segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Pico della Mirandola.Biografia comemorativa da sua libertação da TTerra, em 1499



É em Novembro, hoje, 17, que se comemora merecidamente o fim da meteórica passagem terrena de Giovanni Pico della Mirandola (ou João Pico de Mirandula) pois, tendo nascido numa manhã de Fevereiro de 1463, no condado de Concórdia, entre Ferrara e Mântua, e morrido uns escassos 31 anos depois em 1494 em Florença, deixou contudo um tal rasto luminoso que ainda hoje quem entra em contacto com a sua obra,  vida e espírito não pode deixar de entusiasmar-se com o seu ardor e sabedoria, bem como amá-lo pelo Amor em que se consumiu...
Nomeado protonotário apostólico aos 10 anos, a pedido de sua mãe aprendeu Direito Canónico desde os 14 anos na Universidade de Bolonha mas depois, com a morte dela em 1478, resolveu estudar em Ferrara o que gostava Retórica e Poesia. Em 1480 está em Pádua não só recebendo o magistério aristotélico e averroísta do sábio Ermolau Barbaro, como o cabalístico de Elia del Medigo.

Em 1484, a convite de Marsilio Ficino e de Lorenzo de Médici, o governante de Florença, Pico chega a esta urbe, então um centro de grande vitalidade artística e com desígnios de renovadora universal, na base duma simbiose entre a investigação (arqueológica, científica), a filosofia (sobretudo a neo-platónica) e a arte, onde se destacam o Studio, onde Policiano brilhava com a sua sensibilidade e alegria, e a Academia Platónica, da vila de Careggi, idealizada pelos Médici e por Marsilio Ficino, e os artistas Botticeli, Verrochio, Ghirlandaio, Leonardo da Vinci, Lippi, Fancelli, Fillipino e Alberti.

Fresco pintado em 1488, com Pico ainda vivo, por Cosimo Roselli e ainda hoje contemplável na igreja de Sant'Ambrogio, Florença...

Escreve então duas cartas que o tornam famoso, uma comentando a poesia de Lourenço, o Magnífico, outra a Ermolau Bárbaro, acerca do equilíbrio entre a essência e a forma, entre as Belas Letras e a Filosofia, manifestando com clareza a correcção dos extremos mas valorizando ainda assim a substância acima da forma. Erasmo, anos mais tarde e na sua linha, ironizará os Ciceronianos (nomeadamente Longueil), os que levam um mês para escrever umas linhas...
Sempre na busca do conhecimento mais elevado parte para a Sorbonne, a Universidade de Paris, onde assiste ao fervilhar de ideias e intensas discussões que caracterizavam o funcionamento daquele grande centro cultural europeu. Em 1486 regressa a Itália e tem a sua aventura amorosa com uma bela dama casada, Margarida, que lhe pediu para a raptar. “Volúpia breve e exígua”, pois é alcançado no mesmo dia e, depois duma renhida batalha contra um número superior nas hostes adversárias, tem de a entregar.

Recolhe-se então em Perugia, aprofunda os estudos filosóficos, teológicos e até esotéricos  e inicia-se no Caldaico, com Mítriades, fazendo rápidos progressos devido à sua excepcional inteligência e capacidade de memorização. Com a sua exuberância juvenil, aliada à sua sede inexaurível de sabedoria, desembocava nas nascentes fabulosas da sageza antiga e o desejo de não só aprofundar e esclarecer essa Filosofia Perene, como o de estabelecer a concórdia entre todos os diferentes filões duma mesma Tradição, emergem poderosos na sua alma.
Nasce então, da sua alta visão interior e concepção do ser humano e do seu ardor optimista de elevação à verdade e à Divindade, uma das mais belas obras do Renascimento:  A Oração da Dignidade do Homem, uma apologia breve, em que a posição ímpar do ser humano no universo, capaz de união com o Pai ou de degradar-se ao nível animal, é transmitida com bastante intensidade e mística qualidade, apoiada nas diversas tradições e metodologias espirituais e certamente nas suas intuições. Começa assim:
“Li, Padres muito veneráveis, nos textos Árabes, que interrogado o sarraceno Abdallah [pensa-se que fosse um tradutor árabe de obras persas] sobre o que lhe parecia de admirar mais neste quase palco do mundo, respondeu que nada lhe parecia mais admirável do que o homem, sentença esta de acordo com o que exclamou Mercúrio: Magno, ò Asclépio, milagre é o homem.”

