quarta-feira, 16 de julho de 2014

Martinho da Arcada. Apresentação do Livro de Ana Pinto, "Crisol" por Pedro Teixeira da Mota. 19/7


No café e restaurante pessoano Martinho da Arcada realiza-se este Sábado 19, a partir das 16:15, a apresentação do livro de poesia de Ana Pinto, "Crisol", por Pedro Teixeira da Mota, que o relacionará com a Alquimia, e em especial na investigação e doutrinação ocultista de Fernando Pessoa. 




Fernando Pessoa, Raul Leal, António Boto, Augusto Ferreira Gomes, em animado colóquio, no Martinho da Arcada, perto de 1934-35...

             Pequeno extracto de Fernando Pessoa sobre a Alquimia...

1 - "Esta frase é para quem entende: a sublimação é pelo Mercúrio. Toda a iniciação está nisto" Em seguida anota: "Vertical, vontade. Horizontal, inteligência. Círculo, emoção." E continua, explicando: A terra (segue-se um desenho de cruz dentro de círculo, que é o símbolo da terra) é a Vontade e a Inteligência presas na Emoção. O symbolo da R[osa] C[ruz] é a Emoção crucificada na Vontade e na Inteligência".....

            E um grande texto dactilogradado (que está online no Arquivo Pessoa: Obra édita, mas com alguns erros)  sobre a alquimia ao nível material e ao nível de forças supermateriais e simbólicas, e em que os resultados das operações são meios de se transformar e dominar em si mesmo os elementos trabalhados.Fernando Pessoa, neste texto, não se espraia muito nesses elementos trabalhados e que tanto são reais, como são "forças em equilíbrio instável",  como são símbolos de estados de consciência e qualidades anímicas, apenas indicando o ferro


2- A química oculta, ou alquimia, difere da química vulgar ou normal, apenas quanto à teoria da constituição da matéria; os processos de operação não diferem exteriormente, nem os aparelhos que se empregam. É o sentido, com que os aparelhos se empregam, e com que as operações são feitas, que estabelece a diferença entre a química e a alquimia.A matéria do mundo físico é constituída de três modos, todos eles simultaneamente reais; só dois desses modos interessam para o caso presente, pois que o terceiro pertenece a um nível conceitual diferente, e não é atingível por operações, aparelhos ou processos que sequer se parecem com os que se empregam em qualquer cousa que se chame «química» ou «física», «ocultas» ou não. (1)A matéria é na verdade, e como crêem o físico e o químico normais, constituída por um sistema de forças em equilíbrio instável, formando corpos dinâmicos a que se pode chamar «átomos» Porque isto é real, e a matéria, considerada fisicamente, é na verdade assim constituída, são possíveis as experiências e os resultados dos homens de ciência, e a matéria é manipulável por meios materiais, por processos apenas físicos ou químicos, e para fins tangíveis e imediatamente reais.Mas, ao mesmo tempo, os elementos que compõem a matéria têm um outro sentido: existem não só como matéria, mas também como símbolo. Há, por exemplo, um ferro-matéria; há, porém, e ao mesmo tempo, e o mesmo ferro, um ferro-símbolo. Cada elemento simboliza determinada linha de força supermaterial e pode, portanto, ser realizada sobre ele uma operação, ou acção, que o atinja e o altere, não só no que elemento, mas também no que símbolo. E, feita essa operação, o efeito produzido excede trancendentalmente o efeito material que fica visível, sensível, mensurável no vaso ou aparelho em que a experiência se realizou.É esta a operação alquímica.E isto no seu aspecto externo: porque, na sua realidade íntima, é mais alguma cousa do que isto.
Como o físico (incluindo no termo o químico também), ao operar materialmente sobre a matéria, visa a transformar a matéria e a dominá-la, para fins materiais; assim o alquímico, ao operar materialmente quanto aos processos mas transcendentemente quanto às operações, sobre a matéria, visa a transformar o que a matéria simboliza, e a dominar o que a matéria simboliza, para fins que não são materiais.A semelhança, porém, pára aqui. O resultado da experiência física é um produto externo, com que o operador não tem nada, excepto vê-lo, ou ser dono dele, se o é. Mas na experiência alquímica a «força», que o corpo trabalhado simboliza, está em contacto directo com o espírito do operador, e não só do operador, como também de quantos conscientemente o auxiliam (embora sem conhecimento alquímico) na suas experiências. O resultado da experiência, portanto, afecta o operador e os seus «adjuntos» (como se diz) de uma forma diversa e diversamente importante.

