now similar, althoug it mystifies a bit considering her as gone beyond all ilusions and dualities.

54 - LIND, Frank. HOW TO UNDERSTAND THE TAROT. A gallery of occult power and wisdom. Wellingborough, The Aquarian Press, 1979. In-8º 96 pp. **
Altought mixing to much citations from others writers on Tarot, shares some good insights with others not so much historicaly correct. Considers that the Jugler, I, has a pentacle in his right hand and folowing Papus (what happens to much times, leading to errors, like the cupido on VI being the spirit of Justice) represents Osiris, and II the High Priestess, Isis. For the Empress quotes M. Esher Harding saying that represents Ishtar, and Tammuz was his son, the vegetation of the earth, or Urikittu, the Green One. But sees also in her the goddesses Acca Larentia, Demeter and Ceres. In the arcan V, the Pope sees, folowing H. T. Morley, the sceptre as the triple phalus of Osiris recovered. In the card X values to go beyond the ups and downs, controler of the Destiny, free from the Wheel.
Gives the name of Enchanteress to the arcane XI, Strenght, seeing roots in the spearing of the monster Apep, in Egypt, Thebes, temple of Amon Ra. Seeing some much discrepancies in the astrological affinities of this card, says rightly: «the futility of attempting to make the Tarot conform strictly to the Zodiac, still sugests to be Virgo subduing the fiery passions of Leo and bringing the 2 sides of his nature in perfect balance». About the Hanged man quotes and endorses Grillot de Givry: «the agreement between letters of the hebrew alphabet and the designs of the major Arcana  does not go far». In the arcane of the Star, considers the largest star to be the egyptian Sahu, the glorified body, the body of fire or star.
 
 55 - BERTI, Giordano & GONARD, Tiberio. - VISCONTI TAROTS. Torino, Lo Scarabeo, 2002. In-8º 159 pp. 
A good book, with a preliminary study on divination and the art (not science) of cartomancy, by T. Gonard, good as pointing to a self study and to an understanding of the ways of improving the pilgrimage of life, may a bit complicating with so many methods of taking, and so many cards, even if he believes that human beings can be easily inspired from higher levels of themselves. Then we have the explanations of the Visconti triomphi, indeed the oldest ones, in a quit sober and even erudite way, as Giordano Berti tries to relate the symbolic or alegorical representations to paintings, literature and religious dogmas and principles. But it is a bit to much against recognizing pagan influences and tries to reaffirm constantly the christian catholicity of all the arcanes, laughing even of the egypcian, occultist and kabalistic views of so many tarots and expounders.  Then we have another time a text of Tiberio Gonard, now interpretating the Minor Arcanes quite a bit in a very student or encyclopedical way, full of non sense affirmations, even if coming from S. Agustine  and others saints.
Any way a reasonable book on the primordial Tarot, made in Milan for the Visconti and Sforza, just as a religious and humanist game, for which we don't know so much today how they were played, as the divination aplication has come much later. So it seems a bit contradictory to have at the end, of each arcane's historical and symbolical explanations, some lines about the divinatory meanings, even for the case of the cards being reversed....
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                            Light, Love and Peace!