Comenta na mesma época, com grande entusiasmo e profundo conhecimento, uma Canção de Amor que o seu amigo Girolamo Benivieni compusera, resumindo a filosofia de amor de Platão e de Ficino, diferenciando-se em certos aspectos das posições do seu grande amigo e inspirador da famosa Academia Platónica florentina, Marsilio Ficino.

A obra de Girolamo Benivieni comentada por Pico...
 
Acerca do Amor celeste e divino escreve então:
“A beleza corporal exterior encoraja sobretudo a contemplar-se a da alma, donde nasce e provém a do corpo. Ora a beleza da alma é uma participação na beleza angélica que se eleva cada vez mais à medida que se atinge um grau mais sublime de contemplação, de tal modo que se chega à fonte primeira de toda a beleza, a Divindade...”

Dirá ainda nesse seu magistral trabalho: “já explicamos que o Amor Celeste é um apetite intelectual e como em toda a alma bem constituída, todos os os outros apetites devem ser governados por esse; ora este governo, como se se diz no Fedro [e na canção de Benivieni “Amor que nas suas mãos/segura alto o freio do meu coracão"], é representado pelo freio. Diz então que o seu coração é refreado ou jungido pelo Amor; noutras palavras, cada um dos seus desejos depende do Amor; onde ele diz “coração” entenda-se, conforme está nos Livros Sagrados, que se atribui as operações das potências cognitivas da alma à cabeça e as apetitivas ao coração.”

Nesta valiosa aproximação de Pico à harmonia das capacidades e níveis do ser humano, e ao desabrochar do Amor Celestial, anote-se o valor que ele dá à invocação do Amor ou chama amorosa inspiradora do poeta e de quem aspira ao Bem, a Deus ou à Verdade, e que quando ela se acende mais em nós, ou desce sobre nós, ao nosso ser, peito e coração espiritual, é para nos envolver, fazer arder e elevar-nos à Unidade e à Divindade.

Mas onde trabalha mais é num conjunto de 900 conclusões, ou teses, resumindo as principais doutrinas de todos os tempos, dos egípcios e gregos aos persas, hebreus, latinos e árabes, provando o seu valor intrínseco, concordância e catolicidade (ou universalidade).
Uma edição quinhentista das 900 Conclusões ou Teses

Traduzamos as seis primeiras das "dez conclusões segundo a prisca (ou vetusta) doutrina do egípcio Hermes Trismegisto":

1- Onde haja vida, aí está alma; onde haja a alma, aí está a mente.
2 - Tudo o que é movido é corporal, tudo o que move é incorporal.
3 - A alma no corpo, a mente na alma, o verbo na mente e o pai destes, Deus.
4 - Deus está cerca de tudo e por entre tudo; a mente cerca da alma, a alma cerca (ou à volta, em latim circa) do ar, o ar cerca da material.
5 - Nada há no mundo sem vida.
6 - Nada no universo é passível de morte ou de corrupção.  - Corolário: ubíqua é a vida, ubíqua é a providência, ubíqua a imortalidade.
7 - De seis modos Deus denuncia ao homem o futuro: por sonhos, portentos, aves [voo], as estranhas [examinadas], espírito e a Sibila.


Viajar ou comunicar sob as bênçãos ou inspirações de Pico...
Tencionava convidar (com as despesas pagas de viagem... ) quem quisesse vir discutir as Conclusões a Roma. A Cúria romana assustou-se e o papa Inocêncio VIII, depois de consultar uma comissão que considerou treze das teses heréticas e insuficientes as explicações de Pico, proibiu em Agosto de 1487 a obra de circular, devendo-se queimar as cópias já impressas e excomungando-se Pico della Mirandola. A desilusão deste foi grande e abandonou Roma. Uma Apologia, que escrevera em sua defesa, ainda suscitara mais a ira dos seus opositores e inimigos, e acaba por ser detido já em França. Preso no castelo de Vincennes, foi contudo libertado rapidamente graças à acção de Lourenço de Médici e de Clara Gonzaga e à adesão protectora do rei de França Carlos VIII.

