terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Mensagem do Natal, 2013...


ACERCA do NATAL 

A incarnação mais viva da Divindade, ou de um ser que manifestará mais fortemente o espírito e o Divino, e que impulsionará fortemente a evolução da humanidade é uma esperança sempre renovada da Humanidade, e que segundo a Tradição Espiritual se realiza mais apropriadamente à volta do solstício do Inverno, aquando das noites mais longas do ano. E é a um Arcanjo denominado Gabriel que se atribui a regência desta estação do ano, responsável então pelos processos de concretização dos arquétipos e dos gérmenes, anunciando ele então a Maria a vinda das alturas do seu filho, e eis no devir humano a conjunção da realidade, do símbolo e da lenda, no nascimento de Jesus, que será o Messias, em grego Cristo, oue que significa na tradição hebraica o Ungido, o mais esperado (pois Ciro, rei da Pérsia, também fora assim chamado), e que transmitirá um ensinamento bem despertante e libertador, embora pouco recebido e rapidamente quase eliminado, ainda que depois Paulo e Roma catolicizem-no, isto é, é universalizado na medida limitada humana das mentes e condições da época e da Roma imperial…

Passaram-se então dois mil anos e treze, de múltiplas interacções civilizacionais, culturais e religiosas, claramente de evolução grande da humanidade em vários domínios mas com uma correspondente massificação e materialização artificial, fatal no seu egoísmo e consumismo, pelo que vemos mesmo nas celebrações e festividades de tal elevada simbolização e realidade, as chamadas natalícias, além das cerimónias das Igrejas pouco mais do que um sentimento de fraternidade e de festa, muito alimentado dos sonhos e inocências das crianças, que serão depois bastante defraudados pela educação pragmática e pelo mundo ainda tão competitivo e injusto dos adultos...

Assim, à parte tais cerimónias ou as práticas religiosas e espirituais individuais e e pequenos grupos, e as múltiplas acções de solidariedade, ainda o que predomina é a materialização consumista de presentes e desejos, o que tende a concretizar-se em objectos e comida, não havendo muita atenção aos sentimentos, à escuta interior de nós e do outro e das suas necessidades e anseios, ou ainda de meditação e oração com a nossa alma espiritual, os antepassados, os anjos, os mestres e a Divindade…
E eis então que o que deveria ser tanto uma altura de acolhimento interior como de diálogo amoroso é transformado em correria exterior, por vezes de tal forma que a possível comunhão do Divino é tornada apenas ceia ou consoadas, de iguarias densificantes, enquanto que os presentes (ou chakras luminosos...) da Árvore da Vida interna são olvidados e substituídos pelos pendurados nos pinheiros (pobres deles...) e que vêm das grandes lojas ou supermercados em vez de, ao menos, os recebermos dos artesões que os produziriam com genuíno esforço e amor, ou mesmo do mundo espiritual, tais como inspirações e iluminações…

Quem estiver mais atento e discriminante, recolher-se-á então de quando em quando nestes dias e não se dispersará tanto e então o espírito que está em nós manifestar-se-á mais, permitindo o acesso à comunidade e comunhão mística dos seres, mestres e anjos, e mesmo ao Divino, em nós e no Cosmos Infinito do Amor, por vezes tão pressentido na neve, no silêncio, no mar, nas florestas, no nascer ou pôr-do-sol, ou mais simplesmente na gratidão da saúde e do trabalho…

Vejamos então se nos sobra algum tempo, ou se o reinventamos e recriamos, para, em aspiração orante ou meditante, em escrita aprofundante ou em escuta comungante com o subtil mundo espiritual ou Divino em nós, conseguirmos deixar desabrochar na nossa alma e consciência algumas inspirações e imagens do Alto, alguma serenidade silenciosa ou deliciosa, algum propósito mais fraterno e solidário…
Tentemos pois intensificar e elevar mais as nossas energias e consciência interior a uma certa unificação em si mesma, concêntrica ao Espírito Divino, para que depois, e no novo ano, sejamos capazes de ser e perseverar como barqueiros para quem quiser passar da agitação ilusória para a outra margem consciencial, como sintonizadores ou mesmo portadores do Graal de ligação com o coração Divino…

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