Texto dact. 

 (1) - As três palavras após a vírgula são um acrescento manuscrito.


                                              No crisol da alma resplandece o Espírito....




Spiritual ubiquity....








Spiritual ubiquity is a subject of so subtle manifestations that it is not easy to explain, but anyway let us approach it.
It means a kind of bi-partition of ourselves, as beyond the physical body we have also a  soul or subtle body and so we can be at home physically and, at sometime, go (at the soul's level or spiritual body) somewhere. This happens mostly when we sleep and then we have records of that in some aspects of the dreams, the most valuable being: seeing what will be seen during the next day or days, and collecting new information not available previously in our mind, or having deeper relations or talks with someone.
The most interesting aspect for humans of spiritual ubiquity is still different and higher, as it happens when you are awakened but some part of you goes to another person to help her, to teach her, and you don't have even  any perception of that, beyond the idea that you feel some connection with that person.
The interesting points to investigate are on the mechanisms operating at soul level for that:
Should we give more value to the explanation that there is some channels by which we can transfer energy and consciousness to the other, for example like rays, or as stream of presence?
Should we give more value to the explanation of just traveling in the spiritual body to the other location and assisting or being with that person?
But then, is there such a fullness of the single spirit, that we can function in the two places perfectly well, one on physical level, another one just on a soul level?
It seems so, as the other person is happy to be learning or feeling us, and we are going onward in our meditations or activities...
In fact, our perception of our own spirit, as the inner center of the soul, mind and body,  is very weak... Most people disbelieve it, they just accept a duality of body and mind, or body and soul. Only some people accept it, and only a few have seen him, through the spiritual eye, and are trying to become more united with him..
In a certain way we are saying that there is consciousness at personality level (by the mind and brain), as well at the spiritual level, and so myself personality I am conscious that I am writing now and, at the same time, the spirit in me is conscious of other aspects of reality, or he can be even far away of me in contact or "talking" with someone, keeping probably a thread of light for keeping me alive spirituality here, and sometimes giving me a inch or two seconds of the sound of the spheres to make me feel them...

If it is a thread of light, a beam of light, rays from the cintilla, or just a "sintonization" of frequencies is hard to be sure, as our spiritual level and eye are not so cleaned or purified to give us better perceptions of this subtle levels...
Surely, there is many cases in the history of religions of saints or masters capable of being in two places at same time, as for example, S. Antony of Lisboa....
Surely, also there was quite a lot of studies and controversies on the spiritual ubiquity of Jesus the Christ in the mess, or even in the visits to her spiritual brides, as we have instances in the Portuguese mystics of the XVIII century...
Surely, the ubiquity of God, as 3º person, the Holy Spirit, or of God in Himself , Father -Mother- Divinity, and His omnipresence mostly admitted although not so much felt or seen, specially at his true and deep level...
Surely, if we are spiritual beings mostly or essentially, our spirit, that is Love and Wisdom, if he is not so much called does what we want, or what others desire, wish or ask from him, and as Nature abhorred the void, we are prone to dream, attract or fly to similar souls or even the unseen twin souls, or, at least, friends of special affinities...
So more reasons to seek deeper understanding of our own intimate identity, our real being, and his interrelated powers, and interact with the others at this subtle and deep Self, with so much still to be studied, known and loved...






sábado, 12 de julho de 2014

Ourivesaria Sarmento, exposição colectiva de Ana Mandillo, Sónia Estevão e Hirondino Pedro. Julho de 2104..







