segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Livro do Sossego Clarificante, 4. Do amadurecimento da alma, da memória e do amor.


Santa Cruz do Sul
É possível que com o decorrer do tempo subamos no interior da nossa sabedoria e alma e tenhamos acesso a níveis da verdade mais depurados e perfeitos, ou mesmo que o fogo do Amor Sabedoria bem acesso em nós queime o que não interessa e gere, atraia ou destile as melhores partículas e vibrações, imagens e ideias, sentimentos e palavras que transmitimos então, ainda que por nexos e ordens bem subtis...
Pode ser também que vamos adquirindo um olhar interno com mais discernimento e profundidade, que rapidamente determina o que é essencial, ou o mais adequado a cada momento, em termos de acções e de pensamentos ou ainda de imagens, palavras e sentimentos selecionados ou desencadeados.
O mistério do amadurecimento dos seres e das suas forças anímicas e expressões é grande, mas pouca atenção se presta às germinações e destilações interiores na matéria prima da nossa memória, ela própria um enigma quanto à sua localização e organização, neuronal e espiritual, e também quanto à sua melhor dinamização criativa, transformadora e dialogante.
Por cima de tudo isto paira o mistério da consciência e da memória que levaremos connosco quando deixarmos o corpo e o cérebro à hora da morte. E, a propósito,  lembro-me de que esta última noite tive um sonho bastante forte, com boa sensação do corpo espiritual, vendo-o deitado como se ele constituísse uma matriz dentro de um território, com múltiplos canais e linhas de ligação.
Também estivera nesse dia a ler passagens do meu último livro "Da Alma ao Espírito" e a dialogar com o Abel, um familiar que, com 94 anos bem experientes, conserva um discurso muito coerente e sábio, tendo mesmo alvitrado como a memória dos acontecimentos e impressões é dividida no seus aspectos essenciais e organizada interiormente por essas afinidades.
Assim toda a vida é o crescimento de assimilações e germinações interiores e uma abertura às harmonias que nos entrelaçam em insuspeitadas fraternidades e comunhões que a qualquer momento se podem desvelar em claridades, sincronias e epifânias maravilhosas.

Certas vezes sinto que o meu ser tem que estar sempre em amor, sempre a irradiar o fogo do Amor, da Unidade, da Luz, da Compreensão ou Logos e que não podemos ficar dependentes de nada nem ninguém para estar neste estado, e assim, no meio da cozinha ou da casa de banho, a escrever ou a andar, sou invadido por um estado e lembrança do Amor em si, para a Divindade ou para alguém, e envio-o ou comungo com tal pessoa viva ou que já partiu para os planos mais subtis da manifestação...
Sabemos pouco dos ritmos e impulsos do coração nos seus aspecto comungantes, seja com o coração primordial e Divino seja com os de outras individualidades ou centelhas luminosas, em invisíveis e subtis ligações...
Uma amnésia grande separa-nos Dele, e de tais centelhas e seus canais e falas, e sucessivos muros feitos dos barulhos e preocupações da nossa vida mundana acabam por nos separar deste Oceano de ondas e centelhas amorosas em que temos o nosso ser mais profundo e para o qual devemos despertar mais...
Sejamos pois mais o espírito divino em comunhão com a Natureza, os seres, tudo...


Epifanias

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