terça-feira, 8 de novembro de 2016

Antero de Quental e Jaime de Magalhães Lima. Carta de 13/10/1886. Lida e...



Na arejada ou mesmo ventosa mas tão simpática Vila do Conde, em 13 de Outubro de 1886, Antero de Quental, imaginamos que sentado à sua secretária, mas também poderia ter sido de pé, escreve a Jaime de Magalhães Lima a agradecer-lhe a sua apreciação do novel livro Sonetos, tecendo algumas considerações auto-biográficas e futurantes que são valiosas para a Tradição Espiritual de Portugal em que participamos e temos o nosso ser, nomeadamente quando escreve: «Outros virão, cheios de uma vida fresca e ágil, receberão sem esforço o tesouro do novo Idealismo, tão dolorosamente desentranhado das profundezas da Razão, por nós outros, seus antecessores; e, ricos sem trabalho, poderão ser pródigos de cantos, fecundos como tudo que brote fácil e espontâneo...».


Em verdade, estamos pouco conscientes como os que caminham nas sendas evolutivas da Tradição Espiritual Portuguesa têm uma dívida de gratidão bem grande e profunda pelos antepassados e antecessores que desentranharam com dificuldades e lutas por vezes grandes o que para nós já é natural e evidente, seja no domínio social, psíquico, cultural, religioso e espiritual.
Pouquíssima gente tem percepção das finas camadas de ideias forças que compõem o ambiente anímico de Portugal e como nele se abrem, formam e crescem ou enfraquecem os psicomorfimos mais importantes e necessários...
Antero de Quental, tal como Jaime de Magalhães Lima, um vegetariano, pacifista, agricultor biológico, tolstoiano, foram seres muito empenhados em usarem o seu tempo terreno na busca e realização da Verdade (Magalhães Lima foi mesmo até à Isnaia Poliana, na Rússia, e dialogou com Tolstoi) e deixaram-nos múltiplos testemunho das suas realizações ou sinais das suas intuições e cabe a nós hoje avançarmos em sintonia com eles.                                 
Esta carta foi então lida e comentada em homenagem e sintonia com Antero e Jaime de Magalhães Lima e com a aspiração de clarificar melhor, para os portugueses ou os que compreendem a nossa língua e cultura, a Tradição Espiritual Portuguesa e o caminho espiritual presentes nestes dois nossos escritores, espíritos presentes subtilmente e dialogantes...

                   

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