           Inaugurou Sexta-feira, 11 de Julho de 2014, na prestigiada e já centenária ourivesaria Sarmento, à rua do Ouro (nº 251), uma exposição colectiva de Ana Mandillo, com as suas Luminosidades, ou Ana Mandillo - Plasticidades, Sónia Estevão, ourivesaria e joalharia criativa, e Hirondino Pedro, pintura...
Estiveram presentes a Ana, e a sua vasta família, a Sónia, o Estêvão Barahona e sua mãe, a notável joalheira Pilar Andaluz, mulher do afamado poeta António Barahona, entre muitas outras simpáticas pessoas, tal como o Paulo Mareca, o que possibilitou diálogos valiosos...


Desenhos e exposições antigas guarnecem as paredes de bela ourivesaria e local de exposições que é a Ourivesaria Sarmento, à quinhentista rua olisiponense Áurea....
Faça-se Luz colorida e ondulatoriamente *******

Que as cores luminosas iluminem mesmo o imobilismo do passado, as trevas do inconsciente. o potencial de heroicidade ou santidade...

Sobre e sob o pano de fundo museológico da ourivesaria Sarmento, das pinturas de Hirodino Pedro e das luzes da Ana, ocorrem diálogos valiosos, com o Vicentinho a espreitar embevecido as alturas...

As misticas colorações luminosas da Ana Mandillo iluminam e aquecem  verdadeiramente os seres.... 

Esta sereia, do Hirondino Pedro, que paira sobre a cabeça de João Baptista faz-nos lembrar as tentações de S. Antão... Mas quem sabe o que diriam e sentiriam hoje ambos os santos? Será que o Eterno Feminino não terá recuperado nos dias de hoje mais sacralidade ou santidade para a mulher sereia ou as ondinas sereias?

Uma dama de pé-de-cabra, um alma com amplo e livre inconsciente está bem sentada em qualquer lugar ou mundo

A criança verde e inocente, um espírito da Natureza e das flores, ou as incursões nas germinação subtil dos seres no amplo Universo...
Hirundino Pedro tem uma percepção funda da Natureza e dos seus seres permeados de Amor e consegue-a transmitir em pinceladas directas e quentes que nos alegram com a  Unidade Amorosa de toda a existência, próxima da wahdat al wujud dos sufis e gnósticos, ou de alguns pintores russos post-modernos...

A delicadeza da criatividade colorida da Sónia

A Sónia e duas amigas dialogam sob as centenárias abóbadas da ourivesaria Sarmento

Sob ou no teu pescoço porei um colar de róseas canções

A Sónia reencontrou a Pilar Andaluz que fora sua professor de joalharia e alegraram-se nos projectos em curso... 

Outrora os portugueses singravam em caravelas de ouro pelos mares sem fim... 

Mesmo aos pagodes chineses chegava a arte e o engenho lusitano

Da criatividade do coração português há muitos sinais pelo que a esperança nunca será em vão...

Sonhos glamorosos de marcas mundiais 

O Estevão promete defender a arca aurea da pátria dos salteadores político-financeiros....
Qual Baphomé templário, este Pan sentado augura que a Natureza e os seus espiritos e Kami saberão sobreviver ao Homem e inspirá-lo e uma nova Humanidade mais ecológica e artística, fraterna e espiritual será uma realidade....
                                                       
Sonhos azuis, invocações artística e infantis divinas...
A união faz força, mote de ferro forjado para os Portugueses futurantes...


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Da Voz do Silêncio: da audição do Som interno e das orações e mantras ao Divino

Antenas, audições e emanações da alma espiritual





                      Da Voz do Silêncio: da audição do Som interno e das orações e mantras ao Divino...

