quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ensinamentos das cartas de Antero de Quental, 1865. 1 e 2

     Centelhas da correspondência de Antero de Quental. De 1865:
                                      
Iniciamos uma publicação dos ensinamentos mais luminosos da vasta epistolografia de Antero de Quental. 
De uma carta enviada de Coimbra, em 1865, ao seu íntimo companheiro e amigo António de Azevedo Castelo Branco (1842-1916), advogado e político, e de quem nos chegaram muitas valiosas cartas: 

1 - «Meu amigo, tenho visto que a mais árdua das ciências, a mais difícil das artes, não é a metafísica nem a poesia - é a Moral. »

2 - «O cenobismo, e a contemplação, o misticismo, se quiseres, são na sua inércia aparente, os mais rijos obstáculos que a liberdade de espírito pode opor à brutalidade invasora das condições fatais do mundo; são a maior vitória da consciência, o maior triunfo, com esta arma invisível e silenciosa, - a indiferença, o desdém. - Todas as vezes que a alma humana sufocada pelo abraço bestial da natureza, se tem visto em perigo de morrer, não lhe tem valido nem a paixão nem a luta ruidosa e dramática, mas só desprezo, a abstinência, a contemplação. Esta é que é a base das religiões como das filosofias; e Cristo e Buda vão nisto (que é o essencial) de acordo com Sócrates e Epicteto».

Comentário nosso: Sabermos resistir ao abraço excessivo ou opressivo do mundo, mantendo a nossa moral ou ética de valores e aspirações e práticas espirituais realiza-se desenvolvendo tanto uma certa distanciação e desprendimento do mundo como também a ligação ou religão assídua ou incesante ao espírito e ao Divino, o que é facilitado pelo recolhimento e a oração,  a meditação e a contemplação, o trabalho e o caminhar consciente.

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