sábado, 1 de novembro de 2014

Inspirações na Palavra e no Ser...

Que bom é exercitar-nos ou aprendermos a descobrir, a ascultar e a trazer ao de cima os conteúdos e ritmos criativos que pulsam nas nossas profundezas ou que nos banham provindos do Cosmos e dos seus seres e níveis subtis e imensos...
Conseguirmos que as nossas ideias e palavras se tornem avatarizações, isto é, manifestações do Alto, no coração, na língua, na palavra, nos efeitos em nós e nos outros, é sem dúvida bem desejável e necessário...
Não nos apegarmos muito aos sucessos e prazeres manifestados, evidentes, sensíveis e comestíveis. Comungar mais do subtil, do silêncio e do imanifestado, calma e desprendidamente, como uma mão dada alongada mas calma, ou então um abraço profundo e eternizante....
São tantas as energias visíveis e invisíveis a caírem constantemente sobre as pessoas que é necessário uma grande atenção e inspiração para mantermos as janelas-chakricas desimpedidas, as portas da alma abertas, o cálice do coração em aspiração ou em derramamento de comunhão...
Há ainda tanto por descobrir, sentir e dizer...
Há tantos seres com potencialidades a morrerem ou a embranquecerem de sede que devemos tentar sempre ver o que podemos estimular e desenvolver, ou mesmo, em grupo conseguir unir e convergir por momentos em intenções que sejam luminosas e boas para todos, isto é, estimulantes das suas melhores aspirações e afinidades...
A fragilidade do que é subtil é uma regra terrena, pois a densificação dos corpos não permite tanto a sobrevivência do mais subtil. E isto tanto nas pessoas como no relacionamento entre elas, tantas vezes quebrado ou enfraquecido pelo exterior. 
Conseguirmos que o subtil, interno nosso ou o de um relacionamento, sobreviva à massificação, implica cultivarmos a sensibilidade ao belo ou ao sofrido, mantermos a alma ligada aos planos psíquicos e espirituais, mesmo na inter-relação dispersiva e e mecânica moderna, num estado de alma quase heróico, para o qual temos de multiplicar a intensificação criativa ou compassiva dos nossos centros anímicos e intencionalidades...
Musa é o nome mágico dado não só à amada, à inspiradora, às antigas ninfas e depois deusas, mas sobretudo aquela subtil inspiração, quente entusiasmo, claridade criativa que todos nós desejamos cultivar, amar e comungar, e que é uma face ou manifestação da Alma-Gémea ou do Eterno Feminino Divino , e que pela palavra, a escrita e a meditação e a acção e inter-relação justa, é invocada, merecida e desfrutada...
Vivemos entre florestas de emanações e desejos naturais, ou de arranha-céus e medos burocráticos e sociais, que nos envolvem e impregnam, como odores não seleccionados de restaurantes que penetram no olfacto e tingem de desejo a pele sensível e carente da quotidiana personalidade que caminha sempre em demanda do ser ou estado amado, e que deve manter a sua bússola apontada ao norte da verdade, do ser amado, da musa, criatividade e Divindade...
Ichi go, ichi e dizem os Japoneses daquele momento único no qual a essência divina e bela de uma situação ou de um ser se desvenda e floresce, por entre a transitoriedade efémera da vida...
Assim tu também aprende a viveres o mais desperta e intensamente possível qualquer encontro, para que ele possa ser verdadeiramente comunicativo e impulsionador, e para que o Universo não seja frustrado pela tua falta de entusiasmo e aspiração ao Divino e à Unidade.
Assim aprende a atravessar a ponte que une duas margens do rio que corre entre ti e o outro, entre tu e o mundo espiritual, e vive o presente na intensidade unitiva que torna o passado o degrau certo para o presente e para o eterno...
Na fragilidade da vida humana e na perenidade do ser espiritual encontramos dois pólos da vida humana. Feliz daquele que os sabe unir e comungar harmoniosamente com os outros seres, e no Ser...

Lisboa, 1-11-2014. 19:39. Revisto, 17/2/2015 e 21-7-2017..

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