     Interrogam-se as pessoas sobre os melhores modos de se aperfeiçoarem, espiritualizarem, harmonizarem, de se sentirem mais criativas, plenas e felizes e, de facto, como a profusão de métodos, doutrinas e escolhas é grande, devemos ser cautelosos pois nem tudo o que reluz é ouro, muito do que é transmitido não corresponde seja às promessas seja ao preço, nem todos os que falam de qualquer assunto o conhecem realmente e, quanto ao amor e sabedoria, muitos poucos vivem mais do que a sua ignorância, ambição, sensualidade e egoísmo.
Sair do egoísmo, caminhar para além dos interesses pessoais e egóicos, do conhecido e dos limites, verdadeiramente ultrapassar-se, é então um desafio que merece a nossa plena atenção e investigação.
É pela vivência que cada um consegue da Vida, e na sua totalidade, que nos caracterizamos e ora relativamente nos condenamos ou salvamos, ou seja, nos despertamos e clarificamos ou nos abastardamos e degeneramos. Há então que lúcida e diariamente na meditação praticarmos o auto-conhecimento e a ligação à Verdade, à Divindade e viver harmoniosamente o quotidiano...
Aproximemo-nos então de um dos métodos que ao longo dos séculos deu e dá efeitos ou resultados harmonizadores e libertadores e que foi como que imortalizado na frase muito conhecida do início do Evangelho de S. João: "Ao princípio era o Verbo ou a Palavra (o Logos ou Sermo), e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus".
A prática então recomendada é tentarmos ouvir o Verbo, a Palavra e Som Primordial, a Voz do Silêncio, o som do Rio da eternidade, o que a Divindade irradia e que nunca deixou de animar a manifestação ou criação e que nos sustenta e alimenta, integra e subtiliza...
Será de noite, no tempo de maior silêncio, que podemos entrar mais dentro de nós e estender ou apurar as nossas antenas subtis de escuta das vibrações e ressonâncias sagradas do espírito, e a expressão de contemplar o sol da meia-noite não está afastada desta manifestação do Espírito e do Logos ou Sermo (Palavra) mais perceptível nas horas mais calmas da humanidade.


Qual sol da meia noite....
Sabemos porém como na vida moderna muita gente e moda se tem lançado inconsciente ou então encarniçadamente contra o silêncio, sabemos como as nossas mentes estão tão marcadas e afectadas pelas impressões diárias, que poucos, muito poucos mesmo, são os que conseguem silenciar-se e sintonizar e por fim comungar da voz ou da vibração do silêncio, subtil mas sempre presente...


A “Voz do Silêncio”, título de livro da russa Helena P. Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, traduzido por Fernando Pessoa e de grande divulgação mundial, foi uma obra que falou de tal prática e dos vários tipos de som audíveis, de acordo com a tradição indiana, mas não é tão complicado ou exigente como ali se apresenta a sua audição, pois a Voz do silêncio quer dizer que quem se silencia, começa a ouvir que o silêncio tem voz, que ele nos fala, que há uma vibração, som ou voz que parte ou fala no silêncio, ou ainda que o silêncio se nos torna perceptível primeiro como vibração, som subtil na cabeça e, por fim, sonoridade rítmica, mensagem, presença.
Esta voz subtil, como a telepática do Anjo da guarda, como o crepitar da lareira na noite ou como a ondulação vibratória do piscar dos olhos das estrelas, é então um dos apoios e ideais não só dos místicos e alquimistas como dos peregrinos e tantos outros que procuram o espírito, e a sua vibração e desvendação..
Não se diz nos Evangelhos, realçando a sua sonoridade e vibração, que o Espírito Santo entrou sobre os discípulos de Jesus, no Pentecostes, com um grande estrondo e que depois foi visto como fogo pairando sobre as cabeças dos que ali reunidos estavam em oração, louvores e meditações?
Podemos então já ver alguns aspectos da sadhana, como se chama na Índia às práticas espirituais, a realizar: recolhimento, respiração colada ao som, acalmia das ondulações mentais, silêncio, invocação, audição, captação, visão do fogo ou luz que desce, ou que, já estando em nós, atinge essa intensificação de se poder manifestar como som, como fogo visível, como calor de amor, como entendimento da linguagem universal, acesso ao plano da interconectividade de todos os seres e da unidade espiritual.
Comungar da som primordial que jaz oculto sob o estrépito e o ruído da vida moderna é então uma tarefa heróica que conclama e apela às melhores qualidades das almas peregrinas e demandantes do santo Graal da Verdade, do Amor, da Divindade...
Nas noites ora anestesiantes ora despertantes o que vais tu fazer do teu amor? O que vais querer ouvir? Que músicas ou sons ou palavras ou mesmo ecos do que fazes, pensas e sentes, emanarão de ti? E se vives a dois, quantas vezes tentastes escutar e acolher o Silêncio reciproca e partilhantemente, quantas vezes irradiastes sons e orações para o Cosmos unidas na ardência unitiva do Amor?
Sim, em geral mais do que mergulharmos no silêncio e nele nos silenciarmos, estamos sempre a produzir sons pelos nossos pensamentos, actos, posturas e palavras, e que se multiplicam em ondas infinitas pelo universo e que se repercutem sobre nós, pelo que devemos então estar mais consciente do que estamos a emanar como tónica geral diária e de vez em quando assumir mais criativa e poderosamente tal irradiação...




