terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Dia dos Namorados, do Amor, da Alma-Gémea...

O Amor é o Espírito fluindo luminosamente no arco-íris do campo unificado de consciência e energia dos seres...

Neste dia dos Namorados, no fundo um dia mais consagrado ao Amor, que tanto falta, não entre as pessoas mas no mundo político e internacional,  talvez possamos reflectir um pouco sobre a mítica vivência  das alma-gémeas e como ela, sendo uma realidade ideal ou quem sabe mesmo primordial,  pode ser construída ou alcançada por duas pessoas e que qualquer namoro ou relação pode chegar a tal resultado, e que ela é mesmo o protótipo de qualquer namoro: atingir-se um tal estado de amor e complementaridade que daí nascem aprofundamentos da sensibilidade, do coração e de comunhões de unidade, donde brotam a vários níveis descobertas interiores maravilhosas e prole luminosa, por vezes mesmo ínclita e excelsa.
A Alma-gémea, apesar da sua celestial origem mítica, provinda em termos da literatura e da filosofia da Antiguidade, dada por Sócrates e Aristófanes, segundo Platão, com as limitações ou condicionalismos da época, no Banquete, é ainda hoje um desafio,  uma demanda, uma obra perfeita em aberto: encontrando-se com quem sentimos, pelo olhar intuitivo, pelo diálogo, pelo tacto e pela meditação, que as profundidades, faces e desejos das nossa almas podem ter muitos momentos de grande comunhão e afinidade e que há capacidade de sacrifício ou dádiva recíproca, e mais possibilidade de desabrochamento das nossas capacidades e missões eventuais, então damos as mãos e avançamos pela vida a fora e a dentro, a fim de actualizar e manifestar esse Amor potencial que quer tornar-se maior, imenso, fundo e iluminante, religando-se ao Divino, e assim frutificar e contribuir para história da evolução da Humanidade seja dando filhos e filhas, seja obras, contributos, descobertas, harmonizações e abnegações.
Que essa caminhada de corações e mãos aprofundados e dadas tenha a certo momento merecido das Religiões formas de perenização e santificação deve-nos fazer lembrar que um compromisso assumido perante Deus e o mundo espiritual reforça a verticalização e a cosmicização da demanda relacional e estimula-nos a trabalhar para que, nos momentos de desencontro, adversidade,  cansaço e dúvida, casados ou não pela religiões (já que a ligação sacralizante pode ser feito sem elas), tenhamos a virtude de não perdermos de vista a essência espiritual e psíquica própria, a recíproca e a que nos une (de base e gerada por tantos fios e osmoses), e que nos projectará certamente ainda para outros estados futuros mais gnósticos, felizes ou luminosos.


Podemos pensar que a tentativa de dois seres de se tornarem Almas-gémeas será o desiderato mais elevado dum namoro ou de casamento ou relação, pois se dois espíritos dotados de corpos anímicos e físicos com tanta diversidade conseguirem harmonizar em si e entre eles as suas forças anímicas convergentemente em muito, e se receberem apoios  seja de pais, mestres ou amigos, ou espíritos da natureza,  Anjos ou da própria Divindade, então gerarão visões interiores iluminantes e estados de Unidade maravilhosos que consubstanciam a noção de alma-gémea, sem dúvida um psicomorfismo (ideia-força-imagem-energia) muito valioso e que devemos equacionar sempre, pois por ele o nosso corpo espiritual é reassumido a dois e à Unidade Divina, tanto Feminina e Masculina como Infinita e supra-dualidade, é religado...
Talvez possamos ver e dizer ainda que algumas pessoas pensaram e viveram como se a sua Alma-gémea fosse a do pai ou a mãe, tal o amor e identidade que sentiam com eles. Outras, nos sábios e justos mestres ou mestras encontraram o estímulo ao amor e ao estado de unificação e, portanto, tiveram nesses mestres as suas almas- gémeas, ou por elas se foram preparando para alcançarem o Amor Divino. Mas a maior parte das pessoas procura é na carne da sua carne, no amor do seu coração, encontrar a contra-parte com quem possam construir um lar, dos lares, expressão de origem latina e que correspondia aos deuses ou espíritos dos antepassados e das casas, no tempo dos Romanos, preservadores dos laços de amor perenes.
Na imensa continuidade da história humana, os laços de família são significativos e por eles se transmitem desejos, capacidades, realizações e assim quando dois seres se encontram pela primeira vez são muitas as gerações de seres que se aproximam também, primeiro de longe, apenas por curiosidade mas depois podem verdadeiramente bordejar os ombros e as conversas, e quem sabe segredar as palavras ditadas em cartas ou em diálogos amorosos ou inspirar nos sonhos e meditações...
Não somos nem estamos sós....
O nosso espírito (ou o coração espiritual) constantemente tem o seu comprimento de onda, a sua modelação de frequência, na qual podem comungar ou participar os que estão nessa medida qualitativa da alma. Seja antepassados, guias, artistas, mestres e anjos ou ainda uma camada ou nível do Campo unificado ondulante de vibrações e informações...


