terça-feira, 15 de setembro de 2015

Livro do Sossego Clarificante, 4



   O céu e o dia estão de uma limpidez e claridade imensa: a luz solar aquece o rio Tejo, que reflecte o céu azul, e nas margens bate de chofre no arvoredo que, pelos ramos para Oriente, origina  um verde amarelado irradiante de claridade, frescura e alegria à sua volta.




Barcos e rebocadores erguem-se altaneiros por entre a levíssima ondulação, decididos nos rumos dos seus trabalhos ou destinos do novo dia.


Um bando de patos bravos sulca o céu numa formação em V, rumo ao Oceano e ao poente, deixando no ar a sua mensagem de liberdade imensa...
Os glóbulos de prana ou vitalidade (que deveríamos contemplar mais...) saltitam à vista desarmada na atmosfera e não há rastos químicos (chemtrails) de aviões a jactono amplo horizonte. Um dia sem rastos, e em que podemos respirar a grandes hastos, é de se dar graças e sair-se para a rua e para a Natureza...
Na aurora, duas ou três andorinhas maiores saíram dos seus ninhos no prédio, num voo inesperado e lesto, como se mergulhassem no oceano e fossem nadar nele... 
Quantas ainda estão cá por Portugal, e por que motivos?
Estarão a aguardar a entrada do Outono, e os seus espíritos da Natureza ou devas especiais, para partir, porque estão mais clarividentes ou instintivas da entrada das estações e dos seus Arcanjos, ou são as mais descuidadas, ou mesmo as mais fortes, ou ainda as que já não tendo forças para a viajem de retorno à África quente se deixam ficar por alguns beirais de Portugal ameno?
Relembro-me porém que ainda há dois dias encontrei várias andorinhas a voltijarem alegremente nas cumeadas da serra do Gerez.
Mas também outras aves sulcam os ares diante da janela, os melros rápidos e dialogantes amorosos, as pombas bailarinas habilidosas nos seus voos planados e os canários-papagaios chilreantes, usufruindo os dias paradisíacos.
Estes dias e noites equinociais do fim de Verão e começo do Outono, com a alegria das suas colheitas perfumadas e da sua suavidade, são dos mais frescos, doces e equilibrados e deveríamos saber saboreá-los interiormente ora sentindo-os como um ambiente planetário acima de todos os conflitos que nos acaricia, ora sorvendo-os nas brisas de frutas frescas etéricas retemperantes de toda a alma. 
O equinócio do Outono, a 23 de Setembro pelas 8 da manhã, aproxima-se e celebrá-lo desde já numa aura clarificante e sossegante é bom, belo e verdadeiro...




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