sábado, 1 de agosto de 2015

Tarot I, o Mago. Imagens arquétipas, símbolos energéticos, iniciações conscienciais

Tarot, dia a dia...

Em cada mês podemos  sintonizar os sucessivos 22 dias iniciais  com os 22 arcanos maiores do livro de imagens arquétipas e sábias que é o Tarot, de origem italiana, do começo do Renascimento.

Nesta imagem primordial da génese do Tarot, a versão de Visconti-Sforza, o Mago surge como uma pessoa sentada à mesa com símbolos dos quatro ou cinco elementos, vestida com predominância de vermelho e com um chapéu de ondulações em espiral. Alguns aspectos iconográficos manter-se-ão sempre na evolução das versões do Tarot,  outros transformar-se-ão ou desaparecerão.  
Que ensinamentos e mensagens se procuraram transmitir? 
Era o Mago dos truques, era o Mago que cada ser em potencial é, diante da tábua ou mesa da manifestação e suas potencialidades, ou era já o Mago revelador do futuro, através das cartas, algo que não está historicamente assinalado senão bem mais tarde?


 
Nesta imagem da versão mais clássica, a de Marselha, o Mago ou a Maga, com a vontade activa e luminosa, une o Céu e a Terra, os mundos espirituais e divinos e os humanos e terrestres, e atrai do alto as bênçãos divinas, angélicas, dos mestres, dos antepassados, da natureza subtil e comunga com elas, infundindo-as na Terra, nos seres e coisas...
Acima do nosso cérebro e cabeça está a consciência espiritual de origem divina, simbolizada pela lemniscata da comunhão tanto com o Espírito Divino como com o Campo unificado de energia-informação infinito, sintonização que ocorre quando há coloração e tensão afim e logo contacto e harmonização das polaridades, níveis, hemisférios diferentes, o que se realiza mais na meditação, nos estados de amor e descontração e na acção bem consciente ou ardente.
Diante de  nós estão na mesa da vida as energias dos quatro ou cinco elementos para as conseguirmos trabalhar, desenvolver e partilhar criativa e harmoniosamente, com os desejos-aspirações adequados e a mais elevada vontade possível, harmonizadora, determinada e persistente.

                                           

Os símbolos dos elementos na mesa da manifestação mostram o cálice ou Graal do coração, a espada do discernimento, a vara da acção justa e a riqueza pentagonal, símbolos da capacidade harmonizadora e potencializadora do melhor dos quatro elementos em nós e nos outros.
A Natureza toda poderosa e fértil subjaz-nos e floresce pelas nossas aspirações e realizações. Sermos seres mágicos, criativos, trabalhadores, de modo determinado, hábil, optimista, norteados pelo Bem, o Amor e a Verdade...
Historicamente, o nome de Magos vem da Pérsia ou Irão, com a Tradição dos seus sábios e sacerdotes, provindo a palavra do grego Magoi, a qual foi como que canonizada no Evangelho de S. Mateus, com a referência sos três Magos do Oriente (o que levou  a admitir que seriam não só da Pérsia mas eventualmente da Índia) a virem abençoar (ou, segundo a narrativa evangélica, adorar) Jesus. E ao longo dos séculos podemos dizer que continua tal tradição ininterrupta de sábios, iniciados, gnósticos e magos e que se vai manisfestar no séc. XX, por exemplo,  entre nós, em Fernando Pessoa, um estudioso da magia, do ocultismo e até do Tarot, e que escreve a dado momento que «a conversação com o santo Anjo da Guarda é a mais alta obra de Magia», isto é, obra de ciência, de conhecimento interno, de saber operar no mundo subtil e espiritual.
O desafio é assim o de sermos magos, de interagirmos e irradiarmos luminosamente, pelos pensamentos, sentimentos e actos,  na Alma Mundi ou Campo unificado de energia-inteligência que nos liga a todos, fazendo desabrochar mais a ligação com os mestres e santo(a)s,  Anjos e a Divindade, e com as energias do Bem, da Verdade, da Justiça, da Beleza.






Contemplando estas imagens de versões mais modernas do arcano I, o Mago, somos estimulados a tornar-nos mais uma individualidade criativa e corajosa que mantém a sua abertura ao Campo unificado de consciência-energia-informação simbolizado pela lemniscata e que é também símbolo  do Espírito activo sábia e amorosamente, em nós...


 Terminemos com esta imagem de três dos tarots mais ricos de simbolismo tradicional, o de marselha, o de Alester Crwley e o de Arthur Edward Waite lembrando-nos ainda da importância da  magia da palavra ou Verbo que todos podemos exercer para o bem da humanidade e de nós próprios, pois como sabemos as palavras curam ou ou fazem mal e desde o tempo ou a lenda de Orpheu que tal magia está assinalada na história da humanidade, de que faz eco o Evangelho de S. João, o mais helenista e gnóstico: Ao princípio era a palavra e a palavra estava com a Inteligência Divina  e era a Inteligência divina. 
Saibamos pois ser cada um de nós um Mago ou uma Maga, ou seja, almas criativas, harmonizadores e unificadoras das energias e consciências para bem do mundo e da sociedade, os quais bem precisam que este arquétipo seja reactivado não egoísta ou ilusoriamente mas exercido e assumido luminosamente, de modo a sairmos da ignorância e do sofrimento, das rotinas e limitações, semi-adormecimentos e alienações, e assim aprofundando e expandindo  a Magia poderosa do Amor Divino.

Irradia a Luz, ama e sê a Luz Divina...

2 comentários:

Maf disse...

Obrigada Pedro.

Pedro Teixeira da Mota. disse...

Graças, Maf. Só agora consegui responder...