quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ensinamentos das cartas de Antero de Quental, 1865. 1 e 2

Centelhas da correspondência de Antero de Quental, 1865. 1 e 2.
Iniciamos uma publicação dos ensinamentos mais luminosos da vasta epistolografia de Antero de Quental. De Coimbra, em 1865, ao seu íntimo amigo António de Azevedo Castelo Branco:
1 - «Meu amigo, tenho visto que a mais árdua das ciências, a mais difícil das artes, não é a metafísica  nem a poesia - é a Moral. »
2 - «O cenobismo, e a contemplação, o misticismo, se quiseres, são na sua inércia aparente, os mais rijos obstáculos que a liberdade de espírito pode opor à brutalidade invasora das condições fatais do mundo; são a maior vitória da consciência, o maior triunfo, com esta arma invísível e silenciosa, - a indiferença, o desdém. - Todas as vezes que a alma humana sufocada pelo abraço bestial da natureza, se tem visto em perigo de morreer, não lhe tem valido nem a paixão nem a luta ruidosa e dramática, mas só desprezo, a abstinência, a contemplação. Esta é que é a base das religiões como das filosofias; e Cristo e Buda vão nisto (que é o essencial) de acordo com Sócrates e Epicteto».
Sabermos resistir ao abraço excessivo ou opressivo do mundo, mantendo a nossa moral ou ética de valores e aspirações, desenvolvendo uma certa distanciação ou despreendimento, é facilitado pelo recolhimento, o isolamente, a meditação, a contemplação, de quando em quando

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