sábado, 17 de outubro de 2015

O imperador mogol Akbar: alguns aspectos do seu ser e vida. Allaho Akbar

      Embora a 17 de Outubro de 1605, com 63 anos, o ecuménico imperador mogol Akbar tenha desaparecido da Terra e regressado ao mundo espiritual donde proviera, podemos dizer que todavia ainda hoje está vivo ou invocável em muitos seres, permanecendo portanto potencialmente um inspirador e guia...
Filho do 2º imperador mogol Humayun e de Hamida Banu Begum, persa shia, passou a governar aos 13 anos, apoiado por Bhairam Khan, notável militar e shia também. Aprendera sobretudo a lutar e não a escrever nem ler, e assim gostava ora que lhe lessem livros, ora de dialogar. Dotado de uma memória prodigiosa, sagaz, afável e justo, foi o iniciador duma política de aproximação das religiões dos diversos povos do seu império, interessando-se mesmo pelo Cristianismo e fazendo vir para a sua corte e protegendo os padres enviados de Goa, a capital da Índia Portuguesa.
A Coroação celestial de Akbar. Folha do Shah Jahan Album, princípio do séc. XVII.
  Dotado de grande liberalidade e despreendimento mandara insculpir sobre o portal da cidade imperial de Fatehpur Sikri, onde fundara a Casa de Adoração (Ibadat-khana), a qual foi o cenário de longos debates, primeiro só entre islâmicos e depois com religiosos ou mestres das diversas tradições, a seguinte inscrição: «Jesus disse (a Paz esteja com Ele) o mundo é uma ponte. Portanto atravessa-a, mas não construas em cima dela».
Quando partiu numa expedição a Cabul, em 1581, e levando consigo o Padre jesuíta Monserrate, enviado pelos portugueses de Goa, pediu-lhe que lhe mostrasse num mapa Portugal e a Índia, e discutiram assuntos como o celibato do clero e a identidade do Espírito Santo, pela noite a fora. No regresso à então denominada Roma do Oriente, Goa, o P. Monserrate explicou que Akbar clamava pertencer à seita dos místicos do Islão, os sufis, e que o mais lhe importava era contemplar Deus e repetir (zikr) os seus nomes.
                                                
Em 1582, no seguimento do aprofundamento da sua intensa aspiração e procura da Verdade, Akbar deixa mesmo de seguir as prescrições e doutrinas da sharia, a religião Islâmica no seu aspecto exterior de lei e prescrições e, tendo em conta o melhor do Zoroastrismo, Jainismo, Sufismo islâmico e Hinduísmo, funda a Din Ilahi, a Visão ou Fé Divina, que poderemos considerar um embrião pioneiro da tomada de consciência e formulação da Religião Universal, a qual subjaz ou coroa todas as particulares.
Consciente dos vários níveis de consciência e evolução que estão vivos numa dada época e como a evolução espiritual é lenta, o seu grupo religioso terá como membros apenas uma centena de seus próximos e entre os seus ensinamentos um dito era muito apreciado pela sua abrangência e ecumenicidade: «A Divindade deve ser cultuada com todo o tipo de adoração».
O seu neto Dara Shikoh, o filho mais velho do imperador Shah Jahan (o construtor do Taj Mahal), continuará a sua visão e forças anímicas dando à luz algumas obras pioneiras de traduções, de religiões comparadas e da unidade delas, uma das quais as Upanishads, através do Persa e do Latim chegarão à Europa no final do séc. XVIII, sendo apreciadas por Hegel, Schopenhaeur e outros, como os primeiros textos filosóficos e espirituais indianos acessíveis aos investigadores ocidentais.
Com Asoka, Kabir, Dara Shikoh, Ramalinga Swami, Keshab Chandra Sen, Devendranath Tagore, Ramakrishna Paramahamsa, Paramahansa Yogananda, Gandhi, Bede Grifiths (que ainda conheci bem) e outros, Akbar foi das mais notáveis individualidades que procuraram a Divindade e a Verdade num diálogo e convivência ecuménica na Índia e que servem de exemplo para o Mundo inteiro...
                                    

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