terça-feira, 10 de novembro de 2015

Arcano X, a Roda da Fortuna, ou Portugal na Providência Divina

     Arcano X , a Roda da Vida ou da Fortuna, no Tarot, ou em cada de nós e em cada país, está alinhada com a Providência Divina, ou Destino, e o que se entende por Karma, e Dharma na tradição indiana.
   A personificação da Sorte ou da Fortuna, ou das alternâncias dela, teve ao longo dos séculos várias avatarizações seja na filosofia e literatura seja nas representações artísticas e iconologia e a ideia básica foi ora a periocidade ora o acaso dos acontecimentos na vida.
Os símbolos principais mais conhecidos ou utilizados foram o da mulher ou a deusa com os olhos tapados em equilíbrio instável sobre uma esfera e ao vento, indicando-nos que não podemos contar sempre com a boa sorte e que ela é instável. Ou que é preciso uma grande arte para fluirmos harmoniosamente ao longo de toda a peregrinação terrena...
                                   
Das imagens femininas da deusa Fortuna destacam-se os olhos tapados significando com isso um aspecto positivo, a imparcialidade, e não tanto a cegueira em relação aos méritos e deméritos da vida de uma pessoa. Mas certamente também essa venda pode significar um sinal da súbita envolvência dos seres individuais inocentes em karmas colectivos que parecem mesmo apontar para uma Providencia cega, uma Fortuna desafortunada a ceifar vidas em vez de ser a derramadora da cornucópia da prosperidade e felicidade a que todos os seres inatamente aspiram. 

                                  
Associada à ideia da Providência Divina, a Fortuna é perfeitamente aceite pelos filósofos religiosos (nos cristãos destaca-se pioneiramente Beócio) que vêm uma Ordem Divina no Universo e assim os cultos exteriores pagãos à deusa Fortuna acabam por ser ora exterioridades superficiais ora sinais de agradecimento ao bom funcionamento da Ordem do Universo e à roda da vida, estimulando-nos a trabalharmos e vivermos correctamente e a estarmos atentos a cada momento da vida para o tornarmos não só enquadrado correctamente com o ambiente e as energias em acção, mas até no chegarmos ao centro, o centro da roda e do nosso ser, que já não é tão afectado pela ciclicidade ou periocidade da vida, inevitável no seu ritmo de polaridades, estações, ciclos, dores e prazeres, dia e noite, juventude e velhice.
                                       
No Tarot, que aparece no séc. XV na zona da Itália, com aproveitamentos de ensinamentos do Egipto, Grécia, Médio Oriente e Oriente, e sintetizado pela primeira vez por quem nós não sabemos, encontramos na versão francesa de Marselha uma roda com seis braços e uma manivela, estando dois animais agarrados a ela, entre o cão, o lobo e o macaco, onde um sobe, agarrado por um nó que o apanha no pescoço e nas orelhas ponteagudas, com roupas azuis e vermelhas no tronco, enquanto o que desce fá-lo com uma saia apenas e com uma face bem mais humana, ambos com as caudas esticadas, o que parece um contra senso para quem desce. Esta cauda esticada pode significar que mesmo na descida as energias do céu ou dos planos subtis e espirituais nos podem apoiar ou nutrir.
É uma esfinge quem preside com uma espada na mão, embora com um manto alado avermelhado, onde deveriam estar as asas da esfinge, e uma coroa amarela das energias psíquicas em acção ou da coroa do desabrochar do chakra do cimo da cabeça na sua abertura ao mestre, ao Anjo e à Divindade. 
                                    
A Esfinge do conhecimento, da memória da justiça rege com esquadro e compasso o Universo e neste mosaico de Roma antiga vemos a roda da vida, da morte e do renascimento, e sobre ela a borboleta da psique, como que batendo as asas a partir da roda do Dharma e do Karma, a missão e a lei da causa do efeito, pois cada acto ou pensamento tanto nos sub-animaliza e coisifica, como espiritualiza e imortaliza, nos prende ou liberta....
                                                        
Os que sobem e os que descem, os arrogantes que são rebaixados e os humildes exaltados, a vida dos humanos com as suas loucuras e harmonias está então contida no grande corpo da Alma do Mundo, a Providência Divina, a Santa Sophia e devemos saber circular nela com a visão plena ou então recolhidos ao centro dela... 
                                   
A versão do Tarot de Arthur Edward Waite já inclui no quatros cantos das lâminas os quatro elementos, evangelistas e signos. Quem segura a espada é mesmo uma esfinge egípcia e quem circula na roda é o chacal Anubis e quem desce é a serpente Aapep. A roda já está no ar, mais cosmicizada que no medieval de Marselha, e nela há acrescentos novecentistas ocultistas de símbolos alquímicos, astrológicos e letras ocidentais e hebraicas, com o nome Taro, e o de Deus Ihvh apontando para o centro e fonte do Universo.
                                
A Roda da Vida e da Fortuna pode ser sentida ainda como o microcosmos que cada um de nós é perante sucessivas esferas e ambientes macrocósmicos e que devem ser vividos sob a sintonização e a inspiração das três Graças (mães, mestras e anjos), o aspecto fecundante e amoroso das três Parcas, e que fadam auspiciosamente cada ser na suas boas intenções e esforços.
Um bom novo ciclo para si, para Portugal e para tanto país do mundo tão necessitado de paz e de psiques luminosas e amorosas...

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