Refugiado no ambiente liberal da Florença de Lorenzo de Médici, o Magnífico, Pico continua os seus estudos espirituais explicando simbolicamente os sete dias da Criação do Génesis, numa obra, o Heptaplus, que obtém grande sucesso. Numa carta da época descreve, possivelmente já a trabalhar na sua próxima obra, o seu dia a dia: «de manhã aplico-me assiduamente na concordância de Platão e Aristóteles, as horas da tarde são para os amigos, e a recreação do espírito através da leitura de obras literárias, e as horas da noite reparto-as entre o estudo dos textos sagrados e um breve sono».
Em 1491, depois de vender grande parte dos seus bens ao sobrinho João Francisco Pico (que escreverá uma piedosa biografia do tio, traduzida para inglês por Thomas More), viaja com Policiano e Critino visitando várias bibliotecas, então verdadeiros e plenos templos da Sabedoria e da Divindade. Em 1492 publica o De Ente et de Uno, no qual desenvolve a identidade entre o Ser e o Uno e como ambos estão na Divindade, dedicado ao seu grande amigo, o retórico e poeta, Angelo Policiano (que teve alguns alunos portugueses e autor de uma longa e entusiástica carta ao D. João II), que lhe responderá: «A posterioridade narrará um dia que houve um certo Policiano, o qual foi tão estimado que mereceu que o Pico, luz de todo o saber, falasse dele num belíssimo livro, que trata das coisas sublimes. Rendo-te pois, pela imortalidade, graças imortais».


Ficino, Pico e Poliziano
 Entretanto morre prematuramente Lorenzo, o Magnífico, e em Ferrara recebe a notícia da eleição do novo papa, Rodrigo Bórgia, um humanista e esteta, o que pressagia a sua absolvição. Ermolau Bárbaro, grande retórico e sábio, morre também e Pico sente-se mais isolado, aumentando a sua convivência com o austero reformador Savonarola, o qual se torna quase o mentor e líder de Florença, impulsionando Pico no ascetismo e pietismo cristão... 

É só em Agosto de 1493 que sai o breve de Alexandre VII absolvendo Pico o qual, feliz, e pouco se sabe do desgaste que a excomunhão lhe provocara, passa logo a escrito as suas últimas vontades, nomeando testamenteiros Policiano e Savonarola, e entrega-se a uma vida cada vez mais retirada do mundo. 
Resolve então, sob a inspiração ou inpulsão de Savonarola, que censurava e atacava fortemente tudo o que lhe parecesse paganismo, escrever um tratado contra a vaidade e a superstição dos astrólogos, as Disputationes adversus astrologiam divinatricem, os quais se gabavam de poder conhecer os destinos do ser humano, e põe  em causa na obra não as influências dos Astros mas a capacidade de com elas se determinar o curso dos acontecimentos das vidas humanas. Esta polémica chegará até Portugal, com a obra de Frei António Beja,  Contra os Juizos dos Astrologos, impressa por Germão Galhardo em 1525, em Lisboa, e que nos nossos dias José Vitorino de Pina Martins bem estudou e divulgou.
Uns meses depois, em 1494, uma febre prostrava-o no leito da morte, e será certamente numa ardência amorosa de aspiração à Divindade e ao Uno que atravessou a porta do umbral neste dia de 17 de Novembro...
Que muita luz e amor circulem entre nós e ele, agora e sempre, Amen...

A porta celestial, obra bela, actual, de Patrizia Giovanna Corttezi
O seu valor como pioneiro da Filosofia Perene e da unidade das Religiões e Tradições, bem como as suas aproximações ao Amor, Beleza, Liberdade e  Verdade serão valiosas perenemente...

Opera Omnia, Obra Completa, de Pico, numa edição veneziana de 1556
Para Pico, o Amor é a inclinação para o objecto do seu desejo, que é o Bem ou o Belo. A Beleza é a proporção justa, o brilho, a harmonia que resultam da combinação ou mistura de diferentes elementos. Por causa disto, diz-nos, o grande contemplativo Plotino pensava que a palavra Eros, Amor, derivava de orasis, que significa visão.

