segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Bô Yin Râ, breve homenagem nos seus 138 anos de nascimento...



                          Homenagem ao mestre Bô Yin Rô, no seu dia de aniversário, 25/11.




  

Bô Yin Râ, aliás Joseph Anton Schneiderfranken, nasceu na Baviera em 25 de Novembro de 1876, numa família de agricultores e artesões e, depois de ter trabalhado manualmente, conseguiu inscrever-se e estudar alguns semestres sucessivos no Instituto de Artes Esataduais em Frankfurt, tendo ainda sido apoiado por notáveis pintores, tal como Hans Thoma e Max Klinger, formando-se finalmente. Estudou pintura ainda Viena, Berlim e em Paris. A sua 1ª exposição é de gravuras em 1906 em Leipzig e de 1909 a 1912 vive e pinta em Munique.
 
 
Em 1912 e 1913 está na Grécia e é lá que recebe o contacto com um mestre oriental que o inicia com o nome de Bô Yin Râ, começando então a publicar as suas obras espirituais. Regressa a Munique onde vive até ao começo da I Guerra Mundial sendo então colocado na Silésia, onde foi intérprete e viverá na terra de Jakob Boehme até 1923, retirando-se depois para Horgen, junto ao lago de Zurique e depois para Svizzera, na margem do lago Lugano, na Suíça, onde residiu, com a sua família, duas filhas, até abandonar a cena terrestre em 14 de Fevereiro de 1943.
 
Foi pois na Grécia que se encontrou com o mestre oriental que o iniciou espiritualmente (que aliás já o visitara em criança), e é só após este acontecimento e vivência que as suas pinturas passam a revelar extraordinária profundidade de visão e que a sua experiência espiritual começa a ser transmitida em livros, surgindo o primeiro em 1919 e o trigésimo segundo em 1939, havendo ainda oito sobre arte e cultura...
 
 
O ensinamento de Bô Yin Râ é inegavelmente de primeira qualidade, a mesma que sentimos nos grandes Mestres da humanidade, que ele próprio afirma serem seus irmãos na mesma Fraternidade de Radiantes da Arqui-Luz e que considera essencias no caminho espiritual de todos os seres humanos, enquanto pontes e pontífices para o mundo espiritual e divino.
 
 
 
A certeza que as obras e pinturas transmitem, a claridade que trazem, a harmonia poética e mágica com que as palavras ressoam, as impulsões que lançam, tudo contribui para considerarmos a sua obra como das mais valiosas sobre os mistérios da vida, e confesso que encontrei nela das melhores descrição do caminho espiritual e da ligação a Deus, certamente difícil de ser realizada, mas verdadeira e prática...


 A sua extensa obra de 32 livros de profundos ensinamentos sobre a Realidade última e os caminhos para lá se chegar, assenta no que ele nos diz no seu folheto “Sobre os meus Escritos”: «Eu comunico o meu conhecimento experimental das raízes do homem terrestre numa esfera de forças “espirituais” substanciais, que é inacessível aos sentidos físicos, sendo contudo alcançável duma maneira “sensível”, esfera na qual a consciência individual do homem pode já despertar nesta vida corporal terrestre, mas na qual ela despertará inevitavelmente logo que a sua existência terrena termine.
Comunico o meu conhecimento experimental da hierarquia de ajudas espirituais individuais, que parte do Arqui-centro mesmo da esfera das forças espirituais, que desce até à humanidade deste planeta e que se manifesta por certos homens preparados para esta missão já antes do seu nascimento terrestre.
Comunico o meu conhecimento experimental relativo à possibilidade de entrar em ligação espiritual com esta hierarquia, e mostro o caminho a seguir para se chegar aí.
Comunico finalmente de que maneira adquiri a experiência que me era acessível e porque é que eu devia chegar a ela»....

Numa época em que são tantos os cegos guias de cegos, ou os fiéis estagnados nas suas religiões, e em que é tão grande o carnaval ocultista, a manipulação das seitas, a imaginação das canalizações, as superficialidades nas auto-ajudas, este verdadeiro ensinamento certamente será muito útil, ajudando as pessoas tanto a aprofundarem as suas religiões como a discernirem melhor o caminho real que as conduz à sua realização própria e à união com Deus.


 
 
Seguem-se alguns ensinamentos segundo o que Bô Yin Râ escreveu e eu assimilei...
O caminho espiritual é basicamente o do auto-conhecimento, o do controle e unificação das forças anímicas sob a vontade única de nós mesmos.
Para isto é preciso uma longa e perseverante escuta de nós próprios até que as flores de lótus da nossa alma se abram à luz do alto e particularmente ao nosso anjo da Guarda ou Mestre.
Uma vida justa, de trabalho consciente, de afectividade e humanidade devem ser acompanhadas de uma prática diária de meditação, de escuta interior, de aspiração a Deus para que possamos ir avançando na ligação e união primeiro ao espírito e depois a Ele.
Não é pela alimentação, a respiração, a sexualidade, as drogas, os mantras, a especulação filosófica, a carga erudita cerebral que tal se consegue mas sim por uma vida dinâmica e despreendidada, e uma unificação anímica que nos dê o domínio harmonioso dos desejos e pensamentos e logo o silêncio acolhedor do sentir e do viver o espírito, ou seja, a revelação espiritual...
O caminho espiritual é portanto uma vida consciente, um alargamento da dimensão dos nossos sentidos psico-espirituais, e que se abrem então para os mundos espirituais, e uma inserção criativa na fraternidade da humanidade e dos Mestres, uma vivência do espírito eterno nas nossas profundezas...
 