O Aum bem pronunciado



Recitam ou cantam uns o Aum ou Om, outros o Amen, outros o Allah Hu, o Hare Krishna, o Sat Nam, o Yom, o Om Namo Narayana, mas poucos são os que conseguem chegar por Eles a estados luminosos ou mesmo de certa  comunhão com a Divindade ou ouvir mesmo o Som interno e primordial, do qual esses nomes santos são apenas já particularizações, ainda que certamente valiosas, elevadas e necessárias até, para nos unificarmos e elevarmos.
Para além dessas palavras sacrosantas ou mantras, cada ser tem uma sua palavra sacra específica, a qual corresponde à sua essência, e que pode ser ouvida dentro de si como vogal sua, tal e qual tem na meditação uma luz, a sua própria, com a sua coloração ou as suas colorações especiais.
Para além ou acima destes sons manifestados, tão utilizados nos mantras e nas repetições de orações, está pois, na tradição Indiana, o Paranadha, o Som sem som, o Som primordial, a vibração cósmica no seu estado mais subtil e imanifestado, certamente difícil de alcançar-se ou de nela se permanecer... 
Tendemos para tal quando, por exemplo, no fim da repetição do Om ou do La illah illa Allah, do Pai Nosso, do Iesus ou Ihs, do Aum Mani Padme Hum ou do Shuda Shakti Om, silenciamos e o invocamos com sacralidade e conscientes de que tal som provém do próprio Ser primordial e é como  a sua voz-vibração tanto pela extensões infinitas da manifestação como a que provém do nosso próprio espírito, e nos chega como um murmúrio, o zumbido de abelhas, um IHS,  uma voz baixa, uma centelha de luz....


O Ihs no  claustro dos Jerónimos...

É então recomendável tentarmos sintonizá-lo e escutá-lo diariamente no que O conseguimos ouvir no quotidiano, e  depois mais intensamente de manhã ou antes de adormecermos à noite, ou mesmo nos momentos diários meditativos ou contemplativos, ou naqueles em que o seu crepitar se torne mais forte e atraente, pois tal acalma e harmoniza as ondulações do pensamento, da aura e da actividade neuronal, intensifica a nossa auto-consciência e espiritual  e torna-nos mais despertos e expandidos e logos aptos a receber intuições e a intensificar seja o apelo unitivo do nosso coração e alma ao Espírito e à Divindade, seja já a Unidade...




Se a tua alma estiver limpa será um espelho do Céu

terça-feira, 8 de julho de 2014

Frei Luís de Granada (1504-1588), mestre da via espiritual. Alguns ensinamentos...


Frei Luís de Granada (1504-1588), mestre da via espiritual...

Artigo escrito para obra colectiva intitulada "O Cabril do Granada, local de mística e poesia", publicada em 2004, no 5º centenário do nascimento de Frei Luís de Granada, pela Casa de Pedrógão Grande, em Lisboa.
Contém algumas partes valiosas da sua vida, obra e ensinamento...






             O Cabril é um belo e energético sítio, numa escarpada confluência de leitos, junto a Pedrogão Grande, onde Frei Luís de Granada orava e merece bem ser visitado e meditado...
































sábado, 5 de julho de 2014

Antero de Quental, poeta e filósofo, discípulo e mestre de Portugal.