Dois tipos de visão se distinguem, a do mundo visível e a do mundo invisível ou inteligível, o qual abrange as ideias, os seres angélicos, a Divindade, e é visto pela inteligência ou visão espiritual. Há portanto dois amores para Pico, o engendrado pela Vénus ou Beleza terrestre, e o da Vénus Celestial, o desejo por parte da inteligência da Beleza ideal. Será da Divindade que o ser humano pode receber a perfeição da Beleza máxima.

Medalha de Pico, com as três Graças: Pulcritude, Amor e Volúpia
 Para Pico as Três Graças eram consideradas as servas do Amor e representavam a juventude, o esplendor e a alegria... Ou seja, a capacidade de permanência e duração duma coisa ou ser na sua integralidade. A iluminação da inteligência e a movimentação da vontade para alcançar essa beleza, e a resultante felicidade, ou alegria, ao ser atingida.

Três graus principais podemos ainda distinguir no amor humano: o amor da beleza exterior e corporal. Em seguida, o da imagem dessa pessoa ou coisa que amamos em nós sempre que a queremos pela imaginação e, finalmente, a visão da Luz divina, através do nosso amor universalizado, no coração, e que nos eleva, ora súbita ora gradualmente para a sua Origem ou Fonte Divina. 

Pico realçava assim que a grandeza do ser Humano estava no objecto do seu livre arbítrio ou desejo, que criativamente o pode degradar em formas inferiores brutas, ou o pode regenerar em formas superiores, divinas, nomeadamente até unus cum Deo spiritus factus, ser feito um espírito com Deus, como culmina a ascensão humana no início da Oração da Dignidade Humana…

Eis um brevíssimo resumo biográfico daquele que veio a ser chamado «a mais pura figura do humanismo cristão», e que, ao que consta, transparecia a beleza angélica, como podemos ver na relativamente abundante iconografia, nomeadamente, na famosa pintura de Cosimo Rosseli, na igreja de S. Ambrósio, em Florença, pintada ainda em vida de Pico, e numa pintura do século XVI (provavelmente inspirada num fresco em Veneza, hoje perdido, de Bellini ou de Carpaccio, seus contemporâneos), que foi estudada por um dos melhores conhecedores de Pico, o prof. José Vitorino de Pina Martins, encontrando-se hoje na posse da sua filha Eva Maria, em Portugal, onde aliás já desde o século XVI há sinais da influência de Pico, nomeadamente nas obras de Aires Barbosa, Frei António Beja, Garcia da Orta, Sebastião Toscano, Coelho Amaral, Frei Luís de Granada, etc.

José V. de Pina Martins com o retrato de Pico, deveras estudada na sua tese de doutoramento na Sorbonne, nas  vestes do doutoramento sorbónico, na sua  luminosa biblioteca... Muita luz e amor estejam na sua alma spiritual....


A pintura seiscentista de Pico della Mirandola, adquirida em Paris pelo prof. Pina Martins, devotamente contemplada por ele e os seus amigos, aqui eu...
De facto, entre os amigos de Pico della Mirandola, cabe destacar inegávelmente o investigador  e professor, e durante muitos anos Presidente da Academia das Ciências de Portugal, José Vitorino de Pina Martins, que foi um grande amante de Pico, Erasmo, Thomas More, Sá de Miranda, Camões, Pascal, Antero e com quem convivi bastante e que me confessou mais de uma vez a fortíssima impressão sentida (talvez de já ter  estado noutra vida em Florença....) quando entrou pela primeira vez na basílica principal de Santa Maria Maior, onde se encontram os restos mortais de Marsilio Ficino...


Marsilio Ficino, no seu busto na parede da Basílica Maior, em Florença
 O inglês Jesup, na sua obra The Lives of Picus and Pascal, 1723, Londres, impresso por W. Burton, explica-nos que Pico, na linha pitagórica e que ele tanto apreciava, “nunca estimou os ricos e os poderosos por o serem assim, mas as marcas de Honra, Piedade e Virtude sempre prenderam a sua afeição às pessoas em que apareciam”. E que costumava dizer «que a liberdade de acção e da mente devia ser estimada acima de todas as coisas, e que para a gozar, nunca residia muito tempo no mesmo lugar». E que “A mais pequena propensão para a devoção amorosa era preferível a tudo o que o homem pudesse conhecer”.                                  Ou ainda: “Nunca conheceremos a Divindade, nem as obras da sua criação, enquanto não A amarmos”
.

