quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Hallowen, Samain, ou as celebrações sacras celtas e pré-cristãs...


                              Samain, Hallowen no ar e nas almas...
Esta celebração celta e druídica, ou ainda da imemorial religiosidade pré-cristã europeia, realiza-se nesta altura do ano (29/10 a 2/11), entre o equinócio do Outono e o solstício do Inverno, desenrolando-se por alguns dias de festejos, danças, rituais e orações que marcavam o fim e o começo do novo Ano. 
Eram dias fortes, de entrada no Inverno e nas trevas maiores do tempo, para um renascimento posterior. Seja a Divindade, seja os Deuses e Espíritos da Natureza, tinham que ser evocados como protectores do novo ano e presenteados com energias aplacantes, pelo que rituais, danças e sacrifícios eram-lhe oferecidos. 
As lutas entre as forças do bem e mal adivinhavam-se nas tempestades e raios, e os Deuses e espíritos da Natureza desciam mais à Terra e à visibilidade: o mundo de Sid (do além) estava aberto, as fronteiras esfumavam-se, as visitações, inspirações e oráculos podiam suceder...
Esta abertura ao Sid, ao mundo subtil e espiritual, era um dos traços mais distintivos dos dias da celebração do Samaim, algo que se conservou no Cristianismo, com os dias de Todos os Santos e o dos Mortos, que assinalam e apelam a esta abertura e sintonia maior entre os mundos e seres, na velocidade luminosa ou frequências vibratórias que conseguirmos...
Onde se localizam as entradas para o Sid
Tradicionalmente era para o lado do Sol poente, ou Ocidente e, portanto, nestes dias quem quiser orar ou meditar poderá fazê-lo virado nesta direcção e aproveitando o balanço ou a corrente energética… 
Ou mesmo virar a cama para tal eixo e, ao adormecer, orar, sonhar e deixar-se partir para o mundo intermediário e subtil, ou mesmo para a Ilha Afortunada, no meio do imenso Oceano da Manifestação, também denominada Avalon, a ilha da imortalidade ou das maçãs pentagonais que a propiciam...
Ou seja, da consciência mais perfeita do espírito que somos e dos que nos rodeiam e que se manifesta harmoniosamente nos mundos, sob o Um Divino e a sua Graça branca e nos sete planos...

                                                                         Branca de Neve, por Leonor B

Quanto às festas, às comidas, às cabaças escavadas (ou cabeças sacrificadas e iluminadas), talvez possamos lembrar que muito provavelmente nestes dias, os sacrifícios primitivos passaram a ser também refeições ou banquetes nos quais algumas comidas eram oferecidas aos deuses, aos antepassados e protectores dos grupos e que chamas (ou velas..), perfumes de flores, odores de ervas ou incensos, poções e alimentos, preces e cantos elevavam-se para o Sid, com amor e gratidão, e podiam assim fazer descer alguma presença, inspiração ou bênção, que enchia o silencioso círculo ou família, mesa ou cabeça, de que a cabaça aberta e luminosa é símbolo, e como hoje se faz mais ou menos conscientemente aqui e acolá...
Mas porque será que as pessoas hoje sentem muito pouco do Sid ou do além? 
Basicamente talvez porque estão cheias do mundo e das suas futilidades, roubos e desgraças, sendo os meios de informação e a televisão os principais causadores de tal crescente insensibilidade e incapacidade de se sentir ou ver mais os mundos subtis e espirituais e os seus seres...
Morre tanta gente nossa amiga ou próxima, queixamo-nos da tragédia que foi e da sua falta, mas depois embebedamo-nos de informação televisiva ou revisteira e desenvolvemos pouco silêncio e escuta interior para os poder sentir e escutar ou orar e iluminar… 
Passe então a ver ou contemplar mais com o olho espiritual, e deixe de o encher de lixo televisivo, informativo ou de conversas.. 
Abra-se então aos sonhos visões, telepatias e oráculos, nestes dias de transparência e ligação maior entre as almas e os espíritos e a Divindade... 
O Samain está de novo entre nós e mesmo que sob a forma ruidosa e superficial do Hallowen poderemos intuir os aspectos tradicionais e luminosos que estão por detrás dele e se os aprofundarmos e aplicarmos amorosamente conseguiremos despertar mais o espírito que está em cada um de nós e naqueles com quem nos relacionarmos, seja vivos ou já desencarnados, na Unidade Divina, ou sob a Sua Graça... 





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