Vivemos todos entretecidos num vasto campo unificado de consciência energia, com os sub-campos familiares, profissionais, de estudos, de religiões, de aspirações, de desejos, de utopias e portanto o namoro entre dois seres é bem mais vasto e frutífero do que se pensa. E, de igual modo, o abraço..
Quando abraçamos fazê-mo-lo não só fisicamente, mas também psiquicamente, no que estamos a sentir e a pensar e, logo, no corpo espiritual, de tal forma que há certos abraços que nos fazem abraçar a humanidade e o Cosmos de modos bem fortes e significativos.
Pouca gente tem consciência do que emana ou se expande, subtil ou invisivelmente, quando se abraça ou beija... Saibamos melhorar estes níveis e irradiar mais beneficamente para todo o Universo...
Já quanto à ideia, tão difícil de nos certificarmos, da existência da Alma-gémea desde o momento original, cósmico, antes da queda nos corpos, explanada por Platão e trabalhada depois por  outros filósofos e mestres, presente em várias tradições no mito ou memória do andrógino, teremos de nos socorrer de textos que falem de tal e ouvirmos relatos de seres que acharam que o seu amor era ou tinha adquirido essa qualidade, sem nos esquecermos mesmo que o próprio Cristianismo na sua simples apresentação matrimonial acaba por selar tal união na eternidade quando adverte "que o que Deus uniu não o separe o humano", união esta que tanto pode ser a que acontece na cerimónia matrimonial, como também a que brota da afinidade atractiva forte e recíproca que não deve ser desperdiçada e, finalmente, para um cristão gnóstico platonizante, ou um iniciado em tal mistério, a união que realiza finalmente a ânsia imemorial de reunião das almas-gémeas primordiais.
Embora tenhamos também de Jesus a resposta, acerca da questão com quem viveria uma mulher que tivera vários maridos, com outra pergunta: "se não sabiam que no mundo espiritual não há maridos e mulheres"? 
Talvez isto aponte que para Jesus o casamento não teria a indissolubilidade que adquiriu depois como sacramento pois seria mais a da afinidade de almas livres, quem sabe guiadas pelo Espírito Santo imprevisível, como gostava de o caracterizar o Agostinho da Silva. Um dinamismo que faz com que as pessoas não matem ou limitem o espírito pela letra do contrato, mas fazendo-as também estarem bem atentas à Voz da Consciência, tão enaltecida por Antero de Quental na suas imortais cartas aos amigos, para não se deixarem desviar do Caminho da Verdade e do Bem.

Assim a relação matrimonial de duas pessoas que se amam mas que nada sabem ou crêem de Almas-gémeas tem contudo esse potencial sempre latente, se elas sentem e aceitam que o compromisso é para frutificar, para gerar aprofundamento luminoso e revelador e plenificante e libertador.
A Alma-gémea existe então em cada um de nós tanto dentro como potencial, como fora de nós em algumas pessoas, ou numa só pessoa, que ao encontrarmos e conhecermos permitirá iniciar-se o processo adaptativo, transmutador e criativo, o Caminho para a a plena unificação, a Grande Obra alquímica, a redescoberta e fruição do Fogo do Amor Primordial.



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