A Oração, [apologia ou discurso] da  Dignidade Humana é uma obra magnífica e nela encontramos várias descrições ascensionais do ser humano. Oiçamos  algumas para finalizar, com a promessa de acrescentarmos este texto ou de publicarmos uma antologia sua num outro artigo.....

"E se não ficar contente com a sorte de qualquer criatura, se recolher ao centro da sua unidade, feito um espírito com Deus, à sombra do Pai, que está acima de todas as coisas, a todas antecederá...


"Quem portanto não admirará o nossa camaleão? Ou de outro modo quem poderá admirar mais outrem? Asclépio ateniense não errou ao dizer que nos Mistérios, devido à sua natureza mutável e susceptível de se transformar, se designa este ser por Proteu. Daí as metamorfoses célebres dos hebreus e pitagóricos. Por um lado, a mais secreta teologia dos hebreus transforma tanto Henoch num santo anjo da Divindade, chamada Malak háshekinah, tanto outras personagens noutras divindades. E os pitagóricos, os celerados em brutos. E, se acreditarmos em Empedocles, em plantas..."

"Se vires um filósofo discernir todas as coisas segundo a correcta razão, venerai-o: é um ser celeste e não terreno; se virdes um contemplador puro, liberto da preocupação corporal, retirado no santuário do espírito, já não se trata dum animal terreno ou celestial, mas de uma divindade muito augusta circumvestida de carne.»


Em 1998, em homenagem aos 500 anos da viagem de Vasco da Gama e aos principais artífices da ligação do Oriente e do Ocidente, publiquei o:


nele inserindo esta notícia, entre outras efemérides do dia 17 de Novembro:
 "Em Florença, a bela, assistido pelo austero Savonarola, em 1494, Pico della Mirandola, o príncipe dos humanistas, abandona o corpo rumo aos planos elevados da Divindade. Na lápide da sua sepultura ressoa inscrito: «Aqui jaz Pico della Mirandola. O Tejo e o Ganges conhecem-no, e porventura os antípodas». O historiador das Décadas da Ásia, João de Barros terá talvez pensado nisto quando diz que os portugueses ultrapassaram tanto «as próprias fábulas da gentilidade grega e romana, que vêm a ser antípodas da própria pátria, e se Deus tivera criado outros mundos, já lá tiveram metido outros padrões de vitória; contendendo os perigos do mar, trabalhos de fome e de sede, dores de novas enfermidades, e finalmente com as malícias, traições e enganos dos homens, que é mais duro de sofrer». Embora tendo uma vida muito activa inicialmente e depois a sujeição alguns anos à tenebrosa excomunhão, a odisseia de Pico foi mais no mundo das ideias, das religiões e do espírito, tentando descobrir e provar a unidade do Aristóteles ocidental com o Platão oriental, e a Filosofia Perene que caldaicos e persas, gregos, árabes, judeus, cristãos e de outras religiões tinham e têm em comum."
          
Om, Lux, Amor, Pico della Mirandola 

5 comentários:

M. Augusta Araújo disse...

Magnífico texto! Parabéns!

MAA

Pedro Teixeira da Mota. disse...

Muitas graças, Maria Augusta.! E fez-me reler o texto e corrigir algumas gralhas... :)

Augustinus Platonicus disse...

Parabéns pelo excelente texto sobre este Cavaleiro do Neoplatonismo Puro e Original ( de Plotino e do Corpus Hermeticum) e da Doutrina Neoplatónica do Amor.

Lucia disse...

Parabéns pela resenha histórica. Ainda mais por envolver Florença, os Médicis, sábios perenes; e o formidável Pico culminando com o hermetismo para uma definição global, em poucas palavras ....tudo. Apenas uma ressalva, pela época o rei de França era Carlos Vlll.

Pedro Teixeira da Mota. disse...

Muitas graças, Lucia. E pedido de grande desculpa por este atraso grande de agradecimento pela sua simpatia e conhecimento, mas só hoje vi o comentário, e vou entou corrigir o texto. E fundei uma página no Facebook: Pico, Ficino, Erasmo, Góis e Pina Martins, onde poderá cooperar....