domingo, 2 de agosto de 2015

Tarot (II-Papisa ou Sacerdotiza), imagens arquétipas, símbolos energéticos, iniciações conscienciais


No começo de cada mês, como já dissémos,  podemos assumir os 22 dias iniciais como tentativas criativas de os inspirarmos e dinamizarmos pelos 22 arcanos deste livro de imagens arquétipas e sábias, que é o Tarot.


    A Papisa tem muitos sentidos e ensinamentos para nos transmitir. Nesta representação do Tarot, do séc. XV, o de Visconti-Sforza, e logo das primordiais, ela surje-nos como a mulher que se vela e sublima e ergue as suas energias até à mente e ao espírito e que tem o poder de transmitir benignamente o conhecimento profundo dos seres e das coisas ou, se quisermos da Alma do Mundo, Anima Mundi, interioridade energética consciencial de tudo...
   Na época, afirmar que poderia haver mulheres com o mesmo conhecimento, valor e poder de que o Papa era certamente muito ousado e só podia ter nascido tal da Itália e do Meditarrâneo, outrora mar e bacia de convivialidade e não como agora cemitério de fugas desesperadas à guerra e pobreza que os países mais industrializados do Norte, liderados pela USA, aliados aos magnates do petróleo e fanáticos de um Islão desumano, tentam impôr ao Sul e ao Médio Oriente, perante a complacência de uma Europa semi-perdida entre os grupos de pressão que dominam os seu líderes e sobretudo a União Europeia, tão longe da sua fundamentação humanista e erasmiana, ainda que o nome de Erasmus apadrinhe as viagens conviviais e de aprendizagem de milhões de estudantes.
   Que  todas as crianças, jovens e mulheres, de todos os povos e regiões possam desenvolver em liberdade e paz as suas melhores faculdades, tão necessárias à preservação da Natureza e da Humanidade, eis o que a Papissa nos apela e impulsiona hoje....



   A Sacerdotiza ou Papissa mostra-nos a Divindade expressa na Feminidade, no seu aspecto de ligação entre as energias e seres da terra e do céu e de detentora e transmissora do Livro da Sabedoria e do Tarot, no meio das colunas positiva e negativa, dia e noite, atracção e repulsão, sol e lua, direita e esquerda. 
   Poderemos dizer que este campo energético consciencial, que é cada carta ou lâmina do Tarot, impulsiona (sobretudo quando a contemplamos e sintonizamos) e apela à energia central interna, a shakti Kundalini em nós, à verticalidade e ligação com o Espírito e a estarmos centrados, ora mais no ventre ora mais no peito, ora na cabeça. 


    E a abrirmos a cabeça e os chakras (centros energéticos subtis) superiores ao alto (às frequências vibratórias mais luminosas), mantendo o plexo solar  e a respiração abdominal livres, como meios da fluidez circulatória ou vibratória que permitirá lermos e darmos a ler, do nosso ser ou ventre e suas profundidades ressoantes, o Livro dos Livros, a Gnose, o Logos ou Sabedoria-Amor substante ou seja, que está na base e interior de tudo...
   Também podemos acrescentar à sintonização vibratória o facto de que a Lua da imaginação e da sensibilidade harmonizada subjaz à actividade sacerdotal ou pontificial de fazer pontes e ajudá-las a atravessar, a qual guia e cura e como musa e mestra inspira, e como mãe e amada ensina e preserva...


    O respeito e veneração à Mulher, realizados pelo homem ou pela mulher, passa pelo reconhecimento que cada rapariga ou mulher é uma manifestação da Divindade no seu aspecto feminino, e o que se veio a chamar e a cultuar como a Grande Deusa, ou as Deusas dos vários povos e tempos, tem muito a ver com a correspondência do dito "o que está em cima é como está em baixo, para se fazer o milagre da Unidade."

Papisa, de um Tarot português, o da Mónica Morais
   Tal culto passa pelo reconhecimento e aceitação profunda do ser integral e pleno de potencialidades ou virtualidades, não só como criança, mulher, mãe, namorada ou amiga mas também como porta e seio de desvendação dos mistérios naturais, espirituais e divinos, já que a sua sensibilidade, fecundidade e intuição são capazes de abrir as janelas da geração e da percepção ou então de transmitir as energias de beleza, bondade e amor tão curativas e necessárias a todos...
   A mulher Sacerdotiza, ou a Papisa da Religião Natural, e que hoje poderemos chamar do Amor e do Todo, é aquela que ensina a ler, a conhecer e amar o livro vivo e maravilhoso da Natureza e seus segredos e intimidades, raizes e afinidades, seja às crianças,


 seja aos adultos, seja a si mesma, e ela é então a transmissora da Gnose, do Conhecimento, pelo seu sentir e olhar vindo da sua alma aprofundada o qual vai abrindo a visão e despertando a energia interna, a Shakti ou Força divina amorosa substancial, da qual  ela própria é a principal matriz, fonte e manifestação na terra...

                             
     A sacerdotiza ou a Papissa é pois a Grande Deusa, é Ísis, Anahit, Astarte, Maria,  Fátima, Amaterasu omikami,  Kuan Yin,  Tara,  Iemanjá, Bande, Vénus, Minerva,  Shakti Deva ou Shuda Shakti, todas elas diferentes manifestações da Divindade na sua face Feminina e que em nós  encontram seres receptivos e ressoantes a Ela, seres que dialogam na verdade com elas e que incarnam e manifestam algumas das suas energias, qualidades e consciência..

                           
         No dia 2 do mês, ou quando a qualquer altura meditar nela, esteja então mais aberto ou aberta à sacralidade Feminina, sinta-a à sua volta e com quem estiver, ame-a em si ou na amada, e aprofunde a imaginação e a sensibilidade subtil que desaguam na intuição e  afastam os véus que cobrem a beleza do Templo que cada um de nós tem dentro de si e é, ou que pode ainda sintonizar no mundo espiritual.

 Desperte mais a si mesma (o) e os outros, para estes níveis sagrados, ligue os quadrados da terra com os triângulos do céu e seja e irradie amor e sabedoria, justiça e felicidade, redonda e infinita ou perenemente no azul celestial...



  Da mulher sensível e aprofundante da Gnose, da Sacerdotiza da Natureza e do Amor, da Papisa ou criadora de pontes que ligam os seres, os povos, as religiões e os mundos harmoniosamente...

On the Goddess in the woman, the recognition and worship of the Divine and sacred Feminine on her and in his fair role in the societies...


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