                                      ANTERO DE QUENTAL
                       Poeta e filósofo, discípulo e mestre de Portugal.


       É sempre bom revisitar a sua espiritualidade, extrair e sintonizar as pistas e veredas que ele intuiu, pensou, poetizou ou revelou, e pô-las de novo em reflexão e acção, não só para que a Tradição espiritual Portuguesa circule e revivifique-se, como para que sejamos impulsionados a aprofundar as suas questões e descobrimentos, limitações e realizações.
Consulto os “Sonetos Completos”, edição da livraria portuense de Lopes & C.ª - Editores, sita na Rua do Almada , 123, de 1886, com a particularidade de ter uma dedicatória manuscrita ao alto da folha de guarda, na qual só a palavra impressa “Sonetos” surge a meio, e que reza assim «Ao seu querido amigo António de Azevedo Castello Branco off. O autor»....   A humildade de Antero..., nem sequer pôs o seu nome...
Sobre este exemplar abençoado afloremos o soneto Nocturno, onde encontramos alguns dos traços essenciais do nosso poeta filósofo, nomeadamente quando se dirige ao espírito nocturno que passa e que verte sobre ele as águas do esquecimento, num triste alento mas eficaz:
“A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno bem.”
Temos então Antero considerando-se levado por um instinto, ou uma aspiração ou bússola de luz, que rompe, vence ou fende as trevas numa busca do eterno Bem entre visões.
Há portanto um instinto, uma impulsão, uma aspiração de luz em acção nele que busca o Bem eterno, seja a Verdade, seja a Divindade, seja a Felicidade.
Temos então nós algo deste instinto ou aspiração de luz em acção? Cultivamo-lo?
Quando podemos dizer que estamos a buscar o Eterno Bem, seja em visões, seja em teorias, seja em meditações, seja em acções e abnegações?
O que é o Eterno Bem para nós? O que estamos a fazer por o encontrar, por o realizar, por o cumprir? Onde o sentimos mais ou quando?
O que é que o Eterno Bem quer de nós? Que o encontremos, que o vivamos, que o transmitamos? O que estamos a fazer verdadeiramente pelo advento do eterno,  perene ou supremo Bem? E com que pessoas e grupos, já que a união faz a força?
E como os instintos satisfazem-se em actos, perguntemos se assim como diariamente satisfazemos o instinto de sobrevivência pela alimentação, o que fazemos quanto ao instinto da luz?
Será que apenas o satisfazemos alegrando-nos quando está sol?
Ou maravilhando-nos com os fogos de artifício, ou as luzes das ribaltas futéis ou mesmo alienantes e degradantes?
O instinto da Luz significa tanto tornarmo-nos mais luminosos, como querer saber e conhecer mais a fonte da luz, que é o eterno Bem. E portanto despertar mais a Luz que está em nós e exprimi-la criativamente e nos esforços que vencem a inércia, a dor, o desanimo, os obstáculos
Sem irmos para as teorias platónicas e neo-platónicas, muito desenvolvidas no Renascimento com homens como Marsilio Ficino, Pico della Mirandola ou Leão Hebreu, e que falam da procissão ou emanação da Luz amorosa criadora e que atrai a si, depois de circular, o amor, conforme a imagem simbólica das três Graças, a que dá, a que recebe e aque retorna, queremos apenas realçar que o culto da Luz, o assumir o instinto implica sobretudo tentarmos descobrir e intensificar a Luz em nós, recebê-la na nossa consciência, irradiá-la poderosamente nas meditações ou orações. No fundo trabalhar criativamente com este instinto, potencial ou dinamismo anímico que possuímos, do qual mesmo podemos dizer que somos, pois a nossa essência e ligações mais vitais e perenes são as luminosas, ígneas...
Estava bem consciente disto Antero, dominava relativamente claro a psique luminosa, vira ou assumira as asas do anjo nele?
A resposta neste verso final não é muito promissora: Antero sente apenas uma febre de ideal que o consome. E sabemos como na vida acabou por não bater tanto as asas como desejara e sonhara na pujância juvenil.