 
 
 
 
Não é pela abertura a espíritos desencarnados ou a extraterrestres mas por um silencio e uma escuta interior que os pensamentos e sentimentos subtis dos mundos espirituais nos chegam e inspiram.
É o culto da voz da consciência, do Génio ou Daimon de Socrates e que entre nós Antero de Quental recomendava por exemplo numa das suas mais belas cartas escritas ao poeta e viajante Fernando Leal, e que é no fundo a sintonização e audição da Palavra, do Verbo que se pronuncia em nós intimamente. " Lá no fundo do seu coração há uma voz humilde, mas que nada faz calar, a protestar, a dizer-lhe que há alguma coisa porque se existe e porque vale a pena existir. Escute essa voz: provoque-a, familiarize-se com ela, e verá como cada vez mais se lhe torna perceptível, cada vez fala mais alto, ao ponto de não a ouvir senão a ela e de o rumor do mundo, por ela abafado, não lhe chegar já senão como um zumbido, um murmúrio, de que até se duvida se terá verdadeira realidade. Essa, meu amigo, é  a verdadeira revelação, é o Evangelho eterno, porque é a expressão da essência pura e última do homem, e até de todas as coisas mas só no homem tornado consciente e dotada de voz. Ouça essa voz e não se entristeça»....
 
 Ainda que, certamente, certas frases ou sons, alguns consagrados milenariamente, sejam eficazes auxiliares na modelação harmonizada das nossas forças anímicas para nos interiorizarmos e silenciarmos e para que o Espírito divino possa ser sentido, visto ou acolhido.
 
É o caso por exemplo dos mantras indianos mais sagrados como o Tat Twam Asi, Tu és esse Espírito, que o mestre indiano diz ao discípulo, ou o Om Mani Padme Hum, a jóia da tua própria consciência espiritual está na flor de lotus suprema em ti... Palavras e ensinamentos que apelam a libertar-nos seja de intelectualismos seja de saberes livrescos e sectários e para auto-conhecer-nos libertadoramente...





 
Para Bô Yin Râ, em contraste com a maior parte dos Budistas, não há um mundo sem forma nem símbolos, mas pelo contrário mesmo os mundos espirituais mais elevados tem formas e também não há que extinguir o eu pois os espíritos individuais estão destinados a evoluir e a irradiar eternamente, aperfeiçoando a sua vontade e criatividade própria e singular, harmoniosamente (sem se deixar limitar pela personalidade ignorante) no seio do Todo e maximamente em união com Deus...
Considera também que muitas das visões de videntes e pseudo-mestres não passam de aberturas reduzidas das janelas sobre mundos realtivamente inferiores (e há-os verdadeiramente negativos) e em muitos casos altamente modelados pelas próprios observadores..
A interacção entre estes mundos súbtis e os humanos é grande, daí muitas das lutas e fanatismos que tanto criam consequências no além como são alimentadas por esse aléem e as suas egrégoras grupais e seres negativos...
Bô Yin Râ, como outros mestres, defende que o ser humano é uma centelha espiritual do Sol Espiritual eterno e não um deus ou Deus. E que pela queda ou união ao corpo fisico animal terrestre ela perdeu a consciência do mundo de onde vem e da sua identidade.
Já mais polémica será para alguns a afirmaçao de que só em casos excepcionais é que a as almas por falhanços são obrigadas a viver duas vezes na Terra, e que as lembranças regressivas, hipnóticas ou de dejá vus correspondem apenas a algumas das milhares de milhares de forças animicas que nos constituem e que já passaram por outros seres, locais e tempos...
Daqui resulta a recomendação de não desejarmos mais do que podemos realizar nesta vida pois senão ficamos algo encadeados a essas energias que não cumprimos e que terão que aguardar que haja outros que as cumpram...
Alguns pensamentos finais:
Tens de desenvolver uma certa prática ou treino de concentração para que não te disperses numa frustrada busca de constantes excitações e distrações e deixes atrofiar a faculdade de fazeres experiências interiores nas quais tomes consciência de ti mesmo, e que te revelem o mundo do espírito substancial. 
A experiência interior não tem qualquer relação com o pensamento, e o mundo do espírito real e autêntico situa-se infinitamente para além dos meandros ou prodígios do mundo cerebral...
 
 
Sobre a Arte de Ler dirá:
Entramos em comunhão com a alma do escritor e só devemos ler se temos a certeza que as ideias engendradas pela leitura favorecerão o desenvolvimento supremo da nossa alma.
Também o cómico e o satírico despertarão em ti as forças divinas necessárias, ou mesmo livros cujo poder cativante reside na tensão que criam em nós.”
 
Sobre os objectivos da vida:
O teu objectivo supremo é a realização de ti mesmo na tua forma de manifestação engendrada pelo Espírito, na tua forma espiritual.
Tu mesmo, unido a Deus.
 
De toda a eternidade transportas em ti a a forma engendrada uma só vez pelo Espírito, forma que é tua e que só tu, para toda a eternidade, tem as possibilidade de atingir, mesmo que tal tenha que tornar-se acessível a ti somente após uma infinidade de séculos....””
 
E fica por aqui a nossa homenagem, neste dia de 25 de Novembro do ano da graça de 2014, a um dos grandes mestres e pintores espirituais da Humanidade, pouco conhecido entre os Portugueses, embora tenha traduzido colectivamente e publicado o “Livro do Deus Vivo”, e haja, além dos publicados em alemão, muitos em francês e agora galopante e pragmáticamente em ingês...
E se houver almas luminosas que saibam alemão e que queiram traduzir obras de Bô Yin Râ para Português entro no projecto sorridentemente..
 

 
 
 
 
 
 

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