O ideal social, o ideal fraterno, o ideal de amor e conhecimento, sim certamente que abrasaram sempre a vida dum sábio que era também um santo, na feliz expressão de uma mulher amiga do poeta e que Eça de Queiroz popularizou magistralmente no seu contributo para o In-Memoriam de Antero. Mas conseguiu ele mais que ser abrasado e consumido por uma febre idealista que ele próprio consideraria tanto um mal, como um fogo juvenil, porque não atingiu a estabilidade do espírito ou do Divino? Como equilibrar os ideias e utopias, a sociedade entorpecedora e enleadora e os subtis e elevados níveis espirituais e o Divino Ser?
Eis a questão que há que pôr e repôr constamente nas nossas vidas e ao ouvirmos e estudarmos Antero em cartas, sonetos e textos de prosa. Certamente que poderemos afirmar que Antero procurou, sentiu e teorizou o caminho do espírito, seja na sua procura de unir o transcendentalismo e o imanentismo espiritual, ou o budismo e uma doutrina espiritualista que coroasse o naturalismos helénico. Mas como a sua vida pessoal não suportasse os embates da vida devido à estrutura psico-corporal e saúde frágil, as revelações e fulgurações que teve não foram suficientes para conseguirem-no iluminar nem para lhe dar a estabilidade duma prática diária harmoniosa alimentar, vital, ritmica, emocional, mental, social, científica e espiritual, ainda que no tempo de estudante tudo fosse vigor e génio e já no findar da Vida, junto ao mar em Vila de Conde tivesse vivido momentos de grande serenidade e felicidade.
Muito gratos devemos estar nós hoje pois podemos bem mais facilmente obter e realizar as almejadas sínteses entre o espírito imanente, uma vida justa e livre e a aspiração, abertura e comunhão ao Alto e ao Transcedente. Daí a nossa responsabilidade de agradecer, completar, de continuar Antero.
No soneto Nocturno, dirige-se ele no princípio ao espírito que passa, e no final ao Génio da Noite, o único ser que o entende.
Génio da Noite, em Antero de Quental, Senhora antiquíssima da Noite, em Fernando Pessoa e Teixeira Pascoaes, e tantos cultores portugueses da potência anímico-espiritual que de noite, sobretudo nos poetas e espiritualistas, se torna mais presente e sensível e nos apela a despertar, erguer, ardermos, crarmos e amarmos...
Procuremos então o Espírito que não só passa mas que fica e que é, do Espírito não só nocturno mas também diurno e mesmo que inclua os pares de opostos e os transcenda e seja uno com o Espirito Divino.
Trabalhemos pois mais conscientemente a Luz em nós, as energias divinas que chegam até nós sobretudo pela leitura e a escrita, a doação e a criação, a meditação e oração, contemplação e palavra desperta e que constituem a nossa essência e desenvolvimento luminoso.
“Vós sois a luz do mundo”, disse Jesus, procurando e incitando a estabelecer-nos numa base confiante e assumida da nossa natureza de luz.
“Eu sou o Espírito luminoso” Que estas palavras cheguem até a todos os que de algum modo são procuradores ou discípulos do Caminho, que ele próprio percorreu e trilhou com dificuldades e fortes e que em Portugal pioneiramente abriu enquanto


Sim, importará realçar e clarificar sempre o que de mais valioso ou pioneiro tem Antero na história do pensamento espiritual em Portugal, seja no seu interesse pela Sabedoria do Oriente seja na sua demanda intensa de uma síntese entre a ciência, a religião, a ética e a espiritualidade e de um acesso ao centro e voz da consciência, no que foi depois continuado em parte por Fernando Pessoa e mais alguns cultores da Tradição Portuguesa, num Caminho que hoje em dia está mil vezes mais conhecido e difundido embora também superficialmente, com conteúdos éticos, filosóficos e espirituais frequentemente bastante mais fracos...
Saibamos continuar a demanda e ir mais longe, profundo e alto na esteira do facho luminoso de Antero...